Brasília insegura: onda de assassinatos aterroriza moradores

Somente em setembro de 2019, foram registrados 34 assassinatos. O número é 21,43% mais alto do que o computado no mesmo período de 2018

Motoristas de aplicativos executados de forma brutal, morte em posto de combustível, latrocínio na porta de supermercado, feminicídios e padre estrangulado no quintal da igreja. A onda de assassinatos registrados na capital do país nos últimos dias assustou a população e fez até o governador pedir desculpas pela violência crescente.

A sensação de insegurança é corroborada por estatísticas oficiais: em setembro deste ano, ocorreram 34 assassinatos. O número representa 21% de casos a mais do que o registrado no mesmo período de 2019, quando 28 vidas foram tiradas de forma violenta. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do DF e contemplam homicídios e latrocínios. O mês de outubro só está na metade e já computa diversos episódios bárbaros.

Os mais recentes ocorreram nesse fim de semana. O corpo de Henrique Fabiano Dias Coelho foi encontrado no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) na madrugada de domingo (13/10/2019) e o de Tiego Cavalcante na sexta-feira (11/10/2019), em Samambaia. Os dois eram condutores de apps de corrida de passageiros.

Fonte: metropoles.com

Pesquisa contra a pobreza leva Nobel de Economia

Prêmio é concedido a Esther Duflo, Abhijit Banerjee e Michael Kremer, por seus estudos para melhorar políticas públicas e educação da população carente. Franco-americana é segunda mulher a ganhar a honraria, além de ser a mais jovem


Uma abordagem experimental para combater a pobreza garantiu o Nobel de Economia ao trio formado pelo indiano naturalizado americano Abhijit Banerjee, o americano Michael Kremer e a franco-americana Esther Duflo. Ao anunciar o prêmio ontem em Estocolmo, o comitê do Nobel destacou que as pesquisas do trio “melhoraram consideravelmente a capacidade de combater a pobreza global” com novas e melhores abordagens que permitem, por exemplo, ações mais eficazes para melhorar a saúde infantil e o desempenho escolar.

Eles usam uma metodologia experimental, elogiada por pesquisadores brasileiros da área de desigualdade. Em meados de 1990, o grupo testou uma série de intervenções que melhoraram resultados escolares no Quênia. Na Índia, mais de cinco milhões de crianças foram beneficiadas por programas de aulas de reforço desenvolvidos com base em seus estudos.

O trio faz experimentos aleatórios de campo para estudar os efeitos da extrema pobreza, buscando entender as melhores formas de evitála. Tradicionalmente, essas pesquisas eram feitas com base em observação, sema ação do investigador.

— Nosso objetivoéasseg ur arque oc om bateà pobrezas e baseie em provas científicas— disse Esther em teleconferência, ao comentar o prêmio. — Os pobres muitas vezes são reduzidos a caricaturas, e com frequência até as pessoas que tentam ajudar não entendem a origem do problema.

Professora de economia do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Esther é a segunda mulher a vencer o Nobel de Economia, depois de Elinor Ostro, em 2009. Aos 46 anos, ela também é a pessoa mais jovem a receber o prêmio. Esther, que em 2010 ganhou a medalha John Bates Clark, é casada com Banerjee.

‘DIAGNÓSTICO PRECISO’

Banerjee também é professor do MIT, enquanto Kremer atua na Universidade de Harvard. Os três vão dividir o prêmio, de US$ 915 mil.

Nos estudos do trio, a fim de verificar a eficácia de uma política pública, a população é dividida em grupos. Essa divisão, no entanto, é feita de forma randômica, a fim de que a avaliação seja feita com diferentes tipos de indivíduos, sem um viés —algo comum na indústria farmacêutica, por exemplo.

—A adaptação dessa metodologia para a economia é muito complexa. É um trabalho muito bem feito para analisar a pobreza, identificando onde eram eficazes certas intervenções do governo, como em saúde, educação e microcrédito —destaca Aloisio Araujo, professor da FGV.

Na Índia, Banerjee, Esther e Kremer comandaram um experimento para verificara melhor maneira dede vacinar a população. Eles usaram um centro móvel de profissionais de saúde, que ia até as pessoas. Com isso, a cobertura de vacinação aumentou de 6% para 18%. Em algumas áreas, era oferecido um saco de lentilhas para as famílias que vacinassem seus filhos. Nesse grupo, a taxa subiu para 39%.

Em outro estudo, o grupo mostrou que os mais pobres são extremamente sensíveis a preços nos cuidados de saúde preventivos. Na Índia, se uma pílula contra vermes for gratuita, 75% dos pais vão usá-la em seus filhos. Se ela tiver um preço, ainda que seja inferior a US$ 1, a taxa cai a 18%.

— Ter o diagnóstico preciso do comportamento das pessoas é necessário para o desenho de boas políticas sociais. Para eles, a identificação de impactos deve ser robusta, daí defenderem de forma tão insistente o uso de avaliações aleatorizadas — afirma Luis Henrique da Silva Paiva, cientista social do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Sergei Soares, também do Ipea, admite que essa metodologia é pouco explorada no Brasil, em parte pelo custo:

—São dificuldades de recursos e de procedimentos. Às vezes, é difícil levar uma pesquisa assim adiante, pois existem limitações técnicas mais fortes. Qualquer coisa feita com pessoas no Brasil tem que passar por uma comissão de ética.

*Com agências internacionais

Fonte: https://www.globo.com/

Polícia busca autor do 25º feminicídio do ano no Distrito Federal

Polícia busca por Wellington de Sousa Lopes, 37 anos, autor 25º feminicídio do ano. Ele assassinou a facadas a companheira, no Riacho Fundo 1
Mais dois casos de feminicídio foram registrados no Distrito Federal, contabilizando 25 mortes de mulheres em 2019, conforme levantamento do Correio. No domingo, Adriana Maria de Almeida, 29 anos, morreu após levar 32 facadas do marido, Wellington de Sousa Lopes, 37. Ele conseguiu fugir e não foi encontrado até o fechamento desta edição. Na manhã de ontem, Tatiana Luz da Costa, 35, morreu no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Ela teve 90% do corpo queimado em 23 de setembro. De acordo com a polícia, Vanessa Pereira de Souza, 34, companheira de Tatiana, é a principal suspeita de atear fogo.

Adriana e Wellington estavam juntos há sete anos e tinham uma filha de 5 anos. Atualmente, moravam em um apartamento, localizado no Conjunto 4 do Setor Placa da Mercedes, no Riacho Fundo 1. O casal havia saído no sábado e retornou de carro para casa. No início da manhã de domingo, entre 8h e 9h, eles discutiram, segundo o delegado Mauro Aguiar Machado, chefe da 29ª Delegacia de Polícia (Riacho Fundo 1).

“Testemunhas relataram que houve gritos e, pouco depois, um silêncio. Eles não chegaram a estranhar a situação, pois o casal costumava discutir. A maior parte das brigas eram por causa de ciúmes de Wellington. No domingo, não foi diferente. A quantidade de facadas que o autor deu em Adriana mostra o quão possesso de ódio ele estava”, destacou o investigador. A criança do casal estava com familiares no fim de semana.

Mauro Aguiar explicou que Wellington usou uma faca do tipo peixeira para atacar Adriana. Ela morreu na sala e a arma do crime ficou no banheiro da residência. Depois da tragédia, o motorista de transporte pirata pegou roupas e outros pertences pessoais, colocou em uma mala e fugiu. Uma câmera de segurança da região flagrou o instante em que o acusado coloca seus pertences no banco de trás do veículo dele, um Fiat Palio Fire Economy prata — placa JHZ3082.

