Após bullying por câncer da mãe, menina ganha bolsa e muda de escola

Grupo arrecadou uniforme e livros para ajudar na transferência. Diretora do antigo colégio disse que imagem da mãe era “agressiva”


A luta contra o câncer de Carol Venâncio Duarte, vítima de preconceito por parte da diretora do Colégio Notre Dame Brasília, na 914 Sul, onde a filha dela estudava, sensibilizou os brasilienses. A menina ganhou bolsa parcial de estudo oferecida pelo Sigma. Além disso, um grupo de mães da nova escola se mobilizou em apoio à família, arrecadando uniforme e livros.

A filha de Carol, que cursa o sexto ano do ensino fundamental, foi transferida após a mulher receber “sugestão” da freira Loiva Urban para cobrir a cabeça porque sua imagem era “agressiva à sociedade”. Depois da repercussão negativa do caso, a diretora acabou afastada de suas funções no Notre Dame.

A professora de educação física Luciana Carneiro, 46 anos, foi uma das mães que contribuiu com a ação. “Soube por um grupo de mães do Sigma que temos no WhatsApp. Fiquei sensibilizada e quis ajudar. Disponibilizei algumas peças de uniforme da minha filha. É uma situação difícil e revoltante. Uma crueldade com a criança e também com a mãe, que passa por um tratamento muito estressante e ainda precisou lidar com esse tipo de coisa”, lamenta.

Outra mãe, que pediu para não ter o nome divulgado, estava indignada com a falta de empatia por parte da freira. “Todo mundo ficou bastante comovido com a história, principalmente devido à forma desumana como Carol Venâncio foi tratada. São situações que precisam ser repensadas. Devemos nos respeitar como um todo. Tivemos a ideia, pois ficamos sentidas com o caso da Carol”, disse.

O Sigma também se manifestou. “O Centro Educacional Sigma tem compromisso com a educação. Esclarecemos que a direção da escola fez o que foi possível para que a família e a aluna fossem acolhidos no ambiente escolar. A nossa primeira intenção foi garantir que a estudante, diante do seu contexto e sua história, tivesse a possibilidade de dar continuidade aos seus estudos de forma plena, segura e tranquila”, informou a instituição, por meio de nota.

Repercussão negativa
O caso veio a público por meio de uma postagem feita pela irmã de Carol, Camila Venâncio Duarte. Segundo ela, a sobrinha passou a sofrer bullying no colégio. “Algumas crianças se afastaram dela dizendo que têm nojo devido à doença da minha irmã. Isso trouxe muito sofrimento a todos nós”, destacou Camila, pelo Facebook.

Carol, então, procurou a diretoria da escola, e a irmã Loiva sugeriu que ela usasse peruca ou chapéu, pois sua imagem era “agressiva”. Sem acreditar no ocorrido, Camila diz que foi ao colégio conversar com a diretora. “Ela me disse que a imagem da minha irmã assustava. Perguntei a quem ela assustava. Disse que a todos”, afirmou.

No desabafo feito nas redes sociais, Camila defende Carol: “Você é meu exemplo de força e coragem”. E critica a postura da irmã Loiva: “Assustador é seu ódio e preconceito. A senhora, sim, é uma agressão à sociedade, cruel, má e desumana”, afirma. Até as 18h30 dessa quarta-feira (1º/8), a postagem tinha 1,3 mil curtidas, 339 comentários e 491 compartilhamentos.

O desabafo de Camila foi feito na segunda-feira (30/7). No mesmo dia, em comunicado, a administração do Colégio Notre Dame informou que a irmã Loiva não respondia mais pela direção da escola.

Consultada, a assessoria de comunicação da instituição de ensino não quis comentar o caso, mas afirmou que a irmã está afastada e não faz mais parte do quadro de funcionários do Notre Dame Brasília.

Muito abalada, Carol não quis se pronunciar. Ela registrou ocorrência contra a ex-diretora na Polícia Civil.

Voluntários doam tempo e energia em instituições sociais do DF

Por meio do voluntariado, brasilienses doam tempo e energia e, em troca, ganham gratidão e a sensação de pertencimento à comunidade
A pediatra Tatiana Fonseca da Silva atua voluntariamente no Lar de São José, em Ceilândia: “Doar nada mais é que receber”(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )

Você tem algumas horas livres durante o dia? Que tal doar um pouco do seu tempo, energia e talento para ajudar outras pessoas? O Correio reuniu histórias de brasilienses que decidiram se doar ao outro com amor e compaixão e encontraram no trabalho voluntário realização pessoal e felicidade. Eles usam as habilidades para transformar a vida do próximo. Em troca, recebem carinho e gratidão.

“Cada vez que uma pessoa se propõe a ajudar alguém, ela pode ter a certeza de que a primeira pessoa a ser ajudada será ela mesma. Doar nada mais é que receber.” É assim que a médica pediatra Tatiana Fonseca da Silva, 41 anos, define o trabalho no abrigo Lar de São José, que recebe crianças e adolescentes em Ceilândia.

