A Arte do Encontro e Outras Artes – 35ª edição

IMG_5006 (1)                                                    Stela carmona

Arranjo vermelho (1)

                                               Daniel Ferreira

Alexandre Sidou Atelier

                                                Ana Póvoas

Originalidade e qualidade é a marca desse evento, que surgiu em 1998, apostando em idéias sustentáveis, criativas, de produção individual ou coletiva mas sempre valorizando o fazer à mão A cada edição participam cerca de 35 artesãos, artistas plásticos e designers do DF e de outros estados, com peças em materiais diversificados.

Artesanato tradicional e contemporâneo, acessórios, objetos, joias, vestuário bordado, saboaria natural, pintura, escultura e fotografia, produtos para a criançada e artigos de Natal. Um brechó muito bacana também participará do evento.

A programação musical, gratuita, terá Adriano Rocha Trio na sexta-feira, às 19h. No sábado, 19h, a cantora Mírian Marques e Edson Arcanjo se apresentam no Show Mutante. No domingo às 12:30h tem Roda de Choro com Ian Coury (bandolin), Piu ( violão 7 cordas), Willian ( cavaquinho) e Thiago Viégas ( pandeiro) e às 18h, voz e violão com Adriano Rocha para encerrar a programação da mostra.

Muitas delícias na Gastronomia, com opções para todos os gostos! Crepes, quiches, saladas, almoços, geléias caseiras, pães de fermentação natural, doces maravilhosos e a tradicional linguiça com farofa de cebola crocante.
Data e horários:
0/11 de 17 às 22h

21/11 de 10 às 22h

22/11 de 10 às 20h

SHIN QI 14 conjunto 08 casa 23 – Lago Norte

Produção: Renata De Sordi

contato: 61 9942-5125

renatadesordi@gmail.com

Caçadores de bons exemplos Em busca de brasileiros que fazem a diferença.

Lançamento Livro em Brasilia (2)

Olá amigos:

Queremos um abraço de vocês!

Estaremos em Brasília
dia 20/11 – Sexta-feira
as 19:00h
Na livraria Saraiva do Shopping Pátio Brasil para o lançamento de nosso livro:
Caçadores de bons exemplos
Em busca de brasileiros que fazem a diferença.
A cada exemplar vendido, 1 livro se doado para as bibliotecas públicas do Brasil!
Esperamos vocês lá!
Um forte e fraterno abraço,
Iara e Eduardo
(37) 99904.9070 whastapp ou 99985.5570
Caçadores de bons exemplos

Iara e Eduardo Xavier
(037)9 9904-9070 whatsApp / (37) 9 9985-5570
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Histórias de vida de funcionários do Metrô são contadas em exposição

Objetivo é aproximar a população dos trabalhadoresPassos acelerados cruzam as estações. Quase sempre, um bom dia ou boa tarde é engolido pela pressa de chegar mais rápido. São 150 mil usuários por dia no metrô. Milhares de pés apressados. Do outro lado, fazendo a engrenagem girar, há 1.050 mil funcionários divididos nas cidades onde chega o Metrô. A Estação Central da Rodoviária, normalmente cinza e sem espaço para pausas, ganhou cores especiais ao exibir fotos e relatos sobre funcionários da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF). Os cartazes fazem parte da exposição Retratos do Metrô, que busca mostrar à sociedade como é o dia a dia e a história de vida de quem trabalha no serviço metroviário. As fotos são de Paulo Barros, os textos são assinados pelo jornalista Marcelo Abreu e a produção ficou a cargo de Márcia Felícia.

Exposição

A Estação Central da Rodoviária, normalmente cinza e sem espaço para pausas, ganhou cores especiais ao exibir fotos e relatos sobre funcionários
Até 5 de outubro, os passageiros poderão conferir testemunhos e imagens de 30 profissionais nesse espaço. Depois, a exposição segue para as outras 23 estações. A mostra é parte da programação da Semana Nacional de Trânsito — comemorada entre 18 e 25 de setembro — e do Dia Mundial sem Carro, celebrado ontem. Enquanto compravam bilhetes, esperavam o trem e torciam para arranjar um lugar, muitas pessoas interromperam a correria cotidiana para admirar as histórias de luta dos trabalhadores que tornam possível o transporte metroviário na capital federal. “Achei interessante. A gente normalmente não pensa em quanta gente está por trás dos serviços, ainda mais com relatos assim”, comenta a funcionária pública Lilian Pereira, 46 anos. Nos corredores da Estação Central, os moradores da capital federal podem conhecer a trajetória de Inalba Maria Morais Galvão, 51 anos, a primeira piloto mulher do metrô. “Eu me sinto privilegiada por representar meus colegas, fiquei orgulhosa em ser escolhida para aparecer na exposição, é uma forma de humanizar nosso trabalho. Nem no meu aniversário recebi tantas mensagens positivas”, diz. Ela espera que, com a exposição, as pessoas percebam o próprio potencial.

