Com paralisia cerebral, gêmeos competem nas Paraolimpíadas Escolares

Com paralisiaa cerebral, gêmeos competem nas Paralimpíadas Escolares
Irmãos de Santa Catarina representam o estado nos jogos disputados no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo

postado em 25/11/2016 15:41 / atualizado em 25/11/2016 15:53
Victor Gammaro* /Correio Braziliense
São Paulo — Os gêmeos Lucas Felipe da Cruz e Bruno Rafael da Cruz foram uma das grandes atrações das Paralimpíadas Escolares. Com paralisia cerebral, os irmãos competem na bocha e, para a infelicidade da mãe, a tabela do torneio colocou os meninos frente a frente.
Lucas e Bruno disputam a classe BC3, que engloba os paratletas com deficiências muito severas e que usam um instrumento auxiliar, podendo ser ajudados por outra pessoa. No caso de Bruno, a mãe Rosana faz o papel de calheira — nome dado ao auxiliar do competidor. Já Lucas conta com o auxílio do amigo e calheiro Gabriel Osório, de 14 anos.

image001-19Rosana, a mãe, e Rafael Osório, o amigo, ajudam os irmãos gêmeos na hora da competição

No confronto das Paralimpíadas, melhor para Lucas, que tem um retrospecto de três vitórias e uma derrota contra o irmão. Rosana conta que é impossível escolher um lado para torcer. “Na primeira parcial, o Bruno estava ganhando e fiquei chateada por ver o Lucas triste. Depois, a situação se inverteu e foi o Bruno que ficou cabisbaixo. É difícil pra mim. Eu chorei um pouquinho, dói”, confessa a dona de casa de 45 anos.
Rosana afirmou que só é confortada por saber que a delegação de Santa Catarina sairá vencedora sempre quando o duelo for entre família.

Já Gabriel Osório não hesita em escolher um dos lados, mas confessa não ficar muito confortável com a derrota de um dos amigos. “Quando estou jogando, quero ganhar, apesar de ficar triste pelo Bruno”, disse o calheiro.
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Márcio Rodrigues/MPIX/CPBLucas e Bruno em ação: um perde, mas pelo menos a medalha vai para Santa Catarina

Bruno Rafael, o derrotado do confronto, afirma que não fica “nem um pouco triste” pelo revés para o irmão gêmeo. “Ele geralmente ganha de mim, não fico chateado. Foi bem legal, apesar de ter perdido”, comentou o paratleta de 12 anos, morador de Porto União, cidade à 444km de Florianópolis.

Bocha
O esporte é praticado por pessoas com elevado grau de paralisia cerebral ou deficiências severas. O Brasil tem tradição na bocha paralímpica. Nos Jogos do Rio de Janeiro, por exemplo, o país conquistou uma medalha de ouro com Antonio Leme e Evelyn Vieira, nas duplas mistas categoria BC3 — a mesma dos gêmeos.
O maior nome da modalidade no Brasil é Dirceu Pinto. O paulista tem quatro medalhas de ouro em Paralimpíadas: duas em Pequim e duas em Londres. No Rio de Janeiro, Dirceu não passou em branco e conquistou uma medalha de prata. Todas as medalhas foram na categoria BC4, disputada por atletas com deficiências severas, mas que não recebem assistência.

* Estagiário sob a supervisão de Leonardo Meireles. Victor Gammaro viajou a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro

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