Condenada pela morte de Maria Cláudia Del’Isola é copeira do GDF

Secretaria de Justiça e Cidadania informou, em nota, que Adriana de Jesus Santos tem autorização da Vara de Execuções Penais para prestar serviço externo. No regime semiaberto, ela é contratada da Funap desde outubro de 2018

Condenada pelo assassinato da estudante Maria Cláudia Siqueira Del’Isola (foto em destaque), Adriana de Jesus Santos cumpre pena em regime semiaberto e trabalha como copeira no Governo do Distrito Federal (GDF). Ela é contratada da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap-DF) desde outubro de 2018. A informação foi confirmada pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus).

O crime ocorreu em dezembro de 2004 e foi considerado um dos assassinatos mais bárbaros da capital da República. A Sejus informou, em nota, que a presa tem autorização da Vara de Execuções Penais (VEP) para trabalho externo.

A Funap integra a administração indireta do GDF e é vinculada à Secretaria de Justiça e Cidadania. A entidade tem como função “contribuir para a inclusão e reintegração social das pessoas presas, oportunizando melhorias em suas condições de vida por meio da qualificação profissional e oportunidades de inserção no mercado de trabalho”. Atualmente, a Funap presta serviços para outros órgãos do Executivo local, do governo federal e a três empresas particulares.

Até a última atualização deste texto, a reportagem não havia conseguido contato com a defesa de Adriana.

Morte no Lago Sul
Bernardino do Espírito Santo era caseiro da família de Maria Cláudia Del’Isola, enquanto Adriana de Jesus, sua namorada, trabalhava como empregada doméstica na mesma residência. O caso aconteceu no Lago Sul, um dos bairros mais nobres de Brasília.

A dupla foi condenada pelos crimes de homicídio triplamente consubstanciado, estupro, atentado violento ao pudor, ocultação de cadáver e furto qualificado. Preso em 2007, Bernardino Espírito Santo obteve progressão para o semiaberto em 2016. Adriana está no mesmo regime, com trabalho externo.

Antes de sair para a faculdade, a vítima foi abordada pelo casal, agredida com um soco e obrigada a informar a senha do cofre. Em seguida, foi estuprada, esfaqueada e morta com um golpe de pá na cabeça. A dupla enterrou a universitária debaixo da escada principal da residência. O corpo foi encontrado três dias depois.

Em março de 2019, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) conseguiu decisão favorável no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para aumentar as penas de Adriana e do outro condenado pelo crime. De acordo com a sentença inicial, as penas eram de 65 e 58 anos, que posteriormente foram reduzidas para 44 e 38 anos, respectivamente.

Após despacho do STJ proferido em 29 de março, Bernardino do Espírito Santo Filho deve receber a pena de 50 anos e 6 meses, enquanto Adriana de Jesus Santos deverá cumprir 40 anos de reclusão.

 Fonte: https://www.metropoles.com/distrito-federal/condenada-pela-morte-de-maria-claudia-delisola-e-copeira-do-gdf

No regime semiaberto, assassina de Maria Cláudia Del’Isola dá expediente no GDF


Helena Mader

Condenada por estupro, ocultação de cadáver e pelo homicídio da estudante Maria Cláudia Del’Isola, Adriana de Jesus Santos obteve a progressão para o regime semiaberto e hoje trabalha na Secretaria de Justiça e Cidadania do Distrito Federal. Ela é contratada pela Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap). Quase 15 anos depois de um dos crimes mais chocantes da história de Brasília, Adriana conseguiu autorização judicial para o trabalho externo. Ela dorme na Penitenciária Feminina e dá expediente no GDF, mas não atua no atendimento ao público. Ela trabalha na área administrativa.

Em nota, a Secretaria de Justiça e Cidadania informou que “Adriana de Jesus Santos está no regime semiaberto e tem autorização da Vara de Execuções Penais para trabalho externo. Ela está contratada pela Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap) e trabalha normalmente”.

A assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça do DF informou que o processo de execução penal da assassina de Maria Cláudia “está tramitando em segredo de justiça, por determinação judicial”. “Dessa forma, somente podem ter acesso às informações contidas no processo a interna, sua defesa constituída e o representante do Ministério Público que atua junto à Vara de Execuções Penais”, informou o TJDFT.

Adriana de Jesus Santos preencheu as determinações legais para receber o benefício de progressão para o regime semiaberto. A Lei de Execuções Penais estabelece requisitos como o cumprimento de um sexto da pena no regime inicial e bom comportamento carcerário, atestado pelo diretor do presídio.

Barbárie
Maria Cláudia tinha apenas 19 anos quando foi morta, em 9 de dezembro de 2004, na própria casa, no Lago Sul. Os autores do crime foram Adriana, à época empregada da família, e o então caseiro, Bernardino do Espírito Santo. A dupla queria forçar a jovem a abrir um cofre. Eles imobilizaram, agrediram e estupraram a estudante. Por fim, a dupla esfaqueou Maria Cláudia e acertou a cabeça dela com uma pá. O corpo da universitária foi enterrado embaixo da escada da casa da família Del’Isola e a polícia só conseguiu localizar o cadáver três dias depois.

