Infecção por sarampo destrói a memória do sistema imune para outras doenças

Não vacinar contra a doença pode deixar a criança vulnerável não só ao sarampo como a várias outras

Na onda do movimento antivacina em todo o mundo e do ressurgimento de casos de sarampo, dois estudos publicados nesta quinta-feira (31), nas revistas Science e Science Immunology mostram que não vacinar contra a doença pode deixar a criança vulnerável não só ao sarampo como a várias outras doenças no longo prazo.As pesquisas feitas de modo independente com 77 crianças não vacinadas – antes e depois de a comunidade na Holanda onde moram sofrer um surto de sarampo – observaram que a infecção por sarampo acaba enfraquecendo o sistema imune contra outros vírus e bactérias por até três anos depois de os sintomas do sarampo sumirem.Ocorre o que os cientistas chamaram de “amnésia imune”. Ou seja, o vírus “apagou” a memória que as crianças tinham contra doenças com as quais elas já tinham tido contato previamente. É essa memória que permite que o corpo se lembre de encontros anteriores com vírus e bactérias e possa reagir, evitando novas infecções.O trabalho publicado na Science por pesquisadores do Instituto Médico Howard Hughes, de Boston, da Escola de Medicina de Harvard e outras instituições dos Estados Unidos, da Holanda e da Finlândia, descobriu que o sarampo dizimou de 11% a 73% do repertório de anticorpos das crianças dois meses depois da infecção.

Elas ficaram quase tão vulneráveis quanto um recém-nascido, que não têm ainda esses anticorpos. São os anticorpos que temos que nos protegem, por exemplo, de ter de novo uma catapora, herpes ou uma pneumonia que já tenha nos afligido no passado. Mas nos infectados por sarampo, isso some por um tempo. Os pesquisadores também checaram o sistema imune de crianças vacinadas contra o sarampo e não observaram essa perda no resto do sistema imune.”Imagine que sua imunidade contra patógenos é como carregar um livro de fotografias de criminosos e alguém faz um monte de buracos neles”, comentou o primeiro autor do estudo, Michael Mina, pesquisador de pós-doutorado na Escola Médica de Harvard e do Brigham and Women’s Hospital na época do estudo, e agora professor assistente de epidemiologia no Escola de Saúde Pública de Harvard.”Seria muito mais difícil reconhecer esse criminoso se você os visse, especialmente se os buracos fossem feitos sobre características importantes de reconhecimento, como olhos ou boca”, exemplificou Mina em comunicado à imprensa.A prática clínica e outros estudos já tinham indicado que crianças e adultos infectados com sarampo passam por um processo de imunodepressão. Elas ficam por algum tempo mais suscetíveis a outras doenças depois de se contaminarem. Os trabalhos de agora conseguiram ver como isso ocorre.A “sorte” foi eles terem conseguido trabalhar com um grupo muito específico, do qual foi possível obter dados antes e depois da infecção. Em 2013, o pesquisador Rik de Swart, do Erasmus University Medical Center, de Rotterdam, havia coletado amostras de sangue de 77 crianças não vacinadas de uma comunidade ortodoxa protestante.Pouco tempo depois, o local teve um surto de sarampo. Ele voltou lá e coletou novas amostras. Entre a primeira e a segunda visita, passaram-se dez semanas. Anos depois, com uma nova tecnologia de detecção de vírus chamada VirScan, Stephen Elledge, geneticista do Howard Hughes, e colegas avaliaram o material. Como era de se esperar, havia nas amostras anticorpos para sarampo, mas praticamente todos os outros tinham desaparecido.O outro estudo, publicado na Science Immunology, usou os mesmos dados coletados por Swart e complementou o achado ao analisar especificamente o impacto sobre as células B do sistema imunológico. “Essas são as células produtoras de anticorpo, de memória – aquelas células que já foram previamente ativadas e que por isso, ao serem desafiadas novamente pelo antígeno, conseguem responder mais rapidamente e melhor”, explicou ao Estado a pesquisadora Ana Paula Lepique, do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP.”As células B sofrem uma alteração no seu repertório. Ou seja, células de memória que respondiam a vários antígenos ao qual a pessoa já havia sido exposta morrem, e deixam essa pessoa sem imunidade contra esses antígenos. Por outro lado, a resposta contra o sarampo durante a infecção é forte, e quando se examina a população de células B de memória, várias delas são específicas para sarampo”, resumiu Ana Paula.Por conta disso, nesse período de dois a três, a pessoa pode pegar várias doenças que já tinha pego antes, mas sarampo não mais. Depois das novas infecções, porém, o corpo volta a ter anticorpos.Importância da vacinaçãoOs resultados reforçam a importância da vacinação ampla não só para prevenir sarampo, mas para evitar o enfraquecimento da “imunidade do rebanho” a outros tipos de patógenos.Depois de os casos da doença terem despencado em todo o mundo em razão de campanhas bem-sucedidas de vacinação, vários países, como o Brasil, voltaram a viver uma epidemia de sarampo. De acordo com o Ministério da Saúde, há casos de transmissão ativa em 19 Estados do País. Dos casos confirmados, 90,5% estão em São Paulo. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, o número de casos em São Paulo é de 10.620, com 13 óbitos. Nos Estados Unidos, foram relatados 1.250 neste ano até o início do mês.”No fim, é simples. Existe uma vacina contra sarampo, que é eficiente e que protege contra a infecção. Se a criança não for vacinada, ela pode ser infectada – vamos lembrar que sarampo é muito contagioso -, e se ela for infectada, perde boa parte da sua resposta imune de memória. Não vacinar uma criança contra sarampo a expõe ao sarampo e, ainda se ela se recuperar, estará exposta a outras doenças secundárias devido à amnésia imunológica causada pelo sarampo”, comenta Ana Paula.Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunização (Sbim), reforça que a vacinação tem importância não só individual, mas coletiva. “O sarampo não atinge só crianças, mas adultos também. E aqueles que por algum motivo já são imunodeprimidos e não podem ser vacinados correm risco de morrer, porque o sarampo vai impactar ainda mais sua resposta imunológica”, diz.Se a maior parte das pessoas está vacinada, os riscos de infecção dessas pessoas que não podem tomar a vacina é menor. O contrário também é verdade. “Se não tivermos uma cobertura vacinal de 95% da população, a gente deixa desprotegidas justamente essas pessoas. Que são as com maior chance de morrer”, explica. “É responsabilidade de todos nós.”

Fonte: oliberal.com

Moradora do Lago Sul é levada como refém e pede ajuda em posto

Ladrão teria invadido casa na QL 20 e sequestrado a mulher, após assalto. Bandido foi preso pela PMDF

Um homem foi preso, nesta segunda-feira (28/10/2019), suspeito de sequestrar uma moradora da QL 20 do Lago Sul. A vítima, uma aposentada de 68 anos, teria sido feita refém após ter a casa assaltada. O bandido, identificado como Alex Pereira dos Santos, 33, acabou detido pela Polícia Militar do DF (PMDF).

De acordo com a corporação, a prisão ocorreu 20 minutos depois do crime, em um posto de gasolina próximo à casa da vítima, na QL 22. Após roubar 150 euros e 5 dólares da aposentada, o suspeito pediu que a moradora entrasse no carro e dirigisse.

