34ª Feira Internacional do Livro começa hoje

www.correiobraziliense.com.br

34ª Feira Internacional do Livro começa hoje

Os jovens leitores são o foco da 34ª Feira Internacional do Livro de Brasília, que começa hoje e vai até o dia 17

Preparativos para a abertura da Feira do Livro, que tem uma agenda cultural para toda a família
(foto: Luis Nova/Esp. CB/D.A Press)

Formar público leitor e estimular a leitura entre as crianças está na linha de mira da 34ª Feira Internacional do Livro de Brasília, que tem início hoje e segue até 17 de junho no Pátio Brasil Shopping. Com o tema Literatura infantil: a invenção do sonho. Vamos brincar de inventar? e organizada pela Câmara do Livro do Distrito Federal (CLDF), a feira tem curadoria de Maurício Melo Júnior, Nilva Belo de Morais e Fernanda de Oliveira e foco nos jovens leitores.

Contação de histórias e eventos voltados para as crianças estão presentes na programação durante todos os dias da feira. “A partir daí, a gente quer discutir a eficácia da literatura na formação de leitores. Até que ponto a gente está fazendo uma literatura que reflete os desejos de leitura dessa nossa geração, que é formada pelas urgências, pela cultura das mídias sociais? O que a gente pode fazer para atingir essas crianças?”, diz Melo Júnior.

A expectativa da Câmara do Livro é de que 200 mil pessoas passem pelo local durante os 10 dias de feira. Nesta edição, haverá três autores homenageados — Ana Maria Machado, Luci Watanabe Guimarães e Milton Hatoum —, mas dois não poderão comparecer. Nascida em Divinópolis (MG), Watanabe, a única presente dos homenageados, é autora de mais de 12 títulos destinados às crianças e adolescentes.

Segundo o curador, pensar na literatura como veículo da formação de leitores em uma feira de livro pode parecer óbvio, mas nem sempre é. “Tenho visto muita feira que não discute literatura”, garante.

Entre os destaques da programação para jovens leitores está Viagens da caixa mágica, espetáculo criado pelo ator Lázaro Ramos. Autor de dois livros infantis — A velha sentada e Caderno de rimas do João —, Ramos conta histórias relacionadas à cultura afro e fala do imaginário desse universo em 10 músicas concebidas com frases extraídas de seus próprios livros.

Autores de literatura infantojuvenil de Brasília também têm lugar especial na programação. Roger Mello, ganhador do prêmio Hans Christian Andersen, vem falar sobre a ilustração, e Stella Maris, autora de mais de 42 livros, participa de mesa sobre a leitura. Fazer do ato de ler uma brincadeira é um dos temas de Alessandra Roscoe e Tino Freitas, que fala sobre o uso da palavra como se fosse um brinquedo. Dad Squarisi, editora de Opiniãodo Correio Braziliense, vai ministrar a aula-espetáculo Os deuses e a língua portuguesa, uma palestra divertida sobre a ligação entre a mitologia e a língua.

Para Fernanda Oliveira, responsável pela curadoria infantojuvenil da feira, o encontro das crianças com os autores é fundamental para estimular a leitura, por isso ela incluiu desde sessões de autógrafos até bate-papos organizados para os pequenos. “Isso instiga a criança a despertar o interesse pela leitura”, acredita. “O livro fomenta a imaginação, base fundamental para qualquer atividade que a criança vá desenvolver, englobando todas as profissões em sua maturidade. Além de a leitura oferecer uma maior bagagem cultural, a criança que lê fala melhor, escreve melhor e pensa com mais fluidez e clareza.”

Antônio Torres, membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), e Ignácio de Loyola Brandão, ganhador do Prêmio São Paulo de Literatura e do Jabuti, falam, respectivamente, sobre o romance histórico e os novos caminhos da crônica. Cristóvão Tezza divide mesa com Henrique Rodrigues e Pedro Almeida para tratar do impacto dos prêmios literários na carreira do escritor.

A nova prosa brasileira e suas características é tema de mesa que reúne a brasiliense Paulliny Gualberto, autora de Allegro ma non troppo, Maurício de Almeida, vencedor do Prêmio Sesc.

34ª Feira Internacional do Livro de Brasília

Visitação a partir de hoje, das 9h às 20h, no Pátio Brasil Shopping. Até 17 de junho.

Editora UnB comemora o Dia do Trabalhador com promoção de 40% de desconto nos seguintes livros


O avesso da memória: Cotidiano e trabalho da mulher em Minas Gerais no século XVIII
, de Luciano Figueiredo

Acumulação de trabalho e mobilidade de capital, de José Carlos Peliano

Diagnósticos em ergonomia no centro-oeste brasileiro (vol. 1 e 2) – Bem estar no trabalho, eficiência e eficácia em questão, de Mário César Ferreira et alii

Elites e trabalho no Brasil e no Uruguai, de Sônia Ranincheski

Escola, saúde e trabalho: Estudos psicológicos, de Maria das Graças T. Paz (Org.)

