Nos 11 anos da Maria da Penha, DF tem dia violento para as mulheres

Instituto lança relógio que registra o número de casos de abuso em todo o país. A cada 2 segundos, uma pessoa do sexo feminino é agredida

Larissa Rodrigues
LARISSA RODRIGUES
07/08/2017 18:34 , ATUALIZADO EM 08/08/2017 10:48

Este 7 de agosto marca os 11 anos da Lei Maria da Penha, criada para coibir a violência doméstica contra o sexo feminino. Mas o Distrito Federal tem pouco a comemorar. Entre o fim da tarde de domingo (6/8) e a madrugada desta segunda (7), foram registradas ao menos cinco agressões a mulheres na capital da República.

Os dados divulgados pela Polícia Militar do DF incluem-se nas estatísticas do Instituto Maria da Penha: a cada dois segundos, uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil. O número consta na ferramenta virtual lançada nesta segunda (7), o Relógio da Violência. Entre a 0h de hoje e as 17h55, foram contabilizados 32,6 mil casos. Segundo o instituto, o Brasil é o quinto país mais violento do mundo para as mulheres. A organização pede que a população compartilhe o relógio com a hashtag #TáNaHoraDeParar.

“A informação é uma grande aliada das mulheres quando o assunto é violência doméstica e familiar. É preciso conhecer as diversas formas de agressão e promover o acesso à Lei Maria da Penha em larga escala”, diz a nota assinada por Maria da Penha Maia Fernandes, a farmacêutica cearense que se tornou marco na luta contra os abusos.

Problema estrutural
O relógio começou a funcionar há poucas horas e não contabilizou casos como os registrados na Cidade Estrutural no fim da tarde de domingo (6). Em um deles, um homem chegou em casa bêbado, ameaçou bater na esposa, quebrou a geladeira com um martelo e foi preso em flagrante.
Site: Metropoles

Mais da metade dos veículos do DF circulam sem documento obrigatório

Detran-Ricardo-Botelho

O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) pretende regularizar 80% da frota de veículos do Distrito Federal até 1º de setembro. A data é a limite para os  proprietários estarem com o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) 2017 em mãos. A partir desse dia, as fiscalizações vão ser intensificadas e quem for flagrado em situação irregular poderá ser multado e ter o veículo removido para o depósito do Detran-DF.

De acordo com o órgão, 46% da frota estão regularmente licenciados, o que representa um total de 781.938 de 1.693.958 veículos do Distrito Federal. O número está abaixo do esperado pelo Detran-DF, o que motivou mais ações para agilizar a emissão do CRLV.

“A regularização está menor do que no ano passado. É uma preocupação nossa que o proprietário arque com as obrigações e responsabilidades que ele assumiu ao adquirir um veículo. Demos esse prazo e muitos não precisariam passar por isso (risco de multa e apreensão do carro)”, diz o diretor-geral interino do Detran-DF, Silvain Fonseca.

Ele explica que uma das medidas adotadas pelo órgão para elevar o índice de veículos em situação regular é o atendimento, em fase experimental, para transferência de propriedade e da unidade da Federação, além do emplacamento para quem perdeu o prazo inicial de 30 dias.

Esses casos, que exigem vistoria, estão sendo feitos também na unidade do Detran localizada no Trecho 1 do Setor de Cargas, Zona Industrial do Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA), na antiga Vadel. De acordo com o órgão, desde o dia 11 de julho, já foram realizados 1,8 mil atendimentos.

O serviço tem recebido, em média, 100 usuários por dia. É necessário agendamento prévio e só está apto ao suporte quem for ao local fazer, ao mesmo tempo, a vistoria e a transferência ou o primeiro emplacamento. “Boa parte dos condutores deixa para regularizar a documentação em cima da hora. Brasília está no limite, no último minuto. Deixamos para fiscalizar depois de outras capitais, que já têm feito essa fiscalização desde o início do ano”, destaca Silvain Fonseca.

QR Code
Este ano, os proprietários de veículos fabricados a partir de janeiro de 2017 também precisam garantir a presença de um QR Code (Código Bidimensional) na placa do automóvel, para garantir o licenciamento. A medida, obrigatória desde o início do ano, tem o objetivo de evitar clonagem de veículos.

Com a colocação do QR Code nas placas dianteira e traseira, estarão gravadas informações de segurança relativas à origem e destinação do veículo. Os dados poderão ser usados durante fiscalizações de trânsito. O número também deve estar presente no Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV).

