Vamos falar sobre bullying: problema que atinge 150 milhões de jovens

As vítimas podem desenvolver doenças psíquicas como a depressão, chegando até a pensamentos suicidas

Site: Metropoles.com

O bullying nas escolas é um problema que acomete crianças e adolescentes de todo o mundo e preocupa pais e educadores. Um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, publicado no início do mês, revelou que metade dos adolescentes entre 13 e 15 anos, cerca de 150 milhões de meninos e meninas, sofre violência corporal ou psicológica por parte dos colegas dentro e no entorno das escolas.

O Metrópoles conversou com psicólogos, pedagogos e diretores de escolas públicas e privadas do Distrito Federal para entender como o bullying se manifesta nas instituições de ensino e a que sinais os pais devem ficar atentos.

A psicóloga da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF), Gabrielle Jesus, explica que o bullying é um comportamento aprendido e socialmente validado, ou seja, não é nato do ser humano. Ele está ligado à cultura em que a criança está inserida e começa a ser praticado por meninos e meninas a partir dos seis anos.

As vítimas tendem a se tornar mais isoladas e se recusam a ir para a escola. Foi o caso de Gustavo do Vale Ferreira, hoje com 14 anos. Quando sofreu bullying, o menino tinha apenas sete. Os três primeiros meses no novo colégio são lembrados até hoje pela mãe, Carolina Castro do Vale Ferreira, 39 anos, como um período difícil para o menino.

Gustavo era perseguido por colegas de sala que pegavam seu lanche na hora do intervalo, escondiam suas chuteiras e, em uma ocasião, chegaram até a tentar forçar sua cabeça no vaso sanitário. “Eu tentava evitar ir à escola porque ficava com medo que pudesse acontecer de novo”, lembra.

Hoje, Gustavo do Vale Ferreira tem 14 anos e não gosta de lembrar da época em que sofreu discriminação
A mãe conta que tudo começou quando Gustavo mudou de escola para cursar o ensino fundamental. Até então, o filho era um menino alegre, brincalhão e seu comportamento mudou completamente entre fevereiro e abril de 2011.

“Ele passou a evitar o colégio, mas não revelava o motivo. Todo dia inventava que estava doente e começou a ficar muito calado. Na época, eu não sabia onde estava o problema e imaginava que pudesse ser em casa”, recorda a mãe. Além do comportamento, Gustavo desenvolveu um tique nervoso: os olhos e a boca piscavam involuntariamente.

Carolina lembra que, na época, chegou a participar de mais de 20 reuniões com diretores e coordenadores da escola em que o filho estava matriculado para tentar descobrir o motivo da mudança de comportamento da criança e sempre escutava a mesma resposta: ela deveria se acalmar e ter paciência porque a ansiedade era algo comum no período de adaptação em um novo espaço.

“Eu sempre ouvi que o bullying era um problema que as pessoas sofriam caladas, mas não acreditava. Em uma família com diálogo, isso não aconteceria, até sentir dentro da minha casa”.”
Carolina Castro do Vale Ferreira
O menino participou de sessões de terapia, mas só se abriu quando a mãe resolveu matriculá-lo em outra escola. “A orientadora ligou dizendo que ele não estava bem e febril. Quando cheguei lá, vi meu filho sozinho, me esperando. Foi a gota d’água. Ele me contou que estava sofrendo perseguição de outros meninos da sala”. Mudar de escola foi a paz da vida de Gustavo e o menino se transformou da noite para o dia, mas os tiques nervosos ainda persistiram pelos quatro meses seguintes.

Carolina Castro e Gustavo do Vale

A professora doutora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), Angela Uchoa Branco, afirma que pais, professores e diretores das escolas devem trabalhar em conjunto para combater casos dessa natureza.

Os pais, atentos ao comportamento do filho em relação à escola, e os professores, à dinâmica da sala de aula e intervir cuidadosamente, mas ter tolerância zero com o bullying – conversar, ouvir e argumentar com os alunos sobre cultura de paz. Aos diretores, cabe orientar os professores e buscar a resolução pacífica de conflitos.

Gabrielle Jesus explica que, raramente os agressores sofrerão alguma sequela. “Eles se acham poderosos e não sentem culpa”, afirma. No entanto, os pais também devem ficar atentos ao comportamento dos filhos e observar se as crianças têm o costume de repetir as brincadeiras e discriminações reproduzidas pelos amigos.

O relatório da Unicef descreve uma variedade de maneiras pelas quais estudantes enfrentam a violência neste contexto. Embora meninas e meninos tenham o mesmo risco de sofrer bullying, os meninos têm chances maiores de sofrer violência física e ameaças, como Gustavo sofreu, enquanto as meninas são mais propensas a ser vítimas de formas psicológicas de bullying.

As vítimas podem desenvolver doenças psíquicas chegando a ter pensamentos suicidas, como explica a psicóloga. A estudante Débora Dálet, 21 anos, passou por todos os estágios de depressão quando cursou o 9º ano, aos 14 anos. A jovem era perseguida por um colega de turma que a apelidava com nomes nada agradáveis, como baleia e javali.

Débora chegou a comentar sobre alguns episódios de violência sofrida no colégio, mas a mãe acreditava que mudá-la de escola não iria resolver o problema. “A minha mãe dizia que isso acontecia em todo lugar e eu precisava ser forte”. A adolescente cursou o ensino médio em outra escola.

Junto aos xingamentos, o agressor incentivava outros adolescentes a jogarem bolinhas de papel na colega de sala. Um dos episódios lembrados com muita dor por ela foi quando o rapaz jogou chiclete em sua cabeça. “O meu cabelo era na cintura. Eu fui a um salão, mas não teve jeito, precisaram fazer um corte joãozinho. Foi aí que o bullying piorou”. A solução encontrada pela escola para punir o adolescente foi a suspensão.

Na época, ela pesava cerca de 80 kg e passou a ter comportamentos de bulimia, até chegar aos 45 kg. Os pais perceberam que a adolescente comia e logo ia para o banheiro vomitar. Foi aí que eles decidiram levá-la a uma psicóloga.

A situação se agravou quando Débora tentou cometer suicídio. Foram diversos episódios – ela carrega as marcas dos cortes que fez no próprio corpo até hoje – até ser socorrida às pressas e seguir até o hospital. “Fui a um psiquiatra e ele me receitou antidepressivos e remédios para dormir. Eu acordava com medo de ir para a escola”, lamenta, a voz embargada.

Sete anos depois, Débora acredita que está em outra fase da vida, com foco nos estudos. Ela segue fazendo acompanhamento psicológico e ainda não se sente a vontade com a própria imagem. “Eu não aceito ser gordinha. Ainda me sinto feia”, completou.

A psicóloga afirma que é obrigação da escola desenvolver um trabalho em conjunto com orientadores e pedagogos para que o bullying seja coibido. A Secretaria de Educação do Distrito Federal desenvolve, ao longo de todo o ano letivo, projetos pedagógicos sobre temas relacionados à cidadania e direitos humanos, mediação de conflitos, combate às drogas, entre outros assuntos, como forma de prevenir e combater a violência..

A diretora da Escola Classe 204 Sul, Alessandra Alves de Oliveira Lopes, trabalha com crianças de seis a 12 anos há duas décadas. Ela lembra que o desrespeito, a intimidação e a apelidagem existem desde que iniciou o trabalho na educação. Os valores são trabalhados de forma gradativa com os estudantes, dentro da proposta pedagógica. As crianças aprendem o que é respeito através de aulas, palestras e filmes.

O centro educacional Sigma é pioneiro com a implantação da disciplina Convivência Ética. Estudantes de 71 turmas da escola participam das aulas duas vezes por semana desde o primeiro semestre de 2017, sob supervisão da professora Áurea Bartoli. Atualmente, 20 docentes de diferentes matérias estão capacitados para trabalhar a Convivência Ética. Os estudantes são incentivados a participar com a sugestão de temas.

