Rômulo Andrade

Brasília, 22.02.11 – O Projeto N.Sª da Poesia voltou à cena no último dia 16 de fevereiro, tendo o artista plástico, poeta e ambientalista Rômulo Andrade na condução do primeiro encontro do ano com a nova turminha de meninas atendidas pela creche da ordem de irmãs jesuítas – o Instituto N.Sª da Piedade (INSP), no Lago Sul.

Rômulo Andrade criou e doou à Biblioteca do Instituto um estandarte com uma imagem estilizada da Padroeira dos Poetas – a “N.Sª da Poesia”, inventada por inspiração do grupo de voluntários que iniciou o projeto no ano passado. A “entronização” da nova Padroeira, simbolizada por uma árvore cercada de estrelas, conduziu a conversa poética de Rômulo com as crianças, toda calcada na natureza.

Sementes – Este ano, o projeto recebe nova turma de meninas, um pouco menores do que as do grupo anterior, mas igualmente sensíveis e abertas ao conhecimento da matéria poética. Algumas poucas das que freqüentaram as aulinhas no ano passado continuam na turma, e mostraram que a semente vingou: três recitaram poemas de suas próprias autorias, para surpresa dos adultos presentes.

Assistiram à apresentação Cristina Del’ Isola, presidente do Movimento Maria Cláudia Pela Paz, e algumas de suas colaboradoras, além da bibliotecária Rosângela Melo, das jornalistas Kátia Aguiar e Angélica Torres, além de uma professora das crianças. Ao final do encontro, pães de queijo, bolo de chocolate e guaraná completaram a alegria das meninas, que ficaram surpresas e excitadas de saber que toda quarta-feira, ao longo do ano na creche, é dia de Poesia, com poetas e artistas diferentes.

PROJETO N.Sª DA POESIA – . No Instituto N.Sª. da Piedade ( QI 5, Chácara 7, Lago Sul), às 15h das 4ªs feiras. Telefone: 61 3248.1520.

Perfil:
ROMULO ANDRADE é artista plástico, poeta e arte educador. Formou-se pelo Instituto de Artes da Universidade de Brasília, em 1985, e aprimorou-se no desenho, na gravura e no design gráfico. Desenhou os pictogramas do projeto de sinalização da Rede SaraH, implantado em diversas capitais brasileiras. Participou da Expedição Humboldt – Amazônia 2000, uma longa viagem com um grupo de cientistas e pesquisadores internacionais, organizada pelo Núcleo de Estudos Amazônicos da UnB. Tem extenso currículo de mostras locais e internacionais desde 1980, e já produziu cartazes, edições de arte e cenários para espetáculos musicais.
Há 30 anos dedica-se a uma abordagem poética dos sertões, especialmente à região dos Cerrados. É ambientalista atuante desde os anos 80, e oficineiro de arte, cultura e cidadania em escolas e comunidades do DF e outros estados brasileiros. Emprega materiais impregnados pelo tempo (madeiras nobres, tecidos e lonas de grande formato) em sua arte de dimensão mítica e poética; suas imagens evocam a ancestralidade e dialogam com a visão encantada dos povos ameríndios, aborígenes e selvagens do futuro. Tem obras em museus de arte, instituições culturais e coleções particulares, e prêmios. www.pintoandrade.multiply.com

Depoimento de Rômulo Andrade

“Ana Clara, Maria Vitória, Letícia, Aline, Regina, Rosa, Carolina, Débora, Maria Cláudia e tantas outras

Rosto redondo, olhos castanhos e negros, cabelos sedosos e cacheados, suas trancinhas.
A beleza morena destas meninas, alegres em descobrir significados de palavras e nomes

Lembramos juntos do poema Leilão de Jardim da Cecília Meireles, essa poeta magistral
que teve uma infância tão cheia de perdas, seus pais se foram muito cedo, foi criada pela avó e encontrou na poesia sua linguagem, compreensão do mundo, resiliência e fortaleza”

’Quem me compra um jardim com flores, borboletas de muitas cores,
lavadeiras e passarinhos e ovos verdes e azuis nos ninhos

Quem me compra esse caracol, quem me compra um raio de Sol
E o lagarto entre o muro e a hera, e uma estátua da primavera

Quem me compra esse formigueiro e esse sapo que é jardineiro
e a cigarra e a sua canção, e o grilinho dentro do chão,

Esse é o meu leilão…’

”A poeta delicadamente questiona os donos do mundo e mostra como é relativo
o valor financeiro, afinal o que mais importa: a vida em si ou o dinheiro ?

Assistimos também a um desfile dos tamanduás, tesourinhas, tartarugas, peixes e jaguatiricas,
pepalantos, banhos de bica, buritis, luas e nascentes no vídeo A poética do Cerrado
– produzido com esse objetivo, aproximar as crianças da poesia que existe no seu ambiente,
esse bioma tão lindo, tão antigo e meio que sempre ignorado.

Foi tudo muito divertido, acho que elas gostaram