De acordo com o Detran-DF, neste ano, 44.066 automóveis já tiveram o QR Code instalado em suas placas na capital. Para motoristas que andarem em desacordo com a norma, o Código de Trânsito Brasileiro prevê multa de R$ 130,16, quatro pontos na CNH e retenção do veículo.

Fiscalização
O Detran-DF já autuou 18.800 condutores desde janeiro último por falta de licenciamento. Desses, 10.656 tiveram os carros recolhidos aos depósitos. Circular sem o documento obrigatório é infração grave, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro.

O condutor é multado em R$ 293,47 e perde sete pontos na habilitação. Além disso, como o veículo é rebocado pelo Detran, o proprietário tem que arcar com todas as despesas, como guincho, diária, vistoria e serviço de liberação.

Segundo a legislação de trânsito, para obter o CRLV é preciso que o condutor quite todas as multas vencidas do veículo. Além disso, deve colocar em dia o pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), da taxa de licenciamento anual e do Seguro de Trânsito por Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT).
Crédito para www.metrópoles. Com

Menino de 4 anos com leucemia precisa de doação de sangue no DF

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Artur Machado Correa, de apenas 4 anos, diagnosticado com leucemia em julho, precisa de ajuda. O menino, que mora com a família no Jardim Botânico, está internado desde o último dia 8 e necessita de doações de sangue urgentemente.

De acordo com o pai dele, o empresário Vinicius Correa, 34, o diagnóstico da doença foi constatado após Artur cair de um banco e torcer o tornozelo. “Procuramos a emergência do hospital e iniciamos o tratamento. Retornamos várias vezes para acompanhamento do trauma e, após um exame de sangue, recebemos a notícia”, explicou.

“Iniciamos uma campanha para buscar ajuda. Peço como pai. Precisamos de doação de sangue para repor o banco do Hemocentro São Lucas. Qualquer tipo é bem-vindo. O sangue dele é O positivo (O+)”, disse Vinicius.
Parentes e amigos da família também buscam doadores pelas redes sociais. “A campanha está em grupos de WhatsApp, Facebook e outras mídias sociais”, disse o pai de Artur.

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Grupo Remédio Musical ajuda pacientes que enfrentam doenças severas

As canções são injetadas em doses individuais e coletivas, com acordeão, trompete, viola e muita cantoria pela banda.

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02/06/2017. Crédito: Minervino Junior/CB/D.A. Press. Brasil. Brasília - DF. A banda Remédio Musical realiza um trabalho voluntário e levam música aos hospitais do Distrito Federal há 8 anos. Eles visitaram a ala de Oncologia no Hospital Universitário de Brasília (HUB).

02/06/2017. Crédito: Minervino Junior/CB/D.A. Press. Brasil. Brasília – DF. A banda Remédio Musical realiza um trabalho voluntário e levam música aos hospitais do Distrito Federal há 8 anos. Eles visitaram a ala de Oncologia no Hospital Universitário de Brasília (HUB).

postado em 29/06/2017 06:00 / atualizado em 29/06/2017 07:27
Luiz Calcagno
Minervino Junior/CB/D.A PressRemédio Musical: proposta de trazer conforto e perseverança a pessoas com sérios problemas de saúde

Na sala de quimioterapia do Hospital Universitário de Brasília (HUB), um medicamento diferente. Combinado com a bolsa de remédios para tratar o câncer, pacientes que enfrentam doenças severas também recebem doses especiais de música gospel, MPB e até rock nacional. As canções são injetadas em doses individuais e coletivas, com acordeão, trompete, viola e muita cantoria pela banda Remédio Musical.

Composto por músicos voluntários, o conjunto se apresenta e, depois, nas palavras do idealizador, Alan Cruz, “atende a cada um dos pacientes”. Entre os efeitos “colaterais” estão o riso, o choro e a emoção. Chefe do serviço de oncologia e radioterapia da unidade, o médico Marcos Santos aprova o resultado. “A quimio é um tratamento aflitivo. É feita com substâncias tóxicas e os pacientes se sentem angustiados. Com a música, ganham energia para terminar bem uma sessão e até para encarar a próxima”, atesta.

O tratamento tem uma ordem correta. Antes de atender aos pedidos individuais de cada paciente, o grupo faz uma apresentação conjunta. Normalmente, em dupla ou solo.