A vítima, porém, disse que precisava parar em um posto de gasolina para abastecer. Neste momento, a mulher teria pedido ajuda a um dos frentistas. “Disseram que ele [o ladrão] não sabia dirigir, então veio no banco de trás, com uma faca na nuca dela. Quando fui atender, ela pediu socorro mexendo só a boca e eu entendi”, contou o funcionário ao Metrópoles. Ele pediu para não ter o nome divulgado.

“Nisso, ele já perguntou o que ela estava falando comigo, mas a mulher respondeu só que não tinha dinheiro e precisava pagar no cartão. Então, falei que as máquinas estavam com problema e iria resolver. Aí, já contei para a outra frentista e ela chamou a polícia”, completou.

À reportagem, a moradora relatou ter o costume de trancar a porta da varanda da casa. Nesta segunda, contudo, decidiu deixar a entrada aberta. “Ele veio pela mata, rendeu as empregadas e elas foram ao meu quarto falando para mim que era um assalto. Ele as deitou no chão e falou que queria joias e dinheiro”, narrou.

O cabo Bandeira, da PMDF, informou que o automóvel estava sendo procurado pela corporação, que foi acionada pela família da moradora. O policial contou que o bandido amarrou as empregadas domésticas que trabalham no local e fugiu levando joias, euros e outros objetos, tudo dentro do carro conduzido pela mulher sequestrada.

A vítima e o ladrão foram levados à 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul). De acordo com a PCDF, o preso, conhecido como “Gordo”, possui passagens por furto e roubo desde 2005. Os crimes, em maioria, ocorreram na área do Lago Sul. Na ficha criminal dele, há seis mandados e seis recomendações de prisão.

Fonte: metropoles.com

Brasiliense de 8 anos fica à beira da morte por brincar com slime

Mãe da garota fez relato emocionante sobre o caso nas redes sociais. À reportagem, ela disse que a menina se recupera do susto

hamires Ximenes viveu momentos de tensão nos últimos dias. A influenciadora digital viu a filha Laysla, de 8 anos, ser internada na unidade de terapia intensiva (UTI) após surgimento de uma série de sintomas, entre eles, reações alérgicas graves e insuficiência renal. A causa dos problemas? Um dos componentes do slime, “geleca” multicolorida que é sensação entre a criançada.

“Uma brincadeira comum entre crianças, que para muitos parece inofensiva, se tornou motivo de muita dor e angústia para nossa família”, desabafou a mãe em seu perfil no Instagram.

“Desde quando a fabricação caseira virou febre, Laysla passou a ‘fabricar’ slime com frequência e há muito tempo vem reclamando de dores na barriga. Depois, apareceram diversas manchas na pele”, acrescentou a influenciadora.

“Na semana retrasada, as dores [abdominais] aumentaram e corremos para a emergência com ela chorando de dor. Fomos informados que ela estava com menos de 40% da função renal. As lágrimas e o desespero tomaram conta de todos”, prosseguiu.

Após diversos exames e consultas, a causa dos sintomas foi detectada. “No 7º dia de internação, enfim conseguimos entender o motivo de tudo: INTOXICAÇÃO POR ÁCIDO BÓRICO, no tal do ‘ATIVADOR’ do slime caseiro (bórax, talco ou água boricada)”, escreveu.

Em entrevista ao Metrópoles, a mãe disse que foi apenas um susto e garantiu que a menina passa bem. “Agora, ela está livre das dores e manchas, mas foi um sufoco. Já tinha lido em diversas matérias que o tal do bórax é prejudicial à saúde, por isso optávamos por fazer a geleca sempre com água boricada. Foi uma surpresa saber que o componente também é nocivo”, conta.

O relato de Thamires causou burburinho nas redes sociais e, até o momento, acumula mais de 2,5 mil comentários. “A repercussão do post me surpreendeu. Torço para que a mensagem sirva de alerta e alcance centenas de milhares de pessoas”, exclama.

Este não é o primeiro caso de intoxicação por slime. Em maio, uma criança de 12 anos foi internada em São Paulo após manusear o famoso brinquedo. A menina ficou internada em hospital na zona sul da cidade por mais de uma semana.

A garota deu entrada no centro clínico apresentando vômitos e gastroenterite, segundo a Record TV. Exames identificaram uma reação alérgica causada pela substância bórax.

Para saber mais sobre os riscos eminentes do slime, clique aqui.

Fonte: metropoles.com

Brasília insegura: onda de assassinatos aterroriza moradores

Somente em setembro de 2019, foram registrados 34 assassinatos. O número é 21,43% mais alto do que o computado no mesmo período de 2018

Motoristas de aplicativos executados de forma brutal, morte em posto de combustível, latrocínio na porta de supermercado, feminicídios e padre estrangulado no quintal da igreja. A onda de assassinatos registrados na capital do país nos últimos dias assustou a população e fez até o governador pedir desculpas pela violência crescente.

A sensação de insegurança é corroborada por estatísticas oficiais: em setembro deste ano, ocorreram 34 assassinatos. O número representa 21% de casos a mais do que o registrado no mesmo período de 2019, quando 28 vidas foram tiradas de forma violenta. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do DF e contemplam homicídios e latrocínios. O mês de outubro só está na metade e já computa diversos episódios bárbaros.

Os mais recentes ocorreram nesse fim de semana. O corpo de Henrique Fabiano Dias Coelho foi encontrado no Setor de Indústria e Abastecimento (SIA) na madrugada de domingo (13/10/2019) e o de Tiego Cavalcante na sexta-feira (11/10/2019), em Samambaia. Os dois eram condutores de apps de corrida de passageiros.

Fonte: metropoles.com

Pesquisa contra a pobreza leva Nobel de Economia

Prêmio é concedido a Esther Duflo, Abhijit Banerjee e Michael Kremer, por seus estudos para melhorar políticas públicas e educação da população carente. Franco-americana é segunda mulher a ganhar a honraria, além de ser a mais jovem


Uma abordagem experimental para combater a pobreza garantiu o Nobel de Economia ao trio formado pelo indiano naturalizado americano Abhijit Banerjee, o americano Michael Kremer e a franco-americana Esther Duflo. Ao anunciar o prêmio ontem em Estocolmo, o comitê do Nobel destacou que as pesquisas do trio “melhoraram consideravelmente a capacidade de combater a pobreza global” com novas e melhores abordagens que permitem, por exemplo, ações mais eficazes para melhorar a saúde infantil e o desempenho escolar.

Eles usam uma metodologia experimental, elogiada por pesquisadores brasileiros da área de desigualdade. Em meados de 1990, o grupo testou uma série de intervenções que melhoraram resultados escolares no Quênia. Na Índia, mais de cinco milhões de crianças foram beneficiadas por programas de aulas de reforço desenvolvidos com base em seus estudos.

O trio faz experimentos aleatórios de campo para estudar os efeitos da extrema pobreza, buscando entender as melhores formas de evitála. Tradicionalmente, essas pesquisas eram feitas com base em observação, sema ação do investigador.

— Nosso objetivoéasseg ur arque oc om bateà pobrezas e baseie em provas científicas— disse Esther em teleconferência, ao comentar o prêmio. — Os pobres muitas vezes são reduzidos a caricaturas, e com frequência até as pessoas que tentam ajudar não entendem a origem do problema.