O Metrópoles conversou com a supervisora e quatro alunos do 8º e 9º ano do ensino fundamental para entender na prática como eles encaram a disciplina e o bullying. Fica evidente na fala de Arthur Henrique Silva Pinho, 15 anos, Isabela Koshino, e Isabella Maryan, as duas com 14 , e Clarisse França, 13, que a disciplina dá a eles poder de fala e decisão. São jovens empoderados.

Isabela Maryan lembra de um caso recente, em que viu uma colega de sala ser discriminada. Ela e outras duas amigas contrárias à prática levaram o assunto para a sala de aula. As adolescentes pesquisaram o conceito do bullying e fizeram uma apresentação para a turma, explicando os tipos de agressão e alvos comuns. “Geralmente são pessoas com linguagem passiva. A gente trouxe esse assunto e conseguiu resolver na aula, parando o bullying com a menina”, explicou.

Clarissa lembra que sofria discriminação por ser considerada muito baixinha. Era normal o agressor excluí-la das brincadeiras em grupo, por exemplo. “Eu nunca levei isso a sério porque sempre fiz piada de mim mesma. Foi assim que o meu pai me ensinou a me defender”.

A menina de apenas 13 anos demonstra segurança e maturidade de gente grande. Ela entende que a altura não é motivo para se envergonhar, assim como qualquer outro relacionado à aparência. “Eu nunca me senti humilhada porque eu sei que não é culpa minha. Não posso fazer nada sobre isso”.

Isabela Koshino entende, por vezes, que a vítima não tem real proporção da gravidade das agressões e sofre em silêncio. “Eu achava normal eles me zoarem por eu não ser magra nem alta. Hoje eu entendo que não tem nada de errado comigo”, analisa. A adolescente acredita também na importância de se cercar por pessoas que fazem bem para elas. A opinião é comum no grupo.

Isabela Maryan acredita que conversar com um amigo pode ser mais fácil do que com os pais e diretores. O diálogo é equiparado, sem julgamentos. “Os amigos vêm tudo, eles estão presentes no dia a dia e às vezes os pais não sabem”, ressalta.

Arthur compreende que a disciplina deu responsabilidades aos alunos. Hoje, eles sugerem os temas que querem abordar e têm mais liberdade para falar com os professores. Segundo Áurea, o objetivo é construir a autonomia moral dos adolescentes. “Eles desenvolvem pensamentos como ‘o que eu posso?’, ‘o que eu quero?’ e ‘o que eu devo?’”, completou.

Isabella Maryan, Clarisse França, Arthur Henrique Silva Pinho e Isabela Koshino

O programa teve origem em escolas da Espanha há 16 anos. As ações em relação ao tema começaram em 2016, com alunos do 1º ano do ensino médio e 9º ano do fundamental para discutir problemas de convivência da escola e temas estudados por eles em outras disciplinas, como a descriminalização do aborto.

Áurea faz questão de enfatizar que a escola não levanta discussões acerca de políticas partidárias e religião por entender que, primeiro, precisa ser construído um viés de respeito para que alunos estejam aptos para discutir sobre qualquer assunto.

O trabalho de conscientização do bullying deve ser feito com o alvo, os autores e os expectadores. “O bullying é um problema moral. Se eu acho que posso zoar o outro sem limites, a vítima não tem forças para lidar sozinha e eu tenho expectadores, gente que ri, isso só aumenta”, segundo a supervisora. “Nós não queremos que eles saiam da escola aceitando tudo o que acontece”, completa.

Assim como Gustavo e Débora, muitas crianças têm vergonha ou medo de falar sobre o assunto com pais e docentes. Por isso, especialistas alertam para que a família preste atenção à alguns sinais que podem indicar que a criança ou adolescente esteja sofrendo bullying:

Fique atento a mudanças no comportamento e humor da criança: mais isoladas e chorosas, por exemplo;
Observe se ela pede para faltar aula com frequência: “Fique alerta se ela disser que não quer ir para a aula, algo pode estar acontecendo”, ressalta a diretora da Escola Classe 204 Sul, Alessandra Alves de Oliveira;
Seu filho tem medo de ir para a escola? Em alguns casos, a aproximação do início de uma nova semana ou ano letivo são suficientes para que a criança fique ansiosa;
Participe da vida escolar de seu filho: fique atento à agenda e mochila da criança;
Frequente a escola e converse com os professores.

Banco de leite humano do Hospital Regional de Taguatinga celebra 40 anos

No ano da fundação do Banco de Leite de Taguatinga, mais de 90 recém-nascidos perderam a vida por doenças e infecções diversas. Enfermidades que o leite humano poderia prevenir

“Apesar de ter sido mobilizado todo esforço médico, 15 crianças nascidas no Hospital Regional de Taguatinga, no mês passado, não tiveram defesa para resistir ao estado de subnutrição em que se encontravam as suas mães.” É assim que começa a matéria do Correio Braziliense de 20 de setembro de 1978, que anunciava a criação do banco de leite humano da unidade de saúde. O primeiro do Distrito Federal e de todo o Centro-Oeste. À época, o quinto do país. Hoje, perto de completar 40 anos de existência, o equipamento público é referência técnica internacional para o trabalho de coleta e distribuição do alimento que salva vidas de bebês todos os dias.

No ano da fundação, mais de 90 recém-nascidos perderam a vida por doenças e infecções diversas. Enfermidades que o leite humano poderia prevenir. A quantidade de mortes caiu de lá para cá, mostrando a importância do banco. Passou de 20 para 10 a cada mil nascidos vivos. Hoje, um bebê que nasce com menos de 1kg tem muito mais chances de se desenvolver e levar uma vida normal do que na década de 1970. Os bancos de leite no Brasil, hoje, são reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e se tornaram referência para a América Latina e países africanos de língua portuguesa.

Wilson, Áurea, Cidalina, José, Iracema e Romilda: profissionais e doadoras que fazem parte da história do banco

Naquela época, o trabalho era de trincheira. Funcionários precisavam procurar materiais que ainda não eram utilizados no HRT. Também não dava para guardar o leite, que era levado para os bebês assim que as mães entregavam o alimento. Como era um serviço que não existia, foi preciso incentivar a amamentação para que, a partir daí, as mulheres doassem. Uma Kombi rodava pelas ruas de Taguatinga coletando os frascos, trabalho parecido com o que o Corpo de Bombeiros faz hoje no DF. Fundador do banco do HRT, o pediatra Wilson Marra, hoje com 69 anos e aposentado da rede pública, recorda a batalha para fundar o espaço.

Criado em Taguatinga, ele se formou na Universidade de Brasília (UnB), fazia especialização em pediatria e tinha 29 anos. “Conhecia bem a cidade. Víamos os problemas que tínhamos com doenças e mortes de crianças internadas, principalmente recém-nascidos. Nessa época, entrei no Rotary Club de Taguatinga Norte. Foi quando surgiu a ideia de associar a entidade com o trabalho no hospital”, conta. De acordo com Wilson, foi necessário estudar, mergulhar em livros, experiências nacionais e internacionais, além de muitas estatísticas para criar o equipamento público do zero.

O resultado, segundo ele, foi a queda de cerca de 30% da mortalidade de bebês, principalmente recém-nascidos na unidade de saúde. Ele não esconde a emoção ao falar do projeto. “Junto com o banco, começamos um trabalho de estímulo ao aleitamento, e o Rotary ajudava economicamente. Muitas mães doadoras eram de baixo nível socioeconômico e ganhavam cestas básicas. Realmente, foi uma vitória. O leite é um remédio. Você consegue maior contato da mãe com o filho e a imunidade da criança que recebe o leite materno é muito maior”, destaca.

Militância pela vida
Fundadores do Rotary Clube de Taguatinga Norte, José Córdoba Solano, 89, e a mulher, Cidalica Martins Córdoba, 80, estiveram na linha de frente para a criação do banco. “O Wilson (Marra) estava muito preocupado. Começou a pensar em soluções para a mortalidade infantil e apresentou a ideia para o Rotary. Conversamos com a direção do hospital, mas ninguém tinha experiência, conhecimento”, recorda José. “Saíamos de Kombi chamando as pessoas. Havia muitas doadoras que eram de baixa renda, e chegamos a oferecer cestas básicas para elas”, completa Cidalica. O casal é conhecido por funcionários do HRT como os “avós do banco de leite”.

