O Direito ao Grito

O espetáculo “O Direito ao Grito” é uma adaptação da obra literária “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, e conta ao mesmo tempo a história de Macabéa, heroína do romance, e de sua autora. A peça reúne referências do teatro naturalista, do circo, da dança contemporânea e do teatro de rua para cruzar as vidas das duas mulheres, criadora e criatura, no mesmo enredo, criado pelos diretores da Oficina Circo Íntimo, Abaetê Queiroz e Juliana Drummond.

A peça fica em cartaz de 10 a 12 de dezembro (terça a quinta-feira), sempre às 20h, no Teatro Garagem (Sesc 913 Sul). Os ingressos podem ser adquiridos antecipadamente com os alunos a R$20,00 (meia).

Escritores brasilienses ressignificam o legado de Cruz e Sousa

São nomes que possuem importância na literatura negra do Distrito Federal

Carregada de uma simbologia marcante e própria, a literatura negra é de uma riqueza única por contar com autores que escrevem sobre histórias e vivências reais. Preconceito, resistência, visibilidade, pertencimento, racismo, escravidão e tantos outros temas que estão entranhados na evolução do negro perante a sociedade são utilizados nas produções literárias de escritores negros como Jorge Amâncio, Rêgo Júnior, Cristiane Sobral e Sérgio Souza.

São nomes que possuem importância na literatura negra do Distrito Federal. Mais do que isso, os quatro utilizam o poema e a poesia como forma de empoderamento. “De um tempo pra cá, a partir de meados do século passado, a literatura passa pela marginalização da poesia. As editoras não editam produções de poetas, o que agrava e aumenta a invisibilidade do estilo. Ser poeta é ser marginalizado na literatura. Sendo negro, a dificuldade é ainda maior”, conta Jorge Amâncio.

Mesmo assim, os autores lutam para publicar as obras e expressar toda a negritude presente nos versos escritos com uma veracidade difícil de se encontrar em outros estilos de literatura. “A poesia é uma pluralidade de possibilidades. É dar voz para aqueles que não possuem. Nós, negros, vivemos reinventando nosso lugar na sociedade, e a literatura negra é uma porta aberta para esse autoconhecimento”, comenta Sérgio Souza.

Em uma trajetória com supremacia branca na formação de escritores, muito por conta da condição financeira e da hegemonia que foi criada no território brasileiro, há de se ressaltar nomes como Cruz e Sousa (anos 1800) e Carolina de Jesus (anos 1900), que produziram muito sobre a condição de submissão em que os negros se encontravam. Entretanto, atualmente, sem deixar as origens de lado, o desafio é de ressignificar a temática acerca desta classe racial.

“Os escravizados sempre são lembrados com uma visão depreciativa, mas o negro, em condições mais adversas, sempre soube ser resiliente e inteligente. O conhecimento não estava impresso em páginas. O saber negro veio com a tradição oral. É exatamente essa resistência através do saber que utilizamos hoje para escrever poemas que gritam contra esse sistema, que a cada dia está devorando os espaços, os guetos e as quebradas onde se trabalha arte e cultura preta”, explica Rêgo Júnior.

A luta e a persistência por uma divulgação e reconhecimento das produções negras ainda se fazem presentes no atual contexto. Poetas negros do presente, como Cristiane Sobral, buscam explorar a questão de maneira motivacional — provando que existe produção negra, apesar de todo o preconceito e racismo — e realçar a importância dos que vieram antes. “A marca da literatura não é o estereótipo. É a produção estética literária negra. É contar as histórias de amor, de vitórias, de superação, de humanidades e de conquistas da gente negra brasileira. Estamos além dos maniqueísmos de mal e bem. A experiência de ser negro e brasileiro é tão diversa e não contempla protocolos únicos.”

*Estagiário sob a supervisão de José Carlos Vieira

Entrevista / Zilma Gesser – professora da UFSC e autora do livro Negro

Cruz e Sousa revisitado

Um dos mais importantes escritores da literatura brasileira, Cruz e Sousa é conhecido por ser o precursor do movimento simbolista no Brasil, iniciado no século 19 com as publicações da prosa Missal e do poema Broquéis.