Professora de economia do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Esther é a segunda mulher a vencer o Nobel de Economia, depois de Elinor Ostro, em 2009. Aos 46 anos, ela também é a pessoa mais jovem a receber o prêmio. Esther, que em 2010 ganhou a medalha John Bates Clark, é casada com Banerjee.

‘DIAGNÓSTICO PRECISO’

Banerjee também é professor do MIT, enquanto Kremer atua na Universidade de Harvard. Os três vão dividir o prêmio, de US$ 915 mil.

Nos estudos do trio, a fim de verificar a eficácia de uma política pública, a população é dividida em grupos. Essa divisão, no entanto, é feita de forma randômica, a fim de que a avaliação seja feita com diferentes tipos de indivíduos, sem um viés —algo comum na indústria farmacêutica, por exemplo.

—A adaptação dessa metodologia para a economia é muito complexa. É um trabalho muito bem feito para analisar a pobreza, identificando onde eram eficazes certas intervenções do governo, como em saúde, educação e microcrédito —destaca Aloisio Araujo, professor da FGV.

Na Índia, Banerjee, Esther e Kremer comandaram um experimento para verificara melhor maneira dede vacinar a população. Eles usaram um centro móvel de profissionais de saúde, que ia até as pessoas. Com isso, a cobertura de vacinação aumentou de 6% para 18%. Em algumas áreas, era oferecido um saco de lentilhas para as famílias que vacinassem seus filhos. Nesse grupo, a taxa subiu para 39%.

Em outro estudo, o grupo mostrou que os mais pobres são extremamente sensíveis a preços nos cuidados de saúde preventivos. Na Índia, se uma pílula contra vermes for gratuita, 75% dos pais vão usá-la em seus filhos. Se ela tiver um preço, ainda que seja inferior a US$ 1, a taxa cai a 18%.

— Ter o diagnóstico preciso do comportamento das pessoas é necessário para o desenho de boas políticas sociais. Para eles, a identificação de impactos deve ser robusta, daí defenderem de forma tão insistente o uso de avaliações aleatorizadas — afirma Luis Henrique da Silva Paiva, cientista social do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Sergei Soares, também do Ipea, admite que essa metodologia é pouco explorada no Brasil, em parte pelo custo:

—São dificuldades de recursos e de procedimentos. Às vezes, é difícil levar uma pesquisa assim adiante, pois existem limitações técnicas mais fortes. Qualquer coisa feita com pessoas no Brasil tem que passar por uma comissão de ética.

*Com agências internacionais

Fonte: https://www.globo.com/

Polícia busca autor do 25º feminicídio do ano no Distrito Federal

Polícia busca por Wellington de Sousa Lopes, 37 anos, autor 25º feminicídio do ano. Ele assassinou a facadas a companheira, no Riacho Fundo 1
Mais dois casos de feminicídio foram registrados no Distrito Federal, contabilizando 25 mortes de mulheres em 2019, conforme levantamento do Correio. No domingo, Adriana Maria de Almeida, 29 anos, morreu após levar 32 facadas do marido, Wellington de Sousa Lopes, 37. Ele conseguiu fugir e não foi encontrado até o fechamento desta edição. Na manhã de ontem, Tatiana Luz da Costa, 35, morreu no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Ela teve 90% do corpo queimado em 23 de setembro. De acordo com a polícia, Vanessa Pereira de Souza, 34, companheira de Tatiana, é a principal suspeita de atear fogo.

Adriana e Wellington estavam juntos há sete anos e tinham uma filha de 5 anos. Atualmente, moravam em um apartamento, localizado no Conjunto 4 do Setor Placa da Mercedes, no Riacho Fundo 1. O casal havia saído no sábado e retornou de carro para casa. No início da manhã de domingo, entre 8h e 9h, eles discutiram, segundo o delegado Mauro Aguiar Machado, chefe da 29ª Delegacia de Polícia (Riacho Fundo 1).

“Testemunhas relataram que houve gritos e, pouco depois, um silêncio. Eles não chegaram a estranhar a situação, pois o casal costumava discutir. A maior parte das brigas eram por causa de ciúmes de Wellington. No domingo, não foi diferente. A quantidade de facadas que o autor deu em Adriana mostra o quão possesso de ódio ele estava”, destacou o investigador. A criança do casal estava com familiares no fim de semana.

Mauro Aguiar explicou que Wellington usou uma faca do tipo peixeira para atacar Adriana. Ela morreu na sala e a arma do crime ficou no banheiro da residência. Depois da tragédia, o motorista de transporte pirata pegou roupas e outros pertences pessoais, colocou em uma mala e fugiu. Uma câmera de segurança da região flagrou o instante em que o acusado coloca seus pertences no banco de trás do veículo dele, um Fiat Palio Fire Economy prata — placa JHZ3082.

Wellington deu a partida no automóvel e deixou a casa às 9h25. O corpo de Adriana só foi descoberto mais de 10 horas após o assassinato brutal. Familiares da vítima se preocuparam quando ela não atendeu às ligações ou respondeu às mensagens do WhatsApp. “Dois parentes vieram até a casa e escutaram o som ligado, alto. Eles bateram na porta e, como ninguém atendeu, chamaram um chaveiro. Ao abrir a porta da residência, se depararam com a mulher já morta”, explicou o delegado.

Agora, agentes da 29ª DP estão nas ruas para tentar chegar até Wellington. O investigador Mauro Aguiar pediu ajuda da população para elucidar o caso. Quaisquer informações podem ser repassadas anonimamente pelo 197. “Não resta dúvidas de que o marido de Adriana é o autor. As imagens, relatos de conhecidos, assim como o histórico do relacionamento, indicam Wellington como suspeito”, garantiu.

De acordo com a Polícia Civil, Adriana abriu dois boletins de ocorrência contra o marido, em 2015 e 2017, respectivamente. Os casos ocorreram na Área de Desenvolvimento Econômico de Águas Claras e em São Sebastião, respectivamente. Em ambos os relatos, a vítima afirmou ter sido agredida e ameaçada de morte por Wellington. Ela chegou a receber medidas protetivas, mas revogou o pedido na Justiça.

Queimada viva
Tatiana Luz da Costa morreu às 6h15 de ontem, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. A informação foi confirmada pela Polícia Civil. Ela estava internada em estado gravíssimo no Hran, desde que foi atacada pela mulher, Vanessa Pereira. O caso ocorreu em 23 de setembro, no Residencial Total Ville, em Santa Maria.

A vítima foi socorrida pelos bombeiros em casa com 90% do corpo queimado. O incêndio começou no sofá da sala e não se estendeu para outros cômodos da residência, graças a ação da corporação. Vanessa também precisou ser internada no Hran, pois sofreu queimaduras em 40% do corpo. Ela está presa preventivamente, em um leito da unidade, com escolta policial.

Segundo o delegado Alberto Rodrigues, chefe da 33ª DP (Santa Maria), com a morte de Tatiana, o caso evoluiu para feminicídio. “Quando ela deu os primeiros esclarecimentos, alegou que o incêndio foi acidental. Mas ela já havia mandado mensagens para a vítima, afirmando que iria matá-la queimada”, explicou o investigador.