Voluntária no local há 10 anos, ela trabalhava em um centro de saúde na cidade quando atendeu uma criança do abrigo e decidiu fazer uma visita. “Foi uma acolhida muito calorosa, e nunca mais deixei de vir. Teve, inclusive, uma época em que eu consegui liberação oficial da Secretaria de Saúde para fazer atendimento regular. Fiquei um ano vindo semanalmente”, recorda-se. A profissional oferece amparo em questões médicas que vão desde aferição de pressão e medidas até consultas completas.

O Lar de São José recebe crianças e adolescentes encaminhados pela Vara da Infância, vítimas de abuso sexual, negligência familiar, abandono ou em situação de rua. A coordenadora técnica do abrigo, Ana Lúcia Antunes, trabalha no local há oito anos e conta que só conseguem realizar o trabalho graças aos voluntários. “Muitos não tinham costume de frequentar a escola, e é uma luta diária fazer com que eles assistam às aulas”, explica. Ela afirma que um dos motivos é a dificuldade na alfabetização.

Segundo Ana Lúcia, as crianças sentem faltam de pessoas que frequentem o abrigo apenas para brincar ou passar um tempo com elas, dando atenção, como faz Vinícius José de Carvalho, 25 anos. O médico veterinário conheceu o local por meio de um projeto da escola em que estudou. Logo se apaixonou e ofereceu ajuda. “Sábado de manhã é complicado. Às vezes, meus amigos saem e eu recuso para poder acordar cedo e vir. E acaba sendo muito gratificante, eu chego em casa querendo voltar para cá.”

“A gente precisa muito de ajuda e, quando alguém vem, eu fico muito feliz”, conta Igor (nome fictício), 15 anos, no abrigo há quatro anos. Ele relata que gosta de artesanato, mas o lar ainda não tem um voluntário para ensinar. “Seria legal se alguém viesse ensinar arte, ou um professor de dança”, sugere.

Superação

A bancária Karina Marques Bandeira, 32, conseguiu forças para superar um problema pessoal ajudando pessoas que precisavam. “Eu percebi que o meu problema não era nada diante de tantos outros que estavam abandonadas em abrigos e, ainda assim, conseguiam me passar amor”, conta. A moradora do Guará participa de campanhas da empresa, leva doações e faz visitas frequentes ao Lar Bom Samaritano de Águas Lindas e ao Abrigo dos Excepcionais de Ceilândia (AEC), além de levar música com o coral Tutti Choir. “Quando cantamos para elas, percebo o brilho no olho e vejo que a música tocou no interior”, admira Karina.

Isabela Messeder Fialho, 21, perdeu o movimento das pernas após dois erros médicos, em 2016, e encontrou nos chocolates uma forma de ajudar o próximo. A estudante de publicidade e de comunicação organizacional ficou cinco meses internada e, quando voltou para casa, começou a fazer bombons para presentear, em forma de agradecimento a quem a visitasse.

“Como fez sucesso, comecei a fazer para vender e, depois, meu irmão sugeriu que usássemos isso para ajudar as pessoas”, conta a jovem, que queria contribuir com uma instituição que oferecesse auxílio a pessoas que passavam pelo mesmo problema que ela. Foi assim que Isabela encontrou o Abrigo dos Excepcionais, e já arrecadou R$ 1,5 mil para a instituição em Ceilândia.

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

Como ajudar

Existem diversas instituições espalhadas pelo DF. Confira algumas que precisam de ajuda:

Abrigo dos Excepcionais de Ceilândia (AEC)

» Fornece auxílio médico e social, além de promover atividades para pessoas com algum tipo de deficiência. A instituição atualmente precisa de voluntários da área da saúde e de pessoas que possam realizar trabalhos braçais, como pedreiros, eletricistas e bombeiro hidráulico. Interessados podem entrar em contato com a equipe psicossocial pelo telefone 3585-1905 ou por e-mail: abrigoaec@gmail.com.

Abrigo Lar de São José

» É uma entidade de acolhimento que recebe crianças e adolescentes de 0 a 18 anos encaminhados pela Vara da Infância. Profissionais da educação ou aqueles que têm facilidade em algum assunto podem se voluntariar para auxiliar nas tarefas e no acompanhamento escolar das crianças. Além disso, qualquer pessoa que deseja prestar qualquer serviço ou momento de lazer com os abrigados pode agendar uma visita pelo 3491-0265 ou lardesaojose@hotmail.com.

Associação Santos Inocentes

» A casa oferece apoio a grávidas e recém-nascidos em situação de risco, em Samambaia. Informações pelo telefone 3359-2867.

Associação Casa Santo André

» Atende pessoas em situação de rua, oferecendo apoio em diversas áreas. A entidade conta com uma padaria industrial e precisa de voluntários para dar curso de especialização em padaria de forma gratuita. Recebe pessoas dispostas a ajudar em qualquer área. Interessados devem entrar em contato pelo 3327-9390.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Pensando em sustentabilidade, indústria busca opções ao canudo de plástico

Enquanto as propostas não viram lei, iniciativas individuais e de empresas contribuem para a mudança de comportamento dos consumidores

Banidos na cidade do Rio de Janeiro, os canudinhos podem estar também com os dias contados no restante do país. Projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados preveem a proibição de uso, fabricação e comercialização dos tubinhos de plástico em todo o território nacional. Todos estão em discussão na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Com exceção de um deles, o PL 10.345, que dispõe sobre a diminuição gradativa, os outros determinam a proibição do fornecimento, venda, compra e disponibilização de canudos plásticos.