Em 2007, Adriana de Jesus Santos foi condenada a 58 anos de prisão por homicídio, estupro, atentado violento ao pudor e ocultação de cadáver. Mas, em 2010, o Tribunal de Justiça aceitou reduzir a punição da ré e excluiu a condenação por atentado violento ao pudor. Isso foi possível por conta da Lei Federal nº 12.015/09, que unificou os crimes de estupro e atentado violento ao pudor. Com isso, a pena caiu para 38 anos e três meses de reclusão.

Em abril deste ano, o Superior Tribunal de Justiça acatou um recurso do Ministério Público e aumentou novamente as penas dos réus. A pena final de Adriana foi de 40 anos de reclusão.

Fonte: http://blogs.correiobraziliense.com.br/cbpoder/no-regime-semiaberto-assassina-de-maria-claudia-delisola-da-expediente-no-gdf/

Crianças espancadas pela tia em Planaltina (GO) estão internadas

Irmãos, os três sobreviventes das agressões, praticadas por um jovem de 19 anos e uma adolescente de 17, tia delas, estão sob cuidados médicos. O casal está preso por torturar e matar a quarta vítima, que não resistiu as pancadas

Terreno onde as vítimas moravam com os agressores, na periferia de Planaltina de Goiás: barraco de madeira de 10 m² e um só cômodo(foto: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press)

As três crianças sobreviventes de uma série de espancamentos, na quarta-feira (29/5), em Planaltina de Goiás, estão internadas e sob tutela do Estado. Irmãs, elas têm 1, 3 e 9 anos. Com duas fraturas no braço, a do meio apresenta o estado mais preocupante, por isso, foi transferida nesta quinta-feira (30/5) para o Hospital Regional de Planaltina, no Distrito Federal. As outras duas serão encaminhadas para um abrigo no município do Entorno após receberem alta médica. Uma quarta, de 7 anos, morreu em função das agressões.

Agora, a Polícia Civil de Goiás quer saber como as quatro crianças ficaram sob os cuidados de uma adolescente de 17 anos, tia delas, após os pais serem presos em fevereiro por tráfico de drogas. Na data do crime, ela foi apreendida, e o namorado, Bruno Diocleciano da Silva, 19, preso em flagrante por homicídio qualificado e tortura qualificada.

As crianças apanharam porque, em um ato de desespero devido ao abandono, elas pediram comida a um vizinho. Quando o casal voltou, o morador da casa ao lado chamou a atenção dos jovens por terem deixado as três meninas e o menino sozinhos. Segundo relatos das vítimas, eles chegaram a apanhar com um vergalhão de aço. Testemunhas acionaram o Conselho Tutelar, mas os tios não permitiram a entrada dos conselheiros no imóvel.

Enquanto a equipe saiu para pedir auxílio à Polícia Militar, a menina de 7 anos passou mal e teve uma convulsão. Vizinhos acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que esteve no local e constatou o óbito, além de vários sinais de violência nas crianças. Policiais militares chegaram em seguida e prenderam os agressores.

O delegado Antonio Humberto Soares Costa, coordenador do Grupo de Investigação de Homicídios, disse que o casal relatou a violência com “muita frieza” e que ela acontecia “havia algum tempo”. Ele contou que adolescente disse ter pegado as crianças na rua e levado para o Setor Aeroporto, na periferia do município goiano. “Elas (as vítimas) foram brutalmente espancadas. Como se não bastasse o que a criança de 7 anos sofreu, os tios ainda haviam deixado ela passar a noite no quintal, ao relento”, acrescentou.

Brutalidade

O Conselho Tutelar não tinha registros de ocorrências relacionadas à família, até quarta-feira. “No mesmo dia em que chegou a informação, estivemos lá”, afirmou o presidente do órgão, Antônio Freire. “Estive com as crianças e elas estão bem melhor, comendo biscoito e, cada uma, com duas caixas de chocolate. O povo da cidade está ajudando. Agora, esperamos que a família toda perca o vínculo. Aquilo não é família. As crianças tiveram, no máximo, genitores”, completou.

Um vizinho afirmou que era comum ouvir brigas, gritos e choro das crianças. Ele contou que, antes da morte da menina de 7 anos, viu a adolescente arrastá-la pelos cabelos no meio da rua. Sem aguentar tanta brutalidade, a mulher dele acionou a polícia. Além das agressões contra os pequenos, eram comuns cenas de violência entre o casal. “Gritavam, batiam-se, faltavam se matar. Eles chamavam uns malas o tempo todo. Sempre tinha festa e música alta”, detalhou.

