Vanilma, a primeira mulher a sangrar pelas mãos do marido no DF em 2019

A vida e a morte da moradora do Gama se passaram em raio de 4,2 km no Setor Oeste

Na madrugada do primeiro sábado de 2019, Vanilma e Tiago estiveram juntos pela última vez. Dentro do Vectra branco da família, cumpriram o percurso de 3,2 km que separa a casa deles da emergência do Hospital Regional do Gama (HRG). No trajeto de oito minutos, duas despedidas: a da própria vida e a do homem com quem dividiu planos por 10 anos. No carro, Vanilma agonizava justamente ao lado de seu assassino, marido e pai de seu único filho.

Para evitar a prisão em flagrante, Tiago largou a mulher sozinha às 3h30 na emergência do HRG. Vanilma chegou consciente, mas sangrava muito. Tinha um talho profundo no lado esquerdo do peito. Não contou a ninguém quem a havia atacado. Estava preocupada com o filho, de 3 anos. Ele tinha ficado sozinho em casa. A mulher implorou ajuda aos policiais, para que fossem em socorro de Enzo.

Ao ser questionada pela polícia sobre os detalhes do crime, mentiu. Não quis denunciar o companheiro. Disse ter sido esfaqueada por um desconhecido. Antes mesmo de ter certeza de que o filho estava protegido, adormeceu. Primeiro pelo efeito dos sedativos. Horas depois, porque seu coração parou de bater. A fúria do marido perfurou o pulmão de Vanilma e, apesar de os médicos terem realizado duas cirurgias, foi impossível salvá-la.

Início

Um crime de feminicídio começa bem antes de o agressor aplicar o golpe fatal. O roteiro da tragédia se forma a partir de discussões, desentendimentos, mágoas, desrespeito e violências até o desfecho, quando ele faz sua vontade prevalecer por meio da força e aniquila a vítima.

É vago apontar quando uma história de amor se transforma em capítulos de uma narrativa violenta. No caso do relacionamento de Tiago Joaquim, 33 anos, e Vanilma Martins dos Santos, 30, foi em algum momento entre o fim de 2008, quando se conheceram, e a madrugada de 5 de janeiro de 2019, quando ele a matou. O enredo onde tudo se passou, entretanto, está restrito a um raio de apenas 4,2 km, entre a casa dos dois, no Setor Oeste do Gama, e o Nosso Bar, um galpão de piso de ardósia e paredes caiadas às margens da DF-180. Lá se conheceram.

Aos 20 anos, Vaninha, como sua família adotiva a tratava, era uma moça que chamava atenção pela beleza. Magra, tinha os cabelos escuros e compridos. Embora tímida, era vaidosa. Na época, fazia curso técnico de enfermagem em Taguatinga e, vez ou outra, ajudava a servir os clientes do Nosso Bar. Seus familiares mantinham o ponto comercial e moravam no mesmo endereço. Tiago, aos 23 anos, havia parado de estudar na 6ª série do ensino fundamental e frequentava o lugar para beber e jogar sinuca com amigos.

Onde morava e trabalhava Vanilma

Vanilma e Tiago começaram a namorar e, dois ou três meses depois, decidiram morar juntos, nos fundos da casa dos avós paternos dele. As melhores amigas de Vanilma à época eram a prima Polliane Martins de Oliveira, hoje com 25 anos, e a vizinha Sheila Ferreira da Silva, 29. As duas tinham namorados e, segundo elas, Vanilma também desejava encontrar um par e sonhava em formar uma família.

Tiago, no início, parecia perfeito, levava Vaninha para passear no Lago Corumbá, dava buquês de flores, era romântico. “Ela se encantou”, diz a prima e confidente Polliane. A paixão fulminante desagradou Dionice dos Santos, 49, a mãe de criação.

“Eu nunca gostei dele. A primeira impressão não foi boa”
Dionice dos Santos, mãe de criação de Vanilma

Dionice, que criava Vanilma desde os 4 anos, não sabe precisar o que a desagradou no genro. A irmã dela, Geralda Martins dos Santos, 43, lembra de uma briga violenta de Tiago com um rapaz no bar da família. “Ele quebrou uns tacos de sinuca, espancou o outro, que foi hospitalizado”, relata Geralda. A rixa foi puxada pelo adversário, ele alimentava um amor platônico por Vanilma.

Pouco tempo depois, Vaninha, já vivendo com Tiago, abandonou o curso técnico de enfermagem. As visitas dela à família de criação começaram a rarear, apenas três ou quatro vezes por ano, como se os 13 minutos de carro que separam o galpão de chão de ardósia do novo endereço fossem dias de distância. “Ele não gostava da presença dela aqui, dizia que bar não era ambiente para ela”, conta Dionice.

Um relacionamento abusivo se estabelece de maneira quase imperceptível, com um dos parceiros fazendo restrições à liberdade do outro. Geralmente, argumentando ciúmes ou proteção, o homem passa a controlar a vida da mulher, decidindo aonde ela pode ir, como precisa se vestir e com quem pode se relacionar. Para evitar brigas, a vítima cede. As restrições se intensificam e, quando ela percebe, perdeu autoestima, autonomia e individualidade.

Desde o casamento, Vanilma se afastou da família de criação e das amigas. Também não fez novos vínculos no bairro onde foi viver. As pessoas que a conheceram dizem que ela era quieta, discreta e não se queixava. No Setor Oeste, os vizinhos a consideram uma “mulher de dentro de casa”, que saía pouco, quase não conversava e não abria a intimidade.

As famílias dos dois nunca foram próximas. Uma das poucas ocasiões na qual estiveram juntas foi no aniversário de 15 anos de Alessandra, filha biológica de Dionice. A mãe de Tiago, Ilma de Souza, 51, trabalha com eventos e organizou a festa, realizada em julho de 2017 no galpão.

Em uma das fotos com a aniversariante (imagem acima), Vanilma está com o marido, que carrega o filho, Enzo, no braço. Ela usa um vestido curto e justo, com maquiagem no rosto. “Estava linda, radiante. Há tempos não se arrumava. Foi a última vez que a vi feliz”, relata Alessandra, a irmã de criação. Enzo está de terno alugado e Tiago aparece com um meio sorriso.

O desleixo de Vaninha depois do casamento era motivo de comentários daqueles que a viram crescer. “Ela, sempre vaidosa, começou a se vestir igual a uma velha”, relata Polliane. A mudança aconteceu ainda no início, quando Vaninha abandonou o figurino usual – shorts e blusinhas – para usar apenas “roupas de casa”. No entanto, ela própria nunca afirmou aos familiares que essa era uma imposição do marido.

