Após fuga de três presos, juíza interdita bloco na Papuda

VEP determinou ainda que os detentos sejam retirados para a reforma do Bloco I da Ala A do Centro de Detenção Provisória

Brasília(DF), 20/02/2016 – Papuda – centro de internamento e reeducação Papuda. Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

Após a fuga de três presos, a juíza da Vara de Execuções Penais do DF, Leila Cury, decidiu interditar o Bloco I da Ala A do Centro de Detenção Provisória (CDP) do Complexo da Papuda. A medida foi tomada diante da constatação da fragilidade da construção, cuja estrutura arquitetônica foi erguida ainda na década de 1960 e é a mais antiga do DF.

Segundo informações do Núcleo de Inteligência do CDP, após a fuga de André Cândido Aparecido da Silva, Carlos Augusto Mota de Oliveira e Roberto Barbosa dos Santos – presos provisórios que ocupavam a cela 15 –, outros detentos também demonstraram intenção de escapar do presídio, o que levou à necessidade de reforçar a segurança e adotar novas medidas.

“Entendo necessária a retirada dos presos daquela ala para que a administração penitenciária providencie os devidos reparos e com a devida urgência, sobretudo para evitar a ocorrência de novas evasões”, disse a juíza.

Buraco por onde os presos escaparam
Ainda sobre as medidas cabíveis, a magistrada prossegue: “Considerando que não há possibilidade alguma de os internos permanecerem na ala interditada, sob pena de inviabilizar a realização da obra, autorizo o remanejamento deles para os demais blocos da unidade prisional, desde que sejam respeitadas as características processuais e pessoais de cada um”.

A decisão da juíza foi tomada com base no artigo 66 da Lei de Execuções Penais, que autoriza a autoridade judicial a “interditar, no todo ou em parte, estabelecimento penal que estiver funcionando em condições inadequadas ou com infringência os dispositivos da lei”. Agora, a Sesipe (Subsecretaria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal) tem 120 dias para apresentar à VEP plano detalhado de obras para recuperação da ala interditada.

As alas B e D do mesmo Bloco I do CDP já foram interditadas em outras ocasiões para realização de reformas e pelos mesmos motivos.

A Sesipe abriu investigação para identificar a possível facilitação da fuga, ocorrida na madrugada dessa terça-feira (28/01/2020). Conforme o Metrópoles mostrou, em primeira mão, os presos cavaram um buraco em cima da porta e saíram pelo telhado. Eles pularam dois muros antes de ganharem as ruas. Ainda não foram localizados.


Presos que fugiram na madrugada da última terça-feira

A penúltima fuga registrada no complexo ocorreu em 21 de fevereiro de 2016, quando 10 detentos da Penitenciária do Distrito Federal 1 (PDF 1) escaparam durante chamada nominal feita por agentes, ato conhecido como “confere”. O local abriga presos que cumprem pena em regime fechado.

Denuncie
Qualquer informação para ajudar as operações de captura dos foragidos dessa terça-feira (28/01/2020) pode ser passada por meio dos telefones (61) 3234-4486, 197 e 190.

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PAPA ENTULHO

 Descrição:

O Papa Entulho é um ponto de entrega voluntária (PEV) de entulho, podas, volumosos, materiais recicláveis e óleo de cozinha usado. O local possui rampa de acesso a veículos pequenos para o descarte de resíduos de construção diretamente em caçambas.

O local é preparado para receber diariamente, por pessoa, até 1 metro cúbico (equivalente a uma caixa de água de mil litros) de resíduos da construção civil, volumosos (como móveis) e restos de podas.

Também podem ser entregues materiais recicláveis como papéis, plásticos, papelões e

metais, desde que estejam separados e limpos. Esses resíduos serão encaminhados para as cooperativas de catadores de materiais recicláveis.

A Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), por meio do Projeto Biguá, faz parceria com o SLU. Em cada Papa Entulho há um ponto de coleta de óleo usado. Recomenda-se que o material seja levado em embalagens como frascos de amaciante e xampu. A capacidade é de até 50 litros por dia.

A Instrução Normativa nº 2, de 15 de março de 2017, publicada no Diário Oficial do DF do dia 17 de março de 2017, expõe as regras para utilização dos Papa Entulhos. O local funciona de segunda a sábado, das 7h às 18h.

Não são permitidos resíduos domésticos (orgânicos e rejeitos), industriais, de serviços de saúde e eletrônicos, pneus, embalagens de agroquímicos, de produtos fitossanitários e de óleos lubrificantes, lâmpadas, pilhas e baterias, equipamentos ou materiais que tenham metais pesados, gesso, espelhos, vidros, amianto, tintas, solventes e tonner.

Não é permitida a entrada de cargas de resíduos em caminhões ou carretas.

Bibliotecas do Saber

Livro retrata o amor pela leitura no DF

“A vida com os livros” traz textos, fotografias, mapas e ilustrações do projeto Bibliotecas do Saber. Trabalho também resultou em exposição fotográfica.

Um trabalho multimídia, idealizado no Distrito Federal, reúne histórias de pessoas que se transformaram por meio da leitura. São crianças, jovens e adultos que narram sensações depois de viajar por um mundo que jamais imaginavam existir e que agora está reescrito para a eternidade. Criado para realizar o mapeamento afetivo do projeto Bibliotecas do Saber, “A vida com os livros” será lançado no dia oito de março, às 10h00, na Biblioteca Escolar Comunitária Espaço – Rui Barbosa, em Sobradinho/DF.