De acordo com o delegado Antonio Humberto, a adolescente disse que a menina era a que mais apanhava, sobretudo dela, por ser a tia. “Ela contou que batia em todos, mas mais nessa menina, pois ela costumava urinar e defecar nas roupas.” Vizinhos ainda relataram que o casal consumia drogas e promovia brigas de galo. “No dia que aconteceu, eles não tinham usado nada. São pessoas violentas, que usavam qualquer pretexto para atacar essas crianças. Não precisavam de entorpecente para isso”, ressaltou o delegado.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br

Homem invade igreja, abre fogo e atinge diversos fiéis em Paracatu (MG)

Suspeito deu uma facada no pescoço da ex-namorada e, depois, abriu fogo contra fiéis de uma igreja evangélica na cidade mineira

Um homem entrou em uma igreja da cidade de Paracatu, cidade mineira a 234km do Distrito Federal, e efetuou vários disparos de arma de fogo na noite desta terça-feira (21/5). O crime aconteceu na Igreja Batista Shalom, no Bairro Bela Vista. O atirador foi identificado como Rudson Aragão Guimarães, 39 anos, ex-militar da Aeronáutica. Ele foi atingido por um tiro de fuzil, disparado pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), e levado ao hospital logo em seguida. No total, quatro pessoas foram mortas pelo suspeito.

Segundo a PM mineira, antes de abrir fogo no templo religioso, o suspeito esteve na casa da ex-namorada. Enfurecido, ele desferiu uma facada no pescoço da ex-companheira, que morreu na hora. A mãe e a irmã da jovem também estavam em casa na hora do crime, mas não foram atingidas.

Após cometer o primeiro homicídio, o atirador foi para a igreja, onde abriu fogo contra os fiéis. Inicialmente, Rudson matou dois idosos, ambos com disparos na cabeça. Depois, o atirador pegou uma mulher como refém. Assim que os militares chegaram ao local da ocorrência, o homem efetuou um novo disparo e tirou a vida da refém.

Para conter Rudson, policiais militares atiraram contra ele, atingindo-lhe a clavícula. O homem foi levado ao hospital da cidade em estado grave e, até a última atualização desta reportagem, estava internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Populares tentaram invadir o hospital de Paracatu e a polícia precisou cercar o local.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o pastor da igreja sofreu um ferimento no tornozelo. Não há informações sobre o estado de saúde dele.

O porta-voz da Polícia Militar, major Flávio Santiago, disse que policiais que estavam a patrulha próximo ao local evitaram um massacre maior. “Temos a informação de que ainda haviam 20 pessoas no local e ele estava com mais 6 munições intactas, se a PM não tivesse chegado a tempo, a situação seria muito pior”, disse o militar.

Um militar que frequentava os cultos religiosos informou que Rudson frequentava a igreja. A PM diz que ele já teve problemas com drogas e que esse teria sido o motivo de sua saída da congregação. Segundo moradores de Paracatu, o homem reclamava de ouvir vozes. “Tudo indica que foi um surto psicótico”, afirmou o tenente-coronel Luiz Magalhães, do 45ª Batalhão de Polícia Militar de Paracatu.

O atirador usou uma garrucha com capacidade para um tiro. A arma foi apreendida com seis munições não deflagradas.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/

Servidora é morta na sede da Secretaria de Educação

Crime aconteceu na manhã desta segunda-feira. Policial civil entrou, disparou contra a companheira e se suicidou logo em seguida

Uma servidora da Secretaria de Educação foi assassinada em um prédio do órgão, na manhã desta segunda-feira (20/5). O crime aconteceu no interior da Coordenação Regional de Ensino do Plano Piloto e Cruzeiroo, na 511 Norte, onde funciona, desde o fim de abril, a Subsecretaria de Gestão de Pessoas da pasta.

A vítima, Debora Correa, e o assassino, Sergio Murilo dos Santos

Segundo informações da Polícia Miliitar do Distrito Federal (PMDF), o policial civil Sergio Murilo dos Santos, que teve relacionamento com a vítima, entrou no prédio, foi até o terceiro andar e disparou contra ela ao menos duas vezes. Ele se matou em seguida. A servidora foi identificada como Debora Tereza Correa, 43 anos.

As informações foram confirmadas ao Correio pelo secretário Rafael Parente, que cancelou a agenda da manhã e se deslocou para o local do crime. Logo depois, ele confirmou o crime também pelo Twitter. “Houve um homicídio agora na nova Sede II, na 511 norte. Estou a caminho. A Caravana da Educação da Regional do Núcleo Bandeirante está suspensa”, escreveu.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

E DA ESCURIDÃO SE FEZ LUZ

Projeto de alfabetização dá novo sentido à vida de idosas no Varjão
A professora Eunice (E) formou-se em pedagogia aos 53 anos e hoje alfabetiza idosos como Ella (ao centro), Lindaura e Rita no Varjão

Havia uma escuridão sem fim. A vida inteira, a maior parte da vida foi assim. Elas sabiam disso. Sentiam-se envergonhadas por isso. Havia culpa e medo. Mas, um dia, elas descobriram, no mesmo lugar onde foram cegas por tanto tempo, que, até todo o breu, um dia, pode se dissipar. E a luz, um pouco dela, ainda fugidia, pode surgir. Até mesmo quando a vida andou tanto, com todo o cansaço. O que importa é a própria claridade.