O grupo já é conhecido dos pacientes. Zilma de Melo Bezerra, 49 anos, luta contra o câncer de mama e passa até cinco horas em uma sessão de quimioterapia. Ela destaca a diferença entre as sessões musicais e aquelas embaladas pelo volume da tevê. “Eu comecei o tratamento em 2014 e fui até o fim. Mas o câncer voltou. O dia fica melhor depois de tanta música. A sensação que temos é de que até respondemos melhor à medicação. Saio daqui renovada, mais alegre”, sorri. Mãe de dois filhos, a autônoma e moradora do Riacho Fundo enumera as ferramentas para enfrentar a doença. “Primeiro Deus, depois a família e, em terceiro, a música”, brinca.

Tímida e de sorriso discreto, Leila Matico Wakamiya, 61, luta contra câncer de mama e ósseo. Pediu um clássico mexicano da cantora Consuelo Velásquez: Besa-me mucho. A letra romântica clama, em tradução livre, “beija-me muito, como se fosse essa noite a última vez. Cercada de instrumentos, ela sorri enquanto limpa as lágrimas do rosto. “Sou muito tímida. Pra mim, isso é uma coisa de outro mundo”, diz. O tratamento da moradora de Planaltina já dura um ano e meio. “Com música, é muito mais alegre. Muito mais animado. É o tipo de coisa que nos ajuda, nos dá forças para encarar o tratamento. Quando eles vêm até nós e pedimos uma música, parece que a gente é que é famoso. Viramos celebridade”, descreve.

Maria de Lourdes Araújo Dourado, 52 anos, por sua vez, pediu uma e ganhou duas. A moradora do Gama foi agraciada com a Asa Branca, clássico de Luiz Gonzaga. Ela faz o tratamento há um mês, já passou pela radioterapia, braquiterapia e, agora, enfrenta a quimio para combater uma forma uterina da doença. “Nos sentimos muito apoiados. Tanto pelo tratamento que recebemos quanto pela oportunidade de ouvir música durante as sessões”, observa.

Francisco Antônio Sousa Pinheiro, 58, concorda. Enfrentando a primeira sessão, e ainda assustado, a apresentação trouxe leveza ao paciente. Motorista de ônibus aposentado e morador de Ceilândia, Francisco pediu para que o Remédio Musical tocasse a canção gospel Noites traiçoeiras e, depois, conversou longamente com a filha no celular. “Não esperava encontrá-los. (A música) nos ajuda a enfrentar os momentos de angústia e a controlar um pouco os pensamentos”, elenca.

Histórias e canções

O artista Alan Cruz, 34, conta sobre uma paciente que, ao comentar a apresentação da banda, disse que era “como um remédio”. Daí nasceu o nome do grupo, Remédio Musical, que hoje conta com cerca de 10 músicos que se revezam a fim de tocar no HUB, no Hospital de base do Distrito Federal e no Hospital da Criança de Brasília.

Quando pode, Alan viaja para outros estados para se apresentar em unidades hospitalares. Já esteve em 13 estados, entre eles, no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Sou músico profissional e coordenador de músicos do Sabin. Pago as viagens do meu próprio bolso. A meta é visitar todos os estados brasileiros até 2019”, conta.

Ele começou a tocar na casa de pessoas que sofriam de depressão ainda em Livramento de Nossa Senhora, no sudoeste baiano, onde nasceu. “Ali, eu vi que podia usar a música para transformar a vida das pessoas”, recorda. Em 2005, deixou a cidade e veio para Brasília estudar música. “Já existia um projeto voluntário em 2008. Mas eu o transformei no Remédio Musical inspirado pela paciente. Foi quando comecei a convidar mais e mais amigos para participarem”, narra.

Com inúmeras apresentações, Alan e os colegas colecionaram muitas histórias. Algumas, emocionantes. “Uma vez, uma senhora pediu que tocássemos Yolanda, do Chico Buarque. Eu disse que tocaria e, enquanto nos apresentávamos, ela escrevia. Ela compôs uma crônica na qual contava parte do seu dia e terminava dizendo que, com a música, imaginava-se na praia, ao lado do marido e vendo os filhos brincarem. É para isso que eu faço o projeto. Para que as pessoas se sintam assim”, empolga-se.

