Pesquisa encontra relação entre transtornos de borderline e adicções

Nos relacionamentos aditivos, a necessidade de garantir a presença do outro pode ter um padrão similar à dependência de uma droga

Por Ivanir Ferreira – Editorias: Ciências da Saúde
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“A suplicante”: imagem da escultura de Camille Claudel
borderline.Pesquisa do Instituto de Psicologia (IP) da USP detecta inter-relação entre distúrbios de borderline, problema psíquico que afeta pessoas que estabelecem relações afetivas turbulentas e destrutivas, e comportamentos adictivos, quando indivíduos criam vínculos de dependência com drogas, jogos, objetos e com o outro. O trabalho traz novos conhecimentos sobre doenças de saúde mental e contribuirá para uma melhor intervenção de atendimentos de pacientes que sofrem com o problema.

Conhecidas pelas oscilações de humor, relacionamentos turbulentos, impulsividade e sentimento constante de ameaça pela perda de amigos, familiares ou pessoa amada, pessoas com este perfil psicológico não só sofrem por não controlar suas próprias emoções mas também pelo estigma social que a doença lhes traz. Segundo o psicanalista Marcelo Soares da Cruz, autor da pesquisa, os que vivem este drama são vistos como pessoas mimadas, destrutivas e inconsequentes. Embora sejam difíceis de lidar, precisam receber tratamento adequado e serem acolhidas. Agem por necessidades emocionais profundas e concretas, não por mero capricho.

Tendo como base dados clínicos, o psicoterapeuta analisou três casos concretos: uma mulher de 35 anos, um adolescente de 14 e um homem de 32. Conhecendo a história de vida destes pacientes, foram diagnosticados como tendo características de ambos os transtornos, borderline e adicção. A pesquisa “chegou à compreensão de que o sofrimento borderline carrega um traço de adicção inerente. Uma ‘fissura’ maciça pelo outro, a fim de garantir sua presença, nos moldes do uso de uma droga, que tem que ser repetidamente buscada”, explica Cruz.

Marcelo Soares Cruz: “A psicoterapia vai construir uma experiência emocional e relacional mais estável com o outro”, – Foto: Arquivo pessoal de Marcelo Soares Cruz
Marcelo Soares Cruz: “A psicoterapia vai construir uma experiência emocional e relacional mais estável com o outro”,
borderline-pisicoterapeutaDos três pacientes, a mulher chegou ao consultório com uma história de vida bastante conturbada. Com apenas 32 anos, já tinha passado pela experiência dolorosa de 35 internações em clínicas psiquiátricas. Todas por tentativas de autolesão (pular de uma janela alta, ligar o gás na tentativa de se asfixiar e ou sair do carro em movimento). “Ela recorria a expedientes que tentavam provocar no outro uma aproximação.” Para o psicoterapeuta, é uma desesperança no vínculo afetivo. Os atos contundentes buscam essencialmente a manutenção da ligação, na forma de um vício ao outro, afirma.

Embora fosse casada, a mulher buscava freneticamente outros relacionamentos pela internet, mas sem intenção de traição conjugal. O psicoterapeuta percebeu que ela desejava apenas aferir o interesse de outras pessoas por ela. Nos prontos socorros, frequentava hospitais para contrair doenças e ser posteriormente cuidada por seus familiares. Na fantasia de sua cabeça, “estar doente significaria ter a garantia da presença do outro”, explica.

Tanto o adolescente como a mulher faziam conjuntamente acompanhamento psiquiátrico. A psicoterapia trabalhou na linha de construção de uma experiência emocional e relacional mais estável. O objetivo era restituir, abrigar e significar falhas importantes ocorridas na primeira infância ou que tinham sido desencadeadas por acontecimentos traumáticos vividos pela pessoa, afirma Cruz.

O acompanhamento psicoterapêutico deu resultados positivos. A paciente, que nunca havia trabalhado, teve uma primeira experiência de atividade profissional, passou a ser uma pessoa mais organizada e começou a ter mais autonomia, “conquistas viabilizadas pela construção da experiência de permanência interna dessas figuras, em detrimento das fantasias de ruptura tão proeminentes em sua vida anterior”. Em meio ao tratamento, lendo o livro O Pequeno Príncipe, a paciente se identificou com a rosa que era bastante solitária no mundo. “Ela encontrou suporte na obra de Antoine de Saint-Exupéry e conseguiu dar sentido e verbalizar seu sofrimento”, avalia o pesquisador.

info-borderline-disturbiosA tese Adição ao outro em pacientes fronteiriços: um estudo psicanalítico foi orientada pela professora Leila Salomão de la Plata Cury Tardivo, do Instituto de Psicologia (IP) da USP, e pode ser acessada na íntegra neste link.

Mais informações: e-mail marceloscruz@usp.br, com Marcelo Soares da Cruz.
Site: http://jornal.usp.br/

Cinco anos depois, estuprador conta detalhes de como matou jovem no DF

Segundo a polícia, Walker Fernandes Faraes matou Yusllayne Teixeira Reis em 2012, na Estrutural, e jogou o corpo dela em um lote vazio

Mirelle Pinheiro MIRELLE PINHEIRO
14/03/2017 11:40 , ATUALIZADO EM 14/03/2017 11:47

ESTRUPADORA frieza de Walker Fernandes Faraes (foto de destaque), 24 anos, impressiona. Acusado de estuprar e matar Yusllayne Teixeira Reis, 18 anos, em 2012, na Estrutural, ele foi apresentado nesta terça-feira (14/3) pela Polícia Civil do DF. Finalmente, o que ocorreu naquele dia 18 de março foi esclarecido. Ele contou que deu 24 facadas na jovem e depois jogou o corpo dela em um terreno baldio.