Esta é uma história que a gente ouve falar, num dia. E, no outro, corre para ver de perto, para enxergar essa mesma luz. Para escutar o que mudou depois que a vida se alumiou. Esta história precisava ser contada. Ela é a prova de que catarses, até mesmo nos lugares mais improváveis, impensáveis, quando tudo parece consumado, podem ser reais. E a gente descobre que são esses os renascimentos mais comoventes, os que realmente valem a pena. Os que fazem sentido.

Última terça-feira, 9h40. Chegamos à Associação dos Idosos do Varjão — a menor cidade do DF, com pouco mais de nove mil habitantes e com 46,17% dessa população, quase a metade dela, apenas com o ensino fundamental incompleto e 2,8% analfabetos, mais de 250 pessoas. São dados do último levantamento da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), em 2015. Educadores estimam, contudo, que o número de analfabetos na cidade pode ser muito maior.

Encravada atrás do nobre Lago Norte, no Varjão, torna-se clara a percepção de que como a vida foi dividida entre dois mundos — tão perto, tão colados e ao mesmo tempo anos-luz um do outro. Lá, sentadas em círculos, em cadeiras de escola, estão senhoras com idades variadas — de 35 a 89 anos. E, em cada uma, uma história de recomeço comovente.

“Felicidade é passar o que sei”

O lugar é uma pequena chácara, cercado por mangueiras. E, hoje, povoado por uma gente que caminhou tanto, pelejou tanto, que até os poucos sonhos foram adiados. E agora, depois da peleja, quer pelo menos escrever, literalmente, o que ainda puder ser escrito. E ler, ler tudo que olhos opacos ainda deixarem. Isso se chama luz. Elas foram ali atrás dessa luz.

Perto das mulheres sentadas em círculos nas cadeiras de escola, está a professora: Eunice Nascimento dos Santos, baiana de Correntina, 57 anos, seis filhos e uma história de recomeço. Doméstica a vida inteira nas casas abastadas do Lago Norte, ela sabe a importância de mudar o destino. “Uma ex-patroa minha me incentivou a estudar. Ela me disse que eu era inteligente”, conta. E assim, limpando a arrumando casas e vidas alheias, Eunice acreditou, sobretudo, em si mesma. E foi assim que conquistou cada série escolar. “Eu trabalhava de dia e, à noite, ia para a escola. Eu queria ser diferente, deixar de ser empregada.”

Mas Eunice queria mais. “Eu jurei a mim mesma que não seria doméstica a vida inteira”, diz. Há três anos, aos 53, ela recebeu o que tanto queria. O diploma da faculdade. Formou-se em pedagogia, pagando o curso com o próprio dinheiro.

Três vezes por semana, está ali na Associação dos Idosos do Varjão, voluntariamente, para dizer àquelas mulheres que, não importa o que tenham passado, ainda há tempo para contar outra história. Os homens, sempre em minoria, até se matriculam nas aulas de alfabetização. Nos últimos três anos, 100 mulheres e 18 homens passaram por ali. “Mas depois de um mês, ou até menos, eles somem. Sentem vergonha de alguém saber que eles não sabem ler. É uma pena”, avalia a professora.

E a mulher que aprendeu a ler e escrever adulta, formou-se depois dos 50 e tem três filhos formados, logo se enche de orgulho pelo prazer de tentar mudar rumos: “A felicidade da minha vida hoje é passar o que aprendi para outras pessoas”.

“O mundo tinha cor”

A manhã seria de estudo. No meio das alunas, uma, de longe, chama atenção. Ela fala com os olhos, apesar de parte deles já ter perdido o brilho. Ainda assim, aos 89 anos, quer descobrir a vida, a mesma vida que permaneceu no escuro por mais de oito décadas. Lindaura Graciana Sousa é daquelas pessoas que a gente conhece e quer levar pra casa, de cara. Ela é tão real que emociona qualquer um que tiver o privilégio de ouvi-la.

Baiana de Mundo Novo, Lindaura chegou ao DF antes mesmo de o DF existir. Era 1956. “A gente veio com o sonho da nova capital”, conta. No que hoje é Varjão, ela e o marido se ajeitaram. “Quando nós chegamos, aqui só tinha umas quatro chácaras”, lembra. Lindaura pariu 21 filhos, alguns ainda na Bahia — 13 estão vivos. “Eu tive o meu primeiro com 14 anos. Era tão menina que nem sabia como se tinha. Minha mãe me disse que, quando chegasse a hora, a barriga ia se abrir.”

Lindaura viu e sentiu que a barriga não se abriu. E assim, mesmo sem a barriga se abrir, ela pariu todos os outros, a maioria com parteira. Hoje, tem 42 netos, 37 bisnetos e três tataranetos. “O terceiro tataraneto ainda tá na barriga.”

Sem saber ler e escrever, Lindaura foi aprendendo a tatear a vida. Virou auxiliar de serviços gerais da Secretaria de Educação. Limpava banheiros e sala de aula onde nunca conseguiu se sentar. “Eu ficava só vendo as letras no quadro-negro”, conta. E prossegue: “Passei muita vergonha, não sabia ler o ônibus que eu ia pegar. No trabalho, era uma amiga quem assinava o meu nome. Minha carteira de identidade tinha: ‘Não alfabetizada’. Era muito triste”.