A primeira fase da exposição foi interna, apenas para os funcionários. Agora, é a vez de o público conhecer mais sobre quem trabalha por eles. “Quem passava pelos corredores do prédio principal da administração do Metrô não tinha oportunidade de conhecer nada sobre o órgão ao andar por ali. Então, há três meses, tivemos a ideia de mostrar as histórias das pessoas que trabalham no metrô”, explica o presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado, 56 anos. Textos e fotos da mostra estão disponíveis em: www.metro.df.gov.br..

Site:www.correiobraziliense.com.br

Centro Cultural Câmara dos Deputados abre processo seletivo de exposições temporárias artísticas e históricas para 2016

Inscrições vão até 30 de novembro e selecionados entrarão na Agenda Cultural da Casa
Artistas interessados em expor seus trabalhos na Câmara dos Deputados já podem se inscrever para o processo seletivo de exposições temporárias artísticas e históricas para 2016. As inscrições vão até 30 de novembro e a data provável para adivulgação do resultado é 18 de dezembro.
O edital divulgado pelo Centro Cultural Câmara dos Deputados prevê a participação de pessoas físicas maiores de 18 anos e de pessoas jurídicas de direito público ou privado sem fins lucrativos. Menores de 18 anos também podem participar, desde que tenham um representante legal.
As exposições temporárias artísticas envolvem projetos nas áreas de fotografia, escultura, pintura, gravura, desenho, obras em papel, entre outros. Já as produções institucionais históricas devem ser patrocinadas por órgãos e entidades estatais ou por organizações sem fins lucrativos.
A Câmara oferece os espaços expositivos, plantas baixas com as respectivas medidas, montagem, desmontagem, expografia e infraestrutura. Também elabora, imprime e distribui material gráfico, além de divulgar na mídia interna e externa.
Os projetos apresentados serão analisados pela Comissão Curadora do Centro Cultural Câmara dos Deputados, e os selecionados entrarão na Agenda Cultural da Casa para 2016.
As inscrições podem ser feitas pelo e-mail centrocultural@camara.leg.br ou via postal, no endereço: Palácio do Congresso Nacional, Câmara dos Deputados – Anexo 1, sala 1602, Praça dos Três Poderes – Brasília – DF CEP 70160-900.

Site:http://www2.camara.leg.br

Com livros achados no lixo, morador do DF aprende a ler e se torna médico Órfão aos 2 anos, ele cresceu no Chaparral e buscava comida pelas ruas. Cícero conheceu obras de Bach, Beethoven e Kafka por meio dos descartes. Raquel Morais Do G1 DF

livros achados no lixo e com os quais estudou para virar médico Raquel Morais Do G1 DF.

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Foto: Raquel Morais/G1.

Cícero Pereira Batista mostra livros achados no lixo
e com os quais estudou para virar médico
Órfão de pai aos 2 anos e tendo a mãe alcoólatra e um dos sete irmãos traficante, o médico de Brasília Cícero Pereira Batista, de 33 anos, conseguiu vencer as adversidades estudando a partir de livros que retirava do lixo. Ainda criança, ele saía do Chaparral, onde a família mora até hoje, e percorria 20 quilômetros todos os dias pelas ruas de Taguatinga em busca de comida.

Junto com as sobras de alimentos descartados no lixo, Batista recolhia todos os livros que encontrava e vinis de Beethoven e Bach, atualmente suas inspirações. Ele se formou há menos de três meses e agora sonha em abrir um consultório.
“Meu pai era quem fazia o sustento de casa, e morreu de uma úlcera que provocou hemorragia interna. Minha mãe ficou louca e bebia muito. Ela começou a lavar roupa para fora e a catar latinha no meio da rua, mas não era suficiente. A gente sempre passou fome, tudo o que ela fazia não dava jeito. E meu irmão levava traficante para a nossa casa. Aliados a nossa miséria, tínhamos o alcoolismo e as drogas dentro de casa. Eu saía para buscar comida – a gente não tinha mesmo, não tinha nem o que vestir – e tinha dias que não voltava. Eu não precisava, mas tinha dias que dormia na rua para não ter que aguentar as brigas”, lembra.
Amo Bach e Mozart. Junto com os livros, eles me salvaram. Eles falavam mais alto que a fome e me transportavam para outros mundos. Depois descobri Vivaldi e Strauss e comecei a amar música clássica. Às vezes eu pensava, vendo a vida dos compositores, que se Beethoven era surdo e fez o que fez, eu não poderia tentar? Eu, mesmo com fome, mesmo com adversidades, pobre, negro, não sendo homem bonito, conseguiria chegar lá. E é isso que a gente tem que pensar, que todo esforço é poder”
Cícero Batista Pereira, médico que aprendeu a ler com livros achados no lixo.

