João Bosco

João Bosco Bezerra Bonfim participou do Projeto N.Sª da Poesia, num dia pra lá de significativo no contexto da infância e juventude brasileiras: 18 de Maio, data em que se comemora, no País, o Dia Nacional de Combate à Violência Sexual Contra Crianças e Adolescentes. Pois Bosco levou alegria e delicadeza em versos e ofereceu mais uma tarde lúdico-educativa-poética deliciosa às menininhas do Instituto N.Sª da Piedade.

O currículo do poeta e a quantidade de livros que publicou são enormes. Reduzimos aqui pra contar que ele é cearense de nascimento, mas vive em Brasília desde 1972, onde estudou Letras e se tornou mestre em Linguística. Lecionou português e literatura no ensino médio e foi também professor de alfabetização de adultos, no Movimento de Educação de Base, da CNBB. Dos muitos livros de prosa e verso que publicou, destacamos: Amador amador, de poesias (2001); Pirenópolis pedras janelas quintais, de poesias (2002); A fome que não sai no jornal, ensaio (2002); Era uma vez uma maria farinha, infantil (2003); Teoria do beijo, poesias (2003); Romance do Vaqueiro Voador (2003); Palavra de Presidente – discursos de posse de Deodoro a Lula (2004 e  2006 Uma traça de casaca na Casa de Ruy Barbosa, infantil (2005); Chronica de D. Maria Quitéria dos Inhamuns – poema-em-drama (2005). 

Inspiradíssimo, logo no dia seguinte ao de sua apresentação na creche, o poeta enviou o comentário da impressão que o encontro lhe causou… em versos. Eis:

Relatório Sincrético e Desanalítico da Visita ao NosSora da Poesia, por João Bosco Bezerra Bonfim
 
Hoje mesmo eu visitei
um mundo bem venturoso:
lá onde Nossa Senhora
reza um credo bem ditoso,
na voz de lindas meninas,
versos mais que deliciosos.
 
NosSora da Piedade
espécie de academia
onde as meninas brincam
de aprender poesia
ao cantar e recitar
bela voz e melodia.
 
Bem soltas e bem falantes
não negaceiam cantiga
e sem que se lhes aperte
declamam poesia amiga
letra, ritmo e voz
a afugentar a fadiga.
 
Quem disse que poesia
não é coisa de criança?
E mais: que só os ricaços
é que alcançam a bonança
de gozar dos bens simbólicos
mais pesados da balança?
 
Nada disso, meus amigos,
não foi isso o que eu vi.
Depois da escola vão
estudar e divertir-se
no NosSora da Poesia
um espaço de porvir.
 
Para elas, São Chiquinho
também Maria Farinha.
Conheceram meu Preá
e o gavião malino,
e também história de anjos
que falavam com a menina.
 
Com tanta Nossa Senhora
só me faltava era essa
que não precisa futuro
paga já hoje a promessa
de meninas que embalam
suas tardes em bons versos.
 
Abraços,
Bosco

Mais dois poemas extraídos de livros de JBBB, lidos para as crianças do INSP:

Nem mais grossa nem mais fina
Uma maria farinha acordava todos os dias
na areia, sozinha
E saía para ver que cara o dia tinha.
E saía de seu buraco
Que era de areia-farinha
Para olhar para o sol
e ver o que na praia tinha.

(Trecho de Era uma vez uma maria farinha; ilustrações de Daniele Lincoln. Tudo muda na vida de Luciana e de uma Maria Farinha no dia em que se encontram na praia. A história é narrada em versos e conta detalhes dessa amizade. Temas: amizade, ecologia. Destinado a leitores de quatro a oito anos).

Trecho de São Chiquinho ou o rio quando menino (Ed. Biruta, SP, 2008, ilustrações de Mateus Rios). Em versos, conta a história de um rio pequenino, que nasce lá na Serra da Canastra e que depois vai ser conhecido como Rio São Francisco ou Velho Chico. Destinado a crianças a partir de seis anos.