Onde procurar ajuda
Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência — Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República

Telefone: 180 (disque-denúncia)

Centro de Atendimento à Mulher (Ceam)

» De segunda a sexta-feira, das 8h às 18h
» Locais: 102 Sul (Estação do Metrô), Ceilândia, Planaltina

Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam)

» Entrequadra 204/205 Sul – Asa Sul
(61) 3207-6172

Disque 100 — Ministério dos Direitos Humanos

Telefone: 100

Programa de Prevenção à Violência Doméstica (Provid) da Polícia Militar

Telefones: (61) 3910-1349 / (61) 3910-1350

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Gêmeas siamesas separadas no DF dão primeiros passos sozinhas

Mãe das meninas gravou momento familiar em que as duas mostram desenvoltura para percorrer pequenas distâncias sem perder o equilíbrio.

Cinco meses depois da cirurgia na qual foram separadas, as gêmeas siamesas brasilienses Mel e Lis estão dando os primeiros passos sozinhas. Na última sexta-feira (27/09/2019), a mãe das meninas, Camilla Vieira Neves, 25 anos, gravou vídeos caseiros em que elas mostram autonomia para percorrer pequenas distâncias sem precisar de auxílio para manter o equilíbrio.

Além dos familiares, a equipe médica que realizou a separação das gêmeas craniópagos comemorou o progresso no desenvolvimento das meninas. “Significa que a recuperação delas está indo muito bem e que devem cumprir nossa expectativa de que não apresentem sequelas”, informou o neurocirurgião Benício Oton de Lima, que comandou a equipe que fez a separação das gêmeas. O procedimento, de alta complexidade e inédito no país, foi realizado em 27 de abril de 2019 no Hospital da Criança de Brasília.

Mel e Lis, que nasceram unidas pela parte da frente da cabeça, completam um ano e quatro meses na terça-feira (01/10/2019). As duas continuam a cumprir uma rotina de cuidados no Hospital da Criança. As meninas frequentam a unidade médica duas vezes por semana para sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.

O médico Benício Oton de Lima lembra que, antes da cirurgia, elas tentavam engatinhar e não conseguiam justamente por conta da condição em que nasceram. “O desenvolvimento motor delas está compatível com crianças da mesma faixa etária, isso nos deixa muito esperançosos”, afirmou

A nova etapa emocionou a mãe das meninas. “Eu sempre sonhei com o dia em que elas seriam crianças normais. Vê-las andando sozinhas foi muito especial”, afirmou Camilla.

Fonte: metropoles.com

Meninos….

MENINOS-SOLDADOS
A INFÂNCIA A SERVIÇO DO TRÁFICO DE DROGAS
Violência e metas a bater: menores no narcotráfico é uma das piores formas de trabalho infantil, segundo a OIT. Realidade que deve ser tratada como exploração, e não crime, de acordo com especialistas

A cicatriz no ombro diminuía à medida que Thiago Alves Moreno crescia. É a marca de uma guerra urbana: aos 13 anos, ele sofreu o primeiro ataque a facadas em briga por drogas. Com 12 anos, Alessandro da Silveira Maciel viu-se privado de liberdade. Antes de completar 18 anos, Jeconias Lopes já tinha 11 passagens pela Delegacia da Criança e do Adolescente.

Eles aceitaram contar suas histórias de exploração pelo tráfico de drogas vividas na infância e adolescência. Descrevem uma realidade que afeta milhares de crianças e jovens a serviço do narcotráfico no Brasil, inclusive na capital do país, no quintal dos Três Poderes da República.

Quem deveria manusear livros e brinquedos tem em punho armas de fogo e carrega na mochila porções de entorpecentes para negociar com consumidores. Trata-se de um mercado no qual é preciso bater metas, respeitar hierarquias, cumprir longas jornadas e correr iminente risco de morte.

Apesar de constar na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil (Lista TIP), da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a atuação de crianças e adolescentes no tráfico de drogas não é considerada como trabalho infantil pela Justiça brasileira.

Assim, prevalece o aspecto de ato infracional análogo ao crime de tráfico de drogas, com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o que leva à aplicação de medida socioeducativa ao menor de 18 anos, mas não à proteção de direitos fundamentais.

O Brasil é signatário da Convenção 182 da OIT e, por meio do Decreto nº 3.597/2000, enquadra o tráfico como trabalho infantil, determinando ações imediatas para sua eliminação. Estudos apontam ambiguidade jurídico-normativa em relação ao tema. Enquanto não se chega a um entendimento, a juventude em situação de vulnerabilidade social fica refém de um Estado que não cumpre as leis e, assim, condena o próprio futuro.

INFÂNCIA E JUVENTUDE EXPLORADAS
A EXPRESSÃO “AS PIORES FORMAS DE TRABALHO INFANTIL” ABRANGE:

TODAS AS FORMAS DE ESCRAVIDÃO OU PRÁTICAS ANÁLOGAS À ESCRAVIDÃO, TAIS COMO A VENDA E TRÁFICO DE CRIANÇAS, A SERVIDÃO POR DÍVIDAS E A CONDIÇÃO DE SERVO, E O TRABALHO FORÇADO OU OBRIGATÓRIO, INCLUSIVE O RECRUTAMENTO FORÇADO OU OBRIGATÓRIO DE CRIANÇAS PARA SEREM UTILIZADAS EM CONFLITOS ARMADOS.

⇒ A UTILIZAÇÃO, O RECRUTAMENTO OU A OFERTA DE CRIANÇAS PARA A PROSTITUIÇÃO, A PRODUÇÃO DE PORNOGRAFIA OU ATUAÇÕES PORNOGRÁFICAS.

⇒ A UTILIZAÇÃO, O RECRUTAMENTO OU A OFERTA DE CRIANÇAS PARA A REALIZAÇÃO DE ATIVIDADES ILÍCITAS, EM PARTICULAR A PRODUÇÃO E O TRÁFICO DE ENTORPECENTES, TAIS COM DEFINIDOS NOS TRATADOS INTERNACIONAIS PERTINENTES.

⇒ O TRABALHO QUE, POR SUA NATUREZA OU PELAS CONDIÇÕES EM QUE É REALIZADO, É SUSCETÍVEL DE PREJUDICAR A SAÚDE, A SEGURANÇA OU A MORAL DAS CRIANÇAS.

Fonte:
OIT

“A GENTE CHAMA O TRAFICANTE DE PAI”
Thiago Alves Moreno, 26 anos

“Desde os 13 anos, eu moro sozinho. Comecei a traficar com 12, na Favelinha, uma área do Recanto das Emas. Só entende isso quem sabe da realidade. Não tinha cama na minha casa, era um colchão no chão. Quando meu pai saía pra trabalhar, tinha que pular por cima da gente. E ele dizia: ‘Esses vagabundos vão ficar dormindo?’. Isso a gente era criança. Fiz até a sétima série, porque meu foco era ganhar dinheiro.

Uma criança que nem eu já cresce na ira. Meu pai era alcoólatra, vendeu a nossa casa e gastou tudo com bebida. Ele nos xingava e nos batia. Não tinha teto, não tinha comida, a gente vivia no esgoto a céu aberto. Como que eu ia abrir a porta para viver fora da guerra? Todo dia tinha três, quatro, mortos na rua. Precisava pular o cadáver para ir à escola. Nunca sonhei com nada, nunca me imaginei fora daquilo.

Com 14 anos, eu vendia 2 kg de maconha em uma semana. Não tinha nem guarda-roupa, ficava tudo na mochila. Eu achava que aquilo era um ganha-pão. Comecei de aviãozinho, ia buscar lanche para o traficante. Depois fui ser vapor, comecei a vender. Se agrada ao patrão, você vai crescendo até ser o braço direito dele.

