Ingestão precoce de álcool entre adolescentes do DF preocupa sociedade

Especialistas alertam sobre a importância do diálogo para que a ingestão de bebidas na adolescência não se torne excessiva e venha a causar dependência
Deborah Fortuna – Especial para o Correio
alcoolAdolescentes do DF bebem mais que a média nacional

Maria* não queria beber naquela noite, mas cedeu à pressão dos amigos e do ex-namorado. Aos 14 anos, em uma festa no apartamento de um conhecido, topou participar de uma brincadeira com bebida alcoólica. A cada rodada, uma pessoa fazia uma confissão sobre algo que nunca tinha feito na vida.

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Os demais deveriam ingerir uma dose de vodka pura, caso tivessem passado pela experiência. Depois de três ou quatro goles, já no fim da brincadeira, todos foram parar em outra residência, a garota não soube explicar como. Relata, inclusive, que acordou com uma blusa que não era dela.

A história não é uma exceção entre os adolescentes. Eles aceleram o processo que, legalmente, deveria começar apenas aos 18 anos. Há dois anos, a Lei nº 13.106, de 2015, tornou crime servir bebidas alcoólicas a crianças e a adolescentes.

No mesmo ano de criação da norma, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que mais da metade dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental no Distrito Federal tinham experimentado álcool pelo menos uma vez.

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O número do DF supera a estatística nacional. Em todo o país, 55,5% dos adolescentes matriculados nessa etapa do ensino admitiram ter bebido uma dose de álcool pelo menos uma vez na vida — 4 pontos percentuais a menos do que no DF — e 18,4% confessaram ter experimentado cigarro. Mais de um quinto dos jovens de 13 a 15 anos brasileiros sofreram algum tipo de embriaguez.

Outro relato de Maria mostra como o acesso ao álcool é facilitado. Dessa vez, ela conta que, aos 15 anos, foi à festa de uma colega da escola. A regra era que apenas maiores de 18 anos recebessem uma pulseira e pudessem passar para a área do bar.

Mas a menor afirma que não foi preciso esperar muito tempo: logo, nenhum barman estava preocupado em checar quem eram as pessoas autorizadas a beber e todos os amigos aproveitaram para escolher os mais diversos drinks que constavam no cardápio.

Nesse dia, ela chegou a perder a bolsa e os sapatos. A adolescente lembra que ficou de castigo depois que a mãe descobriu a primeira aventura com a bebida. “Eu perdi a confiança da minha mãe. Depois da festa, prometi que não ia mais beber”, disse. “Mas, nessa hora, os amigos caçoam, “e fica apenas na promessa”.

Em um grupo de 12 menores entrevistados pelo Correio, apenas um afirmou que ainda não tinha ingerido bebida alcoólica ou fumado. Uma das meninas, de 17 anos, contou que o “point” é uma praça pública, com árvores, bancos de concreto e pequenos pilares para exercício, que fica próximo à unidade de ensino onde estudam.

“Quando um dos professores libera, é pra lá que a gente vai”, contou um rapaz. A compra é feita em uma distribuidora de bebidas que não exige nenhum documento dos jovens clientes. De acordo com a adolescente de 17 anos, os amigos ficam tão alcoolizados que é necessário esperar algumas horas até que todos estejam em condições de voltarem para casa. “Eu não sei como que todo mundo consegue ver o número do ônibus ou em qual está entrando”, admitiu.

A diretora de uma das escolas também confirma problemas com alunos que passam dos limites. Para ela, os principais são os que envolvem adolescentes de até 15 anos. Uma menina, inclusive, levou garrafa de bebida para dentro da área escolar. Segundo a diretora, o comum é que eles se afastem do colégio para ter mais privacidade.

Porém, quando alguém passa mal por conta dos efeitos do álcool, é a escola o lugar para o qual recorrem. “Eles trazem o amigo que está mal e nós chamamos os responsáveis para que eles levem o aluno ao hospital”, contou.

Entre um trio de adolescentes ouvidos pelo reportagem, todos tinham experimentado alguma bebida, apesar de duas moças não fazerem uso frequente. O rapaz, de 17 anos, contou que também fuma. Eles relataram que os colegas de sala têm um grupo no aplicativo de mensagens WhatsApp e que é por meio dele que geralmente marcam um encontro depois da aula.

Como alguns amigos têm 18 anos, a compra é feita pelos mais velhos. Em uma ocasião, um aluno passou tão mal em uma praça que os próprios moradores das quadras próximas reconheceram o uniforme e avisaram a instituição. “Ele chegou a vomitar em cima do vice-diretor da escola”, contou o adolescente.

Questão social

A principal preocupação com relação ao uso do álcool, segundo especialistas, são os efeitos que a ingestão precoce dessas bebidas podem causar no futuro. “Não é uma coisa da juventude e que depois passa”, observa o sociólogo e especialista em segurança no trânsito Eduardo Biavati.