Na procura por alimento, o garoto encontrou coisas que lhe despertavam uma atenção ainda maior. As páginas cheias de letras e figuras e os discos o deixavam fascinado, ainda que misturados ao chorume que havia no lixo. Cícero sempre reservava um pedaço da caixa que carregava para os “tesouros”. Com a ajuda de vizinhos, ouvia os vinis e pôde aprender a sonoridade de cada letra.
“Fui juntando as sílabas e compreendendo as sentenças e palavras. Quando entrei na escola para fazer o primário, já sabia ler, escrever e fazer as operações fundamentais. Entrei tarde, acho que eu tinha 10 anos, eu que pedi para a minha irmã me matricular”, diz. “Eu trazia a caixa na cabeça debaixo de chuva e sol. Muitas vezes, escorria secreções dos alimentos e das carnes em mim. Eu parava, descansava um pouco e então seguia para casa.”

Entre as obras que encontrou descartadas estavam “O sermão de Santo Antônio aos peixes”, do Padre Antônio Vieira, e “A metamorfose”, de Franz Kafka, além de “Magnificat” e a cantata “BMV 10” de Bach. O menino também achou livros de biologia, filosofia, teologia, direito e história e passou a colecioná-los em casa. Tudo era lido por ele.

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(Foto: Cícero Pereira/Arquivo Pessoal) Brasília, quando criança.
“Amo Bach e Mozart. Junto com os livros, eles me salvaram. Eles falavam mais alto que a fome e me transportavam para outros mundos”, conta o médico. “Depois descobri Vivaldi e Strauss e comecei a amar música clássica. Às vezes eu pensava, vendo a vida dos compositores, que se Bethoven era surdo e fez o que fez, eu não poderia tentar? Eu, mesmo com fome, mesmo com adversidades, pobre, negro, não sendo homem bonito, conseguiria chegar lá. E é isso que a gente tem que pensar, que todo esforço é poder.”
A inspiração o levou a fazer um teste para o curso profissionalizante de técnico de enfermagem, que valia como ensino médio. A ideia veio dos cuidados que ele tinha com a saúde da família e do gosto por dissecar cachorros mortos ou observá-los ampliados com a ajuda de uma lente achada em máquina de fotografia Polaroid, também tirada do lixo. O jovem foi aprovado em segundo lugar na seleção.
Após concluir os estudos, Cícero decidiu então prestar concurso e passou a trabalhar na Secretaria de Saúde. O pouco dinheiro já era um alívio diante das dificuldades vividas pela família, mas o rapaz queria mais. Três anos depois, fez vestibular para medicina em uma faculdade particular no interior de Minas Gerais, passou e, sem pensar duas vezes, decidiu enfrentar o novo desafio.
Fui juntando as sílabas e compreendendo as sentenças e palavras. Quando entrei na escola para fazer o primário, já sabia ler, escrever e fazer as operações fundamentais. Entrei tarde, acho que eu tinha 10 anos, eu que pedi para a minha irmã me matricular.”
Cícero Batista Pereira
Como não podia abrir mão do emprego, o jovem se dividia entre os plantões aos fins de semana no Distrito Federal e as aulas na outra cidade. O salário seguia contado. “Acabei passando fome, cheguei a desmaiar em sala. Por vezes, precisei dormir na rodoviária para economizar”, lembra.
Um ano e meio depois, o rapaz conseguiu 100% de desconto em uma instituição de Paracatu (MG) por causa do bom desempenho no Enem. A faculdade se recusou a aproveitar os três semestres feitos em Araguari, e Cícero precisou recomeçar os estudos. Seis meses depois, já em 2008, ele repetiu o resultado e conquistou uma bolsa integral em Brasília.
“Quando vim, eles aproveitaram algumas matérias, mas também não quiseram me progredir de período, portanto eu voltei à estaca zero de novo. Mas eu nunca desisti, continuei trabalhando e fazendo o meu curso. Eu saía do plantão noturno para a faculdade. Era muita dificuldade, tinha dias que eu chegava molhado e sujo porque tinha chovido, eu pegava dois ônibus, e no trabalho eu era obrigado a usar roupa branca”, conta.
Sem os custos com passagens de viagens interestaduais e a mensalidade, Cícero pôde se dedicar melhor às paixões. Ele virou frequentador assíduo de sebos e passou a comprar mais livros e vinis. Assim, reforçou a paixão pelos autores e músicos que conheceu por meio do lixo e pôde estender as noções que já tinha na área. As primeiras compras para si foram livros da faculdade de medicina e CDs de música clássica.