Enzo, filho de Vanilma e Tiago, nasceu em agosto de 2015. Os dois tinham seis anos de convivência quando o menino chegou. Muito desejado pelo casal – Vanilma teve dificuldades para engravidar –, o garoto logo passou a ser o centro da vida dela.

A família de Vanilma afirma que Tiago não a deixava trabalhar. Mas, segundo a sogra, Ilma, isso nunca existiu. As condições financeiras do casal não eram estáveis, Tiago vivia de bicos como serralheiro ou pedreiro. Desde que Enzo nasceu, Vanilma cuidava exclusivamente do filho e da casa.

O lugar onde moravam é uma construção nos fundos do endereço dos avós paternos dele. A cozinha da residência principal fica virada para um dos quartos da casa do jovem casal. Na parede, há uma janela que era usada por Vanilma, vez ou outra, para pedir uma xícara de café ou um pouco de açúcar para a família do marido. “Ela era maravilhosa. A convivência deles era boa, se tratavam por ‘Amor’”, garante Maria de Fátima da Silva, 65, avó de Tiago.

“’Amor, pega minha toalha’ e ‘Amor, busca a minha sandália’ era o que a gente ouvia daqui”
Patrícia de Farias, tia de Tiago

Na madrugada violenta que teve como desfecho a morte de Vanilma, a família de Tiago afirma não ter escutado nenhum barulho vindo do terreno dos fundos. Uma intervenção poderia ter evitado o pior. “Fomos acordados no meio da noite pela polícia, perguntando se ele estava escondido aqui em casa”, afirma a avó Maria de Fátima.

No momento do crime, além do filho da vítima, Enzo, estava na casa de trás Paulo Henrique, 16, sobrinho de Tiago. Mas, de acordo com a polícia, o adolescente não teria escutado a discussão, pois jogava videogame em outro quarto, com fone de ouvido. “Meu tio me pediu ajuda para socorrê-la, disse que alguém veio da rua e a esfaqueou”, afirmou Paulo Henrique, na delegacia, quando foi ouvido. Por sorte, o filho do casal não presenciou a cena, estava dormindo.

Apesar da fuga de Tiago, não foi difícil para a polícia descobrir como o assassinato aconteceu. Ao chegar ao endereço indicado por Vanilma, os PMs encontraram a sala da casa ainda suja de sangue e informaram o fato à Polícia Civil, que foi até o local. Imediatamente, o marido passou a ser o principal suspeito do feminicídio e, em diligências, os agentes acharam a faca utilizada no crime em cima do telhado da casa dos dois.

 Brigas

Os órgãos de segurança pública enfrentam uma dificuldade crucial para evitar feminicídios: é praticamente impossível saber quando e onde ocorrerá a próxima tragédia domiciliar entre um casal que está vivendo às turras. A intimidade dos lares chega ao conhecimento do Estado apenas quando a vítima denuncia o agressor e ele está em cumprimento de medida protetiva com monitoramento constante.

Mas, independentemente de quem são os protagonistas, a trama que leva ao assassinato de uma mulher por seu companheiro segue uma história padrão, conhecida como ciclo da violência. Inicia com proibições feitas pelo agressor à vítima, passa para ataques pessoais, xingamentos, e culmina na violência física, com empurrões, chutes, socos e pontapés. O nível máximo se dá quando começam os espancamentos e as ameaças de morte.

As vítimas devem reconhecer e interromper o ciclo de violência já nas primeiras investidas, comunicando os fatos à polícia para que o agressor seja enquadrado na Lei Maria da Penha e devidamente responsabilizado. A partir daí, a situação mais segura depende de uma decisão delas: é preciso abandonar o relacionamento e evitar contato com o acusado. Mas, muitas vezes, elas não têm o apoio necessário para tomar tais atitudes. Ou não se sentem seguras.

No início de 2017, Vaninha chegou com Enzo e uma sacola de roupas à casa de Geralda, sua tia de criação, no Setor Leste do Gama. Pediu para passar um tempo porque estava se desentendendo com o marido. Segundo contou, Tiago a deixava com o filho para ir beber com os amigos. Vanilma ficou quatro dias lá, mas voltou a conviver com o companheiro quando ele foi buscá-la.

Após alguns meses, a situação se repetiu, só que, dessa vez, ela trouxe mais roupas e apareceu com uma marca roxa na perna. A tia desconfiou: “Ele está batendo em você?”. Vaninha negou, disse que tinha caído da cama. Uma semana depois, os pais dele foram buscar a nora e o neto.

De acordo com Geralda, em uma das vezes que Tiago visitou a mulher e o filho durante esses breves períodos de separação, ele se irritou porque Vanilma estava de batom. “Ele ficou bravo, achando que ela tinha saído para encontrar alguém”, conta. Vaninha havia apenas provado a maquiagem oferecida por um vendedor de cosméticos.

Em abril de 2017, Vaninha e Enzo foram ao Jardim Ingá visitar a amiga de infância Sheila, que havia acabado de dar à luz uma menina, porém já estava separada do pai da criança porque, durante a gravidez, descobriu uma traição. Vaninha, que tinha ido apenas para um encontro rápido, ficou dois dias e também revelou uma dor de amor. Disse que Tiago a traiu, mas, ainda assim, decidiu perdoá-lo. “Ela amava o Tiago, sempre amou. Ter uma família era o grande objetivo de vida dela”, afirma Sheila.

A última vez que Vaninha e o filho estiveram na casa de Dionice foi em 28 de outubro do ano passado, data do segundo turno das eleições. O marido da mãe de criação foi buscá-los no Setor Oeste antes do almoço. Os dois ficaram no Cantinho Mineiro – novo bar da família, localizado na DF-290 – até por volta das 21h, quando Tiago retornou de uma pescaria e passou para pegá-los.

Na ocasião, a irmã, Alessandra, reparou em duas manchas roxas feias no lado direito do corpo de Vaninha: uma na parte interna do braço e outra na coxa.

“Perguntei o que era, ela disse que tinha caído brincando com o filho”
Alessandra, irmã de criação

Durante aquela tarde, Enzo pediu para a tia um dos pacotes de biscoitos que estavam à venda no balcão do bar. Quando ela entregou, o menino disse: “Tia, fui no mercado comprar um salgadinho desses com a mamãe. Quando voltei, o papai bateu nela”. Alessandra não duvidou da criança e insistiu com a irmã de criação para saber os detalhes, mais uma vez, Vaninha desconversou.