As facadas atingiram os seios, o pescoço, mãos e as costas da mulher. Os investigadores chegaram ao autor da barbárie graças ao banco de DNA. É possível que ele tenha feito outras vítimas no DF.

Segundo a polícia, Walker confessou o crime com tranquilidade. Disse que estava descascando laranja na porta da casa de um tio quando viu a menina passar na rua. Ele afirmou que não a conhecia. Usou uma faca para abordá-la. A violentou e, após ser mordido pela vítima, a executou, com medo de ser reconhecido.

REPRODUÇÃO/PCDF
Reprodução/PCDF
Yusllayne tinha dois filhos

De acordo com a polícia, após o crime, Walker foi para casa tomar banho, trocou de roupa e voltou para o local do estupro para se desfazer do corpo. No dia seguinte, quando a jovem foi encontrada, ele fugiu para Minas Gerais. Se condenado, as penas serão somadas, e ele pode ficar mais de 30 anos preso.
YULIIANE

Yusllayne era casada, tinha dois filhos e voltava do trabalho para casa, em uma açougue de Vicente Pires, quando foi morta. Segundo a delegada Viviane Bonato, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do DF, Walker representa “um grande perigo para a sociedade se ficar em liberdade”.

O assassino foi identificado após ter o DNA reconhecido no Banco Nacional de Perfis Genéticos. O acusado já foi condenado por outros quatro estupros, sendo um deles cometido em Paracatu (MG), em 2011, e outros três em Unaí (MG). Ele estava preso em Belo Horizonte, capital mineira.

Veja a entrevista da delegada:

Depois de estuprar uma mulher em Minas Gerais, ele veio para o DF se esconder. Mas não conseguiu conter seus impulsos, matando Yusllayne.

Site:
http:http://www.metropoles.com

Meninas estão despidas de autoestima e proteção’

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14 mar 2017

· O Globo
· *LUÍS GUILHERME JULIÃO luis.juliao@infoglobo.com.br
Vanessa Campos, ativista Ex-operadora do mercado financeiro, carioca voltou ao Rio durante pausa em atividades sociais em Portugal

“Tenho 49 anos, sou carioca, trabalhei a vida toda no mercado financeiro e já morei em Hong Kong e nos Estados Unidos, onde me formei piloto de avião. Hoje, dedico-me integralmente ao Dress a girl around the world, projeto que levei para Portugal em 2016, quando me mudei para lá.”
image001 (25)Conte algo que não sei.
É comum ver meninas pobres na África vestidas de princesa, porque a fantasia, fruto de doação, é a única roupa que têm. Para muitas delas, o conjunto com vestido e duas calcinhas que entregamos, não só na África, mas em qualquer lugar do mundo, são a primeira roupa nova que recebem na vida, e o selo do projeto pregado no tecido ajuda a inibir predadores sexuais, que ficam com medo de serem punidos.
Como conheceu o projeto?

Conheci o Dress a girl around the world pelo Facebook, em 2013, quando me mudei de Hong Kong para os Estados Unidos, largando meu trabalho no mercado financeiro para realizar o sonho de fazer um curso de piloto de avião. Depois, comecei a fazer os vestidos com uma amiga. Quando fui para Portugal, consegui parceria com um ateliê, que cedeu o espaço e ainda convocou voluntárias para me ajudar.

Hoje, são 15 ateliês no país e 1.700 vestidos entregues desde julho de 2016, apenas com parcerias e doações. No mundo todo, o projeto já entregou mais de 500 mil vestidos para 81 países.

Por que fazer vestidos para meninas?
Tive muitas oportunidades bacanas na vida e queria fazer com que todas as mulheres do mundo acreditassem que elas podem ser o que quiserem. O objetivo do vestido é dar proteção às meninas, porque muitas delas estão despidas, não necessariamente de roupas, mas de dignidade, autoestima e proteção. Pregamos uma etiqueta do projeto na barra do vestido, e líderes locais dizem que alguns predadores sexuais se afastam delas quando veem a etiqueta. Damos vestidos para meninas de 2 a 12 anos. Eu gostaria de fazer bermudas para meninos, também, mas ainda não temos braço para isso.

Como funciona o trabalho?
Com parcerias, doações e trabalho de voluntários, fazemos os vestidos e os enviamos a ONGs, que fazem a entrega e nos enviam fotos das meninas usando as roupas. O projeto ajuda não só as meninas, mas também as senhoras que dele participam. Muitas delas eram deprimidas, ou se sentiam sozinhas, e hoje passam a tarde rindo, brincando e fazendo peças supercriativas.

Você já entregou vestidos pessoalmente?
Em fevereiro, fui a Moçambique entregar 530 vestidos. É uma emoção muito forte. A realidade é muito dura e, para algumas delas, é a primeira roupa nova de suas vidas. Quando vi, pela primeira vez, uma menina usando um vestido que eu tinha feito me acabei de chorar e não quis mais parar de fazer o projeto.

Seu trabalho tem a ver com feminismo?
Estamos num momento de muita luta no Brasil pelos direitos das mulheres, no mundo todo, aliás, mas na África elas são consideradas a corja da sociedade.

Quando você desenvolveu essa consciência feminista?
Desde que eu era pequena. Sempre gostei dos brinquedos dos meninos, jogava bola, andava de skate e, felizmente , vivi numa casa em que meus pais nunca me proibiram de ter acesso a essas coisas. No mercado de trabalho, notei que meu salário sempre era menor que o dos homens e isso me revoltou. As mulheres não estão em busca dos lugares dos homens, estão em busca dos lugares delas.

