Número de mulheres que gerenciam os próprios recursos é cada vez maior

Cursos voltados ao público feminino ensinam a lidar com dinheiro e investimento e ajudam a abrir espaço para elas num campo ainda dominado por homens
Contato com vítimas de violência doméstica estimulou Carolina Daher a criar um blog sobre finanças
(foto: Gabriel Pinheiro/Esp. CB/D.A Press – 28/11/2019)

O mercado financeiro ainda é, predominantemente, um ambiente masculino, o que pode ser explicado pela cultura patriarcal, na qual, até poucas décadas atrás, os homens eram os únicos responsáveis pelo sustento e o gerenciamento dos bens da família. Mas, em uma sociedade cada vez mais descolada desses padrões, um número crescente de mulheres tem aprendido a lidar com dinheiro e investimentos. Graças, em grande parte, à facilidade de acesso a informações financeiras na internet.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), a maioria absoluta de investidores pessoas físicas (74,7%) ainda é de homens. Mas a quantidade de mulheres cadastradas nunca foi tão alta. Em 2002, elas eram apenas 15 mil e ficaram abaixo dos 100 mil até 2007, quando atingiu a marca de 112 mil. A partir daí, as investidoras não pararam mais de ocupar espaço no pregão paulista: de 179 mil, em 2018, foram para 388 mil, chegando a 23,1% do total. Em junho último, dos 2,6 milhões de investidores na Bolsa, 648 mil (24,2%) eram mulheres.

Entre elas, a faixa etária que mais investe vai de 26 a 35 anos, com cerca de 210 mil investidoras. Do total de R$ 348 bilhões em investimentos na Bolsa, R$ 74,5 bilhões são de mulheres. São Paulo é o estado com o maior percentual de investidoras na B3, com 263,6 mil. Iniciativas de educação financeira têm sido protagonistas nessa história.

Foco
Caroline Daher, 34 anos, é a idealizadora do blog Mulher na Bolsa, lançado em 2018. No espaço, ela compartilha informações sobre o mercado financeiro, com foco no público feminino. O objetivo, segundo ela, é quebrar o preconceito sobre a participação de mulheres no mundo dos investimentos.

“Eu mesma achava que investimento era coisa só de homem, até que comecei a pesquisar mais e me apaixonei por renda variável. Eu investia desde os 18 anos, mas era bem conservadora, só aplicava em renda fixa”, conta. “De 2017 para cá, passei a migrar para a renda variável. E pensei: por que não contar para outras mulheres e incentivá-las?”

A decisão de criar o blog foi baseada, também, na experiência profissional de Carolina. Com formação jurídica, ela trabalhou por vários anos no serviço público, no qual teve contato com vítimas de violência doméstica. “A gente percebia que muitas mulheres retornavam ao convívio com os agressores por uma questão financeira. Elas não cuidavam do próprio dinheiro”, diz.

Carolina Daher conta que, toda semana, recebe feedbacks positivos de mulheres que se sentem representadas, mas, curiosamente, a maior parte do público é de homens. Para ela, o aumento da participação feminina no mercado financeiro depende não só das mulheres, mas dos homens, também. “Meu pai, lá atrás, me incentivou, disse para eu ir em frente, que eu era capaz, que eu era uma mulher que poderia escolher meu futuro”, lembra. “Mas, nos lares, o homem ainda tem um poder de decisão muito grande.”

Maria Helena Válio já atuava há 30 anos no mercado financeiro quando decidiu fundar o curso Women Invest. A iniciativa nasceu em 2019, de um grupo no Facebook formado por mulheres que mostraram interesse de aprender sobre finanças e sugeriram o nome dela para fazer a ponte com especialistas no assunto. “Criei o Woman Invest com duas regras específicas: a primeira é que seria um grupo só para mulheres; a segunda, que não poderiam ser do mercado financeiro”, explica.