Os problemas envolvem não apenas o desenvolvimento da dependência física, mas também a criação de hábitos perigosos, como o de dirigir sob o efeito da bebida. Para Biavati, se trata de um problema de saúde pública e que a sociedade precisa aprender a lidar com as transformações pelas quais se passa durante a adolescência — começar a beber, aprender a dirigir, ser aceito pela turma.

Nesse sentido, a família tem papel fundamental, alerta o especialista. Segundo ele, é na pré-adolescência que os pais devem fiscalizar e conversar com os menores, pois, mais tarde, o controle pode se tornar mais difícil.

“Os pais vão fazer o quê? Ir para as festas? Para as boates? Isso não é realista. A gente consegue ter indícios conversando com os amigos dos filhos e das filhas, falando sobre os amigos. Às vezes, a criança não fala dela, mas fala dos amigos. É muito difícil fazer parte de um grupo e não compartilhar os hábitos dele”, aconselha.

A psicóloga e especialista na área de drogas na adolescência Maria Fátima Olivier Sudbrack acrescenta que a questão do álcool não é apenas culpa dos jovens, mas da sociedade como um todo.

Segundo ela, a cultura brasileira aceita a bebida como natural e estimula cada vez mais o consumo, mesmo entre os menores. Muito do incentivo vem da própria família ou mesmo da pressão dos amigos, para que o adolescente possa se sentir parte de um grupo.

De acordo com Maria Fátima, nessa idade, os amigos são as pessoas que mais influenciam, mas isso não tira a responsabilidade ou mesmo o consentimento dos próprios pais.

“Tem gente que diz que o filho virou homem porque tomou o primeiro porre. Nós chamamos isso de alcoolização da juventude. Não estou querendo que a gente tenha apenas uma visão repressora, mas é uma questão de conscientização e prevenção e de repensar o que estamos mostrando para eles”, explica.

Justiça

A Seção de Apuração e Proteção (Seapro) da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal é responsável por fiscalizar locais onde haja o ingresso de crianças e adolescentes desacompanhados, como cinemas, shows e casas noturnas.

Com isso, eles permitem o alvará e iniciam um processo de conscientização com bares e ambulantes para que a venda de bebida ou cigarro seja proibida a menores.

Caso seja constatado que a criança conseguiu comprar álcool dentro do ambiente, os produtores são penalizados. Se houver flagrante, o vendedor é levado à delegacia e responde a processo criminal. O trabalho com os menores, por sua vez, é educativo, por meio de diálogo e de orientação.

* Nome fictício em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.

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Pesquisa encontra relação entre transtornos de borderline e adicções

Nos relacionamentos aditivos, a necessidade de garantir a presença do outro pode ter um padrão similar à dependência de uma droga

Por Ivanir Ferreira – Editorias: Ciências da Saúde
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“A suplicante”: imagem da escultura de Camille Claudel
borderline.Pesquisa do Instituto de Psicologia (IP) da USP detecta inter-relação entre distúrbios de borderline, problema psíquico que afeta pessoas que estabelecem relações afetivas turbulentas e destrutivas, e comportamentos adictivos, quando indivíduos criam vínculos de dependência com drogas, jogos, objetos e com o outro. O trabalho traz novos conhecimentos sobre doenças de saúde mental e contribuirá para uma melhor intervenção de atendimentos de pacientes que sofrem com o problema.

Conhecidas pelas oscilações de humor, relacionamentos turbulentos, impulsividade e sentimento constante de ameaça pela perda de amigos, familiares ou pessoa amada, pessoas com este perfil psicológico não só sofrem por não controlar suas próprias emoções mas também pelo estigma social que a doença lhes traz. Segundo o psicanalista Marcelo Soares da Cruz, autor da pesquisa, os que vivem este drama são vistos como pessoas mimadas, destrutivas e inconsequentes. Embora sejam difíceis de lidar, precisam receber tratamento adequado e serem acolhidas. Agem por necessidades emocionais profundas e concretas, não por mero capricho.

Tendo como base dados clínicos, o psicoterapeuta analisou três casos concretos: uma mulher de 35 anos, um adolescente de 14 e um homem de 32. Conhecendo a história de vida destes pacientes, foram diagnosticados como tendo características de ambos os transtornos, borderline e adicção. A pesquisa “chegou à compreensão de que o sofrimento borderline carrega um traço de adicção inerente. Uma ‘fissura’ maciça pelo outro, a fim de garantir sua presença, nos moldes do uso de uma droga, que tem que ser repetidamente buscada”, explica Cruz.

Marcelo Soares Cruz: “A psicoterapia vai construir uma experiência emocional e relacional mais estável com o outro”, – Foto: Arquivo pessoal de Marcelo Soares Cruz
Marcelo Soares Cruz: “A psicoterapia vai construir uma experiência emocional e relacional mais estável com o outro”,
borderline-pisicoterapeutaDos três pacientes, a mulher chegou ao consultório com uma história de vida bastante conturbada. Com apenas 32 anos, já tinha passado pela experiência dolorosa de 35 internações em clínicas psiquiátricas. Todas por tentativas de autolesão (pular de uma janela alta, ligar o gás na tentativa de se asfixiar e ou sair do carro em movimento). “Ela recorria a expedientes que tentavam provocar no outro uma aproximação.” Para o psicoterapeuta, é uma desesperança no vínculo afetivo. Os atos contundentes buscam essencialmente a manutenção da ligação, na forma de um vício ao outro, afirma.