Voluntários do projeto, a musicista Mara Silva, 46, e o trompetista peruano Alex Willian Castro, 31, concordam. “É uma troca de emoções com os pacientes em que levamos alegrias e novas ideias, mas ainda ganhamos mais”, garante Mara. “É um importante alimento espiritual para mim. Valorizo mais a vida quando estou aqui”, declara Alex.
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Bebê de 3 meses é raptada no centro de Brasília e polícia busca suspeita

A mãe teria deixado a bebê aos cuidados de uma mulher enquanto fazia uma consulta em clínica de exame admissional

postado em 29/06/2017 11:58 / atualizado em 29/06/2017 14:27
Thiago Soares

A Polícia Militar do Distrito Federal investiga o suposto rapto de uma criança de 3 meses, por volta das 10h30 desta quinta-feira (29/6), em uma clínica de exame admissional localizada no Conic, no centro do Plano Piloto.

A mãe teria deixado a filha aos cuidados de uma mulher desconhecida enquanto era atendida. Segundo ela contou à polícia, quando voltou para buscar a menina, não viu mais nem a mulher que ofereceu ajuda nem a criança.

Uma cunhada da mãe disse ao Correio que a suspeita se apresentou a ela alguns dias atrás em um posto de saúde em Sobradinho. Na ocasião, prometeu emprego à mulher. Por conta dessa promessa, as duas teriam ido à clínica. A movimentação de policiais e curiosos é grande em frente ao Edifício Boulevard, onde fica o estabelecimento.

Identidade da suspeita
A polícia conta com imagens da sequestradora feitas por câmeras instaladas no prédio. Imagens do circuito de segurança mostram mãe e suspeita chegando ao prédio da agência e, depois, a suposta sequestradora saindo com a criança no colo.

Segundo a PM, graças às imagens e à descrição da mãe, foi possível chegar à identidade de uma mulher, tratada agora como suspeita. Baseados nessas informações, os policiais tentam encontrá-la e recuperar a criança.
O caso mais recente de sequestro de um recém-nascido aconteceu no Hospital Regional da Asa Norte, no início deste mês. Mãe e filho estavam em um alojamento conjunto, onde havia vários outros bebês. Gesianna de Oliveira Alencar, 25 anos, entrou na unidade de saúde e levou o menino. Durante nove meses, ela mentiu para a famíia e o marido sobre a gravidez. E chegou a usar uma barriga falsa. Ela foi presa e o bebê devolvido aos pais.

Em fevereiro deste ano, uma mulher foi presa pela Polícia Civil em Samambaia após tentar sequestrar uma menina de apenas um mês de vida. De acordo com informações da PM, a mãe tinha o costume de deixar a criança aos cuidados da acusada, que é vizinha dela, e entrou em desespero ao ir pegar a filha e encontrar a casa vazia.

Francisca foi localizada em um terminal rodoviário pela irmã e pela mãe da criança. Lá, teria dito que esperava uma amiga, pois estava perdida. Alessandra colocou a mulher no carro e a levou até a 26ª Delegacia de Polícia (Samambaia). Na unidade policial, foi verificado que na mala de Francisca continha roupas da criança.
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Em seis anos, denúncias de racismo cresceram mais de 1000% no DF

Número é do Ministério Público do DF, que lança livro sobre o tema e alerta para a necessidade de as vítimas registrarem a agressão e não se calarem

Paula Pires – Especial para o Correio , Julia Campos – Especial para o Correio

09/06/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press. Brasil. Brasília - DF. Vitimas de racismo. Carolina Saraiva no Venâncio Shopping.

09/06/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press. Brasil. Brasília – DF. Vitimas de racismo. Carolina Saraiva no Venâncio Shopping.

Carolina Saraiva foi xingada várias vezes por causa da cor da pele

“Meu apelido de infância era ‘picolé de kichute’. Na escola, me chamavam de ‘Carolina Saravá’, em referência à religião praticada pela minha família. Além de neguinha, umbandista e macaca”, diz a psicóloga Carolina Saraiva, 34 anos. Ela faz parte de uma parcela da população que sofre preconceito diariamente por causa da cor da pele. Hoje, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPFT) lança um livro que reúne acusações de racismo no Distrito Federal nos últimos 10 anos. Apenas entre 2010 e 2016, o número de denúncias aumentou 1.190% na capital. Centenas de pessoas foram vítimas da intolerância e da falta de respeito de outros seres humanos, cidadãos que não souberam exercer a cidadania e se acharam no direito de ofender alguém.