Na Câmara de BH, há duas proposições. O Projeto de Lei 614/2018, do vereador Elvis Côrtes (PHS) está sendo apreciado pela Comissão de Legislação e Justiça. Em fase mais avançada, o PL 557/2018, do parlamentar Jorge Santos (PRB), está pronto para ir a plenário. Ele obriga os estabelecimentos a fornecer canudos de papel biodegradável, reciclável e/ou reutilizável. Aos infratores, prevê como punição advertência escrita, multa que dobra na reincidência e cassação do alvará.
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Starbucks promete fim do canudo de plástico em todas as lojas até 2020

Enquanto as propostas não viram lei em BH, iniciativas individuais e de empresas contribuem para a mudança de comportamento dos consumidores na capital. A empresária Júnia Quick, por exemplo, decidiu que a partir de hoje em seus estabelecimentos de alimentação natural, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, canudos plásticos saem de cena para dar lugar aos biodegradáveis. Por enquanto, o fornecedor é de São Paulo. Mas, ela conta que já percebe um movimento por parte de empresas interessadas em vender o produto ecologicamente correto e, de outro lado, de lojas que querem mudar o que têm oferecido aos clientes. “O preço é bem mais alto, mas se justifica e não impacta no negócio”, relata a dona do Néctar da Serra.

“Já tinha esse desejo, e estamos sempre envolvidos com tudo o que diz respeito a reciclagem, fazendo o que podemos. O foco no canudinho é um início de conscientização contra o uso excessivo de plásticos e embalagens”, afirma. A empresária Renata Malloy Dias, de 42 anos, gostou da novidade. “Às vezes, você toma dois sucos e vêm dois canudos. Devolvo sempre o segundo. Fico satisfeita com a iniciativa, pois é algo que me aflige pessoalmente”, diz.

Mercado

No Mercado Central, um dos pontos de comércio mais tradicionais da capital mineira, os canudinhos de plástico estão por todos os lados. Dono da Lanchonete Palhares, Júlio César Palhares diz que gasta cerca de 500 por semana. Apesar de ser favorável às mudanças, ele considera adotar novos modelos apenas mediante lei municipal ou uma diretiva do mercado. “Tudo o que traz malefício ao meio ambiente tem que acabar. Não é um produto de necessidade para a maioria das pessoas”, afirma. A salgadeira Ana Maria Silva, de 61, lancha no mercado sempre que vai às compras. “A gente pega porque vê, mas os canudos deveriam ser abolidos”, diz.

Algo que já fez a Escola Casa Fundamental, no Bairro Castelo, na Região da Pampulha, onde canudos, simplesmente, não existem. “As crianças mais novinhas, que chegam com dependência de copo com canudo ou bico, se acostumam rapidamente”, relata. “Fazemos escolhas conscientes na escola, desde uma alimentação orgânica até não usar o canudinho. Ensinamos às crianças que as escolhas que fazem têm repercussão no mundo”, diz Maria Carolina Mariano, diretora da escola.

Fonte: www.correiobraziliensecom.br

Edifícios verdes modificam a paisagem urbana e melhoram a qualidade de vida | Em Movimento | G1

Adoção de medidas como redução no consumo de água e energia e instalação de áreas verdes contribuem para o bem-estar nas metrópoles
Já parou para pensar que você passa boa parte do dia dentro de um lugar construído? Casa, trabalho, academia, restaurante, mercado. E, se mora nas cidades — como é o caso de 84,4% da população brasileira, segundo o IBGE — o espaço ao ar livre também é marcado pelos prédios, característica tradicional da paisagem urbana.

Investir na construção de edifícios verdes, ou na adequação de prédios antigos a novas práticas sustentáveis, é um dos caminhos para a criação de cidades que ofereçam mais bem-estar.

“Todo prédio vai trazer algum impacto. A questão é: como fazer isso de maneira não destrutiva, que traga valor para a cidade, crie espaços urbanos interessantes, e estimule o convívio?”, observa Milene Abla, vice-presidente e coordenadora do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade da Asbea (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura).

Edificações verdes seguem parâmetros que variam conforme características dos projetos: podem ser para interiores, para novos edifícios, para reformas de prédios antigos. Padrões estabelecidos por órgãos do setor ou pelo poder público ajudam a organizar os critérios que definem um “edifício verde”. Entram aí itens como eficiência do uso da água e de energia, qualidade dos materiais utilizados na construção (como madeiras certificadas), qualidade interna do ar, conforto térmico, e localização e transporte próximo, por exemplo.

Uma construção verde pode ter ou não uma certificação. O processo é voluntário, isto é, a pessoa ou empresa responsável pelo prédio deve solicitar o selo e se adequar às diretrizes que ele estabelece. “Na prática, as certificações facilitam abordar a questão da sustentabilidade, porque estipulam padrões, criam um processo, e também são uma validação dessas práticas para o prédio que as adota”, explica Milene.