Casal é resgatado de ilha do Pacífico graças a S.O.S. na areia

Náufragos estavam com comida limitada

postado em 28/08/2016 10:32 / atualizado em 28/08/2016 14:50
France Presse
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Um casal preso há uma semana em uma ilha deserta do Pacífico foi resgatado depois que um avião que participava de sua busca avistou um sinal de S.O.S. escrito na areia, anunciaram neste domingo (28/8) membros da guarda costeira americana. Um avião da Marinha americana encontrou o casal, “que tinha um estoque limitado de comida”, na ilha East Fayu, Micronésia, segundo o comunicado da guarda costeira.

O avião decidiu sobrevoar a região após receber informações de um barco que afirmou ter visto luz na ilha à noite. “A operação de busca de Linus e Sabina Jack foi um sucesso”, diz um comunicado da embaixada dos Estados Unidos em Colonia. “Orientamos a busca na ilha porque sabíamos que não era habitada, e que o casal tinha uma lanterna no barco.”

O casal zarpou no último dia 17 da ilha de Weno, Micronésia, em uma embarcação de cinco metros. O alerta foi dado no dia seguinte, uma vez que eles não chegaram ao destino previsto, a ilha de Tamatam. Quinze barcos e dois aviões foram mobilizados durante a semana de buscas, para cobrir 43.000 km², segundo a guarda costeira.
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Cidadãos de lugar nenhum: DF tem 11 moradores sem nacionalidade

Correio encontrou alguns desses apátridas e mostra as dificuldades que eles enfrentam diariamente por não possuírem serem reconhecidos por seus países de origem
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postado em 29/06/2016 18:50 / atualizado em 29/06/2016 19:02
Fernando Jordão – Especial para o Correio /
Arquivo Pessoal/Reprodução
Apesar de terem nascido na Síria, o país não os reconhece como cidadão por serem de descendência palestina.
image001 (4)No filme O Terminal (2004), Tom Hanks dá vida a Viktor Navorski, um turista que, ao chegar no aeroporto de Nova York, descobre que seu país deixou de existir em razão de uma guerra. Por consequência, ele vira um cidadão sem pátria. A aventura ficcional retratada no cinema é um drama bem real na vida de algumas pessoas: só no Brasil, há 1.787 apátridas – cidadãos sem nacionalidade -, segundo dados do Ministério da Justiça e Cidadania. Onze deles moram no Distrito Federal.

Sem ter nacionalidade, uma pessoa não consegue obter documentos básicos. Assim, ela também perde ou enfrenta dificuldades para desfrutar de direitos fundamentais garantidos aos cidadãos de um país, como conseguir um emprego, fixar residência ou viajar livremente. Além disso, os apátridas não recebem proteção territorial e consular por parte de nenhum país. Em caso de um desastre natural, por exemplo, eles não receberiam apoio de nenhuma dmbaixada. Em síntese, é como se essas pessoas não existissem legalmente. O Brasil é um país que recebe apátridas e os classifica como refugiados.

Ahmad Hosien tem 26 anos e deixou a Síria para fugir da guerra civil que assola o país
Ahmad Hosien, de 26 anos, é apátrida e morador do Paranoá. Ele nasceu na Síria, mas, por ser descendente de palestinos, nunca recebeu a nacionalidade síria. Seu único documento era um passaporte provisório, que lhe dava o direito de deixar o país apenas uma vez – e sem retorno. Há um ano, então, ele tomou a difícil decisão de abandonar os pais (que nunca mais viu), a casa e o emprego como professor primário para fugir da guerra civil que assola sua terra natal. “O que você vê na TV, eu já vi pior ao vivo. Bombardeios, crianças morrendo… Saí porque não queria ser morto nem matar ninguém”, lembra, emocionado.

O jovem conta que o Brasil foi o único país que lhe abriu as portas. Quando chegou por aqui, recebeu um visto de refugiado. Esse, aliás, é o tratamento que o governo brasileiro costuma dar aos apátridas. Para a diretora do Instituto de Migrações e Direitos Humanos (IMDH) – entidade social sem fins lucrativos que atende refugiados e apátridas -, Rosita Milesi, tal apoio ainda é “muito modesto”. “Uma alternativa de promover apoio às pessoas apátridas é através do refúgio, mas embora boa, esta não é a solução ideal. É necessário adotar uma legislação interna que lide e trate com especificidade o tema, definindo um responsável por avaliar os casos e promover ações no sentido de sanar esta lacuna na vida das pessoas apátridas”, justifica.

O Ministério da Justiça informou que os apátridas podem ter acesso aos mesmos serviços públicos ofertados para brasileiros e imigrantes, “conforme previsto na legislação brasileira e na Convenção sobre o Estatuto da Apatridia, que está internalizada no Brasi.” Ainda segundo a pasta, o país assinou as duas principais convenções internacionais sobre o tema: a que dispõe sobre o Estatuto dos Apátridas, de 1954, e a Convenção para a Redução dos Casos de Apatridia, de 1961.
Arquivo PessoalWajdy Mussa acompanhado da mulher, Reem Hassan, e dos dois filhos: o mais novo é brasileiro

Apesar disso, um outro apátrida morador do DF, Wajdy Mussa, de 25 anos, reclama que não recebeu auxílio do governo brasileiro e enfrenta dificuldades financeiras para conseguir manter a família. Amigo de infância de Ahmad, Wajdy veio para o Brasil pouco depois do colega, trazendo consigo a mulher, Reem Hassan, 27, e o filho, Issam Mousa, 3, todos apátridas. Todos os membros da família receberam vistos de refugiados, mas não pretendem pedir a nacionalidade brasileira. “Não desfazendo do Brasil, que de um ponto de vista é o melhor país do mundo, mas o nosso desejo hoje é ir para a Europa, onde estão meus pais e os da minha esposa”, afirma. Contudo, independente do país que escolher para viver, o casal terá para sempre um vínculo com o Brasil: Wajdy e Reem acabam de ter mais um filho que nasceu no país e se tornou o primeiro membro da família a ter uma nacionalidade.