Cruz e Sousa era filho de escravos alforriados e foi educado sobre os padrões do ex-patrão. Conviveu durante boa parte da vida em um universo de pessoas brancas de alto padrão, fugindo da realidade da maioria dos negros do período. Escrevia sobre a escravidão e a marginalização.

O escritor tem um lugar especial na história por ser um poeta negro que conseguiu expor a temática da negritude, em um período no qual a Lei Áurea acabara de ser sancionada. Foi responsável por trazer visibilidade e representatividade para a questão racial naquele momento abolicionista — mas também preconceituoso.

Nascido na região que hoje corresponde à Florianópolis (SC), o autor tornou-se tema de estudo da professora Zilma Gesser da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que publicou um livro chamado Negro, com uma coletânea de poesias, prosas e ilustrações de Cruz e Sousa. Em entrevista ao Correio, a autora falou sobre o escritor e o processo criativo para construir a obra.

Qual foi a sua motivação para realizar essa pesquisa/livro?
A idealização da pesquisa foi do poeta e professor, colega de meu Departamento de Ensino de Língua e Literatura Vernáculas da Universidade Federal de Santa Catarina, Alcides Buss. Há muitas abordagens críticas destacando questões relacionadas ao tema como: reflexos da origem africana de Cruz e Sousa em sua obra; o Simbolismo como desejo de ascensão social; a busca de um clareamento pelo viés da estética simbolista, dentre muitos outros. Foi cognominado também: Cisne Negro, Dante Negro, Negro de Ouro, Laocoonte Negro e, muito comumente, o Poeta Negro. Existem muitos estudos e muita crítica sobre a temática, mas não existia uma compilação que reunisse todos os textos de Cruz e Sousa que tratam da negritude. Então, essa antologia surgiu com esse propósito.

Como os poemas do autor se refletem no atual cenário do Brasil?
Os poemas de Cruz e Sousa, que fazem parte da antologia Negro, embora datados e fazendo referência ao contexto específico da época da pré-abolição da escravatura no Brasil, podem ser lidos, ainda hoje, como um grito em defesa de sua raça. A pesquisa traz como norte a palavra “negritude”, que é tomada na acepção cunhada pelo poeta senegalês Leopold Senghor: “Ideologia que se caracteriza pela busca e revalorização das raízes culturais da raça negra, bem como pela reação à opressão colonialista na África”. Assim, podemos, notadamente, destacar a intensidade da expressão de seus textos abolicionistas. Mais tarde, considerado o introdutor do Simbolismo no Brasil e figurando ao lado de nomes como os dos escritores franceses Baudelaire e Mallarmé, como um dos maiores simbolistas do mundo, Cruz e Sousa garantiu a sua permanência no panteão literário. É imortal da Academia Catarinense de Letras, patrono da cadeira número 15.

Qual a importância de perpetuaro legado de Cruz e Sousa?
Colocar Cruz e Sousa em debate é dar visibilidade para o poeta de maior expressão da literatura catarinense e um dos maiores poetas brasileiros de todos os tempos. É uma dívida que se paga a Cruz e Sousa, que precisou, em 1889, transferir-se para o Rio de Janeiro, em busca de inserção literária. A cidade de Nossa Senhora do Desterro, de então, não lhe ofereceu espaço para desenvolver sua atividade como escritor.

O Simbolismo e a literatura negra são características fortes do autor. Como ele trabalhava isso?
O maior investimento na produção literária de Cruz e Sousa deu-se no aprimoramento dos versos que lhe garantiram o título de um dos maiores poetas simbolistas de todos os tempos. A maior parte dos textos que tratam da negritude diferencia-se desta produção, uma vez que não estão preocupados com o alinhamento à estética em voga, mas a um conteúdo comprometido com sua raça, em defesa de seus irmãos de sangue. Os textos que evocam a temática da negritude configuram-se no que há de mais identitário da essência do poeta, evocando o filho de escravos libertos, o menino negro educado por brancos. Cruz e Sousa falou de negros em sua obra; falou de brancos; falou de seres humanos e, acima de tudo, falou de si próprio como negro.