Quando eu tinha 13 anos, tentaram arrancar meu braço com um facão numa briga por ponto de venda de droga. Levei 52 pontos. A cicatriz foi diminuindo enquanto eu crescia, mas ainda está aqui. Tenho marca de tiro e de outra facada também. Tudo isso antes dos 15 anos. É um milagre eu estar vivo.

A gente chama o traficante, o chefe, de pai. Pega uma arma e diz: ‘Ó como eu tô bonito, pai’. Minha primeira medida socioeducativa foi com 14 anos. Ali você tem que decidir se é 100% do crime ou 100% trabalhador. Na primeira opção, você esquece que tem família e vai viver para o tráfico. Fui até o Paraguai buscar droga. Eu tinha a chance de ganhar em um dia três vezes o que receberia por um mês num serviço comum. Só que nessa o crime leva o que você tem de mais precioso, a alma.

Tem um ditado que diz: ‘O que põe a droga na favela não morre por ela’. Os caras vão ficando ricos e saem da favela. Até que ficam só os ‘de menor’ na linha de frente. Quem está levando tiro é o soldadinho. Eles vão criando soldados e ligeiramente se desligam dali. O peso fica nas costas da criança e do adolescente, que são o ponto de equilíbrio da bocada.

Quando eu tinha 18 anos, o Yago, meu filho, nasceu. Aí pensei: ‘Não vou deixá-lo viver com um pai ausente’. Tenho três filhos, já catei lixo, sou carpinteiro, pedreiro. Mas não é fácil, agora mesmo estou desempregado. Não falta convite para o mal. Escrevi na parede do quarto: ‘A carne é fraca quando a conduta não é forte’. Se não me conhece, não me odeie. Estou tentando escrever uma história diferente.”

“COM 12 ANOS, EU JÁ FAZIA O CORRE. PERDI A INFÂNCIA ATRÁS DAS GRADES”
Alessandro da Silveira Maciel, 20 anos

“Cresci na Quadra 2 de Sobradinho, ao lado da [Vila] Dnocs. Minha mãe é secretária, meu pai, eletricista. Tenho quatro irmãos, todo mundo sempre trabalhou. Na escola, conheci minha primeira droga, a maconha. Eu olhava as pessoas que traficavam no bairro e pensava: ‘Como elas têm tanto dinheiro?’. Resultado: aos 12 anos, tive minha primeira passagem. Já pensou como é para uma criança ir para a cadeia? O Caje [extinto Centro de Atendimento Juvenil Especializado] era uma cadeia, com outro nome, mas era.

Nesse tempo, eu parei de brincar. Antes soltava pipa na rua, depois passei a manusear armas, como todo traficante. Com 14 anos, comprei a minha e até os 17 tive cinco passagens por porte ilegal [de arma de fogo].

Comecei vendendo 5 kg de crack. Ia dividindo em doses. Depois, eram 10kg. Uma dola é tipo 1 grama, custava uns R$ 10. Eram 20 dolas pro traficante e 10 para mim. Fiquei oito anos nessa. A gente vai crescendo, vai batendo meta. É o que tem por perto, um círculo vicioso. Pegava a droga na boca na segunda e tinha que vender até o sábado. Dava para tirar R$ 2,5 mil em uma noite sem fazer nada.

Quem financia o tráfico é a burguesia, que não tem vergonha de comprar droga de criança. O tráfico está em todos os lugares: na porta do bar, da escola, do supermercado, na cara do Congresso Nacional.

No fim, eu tinha 23 passagens pela polícia. Cumpri a medida [socioeducativa] mais longa dos 16 aos 20 anos. Na primeira, eu estava na 5ª série. Quando saí, já estava no 1º ano do ensino médio. Perdi a infância atrás das grades. Uma coisa vai puxando a outra. A maioria dos meus amigos também tinham 12 ou 13 anos quando começou nisso e hoje mais de 15 morreram. A disputa por ponto onde vender gera muita morte, surras. A expectativa de vida não chega a 18 anos. Quem sobreviveu é porque está na igreja.

O fato de o meu pai ter morrido me influenciou muito também. Com 12 anos, eu já fazia o corre. Na primeira vez que rodei, dois policiais descaracterizados me pegaram vendendo. Prisão era só um lugar onde eu conhecia gente e fazia contato. Saía de lá com um monte de esquema, um tempo totalmente perdido.

Podia ter saído da internação com um curso de cozinheiro, de padeiro, mas não tinha nada disso. Era só um lugar para apanhar e ser chamado de bicho. Os educadores lá dentro diziam que a gente não tinha jeito. É um ensaio para a cadeia, porque o futuro da criança que trafica é virar adulta e ir para a cadeia, se sobreviver.

Tem quatro meses que saí. Fiz novas amizades, mudei de bairro, conheci os amigos do Clube da Leitura.

Comecei a entender de amor próprio, penso muito no tempo que perdi. Terminei o ensino médio e quero entrar em um cursinho, fazer faculdade. Quero ser a prova de que as pessoas mudam.”

MUITO ANTES DE UM CRIME, PARA CRIANÇAS O TRÁFICO É UMA VIOLAÇÃO DE DIREITOS
Jeconias Lopes, 27 anos

Quem vê Jeconias Lopes de terno e gravata, falando articuladamente sobre maioridade penal — ele é contra a redução —, educação, literatura, sociologia, religião e desigualdade social não imagina o passado dele.

Aos 13 anos, o então adolescente cumpriu sua primeira medida socioeducativa, no antigo Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje). Antes dos 18, já tinha 11 passagens pela Delegacia da Criança e do Adolescente. Ele é de família pobre, cresceu no bairro Areal, em Taguatinga (DF), e frequentou escolas públicas. “A gente ia ao colégio procurar educação e encontrava droga na porta. A rua não tinha esgoto, asfalto, nada do básico”, lembra.

Nesse contexto social e sem uma família estruturada, Jeconias logo foi recrutado pelo tráfico. Como já sabia dirigir muito antes da maioridade, tornou-se motorista do grupo. Até que acumulou dinheiro suficiente para comprar a própria droga e revendê-la. “Na escola, você é tratado como um moleque levado. No tráfico, é sujeito homem com 12 anos. A educação tem que encontrar o caminho para concorrer com isso”, afirma.

Ele perdeu as contas de quantas vezes esteve em unidades de internação — acha que foram 26, pelo menos. Ao sair vivo do sistema socioeducativo, o adolescente é aclamado e ganha o respeito de seus pares na comunidade. “O jovem chama o tráfico de trampo, de corre, é um trabalho e também uma violação de direitos”, diz.

O ponto de virada para Jeconias foi o acesso à educação e o apoio da mãe, uma cozinheira que jamais se envolveu com atos ilícitos. “Não sei como seria se ela tivesse desistido de mim. Quem não acredita na mudança nega a própria existência humana. A natureza muda o tempo todo, os planos, por que não as pessoas?”, explica.

Ao deixar o sistema, o rapaz encontrou, por meio de contatos da mãe, um projeto social da Igreja Adventista no qual jovens comercializavam livros para custear os estudos. Também vendeu dindim na rua para juntar dinheiro e estudar.