Wellington deu a partida no automóvel e deixou a casa às 9h25. O corpo de Adriana só foi descoberto mais de 10 horas após o assassinato brutal. Familiares da vítima se preocuparam quando ela não atendeu às ligações ou respondeu às mensagens do WhatsApp. “Dois parentes vieram até a casa e escutaram o som ligado, alto. Eles bateram na porta e, como ninguém atendeu, chamaram um chaveiro. Ao abrir a porta da residência, se depararam com a mulher já morta”, explicou o delegado.

Agora, agentes da 29ª DP estão nas ruas para tentar chegar até Wellington. O investigador Mauro Aguiar pediu ajuda da população para elucidar o caso. Quaisquer informações podem ser repassadas anonimamente pelo 197. “Não resta dúvidas de que o marido de Adriana é o autor. As imagens, relatos de conhecidos, assim como o histórico do relacionamento, indicam Wellington como suspeito”, garantiu.

De acordo com a Polícia Civil, Adriana abriu dois boletins de ocorrência contra o marido, em 2015 e 2017, respectivamente. Os casos ocorreram na Área de Desenvolvimento Econômico de Águas Claras e em São Sebastião, respectivamente. Em ambos os relatos, a vítima afirmou ter sido agredida e ameaçada de morte por Wellington. Ela chegou a receber medidas protetivas, mas revogou o pedido na Justiça.

Queimada viva
Tatiana Luz da Costa morreu às 6h15 de ontem, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. A informação foi confirmada pela Polícia Civil. Ela estava internada em estado gravíssimo no Hran, desde que foi atacada pela mulher, Vanessa Pereira. O caso ocorreu em 23 de setembro, no Residencial Total Ville, em Santa Maria.

A vítima foi socorrida pelos bombeiros em casa com 90% do corpo queimado. O incêndio começou no sofá da sala e não se estendeu para outros cômodos da residência, graças a ação da corporação. Vanessa também precisou ser internada no Hran, pois sofreu queimaduras em 40% do corpo. Ela está presa preventivamente, em um leito da unidade, com escolta policial.

Segundo o delegado Alberto Rodrigues, chefe da 33ª DP (Santa Maria), com a morte de Tatiana, o caso evoluiu para feminicídio. “Quando ela deu os primeiros esclarecimentos, alegou que o incêndio foi acidental. Mas ela já havia mandado mensagens para a vítima, afirmando que iria matá-la queimada”, explicou o investigador.

Onde procurar ajuda
Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência — Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República

Telefone: 180 (disque-denúncia)

Centro de Atendimento à Mulher (Ceam)

» De segunda a sexta-feira, das 8h às 18h
» Locais: 102 Sul (Estação do Metrô), Ceilândia, Planaltina

Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam)

» Entrequadra 204/205 Sul – Asa Sul
(61) 3207-6172

Disque 100 — Ministério dos Direitos Humanos

Telefone: 100

Programa de Prevenção à Violência Doméstica (Provid) da Polícia Militar

Telefones: (61) 3910-1349 / (61) 3910-1350

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Gêmeas siamesas separadas no DF dão primeiros passos sozinhas

Mãe das meninas gravou momento familiar em que as duas mostram desenvoltura para percorrer pequenas distâncias sem perder o equilíbrio.

Cinco meses depois da cirurgia na qual foram separadas, as gêmeas siamesas brasilienses Mel e Lis estão dando os primeiros passos sozinhas. Na última sexta-feira (27/09/2019), a mãe das meninas, Camilla Vieira Neves, 25 anos, gravou vídeos caseiros em que elas mostram autonomia para percorrer pequenas distâncias sem precisar de auxílio para manter o equilíbrio.

Além dos familiares, a equipe médica que realizou a separação das gêmeas craniópagos comemorou o progresso no desenvolvimento das meninas. “Significa que a recuperação delas está indo muito bem e que devem cumprir nossa expectativa de que não apresentem sequelas”, informou o neurocirurgião Benício Oton de Lima, que comandou a equipe que fez a separação das gêmeas. O procedimento, de alta complexidade e inédito no país, foi realizado em 27 de abril de 2019 no Hospital da Criança de Brasília.

Mel e Lis, que nasceram unidas pela parte da frente da cabeça, completam um ano e quatro meses na terça-feira (01/10/2019). As duas continuam a cumprir uma rotina de cuidados no Hospital da Criança. As meninas frequentam a unidade médica duas vezes por semana para sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.

O médico Benício Oton de Lima lembra que, antes da cirurgia, elas tentavam engatinhar e não conseguiam justamente por conta da condição em que nasceram. “O desenvolvimento motor delas está compatível com crianças da mesma faixa etária, isso nos deixa muito esperançosos”, afirmou

A nova etapa emocionou a mãe das meninas. “Eu sempre sonhei com o dia em que elas seriam crianças normais. Vê-las andando sozinhas foi muito especial”, afirmou Camilla.

Fonte: metropoles.com

Meninos….

MENINOS-SOLDADOS
A INFÂNCIA A SERVIÇO DO TRÁFICO DE DROGAS
Violência e metas a bater: menores no narcotráfico é uma das piores formas de trabalho infantil, segundo a OIT. Realidade que deve ser tratada como exploração, e não crime, de acordo com especialistas

A cicatriz no ombro diminuía à medida que Thiago Alves Moreno crescia. É a marca de uma guerra urbana: aos 13 anos, ele sofreu o primeiro ataque a facadas em briga por drogas. Com 12 anos, Alessandro da Silveira Maciel viu-se privado de liberdade. Antes de completar 18 anos, Jeconias Lopes já tinha 11 passagens pela Delegacia da Criança e do Adolescente.

Eles aceitaram contar suas histórias de exploração pelo tráfico de drogas vividas na infância e adolescência. Descrevem uma realidade que afeta milhares de crianças e jovens a serviço do narcotráfico no Brasil, inclusive na capital do país, no quintal dos Três Poderes da República.

Quem deveria manusear livros e brinquedos tem em punho armas de fogo e carrega na mochila porções de entorpecentes para negociar com consumidores. Trata-se de um mercado no qual é preciso bater metas, respeitar hierarquias, cumprir longas jornadas e correr iminente risco de morte.

Apesar de constar na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a atuação de crianças e adolescentes no tráfico de drogas não é considerada como trabalho infantil pela Justiça brasileira.

Assim, prevalece o aspecto de ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o que leva à aplicação de medida socioeducativa ao menor de 18 anos, mas não à proteção de direitos fundamentais.

O Brasil é signatário da Convenção 182 da OIT e, por meio do Decreto nº 3.597/2000, enquadra o tráfico como trabalho infantil, determinando ações imediatas para sua eliminação. Estudos apontam ambiguidade jurídico-normativa em relação ao tema. Enquanto não se chega a um entendimento, a juventude em situação de vulnerabilidade social fica refém de um Estado que não cumpre as leis e, assim, condena o próprio futuro.

INFÂNCIA E JUVENTUDE EXPLORADAS
A EXPRESSÃO “AS PIORES FORMAS DE TRABALHO INFANTIL” ABRANGE:

TODAS AS FORMAS DE ESCRAVIDÃO OU PRÁTICAS ANÁLOGAS À ESCRAVIDÃO, TAIS COMO A VENDA E TRÁFICO DE CRIANÇAS, A SERVIDÃO POR DÍVIDAS E A CONDIÇÃO DE SERVO, E O TRABALHO FORÇADO OU OBRIGATÓRIO, INCLUSIVE O RECRUTAMENTO FORÇADO OU OBRIGATÓRIO DE CRIANÇAS PARA SEREM UTILIZADAS EM CONFLITOS ARMADOS.