Racismo: pesquisadores acreditam que vítimas têm denunciado mais
Apesar de tudo que passou, é com voz tranquila e pausada que Carolina conta em detalhes todas as agressões verbais que já ouviu ao longo da vida. Ela garante que tudo isso não gerou revolta nem trauma. Na adolescência, era a única negra da turma em uma escola de padres. “Para ser respeitada, tornei-me a melhor aluna da sala. Eu era aquela garota que ganhava sempre menção honrosa.” Mesmo sendo uma estudante que ocupava lugar de destaque, ela não era convidada para participar de grupos de estudo porque os colegas achavam que poderia sujar o papel com a cor preta.

10/09/2014. Crédito: Carlos Moura/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. Promotor Thiago Pierobom, do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação - NED.

10/09/2014. Crédito: Carlos Moura/CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Promotor Thiago Pierobom, do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação – NED.

Thiago Pierobom: racismo sempre existiu, mas poucos reconhecem
Nos últimos quatro anos, o promotor e coordenador do estudo Thiago Pierobom esteve à frente do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação. Durante esse tempo, o que mais chamou a atenção do promotor foi a quantidade de crimes raciais. “Quando não se atua de forma especializada nesse assunto não conseguimos ter a dimensão do que é verdadeiramente a realidade dessas pessoas. Só quando vemos a mesa com pilhas de processos é que passamos ter essa sensibilidade de enxergar melhor e compreender que as ofensas não são sentimentos normais dentro de uma briga. É necessária a atuação jurídica”, admite.

Recentemente, Carolina passou por uma situação de discussão com o ex-marido que não costuma ser nada comum. Inclusive, demonstra um pouco de aflição ao remexer nesse passado que, segundo ela, dá embrulho no estômago. “Já havia me separado dele quando esse homem bateu à porta lá de casa com várias bananas na mão. Ele começou a gritar e encharcou o piso de água, jogando as frutas no chão. Depois, pisoteou tudo e começou a me xingar de ‘macaca’ e ‘nega’” , relatou. A psicóloga enfrentou a situação com um celular na mão na tentativa de gravar tudo, mas o homem quebrou o aparelho. Carolina deu queixa na delegacia por ofensa racial, mas não havia testemunha no momento da agressão para poder provar.

09/06/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press. Brasil. Brasília - DF. Vitimas de racismo. Camila Rodrigues em Águas Claras.

09/06/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press. Brasil. Brasília – DF. Vitimas de racismo. Camila Rodrigues em Águas Claras.

Camila Rodrigues trabalhava como frentista quando foi agredida

Pesquisa

A pesquisa aponta que 34,7% das ocorrências acontecem no ambiente de trabalho. Camila Rodrigues, 28, vivenciou esse tipo de situação há três anos. Ao relembrar do episódio, ela segura as duas mãos com força e respira fundo. É algo que a incomoda até hoje. “Eu trabalhava como frentista em um posto de gasolina, em Águas Claras, quando um motorista de caminhão parou para encher o tanque. Do nada, ele começou a me xingar de ‘neguinha’, ‘vagabunda’. Fiquei constrangida com toda aquela situação, sem reação e perdi a voz. O único movimento que fiz foi caminhar em direção ao banheiro para me distanciar daquele homem que, por sinal, também é negro. Ele ainda me chamou de ‘macaca’, lembra. A reação de Camila foi como a da maioria das vítimas: se calar diante das ofensas. Mas ela também aproveitou para responder posteriormente da forma mais digna e justa. Camila registrou uma ocorrência na 21ª Delegacia Policial (Taguatinga Sul). O caso está na Justiça e o agressor responde por ofensa racial, agressão verbal e ameaça. “Tive que revê-lo duas vezes em audiências. Ele assumiu tudo o que fez e o seu advogado pediu acordo. Eu não aceitei. Quero que ele sinta na pele o peso das agressões que fez contra mim. A justiça saberá puni-lo”, declara.

Thiago Pierobom explica que os acordos processuais são algo positivo, pois impedem que os agressores pratiquem mais delitos como aqueles ou mais graves. Porém, o mais importante é eles terem sempre a certeza de que vão responder pelo que fizeram. “Os acordos também são as respostas mais rápidas da justiça, pois são dadas penas alternativas. Mas os réus não gostam de fazer acordos porque se sentem punidos”, explica.
informacoes

image-001refados, também pode prejudicar o desenvolvimento da criança.

A preocupação dos especialistas com isso é tamanha que recentemente a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) desaconselhou o uso destes aparelhos por menores de 2 anos. E agora um novo estudo, a ser apresentado neste sábado em São Francisco, EUA, na reunião anual da Sociedade de Academias de Pediatria (PAS), reforça esta recomendação.