Por intermédio desse programa, Jeconias fez teologia na Universidad Adventista del Plata, na Argentina, onde formou-se em 2017. Lá, ele conheceu o professor romeno Laurentiu Ionesco, responsável por alimentar no jovem o amor pela leitura. O educador o apresentou a Victor Hugo, George Orwell e Fiódor Dostoiévski, entre dezenas de outros grandes autores.

Foi a primeira vez que Jeconias teve contato com obras clássicas. Encantou-se por Jean Valjean, o protagonista de Os Miseráveis, do escritor Victor Hugo. Na trama, o personagem é preso por roubar pão para alimentar sua família. Com Dostoiévski, em Crime e Castigo, conheceu o conceito de ter “um caráter todo feito de imprevistos”.

Ao pensar sobre desigualdade social, Jeconias viu-se como protagonista da própria história e decidiu escrever um final diferente. Quando retornou ao Brasil, fundou um clube de leitura com ex-detentos, que passaram a dar palestras em presídios e unidades de internação de menores.

Jeconias também tornou-se embaixador da Juventude da Organização das Nações Unidas (ONU). Para tanto, inscreveu seus projetos sociais em um concurso da entidade, no qual a primeira etapa era análise de currículo. A segunda fase consistia em enviar um vídeo explicando o porquê de ser merecedor da vaga. A peneira reduziu o número de concorrentes para 50. O ex-interno do Caje ficou entre os 20 melhores colocados e conquistou o título.

Atualmente, ele auxilia 150 famílias em Samambaia e 138 crianças em Planaltina (ambas cidades da periferia do Distrito Federal), por meio da Adra Brasil. A entidade é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) de objetivos assistenciais, beneficentes e filantrópicos da qual Jeconias é diretor-geral. Com frequência, ressoa em sua mente um trecho de Crime e Castigo: “Que é que os homens temem, acima de tudo? O que for capaz de mudar-lhes os hábitos”.

CONHEÇA O PROJETO DE LITERATURA QUE UNIU AS VIDAS DE JECONIAS, ALESSANDRO E THIAGO:

Ex-detentos criam clube do livro e descobrem o poder da literatura

PACTO PARA SALVAR A INFÂNCIA
Para garantir o cumprimento da lei, um grupo formado por defensores da infância e da juventude elaborou recentemente relatório com proposições voltadas ao combate do aliciamento de crianças e adolescentes pelo narcotráfico. As medidas tratam essa realidade como trabalho infantil, e não pelo viés criminal. A iniciativa reuniu representantes do Ministério Público do Trabalho (MPT), da OIT e do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), além de acadêmicos e membros de organizações não governamentais (ONGs).

“Além da responsabilização desse jovem, é preciso garantir o seu retorno à escola, oferecer profissionalização, assistência social, condições para que se desenvolva plenamente. A punição sem o reconhecimento da violação de direitos não é transformadora”, explica a socióloga Isa Oliveira, secretária-executiva do FNPETI.

O objetivo dos encontros mantidos pelo grupo era chegar a um consenso com argumentos qualificados para reconhecer a atuação desses jovens no tráfico como trabalho infantil. Foram ouvidos inclusive gestores do poder público e responsáveis pela aplicação das medidas socioeducativas. Reforçou-se a conclusão de que o tráfico de drogas é uma cadeia de comercialização, uma rede de trabalho estruturada em etapas produtivas.

Do debate saíram reflexões que foram enviadas aos principais órgãos públicos, como o Ministério do Desenvolvimento Social, e a instâncias da Justiça relacionadas à infância e à juventude.

“A intenção é que exista uma articulação de políticas e serviços para garantir a reinserção desse adolescente na sociedade”, afirma Isa. “É preciso sensibilizar a Justiça para haver o entendimento de que esse jovem é uma responsabilidade de toda a sociedade”, reforça.

O relatório sugere ações de fortalecimento de escolas e comunidades, como projetos artísticos ou esportivos, e a criação de locais de lazer. “As praças estão tomadas pelo tráfico. É preciso reaver esses espaços, oferecer encantamento ao jovem. A gente não pode continuar perdendo as nossas crianças para violência”, conclui a socióloga.

O ORGANOGRAMA DO TRÁFICO
O RECOLHE É O GERENTE (RECOLHE O DINHEIRO DE TODAS AS BOCAS DO MESMO DONO) E FAZ O “FECHA” DA SEMANA (CONTABILIDADE). RECEBE R$ 2 MIL POR SEMANA (*).

O VENDEDOR GANHA 10% OU 15% DE COMISSÃO SOBRE O VALOR VENDIDO NO DIA. PODE FLEXIBILIZAR O TRABALHO E CHAMAR OUTRA PESSOA PARA ATUAR JUNTO COM ELE.

O CAMPANA “GUARDA A LIBERDADE” DO VENDEDOR E O FUNCIONAMENTO DA “BIQUEIRA”. GANHA ENTRE R$ 50 E R$ 60 POR 12 HORAS DE TRABALHO (*).

O ABASTECE PODE TRABALHAR EM APENAS UMA BIQUEIRA OU EM VÁRIAS. CUIDA DO LOCAL ONDE A DROGA FICA GUARDADA OU PODE TRANSPORTÁ-LA. GANHA ENTRE R$ 600 E R$ 1 MIL POR SEMANA, DEPENDENDO DO MOVIMENTO

QUANDO O TRÁFICO OFERECE UM LUGAR NO MUNDO
A exploração de crianças e adolescentes no tráfico de drogas não segue a mesma dinâmica em todos os estados brasileiros, mas, ainda assim, o perfil das vítimas se repete Brasil afora: jovens negros e pobres.

A pesquisa “Tráfico de drogas entre as piores formas de trabalho infantil: mercados, famílias e rede de proteção social”, lançada ano passado pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em São Paulo, ajuda a compreender a realidade de jovens explorados pelo tráfico na capital paulista.

Dos 9.127 internos da Fundação Casa, 40% respondem por tráfico de drogas. Por meio de geoprocessamento, a pesquisa criou mapas que mostram o local de atuação e de moradia de parte desses adolescentes.

“A maioria é negra e pobre. Além disso, vive muito perto de onde trabalha, o que caracteriza um trabalho quase doméstico”, relata a cientista social Ana Paula Galdeano, que coordenou o estudo ao lado do pesquisador Ronaldo Almeida.

De 14 adolescentes diretamente entrevistados (pais e agentes socioeducativos também foram ouvidos), 11 têm familiares presos. Entre eles, seis tiveram parentes assassinados. O estudo conclui que é preciso oferecer medidas protetivas a esses jovens, o que envolve acompanhamento escolar e assistência social.

“No debate público, a categoria ato infracional análoga ao crime de tráfico é mais enfatizada. A perspectiva do trabalho infantil não é considerada. O resultado são as facções criminosas incorporando esses adolescentes como mão de obra. O crime dá um lugar no mundo para eles”, ressalta a cientista social.

COTIDIANO DE TRABALHO
FALTAS E “RAMELADAS” SÃO PUNIDAS COM ADVERTÊNCIA, SUSPENSÃO DO TURNO OU PENALIDADES MAIS SEVERAS E PODEM CAUSAR A PERDA DO TRABALHO.

ENVOLVE SITUAÇÕES MENTALMENTE, FISICAMENTE, SOCIALMENTE E MORALMENTE PERIGOSAS E PREJUDICIAIS.