A relação abusiva que resultou na morte de Vanilma se desenrolou sem alardes. Ela nunca detalhou à Dionice e às amigas o que sofria no casamento, tampouco falou sobre os episódios de violência doméstica com a família dele e, muito menos, comunicou à polícia sobre esses fatos.

Final

Na sexta-feira (4/1), Tiago saiu por volta das 15h30, para ir ao Lago Corumbá com dois amigos. Deixou a mulher, o filho e o sobrinho Paulo Henrique em casa. Retornou 10 horas depois, na madrugada de sábado (5), embriagado. Encontrou Vanilma ainda acordada, deitada na cama do casal, ao lado de Enzo.

Por volta de 1h40, os dois começaram a discutir. Vanilma reclamava do horário e do estado no qual o marido havia chegado. Brigas semelhantes, por esses mesmos motivos, já tinham acontecido, mas, dessa vez, o desfecho seria o pior possível. Tiago pegou uma faca de cortar carne que estava em cima de um balcão entre a sala e a cozinha e deu um golpe na companheira.

Segundo contou à polícia quando se entregou, ele teria apenas simulado que arremessaria a faca na direção da mulher, mas a lâmina teria “escapulido” da bainha e atingido o corpo de Vanilma, do lado esquerdo, na altura do peito. Mesmo antes de o laudo ficar pronto, o delegado Vander Braga, da 20ª DP (Gama), considerou a história inverossímil. “É uma versão que ele está criando para si mesmo. Uma faca daquele modelo não tem bainha, não escapole nem mata sozinha uma pessoa”, afirmou. A experiência deu razão ao policial: o laudo do Instituto Médico Legal (IML) indica que o corte não é compatível com um arremesso, e sim como uma punhalada.

O corpo de Vanilma foi enterrado na segunda-feira (7) em Riachinho (MG), terra natal dela, a 340 km do DF. Filha de um lar que nunca existiu – nasceu de um relacionamento eventual da mãe biológica e conheceu o pai já adulta –, Vaninha foi assassinada justamente pelo homem no qual depositou o desejo de construir uma família.

Tiago foi preso no domingo, em 6 de janeiro, e continua na cadeia. Apesar de ter escapado do flagrante, a Polícia Civil conseguiu um mandado de prisão preventiva contra ele ao convencer a Justiça que o feminicida planejava fugir do DF. O filho, Enzo, está com os avós paternos desde a madrugada do crime. Da mãe, o menino guardará apenas fragmentos de lembranças construídos pelos parentes do assassino.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país.

Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.

DIRETORA-EXECUTIVA
Lilian Tahan
EDITORA-EXECUTIVA
Priscilla Borges
EDITORA-CHEFE
Maria Eugênia Moreira
COORDENAÇÃO
Olívia Meireles
REPORTAGEM
Érica Montenegro
REVISÃO
Denise Costa
Viviane Novais
EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA
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FOTOGRAFIA
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EDIÇÃO DE ARTE
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DESIGN E ILUSTRAÇÃO
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EDIÇÃO DE VÍDEO
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IMAGENS
Rafaela Felicciano
TECNOLOGIA
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Vinícius Paixão

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PCDF investiga se mulher morta em incêndio na 310 Norte foi assassinada pelo marido

Filhos da vítima alegam que o homem batia nela e a ameaçava. Ele também morreu intoxicado pela fumaça

A Polícia Civil do DF suspeita que a mulher morta durante incêndio em um apartamento do Bloco A da 310 Norte, na madrugada desta quarta-feira (30/1), tenha sido assassinada pelo próprio marido. Ele também morreu após o quarto do casal ser consumido pelas chamas e inalar muita fumaça.

Parentes do casal que foram ao prédio confirmaram as suspeitas. “Ele a agredia, prendia. Ela retirou a queixa na delegacia, pois ficou com pena dele pela idade. Batia nela há quatro anos. Ele tinha ciúmes de todo mundo, queria a atenção só pra ele. Até dos netos. Todo dia eu a alertava do perigo”, contou Raquel Martins, filha da vítima, ao Metrópoles.

“Morreu porque ficava com dó e pena dele. Minha irmã era uma pessoa de coração muito bom”, lamentou Rozilene Martins, 47, servidora pública.

Segundo o delegado Laércio Rosseto, da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte), somente a perícia vai confirmar as suspeitas da família. Veigma Martins (foto de destaque), 56 anos, já havia registrado ocorrência por ameaça e lesão corporal contra José Bandeira da Silva, 80.

“Mais um evento trágico de violência contra a mulher. Ela já tinha registrado ocorrência contra ele no ano passado, pois ele dizia que ia matá-la”, disse o policial.

Agora, os investigadores aguardam o resultado da perícia para verificar a sequência de eventos. Se ele matou ou não antes de atear fogo. Outro filho da mulher, que não se identificou, confirmou ao delegado que o homem já tinha histórico de ameaça. Eles eram casados há mais de 10 anos e estavam em fase de separação.

Por volta das 4h40, equipes do Corpo de Bombeiros foram acionadas para conter as chamas. José Bandeira da Silva chegou a ser resgatado com vida, mas não resistiu à intoxicação grave pela inalação de fumaça. Os socorristas tentaram reanimá-lo por mais de 50 minutos. O corpo da mulher foi encontrado carbonizado no quarto do casal.

De acordo com informações preliminares, o fogo teria começado em um dos quartos do imóvel.

As chamas atingiram três cômodos do apartamento e a fumaça invadiu os corredores da prumada. Assustados, os demais moradores saíram correndo do prédio.

Moradores assustados
Muitos moradores do prédio ainda dormiam quando o fogo começou a se alastrar pelo quarto do casal que morreu no incêndio. De acordo com o médico Rodolfo Duarte, 37, que mora na unidade ao lado do apartamento atingido, ele não era próximo das vítimas.

“Só acordei quando os bombeiros chegaram ao local e quis ver se o cachorro estava bem. Fiquei bem assustado. Não tinha nem fumaça no meu quarto, mesmo sendo o apartamento ao lado”, relatou.

Já o vizinho Jorge Tosta, 63, estava na sala de casa quando começou a sentir o cheiro de queimado. “Minha família desceu antes e eu fui depois. Era muita fumaça, o olho ardia muito. Na hora em que fui sair, desmaiei e meu próprio peso fechou a porta. Os bombeiros me salvaram e foram muito eficazes no resgate. Quando acordei, estava desorientado ainda, assustado”, contou.