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(Foto: Cícero Pereira/Arquivo Pessoal)
“Nunca foi fácil, meu dinheiro nunca foi suficiente, mas eu não cedi. Eu me esforcei, eu não me rendi às adversidades financeiras, às adversidades das drogas. Eu dormi no meio da rua fugindo das drogas que tinha dentro de casa muitas vezes. Eu não era morador de rua, eu tinha onde ficar, mas eu dormia fora para evitar a situação. Nunca usei droga, nunca botei um cigarro de maconha ou qualquer cigarro na boca, nunca bebi”, explica.
Formado em junho deste ano, Cícero atualmente trabalha como médico clínico e generalista em dois hospitais de Águas Lindas e Valparaíso, municípios no Entorno do DF. Ele afirma reconhecer em muitos pacientes um quadro semelhante ao que viveu. “São iguais a mim. São pessoas que muitas vezes chegam com fome, chegam doentes porque não tiveram o que comer”
Para ele, a experiência na infância acaba o ajudando a cumprir o que considera uma missão. “O médico muitas vezes tem essa autonomia de aliviar o sofrimento. Eu me formei em medicina para aliviar o sofrimento de pessoas que estavam como eu.”
Futuro
Além de continuar prestando atendimento a quem vive em situação de vulnerabilidade social, o médico planeja a abertura de um consultório particular na capital do país e acumula os sonhos de fazer residência em psiquiatria e especialização em medicina aeroespacial fora do Brasil.

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Izaltina Batista e o filho Cícero, na casa da família
(Foto: Cícero Pereira/Arquivo Pessoal)
“Gosto de entender os conflitos humanos, as fugas, os processos que levam a pessoa à dependência química, à realidade de alguns familiares meus, como o alcoolismo da minha mãe e o uso de drogas do meu irmão. Como estas pessoas se entregaram ao vício? Como tratá-las? Como curá-las? Eu também sempre gostei das coisas do espaço, das estrelas, pois de certa forma olhar e compreender o céu me aliviavam o sofrimento e a fome e me davam força para seguir em frente”, declarou.
O profissional, que voltou a morar com a mãe no Chaparral, afirma ainda querer comprar um apartamento para poder morar sozinho, além de promover melhorias na casa da família. “Está em pedaços e mofada, e minha mãe por isso tem pneumonias de repetição. Se eu não conseguir reformar a casa da minha mãe, [quero] tentar comprar uma para ela.”
“Minha mãe está velhinha e precisa de um mínimo de conforto e paz. Ela cuidou de muitos filhos, já está na hora de eu cuidar dela agora que eu me formei médico. Não quero que ela passe fome de novo, não quero que ela viva em uma casa com goteiras e mofo. Esses últimos ideais são meus sonhos de realização imediata e necessária”, afirmou.

Para refrescar o hábito da leitura

Educador popular espalha geladeiras-bibliotecas pelo Guará. Depois da QE 32, Lucas Rafael deixou mais um eletrodoméstico cheio de livros, desta vez na QE 17. A comunidade contribui para o aumento do acervo, que qualquer um pode pegar emprestado

» ROBERTA PINHEIRO
Publicação: 15/07/2015 04:00

image001 (1)À primeira vista, Everaldo Oliveira pensou que era lixo
descartado. Hoje, desfruta dos livros do eletrodoméstico (Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)

À primeira vista, Everaldo Oliveira pensou que era lixo descartado. Hoje, desfruta dos livros do eletrodoméstico.

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Lucas Rafael já usava a geladeira como armário, em casa,
e decidiu transformá-la em uma ação educativa e cultural (Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)

Lucas Rafael já usava a geladeira como armário, em casa, e decidiu transformá-la em uma ação educativa e cultural.

Uma geladeira no meio de uma praça é algo inusitado. À primeira vista, pode parecer abandono ou descarte irregular de lixo. Mas, ao abri-la, a surpresa. Ela está repleta de livros. Há publicações de turismo, física, filosofia, literatura infantil e romances, entre outras. Tem até opções em inglês, por exemplo. “Doe livro. Leia e devolva”, orienta o aviso escrito no utensílio doméstico, que está na praça da QE 17, no Guará II.