Desde março do ano passado, ela promove palestras com profissionais de corretoras e instituições financeiras. “Todo mundo topa falar com a gente”, conta. Ela diz fazer um papel de “tradutora”, tornando acessível a linguagem utilizada pelos convidados nas palestras. “Quando a gente escolhe quem vai falar com elas, tanto faz o sexo. Na nossa plateia, sim, só tem mulher. Elas são superdisciplinadas, levam caderno e querem, de fato, aprender”, ressalta Maria Helena.

Roberta Martini, 44, é uma das participantes do grupo. A decoradora de eventos e empresária diz que começou a se interessar por educação financeira após ouvir do filho, de 13 anos, que os investimentos da família estavam sendo feitos de forma errada. “Procurei o grupo para aprender a investir. Comecei a assistir a todas as aulas, a entender, a interagir com o assunto. A Maria Helena me ajudou a montar minha carteira de investimentos e, de lá pra cá, eu que faço tudo”, relata.

Beatriz Dutra, 60, é administradora de imóveis e também faz parte do grupo liderado por Maria Helena. Seu objetivo foi conseguir independência dos gerentes de banco, após se ver em uma situação mais complicada. “Acredito que gerentes fazem um bom trabalho, mas quando você sabe, sente-se mais confortável. Queria entender mais de economia, de investimentos, e não ficar restrita àquilo que me ofereciam.”

Professor do Insper, Ricardo Rocha dará um curso on-line neste mês por meio do Woman Invest. “No Insper, tenho uma matéria sobre mercado em que metade dos alunos é de mulheres. Temos que quebrar essa coisa machista já na graduação. Mas o mercado não é protecionista. Esse equilíbrio faz a sociedade melhor”, afirma.

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*Estagiário sob a supervisão de Odail Figueiredo

Justiça propõe retorno presencial escalonado para escolas particulares

Em audiência com GDF, o Ministério Público do Trabalho sugeriu retomada a partir de 10 de agosto


(foto: Bruno Peres/Esp. CB/D.A Press)

Em mais um dia de discussões a respeito da volta às aulas presenciais das escolas particulares, o Governo do Distrito Federal (GDF) esteve, na manhã desta segunda-feira (3/8), em audiência com o Ministério Público do Trabalho (MPT). A juíza da 6ª Vara da Justiça do Trabalho apresentou proposta de retorno escalonado, o que já será feito pela rede pública de ensino.

A proposta ainda será analisada pelo GDF, que tem até quarta-feira (5/8), para decidir se aprova ou não. Em caso positivo, as atividades retornam a partir de 10 de agosto, para os estudantes do Ensino Médio e profissionalizante.

Em seguida, em 17 de agosto, é a vez dos anos finais do Ensino Fundamental. Por fim, em 24 de agosto, retornam os anos iniciais do Ensino Fundamental, e Educação Infantil. Caso o GDF não concorde com a proposta, caberá à Justiça decidir se irá permitir ou não a retomada das aulas.

O Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Distrito Federal (Sinepe) também participou da audiência. Em nota oficial, afirmou que aproveitou a oportunidade para destacar a necessidade de resguardar a autonomia das escolas, que, desde março, estudam medidas de profilaxia. “A proposta (apresentada) não contemplava o interesse das escolas e reiteramos isso em audiência.”

Já o Sindicato dos Professores das Entidades de Ensino Particulares (Sinproep), se mostrou favorável. “Essa proposta é razoável, uma vez que determina o retorno das aulas de forma gradual, o que possibilita uma melhor avaliação do nível de contaminação no DF para que a gente possa ter mais segurança na retomada das aulas presenciais”, afirmou o diretor jurídico da entidade, Rodrigo de Paula.

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Síndico ameaça envenenar grama de prédio no DF: “Cachorro aqui vai morrer”

Caso ocorreu na manhã desta quarta-feira (22/7), no Sudoeste. Responsável pelo prédio alega que área verde é propriedade particular

O vídeo do síndico de um prédio no Sudoeste ameaçando colocar veneno no jardim do condomínio para evitar que cachorros circulem pelas imediações do local ganhou as redes sociais nesta quarta-feira (22/7). Na gravação, o homem discute com mulheres que estavam passeando com os animais de estimação e afirma: “se vier cachorro aqui, vai morrer”.

