Pantanal registra pior cenário de queimadas, mostra série histórica do Inpe

Dados do Inpe mostram que de janeiro a junho deste ano, bioma teve maior área queimada e maior quantidade de focos de incêndio. No Mato Grosso, um incêndio já consumiu 195 mil hectares.

O Pantanal vive o pior cenário de queimadas observando a série histórica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). De janeiro a julho deste ano, foram 4,2 mil focos de incêndios, o maior número da série histórica, que é desde 1998. No caso de área queimada, foram 846,7 mil hectares consumidos pelo fogo – maior quantidade desde 2002, quando sistema passou a mapear. Isso equivale a cerca de 1,1 milhão de campos de futebol.

Há mais de 15 dias, um incêndio no Pantanal que ainda não foi controlado consumiu, só em dois municípios do Mato Grosso, cerca de 195 mil hectares. No Mato Grosso do Sul, Ladário e Corumbá estão em estado de emergência desde 24 de julho. O cenário é grave, tendo em vista que em 16 de julho o governo federal publicou um decreto que proíbe queimadas no Pantanal e na Amazônia por 120 dias. A ação foi uma tentativa de resposta da União a empresários e investidores do Brasil e do exterior que passaram a cobrar de forma mais enfática uma ação por parte do governo para frear o desmatamento e as queimadas no país, em especial na Amazônia Legal (que engloba nove estados).

Especialistas apontam que a redução do volume de chuvas colaborou com o cenário: sem a cheia tradicional do começo do ano no Pantanal, a vegetação ficou bem mais seca, favorecendo as queimadas. Coordenador técnico do MapBiomas, que trabalha em parceria com a ONG SOS Pantanal, Marcos Rosa pondera que existem ciclos climáticos naturais com secas ou chuvas maiores. “A maior preocupação é que a seca que ocorreu neste ano seja o começo de um novo padrão”, diz.

Para evitar novas queimadas de grandes proporções, há ações em três níveis que podem ser adotadas, segundo ele. A primeira é manter o uso tradicional da pastagem natural. “Ação que conserva tanto a vegetação, quanto a cultura do pantaneiro”, pontua Rosa. A segunda é a preservação das matas dos rios que desaguam no Pantanal. Elas funcionam como um filtro dos sedimentos. Sem elas, os rios do bioma ficam mais rasos, inundando áreas que antes ficavam secas. A terceira é a preservação da Amazônia, pois regula o regime hídrico — incluindo de chuvas — de todo o caminho até o Sudeste.
Porta-voz do Greenpeace, Rômulo Batista afirma que o que está acontecendo no Pantanal é uma “catástrofe ambiental”. Ele relata que, de fato, houve menos chuva no bioma, fazendo com que áreas que costumam alagar ficasse mais suscetíveis ao fogo, sem terem alagado. “Mas isso não tira a responsabilidade do governo. Isso já era sabido, tinha que ter investido em um plano de prevenção às queimadas”, ressalta.

Secretária de estado de Meio Ambiente (Sema) do Mato Grosso, Mauren Lazzaretti justifica que duas situações convergiram para o cenário: além da falta de chuva, ela cita o fato de que no Pantanal não havia tido incêndios representativos há mais de 10 anos – ou seja, havia muita biomassa acumulada. Conforme Mauren, o incêndio de grande porte, que já consumiu cerca de 195 mil hectares, começou em uma área indígena, local onde não há restrição de queimada pelo decreto federal. A permissão se deve a uma questão cultural de povos indígenas, para a sua subsistência, como pontuou a secretária.

Questionada, a secretária afirmou que no estado não há ações de fiscalização para observar a construção de aceiros em propriedades particulares, para evitar que o fogo se alastre, como aconteceu agora. De acordo com ela, há orientação aos proprietários rurais, tendo tido recentemente uma transmissão ao vivo realizada pela secretaria com o objetivo de orientá-los. Antes do período de queimadas, a pasta também autorizou a realização de queimadas controladas.

Mauren sustenta que com aceiros (com distância mínima de três metros), o fogo dos últimos dias ainda assim teria se alastrado. De acordo com ela, o vento é tão forte que carrega fagulhas para longe. “Por isso é tão difícil o combate. O fogo pulou cursos d’água”, afirma. A secretária diz ainda que a pasta tem um comitê que acompanha as queimadas, dando o apoio aos órgãos de combate, como o Corpo de Bombeiros.