Cine Brasília estreia documentário canadense sobre a capital federal | O que fazer no Distrito Federal | G1

Exibição em sessão única ocorre nesta quinta-feira (28); entrada é gratuita. Assista ao trailer.

O Cine Brasília exibe, nesta quinta-feira (28), o documentário “Brasília: Vida depois do projeto”, do diretor canadense Bart Simpson. A exibição será em uma sessão única, às 20h, e a entrada é gratuita.

O longa-metragem aborda a relação que as pessoas que vivem na capital estabelecem com a cidade a partir da perspectiva de alguns moradores.

Entre eles, Sérgio, um urbanista dedicado, que defende o plano da cidade, mas sabe que precisa se adaptar. Helize, concurseira que visa o Senado Federal. E Willians, um vendedor de rua que tenta encontrar conexão com a cidade.

A estreia no Cine Brasília é, também, a primeira exibição do filme no mundo – uma homenagem à cidade que o inspirou. Após a sessão, quem estiver no local poderá conversar com o diretor e a equipe.

Programe-se
“Brasília: Life after design” (“Brasília: vida depois do projeto”)

  • Data: 28 de fevereiro
  • Local: Cine Brasília – 106/107 Sul
  • Hora: 19h (coquetel) e 20h (exibição)
    De graça

Saiba mais em: globo.com

34ª Feira Internacional do Livro começa hoje

www.correiobraziliense.com.br

34ª Feira Internacional do Livro começa hoje

Os jovens leitores são o foco da 34ª Feira Internacional do Livro de Brasília, que começa hoje e vai até o dia 17

Preparativos para a abertura da Feira do Livro, que tem uma agenda cultural para toda a família
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)

Formar público leitor e estimular a leitura entre as crianças está na linha de mira da 34ª Feira Internacional do Livro de Brasília, que tem início hoje e segue até 17 de junho no Pátio Brasil Shopping. Com o tema Literatura infantil: a invenção do sonho. Vamos brincar de inventar? e organizada pela Câmara do Livro do Distrito Federal (CLDF), a feira tem curadoria de Maurício Melo Júnior, Nilva Belo de Morais e Fernanda de Oliveira e foco nos jovens leitores.

Contação de histórias e eventos voltados para as crianças estão presentes na programação durante todos os dias da feira. “A partir daí, a gente quer discutir a eficácia da literatura na formação de leitores. Até que ponto a gente está fazendo uma literatura que reflete os desejos de leitura dessa nossa geração, que é formada pelas urgências, pela cultura das mídias sociais? O que a gente pode fazer para atingir essas crianças?”, diz Melo Júnior.

A expectativa da Câmara do Livro é de que 200 mil pessoas passem pelo local durante os 10 dias de feira. Nesta edição, haverá três autores homenageados — Ana Maria Machado, Luci Watanabe Guimarães e Milton Hatoum —, mas dois não poderão comparecer. Nascida em Divinópolis (MG), Watanabe, a única presente dos homenageados, é autora de mais de 12 títulos destinados às crianças e adolescentes.

Segundo o curador, pensar na literatura como veículo da formação de leitores em uma feira de livro pode parecer óbvio, mas nem sempre é. “Tenho visto muita feira que não discute literatura”, garante.

Entre os destaques da programação para jovens leitores está Viagens da caixa mágica, espetáculo criado pelo ator Lázaro Ramos. Autor de dois livros infantis — A velha sentada e Caderno de rimas do João —, Ramos conta histórias relacionadas à cultura afro e fala do imaginário desse universo em 10 músicas concebidas com frases extraídas de seus próprios livros.

