Amigos e parentes se despedem de ciclista atropelado na Asa Norte

Um clima de comoção tomou conta do velório do ciclista Raul Aragão, 23 anos, na manhã desta segunda-feira (23/10), na Capela 5 do Cemitério Campo da Esperança, Asa Sul. Familiares e amigos prestaram as últimas homenagens ao rapaz, que morreu no domingo (22) após ser atropelado na L2 Norte, um dia antes.

Muitos fizeram questão de chegar ao velório de bicicleta. Eles vestiram nariz de palhaço para chamar a atenção sobre os desafios enfrentados pelos ciclistas no dia a dia. Principalmente no que diz respeito à falta de faixas exclusivas.

Pai de Raul, Helder Luís Rocha avalia o acidente como uma fatalidade e afirma que as vias de Brasília favorecem os motoristas de carro. “Nós conversávamos muito sobre a divisão de carros e bicicletas, desde que o ensinei, na infância. Eu o empurrei quando estava aprendendo a andar na primeira bicicleta sem rodinhas”, relembra.

Raul era voluntário da Rodas da Paz. Ele foi atropelado por um carro na Asa Norte no sábado (21), quando voltava do Restaurante Universitário da Universidade de Brasília (UnB). O anúncio da morte foi dado na página oficial da ONG no Facebook. O corpo de jovem será cremado em Valparaíso (GO).

O motorista, com certeza, está passando por um momento difícil, precisa de conforto. O que houve foi uma fatalidade, mas o ciclista tem muitos desafios porque precisa dividir espaço com os carros”
Helder Luís Rocha, pai de Raul
Muito emocionada, a mãe de Raul, Renata Aragão, disse que o filho deixou um legado de “coragem, alegria e energia.” E mandou um recado aos motoristas: “Corram menos, pois devagar se chega longe”.

No momento em que o corpo de Raul deixava a capela, cicloativistas usaram as seguintes palavras de ordem: “Mais adrenalina, menos gasolina. Mais tesão, menos combustão. Mais bicicletas, menos carros!”

O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, deputado Joe Valle (PDT), compareceu ao velório. Ele afirmou que Raul, assim como outros cicloativistas, participavam de debates na Casa sobre os principais problemas no trânsito da capital da República. “A principal dificuldade é o excesso de velocidade. Trabalhamos para reduzi-la. Inclusive, temos conversado com o Detran”, ressaltou.

Raul liderava o Bicicletada, passeio ciclístico que ocorria na última sexta-feira de cada mês.
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