Brasil: no ranking mundial dos prédios sustentáveis
No Brasil, uma das principais certificações para prédios verdes é a LEED (Leadership in Energy and Environmental Design, em português “Liderança em Energia e Design Ambiental”). O selo é conferido pela organização norte-americana Green Building Council (GBC), que tem uma representante aqui no país, a GBC Brasil.

Atualmente, o Brasil é o 4º país no ranking mundial de edificações certificadas com a LEED, presente em 167 países. Há no Brasil 1.302 projetos registrados. Destes, 489 certificados como construções verdes. O restante ainda passa pelas etapas de verificação para obter o selo.

Um dos exemplos é o prédio do Banco Central em Salvador. A nova sede buscou seguir os padrões da certificação internacional LEED. Foram adotadas medidas como utilização de energia solar, captação e uso de água pluvial em jardins e banheiros (vasos e mictórios), uso exclusivo de lâmpadas fluorescentes de alto rendimento, e sistema de refrigeração eficiente. “Com essas ações, espera-se que o custo de energia seja reduzido em 26,5%, e o consumo de água em 79,2%”, observa a arquiteta e engenheira civil Patricia Vasconcellos, do Creato, escritório responsável pelo processo de certificação.

O impacto positivo das construções sustentáveis pode ser observado pela capacidade do prédio de influenciar parte do seu entorno. Uma das possibilidades é o controle da quantidade de água da chuva que cai no terreno. Ao investir em áreas verdes permeáveis, por exemplo, com gramados, o prédio auxilia a rede pública de escoamento, e ajuda a evitar enchentes na região. Um segundo impacto é a redução na poluição luminosa. Ao iluminar a fachada de maneira planejada, o prédio pode evitar o desconforto visual dos vizinhos, por exemplo.

Além disso, há redução no consumo de água e energia. Segundo a GBC Brasil, isso representa de 20% a 25% no uso de energia e cerca de 40% quando se trata da água. “Se você pensar nas dificuldades causadas pela crise hídrica, por exemplo, a gente vê o quanto as edificações podem colaborar com o conjunto do espaço urbano. Você consegue fazer reduções de gastos que fazem sentido para a cidade”, observa o diretor-executivo do GBC Brasil, Felipe Faria.

Áreas verdes
Além de ajudar a escoar a água da chuva, a presença de vegetação também cria espaços de respiro nas construções e nas cidades. São alternativas para evitar o efeito “ilha de calor”, comum nas grandes cidades. Nas áreas construídas, há um aumento do calor provocado pelo concreto. “Incentivar a implementação de áreas verdes de diferentes formas, seja em tetos verdes ou em paredes verdes, diminui essa retenção de calor”, explica Milene Abla.

Outro ponto importante é a recuperação de uma biodiversidade natural. Utilizar plantas nativas, adaptadas ao local, ajuda a retomar o ecosssistema da região. Uma planta exótica não tem o mesmo efeito. “Uma planta exótica pode se tornar um jardim morto, porque nenhum pássaro da região vai pousar ali, por exemplo. Se uma ave que está cruzando São Paulo para ir até a Serra da Cantareira percebe uma planta nativa, ela para. Então temos a retomada do bioma”, observa Felipe Faria.

Fonte: https://g1.globo.com/

SEGUE AÍ – CAMINHADA SOLIDÁRIA


Taguatinga Sul: atrás do comércio, uma via onde a pobreza reúne catadores de sucatas

ATRÁS DO LUXO O LIXO 

REGINALDO, NASCIDO em Alagoas, está há muitos anos em Brasília. A pouca escolaridade é um obstáculo para conseguir uma boa vaga no mercado de trabalho. Ele foi pai, pela primeira vez, entre 16 e 17 anos — ele não se recorda exatamente quando foi. Hoje, aos 34 anos, tem 10 filhos. A caçula, pouco mais de um mês.

Coletar material reciclável e contar com a generosidade das pessoas, que garante almoço ou jantar do catador de sucata e de dezenas de outras famílias. São mulheres, homens, crianças e jovens que vivem às margens das vias entre Taguatinga Sul e Águas Claras. Para amenizar as noites frias, alguns apelam para fogueiras, com restos de madeiras ou de papelão, ou seja, o que não é possível ser vendido.

As casas, muito pequenas, foram erguidas com madeirite, papelão, restos de obras de uma área que vive em plena ebulição pelo comércio efervescente, por onde circulam centenas de veículos de uma classe média para a qual a crise econômica pouco afeta ou inibe o consumo. Eles contam com esse público, que sempre para e oferece algo que necessitam.

“Eu gostaria muito de trabalhar como jardineiro”, diz Reginaldo, que assegura ter intimidade com o trato da terra. “Mas se alguém me contratasse para ser faxineiro, lavar banheiro, sala ou o que fosse necessário, para mim seria o céu, pois teria como garantir o sustento da minha família”, acrescenta. Ele diz que sem uma indicação ou uma referência dificilmente, hoje, alguém com baixa escolaridade consegue esse tipo de trabalho.