Auxiliar de operações de serviços do banco, Romilda Maria de Fraia, 54, é a funcionária mais antiga do local e coleciona amizades e histórias. “Tinha uma bebezinha que chamávamos de glamour por causa do jeito dela quando saiu. Ela chegou quase em pele e osso, bem magrinha. A mãe estava em tratamento de câncer quando engravidou e, depois que a filha nasceu, tinha dificuldades em amamentar.”

Amor
Maria Áurea dos Santos, 54, dona de casa e mãe crecheira, foi uma das doadoras do banco. Agora, a filha dela, Silvana dos Santos Chaves, 32, também é doadora. “Já tinha uma filha, mas comecei a doar leite em 1986, quando nasceu a Silvana. Depois, tive outras duas filhas e fiz doações em cada uma das gestações”, lembra. Áurea se emociona ao lembrar da época. “Era um gesto de amor. Estávamos salvando vidas. Minha filha herdou isso de mim”, relata, sem conter o choro.

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Amiga de Áurea, Iracema Maria de Souza, 57, a conheceu no banco de leite humano ainda em 1986. As amigas não se separaram mais. “Doar é uma satisfação muito grande para a mãe. Eu tinha muito prazer nisso. Há muitas mães com o filho desnutrido, doente, precisando desse leite. Só a satisfação é recompensa para o que fiz”, declara.

Referência
Coordenadora das ações de aleitamento materno do banco de leite humano da Secretaria de Saúde, Miriam Oliveira dos Santos esteve à frente do ponto de doações do HRT entre 2004 e 2008. Ela destaca a importância nacional da criação de tecnologia para aleitamento de bebês. “A criação teve grande impacto na redução de doenças e da mortalidade. O Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) por uma das estratégias que mais contribuiu para a redução da mortalidade infantil neonatal, e o HRT fez parte disso”, lembra.

Dentro do hospital, o banco mudou algumas vezes de lugar. Hoje, fica no ambulatório, perto da pediatria. “À época da criação do banco, existia um no Rio de Janeiro, dois em São Paulo e um no Rio Grande do Sul. Fomos o quinto. Não havia Secretaria de Saúde, e sim a Fundação Hospitalar. Hoje, o DF é destaque no Brasil pela coleta de leite materno. Isso é graças a uma história de muitos funcionários militantes da causa do aleitamento materno espalhados pela capital e também de quatro gerações que acreditam na solidariedade e doam leite”, completa a gestora.

Para doar
Interessadas em doar leite materno têm várias opções no Distrito Federal. Por telefone, basta ligar no 160, opção 4. Na internet, o site amamentabrasilia.saude.df.gov.br tem várias informações e orientações para lactantes. Além do site, mães também podem baixar o aplicativo Amamenta Brasília no celular.

Fluxo constante
A demanda pelo leite humano nunca acaba nos hospitais. Para se ter uma ideia, no ano passado, o HRT recebeu e distribuiu 2.666 litros. Este ano, até agosto, foram 2.236l.

Site: https://www.correiobraziliense.com.br

Mapa do feminicidio no DF

O Correio traça um panorama do crime que tem espantado Brasília. Desde 2015, foram quase 60 crimes, 20 deles este ano. Companheiros e ex-companheiros formam a maioria dos assassinos

Enterro de Adriana Castro, morta pelo ex-marido, Epaminondas Silva Santos, policial militar, no Riacho Fundo

“Ele a ameaçava de morte. Às vezes, falava que ia matá-la; às vezes, que mataria as crianças na frente dela, para ver que ele era capaz.” A frase é da operadora de caixa Silvaneide de Castro, 34 anos, cunhada de Adriana Castro Rosa Santos, 40, uma das 20 vítimas de feminicídio no DF até 31 de agosto de 2018. A dona de casa foi assassinada em 7 de agosto pelo marido, o policial militar Epaminondas Silva Santos, 51. Além de Adriana, 59 mulheres da capital federal foram mortas, seja por facadas, seja por tiros, seja por socos, desde 2015. Em 85% dos casos, os crimes aconteceram dentro de casa. No mesmo período, houve 136 tentativas de feminicídio, segundo a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP).

No ano passado, as delegacias do DF registraram 20 ocorrências. Diante desse cenário violento contra as mulheres, formou-se uma câmara temática com representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, SSP, Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Detran, Defensoria Pública e Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) com o objetivo de entender o padrão relacionado às mortes. Para o secretário da Segurança Pública e da Paz Social, Cristiano Sampaio, isso pode ajudar juízes a decidir sobre a sentença de agressores desde a primeira denúncia. “A gente tem percebido que eles não partem da primeira ocorrência para a morte. Com o padrão estabelecido, a gente consegue ter uma luz acesa mostrando o nível de risco e quando adotar as mais altas medidas de proteção”, explica.

No caso de Adriana, o relacionamento abusivo se mostrou aos poucos. Epaminondas não a deixava trabalhar, era ciumento e bebia muito. Silvaneide disse que a cunhada não falava muito dele e, havia cerca de dois anos, ele parou de frequentar a casa da sogra. “Ela visitava a mãe sempre, todo fim de semana estava aqui, trazia os filhos. Era uma pessoa muito boa”. Agora, as crianças, uma menina de 8 anos e um garoto de 11, moram com a avó. Eles fazem acompanhamento psicológico. No dia da tragédia, os dois dormiam na sala da casa e acordaram com os tiros. “Eles falam na Di (apelido de Adriana) de vez em quando, sentem saudades”, conta Silvaneide.

Medidas protetivas
Depois de assassinar a ex-mulher, Epaminondas cometeu suicídio. O mesmo aconteceu com outros cinco homens em 2018. Dos 20 autores de feminicídio, 11 estão presos. Um deles é Eduardo Gonçalves de Sousa, 34, que matou, em 26 de agosto, a companheira Maria Regina de Araújo, 44, no Itapoã. Dez dias antes, Maria Regina havia pedido uma medida protetiva à Justiça, mas sem sucesso.

Segundo o TJDFT, apenas em 2018, a Justiça recebeu 9.459 pedidos de medidas protetivas, dos quais pouco mais da metade — 4.964 — foram concedidos. Ainda 2.216 tiveram aprovação parcial. O presidente do tribunal, desembargador Romão Cícero de Oliveira, explicou que as solicitações são analisadas, caso a caso, por um juiz. “Nem todas as histórias são verificáveis. Nós temos o sentido de que a palavra da vítima vale muito em relação à do réu”, ressalta o magistrado. “De vez em quando, o juiz deixa de aplicar um benefício a uma dessas pessoas que, talvez, estivesse falando a verdade, mas que não teve a eloquência necessária para chegar aos ouvidos do juiz. A eloquência do acusado talvez tenha sido muito melhor e convenceu”, diz.

A cidade do DF com o maior número de feminicídios é Ceilândia (11), seguida de Samambaia (8), Brasília, Gama e Santa Maria (6). Um dos objetivos da câmara temática é descobrir por que há mais casos nessas regiões. “Qualquer afirmação conclusiva agora é prematura, mas eu acredito que a questão cultural é um fator decisivo para se ter mais ou menos violência doméstica”, ponderou o secretário de Segurança.

A SSP agora passou a trabalhar a questão da agressão às mulheres também no curso de formação de policiais. Além disso, pela frequência com que PMs se revelam agressores, a pasta matricula, compulsoriamente, os envolvidos em uma iniciativa de tratamento. “Eles reconhecem a importância de fazer isso para evitar uma nova agressão. Você percebe que esse é um crime recorrente. Ou trabalha na causa e neutraliza, ou vai chegar a um ponto mais grave. Então, o tratamento do agressor também é muito importante”, avalia o secretário Cristiano Sampaio.

