Em 15 anos, país matou o equivalente à população de uma Lisboa e meia

Pelos dados oficiais, Brasil registrou um homicídio a cada dez minutos no período entre 2001 e 2015; a violência cresceu em ritmo maior que o número de habitantes, e nem as guerras e os atentados pelo mundo fizeram tantas vítimas


De 2001 a 2015, foram assassinadas no Brasil 786 mil pessoas, uma vez e meia a    população de Lisboa (506 mil) e mais que os habitantes de Frankfurt (701 mil). Juntos, os 28 países da União Europeia não tiveram tantos homicídios no período, assim como não morreram tantas pessoas na guerra da Síria (331 mil) ou nos atentados terroristas do século XXI (238 mil). “É uma tragédia que já nos acompanha há bastante tempo”, lamenta Claudio Beato, especialista em Segurança Pública. Ele aponta uma  combinação de fatores para o país registrar um morto a cada dez minutos, em média: a ausência de políticas públicas voltadas à prevenção, a violência que sai das prisões com as facções do crime e a lentidão da Justiça. O projeto “A Guerra do Brasil”, que o GLOBO publicará ao longo da semana, contém um documentário, reportagens e artigos, com o objetivo de propor possíveis soluções para este drama brasileiro. A dimensão da violência no Brasil pode ser traduzida em uma ideia: ultrapassa a das guerras. Mais pessoas foram assassinadas no país no século XXI do que nos dois maiores conflitos dos anos 2000, na Síria e no Iraque.

Informações levantadas junto ao sistema Datasus, do Ministério da Saúde, revelam 786.870 vítimas de homicídios no país em 15 anos, entre janeiro de 2001 e dezembro de 2015. O número representa um assassinato a cada dez minutos.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos registra 331.765 mortes no país, em função da guerra, de março de 2011 a julho de 2017. No Iraque, também em um período de 15 anos (entre 2003 e 2017), foram 268 mil vidas perdidas por causa do conflito, segundo o projeto “Iraq Body Count”. Os números brasileiros são quase três vezes maiores que os iraquianos, em um intervalo de tempo semelhante.

Os assassinatos no Brasil também superam as mortes provocadas por atos terroristas — o projeto “Global Terrorism Database” (base de dados do terrorismo global, em tradução livre) contabiliza 238.808 vítimas de atentados entre 2001 e 2016.

SUPERA A UNIÃO EUROPEIA

Tomando como referência a população de algumas cidades, os dados significam que o Brasil, em 15 anos, exterminou uma Lisboa e meia — a capital de Portugal tem em torno de 506 mil habitantes. Ainda nesta base de comparação, é como se os moradores de Atenas (664 mil), Seattle (684 mil), Sevilha (698 mil), Frankfurt (701 mil) ou João Pessoa (791 mil) tivessem sido eliminados.

As mortes no Brasil neste século superam os assassinatos ocorridos no mesmo período em oito países da América do Sul, somados — o mesmo acontece em relação às 28 nações da União Europeia. O número de homicídios é equivalente à população da Guiana.

— É uma tragédia que já nos acompanha há bastante tempo. A Segurança Pública está fora da agenda política — aponta o sociólogo Claudio Beato, professor visitante da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da UFMG.

Beato lista uma combinação de fatores que, para ele, formam o cenário de violência extrema:

— Prendemos muito e prendemos mal, e o resultado é a violência que sai das prisões e toma conta das ruas, com as facções do crime organizado; a Justiça é lenta, demora nove, dez anos, para haver a condenação de quem comete um homicídio; em termos sociais e econômicos, há uma ausência de políticas focalizadas para a prevenção.

O levantamento apresentado nesta edição faz parte do projeto “A Guerra do Brasil”, que traz ainda um documentário, reportagens e artigos de especialistas em Segurança Pública que serão publicados ao longo da semana. Ao apresentar e dar a dimensão do número de homicídios no Brasil no século, o GLOBO pretende também propor uma discussão e apontar possíveis soluções.

Discutir os homicídios no Brasil, necessariamente, passa por indicar o grupo mais vulnerável: os jovens negros ou pardos. Do total dos assassinatos, 56% foram de pessoas com até 29 anos, e 63% das vítimas são negras ou pardas. Um estudo divulgado ontem por Unesco, Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Secretaria Nacional de Juventude mostra que jovens negras têm duas vezes mais chances de serem assassinadas do que jovens brancas.

O Datasus mostra que os homicídios de homens correspondem a 91% do total e que 70% dos assassinatos foram cometidos com armas de fogo.