O caso ocorreu no bloco B da SQSW 103. De acordo com a estudante Isabella Caetano, 24 anos, a confusão começou quando a mãe dela passeava com as duas cachorrinhas que tem. “Somos moradoras de outro prédio na mesma quadra. No momento em que ela passou pelo prédio, veio esse homem aos gritos dizendo que ali era área particular, sendo que é pública”, conta.

No vídeo gravado por ela, o homem é claro ao dizer que não quer que animais circulem pelo gramado. “Cachorro anda na quadra”, ele afirma. Em outra parte da discussão, o síndico faz a ameaça de espalhar veneno na área. “Vou colocar porque aqui não é lugar de andar cachorro”.

Confira:

A preocupação de Isabella é que as ameaças se concretizem e cachorros da quadra comecem a morrer após passar pelo local. “Por ser síndico, ele tem certa autonomia de mexer com produtos do prédio e pode realmente envenenar a grama”, diz.

A estudante chegou, inclusive, a registrar um boletim de ocorrência para que a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) investigue o caso.

A reportagem entrou em contato com o Bloco B da SQSW 103, mas o síndico não atendeu as ligações. O espaço segue aberto para posicionamento.

Fonte: https://www.metropoles.com/

Polícia Civil prende no Maranhão pedófilo que fez 60 vítimas no DF

Investigadores afirmam que “alguns adolescentes chegaram a cogitar suicídio” com medo da divulgação das imagens

Um homem foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) acusado de pedofilia. Segundo investigação da 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro), o acusado fez, pelo menos, 60 vítimas com idades entre 11 e 14 anos somente na capital do país.

A investigação teve início após uma ocorrência ser registrada na 12ª DP contra o homem. O suspeito, de acordo com a PCDF, teria usado uma rede social para manter conversas sexuais com um adolescente de apenas 13 anos, morador de Taguatinga.

O criminoso foi preso no interior do Maranhão. Para conseguir a confiança das vítimas, o pedófilo se passava por uma menina jovem e estimulava os adolescentes a se relacionarem virtualmente com ele.

Ao ganhar a confiança dos jovens, as comunicações passavam a ser feitas via aplicativo de mensagens. Com o passar do tempo, o homem fazia várias solicitações de fotos das vítimas nuas. Ele convencia as vítimas a enviarem imagens de nudez para seu número pessoal.

Em outras ocasiões, o pedófilo exigia que as vítimas introduzissem objetos no ânus ou se masturbassem, registrando
tudo por meio de filmagens.

A PCDF afirma que “alguns adolescentes chegaram a cogitar suicídio” com medo da divulgação das imagens.

Ainda conforme a PCDF, o suspeito “exigia que os arquivos contendo a nudez e pornografia infanto-juvenil mostrassem os rostos das vítimas”.

Quando os jovens se negavam a enviar os materiais, o acusado passava a proferir ameaças. Dizia, inclusive, que iria divulgar as fotos de nudez. Além dos adolescente do Distrito Federal, o suspeito também atuou em outros estados, segundo a polícia.

A PCDF divulgou os perfis, caso os pais reconheçam e queiram contribuir com as investigações: https://www.instagram.com/henriquezandoo/ e https://www.instagram.com/tasampaio

https://www.metropoles.com

Vítimas de pedófilo cogitaram suicídio após vazamento de fotos, diz PCDF

Segundo os investigadores, o suspeito exigia que os jovens introduzissem objetos no ânus ou se masturbassem. Ele foi preso no Maranhão

Vítimas do pedófilo preso, nesta quarta-feira (22/07), pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) cogitaram suicídio com medo do vazamento das fotos e vídeos de nudez enviados ao criminoso. O suspeito morava no interior do Maranhão.