De acordo com ela, uma verdadeira força-tarefa foi montada, com servidores da secretaria, militares e até servidores do Mato Grosso do Sul, para combater o incêndio que dura mais de 15 dias. Cinco maquinários apreendidos em operações contra o desmatamento neste ano estão sendo usados no combate. A pasta, segundo Mauren, faz um acompanhamento diário via satélite dos alertas de incêndio.

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Inmet emite estado de alerta por causa da baixa umidade no DF

Esta quarta-feira (13/8) amanheceu mais quente para os brasilienses. A previsão é de céu com sol e poucas nuvens na capital. De acordo com o Instituto de Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Distrito Federal está em estado de alerta devido à baixa umidade relativa do ar, que deve ficar entre 85% e 20%. A tendência é que o dia fique mais quente e seco mais para o final do dia.

No início da manhã, a menor temperatura registrada foi de 13ºC. A temperatura máxima do dia pode chegar a 30ºC. Na próxima semana, a temperatura pode passar dos 30ºC. O Distrito Federal está há 87 dias sem chuvas.

De acordo com o meteorologista Mamedes Luiz Melo, a temperatura já voltou a subir bastante. “Nós estamos em estado de alerta devido à baixa umidade relativa do ar, que pode chegar a 20% hoje”, afirma. Para a Defesa Civil, o estado de alerta é emitido quando, por três dias seguidos, a umidade do ar se mantém entre 20% e 12%.

Cuide-se

  • Beber bastante água;
  • Manter a pele hidratada;
  • Usar roupas leves;
  • Usar protetor solar;
  • Evitar atividades físicas ao ar livre nos horários mais quentes;
  • Em caso de incêndio florestal, ligar imediatamente para o telefone do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF) – 193

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Com mesmos sintomas de covid-19, hantavirose desperta alerta no DF

Números no Distrito Federal são baixos, mas cuidados devem ser permanentes, em especial, durante a pandemia da covid-19 devido à semelhança entre os sintomas das doenças.

Apesar da baixa incidência da hantavirose, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) segue com ações de combate e prevenção à doença. Em especial, neste momento de pandemia, porque os sintomas são semelhantes aos do coronavírus. A infecção do hantavírus é mais comum nos meses de maio a agosto, com predomínio da ocorrência em homens e, consequentemente, mais óbitos para esse gênero. A letalidade da enfermidade chega a quase 50%.

Neste ano, o DF registrou apenas três casos da doença. Na série histórica de 2007 até hoje, foram catalogadas 67 ocorrências em moradores da unidade federativa. De 2018 para cá, apenas cinco registros foram feitos.

De acordo com a pasta, quando a pessoa reside em área rural, é necessário pedir os exames para averiguar se os marcadores são da hantavirose ou da covid-19. Essas áreas precisam de mais atenção por causa da incidência dos roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela saliva, urina e fezes e contaminar os seres humanos que tiverem contato com essas excreções.

A doença
A infecção humana ocorre pela inalação de aerossóis formados a partir do ressecamento das fezes, urina fresca e saliva dos roedores silvestres contaminados pelo vírus, e o período de incubação é de 9 a 33 dias, com mediana de 14 a 17 dias. Por isso, os técnicos orientam a população a fazer varrição com máscaras de proteção; dar destinação apropriada a entulhos e evitar, assim, lugares que servem como esconderijo para os ratos; manter alimentos e rações estocados de maneira apropriada, de forma a evitar a atração e contato dos roedores com esses produtos.

Os sintomas da hantavirose durante o período inicial são febre, dor nas articulações, dores de cabeça, dores lombares e abdominais, além de sintomas gastrointestinais. Na fase cardiopulmonar há também a presença de febre com dificuldade de respirar, respiração e batimentos cardíacos acelerados, tosse seca e pressão baixa.

A recomendação da área técnica da vigilância epidemiológica é que sejam feitos exames para diagnóstico diferencial. Essa prática consiste em uma hipótese formulada pelo médico a partir da sintomatologia e de outras informações apresentadas pelo paciente durante o exame clínico, que pode restringir as possibilidades de doenças relacionadas àquele caso.

Alguns sintomas se confundem com o de outras enfermidades, como leptospirose, pneumonia, dengue e a própria covid-19. Durante a consulta, os médicos devem inquirir o paciente sobre sua procedência. Confirmada a relação com área rural, o diagnóstico diferencial é essencial.

