Familiares de jovem estuprada e morta protestam durante prisão de criminoso

Crime ocorreu em julho do ano passado em Ceilândia. Só neste sábado (23/7) Polícia Civil identificou e prendeu Diogo dos Santos Pestana, 32 anos, que confessou o ato.

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Zuleika Sousa/CB/D.A Press”Esse último ano eu vivi, porque tinha que viver. A prisão dele não vai trazê-la de volta, nem apagar as mágoas, mas, pelo menos, alguma coisa foi feita”, desabafou a mãe de Thalitha, Cícera Maria Cacau

Após um ano de investigações a Polícia Civil identificou e prendeu o homem que estuprou e matou Thalitha Cacau Rocha Passos, 25 anos. O crime aconteceu em junho do ano passado, próxima a BR-070, em Ceilândia, na altura de um campo de futebol. Diogo dos Santos Pestana, 32, confessou o crime. A prisão aconteceu no sábado (23/7), quando o acusado fazia serviços elétricos em uma clínica da 910 Sul.

O celular da vítima, roubado no dia do crime, ajudou investigadores a localizarem Diogo. Os policiais passaram a monitorar o suspeito. Na casa de Diogo, em Luziânia (GO), a polícia apreendeu três calcinhas, um computador e uma grande quantidade de camisinhas e gel lubrificante. Ele estava com um mandado de prisão da Polícia Civil de Goiás aberto por tentativa de estupro em Águas Lindas (GO).

“O Diogo contou tudo o que tinha feito com detalhes. Num primeiro momento, ele se mostrou surpreso por haver uma investigação”, detalhou o titular da 24ª Delegacia de Polícia (Setor O), Ricardo Viana. Diogo deve ser transferido ainda na tarde desse domingo (24/7) para o Complexo Penitenciário da Papuda.

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Zuleika Sousa/CB/D.A PressDiogo dos Santos Pestana, 32 anos, foi preso quando fazia serviços elétricos em uma clínica da 910 Sul

Familiares de Thalitha estiveram na delegacia e tentaram agredir o criminoso. A jovem deixou dois filhos de 2 e 6 anos. “Esse último ano eu vivi, porque tinha que viver. A prisão dele não vai trazê-la de volta, nem apagar as mágoas, mas, pelo menos, alguma coisa foi feita”, desabafou a mãe de Thalitha, a auxiliar de serviços gerais Cícera Maria Cacau, 49 anos.

Neste domingo, a filha mais nova de Thalitha, que vive com o pai, completa dois anos. “O filho mais velho sabe o que aconteceu. Estava passando da hora de termos um ponto final. Não há um dia sequer que eu não lembre dela. Ao passar pelos locais onde o crime aconteceu sinto uma indignação imensa. Ainda mais por ser uma pessoa de índole boa”, completa Cícera, que cuidado do filho mais velho de Thalitha.

Policiais apreenderam, ainda, o carro usado no crime — um Fiat Tempra. Diogo havia vendido o veículo. “O carro vai passar por exames periciais para constatar material genético e sangue humano. Na época do crime, ele usou esse mesmo veículo”, contou o delegado.
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Zuleika Sousa/CB/D.A PressCarro usado por Diogo para abordar a vítima

Crimes

Diogo é acusado de estuprar e tentar matar uma mulher em Águas Lindas, em dezembro do ano passado. O crime teria sido executado da mesma forma que no caso de Thalitha. “A forma dos crimes que nortearam as investigações e conduziu a ele como o principal suspeito”, explica Ricardo Viana.

Em ambas as situações, Diogo abordou as vítimas com uma arma falsa, as obrigou entrar no carro. Após os estupros, ele enforcava as mulheres com um meião de futebol. “Ele tentou justificar que as vítimas, em algum momento, aceitaram ficar com ele, mas depois se recusavam. Por sorte, a moça de Águas Lindas conseguiu fugir da casa dele”, afirma o delegado.

O mandado de prisão contra Diogo é por estupro e tentativa de homicídio. Ele não possui passagens anteriores pela polícia.

A vítima

A operadora de caixa Thalitha desapareceu na noite de 27 de junho de 2015. Ela foi abordado em uma parada de ônibus em Ceilândia, próxima ao JK Shopping. Familiares registraram na polícia o sumiço e chegaram a fazer uma campanha em redes sociais para encontrar a moça. Thalitha teria saído do trabalho por volta das 19h30 de sábado.

No fim do expediente, Thalita telefonou para o marido. A intenção dela era pegar o metrô até o Centro de Taguatinga. De lá, seguiria de ônibus para Águas Lindas, cidade onde morava. Na época, os policiais acreditavam que a morte teria acontecido por volta das 3h da manhã.
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