Embora fosse casada, a mulher buscava freneticamente outros relacionamentos pela internet, mas sem intenção de traição conjugal. O psicoterapeuta percebeu que ela desejava apenas aferir o interesse de outras pessoas por ela. Nos prontos socorros, frequentava hospitais para contrair doenças e ser posteriormente cuidada por seus familiares. Na fantasia de sua cabeça, “estar doente significaria ter a garantia da presença do outro”, explica.

Tanto o adolescente como a mulher faziam conjuntamente acompanhamento psiquiátrico. A psicoterapia trabalhou na linha de construção de uma experiência emocional e relacional mais estável. O objetivo era restituir, abrigar e significar falhas importantes ocorridas na primeira infância ou que tinham sido desencadeadas por acontecimentos traumáticos vividos pela pessoa, afirma Cruz.

O acompanhamento psicoterapêutico deu resultados positivos. A paciente, que nunca havia trabalhado, teve uma primeira experiência de atividade profissional, passou a ser uma pessoa mais organizada e começou a ter mais autonomia, “conquistas viabilizadas pela construção da experiência de permanência interna dessas figuras, em detrimento das fantasias de ruptura tão proeminentes em sua vida anterior”. Em meio ao tratamento, lendo o livro O Pequeno Príncipe, a paciente se identificou com a rosa que era bastante solitária no mundo. “Ela encontrou suporte na obra de Antoine de Saint-Exupéry e conseguiu dar sentido e verbalizar seu sofrimento”, avalia o pesquisador.

info-borderline-disturbiosA tese Adição ao outro em pacientes fronteiriços: um estudo psicanalítico foi orientada pela professora Leila Salomão de la Plata Cury Tardivo, do Instituto de Psicologia (IP) da USP, e pode ser acessada na íntegra neste link.

Mais informações: e-mail marceloscruz@usp.br, com Marcelo Soares da Cruz.
Site: http://jornal.usp.br/

Cinco anos depois, estuprador conta detalhes de como matou jovem no DF

Segundo a polícia, Walker Fernandes Faraes matou Yusllayne Teixeira Reis em 2012, na Estrutural, e jogou o corpo dela em um lote vazio

Mirelle Pinheiro MIRELLE PINHEIRO
14/03/2017 11:40 , ATUALIZADO EM 14/03/2017 11:47

ESTRUPADORA frieza de Walker Fernandes Faraes (foto de destaque), 24 anos, impressiona. Acusado de estuprar e matar Yusllayne Teixeira Reis, 18 anos, em 2012, na Estrutural, ele foi apresentado nesta terça-feira (14/3) pela Polícia Civil do DF. Finalmente, o que ocorreu naquele dia 18 de março foi esclarecido. Ele contou que deu 24 facadas na jovem e depois jogou o corpo dela em um terreno baldio.

As facadas atingiram os seios, o pescoço, mãos e as costas da mulher. Os investigadores chegaram ao autor da barbárie graças ao banco de DNA. É possível que ele tenha feito outras vítimas no DF.

Segundo a polícia, Walker confessou o crime com tranquilidade. Disse que estava descascando laranja na porta da casa de um tio quando viu a menina passar na rua. Ele afirmou que não a conhecia. Usou uma faca para abordá-la. A violentou e, após ser mordido pela vítima, a executou, com medo de ser reconhecido.

REPRODUÇÃO/PCDF
Reprodução/PCDF
Yusllayne tinha dois filhos

De acordo com a polícia, após o crime, Walker foi para casa tomar banho, trocou de roupa e voltou para o local do estupro para se desfazer do corpo. No dia seguinte, quando a jovem foi encontrada, ele fugiu para Minas Gerais. Se condenado, as penas serão somadas, e ele pode ficar mais de 30 anos preso.
YULIIANE

Yusllayne era casada, tinha dois filhos e voltava do trabalho para casa, em uma açougue de Vicente Pires, quando foi morta. Segundo a delegada Viviane Bonato, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do DF, Walker representa “um grande perigo para a sociedade se ficar em liberdade”.

O assassino foi identificado após ter o DNA reconhecido no Banco Nacional de Perfis Genéticos. O acusado já foi condenado por outros quatro estupros, sendo um deles cometido em Paracatu (MG), em 2011, e outros três em Unaí (MG). Ele estava preso em Belo Horizonte, capital mineira.

Veja a entrevista da delegada:

Depois de estuprar uma mulher em Minas Gerais, ele veio para o DF se esconder. Mas não conseguiu conter seus impulsos, matando Yusllayne.