Ao contrário dos amigos, Ahmad pretende continuar no Brasil para “levantar a vida”. Ele já recebeu uma identidade permanente e pode ficar para sempre no país. Em breve, receberá o Registro Nacional de Estrangeiros (RNE). O último passo – e também o seu sonho – é receber a nacionalidade brasileira. Enquanto aguarda, o jovem já se considera um cidadão nacional e usa o pouco português que aprendeu nas ruas, misturado com um forte sotaque árabe, para definir o povo brasileiro que lhe acolheu: “Gente boa”.

Quatro pontos para entender melhor a apatridia:

1. O que é ser apátrida?
Apátrida é toda pessoa que não seja considerada nacional por nenhum Estado, conforme sua legislação.

2. O que pode gerar a apatridia?
Diversos fatores, entre eles regras que dificultem ou impeçam a transmissão de nacionalidade de pai para filho, especialmente para aqueles que nascem em outro país; regras que discriminem o acesso à nacionalidade; falhas em abrigar todos os residentes do país quando um Estado se torna independente e conflitos na aplicação de leis de nacionalidade entre Estados.

3. Existe alguma maneira de os apátridas receberem uma nacionalidade?
Sim, mas as regras de naturalização variam conforme o país.

4. Quantos apátridas existem no mundo? E no Brasil?
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) estima que existam mais de 10 milhões de apátridas no mundo. No Brasil, são 1.797. São Paulo é o estado com o maior número de apátridas (1.064), seguido por Paraná (236) e Rio de Janeiro (182). O DF é o nono da lista, com 11.

Fontes: Ministério da Justiça e Cidadania (MJC) e Instituto de Migrações e Direitos Humanos (IMDH).
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Ministério Público denuncia ex-BBB Laércio por estupro e tráfico de drogas

Designer de tatuagem está preso desde o dia 15 de maio e pode ser condenado a até 68 anos de prisão

postado em 16/06/2016 09:19
Diário de Pernambuco
Globo/Reprodução

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O Ministério Público do Estado do Paraná denunciou o ex-BBB Laércio de Moura pelos crimes de fornecimento e tráfico de drogas e estupro. O designer de tatuagem, de 53 anos, está preso desde o dia 16 de maio. O inquérito aponta dois estupros em uma vítima e uma tentativa em outra, de acordo com o jornal Extra. Ele pode ser condenado a até 68 anos de prisão.

A investigação policial engloba os levantamentos feitos pela delegada Daniela Corrêa Antunes Andrade, do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente, e provas encontradas em computadores, celulares e outros arquivos de mídia de Laércio.

O participante da edição deste ano do Big brother Brasil foi detido no dia 15 de maio, em Curitiba, no Paraná e preso no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente. Ele foi acusado pelo crime de estupro de vulnerável e por fornecer bebida alcoólica a adolescentes.

Após a prisão, a Polícia Civil divulgou trechos de conversas de 2012 entre ele e uma adolescente, que na época tinha apenas 13 anos. Nas mensagens trocadas pela internet, ele fala de fetiches e faz convites para beber e transar. A garota revela que a mãe está desconfiada da relação dos dois.

Qualquer relação com menores de 14 anos, de acordo com a legislação brasileira, é classificada como estupro de vulnerável, independentemente de possíveis consentimentos da criança ou adolescente. Os diálogos travados com a jovem geraram indignação entre os internautas.

Durante a participação no BBB, antes das denúncias virem a público, Laércio gerou polêmica ao dizer que gosta das “novinhas”. Ainda no confinamento do reality show global, ele foi acusado de pedófilo pela participante Ana Paula, contra quem disputou o paredão e foi eliminado.

Nas redes sociais, ele costumava o designer de tatuagem compartilhava imagens sensuais de meninas adolescentes. Laércio de Moura confessou ser ebófilo, ou seja, ter atração sexual por adolescentes.

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Bailarina do Faustão procura o pai em Brasília; ela nasceu na capital

Ana Carolina é fruto de uma relação casual da mãe com um roqueiro identificado apenas como Marco André

bbbLuiz Calcagno
Arquivo pessoal/DivulgaçãoAna Carolina completa 30 anos em 15 de julho e espera encontrar o pai até a data

Modelo e bailarina do programa do Faustão, Ana Carolina de Oliveira, 29 anos, procura o pai que nunca conheceu. A brasiliense mora em São Paulo, completa 30 anos em 14 de julho e está determinada a descobrir onde está e quem é Marco André. Ela sabe, pela mãe, Benedita de Oliveira Lima, mais conhecida como Marta, que ele era baterista de uma banda e tocava no Espaço Cultural Renato Russo da 508 Sul, em 1985, época áurea do rock brasiliense. Talvez não seja Marco, mas Marcos. Ainda, tem um irmão chamado Ricardo. Dizia ser também professor de matemática. Agora, curiosos e conhecidos da jovem espalham a história, publicada por ela no Facebook, na tarde desta segunda-feira (14/6), em uma tentativa de encontrar alguém que se lembre do homem que é o pai dela.