A geladeira-biblioteca anda refrescando as ideias e colocando em dia a leitura dos moradores. “Vi um rapaz abrindo a porta uma vez e escolhendo um livro, mas não sabia que podia pegar”, comenta a pequena Maria Clara Viana Lima, 11 anos. Ao descobrir que todos aqueles exemplares poderiam ser desvendados por ela, a menina não perdeu tempo e foi correndo escolher a primeira leitura. “Gosto de ler gibi e a série Diário de um banana. Vou pegar um livro infantil”, afirma. Maria Clara não vai parar por aí. Na próxima vez que for à praça da QE 17, levará algumas publicações que a mãe tem em casa e não usa mais. “São livros de amor”, descreve. “É legal, porque podemos pegar e devolver depois. Não precisa comprar. É como se fosse uma biblioteca, só que livre”, define Maria Clara.

A ideia de montar e implementar as geladeiras-bibliotecas foi do educador popular e videoartista Lucas Rafael, 30 anos. A inspiração veio de iniciativas semelhantes, como o do açougue T-Bone. Além disso, Lucas já usava o eletrodoméstico como armário em casa. Quando foi se mudar, resolveu transformar o que tinha em uma ação educativa e cultural. “Leitura é cultura e sempre trabalhei para fomentá-la de várias formas. Além disso, as mudanças que queremos para o nosso país só vão acontecer por meio da educação”, explica.

Para reformar o utensílio e deixá-lo com cara nova, Lucas convidou amigos grafiteiros. Com as ilustrações, a geladeira-bibliotecas chama ainda mais atenção. Morador do Guará há 11 anos, ele escolheu a região porque se identificou com o local. “Aqui é um celeiro de artistas e acredito que pode se tornar uma efervescência cultural”, justificou. A primeira geladeira foi colocada por Lucas na QE 32. Ali, deixou alguns livros que tinha em casa. Há cerca de dois meses, ele instalou outra na QE 17. Dessa vez, uma escola doou algumas publicações repetidas. “Mas boa parte é a própria comunidade que abastece”, afirma.

Uma das doadoras é a moradora Maria Beatriz Martins, 71 anos. Todos os dias, ela vai até a lotérica que fica próxima à praça e deixa alguns livros na geladeira. Entre eles, já foram exemplares para o público infantil e sobre religião. “Eles ficam lá em casa em desuso. Então, quando saio, falo: ‘vou levar lá na geladeira’”, conta Maria Beatriz. Adepta da leitura desde criança, a moradora adora a quantidade de opções que o eletrodoméstico literário oferece. “Pego um e leio de trás para a frente, uma mania que tenho.”

Em um primeiro momento, o aposentado Everaldo Oliveira Paraguaçu, 62, achou suspeito o motivo de colocar uma geladeira usada no meio da praça. “Pensei que era lixo e me perguntei se deixariam aqui (praça)”, relembra. Mas, quando começaram a organizar a biblioteca e a pintar a geladeira, Everaldo mudou de ideia e aprovou o projeto. Amante dos romances literários, ele sempre passa pela praça, escolhe um exemplar e se senta para desfrutar da leitura. “Abre a mente e é uma ótima terapia”, afirma.

O idealizador das geladeiras-bibliotecas quer ampliar o projeto. No entanto, faltam recursos. Ele entrou com um pedido de parceria na Secretaria de Cultura para disponibilizar livros de artistas locais. “E é legal ver como a ideia já proliferou. Um amigo que participou conosco decidiu montar uma semelhante na QE 38”, conta.
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“É legal, porque podemos pegar e devolver depois. Não precisa comprar. É como se fosse uma biblioteca, só que livre” Maria Clara Viana Lima, 11 anos.

Biblioteca Popular

A ação do açougue T-Bone, de Luiz Amorim, disponibiliza livros para os usuários do transporte coletivo nas paradas de ônibus da Asa Norte. Em 2013, 600 obras foram queimadas em um ponto na 703 Norte. A recuperação ocorreu de forma rápida. A equipe que cuida do projeto compareceu ao local, pintou a prateleira, limpou a sujeira e não deixou a população nem um dia sequer sem o acervo. Todos os títulos são frutos de doações. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconhece a iniciativa de fomento à leitura, que começou em 2007 e é copiada por estados do Brasil e até por outros países. Todos os dias, uma equipe do açougue usa duas kombis para repor os livros doados pela população nas prateleiras das paradas. Ela limpa o espaço e zela para que o serviço prestado aos usuários seja de excelência.