A nova pesquisa, conduzida no Hospital para Crianças Doentes da Universidade de Toronto, no Canadá, indica que quanto mais “tempo de tela”, maior era o risco de os bebês apresentarem atraso no desenvolvimento da fala.

Média de 27,8 minutos por dia

No estudo, os profissionais acompanharam mais de mil crianças entre 6 meses e 2 anos de idade atendidas na instituição entre setembro de 2011 e dezembro de 2015. Destas, 219 (20%) tinham relatos dos próprios pais de uso de aparelhos com telas a uma média de 27,8 minutos diários.

Elas foram então avaliadas seguindo um sistema padrão para identificar problemas na comunicação oral. E, segundo os pesquisadores, os resultados da análise apontam que, para cada 30 minutos de “tempo de tela”, os riscos de a criança ter alguma demora para falar sobem em 49%.

— Os aparelhos portáteis estão em todos os lugares hoje em dia — diz Catherine Birken, líder da pesquisa e pediatra no hospital canadense.

— E embora as novas recomendações pediátricas sejam limitar o tempo de tela de bebês e crianças, acreditamos que o uso de smartphones e tablets por elas tem se tornado bem comum. Por isso a importância deste estudo, o primeiro a relatar associação entre o tempo de tela com estes aparelhos portáteis e um maior risco de atraso na expressão da linguagem.

Presidente do Departamento Científico de Adolescência da SBP, a médica Alda Elizabeth Iglesias Azevedo ficou até assustada com a média de tempo que as crianças canadenses passavam com os equipamentos eletrônicos, de quase 30 minutos, que classificou como “absurdo”.

— Temos certeza de que isso não é saudável, e não é só para a questão da fala. Nesta fase da vida a criança não está apta a entender o que é virtual e o que é real. Assim, o uso destes equipamentos também pode atrapalhar o desenvolvimento cognitivo, emocional e o sono das crianças, além de aumentar o risco de exposição a conteúdos inapropriados para sua idade.

Opinião similar tem Andrea Abrahão, fonoaudióloga da empresa Direito de Ouvir.

— Um dos fatores principais para este prejuízo no desenvolvimento da fala das crianças identificado na pesquisa é o isolamento social que estes aparelhos provocam — considera.

— Muitos pais têm o raciocínio errôneo de que com estas telas estão estimulando a criança, mas estes equipamentos não promovem a orientação espacial, nem a temporal e nem a interação com o outro, e com isso ela fatalmente apresentará problemas. As crianças precisam se comunicar, verbalizar, errar, serem corrigidas, e os jogos e aparelhos eletrônicos não dão estas possibilidades — critica.

Ameaça ao coração

· 11 mai 2017
· O Globo
· PAULA FERREIRA paula.ferreira@infoglobo.com.br RENATO GRANDELLE renato.grandelle@oglobo.com.br
Ameaça ao coração
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Consumo de analgésicos pode aumentar em até 58% o risco de ataque cardíaco

O uso de analgésicos conhecidos como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como o ibuprofeno, pode aumentar o risco de ataques cardíacos entre 24% e 58% — principalmente no primeiro mês de uso contínuo, segundo uma pesquisa divulgada ontem no periódico “British Medical Journal”.
image001 (2)W3yA%3d%3dROBERTO MOREYRASem controle. Remédios para a dor têm propaganda irrestrita e são vendidos sem receita médica, o que estimula seu uso, segundo especialistas
A equipe de pesquisadores liderada pela epidemiologista Michèle Bally, do Hospital da Universidade de Montreal, no Canadá, revisou estudos realizados com 446.763 pessoas com idade entre 40 e 79 anos em países como Canadá, Finlândia e Reino Unido. Deste grupo, 61.460 indivíduos tiveram ataques cardíacos, tendo sido observados apenas pacientes que receberam prescrição médica, e não aqueles que adquiriram o remédio por conta própria. Os cientistas destacam que outras causas, além do uso de medicamento, podem estar envolvidas nas doenças cardiovasculares.

Pesquisas anteriores já tinham relacionado o consumo de analgésicos a problemas ou sobrecarga no coração, mas este novo estudo mede o risco das doses e o tempo de tratamento, além de classificar os efeitos de cada remédio.

PERIGO MAIOR COM DOSES ALTAS “Considerando que o risco de infarto agudo do miocárdio é identificado já na primeira semana de uso e parece maior no primeiro mês de tratamento com doses mais elevadas, os prescritores devem considerar a ponderação dos riscos e benefícios dos anti-inflamatórios antes de instituírem o tratamento”, afirmaram os pesquisadores no estudo.

