Estratégias de sucesso para uma educação de qualidade no futuro

No primeiro dia do evento internacional Educação 360, especialistas apontam caminhos para melhorar o nível de aprendizagem dos jovens

Experiência. Após comandar importantes mudanças no sistema educacional de seu país, o ex-ministro da Educação de Portugal, Nuno Crato, relata as medidas que levaram ao avanço nas avaliações internacionais
Investimento, trabalho e apoio. Durante o evento internacional Educação 360, especialistas partiram dessa combinação de fatores para traçar um caminho rumo à educação de qualidade. De Portugal, o ex-ministro da Educação do país, Nuno Crato, trouxe as estratégias usadas pelo país para dar um salto nos índices de aprendizagem: educar mais e avaliar melhor. Já o economista David Evans acredita que o investimento em formação de professores, qualificação de gestores e novas políticas a partir das avaliações pode reverter o quadro assustador revelado em um relatório do Banco Mundial em fevereiro deste ano — o de que o Brasil vai demorar 260 anos para atingir o nível de leitura de países desenvolvidos.

O Educação 360 é promovido pelos jornais O GLOBO e Extra com patrocínio de Sesi, Fundação Telefônica, Fundação Itaú Social, Instituto Unibanco e Colégio pH, apoio de Fundação Cesgranrio, e apoio institucional de TV Globo, Canal Futura, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Unesco, Unicef e Todos pela Educação.

A gestão de Crato à frente do Ministério da Educação de Portugal, entre 2011 e 2015, foi marcada pela valorização dos resultados das avaliações. Desde 2000, quando foi criado o Pisa, maior avaliação de educação no mundo, os portugueses não conseguiam ficar acima da média dos países participantes, que fazem parte da OCDE (Organização para a Cooperação e DesenvolvimentoEconômico).Masna última edição, em 2015, Portugal tirou nota 501 em Ciências (22º no ranking de 70 países); 498 em leitura (21º) e 492 em Matemática (29º). O país líder em todas as disciplinas é Cingapura, com 556, 535 e 564 pontos, respectivamente. O Brasil ficou com 401 pontos em Ciências (63º lugar), 407 em Leitura (59º) e 377 em Matemática (66º).

—Eufuiministroemumperíodo de subida da nota do Pisa, o que me orgulha muito. Mas não fiz isso sozinho. Foram os professores, alunos e diretores —analisa Crato.

Com um currículo mais exigente e intervenções sobre as primeiras dificuldades, o país melhorou o desempenho tanto dos alunos com alta performance quanto dos de baixo desempenho.

As taxas de evasão também caíram: de 43,6% em 2000, para 13,7% em 2015.

— Isso prova que aumentar a exigência faz bem para todo mundo —avalia Crato.

Dados do desempenho dos estudantes brasileiros de 15 anos no Pisa também foram levados em consideração pelo relatório do Banco Mundial que aponta o atraso no nível de leitura. Para o economista David Evans, são necessárias mudanças estruturais:

—Cingapura tem os melhores resultados em matemática. Lá, em seis anos, uma criança aprende o que teria aprendido em dez no Brasil. Estamos perdendo anos de aprendizagem por não termos o sistema que precisamos.

ATRASO EM ETAPAS CRUCIAIS

Membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), o educador Cesar Callegari destacou que o Brasil tem grandes problemas em etapas cruciais da escolarização.

— No Rio, 41% dos alunos que chegam ao final do terceiro ano do ensino fundamental não estão alfabetizados — exemplificou o educador, ressaltando a importância da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que vai nortear os currículos de todo o país. — A BNCC tem que ser implementada. Para isso, não pode ser considerada um currículo único, mas uma cesta de possibilidades para que professores e escolas criem seus próprios caminhos.

Em debate sobre ensino superior e técnico, educadores destacaram a importância de uma formação geral ampla para todos estudantes.

— Temos vagas na universidade para 17% dos jovens, mas qual a proposta do país para os 83% que não vão para lá?— questionou a educadora Ana Inoue, assessora do Banco Itaú BBA no desenvolvimento de projetos de educação.

Ao mesmo tempo que impulsiona a educação profissional, o poder público não deve deixar de lado o aumento do ingresso no ensino superior, diz o diretor nacional do Sesc, Carlos Artexes:

—A formação técnica é importanteparavidadaspessoas, mas a superior também.

Felipe Morgado, gerente Executivo da Unidade de Educação Profissional e Tecnológica do Departamento Nacional do Senai, argumentou que esta pode ser uma oportunidade para desenvolver uma cultura de empreendedorismo. Para Dante Moura, professor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, o governo ignora problemas estruturais.

— Já tivemos várias reformas que incidiram no currículo, mas não nas condições básicas. E não deram certo. Temos prédios inadequados, não há laboratórios, as bibliotecas são deficientes, não há espaço para atividade artística e esportiva, os professores não têm formação adequada —critica.

ABERTO A TODOS

Ainda há vagas para assistir às palestras e aos debates de hoje no Educação 360, que acontece no Museu do Amanhã e no Museu de Arte do Rio, no Centro. Os interessados podem se inscrever no próprio local (saiba mais na página ao lado).

“Eu fui ministro em um período de subida da nota do Pisa, o que me orgulha muito. Mas não fiz isso _ sozinho” Nuno Crato Ex-ministro da Educação de Portugal

“Cingapura tem os melhores resultados em matemática. Lá, em seis anos, uma criança aprende o que teria aprendido em dez aqui no _ Brasil” David Evans Economista do Banco Mundial

“No Rio, 41% dos alunos que chegam ao final do terceiro ano não estão _ alfabetizados” Cesar Callegari Educador e Membro do Conselho Nacional de Educação

“Temos vagas na universidade para 17% dos jovens, mas qual a proposta do país para os 83% que não _ vão para lá?” Ana Inoue Assessora do Banco Itaú BBA no desenvolvimento de projetos de educação

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