Fonte:www.correiobraziliense.com.br

Faculdade luta para sobreviver

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A única instituição de ensino superior especializada em artes do Brasil sofre com falhas administrativas e tenta se reerguer por iniciativa de grupo de trabalho. A partir de hoje, o Correio publica série de reportagens sobre brasilienses que se dedicam a preservar a cidade

» LUIZ CALCAGNO
Publicação: 14/06/2015 04:00
A instituição fica no Conic e se limita hoje a três graduações e 200 estudantes (Minervino Junior/CB/D.A Press)

A instituição fica no Conic e se limita hoje a três graduações e 200 estudantes

Atolada em dívidas após uma série de gestões desastrosas, a Faculdade de Artes Dulcina de Moraes sobrevive graças à dedicação, algumas vezes 100% voluntária, de alunos, professores e funcionários. A instituição, uma das mais importantes do teatro, com uma sala projetada por Oscar Niemeyer e um dos maiores acervos da quinta arte, foi dilapidada por uma sequência de administrações que impediram vestibulares e não prestavam contas ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Desde julho de 2013, um grupo de professores e ex-alunos, com administradores designados pelo próprio MPDFT, luta para manter as portas abertas.

Assim como a Faculdade Dulcina, existem espaços que fazem parte da história da capital federal mantidos em funcionamento apenas porque há brasilienses que lutam para preservar a identidade da cidade. A partir de hoje, o Correio publica uma série de reportagens mostrando o trabalho dessas pessoas. As dívidas da faculdade de artes, por exemplo, chegam a R$ 13 milhões. A principal estratégia para saná-las é o projeto Brasília por Dulcina (leia Para saber mais), no qual empresários locais se inscrevem para bancar bolsas de estudos no valor de R$ 764. Os beneficiados são alunos de programas sociais. Os valores arrecadados serão utilizados, principalmente, para pagar salários atrasados de professores e funcionários. Quando a instituição estiver com a situação financeira equilibrada, ficará adequada à Lei Rouanet e poderá receber recursos públicos para projetos e abrir cursos.

Na frente de batalha contra a crise, está uma ex-estudante da Faculdade Dulcina e diretora de Produção da Fundação Brasileira de Teatro (FBT), Julie Witzel. Ao lado do administrador judicial Marco Antônio Schmitt, da atriz Lyvian Sena, da diretora da instituição, Ana Cláudia Pinheiro e de outros funcionários, ela se dedica a pagar as dívidas, gerar lucro e manter a estrutura em funcionamento. Eles chegaram a tocar o estabelecimento com a eletricidade cortada por falta de pagamento. “Como aluna, eu já me envolvia com os trabalhos da instituição. A antiga administração era distante dos alunos. Em 2013, no último semestre, ficamos sem energia. Passamos por muita coisa entre 2013 e 2014. Foi muito difícil. Agora, olho para a frente, para o que precisamos de fazer hoje e amanhã”, afirma Julie.
(Minervino Junior/CB/D.A Press)

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Irregularidades
A faculdade chegou a ter mais de 2 mil alunos e 11 cursos superiores. Atualmente, resume-se a três graduações — artes cênicas, artes plásticas e música — e a cerca de 200 estudantes. A gestão consegue pagar os salários do corpo docente, apesar do atraso. Mas depende de doações de todos os tipos para manter a estrutura. “Quando começamos a luta para reverter a situação em que nos colocaram, oferecíamos espaço para artistas da cidade e, em vez de pedir dinheiro, pedíamos uma contrapartida. O que pudessem oferecer, oficina, manutenção ou material para divulgação. Mostramos que o Dulcina estava vivo e continuamos com as nossas programações”, relata Julie.

Na época do afastamento do presidente, do vice e do secretário executivo, os alunos da Dulcina, incluindo Julie, fizeram uma comissão para levantar os problemas. Eles, então, abordaram Marco Antônio Schmitt e detalharam os problemas. À época, as aulas da manhã eram dadas com a luz do sol. À noite, usavam um espaço emprestado pelo Sindicato dos Professores do DF (Sinpro). “Em 2006 e 2007, já havia irregularidades. Quando o MPDFT procurou administradores judiciais, teve dificuldades em encontrar alguém que aceitasse o desafio. Quando cheguei, não tínhamos números. A última demonstração contábil era de 2010, e os únicos funcionários que não tinham se demitido trabalhavam sem receber”, lembra Marco Antônio.