Tornozeleiras
Segundo Cristiano, 6 mil tornozeleiras eletrônicas estão disponíveis, mas, atualmente, apenas 28 agressores são monitorados. Os equipamentos, que custam R$ 162 mensais, fazem parte de um contrato de locação e, de acordo com a SSP, só são cobradas quando em uso. Mas, para um acusado usar o equipamento, é preciso determinação judicial. “Se precisar usar, temos 6 mil. A central de atendimento está montada e equipada com servidores em esquema de operação 24 horas por dia, sete dias por semana. E essa é a nossa angústia”, alerta o secretário. “A gente precisa convencer as pessoas de que esse é um recurso importante e que pode ajudar a cidade”, declara Sampaio.

No fim de agosto, um dos agressores rompeu a tornozeleira e tentou estrangular a ex-companheira em casa, no Gama. O homem de 34 anos descumpriu medida protetiva e chegou a dizer: “Agora eu consigo te matar”. O feminicídio só não aconteceu porque um amigo da vítima chegou a tempo de evitar o pior. Cristiano Sampaio reforça que o equipamento não é um impeditivo, apenas um recurso de acompanhamento. “Assim que ele o rompeu, foi gerado um alarme na central, que tentou contato com ele. Como não atendeu, a PMDF deslocou efetivo para a residência. O monitoramento é permanente.”

O desembargador Romão Cícero, presidente do TJDFT, concorda que o número de tornozeleiras em uso é baixo. “Podia ser muito maior para que a polícia pudesse ter o olho bem mais perto dessas pessoas. É um material que ajuda e muito não só no caso de violência doméstica”, reconhece o magistrado.

Aplicativo para vigiar
Além das tornozeleiras, outro recurso subutilizado, na visão da SSP, é o aplicativo Viva Flor, espécie de botão do pânico que permite às vítimas de violência doméstica acionar a PM caso se sintam ameaçadas. Até o momento, 12 estão cadastradas no programa, lançado em 20 de novembro do ano passado. À época, a promessa era de que 100 mulheres seriam contempladas com o benefício até o fim de 2017. Contudo, os cadastros começaram em junho e, segundo o TJDFT, ainda está em fase de execução do projeto-piloto. Agora, a previsão é de que até o final de setembro haja 30 nomes no total.

Para fazer parte do Viva Flor, a mulher deve ter uma medida protetiva de urgência vigente, e a decisão da inclusão deve ser dada pelo Poder Judiciário, que fornece os dados para cadastro feito pela SSP. O secretário Cristiano Sampaio, no entanto, afirma que a central de atendimento tem capacidade maior. “Esse é um aplicativo on-line, que não tem custo. Eu acho que a segurança, a cautela, o teste, o ajuste, tudo isso é importante, mas tem coisa mais importante. Tem gente precisando do serviço agora”, reforça.

No mês passado, o GDF encaminhou para a Câmara Legislativa um projeto de lei que prevê a conexão entre o Viva Flor e as tornozeleiras eletrônicas. A ideia é que, caso um agressor monitorado se aproxime da vítima cadastrada no aplicativo (ele é georreferenciado), um alerta seja emitido na central de controle, que tomará as providências cabíveis para proteção da mulher em risco.

Outra medida prevista é a obrigação de a SSP fornecer os equipamentos de monitoração. O secretário explica que hoje, o Estado não precisa fornecer as tornozeleiras, de acordo com a Lei nº 12.258/2010). “Se o DF quiser interromper o contrato, interrompe. A lei vai garantir que isso seja mantido”, esclarece.

Três perguntas para
Liz-Elainne Mendes, coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos do MPDFT

Quais são as punições para quem agride uma mulher?
Podem variar de uma prisão simples até uma muito significativa em um regime fechado de reclusão. Se for reconhecido na sentença uma pena maior do que quatro anos, o agressor pode perder cargo público. A condenação criminal traz diversos empecilhos para vagas em cargos públicos e é um prejuízo muito grande. O feminicídio é uma qualificadora do homicídio. Enquanto em um homicídio a pena varia de seis a 20 anos, no caso de feminicídio, vai de 12 a 30 anos.

O que a vítima de violência deve fazer?
Quando ela entende que está passando por violência, eu penso que é um ganho enorme. Ela deve procurar serviços que possam auxiliá-la a tomar maior consciência do quadro de violência para entender a situação de risco. É importante que o sistema de Justiça tome conhecimento para que possa, pela própria lei, combater as agressões. A mulher tem o direito fundamental de viver uma vida plena de paz e, quando há crianças ou adolescentes envolvidos nesse quadro, os serviços auxiliam também para que ela perceba que outras pessoas são impactadas e é preciso que o Estado intervenha. Ela não deve ficar em casa sem tomar providências, sem buscar informação e auxílio.

Quem conhece uma vítima deve “meter a colher”?
Sim. A violência contra a mulher é uma violação grave de direitos humanos e todos que convivem com as vítimas e percebem esse quadro precisam buscar auxílio e ajudar para que o sistema funcione de uma forma mais eficiente. É importante a participação de todos não só alertando, mas buscando o apoio do Estado. Quem quiser denunciar pode ligar no 180 ou fazer uma denúncia anônima pela Ouvidoria do MP, da Polícia Civil, do órgão onde essa mulher trabalha ou no SAC da empresa. São canais que se comunicam para que esse fato chegue ao sistema de Justiça sem que o denunciante se exponha. Outra opção, caso a pessoa queira ser mais ativa na investigação, é registrar uma ocorrência como comunicante e testemunha.

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Aula do dia: a crescente violência nas escolas públicas do DF


Levantamento mostra que 97,15% dos educadores já presenciaram atos violentos dentro dos centros de ensino da capital

A violência dentro das escolas públicas é uma realidade enfrentada por professores e alunos diariamente no Distrito Federal. Não bastasse a estrutura precária dos estabelecimentos, docentes, jovens e crianças vivem uma rotina de desrespeito, ameaças, agressões verbais e físicas.

A situação aferida por números é assustadora: 97,15% dos educadores da rede pública já presenciaram atos de violência dentro dos centros de ensino, conforme revelou pesquisa realizada pelo Sindicato dos Professores (Sinpro) com 1.355 profissionais de várias regiões administrativas.

O levantamento escancara as mazelas da rede de ensino público no DF e reforça a sensação de insegurança provocada pela onda de violência que atinge a capital federal, onde 73% dos brasilienses sentem-se pouco ou nada seguros, segundo pesquisa encomendada pelo Metrópoles ao Instituto FSB.

Entre os docentes ouvidos pelo Sinpro, 97,15% disseram ter presenciado episódios de agressão e ameaça entre os alunos; e 57,98% foram vítimas da violência. O caso mais recente ocorreu no Centro de Ensino Fundamental 507, em Samambaia, quando um aluno de 16 anos tentou dar um soco no vice-diretor do colégio, Alex Cruz Brasil, 45 anos.

O adolescente havia sido suspenso por jogar melão nas colegas, na semana anterior, e foi barrado na entrada ao tentar acessar a sala de aula na segunda-feira (10/9). De acordo com Alex, o estudante ficou revoltado, partiu para cima dele, tentou desferir um soco em seu rosto, mas atingiu o ombro. O adolescente, então, puxou um canivete automático e ameaçou furar o educador.

Alex teme uma possível retaliação do aluno, que retomou as atividades no mesmo dia do episódio e foi colocado para fora de sala pela professora por indisciplina. “Estou vivendo com medo: olho para os lados a todo momento, fico de costas para a parede e sempre evito ir para a porta do colégio”, conta. Procurada pela reportagem, a direção do colégio informou que casos de ameaça são recorrentes.

Um relatório ao qual o Metrópoles teve acesso mostra que apenas nessa unidade de Samambaia 603 ocorrências disciplinares foram registradas entre janeiro e a quarta-feira (12). O vice-diretor foi responsável por registrar 75% dos episódios. Entre os casos, 210 referem-se à desordem e 145 são relativos a brigas e ameaças. Além do adolescente de 16 anos envolvido na briga com o gestor, 203 alunos acabaram suspensos por comportamentos indisciplinares.

