Dengue cresce 240% no DF

O último boletim, divulgado ontem, mostra que, só neste ano, 1.794 pessoas foram contaminadas. Mais um morador de Brazlândia morreu possivelmente em decorrência da forma hemorrágica da doença. Um novo caso de zika vírus teve confirmação.

OTÁVIO AUGUSTO E NATHÁLIA CARDIM

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Nas tendas no estacionamento do Hospital de Brazlândia, apenas ontem houve 158 atendimentos, 60 confirmações de dengue e cinco internações

A cada semana a atualização do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde revela o triste cenário que a capital federal enfrenta. Apenas este ano já são 1.794 casos de dengue. Em comparação com o mesmo período do ano passado, a alta é de 240%. Houve, ainda, a confirmação de uma nova infecção por zika vírus. Ontem, a forma hemorrágica da doença pode ter feito a terceira vítima em Brazlândia em menos de um mês — a cidade registrou 420 contaminações. A situação delicada obrigou o Executivo local a intensificar os esforços no combate ao Aedes aegypti. Na próxima semana, um novo hospital de campanha será inaugurado. Desta vez em São Sebastião.

Em menos de dois dias, a família do servidor público aposentado Erotides Dias da Costa, 61 anos, confirmou o diagnóstico de dengue e recebeu a notícia da morte do morador da zona rural de Brazlândia. Na última quinta-feira, ele deu entrada no Hospital Anchieta, em Taguatinga. Durante o período em que esteve na unidade, sofreu duas paradas cardíacas. Na segunda delas, a equipe não conseguiu reanimá-lo. “Enquanto esperava o leito ser preparado, ele desmaiou. Depois, aconteceu de novo, no banheiro”, contou Cidalina Cardoso, 28 anos, nora de Erotides, que, segundo a família, nunca havia contraído dengue.

A Secretaria de Saúde informou, em nota, que a Diretoria de Vigilância Epidemiológica ainda não recebeu a notificação do óbito. Segundo a pasta, o prazo máximo é de 24 horas. O Hospital Anchieta garantiu ter prestado toda a assistência necessária ao paciente, mas disse não ter como atestar, por enquanto, a causa da morte. “O paciente apresentava quadro clínico sugestivo de dengue e pancitopenia (hemorragia), que evoluiu rapidamente com choque circulatório e óbito. Cumprimos rigorosamente suas obrigações de notificação compulsória”, diz o texto. “Do documento do hospital, consta hemorragia não identificada, mas ele fez todo o tratamento para dengue. Durante todo o tempo, ficou à base de soro e de medicação para dor abdominal”, ressaltou Cidalina.

Governo quer criar mais quatro hospitais de campanha para agilizar o diagnóstico: São Sebastião é o próximo

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Combate

Brazlândia, São Sebastião, Planaltina e Ceilândia são os locais com maior número da doença, respondendo por 874 casos — um percentual de 55% das contaminações. O Executivo identificou 77 casos suspeitos de zika. Há ainda uma nova confirmação da doença na capital federal. O local de contágio ainda está em investigação. Houve o registro de 78 casos suspeitos de febre chikungunya. Contudo, não foram confirmados. “Fui diagnosticada com dengue no último sábado. É muito ruim. Senti muita dor no corpo e tive febre alta. O surto na região está feio. Estou morrendo de medo de mais alguém contrair dengue na minha casa”, desabafou a atendente Eliene Pereira, 46 anos.

O cenário mais crítico é em Brazlândia, onde a Secretaria de Saúde ampliou para cinco o número de tendas do hospital de campanha. Agora, são 15 leitos e seis médicos atendendo. Ontem, 158 pessoas passaram pelo local. Dessas, 60 tiveram o diagnóstico de dengue. Cinco estão internadas com a suspeita de estarem com a forma grave da doença. Na quinta-feira, 111 pacientes foram atendidos e 55 tiveram a confirmação da doença. “Em dois dias, pudemos perceber que o número de pacientes que apresentaram os sintomas da doença é preocupante. Acreditamos que a demanda deve aumentar ainda mais. O que nos remete a pensar que estamos, sim, com um surto de dengue”, avaliou a secretária adjunta de Saúde, Eliene Ancelmo Berg.

Eliminar os criadouros do Aedes aegypti se tornou prioridade na cidade. Hoje, 18 mil militares realizam ação de combate ao mosquito na cidade — o objetivo é orientar os moradores e entregar panfletos explicativos. Até o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vai participar da ação. Ele estará na Administração Regional de Brazlândia. “Abram suas portas para que os agentes de vigilância ambiental e todos os agentes de saúde façam o trabalho de identificar os focos do mosquito”, pediu o subsecretário de Saúde, Tiago Coelho. As ações de combate direto com larvicida e inseticida devem ocorrer entre os dias 15 e 18 deste mês.

Entorno

A Secretaria de Saúde notificou 207 casos de dengue de moradores no Entorno. A alta é de 444,74%, em relação ao mesmo período de 2015. Águas Lindas, Luziânia, Padre Bernardo, Santo Antônio do Descoberto e Cidade Ocidental são os municípios com maior incidência. Dos 78 casos suspeitos de chikungunya, 22 (28%) vieram do Entorno. Os de zika vírus são 12 (16%). O Executivo local quer evitar que os reflexos negativos cheguem a Brasília. Representantes das secretarias de Saúde vão se reunir no próximo dia 19, em Luziânia, para tratar dos termos de cooperação técnica de combate à doença entre o DF e Goiás.