(Minervino Junior/CB/D.A Press)

image003Dama do teatro

A atriz Dulcina de Moraes inaugurou a Fundação Brasileira de Teatro em 1955 e, com ela, a faculdade de artes que leva o seu nome. O primeiro prédio, que também leva o nome da profissional, fica no centro do Rio de Janeiro. Em 1972, Dulcina trouxe a FBT para o Distrito Federal e chegou a morar nas dependências do complexo, que fica no Conic, no Setor de Diversões Sul. Ela é uma das principais responsáveis pela regularização das carreiras de ator e atriz no Brasil.

Para saber mais

Cotas e bolsas

A Fundação Brasileira de Teatro (FBT) criará 400 cotas para inclusão de novos cursos da Faculdade de Artes Dulcina de Moraes. As bolsas, no valor de R$ 764, atenderão alunos de regiões socialmente vulneráveis do Distrito Federal e do Entorno. A quantidade de benefícios é equivalente ao número de cadeiras do Teatro Dulcina de Moraes, exatamente 400. Dois administradores judiciais da FBT, dois representantes indicados pelos mantenedores, dois representantes da sociedade civil e um dos professores formarão um conselho gestor para fiscalizar os valores arrecadados. Os interessados podem entrar em contato pelos números 3322-8147, 8111-7824 e 8162-5951.

Como ajudar

A Faculdade de Artes de Brasília Dulcina de Moraes precisa de doações para dar continuidade aos trabalhos acadêmicos e artísticos no DF. A instituição precisa de produtos de limpeza, material de escritório e até mão de obra voluntária para serviços especializados. Os interessados podem entrar com contato com Julie Witzel pelo telefone 9208-9573.

“Somos parte da história do teatro”

Publicação: 14/06/2015 04:00
Responsável pela administração da Faculdade Dulcina de Moraes, a Fundação Brasileira de Teatro (FBT) presta contas para a 1ª Promotoria de Justiça de Tutela das Fundações e Entidades de Interesse Social (PJFeis), o mesmo órgão do MPDFT que pediu para a Justiça o afastamento da administração anterior. A promotora à frente dos trabalhos, Rosana Maria Queiroz Viegas, entende a importância da instituição que faz parte da história de Brasília, mas demonstra preocupação ao abordar a situação. “Ela (a faculdade) está atolada em dívidas. A situação é muito difícil”, destaca.

Segundo a promotora, a administração judicial e os funcionários da FBT estão “lutando ao máximo” para reestruturar a faculdade sem perder parte do patrimônio. “Os administradores trabalham para normalizar a situação financeira. Assim que a instituição estiver adimplente, poderá receber verba pública e novos administradores assumirão o local.” Rosana também comentou o boato de que a antiga administração estaria interessada em vender o prédio e, assim, desestabilizou as finanças da Faculdade Dulcina. “Os boatos não foram comprovados. Houve uma péssima administração e é isso que estamos apurando. Os administradores estão fechando o balanço anterior. Só depois poderemos dizer se houve dolo ou culpa”, explica.

A diretora Ana Cláudia assumiu o cargo no ano passado. Segundo ela, o trabalho de reestruturação é complexo e delicado. “Temos de retomar todos os processos acadêmicos e administrativos suspensos por muito tempo. Estamos fazendo esse trabalho de forma minuciosa. Na última avaliação que fizemos, os alunos consideraram os professores de muita competência. Estamos fazendo mostras, temos projetos interessantes para o segundo semestre, inclusive de retomar os cursos de extensão e pós-graduação”, destaca.

O professor de teatro Túlio Guimarães está na instituição de artes desde 1981. Ele conta que enfrentou várias crises. “O MPDFT é a nossa última esperança. Somos a única faculdade exclusivamente de artes no Brasil. Temos pessoas interessadas em investirem no local, mas, para isso, precisamos estar adimplentes. Nós contamos e somos parte da história do teatro brasileiro no século 20, um patrimônio de Brasília”,conclui.

Convite Arte do Encontro e Outras Artes

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Música de qualidade, produtos artesanais elaborados por gente ligada em idéias criativas e inovadoras, gastronomia: tudo isso, com entrada franca, é a opção para o próximo final de semana, dias 30 e 31 de maio, na Arte do Encontro.