Há três anos, ela chegou à Associação dos Idosos do Varjão. “A Eunice me disse que eu ia aprender a ler. Eu disse que não tinha mais tempo, que tava velha. Ela insistiu. Aí eu comecei de pouquinho.” Passado o tempo, ela hoje conhece as letras, lê um bocadinho e não falta às aulas.

Perto dos 90 anos, a primeira conquista: a nova carteira de identidade, com a própria letra, que demorou quase nove décadas para existir. “Parece que eu renasci”, sente. E, com emoção à flor da pele, diz, com a voz embargada: “Quando eu comecei a ler, eu enxerguei a vida e me enxerguei. E vi que o mundo tinha cor”. Ouvir isso é ter a certeza de que renascimentos diários existem.

“De primeiro, tudo era escuro”

Colega de Lindaura, a paraibana de São José da Lagoa Tapada, perto de Sousa, Rita Leite Martins, de 59 anos, uma filha e três netos, hoje também é só alegria. A arrumadeira das casas do Lago Norte queria muito saber ler. “Eu tinha vontade de ler a Bíblia. Era o meu sonho”, admite.

Hoje, Rita ainda soletra sílaba por sílaba, ainda derrapa nas palavras, mas abre o livro de que mais gosta com prazer. “De primeiro, tudo era escuro. Agora, eu vejo as letras, reconheço as palavras, não pego mais ônibus errado, tenho mais confiança em mim e não sinto mais vergonha de nada.”

Do mesmo entusiasmo de Rita, compartilha a colega de alfabetização Ella Fiamoncino, de 88 anos. Descendente de alemães, Ella nasceu em Ibirama (SC). Mas, em 1978, chegou ao DF com o marido marceneiro. Pararam no então Morro do Urubu, hoje Varjão. Ela se dedicou à criação de galinhas. Hoje viúva, Ella mora com uma das filhas — pariu 10, tem 25 netos, 28 bisnetos e seis tataranetos. A mulher que criava galinhas confessa que sempre quis ser médica. Hoje, com um pouquinho do que tem aprendido nas aulas, adora ler bula de remédio. E confessa uma tristeza: “Casei com 17 anos e lembro que nem meu nome eu soube assinar na hora”.

Ella também admite que até para viajar tudo ficou mais fácil. “Eu leio as placas, as coisas na rua. É uma maravilha.” E decidiu, do alto dos seus 88 anos: “Ninguém me atrapalha mais com nada. Isso é felicidade”.

“Elas nos ensinam a viver”

Antes de essa revolução de vidas chegar a esse lugar, em 2010, uma mulher visionária levou livros, centenas deles, sonho e esperança àquela associação. Por meio do Projeto Bibliotecas Casa do Saber — que durou 10 anos, contou com apoio fundamental da população de Brasília e inaugurou 182 desses espaços pelo DF e muito longe daqui — Carmen Ganzelevitch Gramacho montou mais um lugar voltado à leitura.

É lá na Associação dos Idosos do Varjão que Carmen, 73, moradora do Lago Norte, agora também será uma das voluntárias do curso de alfabetização. Uma vez por semana, ela ajudará ainda mais nos renascimentos de Lindaura, Rita, Ella e de todas aquelas pessoas. “Elas nos ensinam a viver”, diz, emocionada, Carmen. Lindaura, a mulher que limpou privadas e salas de aula por muitos anos e só agora viu sua vida se transformar, é também toda emoção: “O bom pedir faz um bom dar”. Depois, como se estivesse fora dali, em outra dimensão, deixa escapar: “Eu ouço, gosto de perguntar e vou cultivando na memória. Quem não estuda não existe”.

Lindaura, que nasceu num lugar chamado Mundo Novo, lá nos confins da Bahia, de fato, agora enxergou a sua luz. Fez o seu novo mundo. Uma vida mais cidadã. E não importa se isso demorou 85 anos. Hoje, aos 89, ela se olha no espelho e realmente acredita que renasceu. Esta história precisava ser contada.

 Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Projeto na CLDF quer criar delegacia para bichos em situação de maus-tratos

Projeto na CLDF quer criar delegacia para bichos em situação de maus-tratos

Nove projetos voltados para os animais foram apresentados pelos deputados distritais nesta legislatura. A criação do SamuVet e da delegacia para os bichos em situação de maus-tratos chamam a atenção entre as proposições
Distritais apostam em projetos que defendem as causas animais(foto: Breno Fortes/CB/D.A Press )

O brasiliense adora pets. Nos domicílios do DF, há 507 mil cães e 122 mil gatos, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os bichinhos conquistaram também a atenção dos deputados distritais que assumiram mandato em 2019. Três meses e meio após a posse, os parlamentares apresentaram nove projetos de lei voltados para o mundo pet. No ano passado, na legislatura anterior, apenas uma proposição relacionada ao tema foi apresentada na Casa.