Arquivo pessoal/DivulgaçãoAna Carolina e a mãe, conhecida como Marta, em Brasília, em 1986

A publicação na rede social teve mais de 2,4 mil compartilhamentos, em menos de 24 horas. No texto, Ana Carolina faz perguntas em linguagem jovial e pede informações que a ajudem a chegar ao músico. “Você frequentava o Espaço Cultural da 508 Sul em Brasília no ano de 1985? Se sua resposta for sim, então vou lhe contar uma história, assim, quem sabe, você pode me ajudar com alguma informação. Em outubro de 1985, minha mãe Marta frequentava o Espaço Cultural da 508 Sul, em Brasília, e conheceu um músico, baterista de uma banda de rock, que se apresentava no local. Ele se chamava Marco André, moreno dos olhos verdes, morava na Asa Sul e além de baterista era professor de matemática. Tinha um irmão mais velho chamado Ricardo que tocava contrabaixo nessa mesma banda”, explica a dançarina.

“Hoje, tenho 29 anos, danço no Balé do Faustão e vivo com a sensação que meu pai pode estar me assistindo aos domingos sem saber que sou sua filha. Cresci com a curiosidade de desvendar essa historia e poder um dia, quem sabe, descobrir quem é, ou foi, meu pai. Por isso escrevo essa carta pedindo ajuda com qualquer informação”, continua Ana Carolina. A jovem moradora de São Paulo (SP), tem ajuda de uma tia, Fabiana Costa, 35. As duas cresceram juntas, criadas como irmãs.

Fabiana já entrou em contato com vários músicos e artistas que frequentaram o Espaço Cultural, mas ainda não obteve êxito. Com o compartilhamento da mensagem nas redes sociais, ambas acreditam que é questão de tempo até conseguirem alguma notícia de Marco André. “Minha irmã o conheceu no Espaço Cultural da 508 Sul. Mas é só o que temos. Se eu encontrar, gostaria de fazer uma surpresa para ela. Encontrei contatos de pessoas que frequentavam o local. Já liguei para produtores. As pessoas antigas estão nos ligando. Falando de quem conhecem. Estou assustada com a repercussão. Muita gente querendo ajudar. Isso é ótimo”, contou Fabiana ao Correio.

A bailarina também está empolgada. “Ela descobriu a gravidez com quatro ou cinco meses. Nunca o culpei, pois ele não soube nem que ela engravidou. Eu botei na minha cabeça que iria encontrá-lo até o fim do ano. Estou ansiosa. É como se soubesse que já ia acontecer. Não sei se ele vai gostar, mas estou preparada para isso. Estou em busca de minha história”, explicou Ana Carolina, em entrevista ao Correio na manhã desta terça-feira (14).
compartilhar

Como ajudar?

Quem tiver informações sobre Marco André pode entrar em contato com a tia de Carolina, Fabiana Costa, pelo telefone (61) 98350-9143 ou pelo e-mail biaibrenda@hotmail.com.

Facebook/Reprodução

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Animais de estimação de médica assassinada em Sobradinho 2 são doados

Ao todo, sete cachorros e 45 gatos moravam com Isabel

postado em 11/06/2016 19:11
Nathália Cardim /
Carlos Moura/CB/D.A Press

image001 (1)image002 (1)Amigos da médica assassinada em um condomínio de Sobradinho 2 abriram as portas da casa da vítima na manhã deste sábado (11/6), e realizaram uma campanha de adoção. Ao todo, sete cachorros e 45 gatos moravam com Isabel.

Entre os bichinhos, quatro eras especiais: duas gatas e uma cadela amputadas e uma cachorra paraplégica. A médica resgatava animais em situação de risco, que viviam na rua, e cuidava deles.

O veterinário e biólogo Amaury Poggi Figueiredo, um dos responsáveis pela feira de doação, garante que os animais são saudáveis e dóceis. “Ela cuidava muito bem deles”, disse o amigo de Isabel. Os cachorros foram adotados, mas alguns gatos ainda estão a procura de um novo lar.

Carlos Moura/CB/D.A Press

Investigação
O ex-caseiro de Isabel é o principal suspeito do crime. Rafael Silva de Jesus, 25 anos, havia sido dispensado há uma semana, após trabalhar para a vítima durante 14 dias. Segundo a polícia, ele teria voltado para se vingar da demissão, na segunda-feira (6/6).

O circuito interno de câmeras do condomínio mostram o momento em que ele chegou à casa da médica, a pé. Ele ficou por uma hora e meia na residência, antes de ir embora no veículo de Isabel com diversos pertences da vítima. A polícia acredita que Rafael saiu do DF, e o paradeiro dele ainda é desconhecido. A 35ª Delegacia de Polícia investiga o caso.

Participe
Os interessados em adotar um dos animais podem entrar em contato com o veterinário Amaury Poggi Figueiredo. O telefone é: 99657-4886

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Dupla ameaça aos lençóis freáticos

Redução das chuvas e ação do homem trazem sérios danos aos recursos hídricos do Distrito Federal. Em Planaltina, o nível dos reservatórios baixou até três metros no intervalo de 12 anos. Proliferação de cisternas clandestinas dificulta a gestão da água
» Flávia Maia
Publicação: 05/05/2016 04:00
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Operários abrem um poço próximo a Taguatinga: no DF, de cada quatro cisternas existentes, apenas uma tem a outorga da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press – 29/4/16)

Operários abrem um poço próximo a Taguatinga: no DF, de cada quatro cisternas existentes, apenas uma tem a outorga da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico

O cenário de chuvas falhas e cada vez mais esparsas no Distrito Federal e o uso humano não planejado vêm repercutindo nos reservatórios de águas subterrâneas. Estudos mostram que os lençóis freáticos rebaixaram até três metros em algumas regiões da capital da República nos últimos 15 anos. O que preocupa os especialistas é a importância desses mananciais para a composição dos rios que abastecem a cidade, como o Descoberto, o Santa Maria e o Lago Paranoá. Os lençóis são responsáveis por 90% da vazão dos rios na época da seca.