*Com informações da Secretaria de Saúde.

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Fim do pico de casos de covid-19 no DF ainda é incerto

Para a Secretaria de Saúde, a redução de casos será conquistada apenas se a população obedecer as medidas de proteção e combate à covid-19.

Após mais de cinco meses do primeiro diagnóstico de coronavírus, o Distrito Federal passa pelo pico da pandemia. O momento atual da capital é chamado por especialistas de platô, quando uma quantidade semelhantes de casos é registrada diariamente, sem aumento ou decréscimo expressivo. Entretanto, segundo a Secretaria de Saúde, ainda não há previsão para que o período termine e o número de infectados comece a apresentar redução.

Atualmente, no Distrito Federal, 1.632 pessoas perderam a vida devido a complicações da covid-19 e 126.124 brasilienses testaram positivo para a doença. Apenas nesta segunda-feira, a Secretaria de Saúde contabilizou 27 mortes e 55 diagnósticos. Na segunda-feira (10/8), a pasta registrou 3.012 infecções pelo novo coronavírus, maior número em 24 horas.

Sem apresentar estimativas ou projeções, a Secretaria de Saúde considera que a pandemia na capital “tende a diminuir, conforme tem sido registrado em alguns estados”. Porém, de acordo com a pasta, essa redução somente será mantida se a população obedecer, estritamente, às medidas de proteção.

Para que ocorra a desaceleração da pandemia na capital, a pasta orienta, em especial, o uso adequado de máscara, cobrindo o nariz e a boca. Apesar de o Executivo local ter flexibilizado as medidas de restrição, como a retomada da atividade comercial, por exemplo, a pasta orienta que as pessoas evitem aglomerações e só saiam de caso quando necessário.

As outras recomendações da Secretaria de Saúde para reduzir o contágio são manter o distanciamento mínimo de 1,5 metros e higienizar as mãos com álcool em gel ou água e sabão frequentemente. “Quando não for necessário sair para trabalhar ou outra atividade imprescindível, procure ficar em casa”, ressalta secretaria, em nota.

À espera da vacina contra a covid-19
Uma das saídas apontadas para crise sanitária, vacinas contra a covid-19 são testadas no DF e no mundo. Na semana em que o presidente da Rússia Vladimir Putin anunciou o desenvolvimento da primeira vacina contra o novo coronavírus, a Sputink V. Já pesquisadores e médicos da Universidade de Brasília (UnB) se preparam para receber novos voluntários nos ensaios da vacina chinesa Coronavac. A de Oxford também é testada no país e o Congresso Nacional já discute formas de distribuir as doses.

Entenda o platô
Em 20 de julho, o Correio divulgou reportagem explicando o que é o platô e por que preocupa que ele ocorra no pico da pandemia, quando o número de casos é o mais alto registrado.

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Recém-nascidos receberão a vacina BCG nas maternidades do DF

A portaria estabelece a aplicação da vacina BCG nas maternidades públicas, casa de parto e Institutos de Gestão Estratégica (IGES) do Distrito Federal. A vacina protege contra as formas graves da tuberculose, a intenção é imunizar o mais precocemente possível.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) publicou a portaria nº 581 que estabelece a implantação da vacina BCG nas maternidades públicas, casa de parto e Institutos de Gestão Estratégica (IGES) do Distrito Federal. A recomendação, a partir de hoje, é de que os bebês recém-nascidos recebam a vacina nas unidades públicas do DF logo após o nascimento. A medida está publicada no Diário Oficial do Distrito Federal (DODF) desta segunda-feira (10/8).

De acordo com a portaria, as maternidades públicas, casas de parto e os Institutos de Gestão Estratégica de Saúde serão responsáveis por solicitar as vacinas e os insumos ao núcleo de vigilância epidemiológica de referência; armazenar e aplicar a imunização; orientar os responsáveis da criança sobre a evolução da cicatriz da vacina e os cuidados necessários, assim como as demais vacinas do calendário nacional de vacinação. No caso da Casa de Parto de São Sebastião, a unidade deverá solicitar as vacinas e os insumos à Unidade Básica de Saúde 1 (UBS-1) de São Sebastião.

As unidades também devem registrar as doses aplicadas na caderneta de vacinação da criança e no sistema de informações oficial do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde. A Casa de Parto de São Sebastião terá como referência técnica o Núcleo de Vigilância Epidemiológica e Imunização da Região Leste.