Comunidade violenta
Para Alex, o retrato do descaso com o ensino e o sentimento de insegurança são resultado de um “problema estrutural e social” e do baixo efetivo de policiais responsáveis pelo patrulhamento das escolas. Segundo o vice-diretor, 25 militares são distribuídos entre sete regiões administrativas, apenas dois deles em Samambaia, onde mais de 40 colégios públicos e particulares funcionam.

É impossível ter um policiamento ostensivo. Tudo isso é retrato de uma comunidade violenta, onde vive-se uma guerra civil. Alunos com pais presos, morando sozinhos, sem acompanhamento, tráfico de drogas intenso, roubos e legislações fracas contribuem para o agravamento da situação”
Alex Cruz Brasil, vice-diretor do CEF 507

A pesquisa não chegou a colher a opinião dos alunos, mas os casos de agressões entre eles também são recorrentes, e chegam a ser tratados com naturalidade pelos próprios jovens. No Centro de Ensino Fundamental 2 (CEF 2), no Paranoá, adolescentes na faixa etária dos 14 aos 16 anos chegam a agendar brigas em grupos do Facebook.

“É uma coisa que acontece muito e eu acho ruim vir para a escola e saber que isso vai ocorrer. Sou uma pessoa tranquila, nunca me envolvi nisso, mas fico com medo. As meninas aqui brigam muito, quase sempre por causa de namorados ou de xingamentos. No ano passado, duas alunas começaram a se baterem. O vigilante viu e não fez nada”, conta Ana Clara Brandão, 16, aluna do CEF 2 e moradora do Paranoá.

Os colegas de turma Ícaro de Souza, 15, e Matheus Mota, 16, ambos alunos do 9º ano do CEF 2, sempre procuram ficar longe das confusões, mas também já presenciaram várias brigas entre alunos dentro e fora da escola. Além disso, os meninos enumeram diversos casos em que viram colegas desrespeitando educadores na sala de aula.

“Às vezes, o professor pede silêncio e os colegas não fazem. Quando ele fala mais firme, tem aluno que retruca e desrespeita. Bate boca mesmo. Às vezes, até se xingam, mas agressão entre aluno e professor, nunca vi”,

Aula do dia: a crescente violência nas escolas pública

Mais violência
Nesta semana, dois adolescentes, um de 16 e outro de 17 anos, foram apreendidos na porta do Centro Educacional 6, no Gama. Eles começaram a brigar na saída do turno. A PM foi chamada e, ao abordá-los, encontrou 15 pedras de crack. À polícia, eles disseram que eram estudantes do colégio e confirmaram que estavam no local para comercializar a droga.

Já em 28 de agosto deste ano, um aluno de 13 anos do Centro de Ensino Fundamental 19, na QNN 18/20, em Ceilândia, esfaqueou um colega de 15 anos durante briga na hora do intervalo, em pleno pátio. A vítima ficou ferida no abdômen e no pescoço.

Violência não vem de hoje
Ex-aluno da unidade e hoje proprietário de um restaurante localizado em frente ao centro de ensino, Raulisson de Goes Mendes, 24, presenciou “cenas inimagináveis” enquanto estudava na unidade. “Coisa de aluno andando armado, muito perigoso. Um dia desses mesmo vi um menino descendo a pé com o celular na mão ser assaltado por dois caras em uma bicicleta.”

A diretora do Sinpro, Rosilene Corrêa, conta que os colégios já se atentaram para a realidade e desenvolveram projetos em busca de resultados. “A escola assume para si a responsabilidade, já que o Estado não tem feito isso. E não tem outro caminho, porque não adianta ficar dependente da elaboração de políticas públicas se a realidade está ali, na sua frente. É preciso ter escolas mais prazerosas e profissionais mais valorizados”, pontua.

Patrulhamento e ações pedagógicas
Em nota, a Secretaria de Educação disse promover projetos pedagógicos ao longo do ano como “forma de prevenir e combater a violência”. “A pasta ainda trabalha em parceria com o Batalhão Escolar da Polícia Militar, que mantém ações educativas dentro das unidades escolares por meio do programa Viva Brasília nas Escolas”.

Já o Batalhão Escolar da Polícia Militar do Distrito Federal informou patrulhar com rondas o perímetro das centros de ensino num raio de 100 metros. “Implantamos ainda, na área interna, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência (Proerd), que consiste em um amplo projeto de prevenção ao uso de drogas, e as operações Varredura e Escola Livre, ambas com o objetivo de precaver quanto ao uso de armas ou objetos que possam ser utilizados como tal, com abordagens fora e dentro das escolas mediante acionamento da direção.”

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Jovem que matou idosa na Esplanada é indiciada por homicídio doloso


A motorista Juliana Guimarães Cirillo, 22 anos, que atropelou e matou a aposentada Rose Marie Flexa Medeiros, 73, em março deste ano, foi indiciada por homicídio doloso. Para a polícia, a jovem assumiu “o risco de matar ao consumir drogas e dirigir”. Exames de urina analisados pela Polícia Civil constaram o uso de maconha.

Os autos foram encaminhados ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) em 3 de setembro. Os promotores devem apresentar a denúncia à Justiça nos próximos dias. Os exames, entretanto, não conseguiram constatar o consumo do chá do Santo Daime.

De acordo com o relatório feito pela 5ª Delegacia de Polícia (área central), responsável pela investigação, após o acidente, Juliana não apresentou hemorragia aparente e “estava toda vomitada. Ela aparentava estar confusa e desorientada”.

O medo da família da idosa é de que o MPDFT ofereça a denúncia como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. “O exame de sangue com relação ao Santo Daime não foi feito. O IML protelou para dar a resposta e, por fim, disse que não teria recursos para fazer porque não há materiais comparativos que viabilizem a análise. Será que, por conta disso, vão rasgar o inquérito do delegado, os depoimentos das 13 testemunhas?”, questionou a assistente administrativa Roseane Flexa Medeiros, 42, filha da vítima.

Rose foi resgatada com vida, mas não resistiu e morreu horas depois. “Era uma viúva apaixonada pela família e vivia para os filhos [seis, ao todo] e netos. Guerreira incondicional, honesta e mãe maravilhosa”, lamentou Roseane.

A certidão de óbito apontou como causa da morte politraumatismo por ação contundente. “A pancada quebrou todos os ossos dela”, revoltou-se a filha.

Culpa do Xamã
Com base no relatório policial, ao ser questionada no hospital acerca de sua condição, Juliana disse ter tomado Santo Daime e que a culpa era do “Xamã”. Ainda conforme o documento, a jovem teve momentos de alucinação e falava que o braço dela estava caindo. Porém, estava imobilizada.

Já em depoimento formal, a motorista contou que dirigia o veículo na velocidade da via quando pressentiu que ia desmaiar. Afirmou ter tentado girar o volante e encostar o carro no meio-fio, mas desfaleceu.

Disse que só teve conhecimento do atropelamento quando chegou ao Instituto Hospital de Base do DF (IHBDF). Defendeu que no dia do acidente não fez uso do chá, mas que já havia bebido em outras ocasiões. Na delegacia, o pai de Juliana, Sérgio de Souza Cirillo, informou que a filha sofre de Síndrome do Vaso Vagal, doença que provoca desmaios e confusões. Afirmou que a jovem se envolveu em outro acidente recentemente, devido ao problema, mas que ela não tem restrição para dirigir.

Para Juliana, houve uma interpretação equivocada das pessoas responsáveis pelo seu atendimento no local do acidente ao dizerem que ela informou ter bebido o chá. A jovem alegou ter explicado aos socorristas que estava voltando da Igreja do Santo Daime.

O acidente
O atropelamento ocorreu por volta das 18h de 7 de março deste ano, na calçada em frente ao Ministério da Saúde. Rose foi levada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao IHBDF com um corte na face, consciente, estável e orientada.