Diferentemente da maioria, ele conseguiu comprar um pequeno imóvel no Paranoá, a 42 km de distância onde vive uma rotina difícil. “Lá fica minha mulher, que foi a primeira namorada com as crianças. Eu fico aqui, pois é aqui que consigo o dinheiro para pagar a prestação de R$ 80 e mais o condomínio, R$120. E ainda consigo levar a comida para eles”, conta Reginaldo, que na noite de sábado se desdobrou em agradecimentos pela sopa, agasalhos e cobertores distribuídos pelos integrantes da Caminhada Solidária, mensalmente, realizada pela Ação Social Caminheiros de Antônio de Pádua (Ascap).

Perto do poder
A insalubridade do local salta aos olhos. Dezenas de crianças expostas a todos os tipos de risco. A indigência é espantosa. Nas proximidades do estádio de futebol, barracas que abrigam grupos de seis ou mais adultos, sem contar com os pequeninos. Na primeira parada dos Caminhantes Solidários, mais de 30 pessoas se aproximaram dos veículos, a maioria delas era crianças, que avançaram sobre as roupas e os brinquedos. A fila se formou para diante da sopa de legumes que era servida, ainda bem quente, acompanhada de pão.

Algumas mulheres, depois de provar a comida, trouxeram panelas ou potes plásticos para pegar mais sopa — a refeição do dia seguinte estava garantida. Várias crianças pediram para repetir. A escuridão do local impediu a documentação fotográfica da trágica situação em que dezenas de pessoas vivem a menos de 50km do centro dos poderes federal e distrital.

Atendido o primeiro grupo de famílias, os Caminhantes Solidários seguiram pela via e, a poucos metros, um grupo mais denso de pessoas logo se aproximou quando os carros pararam. A demanda era a mesma: agasalhos, cobertas, além da sopa e do pão. Não havia brinquedos para ofertar.

Gestos fraternos
A Caminhada Solidária não visa só os moradores em situação de rua. Desde setembro, atividade ocorre também em abrigos e asilos. Os alimentos, roupas e agasalhos são frutos das doações recebidos. Vale destacar a contribuição do pequeno empresário Sebastião Luz, que comercializa laranjas na Feira do Produtor de Ceilândia, que tem permitido à Ascap produzir a sopa de legumes e melhorar as cestas de alimentos, mensalmente, doadas às famílias que vivem no Sol Nascente. Trata-se da partilha do pão.

Neste mês, a Ascap conseguiu entregar mais de 100 cobertores e agasalhos às famílias e aos moradores em situação de rua graças às generosas doações do grupo Mulheres de Brasília, do Movimento Maria Cláudia pela Paz e da Associação de Funcionários do Banco do Brasil, que responderam, com muita fraternidade, à Campanha do Agasalho, promovida pela instituição. Gestos assim e a força dos voluntários da Ascap têm sido essenciais em todas as atividades.

Mas as metas da Ascap são mais ambiciosas. Com a oferta de cursos/oficinas diversos, a instituição quer capacitar as pessoas assistidas e as da comunidade para que possam, com o próprio esforço, conquistar autonomia para se sustentar com dignidade, sem depender de iniciativas semelhantes.

Fonte: https://ascapbsb.org/

Sucesso sem caridade é um fracasso

John Paul DeJoria, empresário Americano veio ao Rio para falar sobre empreendedorismo no Centro Universitário Augusto Motta.

“Nasci em uma família muito pobre e já fui sem-teto. Conto minha história para inspirar jovens a construir negócios bem-sucedidos com pouco dinheiro. Meu primeiro negócio quase faliu 50 vezes e hoje vale bilhões.”

Conte algo que não sei.

Há dois segredos do sucesso para quem deseja empreender. O primeiro é estar ciente de que muitas rejeições virão, e não deixar que isso derrube o desejo de vencer. Por isso, é preciso estar tão feliz e entusiasmado na centésima primeira porta em que se vai bater quanto estava na primeira. O segundo segredo diz respeito a criar o melhor produto ou serviço que se pode oferecer. Dessa forma, não é preciso tanto esforço para vender depois. Isso se chama reorder business que você vende é tão bom que quem compra uma vez quer comprar de novo e faz propaganda. Pessoas bem-sucedidas fazem todas as coisas que pessoas sem sucesso não querem fazer, como trabalhar sete dias por semana, dia e noite.

O senhor foi de sem-teto a bilionário. Como foi a sua infância?

Minha mãe veio da Grécia, meu pai, da Itália, e eu nasci nos Estados Unidos. Meu pai abandonou a família antes de eu completar 2 anos. Meu irmão, minha mãe e eu vivemos juntos. Aos 7 anos, eu vendia vasos de flores; aos 9, cartões de Natal. Depois entreguei jornais. Dava o dinheiro à minha mãe. Quando jovem, eu já era empreendedor. Minha geração é diferente da geração atual. O fato de termos um trabalho nos fazia sentir muito bem. Quando fiquei desabrigado, eu me esforcei para superar essa situação. Não fiquei parado onde estava, mas pensando no que deveria fazer para dar o próximo passo. Nesse caso, em primeiro lugar, era me alimentar. Eu dizia à minha mãe que se ela pudesse cozinhar para nós eu já estaria muito satisfeito.