Site:
http:http://www.metropoles.com

Meninas estão despidas de autoestima e proteção’

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14 mar 2017

· O Globo
· *LUÍS GUILHERME JULIÃO luis.juliao@infoglobo.com.br
Vanessa Campos, ativista Ex-operadora do mercado financeiro, carioca voltou ao Rio durante pausa em atividades sociais em Portugal

“Tenho 49 anos, sou carioca, trabalhei a vida toda no mercado financeiro e já morei em Hong Kong e nos Estados Unidos, onde me formei piloto de avião. Hoje, dedico-me integralmente ao Dress a girl around the world, projeto que levei para Portugal em 2016, quando me mudei para lá.”
image001 (25)Conte algo que não sei.
É comum ver meninas pobres na África vestidas de princesa, porque a fantasia, fruto de doação, é a única roupa que têm. Para muitas delas, o conjunto com vestido e duas calcinhas que entregamos, não só na África, mas em qualquer lugar do mundo, são a primeira roupa nova que recebem na vida, e o selo do projeto pregado no tecido ajuda a inibir predadores sexuais, que ficam com medo de serem punidos.
Como conheceu o projeto?

Conheci o Dress a girl around the world pelo Facebook, em 2013, quando me mudei de Hong Kong para os Estados Unidos, largando meu trabalho no mercado financeiro para realizar o sonho de fazer um curso de piloto de avião. Depois, comecei a fazer os vestidos com uma amiga. Quando fui para Portugal, consegui parceria com um ateliê, que cedeu o espaço e ainda convocou voluntárias para me ajudar.

Hoje, são 15 ateliês no país e 1.700 vestidos entregues desde julho de 2016, apenas com parcerias e doações. No mundo todo, o projeto já entregou mais de 500 mil vestidos para 81 países.

Por que fazer vestidos para meninas?
Tive muitas oportunidades bacanas na vida e queria fazer com que todas as mulheres do mundo acreditassem que elas podem ser o que quiserem. O objetivo do vestido é dar proteção às meninas, porque muitas delas estão despidas, não necessariamente de roupas, mas de dignidade, autoestima e proteção. Pregamos uma etiqueta do projeto na barra do vestido, e líderes locais dizem que alguns predadores sexuais se afastam delas quando veem a etiqueta. Damos vestidos para meninas de 2 a 12 anos. Eu gostaria de fazer bermudas para meninos, também, mas ainda não temos braço para isso.

Como funciona o trabalho?
Com parcerias, doações e trabalho de voluntários, fazemos os vestidos e os enviamos a ONGs, que fazem a entrega e nos enviam fotos das meninas usando as roupas. O projeto ajuda não só as meninas, mas também as senhoras que dele participam. Muitas delas eram deprimidas, ou se sentiam sozinhas, e hoje passam a tarde rindo, brincando e fazendo peças supercriativas.

Você já entregou vestidos pessoalmente?
Em fevereiro, fui a Moçambique entregar 530 vestidos. É uma emoção muito forte. A realidade é muito dura e, para algumas delas, é a primeira roupa nova de suas vidas. Quando vi, pela primeira vez, uma menina usando um vestido que eu tinha feito me acabei de chorar e não quis mais parar de fazer o projeto.

Seu trabalho tem a ver com feminismo?
Estamos num momento de muita luta no Brasil pelos direitos das mulheres, no mundo todo, aliás, mas na África elas são consideradas a corja da sociedade.

Quando você desenvolveu essa consciência feminista?
Desde que eu era pequena. Sempre gostei dos brinquedos dos meninos, jogava bola, andava de skate e, felizmente , vivi numa casa em que meus pais nunca me proibiram de ter acesso a essas coisas. No mercado de trabalho, notei que meu salário sempre era menor que o dos homens e isso me revoltou. As mulheres não estão em busca dos lugares dos homens, estão em busca dos lugares delas.

Casal é resgatado de ilha do Pacífico graças a S.O.S. na areia

Náufragos estavam com comida limitada

postado em 28/08/2016 10:32 / atualizado em 28/08/2016 14:50
France Presse
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Um casal preso há uma semana em uma ilha deserta do Pacífico foi resgatado depois que um avião que participava de sua busca avistou um sinal de S.O.S. escrito na areia, anunciaram neste domingo (28/8) membros da guarda costeira americana. Um avião da Marinha americana encontrou o casal, “que tinha um estoque limitado de comida”, na ilha East Fayu, Micronésia, segundo o comunicado da guarda costeira.

O avião decidiu sobrevoar a região após receber informações de um barco que afirmou ter visto luz na ilha à noite. “A operação de busca de Linus e Sabina Jack foi um sucesso”, diz um comunicado da embaixada dos Estados Unidos em Colonia. “Orientamos a busca na ilha porque sabíamos que não era habitada, e que o casal tinha uma lanterna no barco.”