Autores de literatura infantojuvenil de Brasília também têm lugar especial na programação. Roger Mello, ganhador do prêmio Hans Christian Andersen, vem falar sobre a ilustração, e Stella Maris, autora de mais de 42 livros, participa de mesa sobre a leitura. Fazer do ato de ler uma brincadeira é um dos temas de Alessandra Roscoe e Tino Freitas, que fala sobre o uso da palavra como se fosse um brinquedo. Dad Squarisi, editora de Opiniãodo Correio Braziliense, vai ministrar a aula-espetáculo Os deuses e a língua portuguesa, uma palestra divertida sobre a ligação entre a mitologia e a língua.

Para Fernanda Oliveira, responsável pela curadoria infantojuvenil da feira, o encontro das crianças com os autores é fundamental para estimular a leitura, por isso ela incluiu desde sessões de autógrafos até bate-papos organizados para os pequenos. “Isso instiga a criança a despertar o interesse pela leitura”, acredita. “O livro fomenta a imaginação, base fundamental para qualquer atividade que a criança vá desenvolver, englobando todas as profissões em sua maturidade. Além de a leitura oferecer uma maior bagagem cultural, a criança que lê fala melhor, escreve melhor e pensa com mais fluidez e clareza.”

Antônio Torres, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), e Ignácio de Loyola Brandão, ganhador do Prêmio São Paulo de Literatura e do Jabuti, falam, respectivamente, sobre o romance histórico e os novos caminhos da crônica. Cristóvão Tezza divide mesa com Henrique Rodrigues e Pedro Almeida para tratar do impacto dos prêmios literários na carreira do escritor.

A nova prosa brasileira e suas características é tema de mesa que reúne a brasiliense Paulliny Gualberto, autora de Allegro ma non troppo, Maurício de Almeida, vencedor do Prêmio Sesc.

34ª Feira Internacional do Livro de Brasília

Visitação a partir de hoje, das 9h às 20h, no Pátio Brasil Shopping. Até 17 de junho.

Editora UnB comemora o Dia do Trabalhador com promoção de 40% de desconto nos seguintes livros


O avesso da memória: Cotidiano e trabalho da mulher em Minas Gerais no século XVIII
, de Luciano Figueiredo

Acumulação de trabalho e mobilidade de capital, de José Carlos Peliano

Diagnósticos em ergonomia no centro-oeste brasileiro (vol. 1 e 2) – Bem estar no trabalho, eficiência e eficácia em questão, de Mário César Ferreira et alii

Elites e trabalho no Brasil e no Uruguai, de Sônia Ranincheski

Escola, saúde e trabalho: Estudos psicológicos, de Maria das Graças T. Paz (Org.)

A pós-graduação no Brasil: Formação e trabalho de mestres de doutores no país (vol.1), de Jacques Veloso

Saberes subalternos e decolonidade: Os sindicatos das trabalhadoras domésticas do Brasil, de Joaze Bernadino Costa

A Social-Democracia alemã e o Trabalhismo inglês, de Maria Rosinda Ramos da Silva

Trabalho em transição, saúde em risco, da Ana Magnólia Mendes

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Conheça a banca de Ivan Presença, um marco no coração do Conic

Entre poetas, músicos e cineastas, o local recebe leitores de todos os cantos e resiste no centro da capital federal e preserva a vocação cultural da cidade

MF Murilo Fagundes*

postado em 02/03/2018 06:00 / atualizado em 02/03/2018 08:59

Ver galeria . 8 FotosIvan Presença reúne mais de 200 mil publicações e 30 mil discos de vinil no Quiosque CulturalArthur Menescal/Esp. CB/D.A PressIvan Presença reúne mais de 200 mil publicações e 30 mil discos de vinil no Quiosque Cultural(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )


No coração do Setor de Diversões Sul, mais conhecido como Conic, vive um morador especial de Brasília. Ivan Presença, 69 anos, herda o sobrenome da primeira livraria da qual foi dono. Além dela, liderou o Café Belas Artes e, hoje, ocupa uma banca de livros chamada Quiosque Cultural, onde reúne mais de 200 mil publicações e 30 mil discos de vinil.