Além da mudança no regime de chuvas, a ação do homem contribui para o rebaixamento das reservas subterrâneas. A ocupação irregular, as constantes impermeabilizações do solo e a construção de poços irregulares são exemplos da interferência humana no ambiente. No DF, de cada quatro cisternas existentes, apenas uma tem a outorga da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa). Sem o controle, o órgão regulador não consegue estimar a real disponibilidade hídrica dos aquíferos, nem mesmo planejar qual será a melhor forma de distribuição do recurso.

Levantamento realizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) mostra que na região de Planaltina, os lençóis estão entre dois e três metros mais baixo do que o registrado no início da série, em 2004. O pesquisador Jorge Werneck conduz as pesquisas e monitora 47 poços há 12 anos. Segundo ele, entre 2004 e 2007, o acesso à água começava entre cinco e oito metros de profundidade nos primeiros três meses do ano. Em 2016, no mesmo período, a média caiu para de oito a 10 metros.

Na opinião de Werneck, o regime irregular de chuvas é o principal vetor de diminuição do volume dos lençóis freáticos. Nos últimos anos, não só os episódios de chuva tornaram-se menos constantes como a quantidade de água diminuiu. A média registrada de chuva de janeiro a março era de 1.500mm na década de 1970. Em 1990, caiu para 1.200mm e em 2016, foi de 800mm. “As chuvas estão mais fortes, porém menos constantes, o que aumenta o escoamento superficial e diminui a infiltração. É com a infiltração que os lençóis são recompostos”, explica.

Sem recompor a água do lençol na velocidade em que ele é usado, os rios diminuem a vazão, o que atrapalha o abastecimento. As nascentes também somem, uma vez que elas são a afloração do lençol na superfície. A Adasa e a Companhia de Saneamento do DF (Caesb) têm feito um rigoroso controle das águas superficiais. O Lago Paranoá, por exemplo, tem um plano de manejo. O Descoberto e o Santa Maria ainda não contam com nenhum regulamento formal, mas a Caesb controla o uso. Por isso, mesmo com a estiagem de 2016, o nível dos reservatórios se mantêm.

Entretanto, quando se trata de águas subterrâneas, ainda há poucas informações dos órgãos gestores. Apenas em agosto do ano passado que a Adasa passou a monitorar o nível dos aquíferos debaixo do solo. Por isso, ela ainda não consegue precisar as perdas no volume dos lençóis. “O volume do subterrâneo está relacionado com o superficial. Quando para a chuva, o que mantém os rios é o subterrâneo. Por isso, fizemos a rede de monitoramento subterrânea em paralelo ao controle dos reservatórios. Ainda não temos resultados, mas eles nos ajudarão na gestão efetiva do recurso”, afirma Camila Campos, coordenadora de informações hidrológicas da Adasa.

Cisternas vazias
Enquanto não há uma gestão efetiva das águas subterrâneas e a proliferação de poços sem as licenças devidas continuam, os moradores que dependem de cisterna começam a sentir no quintal de casa a falta de água. O técnico em informática Efigênio Nunes Inácio, 37 anos, mora em uma casa entre Brazlândia e Taguatinga e percebeu a diminuição do volume da cisterna em dois metros. “Eu me mudei para esta casa há três anos. No começo do ano, a água aparecia com oito metros. Agora, só com 10.” Inácio e a família usam a água da cisterna para o banho, para limpar a casa e as roupas. O líquido para beber e para cozinhar é comprado em Ceilândia e trazido em galões. “A água é transparente, mas não confio. Por isso, prefiro comprar.”

Glossário

Cisterna
Poços de diâmetros de um metro ou mais, escavados manualmente e revestidos com tijolos ou anéis de concreto. Captam o lençol freático e têm geralmente profundidades de até 20 metros.

Poço tubular
image002 (1) Obra de engenharia que dá acesso à água subterrânea, executada com sonda por perfuração vertical e profundidade de até 2 mil metros para captação de água.

Para conseguir consulta para Eloá, Edneia costuma madrugar nos postos (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press – 29/4/16)

“Eu me mudei para esta casa há três anos. No começo do ano, a água aparecia com oito metros. Agora, só com 10”
Efigênio Nunes Inácio, técnico em informática

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Viúva de Nelson Mandela encarna o novo papel da mulher no continente

Graça Machel está em Brasília para a assinatura de um protocolo de intenções que prevê a cooperação entre o GDF e a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC)

image001 (1)Ana Dubeux , Carlos Alexandre / , Gabriela Walker , Paulo Silva Pinto
Breno Fortes/CB/D.A Press
Aos 70 anos, Graça Machel não exibe sinais de cansaço. Uma das mais importantes ativistas africanas, a moçambicana se mantém na direção de organizações sociais e tem voz ativa na luta pelos direitos de mulheres e crianças. Ex-guerrilheira, ela participou diretamente da construção do país e foi a primeira ministra da Educação, cargo que ocupou por quase 14 anos. Última mulher de Nelson Mandela, com quem se casou em 1998, quando ele tinha 80 anos, Graça é descrita pelo biógrafo do líder sul-africano, John Calin, como o grande amor de sua vida.

