Movimento dos girassóis é guiado por bússola interna

As plantas mais velhas não acompanham todo o movimento do Sol: tática para atrair polinizadores.

image001 (5)O ritmo circadiano — período de 24 horas em que os ciclos biológicos do corpo se completam — também funciona como um guia para a movimentação dos girassóis. Pesquisadores dos Estados Unidos analisaram a flor e observaram que ela acompanha os raios solares de acordo com o seu relógio interno. O trabalho, publicado na última edição da revista Science, também aponta diferenças de comportamento nas espécies mais velhas, que realizam ciclos menores que as jovens.

Os estudiosos cultivaram as plantas da espécie Helianthus annuus, o girassol comum, em vasos ao ar livre e monitoraram como elas seguiam o Sol. Depois dessa etapa, as plantas foram levadas a uma câmara de crescimento, onde a única luz fornecida era controlada por meio de lâmpadas fluorescentes. Constatou-se que as plantas ainda se movimentavam, mesmo sem estar expostas à luz solar. A descoberta indica a existência de uma espécie de bússola interna para esse deslocamento.

“Um mecanismo interno, o relógio circadiano, é o que lhes permite dobrar para trás e para a frente com um ritmo de 24 horas”, explicou, ao Correio, Stacey Harmer, professora do Departamento de Biologia Vegetal da Universidade da Califórnia e uma das autoras do estudo. Os cientistas também observaram uma diferença curiosa entre plantas jovens e velhas. “Quando as plantas maduras se abrem, elas ficam fixas em uma posição virada para o leste e não acompanham o movimento do Sol, o que as mais novas fazem”, contou a autora.

A hipótese é de que o movimento mais limitado tem uma razão evolutiva. Os cientistas perceberam que os girassóis virados apenas para o leste, os mais velhos, têm temperaturas mais altas do que as plantas viradas para o oeste. Isso os torna mais atraentes para os polinizadores. Quando girassóis voltados para o oeste foram aquecidos com aquecedores portáteis, também ficaram mais propensos a chamar os polinizadores do que os colocados no mesmo lado, mas que não receberam aquecimento artificial.

Os autores pretendem se aprofundar nos achados e sanar novas dúvidas quanto ao comportamento da planta. “Estamos muito interessados em compreender como esses padrões de crescimento diferentes são impostos. Por que os girassóis são tao bons em seguir o Sol enquanto outras espécies não se comportam dessa forma? Se outras plantas seguissem a luz solar, elas teriam uma maior eficiência quanto ao seu crescimento?”, adianta Harmer. (VS)

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