Entre as propostas dos distritais, algumas se destacam. Agaciel Maia (PR) propõe a criação de uma delegacia voltada para a proteção animal. A unidade ficaria responsável por registrar ocorrências e instaurar inquéritos relacionados principalmente a abusos, maus-tratos e crimes contra bichos domésticos ou não. “É incontroversa a necessidade de se criar instrumentos públicos para proteção dos animais, uma vez que é público e notório que os mesmos são comumente submetidos a tratamentos cruéis”, diz o deputado, em trecho da justificativa apresentada com a iniciativa.

O deputado Roosevelt Vilela (PSB) é autor de outra ideia que chama a atenção. Ele propôs a instituição de Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) específico para resgate e socorro de animais nas vias públicas do Distrito Federal. O SamuVet teria funcionamento 24h e atenderia bichos que fossem atropelados ou estivessem em situação de rua ou soltos nas vias públicas.

De acordo com o projeto, os veículos do SamuVet teriam estrutura semelhante a um pequeno hospital voltado para os animais, o que permitiria atendimento rápido e dentro das normas até que eles fossem encaminhados para um local adequado a fim de continuar o tratamento. Iniciativas semelhantes são realizadas em cidades como Florianópolis (SC), Campinas (SP) e Salvador (BA). “A implementação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência Veterinário trará grandes benefícios sociais e ambientais para DF, além de contribuir para a conscientização da população sobre a importância de um tratamento digno aos animais”, justifica Vilela.

De acordo com o IBGE, há 507 mil cães e 122 mil gatos nos domicílios do DF(foto: Luciano Selivon/Divulgação )

Barulho

O transtorno causado para os animais pelos ruídos dos fogos de artifício é o alvo de um projeto de lei do deputado Reginaldo Sardinha (Avante). A proposição proíbe a utilização de fogos e artefatos, à exceção dos que não produzem estampidos de alto volume. “O som ensurdecedor e o brilho intenso emitidos em shows pirotécnicos são fontes de perturbação para inúmeras espécies de animais domésticos e silvestres no mundo todo”, argumenta Sardinha.

Além do medo que o barulho causa em bichos sem problemas de saúde, a proposta destaca os danos em pets com problemas cardíacos e neurológicos. “O estresse e o medo podem causar vômitos, falta de ar, convulsões e arritmias cardíacas nesses casos”, alerta. Se o projeto for aprovado, quem descumprir a determinação pagará multa de R$ 2,5 mil, valor que será dobrado em caso de reincidência.

Outra proposição, de autoria dos deputados Eduardo Pedrosa (PTC) e Robério Negreiros (PSD), estabelece permitir a entrada de animais domésticos em hospitais públicos para visitas a pacientes internados. Pedrosa é o parlamentar com mais proposições direcionadas para os pets. São três projetos ligados ao tema.

Tema em alta

O especialista em marketing político Marcelo Vitorino, professor e consultor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), ressalta que a atenção aos pets é um tema em destaque na sociedade atualmente. Isso tem reflexo direto na atuação legislativa, pois motiva parlamentares a se envolverem com o assunto por proximidade ou em busca de mais capital político. “Essa é uma pauta que a população tem olhado bastante e que tem ajudado até a eleger candidatos”, comenta. “Diversos políticos hoje conseguem sucesso por serem defensores da causa animal.”

Do ponto de vista da estratégia política, Vitorino alerta, no entanto, que a atuação precisa ser honesta e que tentar aproveitar a visibilidade do assunto pode não funcionar. “As pessoas que se mobilizam em favor desse tema vão fiscalizar e acompanhar o trabalho de perto. Se o parlamentar ficar só no discurso, não vai conseguir sucesso”, avalia. O especialista frisa que a consolidação de políticos como defensores dessas pautas leva tempo. “Não é algo que se firma em poucos meses. Exige um trabalho longo, com atuação direta e real no tema”, ressalta Vitorino.

Os projetos

Confira propostas relacionadas com pets apresentadas pelos distritais em 2019

» PL nº 258/2019

Institui a Delegacia de Proteção Animal no âmbito do Distrito Federal (DPADF)

Autoria: Agaciel Maia (PR)

» PL nº 203/2019

Assegura, no âmbito do Distrito Federal, a divulgação de informação que facilite e incentive a adoção, o apadrinhamento e o lar temporário de animais

Autoria: Eduardo Pedrosa (PTC)

» PL nº 202/2019

Institui o Certificado Selo de Responsabilidade Social para a causa animal, denominado Parceiros de proteção de animais

Autoria: Eduardo Pedrosa (PTC)

» PL nº 150/2019

Assegura o direito de liberação de entrada de animais de estimação em hospitais públicos para visitas a pacientes internados e dá outras providências.

Autoria: Eduardo Pedrosa (PTC) e Robério Negreiros (PSD)

» PL nº 146/2019

Dispõe sobre a instituição do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência Veterinário (SamuVet) para resgate e socorro de animais nas vias públicas do Distrito Federal

Autoria: Roosevelt Vilela (PSB)

» PL nº 138/2019

Dispõe sobre a cassação da inscrição estadual de empresas que provoquem maus-tratos a animais

Autoria: Cláudio Abrantes (PDT)

» PL nº 109/2019

Autoriza o transporte de animais domésticos no serviço de transporte coletivo de passageiros do Distrito Federal

Autoria: Daniel Donizet (PSDB)

» PL nº 48/2019

Institui a campanha de prevenção ao abandono de animais Dezembro verde.