O senhor criou uma linha de produtos para cabelos, a Paul Mitchell, e hoje sua fortuna é avaliada em mais de US$ 3 bilhões. O que esse valor significa para o senhor?

Nada. Faço exatamente o que eu fazia antigamente. O que muda é que, com essa quantia, ganha-se mais capacidade de transformar as coisas. Há alguns meses, a Ilha de Barbuda foi devastada por um furacão, cerca de 1.500 pessoas perderam suas casas e foram para um abrigo em Antígua. Na semana seguinte, eu e meus parceiros começamos a construir casas para os sem-teto. Eu fico tão feliz em fazer doação que metade da minha riqueza é usada para fazer do mundo um lugar melhor para se viver. Eu acredito que sucesso sem caridade é um fracasso.

Existe alguém que tenha se tornado bem-sucedido por sua causa?

Acredito que sim, porque muitas pessoas não sabem como superar as rejeições, e eu costumo bater nessa tecla. Numa universidade onde fiz uma palestra, aqui no Rio de Janeiro, uma moça disse-me que iria dedicar orações a mim porque minhas lições já estavam mudando a vida dela.

O senhor é feliz?

Com certeza! Na vida, se você quiser prestar atenção ao que é realmente importante, o número um em prioridade não é a riqueza, é a felicidade. O número dois é a saúde. O número três é a riqueza, porque, se você não está feliz, não pode ser rico. Portanto, felicidade, saúde e riqueza.

O que o senhor diria para uma pessoa que não é mais tão nova, que ainda tem vida pela frente, mas não alcançou o sucesso?

Eu recomendaria acessar imediatamente o site da Amazon ou do iTunes e assistir ao filme “Good fortune”. Quando assistir, vai perceber por que estou dizendo isso. Não importa o que aconteceu na sua vida, se você está sem casa, sem trabalho, sem dinheiro. Se você acredita em si mesmo, você pode se renovar. As pessoas precisam saber que não há problema em se transformar, e não importa em que fase da vida elas estejam.​

 Site: www.o globo.com

Como um supermercado tirou tudo que era plástico de suas prateleiras

Para reduzir lixo plástico, rede holandesa lança primeira seção de supermercado livre do material do mundo. Iniciativa pode servir de exemplo e ser gota d’água no oceano dos 300 milhões de toneladas anuais de plástico.

“Entre num mundo livre de plástico”, convida a nova seção no Ekoplaza Amsterdã.

Reduzir o lixo plástico é um dos maiores desafios ambientais da atualidade. Um novo passo nesse sentido acaba de ser dado em Amsterdã, na Holanda, onde foi inaugurada a primeira seção de supermercado livre de plástico do mundo.

A seção sem plástico é fruto de um ano de campanha realizada pela iniciativa A Plastic Planet, sediada no Reino Unido e cuja meta é “reduzir dramaticamente” o uso do material sintético, sobretudo nas embalagens de alimentos e bebidas.

A colaboração com a cadeia holandesa de supermercados Ekoplaza permite aos consumidores escolherem entre 700 artigos sem plástico nas embalagens.

Todas as estantes e etiquetas da seção são igualmente livres do material, e todos os produtos trazem a Plastic Free Mark, um novo selo que ajuda os compradores a identificarem rapidamente as mercadorias que não contribuem para o problema crescente do lixo plástico no planeta.

Trata-se de um teste prático para materiais biodegradáveis inovadores, e ao mesmo tempo um retorno a materiais de embalagem tradicionais, como vidro, metal e papelão.

Em Berlim e em outras cidades europeias, lojas independentes de produtos orgânicos já baniram o plástico há algum tempo, porém esse é o primeiro experimento em massa com o comércio de baixa produção de resíduos. Até o fim de 2018, todas as filiais da Ekoplaza na Holanda disporão de um corredor sem plástico.

“Plástico para embalar comida é indefensável”

Além de se associar à rede Ekoplaza na Holanda, A Plastic Planet vem realizando nas redes sociais uma campanha intensa com a hashtag #PlasticFreeAisle. Que vem surtindo efeito: grandes cadeias – como a Lidl, presente em cerca de 30 países – estão sendo forçadas a reagir às preocupações dos consumidores no Twitter.

Desde o início da campanha A Plastic Planet, no começo de 2017, o movimento antilixo vem ganhando força no Reino Unido.

Apenas um mês antes do lançamento da seção plástico-zero na Holanda, que ocorreu no último dia 28 de fevereiro, a primeira-ministra britânica, Theresa May, anunciara seu apoio às prateleiras livres do material sintético, em seu primeiro discurso de peso sobre o meio ambiente.

De acordo com uma enquete, a iniciativa é apoiada por mais de 90% dos britânicos. No entanto, ativistas ainda estão esperando que os supermercados do Reino Unido sigam o exemplo do Ekoplaza. “É blablablá demais e ação de menos”, comentou à DW Sian Sutherland, cofundadora de A Plastic Planet.

May prometeu as prateleiras sem plástico dentro de 25 anos. O maior varejista de comida congelada do Reino Unido, Iceland, se comprometeu a ser o primeiro supermercado britânico a eliminar as embalagens plásticas em todos os seus produtos – mas só daqui a cinco anos.

