Jovem que matou idosa na Esplanada é indiciada por homicídio doloso


A motorista Juliana Guimarães Cirillo, 22 anos, que atropelou e matou a aposentada Rose Marie Flexa Medeiros, 73, em março deste ano, foi indiciada por homicídio doloso. Para a polícia, a jovem assumiu “o risco de matar ao consumir drogas e dirigir”. Exames de urina analisados pela Polícia Civil constaram o uso de maconha.

Os autos foram encaminhados ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) em 3 de setembro. Os promotores devem apresentar a denúncia à Justiça nos próximos dias. Os exames, entretanto, não conseguiram constatar o consumo do chá do Santo Daime.

De acordo com o relatório feito pela 5ª Delegacia de Polícia (área central), responsável pela investigação, após o acidente, Juliana não apresentou hemorragia aparente e “estava toda vomitada. Ela aparentava estar confusa e desorientada”.

O medo da família da idosa é de que o MPDFT ofereça a denúncia como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. “O exame de sangue com relação ao Santo Daime não foi feito. O IML protelou para dar a resposta e, por fim, disse que não teria recursos para fazer porque não há materiais comparativos que viabilizem a análise. Será que, por conta disso, vão rasgar o inquérito do delegado, os depoimentos das 13 testemunhas?”, questionou a assistente administrativa Roseane Flexa Medeiros, 42, filha da vítima.

Rose foi resgatada com vida, mas não resistiu e morreu horas depois. “Era uma viúva apaixonada pela família e vivia para os filhos [seis, ao todo] e netos. Guerreira incondicional, honesta e mãe maravilhosa”, lamentou Roseane.

A certidão de óbito apontou como causa da morte politraumatismo por ação contundente. “A pancada quebrou todos os ossos dela”, revoltou-se a filha.

Culpa do Xamã
Com base no relatório policial, ao ser questionada no hospital acerca de sua condição, Juliana disse ter tomado Santo Daime e que a culpa era do “Xamã”. Ainda conforme o documento, a jovem teve momentos de alucinação e falava que o braço dela estava caindo. Porém, estava imobilizada.

Já em depoimento formal, a motorista contou que dirigia o veículo na velocidade da via quando pressentiu que ia desmaiar. Afirmou ter tentado girar o volante e encostar o carro no meio-fio, mas desfaleceu.

Disse que só teve conhecimento do atropelamento quando chegou ao Instituto Hospital de Base do DF (IHBDF). Defendeu que no dia do acidente não fez uso do chá, mas que já havia bebido em outras ocasiões. Na delegacia, o pai de Juliana, Sérgio de Souza Cirillo, informou que a filha sofre de Síndrome do Vaso Vagal, doença que provoca desmaios e confusões. Afirmou que a jovem se envolveu em outro acidente recentemente, devido ao problema, mas que ela não tem restrição para dirigir.

Para Juliana, houve uma interpretação equivocada das pessoas responsáveis pelo seu atendimento no local do acidente ao dizerem que ela informou ter bebido o chá. A jovem alegou ter explicado aos socorristas que estava voltando da Igreja do Santo Daime.

O acidente
O atropelamento ocorreu por volta das 18h de 7 de março deste ano, na calçada em frente ao Ministério da Saúde. Rose foi levada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao IHBDF com um corte na face, consciente, estável e orientada.

Os bombeiros encaminharam Juliana para a mesma unidade de saúde. A condutora se queixava de dores na coluna cervical, ânsia de vômito e estava consciente, porém desorientada, segundo a corporação.

O Metrópoles não conseguiu contato com a motorista nem com a defesa dela.
Fonte:  www.metropoles.com

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