⇒ A UTILIZAÇÃO, O RECRUTAMENTO OU A OFERTA DE CRIANÇAS PARA A PROSTITUIÇÃO, A PRODUÇÃO DE PORNOGRAFIA OU ATUAÇÕES PORNOGRÁFICAS.

⇒ A UTILIZAÇÃO, O RECRUTAMENTO OU A OFERTA DE CRIANÇAS PARA A REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES ILÍCITAS, EM PARTICULAR A PRODUÇÃO E O TRÁFICO DE ENTORPECENTES, TAIS COM DEFINIDOS NOS TRATADOS INTERNACIONAIS PERTINENTES.

⇒ O TRABALHO QUE, POR SUA NATUREZA OU PELAS CONDIÇÕES EM QUE É REALIZADO, É SUSCETÍVEL DE PREJUDICAR A SAÚDE, A SEGURANÇA OU A MORAL DAS CRIANÇAS.

Fonte:
OIT

“A GENTE CHAMA O TRAFICANTE DE PAI”
Thiago Alves Moreno, 26 anos

“Desde os 13 anos, eu moro sozinho. Comecei a traficar com 12, na Favelinha, uma área do Recanto das Emas. Só entende isso quem sabe da realidade. Não tinha cama na minha casa, era um colchão no chão. Quando meu pai saía pra trabalhar, tinha que pular por cima da gente. E ele dizia: ‘Esses vagabundos vão ficar dormindo?’. Isso a gente era criança. Fiz até a sétima série, porque meu foco era ganhar dinheiro.

Uma criança que nem eu já cresce na ira. Meu pai era alcoólatra, vendeu a nossa casa e gastou tudo com bebida. Ele nos xingava e nos batia. Não tinha teto, não tinha comida, a gente vivia no esgoto a céu aberto. Como que eu ia abrir a porta para viver fora da guerra? Todo dia tinha três, quatro, mortos na rua. Precisava pular o cadáver para ir à escola. Nunca sonhei com nada, nunca me imaginei fora daquilo.

Com 14 anos, eu vendia 2 kg de maconha em uma semana. Não tinha nem guarda-roupa, ficava tudo na mochila. Eu achava que aquilo era um ganha-pão. Comecei de aviãozinho, ia buscar lanche para o traficante. Depois fui ser vapor, comecei a vender. Se agrada ao patrão, você vai crescendo até ser o braço direito dele.

Quando eu tinha 13 anos, tentaram arrancar meu braço com um facão numa briga por ponto de venda de droga. Levei 52 pontos. A cicatriz foi diminuindo enquanto eu crescia, mas ainda está aqui. Tenho marca de tiro e de outra facada também. Tudo isso antes dos 15 anos. É um milagre eu estar vivo.

A gente chama o traficante, o chefe, de pai. Pega uma arma e diz: ‘Ó como eu tô bonito, pai’. Minha primeira medida socioeducativa foi com 14 anos. Ali você tem que decidir se é 100% do crime ou 100% trabalhador. Na primeira opção, você esquece que tem família e vai viver para o tráfico. Fui até o Paraguai buscar droga. Eu tinha a chance de ganhar em um dia três vezes o que receberia por um mês num serviço comum. Só que nessa o crime leva o que você tem de mais precioso, a alma.

Tem um ditado que diz: ‘O que põe a droga na favela não morre por ela’. Os caras vão ficando ricos e saem da favela. Até que ficam só os ‘de menor’ na linha de frente. Quem está levando tiro é o soldadinho. Eles vão criando soldados e ligeiramente se desligam dali. O peso fica nas costas da criança e do adolescente, que são o ponto de equilíbrio da bocada.

Quando eu tinha 18 anos, o Yago, meu filho, nasceu. Aí pensei: ‘Não vou deixá-lo viver com um pai ausente’. Tenho três filhos, já catei lixo, sou carpinteiro, pedreiro. Mas não é fácil, agora mesmo estou desempregado. Não falta convite para o mal. Escrevi na parede do quarto: ‘A carne é fraca quando a conduta não é forte’. Se não me conhece, não me odeie. Estou tentando escrever uma história diferente.”

“COM 12 ANOS, EU JÁ FAZIA O CORRE. PERDI A INFÂNCIA ATRÁS DAS GRADES”
Alessandro da Silveira Maciel, 20 anos

“Cresci na Quadra 2 de Sobradinho, ao lado da [Vila] Dnocs. Minha mãe é secretária, meu pai, eletricista. Tenho quatro irmãos, todo mundo sempre trabalhou. Na escola, conheci minha primeira droga, a maconha. Eu olhava as pessoas que traficavam no bairro e pensava: ‘Como elas têm tanto dinheiro?’. Resultado: aos 12 anos, tive minha primeira passagem. Já pensou como é para uma criança ir para a cadeia? O Caje [extinto Centro de Atendimento Juvenil Especializado] era uma cadeia, com outro nome, mas era.

Nesse tempo, eu parei de brincar. Antes soltava pipa na rua, depois passei a manusear armas, como todo traficante. Com 14 anos, comprei a minha e até os 17 tive cinco passagens por porte ilegal [de arma de fogo].

Comecei vendendo 5 kg de crack. Ia dividindo em doses. Depois, eram 10kg. Uma dola é tipo 1 grama, custava uns R$ 10. Eram 20 dolas pro traficante e 10 para mim. Fiquei oito anos nessa. A gente vai crescendo, vai batendo meta. É o que tem por perto, um círculo vicioso. Pegava a droga na boca na segunda e tinha que vender até o sábado. Dava para tirar R$ 2,5 mil em uma noite sem fazer nada.

Quem financia o tráfico é a burguesia, que não tem vergonha de comprar droga de criança. O tráfico está em todos os lugares: na porta do bar, da escola, do supermercado, na cara do Congresso Nacional.

No fim, eu tinha 23 passagens pela polícia. Cumpri a medida [socioeducativa] mais longa dos 16 aos 20 anos. Na primeira, eu estava na 5ª série. Quando saí, já estava no 1º ano do ensino médio. Perdi a infância atrás das grades. Uma coisa vai puxando a outra. A maioria dos meus amigos também tinham 12 ou 13 anos quando começou nisso e hoje mais de 15 morreram. A disputa por ponto onde vender gera muita morte, surras. A expectativa de vida não chega a 18 anos. Quem sobreviveu é porque está na igreja.

O fato de o meu pai ter morrido me influenciou muito também. Com 12 anos, eu já fazia o corre. Na primeira vez que rodei, dois policiais descaracterizados me pegaram vendendo. Prisão era só um lugar onde eu conhecia gente e fazia contato. Saía de lá com um monte de esquema, um tempo totalmente perdido.

Podia ter saído da internação com um curso de cozinheiro, de padeiro, mas não tinha nada disso. Era só um lugar para apanhar e ser chamado de bicho. Os educadores lá dentro diziam que a gente não tinha jeito. É um ensaio para a cadeia, porque o futuro da criança que trafica é virar adulta e ir para a cadeia, se sobreviver.

Tem quatro meses que saí. Fiz novas amizades, mudei de bairro, conheci os amigos do Clube da Leitura.