TRABALHO EXAUSTIVO, PROLONGADO E NOTURNO.

INCAPACIDADE DE FREQUENTAR A ESCOLA.

CONTATO COM SUBSTÂNCIAS QUE OFERECEM RISCO À SAÚDE.

ADOLESCENTES VIVEM ONDE TRABALHAM. AS FRONTEIRAS ENTRE A VIDA PESSOAL E O TRABALHO SÃO BORRADAS. OS JOVENS FICAM MAIS EXPOSTOS A FORMAS DE ASSÉDIO E DE COERÇÃO POR PARTE DE SEUS SUPERIORES.

O VENDEDOR SUBORNA A POLÍCIA E É OBJETO DE “RESGATE” PARA “ACERTOS” COM O DONO DA BIQUEIRA.

O ENFOQUE DA REPRESSÃO ESTÁ JUSTAMENTE NO PEQUENO OPERADOR, MAIS MARGINALIZADO E VULNERÁVEL.

RIO DE JANEIRO, FÁBRICA DE MENINOS-SOLDADOS
O Observatório das Favelas monitora a presença de crianças e adolescentes no tráfico de drogas no Rio de Janeiro. O percentual de pessoas com idade entre 10 e 12 anos que entram para essa atividade ilegal na capital fluminense passou de 6,5% em 2006 para 13% em 2017, segundo o estudo “Novas configurações das redes criminosas após a implantação das UPPs”.

Foram 261 entrevistados no Departamento Geral de Ações Socioducativas (Degase) e em comunidades do Rio. A maioria tem entre 16 e 24 anos (62,8%); 96,2% são do sexo masculino; e 72% se declararam pretos ou pardos.

“Grande parte deles é proveniente de famílias numerosas, chefiadas por mulheres com baixo nível de renda. Esses elementos indicam que o problema está associado a desigualdades socioeconômicas, raciais, etárias e de gênero”, relata Raquel Willadino, diretora do Observatório das Favelas.

A pesquisa traz análise sobre o perfil e as práticas de jovens inseridos na rede do tráfico de drogas no varejo em favelas do Rio de Janeiro. Também traduz as dinâmicas que afetam o campo da saúde pública.

O estudo pretende oferecer subsídios para a construção de políticas e ações públicas que visem a superação da lógica da “guerra às drogas”. “Consideramos que uma maior compreensão sobre o perfil e as práticas desses jovens é fundamental para romper com estigmas e impulsionar a criação de alternativas”, afirma Raquel Willadino.

POR QUE ENTREI PARA O TRÁFICO
AJUDAR A FAMÍLIA/GANHAR MUITO DINHEIRO – 62,1%
LIGAÇÃO COM AMIGOS – 47,5%
ADRENALINA – 15,3%
DIFICULDADE EM CONSEGUIR QUALQUER OUTRO EMPREGO – 14,6%
DIFICULDADE EM CONSEGUIR OUTRO EMPREGO COM A MESMA RENDA – 9,2%
DIFICULDADE EM ESTUDAR – 6,5%
VIOLÊNCIA FAMILIAR – 3,8%
SENSAÇÃO DE PODER – 3,8%
VONTADE DE USAR UMA ARMA – 3,4%
FACILIDADE PARA CONSUMIR DROGAS – 2,7%
STATUS – 2,7%
OUTROS – 11,9%
Fonte: estudo “Novas configurações das redes criminosas após a implantação das UPPs”/Observatório das Favelas

Quanto à trajetória escolar, 78,2% dos jovens entrevistados tinham abandonado a escola. Os principais motivos apresentados para a evasão foram razões de natureza econômica, falta de atrativos do colégio e, em alguns casos, incompatibilidade com a atividade desenvolvida no tráfico de drogas.

É IMPORTANTE DESTACAR QUE NA MAIORIA DOS CASOS A EVASÃO ESCOLAR OCORREU DURANTE A ADOLESCÊNCIA, MESMO PERÍODO EM QUE PREDOMINA O INGRESSO NO TRÁFICO. ESSA RELAÇÃO É UM ELEMENTO IMPORTANTE PARA O DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO.

Raquel Willadino, diretora do Observatório das Favelas

Para a especialista, vale ressaltar que 66,3% dos entrevistados tiveram experiências profissionais anteriores ao tráfico de drogas. Porém, os tipos de trabalho disponíveis aos jovens ouvidos, em geral, são muito ruins, com vínculos frágeis e baixos rendimentos.

“A falta de atratividade da escola, a precariedade das condições de trabalho às quais eles tiveram acesso e a perspectiva de um rendimento mais alto na rede ilícita são fatores que favorecem o tráfico de drogas ser percebido como uma atividade atrativa”, esclarece.

Em relação aos fatores que podem impulsionar a saída do tráfico, os jovens destacam os vínculos afetivos e a possibilidade de acesso a um trabalho digno e rentável.

“Um dado muito relevante é que 40,2% dos entrevistados já se afastaram do tráfico em algum momento de modo voluntário. Esse resultado coloca em evidência que são muitos os jovens que querem construir outras trajetórias”, observa Raquel Willadino. “Nesse sentido, é fundamental investir na formulação de políticas públicas que contribuam para a sustentabilidade desse movimento de saída”, conclui a diretora do Observatório das Favelas.

38,7%
DOS ENTREVISTADOS AFIRMARAM TER POUCA OU NENHUMA SATISFAÇÃO COM A VIDA QUE LEVAM NO TRÁFICO

O RISCO DE MORTE É
APONTADO POR
82,8%
DOS JOVENS COMO O PIOR
ASPECTO DA VIDA NO TRÁFICO

PENSANDO EM SOLUÇÕES
O ESTUDO DO OBSERVATÓRIO DAS FAVELAS APRESENTA PROPOSIÇÕES QUE VISAM CONTRIBUIR PARA A CRIAÇÃO DE ALTERNATIVAS COMO:

FORMULAÇÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS PARA A PREVENÇÃO AO INGRESSO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES NA REDE ILÍCITA E PARA A CRIAÇÃO DE ALTERNATIVAS DESTINADAS AOS QUE NELA ATUAM E DESEJAM SAIR;
INVESTIMENTO EM POLÍTICAS PÚBLICAS DE PREVENÇÃO SECUNDÁRIA E TERCIÁRIA;
PRIORIZAÇÃO DAS DIMENSÕES RACIAIS, ETÁRIAS, DE GÊNERO E TERRITORIAIS NAS POLÍTICAS PREVENTIVAS, POTENCIALIZANDO AÇÕES VOLTADAS À VALORIZAÇÃO DA VIDA DA JUVENTUDE NEGRA MORADORA DE FAVELAS E PERIFERIAS;
REALIZAÇÃO DE BUSCA ATIVA PARA A INSERÇÃO NO SISTEMA EDUCATIVO E DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS QUE FAVOREÇAM A MANUTENÇÃO DO VÍNCULO COM O CONTEXTO ESCOLAR;
FOMENTO DE OPORTUNIDADES DE APRENDIZAGEM E POLÍTICAS EFETIVAS DE GERAÇÃO DE TRABALHO E RENDA PARA OS JOVENS E SEUS FAMILIARES;
CONSTRUÇÃO DE PROGRAMAS DE FORMAÇÃO E QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL VOLTADOS ESPECIFICAMENTE PARA JOVENS ENVOLVIDOS NA REDE ILÍCITA QUE DESEJAM SAIR, RESPEITANDO SUAS DEMANDAS, ANSEIOS PROFISSIONAIS E PERFIS SOCIOECONÔMICOS;
FORTALECIMENTO DE INICIATIVAS VOLTADAS PARA JOVENS EGRESSOS DO SISTEMA PENITENCIÁRIO E ADOLESCENTES SAÍDOS DO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO;
DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS QUE CONTRIBUAM PARA ROMPER COM A ESTIGMATIZAÇÃO DESSES JOVENS E QUE POTENCIALIZEM A CONSTRUÇÃO DE ALTERNATIVAS À REDE ILÍCITA;
DESENVOLVIMENTO DE ESTRATÉGIAS DE MEDIAÇÃO DE CONFLITOS;
FORTALECIMENTO DE MECANISMOS E PROGRAMAS DE PROTEÇÃO A PESSOAS AMEAÇADAS DE MORTE;
CONSTRUÇÃO DE POLÍTICAS DE SEGURANÇA PÚBLICA QUE TENHAM A PROTEÇÃO DA VIDA COMO PREMISSA FUNDAMENTAL E QUE POSSIBILITEM ROMPER COM LÓGICAS QUE PRIORIZAM O CONFRONTO E A MILITARIZAÇÃO PROGRESSIVA.