Um dos nomes desta história de violência é o adolescente Wesley Daniel. No dia 29 de dezembro de 2015, Wesley, 17 anos, foi à Igreja evangélica que frequentava aos domingos. Ao fim do culto, aguardava na porta quando foi baleado — morreu com a Bíblia na mão, segundo familiares. A família afirma que policiais o confundiram com um traficante; a polícia diz que havia um confronto com criminosos e, em seguida, o jovem foi encontrado ferido. Wesley trabalhava em um depósito de bebidas e ajudava a mãe com as despesas. — Apesar de agora (em dezembro) fazer dois anos, para mim (a morte) foi ontem. É sempre ontem. Parece que está acontecendo (agora). Nunca termina, todos os dias está aí — afirma Maria Quitéria Conceição dos Santos, mãe de Wesley. — A gente sabe que a morte faz parte da vida. Mas não desse jeito.

Em Jacareí, no interior de São Paulo, o século começou de maneira traumática. No dia 3 de janeiro, a funcionária pública Marisa Silvério saiu do trabalho no fim da tarde, como fazia todos os dias. Grávida de oito meses, dispensou a caminhada sugerida pelas amigas, pegou um ônibus e chegou ao supermercado minutos antes delas. Dez dias depois de celebrar o Natal, queria aproveitar a anunciada promoção de panetones. Uma tentativa de roubo a um carroforte, um tiroteio entre assaltantes e seguranças, duas balas que atravessaram intestino, fígado e útero. As amigas chegaram a tempo de ver Marisa entrar na ambulância. Mãe e filho morreram no hospital — o assalto fez outras três vítimas.

— Quando falam de uma pessoa que morreu com um tiro, você nunca imagina que pode perder alguém da sua casa. Tiro é coisa de confronto com a polícia, é coisa de quem faz algo errado. Pensamos essas coisas. Minha irmã estava no supermercado. Mas era o lugar errado. E a hora errada — diz Margareth Miranda Paula, irmã de Marisa, quase 17 anos depois.

Em uma análise ampla sobre os motivos que levaram o número de homicídios a este patamar, a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, critica a omissão do governo federal na discussão:
Site:www.oglobo.com.br

Adasa identifica 1.015 poços irregulares na Bacia do Descoberto


Fiscalização ocorre desde 2015 e foi intensificada com a crise hídrica.
Multa para quem usar água ilegalmente varia de R$ 400 a R$ 10 mil.
A crise hídrica por que passa o Distrito Federal reforça a importância de preservar as  águas subterrâneas como reserva estratégica para o abastecimento.
Por isso, a   Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) tem intensificado a fiscalização de poços artesianos ilegais.

De 2015 até outubro deste ano, foram identificados 1.015 unidades irregulares na Bacia do Descoberto.

A região é uma das mais afetadas pela escassez hídrica e a recordista em registros desse tipo de anomalia no meio rural.

MAIS SOBRE O ASSUNTO
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Em alguns casos, os poços cavados sem autorização na área do Descoberto serviam para irrigar pequenas hortas. No entanto, para atividades como irrigação e piscicultura, a captação mais frequente é a superficial.

No meio urbano, por sua vez, os poços desconformes agrupam-se no Gama, em Planaltina e em São Sebastião.

A concentração coincide com as principais frentes de parcelamento ilegal do território.

“Isso acontece porque os parcelamentos costumam ficar distantes dos cursos d’água, em locais mais afastados e sem infraestrutura. Para ter acesso à água, os Adasa, parceladores cavam poços sem autorização”, explica o coordenador de Fiscalização da Hudson Rocha de Oliveira.

Com a crise hídrica, a agência reguladora intensificou a fiscalização nesses locais e lavrou, até outubro de 2017, 107 autos de infração por uso irregular da água. As multas variam de R$ 400 a R$ 10 mil.

As permissões para perfurar novos poços artesianos estão suspensas desde 31 de outubro de 2016. A determinação da Adasa é válida enquanto durar a escassez de água e visa à manutenção do abastecimento para uso humano e para matar a sede de animais (dessedentação).