O criminoso teria feito, pelo menos, 60 vítimas só no Distrito Federal, todas com idades entre 11 e 14 anos. A prisão é de autoria da 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro). A investigação teve início após pais de uma adolescente, de 13 anos, registrarem ocorrência na unidade policial.

Para ganhar a confiança das vítimas, de acordo com os investigadores, o suspeito se passava por uma adolescente. Ele usava um perfil falso no Instagram para conquistar a confiança das vítimas. Quando ficava mais próximo dos jovens, o criminoso, então, fornecia um telefone para conversa via aplicativo de mensagens.

Ao longo dos diálogos, ele exigia que as vítimas o enviassem fotos e vídeos íntimos. Segundo os investigadores, o pedófilo exigia que os jovens introduzissem objetos no ânus ou se masturbassem – tudo deveria ser filmado e encaminhado.

Quem se recusasse a enviar o conteúdo, era ameaçado pelo criminoso. O temor de que o suspeito tornasse as gravações e fotos públicas levou vários adolescentes ao desespero. Alguns, segundo a PCDF, cogitaram suicídio.

Além dos adolescente do Distrito Federal, o suspeito também atuou em outros estados, segundo a polícia. A PCDF divulgou os perfis, caso os pais reconheçam e queiram contribuir com as investigações:

https://www.instagram.com/henriquezandoo/ e https://www.instagram.com/tasampaio__/.

Fonte: https://www.metropoles.com/

Bruxismo e briquismo podem se tornar mais comuns na pandemia da Covid-19

Ranger ou fazer pressão nos dentes são ações associadas ao estresse e à ansiedade provocados pelo medo do coronavírus

A Covid-19 surgiu de forma tão inesperada quanto impactante. Além dos prejuízos à saúde das pessoas infectadas pelo novo coronavírus, a incerteza de quando a pandemia vai acabar e o medo de ser contaminado têm causado ansiedade e estresse nas pessoas. Dois reflexos desses estados são o bruxismo e o briquismo, condições que provocam o desgaste dos dentes, a inflamação dos músculos locais, dores de cabeça e zumbidos no ouvido, por exemplo.

No primeiro caso, a pessoa range os dentes e é mais comum durante a noite, quando se está dormindo, como um reflexo do que foi acumulado durante o dia. No briquismo, a pressão é feita entre os dentes em direção única.

“Podemos perceber que a causa do bruxismo vem de um misto de fatores interligados, pois uma pessoa estressada ou muito ansiosa também não dorme direito, o que vai retroalimentando gradativamente o problema. Todos estão apreensivos, com medo, até mesmo pânico. Isso deixou muitas pessoas ansiosas e estressadas, e aquelas que já apresentavam certo tipo de ansiedade, agravaram”, conta a psicóloga clínica e hospitalar da clínica Biotipo Gabriella Ciardullo.

Ainda de acordo com a psicóloga, o bruxismo é uma das primeiras manifestações clínicas do estresse, pois funciona como uma válvula de escape, onde a pessoa descarrega a tensão. “Para que se manifeste, não é necessário que o indivíduo tenha históricos de estresse ou ansiedade. Algo pontual pode acontecer e desencadear, como a morte de um ente querido ou a falência de uma empresa”, explica.

O dentista especialista em implante e prótese Ítalo Barbosa lembra que a condição é multifatorial. Pode ter relação com predisposição genética; distúrbio do sono; refluxo; e hábitos adquiridos, como o consumo excessivo de café e outras bebidas estimulantes, e o tabagismo.

O ranger dos dentes e a pressão fazem com que os músculos envolvidos na mastigação, o masseter e o temporal, fiquem mais fortes, provocando dor no local ou irradiada para o pescoço. Outras complicações são a retração da gengiva e algumas lesões na língua, quando o paciente a pressiona contra os dentes.

A condição não tem cura, segundo Barbosa, mas a dor pode ser amenizada com alternativas que relaxem os músculos, como compressa morna dos dois lados do rosto e o consumo de uma maçã, para fadigar o músculo nas mordidas e relaxá-lo em seguida, ambos antes de dormir.