Antes, ela foi casada com Samora Machel, primeiro presidente após a independência líder da Frente para a Liberação de Moçambique (Frelimo), movimento que se transformou no mais importante partido político do país e que permanece no poder até hoje. Samora conduziu o país com ideias socialistas e morreu em 1986.

Convidada pela Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social do Governo do Distrito Federal, Graça está em Brasília para a assinatura de um protocolo de intenções que prevê a cooperação entre o GDF e a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), organização presidida por ela. A ativista participa hoje da cerimônia de passagem da tocha olímpica, acompanhada pelo amigo Abdul Issa, vice-presidente da FDC.

Em entrevista ao Correio, Graça lembra a luta pela independência e comenta a situação de Moçambique, que enfrenta uma crise político-militar envolvendo a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), partido de oposição que enfrentou a Frelimo em uma guerra civil entre 1977 e 1992. Graça conversou extensamente sobre o trabalho social que desempenha, mas preferiu manter discrição sobre a vida pessoal e familiar.

Seu trabalho é voltado para os direitos das mulheres e das crianças. Como a avalia a participação feminina na construção de Moçambique?
A participação da mulher em Moçambique começa antes do processo de independência. quando a Frelimo começou a criar a primeira experiência de organização nacional Quando os moçambicanos se viram forçados a embarcar no caminho da luta armada, sempre se entendeu que, se a mulher não estivesse no centro das tarefas majoritárias, ela ficaria marginalizada. Decidiu-se, então, que as mulheres também deveriam ser treinadas e pegar em armas, ainda que as tarefas desempenhadas por elas fossem majoritariamente pacíficas. Isso constituiu uma ruptura muito grande, porque, nas tradições africanas, a guerra é feita pelos homens. Muitas vezes, dizemos que a luta de libertação nacional foi uma luta cultural, pois alterou profundamente alguns conceitos que organizavam a sociedade. O principal deles era a separação dos papéis desempenhados a homens e mulheres. Foi assim que começamos a dar destaque à participação feminina. Com essa consciência, criamos a Organização da Mulher Moçambicana (OMM), ainda em 1973, antes da proclamação da independência. Quando houve a proclamação, construirmos as estruturas nacionais e criamos nossa ordem constitucional sem ignorar a importância da contribuição feminina.

A senhora disse que, à época da revolução, Moçambique era uma república popular, agora não mais. Quais as implicações dessa transformação?

A transformação do nosso país corresponde às grandes transformações do mundo. No início, éramos quase um partido-Estado e tínhamos orientações socialistas. Mas acompanhamos as mudanças e queda do mundo de Berlim e o fim do bloco comunista. Nosso partido mantém uma ideologia de esquerda, masnão nos mesmos termos de quando éramos uma república popular. Foi a Frelimo que operou as transformações que hoje permitem a existência de uma grande variação de legendas políticas. Em moçambique temos partidos de esquerda, de centro, temos partidos conservadores, temos de tudo. O que é importante é que as mudanças foram dirigidas e até antecipadas por esse partido, que soube se reinventar e abrir espaços para uma sociedade mais plural e mais diversa. Essas modificações foram resposta tanto às necessidades internas quanto aos desenvolvimentos vividos em todo o mundo.

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Moçambique é apontado como referência de recuperação pós-guerra. Ccomo a senhora vê a atual crise econômica e política?

Nós tivemos um momento, entre 1990 e 1992, no qual se resolveram as questões políticas e institucionais do conflito. Foi quando as forças rebeldes foram integradas às forças nacionais estabelecidas, à vida política, ao Exército, à polícia. Mas alguns aspectos que pensávamos ter resolvido ficaram em aberto. O primeiro problema foi a permissão dada ao chefe do movimento rebelde (Afonso Dhlakama, líder da Renamo – Resistência Nacional Moçambicana –, atualmente o principal partido de oposição). Ele nunca se integrou na ordem política estabelecida. Quando se transforma um movimento rebelde em um partido, o chefe dessa organização costuma integrar o Congresso ou alguma outra instituição do Estado. Mas não foi o que aconteceu em Moçambique. Permitimos que ele não se integrasse. Ele passou a receber salário e ter as responsabiliades de chefe da oposição, sem nunca ser incluído em nenhuma instituição. Outro problema é que, para que se criasse um sentimento de confiança, ele (Dhlakama) foi autorizado a manter uma força de proteção própria. Não é, portanto, uma força de segurança do Estado, mas o resíduo das tropas que lutaram com ele durante a guerra civil. Não se estabeleceu um tempo limite para que se mantivesse esse grupo e ele existe até hoje. Para mim, esse é o grande problema que temos.

Qual a avaliação que a senhora faz das instituições em Moçambique hoje?
Posso dizer, sem hesitação, que já tivemos instituições mais fortes. Hoje são relativamente mais frágeis. Já tivemos um Estado com instituições mais sólidas, que tinham mais clareza em relação ao poder e à atuação do governo. Houve esse desgaste, mas não sei bem dizer o porquê.

Apostar na inclusão feminina pode ajudar essa situação?
Por natureza, não sou uma pessoa que coloca a responsabilidade pela resolução de um problema na figura de uma pessoa só. Penso sempre em uma atuação coletiva. Penso que seria importante termos mulheres fortes. Mas nosso problema, em Moçambique, não é de quantidade, é mais um problema de serem mulheres fortes, empoderadas, de ação. Temos mulheres em posições de destaque. Talvez a palavra certa para descrever o que acontece seja timidez. Porque, em termos de poderes atribuídos pelas leis, elas têm isso. Mesmo nas nossas sociedades tradicionais, as mulheres são muito influentes. As decisões passam pelas mulheres como forma de consulta. Acredito que a principal diferença para as mulheres modernas é que nós defendemos que não basta consultar: queremos ter direito a voto e a decidir com nossa voz própria. A democracia diz que podemos falar com nosso nome pessoal.