As denúncias de uso irregular da água chegaram por meio da Ouvidoria da Adasa.
Os canais de atendimento são o telefone (61) 3961–4900
e o e-mail ouvidoria@adasa.df.gov.br.
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Raphaella Noviski é enterrada em Alexânia sob aplausos e muita comoção

velado durante mais de 12 horas em igreja evangélica de Alexânia

postado em 07/11/2017 11:52 / atualizado em 07/11/2017 13:47
Ricardo Faria – Especial para o Correio
Sob aplausos, o corpo da estudante Raphaella Noviski foi enterrado às 11h30 desta terça-feira (7/11), no Cemitério Campo da Saudade, em Alexânia (GO). No sepultamento, parentes e amigos soltaram balões para simbolizar a partida da jovem, vítima de feminicídio. Entre cantos evangélicos e homenagens, os presentes demonstraram indignação com o ato de covardia praticado por Misael Pereira Olair, 19 anos, preso em flagrante após assassinar a estudante com 11 tiros no rosto, dentro da sala de aula, no Colégio Estadual 13 de Maio. 

O enterro ocorreu após um cortejo que cruzou cerca de 2,5km pela cidade no Entorno do Distrito Federal. No trajeto, familiares, amigos e moradores de Alexânia pediam justiça.

O velório foi realizado na Igreja Assembleia de Deus Madureira e começou por volta das 20h de segunda-feira (6/11), durando mais de 12 horas. O prefeito do município, Alysson Silva Lima (PPS), participou do funeral nas últimas horas de ontem. Ele decretou luto oficial de dois dias por causa da barbárie.

“É uma mistura de sentimentos”

O pai da vítima e agente penitenciário Leandro Márcio Romano, 40 anos, estava muito abalado durante o enterro e clamou por justiça. Ele mora em Belo Horizonte, mas chegou em Alexânia, na manhã do último domingo para passar férias. O pai iria se encontrar com Raphaella e a irmã no dia do crime, após a aula. “É uma mistura de sentimentos. Raiva e tristeza caminham juntos. Eu espero que ele (assassino) fique bastante tempo preso. Trinta anos, para ele, na cadeia é pouco”, disse.

Na igreja, o clima era de revolta. Amigos e familiares diziam não entender por que o assassino resolveu matá-la simplesmente pelo fato de ter sido rejeitado pela jovem. “Ele (Misael) destruiu um sonho num ato frio e covarde. Espero que ele pague pelo que fez”, lamentou Alex dos Santos, 26 anos, amigo de igreja da jovem.

Segundo relato de uma prima de Raphaella, o rapaz chegou a ameaçar a estudante, por telefone, horas antes do assassinato. “Ele já a ameaçava desde o ano passado. Quando foi hoje cedo (ontem), ela recebeu uma ligação e ouviu: ‘Está preparada?’. Aí, logo em seguida, ele desligou”, afirmou na segunda-feira a jovem, que preferiu não se identificar.

Raphaella morava com a avó e, em outra ocasião, Misael ameaçou entrar na casa da menina com uma faca. “Ela não procurou a delegacia porque pensou que isso fosse acabar. No ano passado, ele foi à casa da minha avó ameaçando entrar dentro com faca. Minha avó é cadeirante, ficou desesperada. E meu tio ameaçou ligar para a polícia se ele continuasse indo para lá”, contou a prima da vítima. 
Site: www.correiobraziliense.com.br

Homem entra armado em escola e mata estudante em Alexânia

Segundo testemunhas, a vítima, uma adolescente de 16 anos, recusou um pedido  de namoro do suspeito  compartilhar:
Hellen Leite ,
Deborah Novais – Especial para o    Correio  As aulas na escola foram suspensas Uma adolescente de 16 anos foi morta a tiros, na manhã desta segunda-feira   (6/11),  dentro de uma escola em Alexânia, cidade no Entorno do Distrito Federal. O suspeito é um jovem de 19 anos, que foi preso logo após o crime.
Segundo um ex-funcionário da escola, que trabalhou no colégio até janeiro   deste ano, o rapaz pulou o muro e entrou na sala da garota já atirando.  Raphaella Noviski, aluna do 9º ano da Escola Estadual 13 de Maio, foi  atingida no rosto e morreu na hora.

 Vítima de atirador de Goiânia não quer voltar para escola

colegas-dizem-que-atirador-de-goiania-ameaçava matar-estudante  antes Colegas dizem que atirador de Goiânia ameaçava matar estudantes  As aulas já tinham começado quando o atirador chegou à escola. De acordo com   a Polícia Militar, ele entrou em três salas antes de encontrar a vítima.  Armado com um revólver calibre .32, ele atirou pelo menos sete vezes.

“Segundo os alunos ele chegou a recarregar a arma, que tem espaço para seis   disparos”, informou o subcomandante Lima, do 34º Batalhão de Polícia Militar  de Goiás. A PM informou ainda que o autor dos disparos disse odiar a garota.  Segundo testemunhas, ele queria namorar com a menina, que não aceitou o  relacionamento. Vítima e atirador eram amigos nas redes sociais.