O analista de sistemas Bruno Carneiro, 34, e a publicitária Sanaa Ghazal, 33, ficaram em pânico com o incêndio. O casal procurou deixar o prédio o mais rápido possível. Bruno estava acordado e foi fechar a janela quando sentiu um cheiro muito forte de plástico queimado. Preocupado, acordou a esposa.

O morador desceu em seguida e viu o fogo. O casal começou a bater em várias portas vizinhas na tentativa de alertar outros moradores, mas muitos estavam dormindo e não ouviram. “Me senti impotente. Não tinha como alertar ninguém, pois não tínhamos recursos”, lamentou Bruno.

Outro caso
Na segunda (28), outro feminicídio chocou os moradores da Asa Norte. Ranulfo do Carmo, 74, matou a tiros a companheira Diva Maia da Silva, 69, e feriu o filho Regis do Carmo Correia Maia, 47.

Ele fugiu após o crime, mas acabou preso pela Polícia Militar. O filho do casal está internado no Instituto Hospital de Base (IHB).

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Homem mata médica e se passa por ela no WhatsApp enganando família

Por dois meses, o assassino movimentou a conta bancária da servidora do HRT, que recebia salário mensal de R$ 17 mil

A Divisão de Repressão a Sequestros da Polícia Civil do DF elucidou um crime bárbaro nesta quarta-feira (30/1). Um homem matou uma médica do Hospital Regional de Taguatinga (HRT) e, por dois meses, se passou por ela, mantendo contato com a família pelo WhatsApp, dizendo que estava internada em uma clínica de repouso. No período, movimentou a conta bancária da servidora, que recebia salário mensal de R$ 17 mil.

O sumiço da servidora, num primeiro momento, não causou surpresa porque ela já havia sido internada anteriormente para tratar de depressão. No Portal da Transparência, o último pagamento informado em nome dela foi feito em novembro do ano passado.

Segundo a PCDF, Gabriela Rebelo Cunha foi morta no dia 24 de outubro do ano passado pelo seu motorista particular. O nome dele ainda não foi divulgado. Ele teria levado a vítima ao HRT no período da manhã e, por volta de 12h, seguiu com ela até uma agência bancária em Sobradinho para que a mulher fizesse uma transferência.

De acordo com as investigações, no retorno a Taguatinga, ele parou o carro próximo a uma parada de ônibus alegando que estava ouvindo um barulho na roda. Nesse momento, um comparsa teria entrado no veículo e simulado um assalto.

Chegando a uma estrada de chão, próximo a Brazlândia, a médica foi morta por enforcamento e o corpo dela foi deixado no local. Durante dois meses, o acusado manteve contato com a família de Gabriela. O motorista da vítima se passava por ela em conversas pelo WhatsApp.

A PCDF informou que ele enviava mensagens levando os familiares a crer que a vítima estaria internada em uma clínica para tratar de problemas pessoais e retornaria no Natal. Como ela não apareceu, os parentes registraram ocorrência na 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga), que começou a investigar o caso.

Após a prisão, o autor levou os policiais até o local do crime. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) constatou, por meio de análise comparativa de documentação odontológica, que o cadáver tratava-se de Gabriela.

Nas diligências, os policiais encontraram na residência do autor inúmeros objetos da casa da vítima, cartões bancários e dois veículos da médica.

A cirurgiã, que era diretora do HRT, era considerada uma servidora de pulso firme. Colegas relatam que, embora tivesse a personalidade exigente, era meiga e querida pela equipe da unidade. Filha de general do Exército, a médica era divorciada e tinha um casal de irmãos.

O mais novo é policial civil em Minas Gerais e foi um dos principais auxiliares na investigação da morte de Gabriela.

O assassino confesso é filho da empregada da família, que acabou adoecendo. Para manter a renda, o filho, chamado Rafael, assumiu a vaga da mãe. Desde então, passou a ganhar a confiança da médica para resolver, inclusive, problemas pessoais e bancários.

Para a investigação do crime, a Polícia Civil do DF periciou inúmeros aparelhos celulares com quem o telefone da vítima manteve contato. Em muitos desses momentos, era o próprio assassino que se passava pela médica. Segundo relatos de testemunhas, a roupa encontrada na ossada de Gabriela foi a mesma usada por ela no último dia em que foi vista no trabalho, ainda em outubro de 2018.

Médica com vasta experiência em gestão pública, Gabriela chegou a estudar no Canadá. Em Brasília, foi gestora de conhecidas unidades particulares de saúde, incluindo o Hospital Santa Lúcia. A médica deixa uma filha de 8 anos.

Fonte: metropoles.com

Herpes em bebês pode levar à morte. Saiba como previnir

Nos últimos dias, um bebê de 17 dias foi internado em São Paulo após contrair o vírus da doença. Médicos alertam para o perigo de contágio

Se você é mãe, certamente já recebeu uma foto que circula frequentemente na internet com um bebê cheio de lesões vermelhas no rosto por conta do vírus da herpes. Recentemente, em São Paulo, um bebê de 17 dias contraiu a doença (foto em destaque) após receber visitas em casa e precisou ficar internado no hospital por vários dias. A mãe publicou a imagem nas redes sociais para alertar outras pessoas sobre os perigos desse tipo de contaminação.

Coordenador de Pediatria do Hospital Santa Lúcia em Brasília e membro da Sociedade Brasileira de Pediatria, Alexandre Nikolay explica que a forma mais comum de contágio em bebês é a herpes simples tipo um, que se manifesta por meio de feridas na pele, principalmente na boca. Para que o bebê seja contaminado, o vírus precisa estar ativo. O médico alerta ainda que o micro-organismo “não pula”, ou seja, o bebê precisa necessariamente ter contato com a saliva da pessoa doente.

Embora seja grave, a contaminação não é necessariamente fatal, embora possa matar. Os casos variam: há bebês que ficam com lesões na pele, estomatite hepática com aftas na boca e inchaço da gengiva. Em casos mais severos, o sistema nervoso central pode ser infectado, causando meningite viral. Existe tratamento para todos esses quadros, mas os médicos recomendam que os pais procurem um hospital o quanto antes.