Os bombeiros encaminharam Juliana para a mesma unidade de saúde. A condutora se queixava de dores na coluna cervical, ânsia de vômito e estava consciente, porém desorientada, segundo a corporação.

O Metrópoles não conseguiu contato com a motorista nem com a defesa dela.
Fonte:  www.metropoles.com

Após bullying por câncer da mãe, menina ganha bolsa e muda de escola

Grupo arrecadou uniforme e livros para ajudar na transferência. Diretora do antigo colégio disse que imagem da mãe era “agressiva”


A luta contra o câncer de Carol Venâncio Duarte, vítima de preconceito por parte da diretora do Colégio Notre Dame Brasília, na 914 Sul, onde a filha dela estudava, sensibilizou os brasilienses. A menina ganhou bolsa parcial de estudo oferecida pelo Sigma. Além disso, um grupo de mães da nova escola se mobilizou em apoio à família, arrecadando uniforme e livros.

A filha de Carol, que cursa o sexto ano do ensino fundamental, foi transferida após a mulher receber “sugestão” da freira Loiva Urban para cobrir a cabeça porque sua imagem era “agressiva à sociedade”. Depois da repercussão negativa do caso, a diretora acabou afastada de suas funções no Notre Dame.

A professora de educação física Luciana Carneiro, 46 anos, foi uma das mães que contribuiu com a ação. “Soube por um grupo de mães do Sigma que temos no WhatsApp. Fiquei sensibilizada e quis ajudar. Disponibilizei algumas peças de uniforme da minha filha. É uma situação difícil e revoltante. Uma crueldade com a criança e também com a mãe, que passa por um tratamento muito estressante e ainda precisou lidar com esse tipo de coisa”, lamenta.

Outra mãe, que pediu para não ter o nome divulgado, estava indignada com a falta de empatia por parte da freira. “Todo mundo ficou bastante comovido com a história, principalmente devido à forma desumana como Carol Venâncio foi tratada. São situações que precisam ser repensadas. Devemos nos respeitar como um todo. Tivemos a ideia, pois ficamos sentidas com o caso da Carol”, disse.

O Sigma também se manifestou. “O Centro Educacional Sigma tem compromisso com a educação. Esclarecemos que a direção da escola fez o que foi possível para que a família e a aluna fossem acolhidos no ambiente escolar. A nossa primeira intenção foi garantir que a estudante, diante do seu contexto e sua história, tivesse a possibilidade de dar continuidade aos seus estudos de forma plena, segura e tranquila”, informou a instituição, por meio de nota.

Repercussão negativa
O caso veio a público por meio de uma postagem feita pela irmã de Carol, Camila Venâncio Duarte. Segundo ela, a sobrinha passou a sofrer bullying no colégio. “Algumas crianças se afastaram dela dizendo que têm nojo devido à doença da minha irmã. Isso trouxe muito sofrimento a todos nós”, destacou Camila, pelo Facebook.

Carol, então, procurou a diretoria da escola, e a irmã Loiva sugeriu que ela usasse peruca ou chapéu, pois sua imagem era “agressiva”. Sem acreditar no ocorrido, Camila diz que foi ao colégio conversar com a diretora. “Ela me disse que a imagem da minha irmã assustava. Perguntei a quem ela assustava. Disse que a todos”, afirmou.

No desabafo feito nas redes sociais, Camila defende Carol: “Você é meu exemplo de força e coragem”. E critica a postura da irmã Loiva: “Assustador é seu ódio e preconceito. A senhora, sim, é uma agressão à sociedade, cruel, má e desumana”, afirma. Até as 18h30 dessa quarta-feira (1º/8), a postagem tinha 1,3 mil curtidas, 339 comentários e 491 compartilhamentos.

O desabafo de Camila foi feito na segunda-feira (30/7). No mesmo dia, em comunicado, a administração do Colégio Notre Dame informou que a irmã Loiva não respondia mais pela direção da escola.

Consultada, a assessoria de comunicação da instituição de ensino não quis comentar o caso, mas afirmou que a irmã está afastada e não faz mais parte do quadro de funcionários do Notre Dame Brasília.

Muito abalada, Carol não quis se pronunciar. Ela registrou ocorrência contra a ex-diretora na Polícia Civil.

Voluntários doam tempo e energia em instituições sociais do DF

Por meio do voluntariado, brasilienses doam tempo e energia e, em troca, ganham gratidão e a sensação de pertencimento à comunidade
A pediatra Tatiana Fonseca da Silva atua voluntariamente no Lar de São José, em Ceilândia: “Doar nada mais é que receber”(foto: Ed Alves/CB/D.A Press )

Você tem algumas horas livres durante o dia? Que tal doar um pouco do seu tempo, energia e talento para ajudar outras pessoas? O Correio reuniu histórias de brasilienses que decidiram se doar ao outro com amor e compaixão e encontraram no trabalho voluntário realização pessoal e felicidade. Eles usam as habilidades para transformar a vida do próximo. Em troca, recebem carinho e gratidão.

“Cada vez que uma pessoa se propõe a ajudar alguém, ela pode ter a certeza de que a primeira pessoa a ser ajudada será ela mesma. Doar nada mais é que receber.” É assim que a médica pediatra Tatiana Fonseca da Silva, 41 anos, define o trabalho no abrigo Lar de São José, que recebe crianças e adolescentes em Ceilândia.

Voluntária no local há 10 anos, ela trabalhava em um centro de saúde na cidade quando atendeu uma criança do abrigo e decidiu fazer uma visita. “Foi uma acolhida muito calorosa, e nunca mais deixei de vir. Teve, inclusive, uma época em que eu consegui liberação oficial da Secretaria de Saúde para fazer atendimento regular. Fiquei um ano vindo semanalmente”, recorda-se. A profissional oferece amparo em questões médicas que vão desde aferição de pressão e medidas até consultas completas.

O Lar de São José recebe crianças e adolescentes encaminhados pela Vara da Infância, vítimas de abuso sexual, negligência familiar, abandono ou em situação de rua. A coordenadora técnica do abrigo, Ana Lúcia Antunes, trabalha no local há oito anos e conta que só conseguem realizar o trabalho graças aos voluntários. “Muitos não tinham costume de frequentar a escola, e é uma luta diária fazer com que eles assistam às aulas”, explica. Ela afirma que um dos motivos é a dificuldade na alfabetização.

Segundo Ana Lúcia, as crianças sentem faltam de pessoas que frequentem o abrigo apenas para brincar ou passar um tempo com elas, dando atenção, como faz Vinícius José de Carvalho, 25 anos. O médico veterinário conheceu o local por meio de um projeto da escola em que estudou. Logo se apaixonou e ofereceu ajuda. “Sábado de manhã é complicado. Às vezes, meus amigos saem e eu recuso para poder acordar cedo e vir. E acaba sendo muito gratificante, eu chego em casa querendo voltar para cá.”

“A gente precisa muito de ajuda e, quando alguém vem, eu fico muito feliz”, conta Igor (nome fictício), 15 anos, no abrigo há quatro anos. Ele relata que gosta de artesanato, mas o lar ainda não tem um voluntário para ensinar. “Seria legal se alguém viesse ensinar arte, ou um professor de dança”, sugere.

Superação

A bancária Karina Marques Bandeira, 32, conseguiu forças para superar um problema pessoal ajudando pessoas que precisavam. “Eu percebi que o meu problema não era nada diante de tantos outros que estavam abandonadas em abrigos e, ainda assim, conseguiam me passar amor”, conta. A moradora do Guará participa de campanhas da empresa, leva doações e faz visitas frequentes ao Lar Bom Samaritano de Águas Lindas e ao Abrigo dos Excepcionais de Ceilândia (AEC), além de levar música com o coral Tutti Choir. “Quando cantamos para elas, percebo o brilho no olho e vejo que a música tocou no interior”, admira Karina.