Michèle revela que o aumento absoluto dos riscos é muito pequeno, já que, na maioria das pessoas, as chances de um ataque cardíaco também são ínfimas. Ainda assim, a epidemiologista ressalta que os pacientes devem ser informados sobre detalhes de seus tratamentos:
— Quero que as pessoas conversem com seus médicos — diz a pesquisadora. — A maioria dos pacientes não está ciente de seu risco cardiovascular, então é preciso saber se é bom continuar com os AINEs ou se deve considerar outros tratamentos.

De acordo com o estudo, há mais de 90% de chances de que todos os anti-inflamatórios não esteroides estejam relacionados ao risco de ataque cardíaco. E a probabilidade de problemas cardiovasculares aumenta de acordo com o remédio. O que apresentou menor risco foi o celecoxibe (no Brasil comercializado como Celebra), com 24% de probabilidade de problemas cardiovasculares. Em seguida, aparecem o ibuprofeno (Advil e Motrin), com 48% de risco; o diclofenaco (Voltaren), com 50%; e o naproxeno (Flanax), com 53%. A maior taxa de risco, de 58%, foi verificada no rofecoxib (Vioxx), que foi retirado do mercado em 2014.

Diretor científico do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, José Francisco Kerr Saraiva destaca que os maiores consumidores de anti-inflamatórios, em geral, já têm outros problemas de saúde.

— Estes medicamentos são mais procurados por pessoas com idade avançada, que sofrem mais de doenças como artrite, bursite e dor na coluna. E os idosos são o grupo com mais casos de hipertensão e doença renal. Portanto, o risco não pode ser ignorado — ressalta. — Existe uma regulamentação sobre o uso de antiinfalamatórios, mas as regras não são colocadas em prática. As autoridades sanitárias precisam ser r orosas e impor algum tipo de controle.

Saraiva revela que é comum ver consumidores de anti-inflamatórios chegarem à emergência de hospitais com pressão alta.

— Antes de recorrer aos medicamentos, as pessoas devem ter mais informações sobre as condições de seus rins e do sistema circulatório — recomenda. — Às vezes o paciente tem um problema cardiovascular e nem sabe.

Pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz e membro da Câmara Técnica de Medicamentos, órgão consultivo vinculado à Anvisa, Francisco Paumgartten concorda que a grande preocupação é o fato de que algumas dessas drogas têm venda livre, como o ibuprofeno.

— O paciente não precisa nem se dirigir ao farmacêutico, o ibuprofeno fica exposto, há liberdade total — critica. — Além disso, é permitida a propaganda de medicamentos de venda livre na televisão, e essa publicidade estimula o consumo.

Paumgartten avalia que, com as evidências disponíveis sobre os riscos do medicamento, a Anvisa já deveria ter tomado alguma atitude para restringir o acesso:
— A Anvisa já poderia ter excluído esse medicamento da lista de drogas de venda livre. É um risco alto para fazer um uso banal do remédio, e muitas pessoas os consomem desnecessariamente. No caso de um paciente com doença inflamatória grave, que sinta uma dor insuportável, o benefício pode ser maior que o risco. E o profissional capaz de colocar os prós e contras na balança é o médico.

O levantamento publicado ontem foi visto com ressalvas por parte da comunidade médica. Diretora do Real Colégio Britânico de Clínica Geral, Helen Stokes-Lampard pondera que é perigoso rejeitar imediatamente os analgésicos.

— Estas drogas podem ser eficazes no fornecimento de alívio da dor a curto prazo para alguns pacientes — sublinha. — É importante que qualquer decisão de prescrever seja baseada nas características individuais do paciente, e que os resultados sejam revistos regularmente.
Site:www.oglobo.com.br

Ao menos 50 milhões de brasileiros têm um parente ou amigo assassinado

Maioria da população também defende união entre os órgãos de segurança e os governos como solução

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postado em 08/05/2017 06:00

Natália Lambert , Martha Correa – Esp. para o CB /
Nem quem anda armado escapa de ser assassinado no Brasil. Na última sexta-feira (5), um policial militar do Rio de Janeiro foi baleado e morto em um acesso à Ponte Rio-Niterói. A polícia apura se Marcos Braz de Moraes, 43 anos, foi vítima de uma tentativa de assalto. Ele servia no Palácio Guanabara, sede do governo do Rio, responsável pela política de segurança pública no estado. A família de Marcos compõe estatística inédita mostrada por uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Sob o ponto de vista dos que ficam e sobrevivem, os números mostram que um em cada três brasileiros com 16 anos ou mais, pelo menos 50 milhões de brasileiros, têm um parente ou amigo vítima de homicídio ou latrocínio (roubo seguido de morte).