Outras opções são o uso da placa de proteção dentária durante a noite pelos adultos e, em casos mais graves, tratamentos com eletroestimulação; remédios relaxantes musculares; ou o botox, todos para deixar a musculatura menos tensa.

Para evitar que os casos se agravem, Gabriella sugere que tudo aquilo que leve a potencializar a ansiedade e o estresse sejam minimizados, como a cafeína após às 18h, o tabagismo e a ingestão de bebidas alcoólicas.

Boas práticas que ajudam a controlar os sintomas são: atividade física moderada, alimentação saudável, ter prazeres diários, fazer terapia, meditar e realizar uma boa higienização do sono, como evitar os estímulos luminosos dos aparelhos eletrônicos antes de dormir.

Fonte: https://www.metropoles.com/

Cigana Milena: mulher perde R$ 82 mil em golpe de ‘benzimento de dinheiro’

Vítima foi informada que, se não transferisse os valores, poderia sofrer um acidente de carro que a deixaria tetraplégica ou morta

Uma moradora do Distrito Federal é uma das vítimas mais recentes de uma mulher, conhecida nas redes sociais como Cigana Milena. Ela perdeu R$ 82 mil com o golpe de “benzimento de dinheiro”. Com 351 mil seguidores no perfil do Instagram, a suspeita de estelionato é acusada de ter enganado outras quatro jovens, residentes de São Paulo, Rio Grande do Sul, Tocantins e Maranhão.

A lojista entrou em contato com a Cigana Milena em junho, após o perfil da acusada surgir nas indicações do Instagram. “Eu estava em um período muito difícil da minha vida, realmente abalada emocional e psicologicamente. Inclusive, prosseguia com tratamento psiquiátrico Então, quando vi o anúncio de que ela poderia ajudar, pensei que seria uma nova saída para a minha condição”, conta.

Na redes sociais da suspeita, pelas postagens, é possível ver que ela se mostra como adepta de religiões de matriz afrobrasileira e espiritualista. Oferece trabalhos de amarração amorosa, cura espiritual e prosperidade financeira. “Ela realmente parece uma pessoa séria. Então, quando eu relatei a minha situação, fui informada que precisava de ajuda, que tinham feito um trabalho (destrutivo) para mim, que precisaria ser desfeito”, relata a vítima.

A Cigana Milena afirmou que o valor do serviço seria de R$ 1 mil. “Eu depositei o valor. Depois, ela passou a me ligar, dizendo que eu tinha um dinheiro na minha conta e que estava amaldiçoado e, por isso, necessitava ser benzido. Fiquei reticente, mas ela foi muito insistente e começou a dizer que, se eu não fizesse esse trabalho, poderia sofrer um acidente de carro que me deixaria tetraplégica ou que resultaria na minha morte”, detalha.

“Como não concordei, as ligações se tornaram ainda mais intensas. Dizendo que, se não fizesse o benzimento, isso custaria a minha vida e da minha família. Como já estava muito desestruturada emocionalmente, fiquei assustada e com medo. Não sabia o que fazer e, então, realizei as transferências para o suposto benzimento. Eu realmente acreditei que o aquelas coisas poderiam ocorrer e que ela ia devolver os valores”, acrescenta a mulher.

Cerca de 14 dias após as transferências bancárias, que totalizaram R$ 82 mil, a suspeita mudou o tratamento com a vítima. “Ela passou a dizer que não poderia me devolver o dinheiro, porque os Orixás não permitiam. Continuei insistindo, mas não consegui recuperar a quantia. E ela postando fotos ostentando com o marido e filhos, sem se importar comigo ou com as demais vítimas, que ficaram sem nada”, lamenta.

Início de um pesadelo
“Foi como se meu chão tivesse caído”, afirma a lojista sobre a sensação do momento em que percebeu que tinha sido vítima de um golpe de estelionato. “Não consigo comer ou dormir direito, preocupada com a situação. Fico me perguntando como que pude me deixar ser enganada e me sentir ameaçada por essa mulher. Esse dinheiro sequer era meu, tinha sido um empréstimo para ajudar a minha família financeiramente nesse momento.”

