No caminho das cordas

Além de aulas de música para crianças, projeto desenvolvido pela Orquestra do Gama conta com coral para idosos %u2014 reunindo cerca 80 participantes

THIAGO SOARES
(Fotos: Helio Montferre/Esp.CB/D.A Press)

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É pelos dedilhados no violão ou pelo passar do arco no violino que crianças e adolescentes constroem um novo caminho por meio da música. As notas, além de tocadas, também são interpretadas pelas vozes de idosos que compõem o coral. São cerca de 80 pessoas de variadas idades que participam do projeto Com Cordas do Gama, desenvolvido pela Orquestra Cordas do Gama. As aulas são ministradas gratuitamente. As lições que eram passadas quase que diariamente devido a dificuldades tiveram que ser reduzidas para dois dias da semana. A luta dos organizadores é com a permanência do trabalho voluntário.

O projeto nasceu em junho do ano passado. O responsável, o maestro Roberto Farias, 42 anos, percebeu que, por meio do seu conhecimento em música, poderia auxiliar algumas crianças da região, retirando elas principalmente das ruas e lhe dando oportunidade para tocar algum instrumento de cordas, como violão clássico, violino, violoncelo e viola. “A intenção era mandar a cultura de fora para dentro do Plano Piloto. Temos muitos músicos que moram nas regiões administrativas. Identifiquei que algumas pessoas tinham vontade de aprender música, principalmente crianças, mas, como as aulas na maioria ocorrem na região central, elas teriam dificuldades de locomoção. Por isso, resolvemos trazer o projeto para o Gama. Uma oportunidade perto para quem quer aprender”, explicou. As aulas ocorrem no Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (Cose) do Setor Sul do Gama.

image002 (3)Rochelle Emanuella: %u201CA chance de seguir no meu objetivo%u201D, que é fazer música na UnB (Fotos: Helio Montferre/Esp.CB/D.A Press)

Rochelle Emanuella: %u201CA chance de seguir no meu objetivo%u201D, que é fazer música na UnB

O Com Cordas do Gama é uma extensão do Orquestra de Cordas do Gama. O grupo, formado por 20 músicos, nasceu em abril do ano passado. Roberto Farias, que também é presidente da entidade, entrou com a experiência como diretor, entre 2014 e 2014, da Orquestra Filarmônica de Brasília. As apresentações ocorrem esporadicamente em diversos espaços. “Não há mais necessidade de ir ao Plano Piloto para apreciar música clássica”, aponta o maestro.

As pequenas irmãs Anna Hellen, Anna Amélia e Anna Beatriz Lima 4,8 e 10, respectivamente, nem ligam para a complexidade que leigos enxergam no violino. A mais velha se interessou pelo instrumento, e as outras seguiram o exemplo. As três participam do projeto. “Estou gostando muito das aulas. No início, é um pouco difícil, mas, depois que se pega o ritmo, fica divertido. Já estou até tocando algumas músicas”, contou Beatriz. A mãe do trio, a dona de casa Anna Cláudia Filgueiras, 40 anos, conta que, se não fosse o Cordas do Gama, seria inviável manter as crianças em uma escola de música. “É uma oportunidade única. Seria complicado manter as três em uma aula particular. Elas estão muito empolgadas”.

O projeto rende frutos. A exemplo da estudante Rochelle Emanuella Mesquita, 16 anos. Ela foi uma das primeiras a se inscrever no Cordas do Gama. Desde pequena, a garota despertou interesse pela área. O primeiro contato foi com o violino, quando ainda tinha 8 e morava no Maranhão. Morando atualmente no Novo Gama (GO), ela não mede esforços para participar das aulas. “Vejo aqui a chance de seguir no meu objetivo. Fazer o que gosto, que é expressar a música pelo violino. O projeto está me ajudando muito”, diz a adolescente, que pretende cursar música na Universidade de Brasília (UnB).
Por conta de dificuldades financeiras, Roberto Farias teve que reduzir o número de aulas e torce pela permanência do trabalho voluntário
(Helio Montferre/Esp.CB/D.A Press)

Por conta de dificuldades financeiras, Roberto Farias teve que reduzir o número de aulas e torce pela permanência do trabalho voluntário

Continuidade
Inicialmente, três músicos que fazem parte da Orquestra Cordas do Gama, ministravam as aulas no projeto, porém, mesmo com todo o esforço, apenas o maestro Roberto Farias permaneceu. Apesar de usar um espaço público para o programa, o grupo não recebe qualquer incentivo financeiro. Tudo é feito contando com a solidariedade. “Eles tiveram dificuldades em se deslocar para cá. Assim como eu, eles mantêm outros projetos profissionais. Com isso, tivemos que reduzir os dias de aulas para apenas dois. A nossa intenção é retomar com mais um dia para todas serem atendidos”, acrescenta.

As aulas de cordas ocorrem nas quintas e sextas-feiras, no período da tarde, e o coral de idosos se reúne na quinta pela manhã. Os instrumentos usados nas aulas são dos próprios alunos ou do professor. “O ideal seria conseguir apoio para conseguir novos instrumentos, assim mais pessoas da comunidade teriam oportunidade de aprender”, ressalta o maestro.

Grupo diversificado
Os instrumentos de cordas são aqueles em que o som é produzido pela vibração de uma corda presa em suas extremidades. Quanto mais longa e mais grossa a corda, mais grave é o som emitido e vice-versa. A quantidade delas nos instrumentos dessa família varia muito, podendo ter uma, como o berimbau, ou mais de quarenta, como a harpa. Além disso, esses instrumentos do grupo são diversificados e podem ser tocados de diferentes maneiras. São usados em apresentações solo, em conjuntos pequenos e grandes orquestras, entre outros. O representante mais conhecido desta família é o violino, considerado um dos instrumentos mais importantes da cultura ocidental.

Como ajudar?
Quem quiser ajudar com o andamento desse projeto no Gama pode entrar em contato com o maestro Roberto Farias (61) 8146-9097 ou 9905-0396. A ajuda pode ser através da doação de equipamentos ou até mesmo qualquer quantia em dinheiro. As aulas são ministradas às quintas e sextas-feiras no Centro de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (Cose), localizado na entre quadra 05/11 Área Especial – Setor Sul.

Site: katiaaguiar1@terra.com.br