O médico infectologista Leandro Machado alerta que os pais podem fazer uma lista para familiares e amigos com as precauções necessárias ao visitar um recém-nascido. Entre elas, pessoas que estejam doentes não devem ir ver o bebê, e as visitas devem evitar ficar beijando a criança no rosto, mãos e boca. A higienização também é muito importante. De acordo com o especialista, a recomendação hoje em hospitais é usar álcool gel das mãos até o cotovelo.

O doutor Alexandre Nikolay explica que os pais devem evitar receber visitas e sair de casa nos primeiros dois meses, principalmente em lugares de grande aglomeração. “Tudo é bom senso. Até os 28 dias, o bebê é considerado recém-nascido e a imunidade é muito baixa”, afirma. Segundo ele, o aleitamento materno também auxilia no reforço do sistema imunológico da criança.

Fonte: metropoles.com

Feminícidio: um crime que começa na intimidade

Delegada-chefe da Deam, Sandra Melo afirma que o maior desafio para proteger as mulheres é interromper o ciclo de violência

“O feminicídio não é um crime como os outros”, sustenta Sandra Melo, delegada-chefe da Delegacia de Atendimento Especial à Mulher (Deam). Em um roubo ou assalto, a vítima vai prontamente à delegacia, registra a ocorrência e faz tudo o que estiver ao seu alcance para que o responsável seja punido. Nas situações de agressões contra a mulher, há um emaranhando de sentimentos que, muitas vezes, impede que o ciclo de violência termine antes de uma tragédia.

Na maioria dos casos, o criminoso vive com a vítima, é o pai dos filhos dela. Foi o homem por quem ela se apaixonou e com o qual dividiu projetos de futuro. Resultado: as agressões não chegam ao conhecimento da polícia – os casos são subnotificados – ou, quando as medidas protetivas são aplicadas, o descumprimento acontece em uma tentativa de reaproximação do ex-casal. “Quando a mulher quer romper, pretende que seja de forma amigável, em paz, espera poder conviver com o pai de seus filhos de forma civilizada”, relata. “Quando não quer, mantém a expectativa de que ele mude, que o relacionamento continue sem violência”, afirma.

O ciclo da violência
Sandra, que tem prêmios internacionais pelo trabalho de proteção às mulheres, explica que no Brasil a violência contra elas é estruturante, é social. Numa sociedade machista, o homem acredita em padrões antigos: deve ser o provedor e o responsável pelas decisões. A mulher precisa ser submissa, focada em cuidar da casa e dos filhos. A Amélia que o espera com o jantar pronto no final de um dia cansativo.

Mas a mulher atual quase nunca se encaixa nesse padrão. Elas são empreendedoras, provedoras e também encontraram outras aspirações que não as exclusivamente afetivas e familiares. “Isso vai causando um desequilíbrio na relação. O homem não consegue mais exercer o controle que gostaria. O casamento deixa de se encaixar no padrão que foi ensinado a ele. Aí começam os conflitos”, conta a delegada.

O ciclo de violência surge de forma quase imperceptível para a vítima. Disfarçadas de ciúmes, começam as brigas e as liberdades dela são cerceadas. A situação se agrava quando as discussões se tornam mais agressivas até que a primeira violência física é praticada. No momento seguinte, os empurrões evoluem para tapas, que evoluem para chutes e pontapés. O risco de morte, então, já está instalado dentro de casa.

Não acredito que os casos de violência doméstica estejam crescendo, acho que eles estão ganhando maior visibilidade. Hoje as mulheres aceitam menos uma situação que no passado estava naturalizada. O avanço da legislação nos impôs uma nova realidade. O brasileiro teve que enxergar e admitir que as mulheres são vítimas de uma forma grandiosa de violência praticada pelos homens que lhe são mais próximos”
Sandra Melo

O papel do Estado
De acordo com a delegada, ainda que a agressão seja comunicada às autoridades e uma medida protetiva preventiva seja determinada, é comum que a vítima desista ou abra a guarda, aceite o pedido de conversa e acabe voltando ao relacionamento na esperança de que as coisas tenham mudado.

Durante o ciclo de violência, há uma queda drástica na autoestima de vítima, que passa a acreditar que não encontrará outro parceiro ou que merece as agressões. Esses são motivos pelos quais a mulher desiste do processo ou dá uma nova chance ao algoz. Na delegacia, ela normalmente é informada do grau de risco que corre, mas acaba cedendo. “O comprometedor é esse vai e vem. Em algumas situações, o agressor foi condenado, cumpriu pena e os dois voltaram a conviver. Esse homem não mudou. O problema continua o mesmo”, lamenta Sandra.

As medidas protetivas são importantes pelo papel profilático: todos os envolvidos entendem que estão em conflito e precisam ficar separados, evitar contato, até que se possa sentar para resolver o problema. “É um tempo para esfriar. Mas deixa de funcionar quando um deles rompe com o proposto”, complementa. A delegada defende a criação de uma rede de apoio para que as mulheres se fortaleçam e tenham segurança suficiente para romper com relacionamentos abusivos.

Quando acontece o pior e a notícia da morte de uma mulher chega às delegacias brasilienses, os policiais seguem uma regra detalhada de investigação (protocolo de feminicídio). As provas devem ser robustas o suficiente para instruir o processo pessoal. “O feminicídio é um crime de ódio, de vingança, de um homem que é completamente incapaz de lidar com sua frustração”, conta.

Problema coletivo
É comum que as mulheres vítimas de violência doméstica só percebam que estão em perigo quando já correm risco de vida. A delegada afirma que não só a família mas também conhecidos, amigos e vizinhos que percebem as agressões devem, sim, meter a colher. “Os parentes e pessoas mais próximas precisam ter coragem para denunciar e ajudar a vítima, convencê-la de que a culpa não é dela”, ressalta Sandra.

Mulheres que estiverem passando por esse tipo de situação devem ligar para o número 180, que fornece informações sobre a rede de apoio. O 197, que funciona como disque-denúncia, também é uma opção para familiares, amigos e vizinhos que queiram denunciar algum caso de violência – a polícia vai até o local para apurar a situação.

“Precisamos entender que essa violência não é só daquele casal. É um problema que afeta a nossa sociedade, principalmente os jovens e as crianças. É necessário, cada vez mais, tomar alguma atitude antes que o pior aconteça”, conclui.

Fonte: metropoles.com

A razão pela qual tomar vitamina D sem receita médica pode não ser boa ideia

Jessica Brown

(Foto: Andrea Obzerova/ Alamy)
Quando os dias começam a encurtar no inverno do hemisfério norte, aumentam as preocupações sobre a falta de luz solar – e uma possível deficiência de vitamina D. Para muitos, a saída é tomar suplementos.