Ao confirmar o golpe, a mulher procurou a 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro) para registrar a ocorrência, em 30 de junho. No local, prestou depoimento e detalhou todo o caso. A reportagem entrou em contato com o delegado-adjunto Zander Pacheco. Por telefone, o investigador informou que, pela suspeita ser oriunda de São Paulo (SP), o caso deverá seguir para apuração no estado da região Sudeste.

O Correio entrou em contato pelas redes sociais com a suspeita de estelionato, mas não obteve retorno até a mais recente atualização desta reportagem.

Perfil espiritualista
Nas redes sociais, Cigana Milena se autointitula uma pessoa espiritualista e realiza postagens relacionadas às religiões afro brasileiras. Em postagem realizada nos stories do Instagram, ainda na terça-feira (14), a acusada realizava a divulgação dos supostos trabalhos religiosos.

“Olá, meus filhos de fé. Faço e desfaço qualquer tipo de trabalho. Sou especialista em união de casais. Trabalho com cartas, búzios e tarot. Se você precisa de auxílio espiritual e necessita de ajuda, se você não vê mais sentido para a sua felicidade, me procure agora mesmo. Eu, Cigana Milena, posso te ajudar a prosperar e recuperar tudo aquilo que você perdeu, e tudo aquilo que você mais quer. Nunca se esqueça, você merece ser feliz e ter uma vida próspera, cheia de amor, alegria e muita prosperidade”, garante a suspeita de estelionato.

No site Reclame Aqui, há seis depoimentos de pessoas que desaprovam o serviço realizado pela Cigana Milena. Os relatos indicando os golpes na plataforma ocorrem desde 21 de maio deste ano. As vítimas são de Campo Bom (RS), Salvador (BA), São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), São Luís (MA) e Pau-d’Arco (PA).

A indicação de “cigana” no nome faz referência à entidade que se manifesta na Umbanda, mas também em algumas casas de Candomblé — locais que tratam com seriedade a religiosidade —, e não ao povo cigano.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Coronavírus: Colocar 20 crianças numa sala de aula implica em 808 contatos cruzados em dois dias, alerta universidade | Sociedade | EL PAÍS Brasil

Colocar 20 crianças numa sala de aula implica em 808 contatos cruzados em dois dias, alerta universidade
Grupo de especialistas em planejamento da Universidade de Granada estima os riscos da retomada das aulas em setembro na Espanha e pede uma organização que pense “além do primeiro dia”

O fim progressivo da quarentena na Europa levanta dúvidas sobre como proceder. Entre os dilemas que mais preocupam está o retorno das crianças e jovens às aulas, previsto para setembro na Espanha. A ministra da Educação espanhola, Isabel Celaá, anunciou há alguns dias que o Governo não considerava necessário o uso de máscaras ou a manutenção de uma distância física mínima nos primeiros quatro anos do ensino fundamental, pois são grupos assimiláveis como famílias ou que mantêm convivência. No entanto, os cálculos matemáticos de pesquisadores da Universidade de Granada (UGR) apresentam resultados que contradizem a ideia de um pequeno grupo familiar.

Supondo uma família espanhola média, composta por dois adultos e 1,5 filhos menores ―dado usado nas operações matemáticas, assumindo que há 10 alunos com um irmão na sala de aula e outros 10 são filhos únicos―, no primeiro dia de aula cada aluno será exposto a 74 pessoas. Isso ocorrerá exclusivamente se não houver contato com alguém fora da sala de aula e da casa da família.

“No segundo dia”, explica Alberto Aragón, coordenador do projeto, “a interação chegaria a 808 pessoas, considerando exclusivamente as relações sem distanciamento nem máscara da própria classe e as das classes de irmãos e irmãs”. A projeção em papel excede 15.000 contatos em três dias.