Isabela Messeder Fialho, 21, perdeu o movimento das pernas após dois erros médicos, em 2016, e encontrou nos chocolates uma forma de ajudar o próximo. A estudante de publicidade e de comunicação organizacional ficou cinco meses internada e, quando voltou para casa, começou a fazer bombons para presentear, em forma de agradecimento a quem a visitasse.

“Como fez sucesso, comecei a fazer para vender e, depois, meu irmão sugeriu que usássemos isso para ajudar as pessoas”, conta a jovem, que queria contribuir com uma instituição que oferecesse auxílio a pessoas que passavam pelo mesmo problema que ela. Foi assim que Isabela encontrou o Abrigo dos Excepcionais, e já arrecadou R$ 1,5 mil para a instituição em Ceilândia.

* Estagiária sob supervisão de Mariana Niederauer

Como ajudar

Existem diversas instituições espalhadas pelo DF. Confira algumas que precisam de ajuda:

Abrigo dos Excepcionais de Ceilândia (AEC)

» Fornece auxílio médico e social, além de promover atividades para pessoas com algum tipo de deficiência. A instituição atualmente precisa de voluntários da área da saúde e de pessoas que possam realizar trabalhos braçais, como pedreiros, eletricistas e bombeiro hidráulico. Interessados podem entrar em contato com a equipe psicossocial pelo telefone 3585-1905 ou por e-mail: abrigoaec@gmail.com.

Abrigo Lar de São José

» É uma entidade de acolhimento que recebe crianças e adolescentes de 0 a 18 anos encaminhados pela Vara da Infância. Profissionais da educação ou aqueles que têm facilidade em algum assunto podem se voluntariar para auxiliar nas tarefas e no acompanhamento escolar das crianças. Além disso, qualquer pessoa que deseja prestar qualquer serviço ou momento de lazer com os abrigados pode agendar uma visita pelo 3491-0265 ou lardesaojose@hotmail.com.

Associação Santos Inocentes

» A casa oferece apoio a grávidas e recém-nascidos em situação de risco, em Samambaia. Informações pelo telefone 3359-2867.

Associação Casa Santo André

» Atende pessoas em situação de rua, oferecendo apoio em diversas áreas. A entidade conta com uma padaria industrial e precisa de voluntários para dar curso de especialização em padaria de forma gratuita. Recebe pessoas dispostas a ajudar em qualquer área. Interessados devem entrar em contato pelo 3327-9390.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Pensando em sustentabilidade, indústria busca opções ao canudo de plástico

Enquanto as propostas não viram lei, iniciativas individuais e de empresas contribuem para a mudança de comportamento dos consumidores

Banidos na cidade do Rio de Janeiro, os canudinhos podem estar também com os dias contados no restante do país. Projetos de lei em tramitação na Câmara dos Deputados preveem a proibição de uso, fabricação e comercialização dos tubinhos de plástico em todo o território nacional. Todos estão em discussão na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Com exceção de um deles, o PL 10.345, que dispõe sobre a diminuição gradativa, os outros determinam a proibição do fornecimento, venda, compra e disponibilização de canudos plásticos.

Na Câmara de BH, há duas proposições. O Projeto de Lei 614/2018, do vereador Elvis Côrtes (PHS) está sendo apreciado pela Comissão de Legislação e Justiça. Em fase mais avançada, o PL 557/2018, do parlamentar Jorge Santos (PRB), está pronto para ir a plenário. Ele obriga os estabelecimentos a fornecer canudos de papel biodegradável, reciclável e/ou reutilizável. Aos infratores, prevê como punição advertência escrita, multa que dobra na reincidência e cassação do alvará.
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Starbucks promete fim do canudo de plástico em todas as lojas até 2020

Enquanto as propostas não viram lei em BH, iniciativas individuais e de empresas contribuem para a mudança de comportamento dos consumidores na capital. A empresária Júnia Quick, por exemplo, decidiu que a partir de hoje em seus estabelecimentos de alimentação natural, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, canudos plásticos saem de cena para dar lugar aos biodegradáveis. Por enquanto, o fornecedor é de São Paulo. Mas, ela conta que já percebe um movimento por parte de empresas interessadas em vender o produto ecologicamente correto e, de outro lado, de lojas que querem mudar o que têm oferecido aos clientes. “O preço é bem mais alto, mas se justifica e não impacta no negócio”, relata a dona do Néctar da Serra.

“Já tinha esse desejo, e estamos sempre envolvidos com tudo o que diz respeito a reciclagem, fazendo o que podemos. O foco no canudinho é um início de conscientização contra o uso excessivo de plásticos e embalagens”, afirma. A empresária Renata Malloy Dias, de 42 anos, gostou da novidade. “Às vezes, você toma dois sucos e vêm dois canudos. Devolvo sempre o segundo. Fico satisfeita com a iniciativa, pois é algo que me aflige pessoalmente”, diz.

Mercado

No Mercado Central, um dos pontos de comércio mais tradicionais da capital mineira, os canudinhos de plástico estão por todos os lados. Dono da Lanchonete Palhares, Júlio César Palhares diz que gasta cerca de 500 por semana. Apesar de ser favorável às mudanças, ele considera adotar novos modelos apenas mediante lei municipal ou uma diretiva do mercado. “Tudo o que traz malefício ao meio ambiente tem que acabar. Não é um produto de necessidade para a maioria das pessoas”, afirma. A salgadeira Ana Maria Silva, de 61, lancha no mercado sempre que vai às compras. “A gente pega porque vê, mas os canudos deveriam ser abolidos”, diz.

Algo que já fez a Escola Casa Fundamental, no Bairro Castelo, na Região da Pampulha, onde canudos, simplesmente, não existem. “As crianças mais novinhas, que chegam com dependência de copo com canudo ou bico, se acostumam rapidamente”, relata. “Fazemos escolhas conscientes na escola, desde uma alimentação orgânica até não usar o canudinho. Ensinamos às crianças que as escolhas que fazem têm repercussão no mundo”, diz Maria Carolina Mariano, diretora da escola.

Fonte: www.correiobraziliensecom.br

Edifícios verdes modificam a paisagem urbana e melhoram a qualidade de vida | Em Movimento | G1

Adoção de medidas como redução no consumo de água e energia e instalação de áreas verdes contribuem para o bem-estar nas metrópoles
Já parou para pensar que você passa boa parte do dia dentro de um lugar construído? Casa, trabalho, academia, restaurante, mercado. E, se mora nas cidades — como é o caso de 84,4% da população brasileira, segundo o IBGE — o espaço ao ar livre também é marcado pelos prédios, característica tradicional da paisagem urbana.

Investir na construção de edifícios verdes, ou na adequação de prédios antigos a novas práticas sustentáveis, é um dos caminhos para a criação de cidades que ofereçam mais bem-estar.

“Todo prédio vai trazer algum impacto. A questão é: como fazer isso de maneira não destrutiva, que traga valor para a cidade, crie espaços urbanos interessantes, e estimule o convívio?”, observa Milene Abla, vice-presidente e coordenadora do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade da Asbea (Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura).

Edificações verdes seguem parâmetros que variam conforme características dos projetos: podem ser para interiores, para novos edifícios, para reformas de prédios antigos. Padrões estabelecidos por órgãos do setor ou pelo poder público ajudam a organizar os critérios que definem um “edifício verde”. Entram aí itens como eficiência do uso da água e de energia, qualidade dos materiais utilizados na construção (como madeiras certificadas), qualidade interna do ar, conforto térmico, e localização e transporte próximo, por exemplo.

Uma construção verde pode ter ou não uma certificação. O processo é voluntário, isto é, a pessoa ou empresa responsável pelo prédio deve solicitar o selo e se adequar às diretrizes que ele estabelece. “Na prática, as certificações facilitam abordar a questão da sustentabilidade, porque estipulam padrões, criam um processo, e também são uma validação dessas práticas para o prédio que as adota”, explica Milene.