A pós-graduação no Brasil: Formação e trabalho de mestres de doutores no país (vol.1), de Jacques Veloso

Saberes subalternos e decolonidade: Os sindicatos das trabalhadoras domésticas do Brasil, de Joaze Bernadino Costa

A Social-Democracia alemã e o Trabalhismo inglês, de Maria Rosinda Ramos da Silva

Trabalho em transição, saúde em risco, da Ana Magnólia Mendes

Acesse o nosso site www.editora.unb.br
Ou compre em nossa loja, no Centro de Vivência, Campus Darcy Ribeiro

Conheça a banca de Ivan Presença, um marco no coração do Conic

Entre poetas, músicos e cineastas, o local recebe leitores de todos os cantos e resiste no centro da capital federal e preserva a vocação cultural da cidade

MF Murilo Fagundes*

postado em 02/03/2018 06:00 / atualizado em 02/03/2018 08:59

Ver galeria . 8 FotosIvan Presença reúne mais de 200 mil publicações e 30 mil discos de vinil no Quiosque CulturalArthur Menescal/Esp. CB/D.A PressIvan Presença reúne mais de 200 mil publicações e 30 mil discos de vinil no Quiosque Cultural(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press )


No coração do Setor de Diversões Sul, mais conhecido como Conic, vive um morador especial de Brasília. Ivan Presença, 69 anos, herda o sobrenome da primeira livraria da qual foi dono. Além dela, liderou o Café Belas Artes e, hoje, ocupa uma banca de livros chamada Quiosque Cultural, onde reúne mais de 200 mil publicações e 30 mil discos de vinil.

A rádio sintonizada toca MPB ou samba, ritmos musicais favoritos do livreiro, no quiosque de aproximadamente 5m². Ao som de Eu preciso dizer que te amo, de Dé, Bebel Gilberto e Cazuza, na voz de Marina Lima, Ivan mostra alguns de seus livros favoritos, entre eles, a biografia de Noel Rosa e o clássico Raízes do Brasil, de Sergio Buarque de Holanda, versão de 1963, da Universidade de Brasília (UnB).

Além das grandes obras literárias, o que enche Presença de orgulho é o fluxo de figuras do cinema, do teatro e da música que passam pelo local, inclusive poetas de outras unidades da Federação, como Luis Turiba, que mora no Rio de Janeiro. Os dois faziam parte da mesma geração de movimento poético, na época da revista Bric-A-Brac, editada por Turiba e cuja redação funcionava em cima da livraria de Ivan.

“Criamos um diálogo neste lugar. Trouxemos Cora Coralina, Manoel de Barros, Ferreira Gullar, o Prêmio Nobel de literatura José Saramago, Renato Russo, Cássia Eller”, elenca Turiba. “E, o mais importante, Augusto de Campos, que fez o primeiro espetáculo ‘Poesia é risco’, aqui no Conic. Quando eu venho a Brasília, se eu não passar pelo Conic, bater um papo, eu não vim”, completa o escritor.

O projeto da Livraria Presença, inaugurada nos anos 1980, logo foi interrompido, devido ao período de hiperinflação. Há 18 anos, Ivan decidiu retomar o trabalho e criou o Quiosque Cultural, na banca de jornal projetada por Oscar Niemeyer. Um dos sonhos dele é conseguir verba para melhorar o espaço e voltar a oferecer atividades culturais, sessões de autógrafo e rodas de conversa. Mais do que isso, deseja que se concretize o que ele chama de “revolução da leitura”, o que inclui a remuneração adequada dos mestres. “Os professores são a ferramenta que leva cultura para a sala de aula”, diz Ivan.

A apreensão do livreiro fica clara nos discursos acalorados, que, mesmo em tom cômico, são críticos. “Eu estou me sentindo péssimo. Primeiro com a política. Segundo, por estar desmonetizado para tocar uma livraria. Eu fico aqui com livros usados. Passa um, passa outro. Tem gente que me ajuda. E assim a gente segue”, afirma. “Eu e o Chiquinho, na Universidade de Brasília (UnB), ainda fazemos essa ‘marola’, mas a procura é mínima.”

Paixão pelos livros

Nascido no Rio de Janeiro, em 1949, Ivan frequentava a Biblioteca Central da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), no município Seropédica, quando ainda cursava o primário — equivalente ao ensino fundamental. Foi nessa época que se apaixonou pelos livros, organizados nas cristaleiras antigas do local. Aos 12 anos, começou a trabalhar como office boy e pediu aos funcionários que levassem gibis para ele e outros trabalhadores da mesma função lerem no tempo precioso.

Já no ginásio — hoje ensino médio — passou a pedir livros. Com o grande número de doações, uma das salas do 23º andar do edifício precisou ser transformada em biblioteca. “Foi fantástico. Era um tal de gente levar livro, trocar livro. Esse contato me motivou”, relata.

A presença na arte e na literatura da capital federal o tornaram também um cidadão brasiliense. “Nenhum será mais um coniquiano. Somente o Ivan o será”, dizem os versos que confirmam o título, pintados na obra de arte exposta no canto da banca, presente de um amigo, conhecido como Auroro. A conversa acaba, e Ivan Presença fecha a porta de metal grafitada da banca, às 17h, ainda a luz do dia. O poeta Turiba se despede e o ajudante Rafael Augusto confere a fechadura do quiosque. E amanhã será mais um dia de Presença no Conic.

Ao Ivan
Quiosque?
Que isso?
Que luxo!
Que hóspede.
Luis Turiba, versos especiais escritos para o Correio

*Estagiário sob supervisão de Mariana Niederauer
Site: www.correiobraziliense.com.br