Para Sutherland, agora é a hora de agir. “Há um uso do produto que é bem indefensável: plástico indestrutível para embalar comida perecível. Como é que isso aconteceu? Só queremos pedir aos nossos supermercados: nos deem uma seção. Não somos tão intransigentes assim, só queremos ter a opção de comprar sem plástico.”

Reciclagem não basta

Os comerciantes varejistas de frutas e verduras respondem por cerca de 40% de todas as embalagens de plástico do Reino Unido. Concentrando-se nas prateleiras dos supermercados, a campanha #PlasticFreeAisle visa atingir o cerne do problema – ao contrário do lobby das embalagens de plástico, que se esconde atrás do subterfúgio da reciclagem.

Na Alemanha – famosa por sua adoção da energia verde e da reciclagem, mas com a maior taxa mundial per capita de embalagens plásticas –, alguns supermercados permitem que os consumidores façam compras com seus próprios recipientes. Outros tentam desencorajá-los de empregar sacos transparentes nas seções de frutas e verduras.

No entanto, segundo Tobias Quast, especialista em resíduos e recursos da Friends of the Earth em Berlim, tais “esquemas-piloto não são suficientemente ambiciosos, nem de longe”.

Embora a reciclagem costume ser festejada como grande solução para a poluição, a maioria esmagadora dos 300 milhões de toneladas de plástico produzidos a cada ano, em nível global, não é reciclável.

“A primeira seção de supermercado sem plástico do mundo”

A incineração é outra solução altamente controversa, pois libera substâncias tóxicas, como a dioxina, e estudos acusam taxas de câncer mais elevadas nas áreas próximas a incineradores de lixo.

“Temos que parar de pensar em termos de gestão de resíduos, e em vez disso pensar em gestão de recursos”, insta Sutherland. Nesse sentido, deveria haver zero de lixo plástico.

Sutherland frisa que sua campanha não é antiplástico, mas que esse material altamente útil e durável tem sido desperdiçado, em vasta escala, em embalagem que acaba se transformando em lixo sem valor e nocivo. “Embalagem plástica de comida e bebida é útil por uma questão de dias, mas permanece uma presença destrutiva na Terra pelos séculos seguintes”, frisa.

Uma carta aberta em favor da iniciativa das seções livres de plástico, publicada recentemente pelo jornal britânico The Guardian, enfatiza o absurdo da reciclagem de plástico. Ela é assinada por Julie Andersen, diretora executiva da Plastic Oceans Foundation, Laura Chatel, da Zero Waste France, e Julian Kirby, encarregado de justiça ambiental da Friends of the Earth England, entre muitos outros.

“Num momento em que o plástico reciclado cobre apenas 6% da demanda total do material na Europa, está claro que a reciclagem não é a saída para o problema. A embalagem plástica de alimentos e bebida não tem lugar numa economia circular, já que é difícil de recuperar, facilmente contaminável e, no mais das vezes, desprovida de valor”, diz o texto.

Por quanto tempo dá para congelar cada alimento?

O congelamento é uma das formas mais comuns e seguras de conservar alimentos. De acordo com o engenheiro de alimentos Douglas Fernandes Barbin, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o congelamento mantém o produto em um estado mais próximo ao original, imobilizando a água presente nele e dificultando as reações microbiológicas. Assim, evitando o crescimento de microorganismos capazes de causar intoxicações.

Para congelar o alimento, no entanto, é necessário estar atento à temperatura – que deve ser de pelo menos –18ºC – e ao tempo que os produtos ficam no freezer. De acordo com a autoridade sanitária Mariana Uenojo, da Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde), esse tempo varia dependendo do tipo de alimento.

“O tempo interfere tanto na qualidade do produto quanto na textura e sabor e características microbiológicas, relacionadas à segurança para o consumo”.

O modo como o produto é congelado também influencia em seu tempo de conservação. O alimento deve ser manipulado em condições de higiene e ser submetido ao freezer rapidamente após o preparo, sempre em recipientes próprios de congelamento. Na lista abaixo, apresentamos a melhor forma de congelar os alimentos e quanto tempo, em média, cada um pode ser mantido no freezer.

Limite para congelar os alimentos

Arroz (3 meses)
O arroz deve ser congelado em pequenas porções que serão consumidas na hora, em recipientes de plástico com total vedação na tampa, próprios para o freezer. Para garantir a durabilidade, é importante congelar o alimento fresco, logo após o preparo. Por ser manipulado e temperado, dura poucos meses no freezer.

Carnes cozidas (2 a 3 meses)
Devem ser congeladas em embalagens de plástico – no caso dos bifes, o ideal é colocá-los separados em saquinhos plásticos com fechos de zíper.

Aves cozidas (4 meses)
As aves cozidas também devem ser armazenadas em recipientes de plástico com vedação completa, para evitar a entrada de bactérias. Por conter menos gordura do que as carnes vermelhas, esse alimento possui um tempo de conservação um pouco maior.

Carnes e aves cruas (até 12 meses)
Como os outros alimentos sólidos, podem ser conservadas em recipientes de plástico, específicos para congelamento de alimentos, ou nas próprias bandejas do mercado. É ideal que essas carnes sejam congeladas sem tempero, para garantir a sua qualidade.