Comecei a entender de amor próprio, penso muito no tempo que perdi. Terminei o ensino médio e quero entrar em um cursinho, fazer faculdade. Quero ser a prova de que as pessoas mudam.”

MUITO ANTES DE UM CRIME, PARA CRIANÇAS O TRÁFICO É UMA VIOLAÇÃO DE DIREITOS
Jeconias Lopes, 27 anos

Quem vê Jeconias Lopes de terno e gravata, falando articuladamente sobre maioridade penal — ele é contra a redução —, educação, literatura, sociologia, religião e desigualdade social não imagina o passado dele.

Aos 13 anos, o então adolescente cumpriu sua primeira medida socioeducativa, no antigo Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje). Antes dos 18, já tinha 11 passagens pela Delegacia da Criança e do Adolescente. Ele é de família pobre, cresceu no bairro Areal, em Taguatinga (DF), e frequentou escolas públicas. “A gente ia ao colégio procurar educação e encontrava droga na porta. A rua não tinha esgoto, asfalto, nada do básico”, lembra.

Nesse contexto social e sem uma família estruturada, Jeconias logo foi recrutado pelo tráfico. Como já sabia dirigir muito antes da maioridade, tornou-se motorista do grupo. Até que acumulou dinheiro suficiente para comprar a própria droga e revendê-la. “Na escola, você é tratado como um moleque levado. No tráfico, é sujeito homem com 12 anos. A educação tem que encontrar o caminho para concorrer com isso”, afirma.

Ele perdeu as contas de quantas vezes esteve em unidades de internação — acha que foram 26, pelo menos. Ao sair vivo do sistema socioeducativo, o adolescente é aclamado e ganha o respeito de seus pares na comunidade. “O jovem chama o tráfico de trampo, de corre, é um trabalho e também uma violação de direitos”, diz.

O ponto de virada para Jeconias foi o acesso à educação e o apoio da mãe, uma cozinheira que jamais se envolveu com atos ilícitos. “Não sei como seria se ela tivesse desistido de mim. Quem não acredita na mudança nega a própria existência humana. A natureza muda o tempo todo, os planos, por que não as pessoas?”, explica.

Ao deixar o sistema, o rapaz encontrou, por meio de contatos da mãe, um projeto social da Igreja Adventista no qual jovens comercializavam livros para custear os estudos. Também vendeu dindim na rua para juntar dinheiro e estudar.

Por intermédio desse programa, Jeconias fez teologia na Universidad Adventista del Plata, na Argentina, onde formou-se em 2017. Lá, ele conheceu o professor romeno Laurentiu Ionesco, responsável por alimentar no jovem o amor pela leitura. O educador o apresentou a Victor Hugo, George Orwell e Fiódor Dostoiévski, entre dezenas de outros grandes autores.

Foi a primeira vez que Jeconias teve contato com obras clássicas. Encantou-se por Jean Valjean, o protagonista de Os Miseráveis, do escritor Victor Hugo. Na trama, o personagem é preso por roubar pão para alimentar sua família. Com Dostoiévski, em Crime e Castigo, conheceu o conceito de ter “um caráter todo feito de imprevistos”.

Ao pensar sobre desigualdade social, Jeconias viu-se como protagonista da própria história e decidiu escrever um final diferente. Quando retornou ao Brasil, fundou um clube de leitura com ex-detentos, que passaram a dar palestras em presídios e unidades de internação de menores.

Jeconias também tornou-se embaixador da Juventude da Organização das Nações Unidas (ONU). Para tanto, inscreveu seus projetos sociais em um concurso da entidade, no qual a primeira etapa era análise de currículo. A segunda fase consistia em enviar um vídeo explicando o porquê de ser merecedor da vaga. A peneira reduziu o número de concorrentes para 50. O ex-interno do Caje ficou entre os 20 melhores colocados e conquistou o título.

Atualmente, ele auxilia 150 famílias em Samambaia e 138 crianças em Planaltina (ambas cidades da periferia do Distrito Federal), por meio da Adra Brasil. A entidade é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) de objetivos assistenciais, beneficentes e filantrópicos da qual Jeconias é diretor-geral. Com frequência, ressoa em sua mente um trecho de Crime e Castigo: “Que é que os homens temem, acima de tudo? O que for capaz de mudar-lhes os hábitos”.

CONHEÇA O PROJETO DE LITERATURA QUE UNIU AS VIDAS DE JECONIAS, ALESSANDRO E THIAGO:

Ex-detentos criam clube do livro e descobrem o poder da literatura

PACTO PARA SALVAR A INFÂNCIA
Para garantir o cumprimento da lei, um grupo formado por defensores da infância e da juventude elaborou recentemente relatório com proposições voltadas ao combate do aliciamento de crianças e adolescentes pelo narcotráfico. As medidas tratam essa realidade como trabalho infantil, e não pelo viés criminal. A iniciativa reuniu representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), da OIT e do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), além de acadêmicos e membros de organizações não governamentais (ONGs).

“Além da responsabilização desse jovem, é preciso garantir o seu retorno à escola, oferecer profissionalização, assistência social, condições para que se desenvolva plenamente. A punição sem o reconhecimento da violação de direitos não é transformadora”, explica a socióloga Isa Oliveira, secretária-executiva do FNPETI.

O objetivo dos encontros mantidos pelo grupo era chegar a um consenso com argumentos qualificados para reconhecer a atuação desses jovens no tráfico como trabalho infantil. Foram ouvidos inclusive gestores do poder público e responsáveis pela aplicação das medidas socioeducativas. Reforçou-se a conclusão de que o tráfico de drogas é uma cadeia de comercialização, uma rede de trabalho estruturada em etapas produtivas.

Do debate saíram reflexões que foram enviadas aos principais órgãos públicos, como o Ministério do Desenvolvimento Social, e a instâncias da Justiça relacionadas à infância e à juventude.

“A intenção é que exista uma articulação de políticas e serviços para garantir a reinserção desse adolescente na sociedade”, afirma Isa. “É preciso sensibilizar a Justiça para haver o entendimento de que esse jovem é uma responsabilidade de toda a sociedade”, reforça.

O relatório sugere ações de fortalecimento de escolas e comunidades, como projetos artísticos ou esportivos, e a criação de locais de lazer. “As praças estão tomadas pelo tráfico. É preciso reaver esses espaços, oferecer encantamento ao jovem. A gente não pode continuar perdendo as nossas crianças para violência”, conclui a socióloga.

O ORGANOGRAMA DO TRÁFICO
O RECOLHE É O GERENTE (RECOLHE O DINHEIRO DE TODAS AS BOCAS DO MESMO DONO) E FAZ O “FECHA” DA SEMANA (CONTABILIDADE). RECEBE R$ 2 MIL POR SEMANA (*).

O VENDEDOR GANHA 10% OU 15% DE COMISSÃO SOBRE O VALOR VENDIDO NO DIA. PODE FLEXIBILIZAR O TRABALHO E CHAMAR OUTRA PESSOA PARA ATUAR JUNTO COM ELE.

O CAMPANA “GUARDA A LIBERDADE” DO VENDEDOR E O FUNCIONAMENTO DA “BIQUEIRA”. GANHA ENTRE R$ 50 E R$ 60 POR 12 HORAS DE TRABALHO (*).