Os comprimidos de vitaminas D2 e D3 estão disponíveis sem prescrição médica – no Brasil e em vários países – e têm sido associados à melhora da imunidade e de sintomas como cansaço, fraqueza muscular, dor no osso e até de depressão. Acredita-se que eles também ajudem a evitar câncer e sintomas do envelhecimento.

Uma pesquisa da consultoria de mercado Mintel indica que um terço dos adultos britânicos inclui a vitamina D em seu coquetel de suplementos diários – mas seu uso indiscriminado causa controvérsia na comunidade científica.

A maioria dos especialistas reconhece os benefícios da vitamina D para a saúde dos ossos, já que ela contribui na regulação do cálcio e do fosfato no corpo.

É por isso que aqueles que têm deficiência da vitamina são encorajados a ingeri-la via suplementos. E esse número é maior do que muitos imaginam: um estudo estima que cerca de 20% da população do Reino Unido tem uma profunda deficiência de vitamina D, por exemplo.

No Brasil, dados de 2011 do IBGE apontam que mais de 90% da população não ingere a quantidade recomendada de vitamina D – o que não significa que todos tenham deficiência.

O que alguns médicos defendem é que, para pessoas saudáveis, a vitamina D não é uma forma de prevenir doenças. Assim, quem estivesse com níveis normais da vitamina não precisaria dos comprimidos.

Então, qual é recomendação?

Indicado apenas para quem tem risco de deficiência
Apesar do nome, a vitamina D não é uma vitamina. É na verdade um hormônio que promove a absorção de cálcio pelo corpo. O desafio é que, com exceção de alguns alimentos como peixes oleosos (entre eles o salmão), a vitamina D é difícil de encontrar em uma dieta normal.

Mas ela pode ser produzida pela pele quando em contato com raios ultravioleta B – os raios solares.
Há dois tipos de vitamina D. O primeiro é o D3, encontrada em animais, incluindo os peixes, e é o tipo que a pele produz quando exposta ao sol.

O segundo é o D2, que vem de alimentos vegetais, incluindo os cogumelos. Estudos mostraram que o D3 é mais eficiente, e as conclusões de uma meta-análise de 2012 afirmam que essa é a escolha preferida para a suplementação.

Hoje, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia não indica a suplementação de vitamina D para toda a população, e sim para aqueles com risco de deficiência. Há recomendações específicas para indivíduos com esse risco, entre eles idosos, pacientes com osteoporose, obesos, grávidas e outros. Há outros países que seguem diretrizes similares.

Essas diretrizes e a onda de alimentos fortificados com a vitamina, como o leite, surgiram na esteira do combate ao raquitismo em meados do século 20. Sabemos que baixos níveis de vitamina D reduzem os níveis de cálcio do corpo, o que leva à redução da densidade óssea e pode causar raquitismo em bebês e crianças.

Também se sabe que baixa vitamina D pode causar fraqueza muscular e fadiga.

Um estudo publicado no North American Journal of Medical Sciences descobriu que os baixos níveis eram comuns em pessoas com cansaço extremo e que os sintomas melhoraram depois de cinco semanas de ingestão de suplementos de vitamina D.

Outro estudo da Universidade de Newcastle descobriu que os baixos níveis podem reduzir a eficiência das mitocôndrias, produtoras de energia. Estudos com pacientes com câncer mostraram efeitos semelhantes. A vitamina D pode estimular a regulação do sistema imunológico ao remover bactérias.

Ossos frágeis
Apesar da importância da vitamina D, seus benefícios não necessariamente implicam que pessoas com níveis saudáveis do hormônio precisem suplementá-lo.

Mais que isso, especialistas como Tim Spector, professor de epidemiologia genética da King’s College London, afirmam que mesmo as diretrizes atuais para suplementação de vitamina D – indicada para fortalecer os ossos e evitar fraturas – foram baseadas em estudos “provavelmente falhos”.

Algumas dessas pesquisas, por exemplo, envolviam populações idosas que viviam em asilos – pessoas que não se expunham com frequência ao sol e que estavam mais propensas a sofrer fraturas e osteoporose do que a população em geral.

É verdade que as evidências não são claras. Uma meta-análise publicada em agosto de 2018 concluiu que o aumento de níveis de vitamina D na população em geral não necessariamente reduziria o risco de fraturas nos ossos em pessoas saudáveis.

E uma meta-análise com 81 estudos descobriu que a suplementação de vitamina D não previne fraturas e quedas, nem melhora a densidade mineral do osso. Os pesquisadores concluíram que as diretrizes deveriam ser atualizadas para refletir esse resultado.

Mas Sarah Leyland, consultora de enfermagem em osteoporose pela Sociedade Nacional de Osteoporose, diz que os suplementos de vitamina D são úteis para grupos de risco que não têm nenhuma exposição ao sol.

De acordo com o NHS, o serviço de saúde britânico, as pessoas só precisam ficar do lado de fora por um curto período de tempo, com mãos e antebraços descobertos e sem proteção solar entre março e outubro – meses com os dias mais longos no hemisfério norte – para garantir vitamina D suficiente pelo resto do ano.

“Sabemos que as pessoas saudáveis não vão reduzir o risco de fratura tomando suplementos de cálcio ou vitamina D”, diz Leyland. “Entretanto, pessoas que não estejam absorvendo o suficiente da vitamina, como aquelas que não podem sair de casa ou vivem em acomodações protegidas, podem se beneficiar desses suplementos.”

Ainda assim, os pesquisadores também não encontraram evidências claras disso. Uma meta-análise examinou a prevenção de fraturas em pessoas de moradias tradicionais, asilos ou paciente em hospitais e concluiu que a vitamina D, sozinha, provavelmente não preveniria fraturas nas doses e formulações testadas até agora em idosos.

D de doença
As pesquisas também são conflitantes quando se trata da ligação entre os níveis de vitamina D e uma série de doenças.

Acredita-se, por exemplo, que suplementos de vitamina D podem estimular o sistema imunológico. Adrian Martineau, professor de infecção respiratória e imunidade na Escola de Medicina e Odontologia da Universidade Queen Mary de Londres, que coordena um grupo de pesquisa sobre os efeitos da vitamina D sobre a saúde, descobriu que ela tem um papel no combate a infecções respiratórias.