Brasil: no ranking mundial dos prédios sustentáveis
No Brasil, uma das principais certificações para prédios verdes é a LEED (Leadership in Energy and Environmental Design, em português “Liderança em Energia e Design Ambiental”). O selo é conferido pela organização norte-americana Green Building Council (GBC), que tem uma representante aqui no país, a GBC Brasil.

Atualmente, o Brasil é o 4º país no ranking mundial de edificações certificadas com a LEED, presente em 167 países. Há no Brasil 1.302 projetos registrados. Destes, 489 certificados como construções verdes. O restante ainda passa pelas etapas de verificação para obter o selo.

Um dos exemplos é o prédio do Banco Central em Salvador. A nova sede buscou seguir os padrões da certificação internacional LEED. Foram adotadas medidas como utilização de energia solar, captação e uso de água pluvial em jardins e banheiros (vasos e mictórios), uso exclusivo de lâmpadas fluorescentes de alto rendimento, e sistema de refrigeração eficiente. “Com essas ações, espera-se que o custo de energia seja reduzido em 26,5%, e o consumo de água em 79,2%”, observa a arquiteta e engenheira civil Patricia Vasconcellos, do Creato, escritório responsável pelo processo de certificação.

O impacto positivo das construções sustentáveis pode ser observado pela capacidade do prédio de influenciar parte do seu entorno. Uma das possibilidades é o controle da quantidade de água da chuva que cai no terreno. Ao investir em áreas verdes permeáveis, por exemplo, com gramados, o prédio auxilia a rede pública de escoamento, e ajuda a evitar enchentes na região. Um segundo impacto é a redução na poluição luminosa. Ao iluminar a fachada de maneira planejada, o prédio pode evitar o desconforto visual dos vizinhos, por exemplo.

Além disso, há redução no consumo de água e energia. Segundo a GBC Brasil, isso representa de 20% a 25% no uso de energia e cerca de 40% quando se trata da água. “Se você pensar nas dificuldades causadas pela crise hídrica, por exemplo, a gente vê o quanto as edificações podem colaborar com o conjunto do espaço urbano. Você consegue fazer reduções de gastos que fazem sentido para a cidade”, observa o diretor-executivo do GBC Brasil, Felipe Faria.

Áreas verdes
Além de ajudar a escoar a água da chuva, a presença de vegetação também cria espaços de respiro nas construções e nas cidades. São alternativas para evitar o efeito “ilha de calor”, comum nas grandes cidades. Nas áreas construídas, há um aumento do calor provocado pelo concreto. “Incentivar a implementação de áreas verdes de diferentes formas, seja em tetos verdes ou em paredes verdes, diminui essa retenção de calor”, explica Milene Abla.

Outro ponto importante é a recuperação de uma biodiversidade natural. Utilizar plantas nativas, adaptadas ao local, ajuda a retomar o ecosssistema da região. Uma planta exótica não tem o mesmo efeito. “Uma planta exótica pode se tornar um jardim morto, porque nenhum pássaro da região vai pousar ali, por exemplo. Se uma ave que está cruzando São Paulo para ir até a Serra da Cantareira percebe uma planta nativa, ela para. Então temos a retomada do bioma”, observa Felipe Faria.

Fonte: https://g1.globo.com/

SEGUE AÍ – CAMINHADA SOLIDÁRIA


Taguatinga Sul: atrás do comércio, uma via onde a pobreza reúne catadores de sucatas

ATRÁS DO LUXO O LIXO 

REGINALDO, NASCIDO em Alagoas, está há muitos anos em Brasília. A pouca escolaridade é um obstáculo para conseguir uma boa vaga no mercado de trabalho. Ele foi pai, pela primeira vez, entre 16 e 17 anos — ele não se recorda exatamente quando foi. Hoje, aos 34 anos, tem 10 filhos. A caçula, pouco mais de um mês.

Coletar material reciclável e contar com a generosidade das pessoas, que garante almoço ou jantar do catador de sucata e de dezenas de outras famílias. São mulheres, homens, crianças e jovens que vivem às margens das vias entre Taguatinga Sul e Águas Claras. Para amenizar as noites frias, alguns apelam para fogueiras, com restos de madeiras ou de papelão, ou seja, o que não é possível ser vendido.

As casas, muito pequenas, foram erguidas com madeirite, papelão, restos de obras de uma área que vive em plena ebulição pelo comércio efervescente, por onde circulam centenas de veículos de uma classe média para a qual a crise econômica pouco afeta ou inibe o consumo. Eles contam com esse público, que sempre para e oferece algo que necessitam.

“Eu gostaria muito de trabalhar como jardineiro”, diz Reginaldo, que assegura ter intimidade com o trato da terra. “Mas se alguém me contratasse para ser faxineiro, lavar banheiro, sala ou o que fosse necessário, para mim seria o céu, pois teria como garantir o sustento da minha família”, acrescenta. Ele diz que sem uma indicação ou uma referência dificilmente, hoje, alguém com baixa escolaridade consegue esse tipo de trabalho.

Diferentemente da maioria, ele conseguiu comprar um pequeno imóvel no Paranoá, a 42 km de distância onde vive uma rotina difícil. “Lá fica minha mulher, que foi a primeira namorada com as crianças. Eu fico aqui, pois é aqui que consigo o dinheiro para pagar a prestação de R$ 80 e mais o condomínio, R$120. E ainda consigo levar a comida para eles”, conta Reginaldo, que na noite de sábado se desdobrou em agradecimentos pela sopa, agasalhos e cobertores distribuídos pelos integrantes da Caminhada Solidária, mensalmente, realizada pela Ação Social Caminheiros de Antônio de Pádua (Ascap).

Perto do poder
A insalubridade do local salta aos olhos. Dezenas de crianças expostas a todos os tipos de risco. A indigência é espantosa. Nas proximidades do estádio de futebol, barracas que abrigam grupos de seis ou mais adultos, sem contar com os pequeninos. Na primeira parada dos Caminhantes Solidários, mais de 30 pessoas se aproximaram dos veículos, a maioria delas era crianças, que avançaram sobre as roupas e os brinquedos. A fila se formou para diante da sopa de legumes que era servida, ainda bem quente, acompanhada de pão.

Algumas mulheres, depois de provar a comida, trouxeram panelas ou potes plásticos para pegar mais sopa — a refeição do dia seguinte estava garantida. Várias crianças pediram para repetir. A escuridão do local impediu a documentação fotográfica da trágica situação em que dezenas de pessoas vivem a menos de 50km do centro dos poderes federal e distrital.

Atendido o primeiro grupo de famílias, os Caminhantes Solidários seguiram pela via e, a poucos metros, um grupo mais denso de pessoas logo se aproximou quando os carros pararam. A demanda era a mesma: agasalhos, cobertas, além da sopa e do pão. Não havia brinquedos para ofertar.

Gestos fraternos
A Caminhada Solidária não visa só os moradores em situação de rua. Desde setembro, atividade ocorre também em abrigos e asilos. Os alimentos, roupas e agasalhos são frutos das doações recebidos. Vale destacar a contribuição do pequeno empresário Sebastião Luz, que comercializa laranjas na Feira do Produtor de Ceilândia, que tem permitido à Ascap produzir a sopa de legumes e melhorar as cestas de alimentos, mensalmente, doadas às famílias que vivem no Sol Nascente. Trata-se da partilha do pão.

Neste mês, a Ascap conseguiu entregar mais de 100 cobertores e agasalhos às famílias e aos moradores em situação de rua graças às generosas doações do grupo Mulheres de Brasília, do Movimento Maria Cláudia pela Paz e da Associação de Funcionários do Banco do Brasil, que responderam, com muita fraternidade, à Campanha do Agasalho, promovida pela instituição. Gestos assim e a força dos voluntários da Ascap têm sido essenciais em todas as atividades.

Mas as metas da Ascap são mais ambiciosas. Com a oferta de cursos/oficinas diversos, a instituição quer capacitar as pessoas assistidas e as da comunidade para que possam, com o próprio esforço, conquistar autonomia para se sustentar com dignidade, sem depender de iniciativas semelhantes.

Fonte: https://ascapbsb.org/