Se o número de crianças na sala de aula subir para 25, como muitos Governos autônomos espanhóis anunciaram, porque se trata da proporção habitual, o número de pessoas envolvidas aumentaria para 91 no primeiro dia e 1.228 no segundo. O contágio de uma pessoa desse grupo acarreta um risco automático para todo o grupo, portanto, espera-se que qualquer situação de alerta leve ao fechamento da sala ou mesmo de toda a escola, se houver espaços ou professores em comum.

No entanto, a realidade é que nenhum desses cenários está sendo considerado no planejamento de retorno às aulas no momento. Para Alberto Aragón, professor da UGR e especialista em organização de empresas e planejamento, a preparação para a volta em setembro não é só insuficiente, mas também foi deixada nas mãos das escolas, algo que “obviamente” excede sua capacidade organizacional e de recursos.

O professor levanta questões como: o que deve ser feito se uma criança tossir? Quando os professores serão submetidos a um teste? Todos os dias? Às vezes? Se adoecem? Ele também comenta sugestões feitas sem detalhes, como dar aulas ao ar livre, o que não tem resposta neste momento: “Nem parece que estejam sendo preparadas”, explica ele. “Neste momento, sabemos apenas que as aulas serão retomadas e que algumas referências foram apresentadas, mas pouco mais que isso”, observa Aragón.

O retorno às aulas para 1,7 milhão de alunos do ensino infantil, 2,9 milhões do ensino fundamental, 2 milhões do ensino médio e cerca de 600.000 do curso preparatório para a universidade, segundo dados do Ministério da Educação para o atual ano letivo, requer um planejamento consciente, argumentam os especialistas. Mas, de acordo com o trabalho de pesquisa da equipe de Granada, nada disso está sendo realizado.

Os pesquisadores analisaram os planos de retorno às aulas das instituições do Governo central e dos Governos autônomos, e destacam: “Muita ênfase foi dada ao objetivo de abrir as salas de aula em setembro, mas faltam todos os outros componentes do bom planejamento”. Aragón explica que, de fato, o primeiro dia está planejado, mas “é necessário ir além desse primeiro dia de retorno às aulas e é preciso pensar no segundo e nos dias seguintes”. Será então que as escolas terão que enfrentar situações que vale a pena já terem previsto.

Se não houver uma estratégia para o dia seguinte ao início das aulas, diz o pesquisador, “e se começa já, será muito difícil ter sucesso no caminho da volta às aulas”. Agora é necessário decidir “se vão contratar mais professores, quais espaços extraordinários podem ser usados ou, por exemplo, se os alunos receberão computadores. É importante reconhecer que a organização da volta às aulas possui características que a tornam especialmente complicada, e, precisamente por isso, deve resultar em planos mais rigorosos”, alerta.

Outra coisa que preocupa Aragón é que ainda não foi determinado o que acontecerá se as aulas tiverem que ser suspensas. “Não há plano de ação. Vamos voltar à necessária improvisação de março deste ano? Em um segundo surto, não seria mais surpresa. Deveríamos ter um quadro de referência muito mais específico”, explica ele. Para esses especialistas da UGR, a complexidade da doença e o limitado investimento complementar disponível também tornam essencial ter planos sólidos para possíveis cenários de fechamento, algo que ainda não existe.

Comparação com outros países
A comparação com outros países também é interessante. Dinamarca e Israel, que já retornaram às aulas, servem como modelo de estudo. No caso da Dinamarca, “com um bom planejamento e recursos suficientes”, diz Aragón, as classes são agora com 10 alunos, que saem de cinco em cinco para o recreio e com uma organização temporal e espacial que minimiza os contatos. “Eles estão se saindo bem e reduziram o risco ao mínimo.” No caso de Israel, com um modelo de retorno semelhante ao previsto para a Espanha, “nos primeiros dois ou três dias, 100 escolas tiveram que ser fechadas”. Muitas vezes, segundo o professor, mais por prevenção por causa de tosses ou febres do que por doença.

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