O casal zarpou no último dia 17 da ilha de Weno, Micronésia, em uma embarcação de cinco metros. O alerta foi dado no dia seguinte, uma vez que eles não chegaram ao destino previsto, a ilha de Tamatam. Quinze barcos e dois aviões foram mobilizados durante a semana de buscas, para cobrir 43.000 km², segundo a guarda costeira.
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Cidadãos de lugar nenhum: DF tem 11 moradores sem nacionalidade

Correio encontrou alguns desses apátridas e mostra as dificuldades que eles enfrentam diariamente por não possuírem serem reconhecidos por seus países de origem
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postado em 29/06/2016 18:50 / atualizado em 29/06/2016 19:02
Fernando Jordão – Especial para o Correio /
Arquivo Pessoal/Reprodução
Apesar de terem nascido na Síria, o país não os reconhece como cidadão por serem de descendência palestina.
image001 (4)No filme O Terminal (2004), Tom Hanks dá vida a Viktor Navorski, um turista que, ao chegar no aeroporto de Nova York, descobre que seu país deixou de existir em razão de uma guerra. Por consequência, ele vira um cidadão sem pátria. A aventura ficcional retratada no cinema é um drama bem real na vida de algumas pessoas: só no Brasil, há 1.787 apátridas – cidadãos sem nacionalidade -, segundo dados do Ministério da Justiça e Cidadania. Onze deles moram no Distrito Federal.

Sem ter nacionalidade, uma pessoa não consegue obter documentos básicos. Assim, ela também perde ou enfrenta dificuldades para desfrutar de direitos fundamentais garantidos aos cidadãos de um país, como conseguir um emprego, fixar residência ou viajar livremente. Além disso, os apátridas não recebem proteção territorial e consular por parte de nenhum país. Em caso de um desastre natural, por exemplo, eles não receberiam apoio de nenhuma dmbaixada. Em síntese, é como se essas pessoas não existissem legalmente. O Brasil é um país que recebe apátridas e os classifica como refugiados.

Ahmad Hosien tem 26 anos e deixou a Síria para fugir da guerra civil que assola o país
Ahmad Hosien, de 26 anos, é apátrida e morador do Paranoá. Ele nasceu na Síria, mas, por ser descendente de palestinos, nunca recebeu a nacionalidade síria. Seu único documento era um passaporte provisório, que lhe dava o direito de deixar o país apenas uma vez – e sem retorno. Há um ano, então, ele tomou a difícil decisão de abandonar os pais (que nunca mais viu), a casa e o emprego como professor primário para fugir da guerra civil que assola sua terra natal. “O que você vê na TV, eu já vi pior ao vivo. Bombardeios, crianças morrendo… Saí porque não queria ser morto nem matar ninguém”, lembra, emocionado.

O jovem conta que o Brasil foi o único país que lhe abriu as portas. Quando chegou por aqui, recebeu um visto de refugiado. Esse, aliás, é o tratamento que o governo brasileiro costuma dar aos apátridas. Para a diretora do Instituto de Migrações e Direitos Humanos (IMDH) – entidade social sem fins lucrativos que atende refugiados e apátridas -, Rosita Milesi, tal apoio ainda é “muito modesto”. “Uma alternativa de promover apoio às pessoas apátridas é através do refúgio, mas embora boa, esta não é a solução ideal. É necessário adotar uma legislação interna que lide e trate com especificidade o tema, definindo um responsável por avaliar os casos e promover ações no sentido de sanar esta lacuna na vida das pessoas apátridas”, justifica.

O Ministério da Justiça informou que os apátridas podem ter acesso aos mesmos serviços públicos ofertados para brasileiros e imigrantes, “conforme previsto na legislação brasileira e na Convenção sobre o Estatuto da Apatridia, que está internalizada no Brasi.” Ainda segundo a pasta, o país assinou as duas principais convenções internacionais sobre o tema: a que dispõe sobre o Estatuto dos Apátridas, de 1954, e a Convenção para a Redução dos Casos de Apatridia, de 1961.
Arquivo PessoalWajdy Mussa acompanhado da mulher, Reem Hassan, e dos dois filhos: o mais novo é brasileiro

Apesar disso, um outro apátrida morador do DF, Wajdy Mussa, de 25 anos, reclama que não recebeu auxílio do governo brasileiro e enfrenta dificuldades financeiras para conseguir manter a família. Amigo de infância de Ahmad, Wajdy veio para o Brasil pouco depois do colega, trazendo consigo a mulher, Reem Hassan, 27, e o filho, Issam Mousa, 3, todos apátridas. Todos os membros da família receberam vistos de refugiados, mas não pretendem pedir a nacionalidade brasileira. “Não desfazendo do Brasil, que de um ponto de vista é o melhor país do mundo, mas o nosso desejo hoje é ir para a Europa, onde estão meus pais e os da minha esposa”, afirma. Contudo, independente do país que escolher para viver, o casal terá para sempre um vínculo com o Brasil: Wajdy e Reem acabam de ter mais um filho que nasceu no país e se tornou o primeiro membro da família a ter uma nacionalidade.

