Voluntários doam tempo e energia em instituições sociais do DF

Por meio do voluntariado, brasilienses doam tempo e energia e, em troca, ganham gratidão e a sensação de pertencimento à comunidade
A pediatra Tatiana Fonseca da Silva atua voluntariamente no Lar de São José, em Ceilândia: “Doar nada mais é que receber”(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )

Você tem algumas horas livres durante o dia? Que tal doar um pouco do seu tempo, energia e talento para ajudar outras pessoas? O Correio reuniu histórias de brasilienses que decidiram se doar ao outro com amor e compaixão e encontraram no trabalho voluntário realização pessoal e felicidade. Eles usam as habilidades para transformar a vida do próximo. Em troca, recebem carinho e gratidão.

“Cada vez que uma pessoa se propõe a ajudar alguém, ela pode ter a certeza de que a primeira pessoa a ser ajudada será ela mesma. Doar nada mais é que receber.” É assim que a médica pediatra Tatiana Fonseca da Silva, 41 anos, define o trabalho no abrigo Lar de São José, que recebe crianças e adolescentes em Ceilândia.

Voluntária no local há 10 anos, ela trabalhava em um centro de saúde na cidade quando atendeu uma criança do abrigo e decidiu fazer uma visita. “Foi uma acolhida muito calorosa, e nunca mais deixei de vir. Teve, inclusive, uma época em que eu consegui liberação oficial da Secretaria de Saúde para fazer atendimento regular. Fiquei um ano vindo semanalmente”, recorda-se. A profissional oferece amparo em questões médicas que vão desde aferição de pressão e medidas até consultas completas.

O Lar de São José recebe crianças e adolescentes encaminhados pela Vara da Infância, vítimas de abuso sexual, negligência familiar, abandono ou em situação de rua. A coordenadora técnica do abrigo, Ana Lúcia Antunes, trabalha no local há oito anos e conta que só conseguem realizar o trabalho graças aos voluntários. “Muitos não tinham costume de frequentar a escola, e é uma luta diária fazer com que eles assistam às aulas”, explica. Ela afirma que um dos motivos é a dificuldade na alfabetização.

Segundo Ana Lúcia, as crianças sentem faltam de pessoas que frequentem o abrigo apenas para brincar ou passar um tempo com elas, dando atenção, como faz Vinícius José de Carvalho, 25 anos. O médico veterinário conheceu o local por meio de um projeto da escola em que estudou. Logo se apaixonou e ofereceu ajuda. “Sábado de manhã é complicado. Às vezes, meus amigos saem e eu recuso para poder acordar cedo e vir. E acaba sendo muito gratificante, eu chego em casa querendo voltar para cá.”

“A gente precisa muito de ajuda e, quando alguém vem, eu fico muito feliz”, conta Igor (nome fictício), 15 anos, no abrigo há quatro anos. Ele relata que gosta de artesanato, mas o lar ainda não tem um voluntário para ensinar. “Seria legal se alguém viesse ensinar arte, ou um professor de dança”, sugere.

Superação

A bancária Karina Marques Bandeira, 32, conseguiu forças para superar um problema pessoal ajudando pessoas que precisavam. “Eu percebi que o meu problema não era nada diante de tantos outros que estavam abandonadas em abrigos e, ainda assim, conseguiam me passar amor”, conta. A moradora do Guará participa de campanhas da empresa, leva doações e faz visitas frequentes ao Lar Bom Samaritano de Águas Lindas e ao Abrigo dos Excepcionais de Ceilândia (AEC), além de levar música com o coral Tutti Choir. “Quando cantamos para elas, percebo o brilho no olho e vejo que a música tocou no interior”, admira Karina.

Isabela Messeder Fialho, 21, perdeu o movimento das pernas após dois erros médicos, em 2016, e encontrou nos chocolates uma forma de ajudar o próximo. A estudante de publicidade e de comunicação organizacional ficou cinco meses internada e, quando voltou para casa, começou a fazer bombons para presentear, em forma de agradecimento a quem a visitasse.

“Como fez sucesso, comecei a fazer para vender e, depois, meu irmão sugeriu que usássemos isso para ajudar as pessoas”, conta a jovem, que queria contribuir com uma instituição que oferecesse auxílio a pessoas que passavam pelo mesmo problema que ela. Foi assim que Isabela encontrou o Abrigo dos Excepcionais, e já arrecadou R$ 1,5 mil para a instituição em Ceilândia.

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

Como ajudar

Existem diversas instituições espalhadas pelo DF. Confira algumas que precisam de ajuda:

Abrigo dos Excepcionais de Ceilândia (AEC)

» Fornece auxílio médico e social, além de promover atividades para pessoas com algum tipo de deficiência. A instituição atualmente precisa de voluntários da área da saúde e de pessoas que possam realizar trabalhos braçais, como pedreiros, eletricistas e bombeiro hidráulico. Interessados podem entrar em contato com a equipe psicossocial pelo telefone 3585-1905 ou por e-mail: abrigoaec@gmail.com.

Abrigo Lar de São José

» É uma entidade de acolhimento que recebe crianças e adolescentes de 0 a 18 anos encaminhados pela Vara da Infância. Profissionais da educação ou aqueles que têm facilidade em algum assunto podem se voluntariar para auxiliar nas tarefas e no acompanhamento escolar das crianças. Além disso, qualquer pessoa que deseja prestar qualquer serviço ou momento de lazer com os abrigados pode agendar uma visita pelo 3491-0265 ou lardesaojose@hotmail.com.

Associação Santos Inocentes

» A casa oferece apoio a grávidas e recém-nascidos em situação de risco, em Samambaia. Informações pelo telefone 3359-2867.

Associação Casa Santo André

» Atende pessoas em situação de rua, oferecendo apoio em diversas áreas. A entidade conta com uma padaria industrial e precisa de voluntários para dar curso de especialização em padaria de forma gratuita. Recebe pessoas dispostas a ajudar em qualquer área. Interessados devem entrar em contato pelo 3327-9390.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

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