Autoria: Rodrigo Delmasso (PRB)

» PL nº 38/2019

Proíbe o manuseio, a utilização, a queima e a soltura de fogos ou qualquer artefato pirotécnico que produza estampidos no âmbito do DF

Autoria: Reginaldo Sardinha (Avante)

Memória

Situações recorrentes

No mês passado, alguns casos de maus-tratos chamaram a atenção no Distrito Federal. No Paranoá, um homem de 47 anos foi detido após ser flagrado abusando sexualmente de uma cadela. Em Santa Maria, cinco cachorros foram resgatados pela Polícia Militar Ambiental em situação de maus-tratos. Os animais estavam presos e expostos a sol e chuva. Também não tinham água, comida e condições de higiene.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Cirurgia pioneira no cérebro dá sons e voz a menina 100% surda

Leia, 7, tinha um tipo raro de surdez profunda; seus pais a submeteram a cirurgia pioneira para tentar lhe dar uma oportunidade de ouvir, e sua recuperação superou todas as expectativas.

Leia tinha um tipo raro de surdez profunda — Foto: Guy’s and St Thomas/ NHS

Leia Armitage, 7, viveu em silêncio total durante seus dois primeiros anos de vida. Hoje, graças a uma cirurgia pioneira no cérebro e a anos de terapia, a menina britânica conseguiu descobrir – e usar – a própria voz.

“Ouvimos (dos médicos) que nem se colocássemos uma bomba atrás da orelha dela ela escutaria a detonação”, conta o pai de Leia, Bob, lembrando-se do momento em que descobriu que sua filha bebê tinha um tipo raro de surdez profunda.

Leia não tinha o nervo auditivo, o que significa que nem mesmo aparelhos auditivos ou implantes cocleares poderiam ajudá-la. Eram poucas as perspectivas de que Leia aprendesse a falar.

Diante desse quadro, os pais de Leia brigaram para que ela fosse uma das primeiras crianças britânicas a serem submetidas a uma cirurgia cerebral – ainda arriscada -, para a colocação de um implante auditivo no tronco encefálico.

Leia passou pela cirurgia aos dois anos.

O NHS, sistema de saúde público britânico, afirma que a cirurgia é “capaz de mudar vidas” e que financiará novos procedimentos para outras crianças em situação similar à de Leia.

‘Oportunidade na vida’

Bob conta que foi muito difícil a decisão de submeter a filha à cirurgia, mas que ele e a mulher Alison queriam “dar a Leia a melhor oportunidade na vida”.

O casal esperava que a cirurgia permitisse à menina passar a escutar carros buzinando quando ela atravessasse a rua – para que pudesse, enfim, se locomover fora de casa com mais segurança.

Mas, nos cinco anos passados desde o procedimento, o progresso de Leia superou muito essas expectativas iniciais.

Leia (à dir) com os pais e o irmão; ela superou as expectativas iniciais da cirurgia — Foto: Guy’s and St Thomas/ NHS

Começou devagar, pouco depois da cirurgia, com Leia reagindo a sons como o das portas do metrô.

Aos poucos, ela passou a entender o conceito de som à medida que seus pais repetiam palavras e pediam que ela os imitasse.

Hoje, após anos de fonoaudiologia e outras terapias, ela consegue falar frases completas, cantar músicas e escutar conversas no telefone.

“Se ela estiver no andar de cima da casa e a gente chamar, ela vai ouvir”, conta Bob.

‘Eu te amo’

Mas é na sala de aula (ela frequenta uma escola tradicional, com crianças de audição regular) que Leia está tendo o desempenho mais surpreendente, graças a assistentes que a acompanham individualmente, usando linguagem de sinais.

“Ela está aprendendo cada dia mais e não está muito atrás dos demais na maioria das coisas”, prossegue Bob.

Em casa, o que deixa Bob e Alison mais felizes é ver Leia usando a própria voz.

“‘Te amo, papai’, é provavelmente a melhor coisa que já ouvi ela dizer”, conta ele.

“Quando estou colocando ela para dormir, ela já diz ‘boa noite, mamãe’, algo que eu nunca imaginei ouvir”, agrega Alison.

A cirurgia

A cirurgia pela qual Leia passou é pioneira e envolve inserir um aparelho diretamente no cérebro, para estimular os canais auditivos em crianças nascidas sem os nervos específicos.

Um microfone e um processador de som acoplados ao lado da cabeça transmitem o som ao implante.

Esse estímulo elétrico é capaz de prover sensações auditivas, mas nem sempre consegue restaurar uma audição normal.

No entanto, o otologista Dan Jiang, diretor clínico do Centro de Implantes Auditivos do Guy’s and St Thomas’ NHS Foundation Trust, explica que algumas crianças, como Leia, conseguem desenvolver a fala.