Fonte: http://bit.ly/2m4kGvX

DIRETORA-EXECUTIVA
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EDITORA-EXECUTIVA
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COORDENAÇÃO
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ILUSTRAÇÃO
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TECNOLOGIA
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Maníaco que matou Letícia e Genir diz ter assediado ao menos 10 mulheres

Marinésio Olinto afirmou que tinha costume de pegar o carro e rodar pelas ruas de Planaltina em busca de mulheres desacompanhadas

Marinésio dos Santos Olinto, 41 anos, assassino confesso de duas moradoras do Distrito Federal, revelou aos investigadores da Polícia Civil mais detalhes da rotina que levava em Planaltina antes de ser preso no último domingo (25/08/2019). Ele afirmou que tinha o hábito de pegar o carro nos dias de folga e circular pela cidade atrás de mulheres. Contou que costumava abordar as que estavam sozinhas em paradas de ônibus. Na versão dada aos policiais, ressaltou que oferecia carona para a rodoviária e, no trajeto, assediava as vítimas. Pelas contas do maníaco, seriam pelo menos 10. Entretanto, negou estar envolvido em outras mortes ou estupros.

Com temperamento frio e calculista, o cozinheiro relatou que, quando percebia que a conversa ia engrenar durante o trajeto, iniciava o assédio. Segundo o criminoso, quando a mulher recusava, parava o carro e a abandonava no meio da estrada. O homem confessou que chegou a roubar objetos pessoais de alguns dos alvos, guardados como troféus.

Sobre as mortes, insistiu em alegar que teve um “apagão”. Disse que, “quando voltou a si”, estava com as mãos no pescoço das mulheres. A baixa estatura chamou a atenção dos policiais que trabalham nas apurações. Com apenas 1,55 m de altura, o suspeito não usou arma de fogo para executar as vítimas. De acordo com depoimentos prestados ao longo das investigações, afirmou que matou Letícia Sousa Curado, 26, e Genir Pereira de Sousa, 47, com as próprias mãos, por esganadura.

Policiais ouvidos pela reportagem afirmaram que, durante as oitivas, Marinésio não demonstrou arrependimento ou remorso por ter cometido os crimes. Lamenta por ter sido preso e pelas consequências da exposição dos fatos, principalmente por colocar como alvo da ira de populares a mulher e a filha.

Enquanto os casos não são relatados e remitidos à Justiça, o acusado segue preso na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE). Após ser ameaçado por outros internos, precisou ser isolado. O cozinheiro recebe apenas a visita do advogado.

Nessa quinta-feira (29/08/2019), Marinésio prestou depoimento por cerca de nove horas na Delegacia de Repressão ao Sequestro (DRS). A especializada apura o desaparecimento da empregada doméstica Gisvania Pereira dos Santos, de 33 anos. O maníaco negou envolvimento no caso e disse não conhecer a moradora do condomínio Nova Colina, em Sobradinho. No entanto, informações complementares prestadas por ele serão alvo de novas diligências.

Gisvania foi vista pela última vez em 6 de outubro de 2018, em um posto de combustíveis da BR-020. Desde então, o caso tem sido tratado com prioridade pela DRS. Outros possíveis suspeitos já foram interrogados. Os detalhes da investigação, no entanto, não podem ser revelados, pois o inquérito segue em sigilo.

Denúncias

As denúncias seguem aumentando desde que a Polícia Civil desvendou o desaparecimento da funcionária terceirizada do Ministério da Educação (MEC) e advogada Letícia Sousa Curado.

A polícia apura a participação de Marinésio em outros ataques. Os crimes variam entre assédio, sequestro, estupro e homicídio. Os investigadores da PCDF trabalham para encontrar elementos que possam associá-lo aos supostos crimes, cometidos desde 2012, ou descartar o envolvimento do assassino confesso de Letícia e Genir nessas ocorrências.

Confira a lista de casos em que Marinésio é suspeito:

1) Letícia de Sousa Curado – Desaparecida após sair para o trabalho, em 23 de agosto de 2019, e encontrada morta três dias depois;

2) Genir Pereira de Sousa – Desaparecida em 2 de junho deste ano, após sair do trabalho e encontrada morta 10 dias depois;

3) Gisvânia Pereira dos Santos Silva – Desaparecida em outubro de 2018, em Sobradinho;

4) Irmãs atacadas – As vítimas contaram ter fugido do ataque de Marinésio um dia depois de ele ter matado Letícia, em Planaltina;

5) Adolescente de 17 anos – Jovem diz ter sido estuprada em área de pinheiros, abandonada e chamada de “lixo”;

6) Moradora do Paranoá, de 42 anos – A mulher diz ter sido estuprada por Marinésio em 2018;

7) Lays Dias Gomes – Desapareceu no dia 7 de julho de 2018, após sair de casa rumo a uma parada de ônibus, em Samambaia. Naquele dia, ela não chegou a dizer à família para onde iria;

8) Vítima desaparecida no Paranoá – Caso de 2014 foi reaberto após semelhanças com modo de agir de Marinésio. A polícia não divulgou o nome;

9) Vítima desaparecida em Sobradinho – Essa ocorrência, entre 2014 e 2015, foi reaberta agora após semelhanças com o modus operandi de Marinésio. O nome da vítimas não foi divulgado pela polícia;

10) Babá moradora da Fercal – A vítima não teve o nome revelado, mas está desaparecida há um ano e meio após ter se dirigido a uma parada de ônibus;

11) Mulher de 23 anos – Em agosto deste ano, conseguiu escapar do ataque após ameaçar se jogar do carro em movimento. Foi abordada na Rodoviária de Planaltina;

12) Marília de Lurdes Ferreira – Desaparecida em agosto de 2012, ela foi achada morta um mês depois, na linha férrea dos arredores do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA);

13) Caroline Macêdo Santos – A adolescente de 15 anos foi encontrada morta no Lago Paranoá em maio do ano passado. A jovem era amiga da filha de Marinésio dos Santos Olinto e morava a 800 metros da casa do cozinheiro, no Vale do Amanhecer.


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