Ao contrário dos amigos, Ahmad pretende continuar no Brasil para “levantar a vida”. Ele já recebeu uma identidade permanente e pode ficar para sempre no país. Em breve, receberá o Registro Nacional de Estrangeiros (RNE). O último passo – e também o seu sonho – é receber a nacionalidade brasileira. Enquanto aguarda, o jovem já se considera um cidadão nacional e usa o pouco português que aprendeu nas ruas, misturado com um forte sotaque árabe, para definir o povo brasileiro que lhe acolheu: “Gente boa”.

Quatro pontos para entender melhor a apatridia:

1. O que é ser apátrida?
Apátrida é toda pessoa que não seja considerada nacional por nenhum Estado, conforme sua legislação.

2. O que pode gerar a apatridia?
Diversos fatores, entre eles regras que dificultem ou impeçam a transmissão de nacionalidade de pai para filho, especialmente para aqueles que nascem em outro país; regras que discriminem o acesso à nacionalidade; falhas em abrigar todos os residentes do país quando um Estado se torna independente e conflitos na aplicação de leis de nacionalidade entre Estados.

3. Existe alguma maneira de os apátridas receberem uma nacionalidade?
Sim, mas as regras de naturalização variam conforme o país.

4. Quantos apátridas existem no mundo? E no Brasil?
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) estima que existam mais de 10 milhões de apátridas no mundo. No Brasil, são 1.797. São Paulo é o estado com o maior número de apátridas (1.064), seguido por Paraná (236) e Rio de Janeiro (182). O DF é o nono da lista, com 11.

Fontes: Ministério da Justiça e Cidadania (MJC) e Instituto de Migrações e Direitos Humanos (IMDH).
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Ministério Público denuncia ex-BBB Laércio por estupro e tráfico de drogas

Designer de tatuagem está preso desde o dia 15 de maio e pode ser condenado a até 68 anos de prisão

postado em 16/06/2016 09:19
Diário de Pernambuco
Globo/Reprodução

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O Ministério Público do Estado do Paraná denunciou o ex-BBB Laércio de Moura pelos crimes de fornecimento e tráfico de drogas e estupro. O designer de tatuagem, de 53 anos, está preso desde o dia 16 de maio. O inquérito aponta dois estupros em uma vítima e uma tentativa em outra, de acordo com o jornal Extra. Ele pode ser condenado a até 68 anos de prisão.

A investigação policial engloba os levantamentos feitos pela delegada Daniela Corrêa Antunes Andrade, do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente, e provas encontradas em computadores, celulares e outros arquivos de mídia de Laércio.

O participante da edição deste ano do Big brother Brasil foi detido no dia 15 de maio, em Curitiba, no Paraná e preso no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente. Ele foi acusado pelo crime de estupro de vulnerável e por fornecer bebida alcoólica a adolescentes.

Após a prisão, a Polícia Civil divulgou trechos de conversas de 2012 entre ele e uma adolescente, que na época tinha apenas 13 anos. Nas mensagens trocadas pela internet, ele fala de fetiches e faz convites para beber e transar. A garota revela que a mãe está desconfiada da relação dos dois.

Qualquer relação com menores de 14 anos, de acordo com a legislação brasileira, é classificada como estupro de vulnerável, independentemente de possíveis consentimentos da criança ou adolescente. Os diálogos travados com a jovem geraram indignação entre os internautas.

Durante a participação no BBB, antes das denúncias virem a público, Laércio gerou polêmica ao dizer que gosta das “novinhas”. Ainda no confinamento do reality show global, ele foi acusado de pedófilo pela participante Ana Paula, contra quem disputou o paredão e foi eliminado.

Nas redes sociais, ele costumava o designer de tatuagem compartilhava imagens sensuais de meninas adolescentes. Laércio de Moura confessou ser ebófilo, ou seja, ter atração sexual por adolescentes.

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Bailarina do Faustão procura o pai em Brasília; ela nasceu na capital

Ana Carolina é fruto de uma relação casual da mãe com um roqueiro identificado apenas como Marco André

bbbLuiz Calcagno
Arquivo pessoal/DivulgaçãoAna Carolina completa 30 anos em 15 de julho e espera encontrar o pai até a data

Modelo e bailarina do programa do Faustão, Ana Carolina de Oliveira, 29 anos, procura o pai que nunca conheceu. A brasiliense mora em São Paulo, completa 30 anos em 14 de julho e está determinada a descobrir onde está e quem é Marco André. Ela sabe, pela mãe, Benedita de Oliveira Lima, mais conhecida como Marta, que ele era baterista de uma banda e tocava no Espaço Cultural Renato Russo da 508 Sul, em 1985, época áurea do rock brasiliense. Talvez não seja Marco, mas Marcos. Ainda, tem um irmão chamado Ricardo. Dizia ser também professor de matemática. Agora, curiosos e conhecidos da jovem espalham a história, publicada por ela no Facebook, na tarde desta segunda-feira (14/6), em uma tentativa de encontrar alguém que se lembre do homem que é o pai dela.