Os parentes da menina foram chamados ao local. Até às 10h, o corpo ainda   estava dentro da sala. As aulas foram suspensas. O atirador foi encaminhado  Segundo testemunhas, a vítima, uma adolescente de 16 anos, recusou um pedido de namoro do suspeito   compartilhar:  <javascript:void(0)> Facebook  <javascript:void(0)> Google+

http://app2.correiobraziliense.com.br/access/noticia_127983242361/638869/63/
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 postado em 06/11/2017 09:56 / atualizado em 06/11/2017 11:28
  <mailto:hellenleite.df@dabr.com.br> Hellen Leite ,
<mailto:deborahnovais.df@dabr.com.br> Deborah Novais – Especial para o  Correio 
As aulas na escola foram suspensas Uma adolescente de 16 anos foi morta a tiros, na manhã desta segunda-feira.
(6/11), dentro de uma escola em Alexânia, cidade no Entorno do Distrito
Federal. O suspeito é um jovem de 19 anos, que foi preso logo após o crime.
Segundo um ex-funcionário da escola, que trabalhou no colégio até janeiro.
deste ano, o rapaz pulou o muro e entrou na sala da garota já atirando.
Raphaella Noviski, aluna do 9º ano da Escola Estadual 13 de Maio, foi
atingida no rosto e morreu na hora.
<http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2017/10/22/internas
_polbraeco,635440/vitima-de-atirador-de-goiania-nao-quer-voltar-para-escola.
shtml
>
Vítima de atirador de Goiânia não quer voltar para escola·<http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2017/10/20/internas
_polbraeco,635153/colegas-dizem-que-atirador-de-goiania-ameacava-matar-estud
antes.shtml
> Colegas dizem que atirador de Goiânia ameaçava matar estudantesAs aulas já tinham começado quando o atirador chegou à escola. De acordo com
a Polícia Militar, ele entrou em três salas antes de encontrar a vítima.
Armado com um revólver calibre .32, ele atirou pelo menos sete vezes.
“Segundo os alunos ele chegou a recarregar a arma, que tem espaço para seis
disparos”, informou o subcomandante Lima, do 34º Batalhão de Polícia Militar
de Goiás. A PM informou ainda que o autor dos disparos disse odiar a garota.
Segundo testemunhas, ele queria namorar com a menina, que não aceitou o
relacionamento.Vítima e atirador eram amigos nas redes sociais.

Os parentes da menina foram chamados ao local. Até às 10h, o corpo ainda
estava dentro da sala. As aulas foram suspensas. O atirador foi encaminhado
para a Delegacia de Alexânia. O Grêmio estudantil da escola usou as redes
sociais para prestar solidariedade à família e cobrar mais segurança na
escola.

 Violência nas escolas

O crime em Alexânia ocorre pouco mais de duas semanas depois de
<http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2017/10/20/internas
_polbraeco,635041/aluno-abre-fogo-mata-dois-colegas-e-fere-4-em-escola-de-go
iania.shtml
> um adolescente entrar atirando e matar colegas em um colégio em
Goiânia, no último dia 20. Em junho deste ano,
<http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2017/11/06/interna
_cidadesdf,638869/homem-entra-atirando-em-escola-e-mata-estudante-em-alexani
a.shtml
> um estudante de 26 anos foi morto com três tiros dentro da sala de
aula, no Centro de Ensino Fundamental (CEF) Zilda Arns, na Quadra 378 do
Itapoã. O crime aconteceu em 13 de junho, e, segundo a Polícia Militar, o
atirador usava um capuz e fugiu em uma Parati prata.

 
 para a Delegacia de Alexânia. O Grêmio estudantil da escola usou as redes
sociais para prestar solidariedade à família e cobrar mais segurança na
escola.

Violência nas escolas

O crime em Alexânia ocorre pouco mais de duas semanas depois de
um adolescente entrar atirando e matar colegas em um colégio em
Goiânia, no último dia 20. Em junho deste ano,

_cidadesdf,638869/homem-entra-atirando-em-escola-e-mata-estudante-em-alexani
a.shtml> um estudante de 26 anos foi morto com três tiros dentro da sala de
aula, no Centro de Ensino Fundamental (CEF) Zilda Arns, na Quadra 378 do
Itapoã. O crime aconteceu em 13 de junho, e, segundo a Polícia Militar, o
atirador usava um capuz e fugiu em uma Parati prata.