Parte dos espaços dedicados às artes está fechada ou em condições precárias

Falta de verba para reformas ou manutenções é reflexo de anos de descaso

postado em 07/06/2016 08:35 / atualizado em 07/06/2016 10:20
Nahima Maciel
Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press
image001 (1)O Governo do Distrito Federal é dono de 17 equipamentos culturais. Eles estão distribuídos pelas cidades e pelo Plano Piloto e deveriam ser espaços de proteção e fomento da diversidade cultural da capital. No entanto, boa parte deles agoniza. O Teatro Nacional, o Espaço Cultural Renato Russo e o Museu de Arte de Brasília (MAB) estão fechados. Este último, aliás, está em ruínas há quase 10 anos. Os que ainda mantêm as portas abertas têm problemas e, muitas vezes, operam de maneira precária. É o caso do Memorial dos Povos Indígenas, que lida com infiltrações, falta de climatização e iluminação natural que pode acelerar o processo de deterioração do acervo. Ou o Museu Vivo da Memória Candanga, cujas casas em madeira remanescentes dos primeiros anos de Brasília correm o risco de serem destruídas por cupins ou apodrecer.

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Parte dos espaços dedicados às artes está fechada ou em condições precárias
Este ano, o orçamento destinado à cultura no DF foi de R$ 159.806.621. O total corresponde a 0,38% do orçamento aprovado pela Câmara Legislativa para a cidade. É pouco para manter os 17 equipamentos culturais, mas é também um reflexo da situação nacional: raras vezes o Ministério da Cultura (MinC) chegou a atingir mais de 1% do orçamento federal. O resultado são museus às traças, teatros caindo aos pedaços e espaços culturais de portas fechadas. Cultura se cultiva com educação. Como esta última também sofre duros golpes no Brasil, a consequência é óbvia. No entanto, não se constrói identidade nem sociedade sem cultura. Ou até se constrói, mas o resultado costuma ser lamentável. Cultura é também um poderoso instrumento de inclusão social. E, num país como o Brasil, com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) tão deficiente, que o coloca em 75º lugar numa lista de 188 países, incluir jovens em situação de risco é vital. O Diversão&Arte diagnosticou a situação dos principais equipamentos da cidade e fez um mapa invertido: nem sempre as instituições prometidas aos turistas nos guias distribuídos pela cidade correspondem ao que prometem. Veja o estado dos locais que deveriam proteger o patrimônio cultural brasiliense.

Espaço Cultural Renato Russo
Interditado em dezembro de 2013 pela Agefis e pelo Corpo de Bombeiros por não atender normas de segurança

MAB
Criado em 1985, o Museu de Arte de Brasília (MAB) está fechado desde 2007 por recomendação do Ministério Público

Teatro Helena Barcelos (UnB)
Fechado desde 2011, quando foi interditado por problemas de estrutura e manutenção. O espaço foi originalmente planejado para ser um teatro moderno, com palco móvel e serve atualmente como depósito. Estudantes de artes cênicas da Universidade de Brasília continuam a iniciar e completar o curso sem um teatro para apresentar seus estudos e criações.

Memorial dos Povos Indígenas
Construído em 1987, passou um tempo fechado em 1999 e hoje está aberto, mas funciona em condições precárias e sem orçamento próprio

Centro de Dança
Fechado desde 2013, o espaço passa por processo de reforma e a previsão é que reabra as portas ainda este ano

Biblioteca Demonstrativa da 506/507 Sul
Foi interditada pela Defesa Civil em maio de 2014 e permanece fechada, apesar de uma reforma iniciada pouco depois do fechamento

Teatro Nacional
Está fechado desde fevereiro de 2014 por determinação do Corpo de Bombeiros: as instalações elétricas e hidráulicas do teatro estão comprometidas.
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