O ABASTECE PODE TRABALHAR EM APENAS UMA BIQUEIRA OU EM VÁRIAS. CUIDA DO LOCAL ONDE A DROGA FICA GUARDADA OU PODE TRANSPORTÁ-LA. GANHA ENTRE R$ 600 E R$ 1 MIL POR SEMANA, DEPENDENDO DO MOVIMENTO

QUANDO O TRÁFICO OFERECE UM LUGAR NO MUNDO
A exploração de crianças e adolescentes no tráfico de drogas não segue a mesma dinâmica em todos os estados brasileiros, mas, ainda assim, o perfil das vítimas se repete Brasil afora: jovens negros e pobres.

A pesquisa “Tráfico de drogas entre as piores formas de trabalho infantil: mercados, famílias e rede de proteção social”, lançada ano passado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em São Paulo, ajuda a compreender a realidade de jovens explorados pelo tráfico na capital paulista.

Dos 9.127 internos da Fundação Casa, 40% respondem por tráfico de drogas. Por meio de geoprocessamento, a pesquisa criou mapas que mostram o local de atuação e de moradia de parte desses adolescentes.

“A maioria é negra e pobre. Além disso, vive muito perto de onde trabalha, o que caracteriza um trabalho quase doméstico”, relata a cientista social Ana Paula Galdeano, que coordenou o estudo ao lado do pesquisador Ronaldo Almeida.

De 14 adolescentes diretamente entrevistados (pais e agentes socioeducativos também foram ouvidos), 11 têm familiares presos. Entre eles, seis tiveram parentes assassinados. O estudo conclui que é preciso oferecer medidas protetivas a esses jovens, o que envolve acompanhamento escolar e assistência social.

“No debate público, a categoria ato infracional análoga ao crime de tráfico é mais enfatizada. A perspectiva do trabalho infantil não é considerada. O resultado são as facções criminosas incorporando esses adolescentes como mão de obra. O crime dá um lugar no mundo para eles”, ressalta a cientista social.

COTIDIANO DE TRABALHO
FALTAS E “RAMELADAS” SÃO PUNIDAS COM ADVERTÊNCIA, SUSPENSÃO DO TURNO OU PENALIDADES MAIS SEVERAS E PODEM CAUSAR A PERDA DO TRABALHO.

ENVOLVE SITUAÇÕES MENTALMENTE, FISICAMENTE, SOCIALMENTE E MORALMENTE PERIGOSAS E PREJUDICIAIS.

TRABALHO EXAUSTIVO, PROLONGADO E NOTURNO.

INCAPACIDADE DE FREQUENTAR A ESCOLA.

CONTATO COM SUBSTÂNCIAS QUE OFERECEM RISCO À SAÚDE.

ADOLESCENTES VIVEM ONDE TRABALHAM. AS FRONTEIRAS ENTRE A VIDA PESSOAL E O TRABALHO SÃO BORRADAS. OS JOVENS FICAM MAIS EXPOSTOS A FORMAS DE ASSÉDIO E DE COERÇÃO POR PARTE DE SEUS SUPERIORES.

O VENDEDOR SUBORNA A POLÍCIA E É OBJETO DE “RESGATE” PARA “ACERTOS” COM O DONO DA BIQUEIRA.

O ENFOQUE DA REPRESSÃO ESTÁ JUSTAMENTE NO PEQUENO OPERADOR, MAIS MARGINALIZADO E VULNERÁVEL.

RIO DE JANEIRO, FÁBRICA DE MENINOS-SOLDADOS
O Observatório das Favelas monitora a presença de crianças e adolescentes no tráfico de drogas no Rio de Janeiro. O percentual de pessoas com idade entre 10 e 12 anos que entram para essa atividade ilegal na capital fluminense passou de 6,5% em 2006 para 13% em 2017, segundo o estudo “Novas configurações das redes criminosas após a implantação das UPPs”.

Foram 261 entrevistados no Departamento Geral de Ações Socioducativas (Degase) e em comunidades do Rio. A maioria tem entre 16 e 24 anos (62,8%); 96,2% são do sexo masculino; e 72% se declararam pretos ou pardos.

“Grande parte deles é proveniente de famílias numerosas, chefiadas por mulheres com baixo nível de renda. Esses elementos indicam que o problema está associado a desigualdades socioeconômicas, raciais, etárias e de gênero”, relata Raquel Willadino, diretora do Observatório das Favelas.

A pesquisa traz análise sobre o perfil e as práticas de jovens inseridos na rede do tráfico de drogas no varejo em favelas do Rio de Janeiro. Também traduz as dinâmicas que afetam o campo da saúde pública.

O estudo pretende oferecer subsídios para a construção de políticas e ações públicas que visem a superação da lógica da “guerra às drogas”. “Consideramos que uma maior compreensão sobre o perfil e as práticas desses jovens é fundamental para romper com estigmas e impulsionar a criação de alternativas”, afirma Raquel Willadino.

POR QUE ENTREI PARA O TRÁFICO
AJUDAR A FAMÍLIA/GANHAR MUITO DINHEIRO – 62,1%
LIGAÇÃO COM AMIGOS – 47,5%
ADRENALINA – 15,3%
DIFICULDADE EM CONSEGUIR QUALQUER OUTRO EMPREGO – 14,6%
DIFICULDADE EM CONSEGUIR OUTRO EMPREGO COM A MESMA RENDA – 9,2%
DIFICULDADE EM ESTUDAR – 6,5%
VIOLÊNCIA FAMILIAR – 3,8%
SENSAÇÃO DE PODER – 3,8%
VONTADE DE USAR UMA ARMA – 3,4%
FACILIDADE PARA CONSUMIR DROGAS – 2,7%
STATUS – 2,7%
OUTROS – 11,9%
Fonte: estudo “Novas configurações das redes criminosas após a implantação das UPPs”/Observatório das Favelas

Quanto à trajetória escolar, 78,2% dos jovens entrevistados tinham abandonado a escola. Os principais motivos apresentados para a evasão foram razões de natureza econômica, falta de atrativos do colégio e, em alguns casos, incompatibilidade com a atividade desenvolvida no tráfico de drogas.

É IMPORTANTE DESTACAR QUE NA MAIORIA DOS CASOS A EVASÃO ESCOLAR OCORREU DURANTE A ADOLESCÊNCIA, MESMO PERÍODO EM QUE PREDOMINA O INGRESSO NO TRÁFICO. ESSA RELAÇÃO É UM ELEMENTO IMPORTANTE PARA O DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO.

Raquel Willadino, diretora do Observatório das Favelas

Para a especialista, vale ressaltar que 66,3% dos entrevistados tiveram experiências profissionais anteriores ao tráfico de drogas. Porém, os tipos de trabalho disponíveis aos jovens ouvidos, em geral, são muito ruins, com vínculos frágeis e baixos rendimentos.

“A falta de atratividade da escola, a precariedade das condições de trabalho às quais eles tiveram acesso e a perspectiva de um rendimento mais alto na rede ilícita são fatores que favorecem o tráfico de drogas ser percebido como uma atividade atrativa”, esclarece.

Em relação aos fatores que podem impulsionar a saída do tráfico, os jovens destacam os vínculos afetivos e a possibilidade de acesso a um trabalho digno e rentável.

“Um dado muito relevante é que 40,2% dos entrevistados já se afastaram do tráfico em algum momento de modo voluntário. Esse resultado coloca em evidência que são muitos os jovens que querem construir outras trajetórias”, observa Raquel Willadino. “Nesse sentido, é fundamental investir na formulação de políticas públicas que contribuam para a sustentabilidade desse movimento de saída”, conclui a diretora do Observatório das Favelas.