A rádio sintonizada toca MPB ou samba, ritmos musicais favoritos do livreiro, no quiosque de aproximadamente 5m². Ao som de Eu preciso dizer que te amo, de Dé, Bebel Gilberto e Cazuza, na voz de Marina Lima, Ivan mostra alguns de seus livros favoritos, entre eles, a biografia de Noel Rosa e o clássico Raízes do Brasil, de Sergio Buarque de Holanda, versão de 1963, da Universidade de Brasília (UnB).

Além das grandes obras literárias, o que enche Presença de orgulho é o fluxo de figuras do cinema, do teatro e da música que passam pelo local, inclusive poetas de outras unidades da Federação, como Luis Turiba, que mora no Rio de Janeiro. Os dois faziam parte da mesma geração de movimento poético, na época da revista Bric-A-Brac, editada por Turiba e cuja redação funcionava em cima da livraria de Ivan.

“Criamos um diálogo neste lugar. Trouxemos Cora Coralina, Manoel de Barros, Ferreira Gullar, o Prêmio Nobel de literatura José Saramago, Renato Russo, Cássia Eller”, elenca Turiba. “E, o mais importante, Augusto de Campos, que fez o primeiro espetáculo ‘Poesia é risco’, aqui no Conic. Quando eu venho a Brasília, se eu não passar pelo Conic, bater um papo, eu não vim”, completa o escritor.

O projeto da Livraria Presença, inaugurada nos anos 1980, logo foi interrompido, devido ao período de hiperinflação. Há 18 anos, Ivan decidiu retomar o trabalho e criou o Quiosque Cultural, na banca de jornal projetada por Oscar Niemeyer. Um dos sonhos dele é conseguir verba para melhorar o espaço e voltar a oferecer atividades culturais, sessões de autógrafo e rodas de conversa. Mais do que isso, deseja que se concretize o que ele chama de “revolução da leitura”, o que inclui a remuneração adequada dos mestres. “Os professores são a ferramenta que leva cultura para a sala de aula”, diz Ivan.

A apreensão do livreiro fica clara nos discursos acalorados, que, mesmo em tom cômico, são críticos. “Eu estou me sentindo péssimo. Primeiro com a política. Segundo, por estar desmonetizado para tocar uma livraria. Eu fico aqui com livros usados. Passa um, passa outro. Tem gente que me ajuda. E assim a gente segue”, afirma. “Eu e o Chiquinho, na Universidade de Brasília (UnB), ainda fazemos essa ‘marola’, mas a procura é mínima.”

Paixão pelos livros

Nascido no Rio de Janeiro, em 1949, Ivan frequentava a Biblioteca Central da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), no município Seropédica, quando ainda cursava o primário — equivalente ao ensino fundamental. Foi nessa época que se apaixonou pelos livros, organizados nas cristaleiras antigas do local. Aos 12 anos, começou a trabalhar como office boy e pediu aos funcionários que levassem gibis para ele e outros trabalhadores da mesma função lerem no tempo precioso.

Já no ginásio — hoje ensino médio — passou a pedir livros. Com o grande número de doações, uma das salas do 23º andar do edifício precisou ser transformada em biblioteca. “Foi fantástico. Era um tal de gente levar livro, trocar livro. Esse contato me motivou”, relata.

A presença na arte e na literatura da capital federal o tornaram também um cidadão brasiliense. “Nenhum será mais um coniquiano. Somente o Ivan o será”, dizem os versos que confirmam o título, pintados na obra de arte exposta no canto da banca, presente de um amigo, conhecido como Auroro. A conversa acaba, e Ivan Presença fecha a porta de metal grafitada da banca, às 17h, ainda a luz do dia. O poeta Turiba se despede e o ajudante Rafael Augusto confere a fechadura do quiosque. E amanhã será mais um dia de Presença no Conic.

Ao Ivan
Quiosque?
Que isso?
Que luxo!
Que hóspede.
Luis Turiba, versos especiais escritos para o Correio

*Estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer
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