“Os resultados variam muito. Alguns pacientes se saem melhor do que outros”, diz. “Exige adaptação, e crianças pequenas se adaptam melhor, então gostamos de inserir o implante o mais cedo possível.”

Crianças com menos de cinco anos têm mais facilidade em aprender novos conceitos de som e respondem bem a terapias intensivas, ele agrega.

Susan Daniels, executiva-chefe da Sociedade de Crianças Surdas do Reino Unido, afirma, ao mesmo tempo, que “cada criança surda é diferente e, para algumas, tecnologias como implantes cerebrais podem fazer uma enorme diferença em suas vidas”.

“Com o apoio adequado, crianças surdas conseguem se sair tão bem quanto as que escutam, e esse investimento (na cirurgia) é mais um passo importante em direção a uma sociedade em que nenhuma criança surda fique para trás.”

Fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude

Pena maior os assassinos da estudante Maria Cláudia Del’Isola

Em recurso no STJ, MPDFT conseguiu aumentar as condenações do caseiro Bernardino e da empregada Adriana. Crime ocorreu em 2004

O Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) conseguiu decisão favorável no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para aumentar as penas de Bernardino do Espírito Santo Filho e Adriana de Jesus Santos, condenados pelo assassinato da estudante Maria Cláudia Siqueira Del’Isola.

A vitória veio em recurso que contestou decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) que reduziu as penas dos condenados para 44 e 38 anos, respectivamente.

De acordo com a sentença inicial, eles haviam sido condenados a 65 e 58 anos. Após despacho do STJ, proferido no último dia 29, Bernardino do Espírito Santo Filho deve receber a pena de 50 anos e 6 meses, enquanto Adriana de Jesus Santos deverá cumprir 40 anos de reclusão. Ambos em regime fechado. O recurso foi interposto pela Coordenadoria de Recursos Constitucionais do MPDFT.

A dupla foi condenada pelos crimes de homicídio triplamente consubstanciado, estupro, atentado violento ao pudor, ocultação de cadáver e furto qualificado. O MPDFT explica que ainda cabe recurso sobre a decisão.

Preso em 2007, Bernardino Espírito Santo obteve progressão para o semiaberto em 2016 e está no Centro de Internação e Recuperação (CIR). Segundo o MPDFT, Adriana está no mesmo regime, com trabalho externo. Com a nova decisão, a situação prisional dos réus deve ser reanalisada pela Vara de Execuções Penais (VEP).

Entenda o caso
O crime ocorreu em dezembro de 2004 e foi considerado um dos assassinatos mais bárbaros do Distrito Federal. Bernardino do Espírito Santo era caseiro da família de Maria Claudia Del’Isola, enquanto Adriana de Jesus, sua namorada, trabalhava como empregada doméstica na mesma residência.

O caso aconteceu no Lago Sul, um dos bairros mais nobres de Brasília.

Antes de sair para a faculdade, a vítima foi abordada pelo casal, agredida com um soco e obrigada a informar a senha do cofre. Em seguida, estuprada, esfaqueada e morta com um golpe de pá na cabeça. A dupla enterrou a universitária debaixo da escada principal da residência. O corpo foi encontrado três dias depois.

O Metrópoles tenta contato com os advogados de Bernardino e Adriana. (Com informações do MPDFT)

Saiba mais em: www.metropoles.com

Justiça aumenta pena de casal que matou Maria Claudia Del’Isola

 

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) deu parecer favorável ao pedido do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) que solicitou o aumento da pena para os réus Bernadino do Espirito Santo Filho e Adriana de Jesus Santos, casal acusado de matar Maria Cláudia Del’Isola em 2004. Cabe recurso da decisão.

Os dois haviam sido condenados a 65 e 58 anos de prisão pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), mas recorreram da decisão e conseguiram a redução para 44 e 38 anos de prisão em regime fechado, respectivamente.

Após decisão do STJ, proferida na última sexta-feira (29/3), Bernardino Filho deve receber a pena de 50 anos e seis meses, enquanto Adriana Santos deverá cumprir 40 anos de reclusão, ambos em regime fechado.

Eles foram condenados pelos crimes de homicídio triplamente consubstanciado, estupro, atentado violento ao pudor, ocultação de cadáver e furto qualificado.

Preso em 2007, Bernardino Espirito Santo obteve progressão para o regime semiaberto em 2016. Com a nova decisão, a situação prisional do réu deve ser reanalisada pela Vara de Execuções Penais.

Morta em casa

Durante três dias, a família de Maria Cláudia acreditava que a jovem estivesse desaparecida. Somente em 12 de dezembro eles descobriram que a filha mais nova estava morta e enterrada dentro da própria casa, perto do jardim.

O crime teria sido planejado por Bernadino, de acordo com os depoimentos de Adriana à polícia. Ela relatou, em depoimento, que decidiu apoiá-lo porque tinha inveja e ciúmes da estudante por ela ser “rica e bonita”, enquanto Adriana era “pobre e feia”. Os assassinos recebiam ajuda dos patrões para criar o filho único do casal.

Veja mais em : www.correiobraziliense.com.br