38,7%
DOS ENTREVISTADOS AFIRMARAM TER POUCA OU NENHUMA SATISFAÇÃO COM A VIDA QUE LEVAM NO TRÁFICO

O RISCO DE MORTE É
APONTADO POR
82,8%
DOS JOVENS COMO O PIOR
ASPECTO DA VIDA NO TRÁFICO

PENSANDO EM SOLUÇÕES
O ESTUDO DO OBSERVATÓRIO DAS FAVELAS APRESENTA PROPOSIÇÕES QUE VISAM CONTRIBUIR PARA A CRIAÇÃO DE ALTERNATIVAS COMO:

FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS PARA A PREVENÇÃO AO INGRESSO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA REDE ILÍCITA E PARA A CRIAÇÃO DE ALTERNATIVAS DESTINADAS AOS QUE NELA ATUAM E DESEJAM SAIR;
INVESTIMENTO EM POLÍTICAS PÚBLICAS DE PREVENÇÃO SECUNDÁRIA E TERCIÁRIA;
PRIORIZAÇÃO DAS DIMENSÕES RACIAIS, ETÁRIAS, DE GÊNERO E TERRITORIAIS NAS POLÍTICAS PREVENTIVAS, POTENCIALIZANDO AÇÕES VOLTADAS À VALORIZAÇÃO DA VIDA DA JUVENTUDE NEGRA MORADORA DE FAVELAS E PERIFERIAS;
REALIZAÇÃO DE BUSCA ATIVA PARA A INSERÇÃO NO SISTEMA EDUCATIVO E DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS QUE FAVOREÇAM A MANUTENÇÃO DO VÍNCULO COM O CONTEXTO ESCOLAR;
FOMENTO DE OPORTUNIDADES DE APRENDIZAGEM E POLÍTICAS EFETIVAS DE GERAÇÃO DE TRABALHO E RENDA PARA OS JOVENS E SEUS FAMILIARES;
CONSTRUÇÃO DE PROGRAMAS DE FORMAÇÃO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL VOLTADOS ESPECIFICAMENTE PARA JOVENS ENVOLVIDOS NA REDE ILÍCITA QUE DESEJAM SAIR, RESPEITANDO SUAS DEMANDAS, ANSEIOS PROFISSIONAIS E PERFIS SOCIOECONÔMICOS;
FORTALECIMENTO DE INICIATIVAS VOLTADAS PARA JOVENS EGRESSOS DO SISTEMA PENITENCIÁRIO E ADOLESCENTES SAÍDOS DO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO;
DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS QUE CONTRIBUAM PARA ROMPER COM A ESTIGMATIZAÇÃO DESSES JOVENS E QUE POTENCIALIZEM A CONSTRUÇÃO DE ALTERNATIVAS À REDE ILÍCITA;
DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS DE MEDIAÇÃO DE CONFLITOS;
FORTALECIMENTO DE MECANISMOS E PROGRAMAS DE PROTEÇÃO A PESSOAS AMEAÇADAS DE MORTE;
CONSTRUÇÃO DE POLÍTICAS DE SEGURANÇA PÚBLICA QUE TENHAM A PROTEÇÃO DA VIDA COMO PREMISSA FUNDAMENTAL E QUE POSSIBILITEM ROMPER COM LÓGICAS QUE PRIORIZAM O CONFRONTO E A MILITARIZAÇÃO PROGRESSIVA.

Fonte: http://bit.ly/2m4kGvX

DIRETORA-EXECUTIVA
Lilian Tahan
EDITORA-EXECUTIVA
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EDITORA-CHEFE
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COORDENAÇÃO
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EDIÇÃO
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REPORTAGEM
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REVISÃO
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EDIÇÃO DE FOTOGRAFIA
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FOTOGRAFIA
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ILUSTRAÇÃO
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TECNOLOGIA
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Maníaco que matou Letícia e Genir diz ter assediado ao menos 10 mulheres

Marinésio Olinto afirmou que tinha costume de pegar o carro e rodar pelas ruas de Planaltina em busca de mulheres desacompanhadas

Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos, assassino confesso de duas moradoras do Distrito Federal, revelou aos investigadores da Polícia Civil mais detalhes da rotina que levava em Planaltina antes de ser preso no último domingo (25/08/2019). Ele afirmou que tinha o hábito de pegar o carro nos dias de folga e circular pela cidade atrás de mulheres. Contou que costumava abordar as que estavam sozinhas em paradas de ônibus. Na versão dada aos policiais, ressaltou que oferecia carona para a rodoviária e, no trajeto, assediava as vítimas. Pelas contas do maníaco, seriam pelo menos 10. Entretanto, negou estar envolvido em outras mortes ou estupros.

Com temperamento frio e calculista, o cozinheiro relatou que, quando percebia que a conversa ia engrenar durante o trajeto, iniciava o assédio. Segundo o criminoso, quando a mulher recusava, parava o carro e a abandonava no meio da estrada. O homem confessou que chegou a roubar objetos pessoais de alguns dos alvos, guardados como troféus.

Sobre as mortes, insistiu em alegar que teve um “apagão”. Disse que, “quando voltou a si”, estava com as mãos no pescoço das mulheres. A baixa estatura chamou a atenção dos policiais que trabalham nas apurações. Com apenas 1,55 m de altura, o suspeito não usou arma de fogo para executar as vítimas. De acordo com depoimentos prestados ao longo das investigações, afirmou que matou Letícia Sousa Curado, 26, e Genir Pereira de Sousa, 47, com as próprias mãos, por esganadura.

Policiais ouvidos pela reportagem afirmaram que, durante as oitivas, Marinésio não demonstrou arrependimento ou remorso por ter cometido os crimes. Lamenta por ter sido preso e pelas consequências da exposição dos fatos, principalmente por colocar como alvo da ira de populares a mulher e a filha.

Enquanto os casos não são relatados e remitidos à Justiça, o acusado segue preso na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE). Após ser ameaçado por outros internos, precisou ser isolado. O cozinheiro recebe apenas a visita do advogado.

Nessa quinta-feira (29/08/2019), Marinésio prestou depoimento por cerca de nove horas na Delegacia de Repressão ao Sequestro (DRS). A especializada apura o desaparecimento da empregada doméstica Gisvania Pereira dos Santos, de 33 anos. O maníaco negou envolvimento no caso e disse não conhecer a moradora do condomínio Nova Colina, em Sobradinho. No entanto, informações complementares prestadas por ele serão alvo de novas diligências.

Gisvania foi vista pela última vez em 6 de outubro de 2018, em um posto de combustíveis da BR-020. Desde então, o caso tem sido tratado com prioridade pela DRS. Outros possíveis suspeitos já foram interrogados. Os detalhes da investigação, no entanto, não podem ser revelados, pois o inquérito segue em sigilo.

Denúncias

As denúncias seguem aumentando desde que a Polícia Civil desvendou o desaparecimento da funcionária terceirizada do Ministério da Educação (MEC) e advogada Letícia Sousa Curado.

A polícia apura a participação de Marinésio em outros ataques. Os crimes variam entre assédio, sequestro, estupro e homicídio. Os investigadores da PCDF trabalham para encontrar elementos que possam associá-lo aos supostos crimes, cometidos desde 2012, ou descartar o envolvimento do assassino confesso de Letícia e Genir nessas ocorrências.