O evento, que tem esse nome muito apropriadamente, começou há 17 anos como um pequeno bazar de artesanato em uma casa do Lago Norte, onde os expositores vendiam seus trabalhos e faziam amigos. Hoje, a Arte do Encontro transformou-se num grande ponto de encontro de quem valoriza tanto a diferença quanto a simplicidade, seja a peça com design único ou sofisticado, uma cachaça artesanal, um ambiente acolhedor com atrações culturais respeitáveis, além de oficinas de bonequinhas e origami, também gratuitas

Para esta 34a edição, a criadora do evento, Renata De Sordi, convidou o músico Adriano Rocha com voz, violão e vinil, o Coro Italiano da UnB, que se apresenta com a regência de Felipe Ayala, o Trio Arapô, com clássicos da música caipira e do choro. Também tem roda de choro e muita coisa boa no cardápio da Confeitaria Arte do Encontro, do restaurante e paninoteca Il Pan-drino, geléias e licores e a tradicional linguiça com farofa.
Os visitantes terão opções de compra de produtos de quarenta expositores, entre esculturas em materiais diversos, saboaria artesanal, jóias autorais, acessórios, tecelagem, pintura em seda, móveis e objetos, vestuário, brinquedos criativos e muito mais.

Serviço: Arte do Encontro

Data e horário: 30/05 – de 10 às 22h
31/05 – de 10 às 20h

Endereço: SHIN QI 14 conjunto 8 casa 23 – Lago Norte

Mais informações:
Ana Leyla
Cel: 8123.7881
3368.2482

Museu de Nova York exibe exposição sobre a construção de Brasília

A exposição também contém um amplo acervo dedicado à construção da Cidade do México

postado em 21/05/2015 19:32
Samir Mendes /

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O Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMa) apresenta, atualmente, a exposição América Latina em Construção: Arquitetura 1955-1980. O evento, que acontece 60 anos depois do primeiro grande evento dedicado à arquitetura da América Latina, conta com diversas fotos da construção de Brasília.Entre as diversas obras que retratam paisagens familiares para os brasilienses, estão fotos da Praça dos Três Poderes e uma maquete da Esplanada dos Ministérios. A exposição também contém um amplo acervo dedicado à construção da Cidade do México.

Site: www.correiobraziliense.com.br

Comunidade organiza protesto pela reabertura da Biblioteca Demonstrativa

Com obras inconclusas e sem previsão de reabertura, manifestação questionará o Ministério da Cultura em 6 de maio

postado em 27/04/2015 14:46

Interdição da biblioteca completará 1 ano em 6 de maio

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A Biblioteca Demonstrativa de Brasília (BDB) está fechada desde maio de 2014 por problemas estruturais. A interdição do espaço afeta a rotina dos cerca de 1,5 mil usuários diários, que estudam para ingressar numa universidade, no setor público ou buscam conhecimento e informação. Por isso, a Sociedade dos Amigos da Biblioteca Demonstrativa de Brasília (SABD) – entidade parceira de organizações e membros da comunidade local e cultural da cidade – enviou ofício ao Ministério da Cultura (MinC), responsável pela BDB, cobrando a reabertura da Biblioteca localiza na 506/507 Sul.

“Estamos aguardando a resposta do ministério. Questionamos o não cumprimento do prazo de 180 dias para a conclusão da reforma contratada, que ia até o fim de janeiro. O serviço ficou pela metade, a parte elétrica, que corria risco de gerar incêndios e tem projeto de reparo desde 2010, não foi ajustada”, reclama Mauro MAndelli, presidente da SABD. “A falta de providências do MinC e do Ministério Público, que nos deixa sem informações e sem previsão de reabertura, nos levou a marcar um protesto para 6 de maio, quando o fechamento completa um ano.”

O Movimento Reabre Biblioteca Demonstrativa tem mais de 500 apoiadores no Facebook e está convocando interessados a participar do ato de 6 de maio, às 10h, em frente à BDB, pleiteando a disponibilização do local ao público e cobrando posicionamento do Ministério da Cultura. O arquiteto Tancredo Maia Filho, 68 anos, mora na Asa Sul e garante participação na manifestação. “O protesto demonstra a indignação da população com a situação de descuido do governo federal com a biblioteca pública. Com certeza, estarei lá, estou mobilizando a vizinhança”, conta.

Frequentador do local há 35 anos, ele conhece bem os impactos causados pela suspensão do funcionamento. “A BDB é a biblioteca pública mais importante do DF, tem horário estendido e oferece diversas atividades. Eu, meu filho e minha neta a utilizamos até hoje. O fechamento afeta a minha vida e a de centenas de pessoas. Trata-se de um símbolo da cultura em Brasília e é referência na formação de leitores e cidadãos”, considera Tancredo.

A comunidade pode ter mais informações sobre a iniciativa na página Movimento Reabre Biblioteca Demonstrativa no Facebook ou pelo telefone da Sociedade dos Amigos da Biblioteca Demonstrativa: (61) 3273-0906.

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Com o fechamento do espaço, moradores perderam um local de estudos e uma referência em cultura na cidade.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br