Projetos fotográficos devolvem autoestima a mulheres fora do padrão

Postado em 03/09/2017 07:00
Rebeca Oliveira /

Crédito: Andreza Pinheiro/Divulgacao.
Amanda Carvalho posa para o projeto Entre tantos amores, o próprio.

A fotografia tem sido importante aliada nesse processo de quebra de padrões
Andreza Pinheiro/DivulgaçãoAmanda Carvalho, uma das personagens que posou e compartilhou memórias com a paulista Andreza Pinheiro

Em tempos de empoderamento feminino, são muitas as mulheres que se sentem mais livres com a própria imagem, e encontram nas redes sociais uma plataforma para gritar essa autoaceitação. Arte do olhar, a fotografia tem sido importante aliada nesse processo de quebra de padrões. Apesar da pressão social continuar afligindo uma grande parcela da população (o Brasil lidera o ranking de países em cirurgias plásticas femininas), pipocam nas redes sociais projetos em que fotos e relatos biográficos entregam diversidade. O corpo é memória e, como tal, pede por respeito.

“Temos novas oportunidades de alcançar mais pessoas. Precisamos desconstruir a ideia de ‘padrões de beleza’. Cada indivíduo é único e essa diversidade precisa ser celebrada”, defende Andreza Pinheiro, criadora do Entre tantos amores, o próprio.
As imagens são disponibilizadas em uma página do Facebook criada em 8 de março, quando se comemorou o Dia Internacional da Mulher.

“Vivemos um processo de reestruturação do que é ser mulher na nossa sociedade. Não só os padrões de beleza, mas os padrões de comportamento e posicionamento político das mulheres vêm se alterando como nunca vimos antes. Acredito que, diferentemente do movimento feminista do século passado, a primavera feminina no século 21 reposiciona a mulher em todos os aspectos possíveis de uma vez só”, defende Nathália Oliveira, idealizadora da página Mulheres Poderosas, no ar na mesma rede social. Na próxima terça, será publicado o relato da primeira mulher trans entrevistada pelo projeto. Valéria Houston, a cantora escolhida, vem ganhando cada vez mais visibilidade no mercado, na “cola” de pares como a drag queen Pabllo Vittar.

Paulista, a fotógrafa Andreza Pinheiro sempre trabalhou com ensaios femininos convencionais. Até que, no início desse ano, uma inquietação a fez voltar as lentes para outros corpos. Sem padrões e estereótipos, a profissional queria construir uma narrativa em que imagens e memórias revelassem o que há por trás de diferentes personalidades femininas. Uma delas foi Amanda Carvalho, que teve 57% do corpo queimado com gasolina ao tentar salvar a mãe de um ataque furioso do próprio pai. Ambos morreram após a tragédia. “Se antes eu tinha vergonha das minhas cicatrizes, hoje eu tenho o maior orgulho e as amo. Elas fazem parte de mim, parte da minha história, de quem me tornei. Sou mais forte em tê-las. São como um escudo. Corpo bonito é aquele tem uma pessoa feliz dentro dele, e sou extremamente feliz assim: com cada cicatriz”, escreveu a modelo em um dos relatos mais impactantes do projeto.

Mulheres poderosas

De nome autoexplicativo, o Mulheres Poderosas é uma parceria das cariocas Nathália Oliveira e Renata Spinellio. A primeira delas teve o insight criativo em 2016, quando fez a primeira viagem sozinha e acompanhou, pela web, a repercussão do assassinato da argentina Lucía Pérez, em Mar Del Plata. “A mobilização de mulheres que surgiu a partir desse episódio tenebroso me motivou a também me mobilizar para lutar pelo fim da violência contra as mulheres. Toda campanha que existe sobre o assunto tem como imagem a mulher machucada, fragilizada, e entendi que esse não é o melhor caminho. O melhor caminho para o fim da violência contra a mulher é a valorização da vida de cada uma de nós, e tento fazer isso ao contar as histórias e publicar as fotos do projeto”, explica.

Crédito: Weudson Ribeiro/Divulgacao. Imagens do projeto Superafro, de Weudson Ribeiro.

Weudson Ribeiro/DivulgaçãoSuperafro, uma investigação informal da presença afro na mídia

Superafro

Brasiliense, o fotógrafo Weudson Ribeiro notou a ausência de mulheres com cabelo natural na moda e na publicidade – sobretudo no Brasil, país em que, segundo o IBGE, pretos e pardos integravam a maioria (53,6%) da população. Para sanar a lacuna, passou a publicar fotos desde 2015 no blog akaschwarz.tumblr.com, após uma conversa com a etnóloga norte-americana Yaba Blay. “Começou como uma investigação informal: eu fui às ruas para abordar essa questão e ouvir delas uma opinião sobre a falta de representatividade afro na mídia”, conta. “Se a consciência negra havia crescido tanto, porque os comunicadores em geral não estavam prestando atenção nisso?”, perguntou-se. Weudson planeja uma exposição de Superafro, ainda sem data definida.

Crédito: Daniel Regan/Divulgação.
Imagens do projeto Alopecia, do fotógrafo britânico Daniel Regan.Daniel Regan/DivulgaçãoProjeto Alopecia, do britânico Daniel Regan

Alopecia

O projeto criado pelo fotógrafo britânico Daniel Regan retrata mulheres com alopecia, doença que desacelera a produção de pelos na cabeça e em outras partes do corpo. Ela é desencadeada por questões genéticas ou emocionais, como situações de estresse. Em entrevista a portais internacionais, ele contou que os ensaios tem um papel importante na autoaceitação. “É um testemunho de como a fotografia pode ser poderosa, e se for usada corretamente, pode ter impactos terapêuticos importantes”, revelou ao Huffpost UK. As fotos estão disponíveis no site danielregan.com/alopecia.

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