Confira a lista de casos em que Marinésio é suspeito:

1) Letícia de Sousa Curado – Desaparecida após sair para o trabalho, em 23 de agosto de 2019, e encontrada morta três dias depois;

2) Genir Pereira de Sousa – Desaparecida em 2 de junho deste ano, após sair do trabalho e encontrada morta 10 dias depois;

3) Gisvânia Pereira dos Santos Silva – Desaparecida em outubro de 2018, em Sobradinho;

4) Irmãs atacadas – As vítimas contaram ter fugido do ataque de Marinésio um dia depois de ele ter matado Letícia, em Planaltina;

5) Adolescente de 17 anos – Jovem diz ter sido estuprada em área de pinheiros, abandonada e chamada de “lixo”;

6) Moradora do Paranoá, de 42 anos – A mulher diz ter sido estuprada por Marinésio em 2018;

7) Lays Dias Gomes – Desapareceu no dia 7 de julho de 2018, após sair de casa rumo a uma parada de ônibus, em Samambaia. Naquele dia, ela não chegou a dizer à família para onde iria;

8) Vítima desaparecida no Paranoá – Caso de 2014 foi reaberto após semelhanças com modo de agir de Marinésio. A polícia não divulgou o nome;

9) Vítima desaparecida em Sobradinho – Essa ocorrência, entre 2014 e 2015, foi reaberta agora após semelhanças com o modus operandi de Marinésio. O nome da vítimas não foi divulgado pela polícia;

10) Babá moradora da Fercal – A vítima não teve o nome revelado, mas está desaparecida há um ano e meio após ter se dirigido a uma parada de ônibus;

11) Mulher de 23 anos – Em agosto deste ano, conseguiu escapar do ataque após ameaçar se jogar do carro em movimento. Foi abordada na Rodoviária de Planaltina;

12) Marília de Lurdes Ferreira – Desaparecida em agosto de 2012, ela foi achada morta um mês depois, na linha férrea dos arredores do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA);

13) Caroline Macêdo Santos – A adolescente de 15 anos foi encontrada morta no Lago Paranoá em maio do ano passado. A jovem era amiga da filha de Marinésio dos Santos Olinto e morava a 800 metros da casa do cozinheiro, no Vale do Amanhecer.


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Quem é o serial killer do DF que confessou ter matado Letícia e Genir?

Marinésio Olinto foi preso dois dias após o desaparecimento de Letícia. Polícia investiga ligação do cozinheiro com outras ocorrências

Com 1,60 m de altura e fala mansa, o cozinheiro Marinésio dos Santos Olinto, 41, chocou o Distrito Federal ao confessar, nessa segunda-feira (26/08/2019), os assassinatos de Letícia Sousa Curado, 26, e Genir Pereira de Sousa, 47. Letícia foi morta na última sexta (23/08/2019); Genir perdeu a vida em 12 de junho deste ano.

Após Marinésio ser preso nessa segunda-feira, uma jovem de 23 anos o reconheceu na 31ª Delegacia de Polícia (Planaltina) e afirmou aos policiais ter conseguido fugir dele, em 11 de agosto. Os investigadores agora apuram se há ligação entre Marinésio e outras ocorrências, como o desaparecimento de pelo menos mais duas mulheres.

Marinésio trabalhava como funcionário terceirizado em um supermercado do Lago Norte e não possuía antecedentes criminais. Ele é casado e tem uma filha de 16 anos. A família mora no Vale do Amanhecer, localidade próxima ao local do crime mais recente.

Depois de matá-las, Marinésio pegou pertences de Letícia e Genir. Para investigadores da 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), tratam-se de “troféus” pelos crimes cometidos. No porta-luvas do carro dele, uma Blazer prata de placa JFZ 3420-DF, estava uma bolsa com fichário e material escolar, além de um relógio – objetos pessoais de Letícia.

O celular da advogada estava atrás do banco do veículo. A bolsa de Genir, segundo a delegada-chefe da 6ª DP, Jane Klébia, também foi levada por Marinésio, mas ainda permanece sumida.

Policiais da 6ª Delegacia de Polícia e da Divisão de Repressão ao Sequestro (DRS) mapearam os casos em aberto com o mesmo modus operandi ocorridos na Saída Norte do Distrito Federal. As vítimas foram abordadas em paradas de ônibus ou a caminho dos abrigos para esperar coletivos, entraram no carro achando que se tratava de transporte pirata, então desapareceram.

A polícia investiga se o destino de Letícia e Genir foi o mesmo de outras duas mulheres que sumiram no DF. Há cerca de um ano e meio, por exemplo, uma babá moradora da Fercal desapareceu no Altiplano Leste, após embarcar num ônibus e descer nas proximidades da Barragem do Paranoá. No dia chuvoso, a mulher pegou uma lotação e nunca mais foi vista.

Outro caso ocorreu em Sobradinho: uma residente da Nova Colina sumiu após sair de um posto de gasolina. Pelo menos três mulheres foram à 31ª DP e disseram ter escapado dos ataques de Marinésio após aceitarem embarcar no carro dele.

Preso, o cozinheiro deu declarações à imprensa nessa segunda-feira (26/08/2019), horas após o corpo de Letícia ser encontrado. Marinésio disse que quer despertar “raiva” e citou a família. “Perdão. Eu quero que vocês tenham raiva de mim, mas essa família que eu tenho não merece essa pessoa que eu sou”, afirmou. Aparentando frieza, completou: “Só peço desculpas para todos. Minha família não merecia estar passando por isso. Vou pagar o que eu fiz”.

Letícia
Familiares sentiram falta de Letícia na sexta-feira (23/08/2019), após ela não aparecer para um almoço combinado com a mãe às 12h. Ela foi sozinha para a parada de ônibus a fim de pegar um coletivo e seguir ao Ministério da Educação (MEC), onde prestava serviço de apoio jurídico como terceirizada.

Marinésio foi preso nesse domingo (25/08/2019), dois dias após o desaparecimento de Letícia. De acordo com fontes policiais, o suspeito levou os investigadores ao local do crime. O cadáver estaria dentro de uma manilha perto da fábrica de sementes Pioneer, na DF-250. À Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Marinésio supostamente disse que conhecia a vítima de vista. Relatou que parou no ponto de ônibus e ofereceu carona para a jovem até a rodoviária do Paranoá. Ela teria aceitado e, no caminho, o homem teria assediado Letícia, que recusou a investida.

O assassino, então, teria esganado a funcionária do MEC até a morte e escondido o corpo dela às margens de uma estrada que fica na região do Vale do Amanhecer, em Planaltina. Após matar a mulher, confessou ter furtado os pertences pessoais de Letícia, segundo fontes da PCDF.

Há imagens de circuito de segurança que mostram Letícia entrando no veículo do acusado em uma parada de ônibus no Setor Arapoanga, após uma rápida conversa entre eles, de 10 segundos, na manhã de sexta (23/08/2019).

Por volta das 18h dessa sexta-feira, o professor de educação física Kaio Fonseca, marido de Letícia, foi à 31ª DP para denunciar o desaparecimento. A partir daí, a polícia começou a verificar onde a funcionária do MEC poderia estar. Trabalharam com algumas hipóteses – entre elas, surto psicológico e sequestro.

Segundo o delegado-chefe da 31ª DP, Fabrício Augusto Machado, há a possibilidade de Letícia ter sido abusada sexualmente. “Na carona que deu para ela, Marinésio parou o carro na DF-130 e teria perguntado se havia a possibilidade de os dois terem uma relação sexual, dando início a uma discussão. Ela começou a gritar e, naquele momento, segundo o relato dele, ele a teria esganado.”