Ao analisar dados brutos de 25 testes clínicos envolvendo 11 mil pacientes de 14 países, ele descobriu um pequeno benefício em ingerir diária ou semanalmente suplementos de vitamina D para reduzir o risco de infecções respiratórias, ataques de asma e bronquite. Embora o artigo tenha atraído várias críticas, Martineau ressalta que a redução do risco, mesmo que leve, ainda é significativa e comparável aos efeitos de outras medidas.

Em relação ao envelhecimento, um artigo que analisou a relação entre a vitamina D e a expectativa de vida descobriu que a vitamina D3 pode ajudar na homeostase proteica – o processo de regulação das proteínas dentro das células.

“Nossa observação de que a D3 melhora a homeostase proteica e, com isso, desacelera o envelhecimento ressalta a importância de se manter os níveis apropriados da vitamina D”, escreveram os pesquisadores.

Outros estudos, porém, foram menos conclusivos. Uma meta-análise concluiu que mais pesquisas são necessárias para esclarecer o efeito da vitamina D na taxa de mortalidade.

Causa ou consequência?
Essa é uma questão que perpassa quase todos os estudos que relacionam os baixos índices de vitamina D com doenças.

Ian Reid, professor de medicina da Universidade de Auckland, acredita que as doenças é que provocam a redução dos níveis de vitamina D, já que a enfermidade pode impedir que o indivíduo passe tempo suficiente ao ar livre e exposto ao sol – e não o contrário.

Isso foi comprovado, por exemplo, em relação a doenças cardiovasculares: estudos mostram que a doença cardíaca poderia causar baixos níveis de vitamina D, e não o contrário.

“Se observarmos qualquer grupo de pacientes com qualquer doença, seus níveis de vitamina D serão mais baixos do que os níveis dos indivíduos saudáveis. Isto tem levantado a hipótese de que baixa vitamina D provoca doenças, mas não há evidências que provem isso”, ele afirma.

Pesquisadores descobriram, por outro lado, que níveis mais altos de vitamina D estão associados com baixos riscos de câncer colorretal – ela teria um papel na formação de novos vasos sanguíneos e no estímulo à melhor comunicação entre as células.

A vitamina D também ajudaria, segundo a pesquisa, a manter níveis normais de cálcio no cólon, o que desacelera o crescimento de células não-cancerosas, mas de alto risco.

Outros estudos, incluindo a relação entre a vitamina D e os cânceres de fígado, mama e próstata, sugerem que há razões para acreditar que a baixa vitamina D estimula a disseminação de células cancerígenas.

E, pela lógica, ingerir o suplemento poderia prevenir o câncer. Mas uma recente meta-análise falhou em estabelecer a relação entre o suplemento e a redução do risco de câncer.

D de depressão
Outra condição frequentemente discutida quando o assunto é vitamina D é o transtorno afetivo sazonal (SAD, na sigla em inglês), um distúrbio do humor causado pela queda sazonal da exposição ao sol. A relação entre a exposição ao sol e o SAD está bem estabelecida.

Também nesse caso, porém, uma ligação direta com a vitamina D tem sido difícil de comprovar.

Evidências sugerem que existe uma relação entre o SAD e a vitamina D, já que o composto está associado com os níveis de serotonina, um importante regulador do humor, e a melatonina, que regula o sono. Baixos níveis desse hormônio poderiam contribuir para os sintomas da SAD.

Mas pesquisadores ainda precisam conduzir um ensaio clínico randomizado definitivo sobre essa relação.

Além disso, o mecanismo exato pelo qual a vitamina estimula o hormônio é desconhecido. Uma teoria é que os receptores da vitamina D – encontrados em várias partes do cérebro e concentradas no hipotálamo, uma região relacionada ao sistema circadiano – tem influência no controle dos níveis hormonais do corpo.

Pesquisas mostraram ainda que a vitamina D tem um grande papel em nossa saúde mental, como na depressão e esquizofrenia, assim como no desenvolvimento do cérebro, mas não se sabe como isso ocorre.

Uma meta-análise publicada no início do ano mostrou que, embora exista uma correlação entre baixos índices de vitamina D e depressão, isto não significa que, necessariamente, o composto cause depressão.

É possível, por exemplo, que pessoas deprimidas simplesmente saiam menos e, portanto, se exponham menos à luz do sol.

A influência do sol
Mas, se estudos são inconclusivos, isto talvez não tenha relação com a importância da vitamina D. Talvez isso ocorra porque a maioria das investigações se baseia em suplementos, e não na luz do sol.

Alguns cientistas argumentam que obter vitamina D a partir de suplementos não é tão eficaz quanto absorvê-la diretamente do sol, já que o processo que acontece antes que o corpo produza vitamina D a partir da exposição solar é mais benéfico. Pesquisas mais conclusivas sobre isto estão sendo realizadas.

Ainda assim, a maioria dos especialistas tende a concordar que os suplementos de vitamina D podem beneficiar aqueles que têm níveis muito baixos do composto.

A pesquisa Martineau sugere que indivíduos com níveis muito baixos de vitamina D têm mais benefícios no uso do suplemento para prevenir doenças respiratórias, enquanto que os efeitos são bem mais modestos para indivíduos com níveis apenas moderadamente baixos.

Reid reforça que estudos têm mostrado benefícios para aqueles com baixos índices de vitamina D. Mas, como a maioria não tem deficiência, elas não veriam benefícios na ingestão do suplemento.

O problema é que não é fácil prever quem tem risco de sofrer com baixa vitamina D. Como a historiadora médica Roberta Bivins, da Universidade de Warwick, ressalta, a quantidade de vitamina D não depende apenas do tempo que a pessoa passa ao ar livre.

“É muito individual o quanto de exposição ao sol uma pessoa precisa durante o verão, depende desde a pigmentação da pele à quantidade de gordura no corpo e o quão rápido seu corpo produz um osso novo. É incrivelmente complicado”, ela diz.

É por isso que a melhor forma de estabelecer se você tem baixa vitamina D não é apenas pelos sintomas, mas por um exame de sangue prescrito pelo médico.

Níveis de suplementos
A partir daí, a outra questão é estabelecer o nível de suplementação que cada pessoa precisa. Reid diz que “não há perigo” de tomar vitamina D sem receita médica em menos de 25 nanomols (nmol) por dia – pessoas com deficiência da substância têm níveis abaixo de 30 nmol/l.

Mas com suplementos oferecendo doses altas como 62,5 microgramas sem receita, há preocupações sobre o risco de ingestão excessiva de vitamina D, o que pode, em casos raros, causar efeitos colaterais, incluindo náusea e vômito.