Arquivo pessoal/DivulgaçãoAna Carolina e a mãe, conhecida como Marta, em Brasília, em 1986

A publicação na rede social teve mais de 2,4 mil compartilhamentos, em menos de 24 horas. No texto, Ana Carolina faz perguntas em linguagem jovial e pede informações que a ajudem a chegar ao músico. “Você frequentava o Espaço Cultural da 508 Sul em Brasília no ano de 1985? Se sua resposta for sim, então vou lhe contar uma história, assim, quem sabe, você pode me ajudar com alguma informação. Em outubro de 1985, minha mãe Marta frequentava o Espaço Cultural da 508 Sul, em Brasília, e conheceu um músico, baterista de uma banda de rock, que se apresentava no local. Ele se chamava Marco André, moreno dos olhos verdes, morava na Asa Sul e além de baterista era professor de matemática. Tinha um irmão mais velho chamado Ricardo que tocava contrabaixo nessa mesma banda”, explica a dançarina.

“Hoje, tenho 29 anos, danço no Balé do Faustão e vivo com a sensação que meu pai pode estar me assistindo aos domingos sem saber que sou sua filha. Cresci com a curiosidade de desvendar essa historia e poder um dia, quem sabe, descobrir quem é, ou foi, meu pai. Por isso escrevo essa carta pedindo ajuda com qualquer informação”, continua Ana Carolina. A jovem moradora de São Paulo (SP), tem ajuda de uma tia, Fabiana Costa, 35. As duas cresceram juntas, criadas como irmãs.

Fabiana já entrou em contato com vários músicos e artistas que frequentaram o Espaço Cultural, mas ainda não obteve êxito. Com o compartilhamento da mensagem nas redes sociais, ambas acreditam que é questão de tempo até conseguirem alguma notícia de Marco André. “Minha irmã o conheceu no Espaço Cultural da 508 Sul. Mas é só o que temos. Se eu encontrar, gostaria de fazer uma surpresa para ela. Encontrei contatos de pessoas que frequentavam o local. Já liguei para produtores. As pessoas antigas estão nos ligando. Falando de quem conhecem. Estou assustada com a repercussão. Muita gente querendo ajudar. Isso é ótimo”, contou Fabiana ao Correio.

A bailarina também está empolgada. “Ela descobriu a gravidez com quatro ou cinco meses. Nunca o culpei, pois ele não soube nem que ela engravidou. Eu botei na minha cabeça que iria encontrá-lo até o fim do ano. Estou ansiosa. É como se soubesse que já ia acontecer. Não sei se ele vai gostar, mas estou preparada para isso. Estou em busca de minha história”, explicou Ana Carolina, em entrevista ao Correio na manhã desta terça-feira (14).
compartilhar

Como ajudar?

Quem tiver informações sobre Marco André pode entrar em contato com a tia de Carolina, Fabiana Costa, pelo telefone (61) 98350-9143 ou pelo e-mail biaibrenda@hotmail.com.

Facebook/Reprodução

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Animais de estimação de médica assassinada em Sobradinho 2 são doados

Ao todo, sete cachorros e 45 gatos moravam com Isabel

postado em 11/06/2016 19:11
Nathália Cardim /
Carlos Moura/CB/D.A Press

image001 (1)image002 (1)Amigos da médica assassinada em um condomínio de Sobradinho 2 abriram as portas da casa da vítima na manhã deste sábado (11/6), e realizaram uma campanha de adoção. Ao todo, sete cachorros e 45 gatos moravam com Isabel.

Entre os bichinhos, quatro eras especiais: duas gatas e uma cadela amputadas e uma cachorra paraplégica. A médica resgatava animais em situação de risco, que viviam na rua, e cuidava deles.

O veterinário e biólogo Amaury Poggi Figueiredo, um dos responsáveis pela feira de doação, garante que os animais são saudáveis e dóceis. “Ela cuidava muito bem deles”, disse o amigo de Isabel. Os cachorros foram adotados, mas alguns gatos ainda estão a procura de um novo lar.

Carlos Moura/CB/D.A Press

Investigação
O ex-caseiro de Isabel é o principal suspeito do crime. Rafael Silva de Jesus, 25 anos, havia sido dispensado há uma semana, após trabalhar para a vítima durante 14 dias. Segundo a polícia, ele teria voltado para se vingar da demissão, na segunda-feira (6/6).

O circuito interno de câmeras do condomínio mostram o momento em que ele chegou à casa da médica, a pé. Ele ficou por uma hora e meia na residência, antes de ir embora no veículo de Isabel com diversos pertences da vítima. A polícia acredita que Rafael saiu do DF, e o paradeiro dele ainda é desconhecido. A 35ª Delegacia de Polícia investiga o caso.