Como as suas organizações trabalham para dar às mulheres o direito à voz própria?
Com a Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), nosso foco é na base da sociedade. E, dentro da base, optamos trabalhar principalmente com mulheres e crianças, para que também tenham consciência de seus direitos. Nosso modelo tem o objetivo de democratizar as instituições da comunidade, pois vemos que elas nem sempre integram as mulheres e os jovens. A tendência é que a distribuição nas comunidades fique, em primeiro lugar, com quem detém o poder tradicional, e depois com aqueles que têm alguma influência, pelo cargo que ocupam — como professores, funcionários da saúde. Então, o que fazemos é colocar o foco nas mulheres. Mas, para que possam entrar nos locais onde as decisões são tomadas, precisamos trabalhar com elas primeiro, para elevar sua consciência e permitir que decidam entre si quem será a indicada para representar o grupo no fórum da comunidade, por exemplo. No nosso país, e em muitos países africanos, as mulheres são as principais produtoras de alimentos. Nossa principal fonte de alimentação são produtos cultivados por mulheres, não por grandes corporações. Mas, quando se discute a política de agricultura, elas não têm espaço.

Quando as mulheres podem integrar esse projeto?
Nós trabalhamos desde sempre com meninas nas escolas, uma forma de contribuir para as novas gerações de mulheres, para que tenham as mesmas oportunidades dos meninos. Quando as famílias enfrentam alguma dificuldade, a primeira criança a ser retirada da escola é a menina, e a isso nós dizemos: não, as meninas têm os mesmos diretos. Fizemos intervenções nas escolas, criamos bolsas de estudo para meninas e para o ensino superior. No período em que Nelson Mandela estava muito doente e eu não tinha muita mobilidade, criei outra organização que trabalha com um foco mais amplo e tem atuação em 16 países africanos. O Graça Machel Trust tem sede em Joanesburgo, na África do Sul e tem objetivo de auxiliar mulheres empreendedoras. Trabalhamos para que melhorem seus negócios e temos uma rede que facilita o financiamento. Fazemos intervenções em vários níveis e criamos uma rede. Na nossa experiência, as mulheres são uma força muito importante para manter a coesão social. A força que agrega as nossas comunidades são as mulheres.

É possível fazer uma comparação entre os desafios dos outros países africanos e os enfrentados em Moçambique?
Há um país que está muito mais avançados que nós: Ruanda. Não apenas no contexto africano, Ruanda se destaca por ser o país com o maior número de mulheres no parlamento (63,8% da Câmara e 38,5% do Senado). Ruanda tem uma linha de empoderamento feminino muito bem articulada, tanto na esfera política como na econômica e no meio científico. É verdade que isso foi influenciado pela realidade pós-genocídio, mas elas poderiam não ter assumido a responsabilidade que assumiram. Ruanda faz planos muito conscientes de empoderamento, e é um exemplo. A África do Sul também está melhor que nós na economia, pois tem diretivas muito claras sobre a participação das mulheres em conselhos de administração e nos conselhos executivos das grandes empresas. Se uma empresa falha em respeitar as cotas, não pode concorrer em licitações públicas.

As cotas são positivas?
Na nossa experiência, as cotas são muito positivas, porque a mudança de mentalidade não acontece por si só. Em certos momentos, é preciso ter instrumentos que exijam que os tomadores de decisão prestem atenção nos demais, que levem em consideração que as mulheres também fazem parte da nação. Muitas vezes, as mulheres são a maioria, até 52% da população. A mensagem que elas passam aos que estão em posição de decisão é de que nunca se atrevam a ignorar 52% da população no momento de debater questões políticas, econômicas, sociais ou culturais. É preciso representar a nação inteira, e as cotas forçam uma lembrança constante disso. Muitas vezes, as pessoas interpretam mal o sistema. O que as cotas devem fazer é selecionar as melhores entre as mulheres de cada área, e não escolher alguém pelo fato único de ser mulher. E exitem, sim, mulheres altamente competentes e experientes. Não há razão para não estarem em cargos de decisão. Eu vejo que as qualidades de liderança de uma mulher são diferentes das dos homens. De forma geral, elas trazem uma maneira muito mais integrada de enxergar o mundo. Uma mulher, quando toma uma decisão, leva em consideração as pessoas envolvidas no processo. Tem capacidade de olhar para quem essa decisão vai impactar e, por isso, mais equilibrada.

Como o modelo de empoderamento de Moçambique pode ser aplicado em um país como o Brasil?
Nosso ponto forte é a inclusão feminina na organização social, é permitir que tenham uma voz mais ativa na organização comunitária. O convênio que discutimos com as autoridades do Distrito Federal é de prevenção. Às vezes, precisamos lidar com casos nos quais a prevenção não adiantou, e lidar com a concretização de situações de violência, mas o nosso foco é a prevenção. E no que a FDC tem mais experiência e no que pode contribuir mais. Não devemos pensar que as coisas vão funcionar imediatamente, pois cada país tem suas especificidades. No entanto, creio ser importante a inclusão de mulheres nas decisões da comunidade em todos os lugares. Um primeiro passo é identificar as mulheres que podem intervir nas comunidades, mas o mais importante é dar condições para que elas próprias se integrem e elejam quem as representa. Isso, porém, é um processo bem mais lento e exigente. O que temos hoje, em Moçambique, é resultado de décadas de investimento em trabalho social. Não aconteceu de uma hora para outra, é realmente um trabalho longo.
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