Genir
Genir Pereira de Sousa era funcionária de uma pizzaria, e o corpo dela foi encontrado em 12 de junho de 2019. Ela estava desaparecida desde 2 de junho. O cadáver estava em uma área de mata entre o Paranoá, onde ela trabalhava, e Planaltina, onde morava. O desaparecimento de Genir foi comunicado pela patroa dela, após a empresária, dona da referida pizzaria, estranhar as ausências da funcionária.

Em depoimento prestado na 6ª Delegacia de Polícia (Paranoá), a mulher disse que, em 15 anos de serviço, Genir nunca tinha faltado ao trabalho e era muito responsável.

No dia anterior ao desaparecimento, Genir trabalhou normalmente na pizzaria e foi embora por volta da meia-noite. Naquela ocasião, ela saiu para tomar cerveja com o namorado, que também é contratado do estabelecimento.

Rodoviária do Plano Piloto
Genir passou a noite com o companheiro e, no dia seguinte, por volta das 8h, foi à casa da patroa, pegou alguns objetos pessoais e se dirigiu ao ponto de ônibus para tomar uma condução até o Arapoanga, em Planaltina. Após se dirigir à parada, ela não foi mais vista.

Após encontrar o corpo de Letícia nessa segunda-feira, a Polícia Civil colheu depoimento de uma jovem de 23 anos que afirma ser vítima de Marinésio. Ao reconhecer o agressor na 31ª DP, ela começou a chorar e ficou inconsolável. Segundo relato dela, o cozinheiro a abordou na Rodoviária do Plano Piloto e se apresentou como motorista de transporte pirata – trabalhadores chamados de “loteiros”. A jovem revelou que iria ao Vale do Amanhecer, e o suspeito disse que o local era um dos pontos de sua rota.

No meio do caminho, de acordo com a vítima, o homem a teria assediado e colocado a mão na perna esquerda da jovem. Nesse momento, ele supostamente falou: “Nós não vamos para o Vale, vamos para o Morro da Capelinha”.

A vítima, então, entrou em desespero e ameaçou pular do carro. Chegou a abrir a porta, e Marinésio parou o veículo. Ela aproveitou a oportunidade para descer do automóvel e correr, quando pediu ajuda para um casal em veículo que vinha logo atrás. O caso ocorreu em 11 de agosto deste ano, por volta das 20h.

Fonte: metropoles.com

Bombeiros vão usar cães farejadores nas buscas por funcionária do MEC

Buscas vão começar por uma mata fechada, no Vale do Amanhecer. Pertences de Letícia Sousa Curado Melo, 26 anos, foram encontrados dentro de um carro na região

Letícia é casada, tem um filho de 3 anos e saiu de casa para trabalhar na sexta-fira, não tendo sido vista pela amília e amigos depois disso. Amigos e família se organizam ir ao local e ajudar nas buscas. O delegado responsável pelo caso, Fabrício Augusto Machado, trabalha com a hipótese de que a vítima tenha sido sequestrada, no entanto, não descarta a possibilidade de outras linhas de investigação.

Celular e materiais escolares

Os agentes encontraram dentro do carro do suspeito o celular, a bolsa e materiais escolares da vítima. No entanto, ele negou que a conhecesse. Imagens do comércio da região mostram que, na manhã em que Letícia sumiu, o veículo do suspeito passou duas vezes em frente ao ponto de ônibus onde ela costuma pegar a condução para ir ao trabalho.

“O motorista é visto na parada antes da vítima chegar. Em seguida, ele deixa o lugar e, em vez de ir pela via principal, o que seria normal, sobe pela pista e retorna. Pouco tempo depois, para em frente a Letícia, conversa com ela por 10 segundos, e ela entra no carro”, disse o delegado.

Os investigadores também foram à casa de familiares do suspeito fazer buscas. “Ele disse que não conhece a vítima e que teria pago R$ 150 no celular dela”, reforçou. Entretanto, para o delegado, o aparelho da vítima tem alto valor no mercado e não seria encontrado por esse preço nem no comércio irregular.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Desempregada oferece serviços de beleza em troca de comida no DF

Sem trabalho fixo há duas semanas, Milene Alves Silva, moradora de Ceilândia, precisa de dinheiro para alimentar as duas filhas pequenas

Milene, Alice e Ester Alves Silva

Milene Alves Silva, 20 anos, está desesperada. Desempregada desde 26 de julho, quando não teve o contrato de auxiliar de serviços gerais renovado, a jovem passou a oferecer serviços para arrumar o cabelo ou as unhas em troca de comida e fraldas. Ela precisa de recursos para as filhas Ester, 3 anos, e Aline, 2.

A ideia surgiu no último dia 2. Depois de entregar o currículo em vários lugares e não ter recebido resposta, Milene decidiu divulgar suas especialidades nos quatro grupos do bairro de Ceilândia em que mora, o P Sul. “Foi a saída que encontrei para tentar conseguir me sustentar. Como sei que muita gente acaba não querendo pagar pelos serviços, mesmo quando eu cobro R$ 10, que não paga nem os produtos, ofereci a troca por alimentos”, conta.

Autodidata, ela diz que nunca teve dinheiro para pagar algum curso de aperfeiçoamento. Todo o conhecimento, tanto para fazer as unhas quanto para cuidar de cabelos, foi adquirido em vídeos na internet. “Fui aprendendo sozinha. Testava na minha mãe e na minha irmã até pegar a prática e me sentir segura para fazer em outras pessoas.”

A necessidade de trabalhar veio logo aos 16 anos, quando teve a primeira filha, Ester. Além dos serviços de beleza, ela chegou a trabalhar como balconista em uma padaria e, mais recentemente, trabalhou por três meses como auxiliar de serviços gerais. “Infelizmente, depois que passou o período de treinos, eu e a maioria das pessoas fomos dispensadas. Nesse momento estou desesperada”, conta.

Com o marido também desempregado e o aluguel vencido desde a última quarta-feira (07/08/2019), Milene não vê outra saída que não deixar o pequeno imóvel onde mora. “A solução é eu voltar com minhas filhas para a casa da minha mãe e meu esposo para a dele. Vamos ficar longe um do outro, mas é o jeito de conseguirmos economizar”, explica.

A mudança, no entanto, não será fácil. De acordo com a mãe dela, Marlene Alves Veloso, 47, na casa não cabe mais ninguém. Também desempregada e sobrevivendo com apenas R$ 200 por mês – valor referente à pensão que recebe –, ela não sabe como será possível sustentar todos. “A situação já está complicada e vai ficar ainda mais difícil. Quem me ajudava era a Milene, que comprava o gás e me dava R$ 100.”

Milene, Alice e Ester Alves Silva

Necessidade
Mesmo tendo conseguido várias curtidas e comentários positivos nas postagens que fez, Milene conta que, até o momento, apenas três pessoas marcaram com ela. “Uma cliente trouxe algumas verduras, outra pessoa fez a doação de alimentos. Até agora, foi isso”, resume.

Apesar de ser grata pela ajuda, o que ela arrecadou até agora é muito pouco. Sem gás em casa há três semanas e recebendo do açougue carne que seria descartada aos cachorros, ela não sabe o que pode fazer caso mais pessoas não se interessem pelo trabalho dela. “Até a lâmpada da sala já queimou e não a trocamos. Preciso de arranjar algo o mais rápido possível”, diz.

Quem estiver interessado na prestação de serviços de Milene pode entrar em contato com a jovem por meio do número (61) 99659-6800.

Fonte: www.metropoles.com