Participe
Os interessados em adotar um dos animais podem entrar em contato com o veterinário Amaury Poggi Figueiredo. O telefone é: 99657-4886

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Dupla ameaça aos lençóis freáticos

Redução das chuvas e ação do homem trazem sérios danos aos recursos hídricos do Distrito Federal. Em Planaltina, o nível dos reservatórios baixou até três metros no intervalo de 12 anos. Proliferação de cisternas clandestinas dificulta a gestão da água
» Flávia Maia
Publicação: 05/05/2016 04:00
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Operários abrem um poço próximo a Taguatinga: no DF, de cada quatro cisternas existentes, apenas uma tem a outorga da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press – 29/4/16)

Operários abrem um poço próximo a Taguatinga: no DF, de cada quatro cisternas existentes, apenas uma tem a outorga da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico

O cenário de chuvas falhas e cada vez mais esparsas no Distrito Federal e o uso humano não planejado vêm repercutindo nos reservatórios de águas subterrâneas. Estudos mostram que os lençóis freáticos rebaixaram até três metros em algumas regiões da capital da República nos últimos 15 anos. O que preocupa os especialistas é a importância desses mananciais para a composição dos rios que abastecem a cidade, como o Descoberto, o Santa Maria e o Lago Paranoá. Os lençóis são responsáveis por 90% da vazão dos rios na época da seca.

Além da mudança no regime de chuvas, a ação do homem contribui para o rebaixamento das reservas subterrâneas. A ocupação irregular, as constantes impermeabilizações do solo e a construção de poços irregulares são exemplos da interferência humana no ambiente. No DF, de cada quatro cisternas existentes, apenas uma tem a outorga da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa). Sem o controle, o órgão regulador não consegue estimar a real disponibilidade hídrica dos aquíferos, nem mesmo planejar qual será a melhor forma de distribuição do recurso.

Levantamento realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostra que na região de Planaltina, os lençóis estão entre dois e três metros mais baixo do que o registrado no início da série, em 2004. O pesquisador Jorge Werneck conduz as pesquisas e monitora 47 poços há 12 anos. Segundo ele, entre 2004 e 2007, o acesso à água começava entre cinco e oito metros de profundidade nos primeiros três meses do ano. Em 2016, no mesmo período, a média caiu para de oito a 10 metros.

Na opinião de Werneck, o regime irregular de chuvas é o principal vetor de diminuição do volume dos lençóis freáticos. Nos últimos anos, não só os episódios de chuva tornaram-se menos constantes como a quantidade de água diminuiu. A média registrada de chuva de janeiro a março era de 1.500mm na década de 1970. Em 1990, caiu para 1.200mm e em 2016, foi de 800mm. “As chuvas estão mais fortes, porém menos constantes, o que aumenta o escoamento superficial e diminui a infiltração. É com a infiltração que os lençóis são recompostos”, explica.

Sem recompor a água do lençol na velocidade em que ele é usado, os rios diminuem a vazão, o que atrapalha o abastecimento. As nascentes também somem, uma vez que elas são a afloração do lençol na superfície. A Adasa e a Companhia de Saneamento do DF (Caesb) têm feito um rigoroso controle das águas superficiais. O Lago Paranoá, por exemplo, tem um plano de manejo. O Descoberto e o Santa Maria ainda não contam com nenhum regulamento formal, mas a Caesb controla o uso. Por isso, mesmo com a estiagem de 2016, o nível dos reservatórios se mantêm.

Entretanto, quando se trata de águas subterrâneas, ainda há poucas informações dos órgãos gestores. Apenas em agosto do ano passado que a Adasa passou a monitorar o nível dos aquíferos debaixo do solo. Por isso, ela ainda não consegue precisar as perdas no volume dos lençóis. “O volume do subterrâneo está relacionado com o superficial. Quando para a chuva, o que mantém os rios é o subterrâneo. Por isso, fizemos a rede de monitoramento subterrânea em paralelo ao controle dos reservatórios. Ainda não temos resultados, mas eles nos ajudarão na gestão efetiva do recurso”, afirma Camila Campos, coordenadora de informações hidrológicas da Adasa.

Cisternas vazias
Enquanto não há uma gestão efetiva das águas subterrâneas e a proliferação de poços sem as licenças devidas continuam, os moradores que dependem de cisterna começam a sentir no quintal de casa a falta de água. O técnico em informática Efigênio Nunes Inácio, 37 anos, mora em uma casa entre Brazlândia e Taguatinga e percebeu a diminuição do volume da cisterna em dois metros. “Eu me mudei para esta casa há três anos. No começo do ano, a água aparecia com oito metros. Agora, só com 10.” Inácio e a família usam a água da cisterna para o banho, para limpar a casa e as roupas. O líquido para beber e para cozinhar é comprado em Ceilândia e trazido em galões. “A água é transparente, mas não confio. Por isso, prefiro comprar.”

Glossário

Cisterna
Poços de diâmetros de um metro ou mais, escavados manualmente e revestidos com tijolos ou anéis de concreto. Captam o lençol freático e têm geralmente profundidades de até 20 metros.

Poço tubular
image002 (1) Obra de engenharia que dá acesso à água subterrânea, executada com sonda por perfuração vertical e profundidade de até 2 mil metros para captação de água.

Para conseguir consulta para Eloá, Edneia costuma madrugar nos postos (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press – 29/4/16)

“Eu me mudei para esta casa há três anos. No começo do ano, a água aparecia com oito metros. Agora, só com 10”
Efigênio Nunes Inácio, técnico em informática

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