O pediatra e coordenador da Pediatria do Hospital Águas Claras, Dr. Mário Carpi, 48, reforça a importância da dose da vacina logo na maternidade. Segundo ele, a vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) protege exclusivamente contra as formas graves de tuberculose, uma doença infectocontagiosa que ataca principalmente os pulmões, porém pode comprometer outros órgãos.

“O pico de incidência das formas mais graves da tuberculose ocorre no primeiro ano de vida. Por isso é importante que essa vacina seja aplicada logo nos primeiros dias após o nascimento do bebê. Com essa portaria é possível que todas as crianças recebam a dose de forma precoce, o que auxilia na redução das formas graves de tuberculose, pois a vacina é muito eficaz”, afirma. Ele ainda alerta que é preciso profissionais treinados para a aplicação da vacina. “Essa vacina é aplicada de forma intradérmica, os bebês têm a pele bastante fina e sensível, o que requer um cuidado maior”, explica.

Por fim, o texto esclarece que os núcleos de vigilância epidemiológica de cada hospital em que a maternidade está inserida devem distribuir as imunizações e insumos necessários à vacinação, sanar dúvidas técnicas e normativas sobre a vacina ou sobre a aplicação e realizar treinamentos e atualizações sobre a imunização, armazenamento e administração, assim como suporte referente ao registro no sistema de informações oficial do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde.

Fonte: https://bit.ly/31CVEET

Atividade física regular pode reduzir risco de demência em 28%

Médico endocrinologista explica efeito do exercício na melhora de processos cognitivos: estudos mostram que caminhadas, por exemplo, têm importante papel no aumento da massa cinzenta.

Demência pode ser caracterizada por perda progressiva sobretudo da memória, mas também compromete o pensamento, o julgamento e/ou a capacidade de adaptação a situações sociais. Atualmente, um novo caso de demência por todas as causas é detectado a cada quatro segundos em todo o mundo. Prevê-se também que a prevalência de demência aumente, pois o fator de risco número um é a idade e o número de idosos em todo o mundo está aumentando. Assim, a atual falta de tratamentos farmacêuticos eficazes para a demência está criando uma urgência no desenvolvimento de estratégias não farmacológicas para prevenir, ou pelo menos atrasar, o início e a progressão da doença. Como resultado, as abordagens do estilo de vida tornaram-se uma importante linha de investigação científica e interesse público. O aumento da atividade física é uma estratégia promissora para promover ou manter a saúde cognitiva mais tarde na vida. Evidências empíricas fortes e acumuladas sugerem que atividade física regular pode reduzir o risco de demência por todas as causas em 28%.

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Assim, cumprir as diretrizes atuais para idosos com 150 minutos por semana de atividade física moderada a vigorosa pode ajudar a reduzir o risco de demência por todas as causas, prevenir outras comorbidades, incluindo diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, e reduzir a mortalidade por todas as causas.

Proteção contra doenças neurodegenerativas

As doenças neurodegenerativas resultam da deterioração dos neurônios, que ao longo do tempo levam à neurodegeneração e a deficiências. Ensaios controlados randomizados demonstraram que o treinamento físico tem um efeito robusto na melhoria de certos processos cognitivos que podem ser importantes para o risco futuro de demência.

A atividade física pode ser protetora contra o declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas através de vários mecanismos possíveis. É provável que o exercício regular promova a saúde vascular, diminuindo a pressão arterial, lipídios, obesidade e marcadores inflamatórios e melhorando a função endotelial, que são fatores de risco para demência e doença de Alzheimer. Em particular, a circulação cerebral parece ser importante para o desempenho cognitivo e as adaptações ao exercício podem envolver melhor fluxo sanguíneo e suprimento de oxigênio nessas áreas. Outros mecanismos podem envolver efeitos na plasticidade cerebral e reserva cognitiva, angiogênese, neurogênese, sinaptogênese e aumento dos níveis de fatores neurotróficos.

Fatores de crescimento endógenos desempenham múltiplos papéis que facilitam a sobrevivência e a maturação de novos neurônios. Esses papéis são críticos para a neurogênese, plasticidade sináptica e angiogênese (crescimento de novos vasos sanguíneos). O fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) e o fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1) são fatores de crescimento particularmente envolvidos nos efeitos positivos do exercício no cérebro e na cognição. Foi demonstrado em modelos animais que a atividade física regulamenta a produção de vários fatores e receptores de crescimento (como o neurotrófico derivado do cérebro e o de crescimento semelhante à insulina) e reduz a inflamação celular e o estresse oxidativo, mediando os efeitos terapêuticos e protetores do exercício sobre a função cerebral.