Bacon, linguiça e presunto (1 a 2 meses)
Devem ser congelados em saquinhos plásticos bem vedados. Esses alimentos favorecem a proliferação de microorganismos, então não podem ficar no freezer por muito tempo. Entretanto, carnes processadas como hambúrguer sofrem adição de ingredientes antioxidantes que auxiliam a conservação.

Peixe magro (4 a 6 meses)
O peixe magro pode ser armazenado em potes de plástico com tampa e pode ser mantido no freezer por um período de quatro a seis meses.

Peixe gorduroso (2 meses)
Já os peixe gordurosos, como o salmão, duram menos tempo.

Massas prontas (3 meses)
No caso das massas, é recomendado congelar em embalagens de plástico e, se for congelar junto com o molho, o ideal é uma embalagem de vidro. O alimento pode durar até três meses no freezer e a durabilidade é comprometida caso possua recheio.

Molhos e sopas (2 a 3 meses)
Os molhos e sopas podem ser congelados em recipientes de vidro bem tampados, que são indicados para o armazenamento de líquidos em geral. O tempo de conservação no freezer é de dois a três meses, dependendo da quantidade de gordura do alimento.

Queijo (1 mês)
Os queijos frescos não devem ser congelados por conterem muito líquido. Os demais, embora sejam mais consistentes, têm uma durabilidade curta devido à facilidade de entrada de bactérias. Assim, esses alimentos devem ficar congelados por no máximo um mês.

Rota da morte: DF-001 é a rodovia que mais mata no Distrito Federal (Principal, violência, comportamento e serviços)

Rota da morte: DF-001 é a rodovia que mais mata no Distrito Federal

Acidentes resultaram em 254 mortes no DF em 2017, sendo 154 só em rodovias distritais. Mas trechos de BRs, como a 020, a 060 e a 080 também registraram um número alto. Detran e DER, porém, comemoram queda de 37% na quantidade de vítimas

“Eu estava a 80 km/h quando um carro saiu da entrada do Recanto das Emas e entrou na minha frente. Tentei desviar, mas acabei rodando na pista e capotando no canteiro” – Iolanda Rocha, professora

Nenhuma rodovia mata tanto no Distrito Federal quanto a DF-001. Dezenove pessoas perderam a vida na estrada que circula a capital em 2017. Em seguida, vêm os trechos das BRs-020 (Brasília-Fortaleza), 080 (Brasília-MT), 060 (Brasília-Goiânia) e 070 (Brasília-Bolívia). No ano passado, 254 morreram em acidentes no trânsito de Brasília, sendo 154 só em rodoviais distritais, como a DF-001. Comparado a 2016, o número total caiu 37%.

A professora Iolanda Rocha, 49 anos, foi vítima em um acidente no Km 4 da BR-060, perto do Recanto das Emas. Ela voltava da comemoração do ano-novo em Alexânia (GO). “Eu estava a 80 km/h quando um carro saiu da entrada do Recanto das Emas e entrou na minha frente. Tentei desviar, mas acabei rodando na pista e capotando no canteiro”, conta. Iolanda sofreu hematomas pelo corpo e fraturou o braço direito.

Detran flagra 26 motoristas embriagados por dia em operação de fim de ano

A professora reclama da falta de sinalização na via, da ausência de equipamentos eletrônicos de monitoramento e de passarelas para pedestres. “Como educadora, prezo por esse tipo de atitude por parte dos nossos governantes. Aqui, tragédias são comuns. Não podemos ficar esperando pessoas morrerem para a situação mudar”, cobra.

Coordenador do Centro Interdisciplinar de Estudos em Transportes (Ceftru) da Universidade de Brasília (UnB), Pastor Willy Gonzales Taco explica que o número de acidentes, principalmente nas rodovias do DF, é causado pela quantidade elevada de cruzamentos e retornos, além da velocidade alta das vias. “Como Brasília é um polo de ida e vinda, as cidades denominadas dormitórios fazem com que as pistas fiquem com alta intensidade de veículos. Somado ao comportamento humano, isso é um gerador de acidentes”, defende.

Para amenizar as mortes no trânsito, o especialista diz que o ideal é investir em campanha. “Temos que fazer um trabalho pontual e focar na população mais jovem. Todos precisam aprender a respeitar a outra pessoa que está na via. Isso seria um influenciador no índice das mortes”, comenta. Para ele, os órgãos de trânsito também precisam investir na qualidade do serviço e aumentar o número de sinalização e fiscalização ao longo das rodovias. O estudioso ressalta que o fluxo de veículos saindo e entrando no DF é alto em qualquer horário e os condutores devem se atentar para não sofrerem acidentes.

Fiscalização

O diretor-geral do Departamento de Trânsito (Detran-DF), Silvain Fonseca, afirma que o órgão, com as outras forças de segurança, como DER, PM e PRF, realizam operações planejadas para melhorar a qualidade do trânsito. De acordo com o Fonseca, a redução das mortes em 2017 também é resultado das campanhas educativas, das intervenções de engenharia, da implantação de bolsões de motos e das ações preventivas de fiscalização e patrulhamento.

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