O levantamento também mostra que a população entende que é necessário ampliar a articulação governamental em torno do enfrentamento à violência. Quase todos os entrevistados, 94%, reconhecem que o nível de homicídios é muito alto no Brasil e 96% acreditam que as diversas esferas do governo precisam se unir para diminuir os crimes e a violência, já que a obrigação não seria somente das polícias, mas também do governo federal (para 84% dos entrevistados), dos estados (83%), dos municípios (81%) e do Congresso Nacional (77%).

O diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Renato Sérgio de Lima, destaca o principal recado que a pesquisa traz: a população não tolera mais a violência. Para Renato, ninguém aguenta mais o jogo de empurra sobre quem é o responsável pela segurança. “As pessoas estão exaustas da violência e estão pedindo socorro. Todo mundo é responsável. E elas apontam uma solução, que é a unificação da União, dos estados, municípios, das polícias, para que o assunto seja tratado como prioridade”, comenta.

O papel das polícias também tem destaque importante na pesquisa. Entre 5,9 milhões e 20,2 milhões têm um parente, amigo ou conhecido que foi morto pelas polícias ou guardas municipais, percentual que se eleva entre os mais jovens, chegando a 17% da população entre 16 e 24 anos. Além disso, 92% afirmam que todos têm direitos iguais e devem ser respeitados pelas polícias e 93% afirmam que a polícia deve preservar a vida acima de tudo. “Não é essa polícia que os brasileiros querem. Queremos uma polícia mais próxima, mais valorizada, respeitada e confiável. A mudança, por um lado, passa por medidas de modernização da área e, por outro, por inovações gerenciais e boas práticas. Hoje a gente bate muita cabeça, trabalha demais, mas os resultados são insatisfatórios”, comenta Renato.
Armas de fogo

Em meio ao cenário de tanta violência, na Câmara dos Deputados, a bancada da bala pressiona o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) para pautar com urgência a votação em plenário do substitutivo que revoga o Estatuto do Desarmamento. Os deputados querem tornar menos rígidas as regras para a compra, registro e porte de armas de fogo no país. A expectativa deles é aprovar a matéria no final deste semestre. Segundo dados da pesquisa, 78% dos entrevistados acreditam que quanto mais armas em circulação, mais mortes haverá no país, reforçando a importância do controle de armas na redução da violência.

Os números também mostram que 4% das pessoas maiores de 16 anos, de 4,9 milhões a 7,5 milhões, considerando a margem de erro, já sofreram algum ferimento por arma de fogo. O diretor-presidente do FBSP destaca que este é outro aspecto muito importante do levantamento. “A população tá sentindo na própria pele a violência. As pessoas estão sendo feridas. Se a gente não pensar no controle da arma, a gente está incentivando a barbárie”, comenta Renato Lima.
“As pessoas estão exaustas da violência e estão pedindo socorro.
Todo mundo é responsável. E elas apontam uma solução, que é a unificação da União,
dos estados, dos municípios, das polícias, para que o assunto seja tratado como prioridade”,

Renato Sérgio de Lima,
diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública

Quadro alarmante

Pesquisa inédita da campanha Instinto de Vida mostra que ao menos 50 milhões de brasileiros conhecem alguém vítima de assassinato. Confira outros dados do levantamento:
Violência por região:

» Norte e Centro-Oeste 45%
» Sudeste 38%
» Nordeste 37%
» Sul 27%
Por raça

» 38% da população negra têm alguém próximo que foi assassinado, em comparação com 27% da população branca
» 64% reconhecem que as maiores vítimas da violência no Brasil são jovens, negros e do sexo masculino.

Responsabilidade

» 84% da população acredita que o governo federal tem mais responsabilidade em garantir segurança do que as unidades da Federação
Desaparecidos

» 17% dos brasileiros, ou 23,8 milhões de pessoas, têm algum parente, amigo ou conhecido desaparecido.

Armas

» 78% da população acredita que, quanto mais armas em circulação no país, mais mortes.
Ocupações

» 56% acreditam que, em situações de confronto, as polícias podem ocupar sem autorização judicial residências localizadas em favelas e ocupações.

Fonte: Instituto Datafolha e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)