CorreioWeb

Cecília de Castro
CorreioWeb
12/12/2007
02h52-Após quase 30 horas de julgamento o juiz do Tribunal do Júri de Brasília, João Egmont, leu a sentença que condenou o ex-caseiro Bernadino do Espírito Santo, 33 anos, e a ex-empregada doméstica, Adriana de Jesus dos Santos, 24 anos, pela morte da estudante Maria Cláudia Del´Isola. Os jurados consideraram Bernadino culpado pelos crimes de estupro, atentado violento ao pudor, homicídio triplamente qualificado, roubo qualificado e ocultação de cadáver. O ex-caseiro foi condenado a 65 anos de reclusão em regime fechado, sem direito a recorrer em liberdade. Já Adriana pegará 58 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, atentado violento ao pudor, estupro e ocultação de cadáver.

O juiz João Egmont iniciou a leitura da sentença por volta das 0h25. Muito abatida a mãe de Maria Cláudia, a professora Cristina Maria Siqueira Del´Isola não se sentiu bem durante a leitura e preferiu se sentar. Já o pai da jovem, Marco Antônio Del´Isola e a filha, Maria Fernanda Del´ Isola acompanham a sentença do juiz em pé, mas de cabeça baixa. Instantes depois de Egmont tornar pública a condenação dos ex-empregados, as pessoas que estavam no plenário rezaram o Pai Nosso de mãos dadas. O julgamento foi ainda finalizado com uma forte salva de palmas.

“Acredito que houve justiça. Já havia dito que não esperávamos outro resultado. Posso dizer que saímos minimamente confortáveis. A dor continuará sendo nossa, mas uma pena dessa ordem deverá frear as pessoas que não conseguem viver em sociedade”, desabafou o pai de Maria Cláudia. Abraçadas Maria Fernanda e Cristina Maria deixaram o Tribunal do Júri.

O promotor de acusação, Maurício Miranda, acredita que a condenação de Adriana e Bernadino inibirá outros crimes. “Esse é um exemplo que servirá para outros crimes hediondos”, afirmou. Na saída o promotor de defesa de Bernadino, André Ávila, não quis dar entrevista. Porém, adiantou que a defesa recorrerá da decisão. Por ter recebido pena de mais de 20 anos, Bernadino poderá recorrer. A defesa tem até cinco dias para se manifestar.

Júri
Adriana foi julgada por duas vezes. Ela foi a júri popular nos dias 12 e 13 de novembro. Depois de mais de 19 horas de julgamento, a empregada doméstica recebeu pena máxima por todos os crimes de que foi acusada – homicídio triplamente qualificado, estupro, atentado violento ao pudor e ocultação de cadáver – e foi sentenciada a 58 anos de prisão. Após a condenação, no entanto, a defesa dela pediu novo júri, recurso previsto em lei para sentenças acima de 20 anos de reclusão.

Adriana e Bernardino deveriam ter sido julgados juntos no último dia 12 de novembro. Entretanto, na ocasião, seus advogados conseguiram o desmembramento do júri – discordaram quanto à escolha dos jurados e conseguiram que cada réu comparecesse à Justiça em uma data diferente. Em razão disso, Adriana ficou para ser julgada no dia, e o júri de Bernardino foi remarcado para 10 de dezembro (segunda-feira). No segundo julgamento a defesa tentou novamente o desmembramento do júri, sem sucesso.

Sentença
– Adriana de Jesus dos Santos, 24 anos
Condenada a 30 anos por homicídio triplamente qualificado, 12 anos e meio pelo atentado violento ao pudor, 12 anos e meio pelo estupro e três anos ocultação de cadáver, totalizando 58 anos de reclusão. Não tem antecedentes criminais.

– Bernardino do Espírito Santo, 33 anos
Condenado a 30 anos de prisão por homicídio triplamente qualificado, 12 anos e seis meses de reclusão pelo crime de estupro, 12 anos e seis meses de reclusão pelo crime de atentado violento ao pudor, três anos de reclusão e multa pelo crime de ocultação de cadáver e 7 anos de reclusão por furto qualificado, totalizando 65 anos de reclusão, em regime fechado. O réu ainda responde no Tribunal do Júri de Brasília por tentativa de estupro em outro processo, no qual já foi pronunciado e deve ser julgado em breve. Bernadino tem antecedentes criminais por tentativa de homicídio, estupro e furto. Na época em que cometeu o crime ele andava com alvará de soltura, pela prática de assalto.

Memória
Maria Cláudia Siqueira Del’Isola morreu no dia 9 de dezembro de 2004, aos 19 anos. Seu corpo foi encontrado pela polícia enterrado debaixo de uma escada da casa onde ela morava com a família, no Lago Sul. A jovem foi torturada, violentada e assassinada. Os acusados pelo crime eram empregados da família: o ex-caseiro Bernardino do Espírito Santo, 33 anos, e a ex-doméstica Adriana de Jesus dos Santos, 24. Adriana foi presa no dia da descoberta do corpo, e o caseiro fugiu para a Bahia, sendo detido pela polícia no dia 20 de dezembro, em uma praia de Salvador.