Existem evidências que sugerem que as citocinas pró-inflamatórias comprometem algumas das vias de sinalização do fator de crescimento no cérebro; portanto, ações anti-inflamatórias do exercício podem ser importantes.

Sedentarismo é fator de risco

Evidências também sugerem que comportamento sedentário pode aumentar o risco de morbidade e mortalidade. Comportamento sedentário está associado a vários riscos à saúde, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e mortalidade por todas as causas. Por isso, sugere-se limitar o tempo sedentário a menos de duas horas por dia e acumular mais de duas horas diárias de atividade de intensidade de luz (como caminhada leve). Evidências emergentes também sugerem que o comportamento sedentário está associado à função cognitiva.

Pesquisas sobre a relação entre comportamento sedentário e inflamação só recentemente surgiram. Existem evidências que envolvem o tecido adiposo branco localizado centralmente, incluindo gordura visceral, como mediador do relacionamento sedentário-inflamatório. Sabe-se que a obesidade ativa a cascata inflamatória em locais metabolicamente ativos nos níveis celular (células imunes) e sistêmico (veia porta do fígado), resultando em níveis elevados de adipocinas em circulação. Além disso, estudos relataram associações entre comportamento sedentário e múltiplas adipocinas, incluindo proteína C reativa (PCR), interleucina-6 (IL-6), leptina e fator de necrose tumoral alfa (TNF-a). Sugeriu-se uma forte conexão entre o comportamento sedentário e a inflamação.

Também existem evidências que associam a inflamação relacionada à obesidade à disfunção cognitiva. Demonstrou-se que a inflamação prediz maior risco de demência e muitos biomarcadores inflamatórios têm sido associados à redução do volume total do cérebro e da cognição em estudos transversais, conectando a inflamação ao comprometimento cognitivo.

Ferramentas não invasivas de neuroimagem, como a ressonância magnética, oferecem uma maneira de medir a estrutura cerebral com especificidade do tipo de tecido (substância cinzenta e branca). Com a idade, são esperados declínios acelerados na densidade da substância cinzenta e na integridade da substância branca durante todo o processo de envelhecimento. Os participantes de um estudo que caminharam 40 minutos três vezes por semana aumentaram o volume de massa cinzenta nas regiões temporal pré-frontal, parietal e lateral do cérebro e aumentaram o volume de substância branca (MM) no corpo caloso. Esse resultado levou à hipótese de que o declínio estrutural relacionado à idade não é inevitável e que o exercício pode impedir o declínio relacionado à idade. Talvez os benefícios mais robustos do aumento da atividade física na estrutura cerebral sejam evidentes na população idosa, onde declínios acelerados na densidade da substância cinzenta e na integridade da substância branca ocorrem normalmente durante todo o processo de envelhecimento.

Em conclusão, os estudos sugerem que a atividade física é protetora contra o risco futuro de demência. Como a maioria dos idosos é fisicamente inativa (ou seja, não se envolve em ≥150 min / semana de atividade física moderada a vigorosa) e fica aquém dessas recomendações, o aumento da atividade física moderada a vigorosa entre idosos tornou-se uma prioridade de saúde pública. Lembrando da importância do acompanhamento de profissionais da saúde capacitados para orientar a prática de exercícios físicos, principalmente na população idosa.

Referências bibliográficas:

1 -Falck RS, Davis JC, Liu-Ambrose T. What is the association between sedentary behaviour and cognitive function? A systematic review. British Journal of Sports Medicine 2017;51:800-811.
2Fang X, Han D, Cheng Q, et al. Association of Levels of Physical Activity With Risk of Parkinson Disease: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Netw Open. 2018;1(5):e182421.
3 – Hamer, M., & Chida, Y. (2009). Physical activity and risk of neurodegenerative disease: A systematic review of prospective evidence. Psychological Medicine, 39(1), 3-11.
4 – Nelson ME, Rejeski WJ, Blair SN, et al. Physical activity and public health in older adults: recommendation from the American College of Sports Medicine and the American Heart Association. Circulation. 2007;116(9):1094-1105.

Fonte: https://globoesporte.globo.com/