Mãe que teve filha morta por caseiro luta para manter condenado na cadeia

Cristina Del’sola lamenta a possibilidade de um dos assassinos da filha ser beneficiado pela progressão de regime, do fechado para o semiaberto. Para ela, caso serve de exemplo para que “outras Marias não se tornem vítimas nas mãos dele”

postado em 29/12/2016 06:05
Thiago Soares
Daniel Ferreira/CB/D.A Press – 1/12/14 “Não posso me calar”

image001-12“Eu não quero vingança, eu apenas não quero que nenhuma outra mãe seja alvejada como a minha família foi”. Assim reagiu Cristina Del’Isola, mãe da jovem Maria Cláudia Del’Isola, ao avaliar a possibilidade de concessão de um benefício àquele que assassinou a filha dela, em 2004. No último dia 12, o ex-caseiro da família da vítima Bernardino do Espírito Santo Filho obteve a progressão de pena em regime fechado para semiaberto. Ele ainda não saiu às ruas porque aguarda exames psicológicos que possam atestar a condição de reintegração. “O perfil dele é de psicopata. A minha necessidade é sensibilizar as autoridades à frente dessa decisão para que outras Marias não se tornem vítimas nas mãos dele”, argumenta Cristina (leia Depoimento).

Saiba mais

Ao tomar conhecimento da decisão na segunda-feira, Cristina, presidente do Movimento Maria Cláudia, preferiu silenciar. Mas a situação fez com que a mãe relembrasse toda a tristeza provocada por um dos crimes mais bárbaros da história de Brasília. Em 9 de dezembro, completaram-se 12 anos do homicídio. Bernardino e a então namorada, a empregada doméstica da casa, Adriana de Jesus Santos, foram condenados pelo assassinato. Segundo a investigação, eles abordaram a garota quando ela saía de casa, no Lago Sul, para a faculdade. A dupla imobilizou e agrediu Maria Cláudia, e, depois, o homem a estuprou. O corpo dela foi encontrado três dias depois, enterrado debaixo da escada da residência dos Del’Isola.

“Foram quase três anos de convivência dele (Bernardino) com a família, e ele se mostrou dissimulado com todos. O que quero lembrar neste momento é que perdi a minha filha de uma forma brutal e monstruosa. O fato é que estamos diante de um assassino inescrupuloso. A minha preocupação é saber que alguém com esse perfil pode, daqui a alguns dias, estar empregado, convivendo com outras pessoas sem elas saberem o que aguardam ao lado. O medo é da possibilidade de um novo crime”, afirma a mãe.
Dor

A Justiça sentenciou Bernardino a 65 anos de prisão em 2007. Mas, assim como Adriana, ele conseguiu reduzir a pena para 52 anos. Contra o ex-caseiro também há uma condenação por tentativa de homicídio e estupro contra uma adolescente de 13 anos, crime que ocorreu meses antes da morte de Maria Cláudia. “Diante de tantos crimes, nunca imaginei que ele poderia ser beneficiado pela Justiça”, lamenta Cristina.

Adriana também tenta o mesmo benefício de Bernardino. Em novembro de 2015, ela apresentou proposta de emprego à Justiça, mas ela foi vetada após exames atestarem transtornos psicológicos. A possibilidade de progressão de regime do ex-caseiro só foi possível pelo fato de que, à época do crime, a Lei de Execuções Penais previa que os presos com bom comportamento poderiam ser beneficiados depois de cumprirem um sexto da pena. No caso dele, no dia da decisão, ele havia cumprido aproximadamente 12 anos de reclusão. “A minha filha não voltará. Essa é a minha realidade, e eu tenho de conviver com essa dor. Mas o que não quero para mim, eu não quero para o próximo; por isso, peço que as autoridades sejam sensíveis e analisem bem o que isso pode representar”, conclui a mãe de Maria Cláudia.
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