Em longo prazo, alguns estudos sugerem que o excesso de vitamina D pode aumentar o risco de doença cardiovascular, embora a pesquisa não seja conclusiva.

Outros argumentam, porém, que até mais vitamina D é necessária. Em 2012, a diretora-médica do Reino Unido (cuja função é aconselhar o governo em questões de saúde), Sally Davies, escreveu uma carta a clínicos gerais pedindo que eles recomendassem suplementos de vitamina D a todos os grupos de risco e afirmando que uma “proporção significativa” das pessoas no país provavelmente tem níveis inadequados de vitamina D.

Em junho de 2018, pesquisadores do Instituto de Metabolismo e Pesquisa de Sistemas, da Universidade de Birmingham, afirmaram que a morte de um bebê por falência do coração causada por deficiência grave de vitamina D e sérias complicações de saúde em outros dois bebês era apenas “a ponta do iceberg” nas deficiências da vitamina D entre os grupos de risco.

Suma Uday, coautora do artigo e doutoranda da universidade, diz que essas deficiências ocorrem porque os programas infantis de suplementação de vitamina D são mal implementados e não são monitorados no Reino Unido.

“Nas crianças que descrevemos, a deficiência ocorreu porque a suplementação de vitamina D não foi recomendada ou monitorada. Qualquer criança desprovida de vitamina D por períodos prolongados pode desenvolver baixos níveis de cálcio, o que pode resultar em complicações potencialmente fatais, como convulsões e insuficiência cardíaca”, diz ela.

Com esses resultados conflitantes, não é surpresa que os próprios especialistas médicos tenham visões bastante divergentes sobre os benefícios da suplementação disseminada.

Alguns chegam a argumentar que os interesses escusos estão sustentando a indústria bilionária da vitamina. E Spector chega a chamar o suplemento de vitamina D uma “pseudo-vitamina para uma pseudo-doença”.

Enquanto o debate continua, muitos especialistas estão de olho no Hospital Brigham and Women’s, afiliado da Escola Médica de Harvard, em Boston. Seus pesquisadores conduzem o aguardado teste clínico VITAL, que investiga se suplementos de vitamina D e ômega 3 têm algum efeito sobre câncer, derrame e doenças do coração em 25 mil adultos.

Espera-se que esses resultados, previstos para serem publicados no final deste ano, levarão o debate rumo a uma resolução

 

Operação Luz na Infância mira pedófilos no DF e em 18 estados

No Distrito Federal, o alvo é um morador de Samambaia suspeito de disseminar fotos de crianças e adolescentes fazendo sexo

Os alvos foram identificados pela Diretoria de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), com base em elementos informativos coletados em ambientes virtuais que apresentavam indícios suficientes de autoria e materialidade delitiva.
Nesta edição, o Corpo de Investigações Judiciais (CIJ) do Ministério Público Fiscal da Cidade Autônoma de Buenos, Argentina, realiza operação simultânea e cumpre 41 mandados de busca. Os alvos internacionais foram identificados após atuação conjunta entre a Diretoria de Inteligência da Senasp/MSP e autoridades policiais da Argentina. Mais de mil policiais estão envolvidos no trabalho deflagrado nesta quinta.

Luz na Infância
A operação foi intitulada Luz na Infância por serem bárbaros e obscuros os crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes. Os acusados desse tipo de delito agem nas sombras da internet e devem ter suas condutas elucidadas e julgadas, como a de qualquer criminoso.
Em 20 de outubro de 2017, o Ministério da Justiça deflagrou a primeira fase da operação. Na época, as autoridades mobilizaram 1,1 mil agentes para cumprir mandados de busca e apreensão em 24 estados e no Distrito Federal.

Atalaia
A Polícia Federal também deflagrou, na manhã desta quinta (22), a Operação Atalaia para apurar crimes relacionados à exploração sexual de crianças e adolescentes, por meio da internet. Estão sendo cumpridos 60 mandados de busca e apreensão nos estados de Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e no Distrito Federal.
Cerca de 300 policiais federais participam da operação. O cumprimento dos mandados tem como objetivo a apreensão de computadores e dispositivos eletrônicos utilizados na prática delitiva.

Aguarde mais informações

Fontemetropoles.com

Parque Maria Cláudia de Siqueira Del’Isola

Em abril do ano em curso, o Movimento Maria Cláudia Pela Paz foi procurado por uma moradora da SQS 113, indignada com a violência acontecida com uma universitária. A jovem, diariamente percorria o caminho para o metrô, passando pela lateral do espaço abandonado, entre a 112/113 Sul, quando foi arrastada para a área que deveria ser um espaço de recreação e lazer. Ocorre que a área estava mal iluminada e coberta por um imenso matagal, o que facilitou a ação perversa do agressor.
Do encontro com alguns dos moradores da 113 sul, veio a ideia de se fazer uma ação a favor da vida chamando a atenção do GDF para o crescente índice de violência em nossa cidade.
Ao mesmo tempo, a prefeitura da SQS 113, acionava os órgãos do governo afim de revitalizar aquele espaço, transformando-o em uma área de convivência e que, por iniciativa dos moradores deveria ser chamado de Parque Maria Cláudia de Siqueira Del’Isola, vítima da barbárie humana.
Logo, o deputado Wellington Luiz (que na época do assassinato de Maria Cláudia, era policial civil e acompanhou todo o drama da família) tomou conhecimento do pleito e, não só encaminhou o assunto para um Projeto de Lei como também destinou verba parlamentar para implementação do parque.
Foram realizadas reuniões com o presidente da Novacap e equipe técnica, ficando encarregados do projeto e da realização de algumas obras, além de viabilizar a licitação para aquisição de brinquedos infantis e da construção de um pequeno anfiteatro para realização de encontros de reflexão e cultura. O projeto do parque possibilita a convivência fraterna e fortalecimento de vínculos. O parque também ganhou dois PECs (Pontos de Encontro Comunitário) do deputado Robério Negreiros.
As obras caminham. Nossa vontade é ver concretizado o mais rápido possível um espaço de luz e de amor em nossa capital, como o que certamente será o Parque Maria Cláudia de Siqueira Del’Isola, assim denominado pela lei nº 6.266 do último dia 19 deste mês, sancionada pelo Governador do DF, Rodrigo Rollemberg.
Marta Janeth
Vice-Presidente do Movimento Maria Cláudia Pela Paz