Sob a coordenação geral de Carmen Ganzelevitch Gramacho, que também escreveu a Parte 2 do livro, baseada em seu diário ao longo de nove anos do projeto, a publicação tem 368 páginas com textos, fotografias, mapas e ilustrações.

Na Introdução, o livro mostra como surgiu o projeto Bibliotecas do Saber, idealizado por Carmen, pela bibliotecária Iza Antunes e pelo empresário Antonio Matias. O Bibliotecas do Saber surgiu com a modesta ideia de montar 20 bibliotecas em regiões carentes do DF. Mas fez tanto sucesso que chegou a 182 unidades. O acervo foi reunido com livros doados pela população e recolhidos nos postos da rede de combustíveis que Matias na época administrava.

A Parte 1 foi escrita pela jornalista Valéria de Velasco que colheu histórias em 12 unidades das Bibliotecas do Saber, em diferentes locais do DF. Com os depoimentos de usuários, professores, pais e alunos, Valéria demonstra como essas bibliotecas são capazes de modificar as visões de mundo de um público que vai desde crianças de quatro anos de idade até jovens e adultos.

A Parte 2 traz uma seleção de textos do diário de Carmen, que registrou cada passo do projeto, desde a primeira conversa sobre a importância do acesso aos livros até a inauguração da última biblioteca, em 2016.

Mapa afetivo

O projeto foi realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do DF. Trata-se de pesquisa, criação e desenvolvimento do “Mapa Afetivo da Leitura no Distrito Federal”, uma iniciativa inédita no Brasil, com ênfase nas mudanças que ocorrem nas visões de mundo e nas histórias de vida das pessoas, motivadas pela relação dos leitores com os livros e pela presença de bibliotecas nas comunidades.

Para saber mais:
O projeto Bibliotecas do Saber nasceu em 2007, com o objetivo de montar 20 bibliotecas públicas. Contava apenas com doações de livros da população, o apoio logístico de uma empresa da cidade e o trabalho voluntário de uma bibliotecária e uma coordenadora. Mesmo com poucos recursos, o sucesso foi enorme e o projeto não parou, atingindo a marca de 182 bibliotecas nas mais diversas localidades do DF, beneficiando aproximadamente 600 mil pessoas.

Serviço:

A Vida com os livros – Mapeamento Afetivo das Bibliotecas do Saber no DF

Lançamento do livro de Carmen Ganzelevitch Gramacho e Exposição de fotografias de Clara Molina

Data: 8 de março (sexta-feira)

Horário: 10h

Local: Biblioteca Escolar Comunitária Espaço – Rui Barbosa, Q. 4, A.E. 4 – Sobradinho/DF

Exposição:

Fotografias: Clara Molina – Curadoria: Usha Velasco

Visitação: de 8 de março a 4 de abril, de segunda a sexta, das 8h às 22h

*A segunda etapa do lançamento do livro se dará dia 14 de março às 18:30, na livraria Sebinho, situada na SCLN 406.

Morre em Brasilia a jornalista Valéria de Velasco

A jornalista Valéria de Velasco trabalhou no Correio Braziliense na década de 1980. Ela deixa três filhas, cinco netos e um bisneto

A jornalista Valéria de Velasco morreu, na madrugada desta terça-feira (17/4), vítima de um aneurisma na aorta abdominal sofrido há 12 dias. Com vasta carreira no jornalismo e respeitada pela qualidade dos textos, Valéria fazia (faz) parte de um seleto grupo de pessoas que pensam e escrevem em favor do humanismo – tão distante das commodities jornalísticas de hoje em dia. A sua ferramenta era a vida, principalmente a dos excluídos, dos invisíveis da sociedade. Como dizia: “jornalismo é para mudar vidas”.

Trabalhou no Correio Braziliense na década de 1980 e depois, por mais de uma década, nos anos 2000, ajudando a novos repórteres com sua voz suave, sem nunca alterá-la, como se fosse um mantra. Nos últimos meses, estava como colaboradora da Revista do Correio, era ela quem dava o verniz às reportagens, era ela quem sugeria as pautas mais perto do coração. Ela era assim: humana, humilde e poderosa.

Jamais fugiu à luta diante dos desmandos e desmantelos sociais. Defendeu a Justiça, nunca o justiçamento; defendeu a conscientização, nunca o ódio. Criou o Convive (Comitê Nacional de Vítimas de Violência) depois de perder o filho Marco Antônio Velasco, o Marquinhos, espancado até a morte por uma gangue que se denominava Falange Satânica, formada por jovens de classe média, um crime que abalou a cidade no início dos anos 1990.

Valéria, nascida em 11 de setembro de 1944, deixa três filhas, cinco netos e um bisneto. Foi ao encontro de Marquinhos. A família ainda não divulgou as informações sobre o velório e o sepultamento.

Mulher forte
Em nota, o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, lamentou a morte da jornalista, ressaltando que Brasília perdeu uma de suas mais notáveis e fortes figuras da cidade. “A jornalista Valéria de Velasco nos deixa a imagem de uma profissional competente, séria, mas principalmente a de uma mulher forte que enfrentou as agruras da vida com coragem e determinação. Se tornou, na adversidade de uma perda trágica de um filho, militante ativa contra a violência em Brasília. Meus pêsames à família e aos amigos, com minhas orações a todos”, afirmou o governador.

A arte do amparo
Há um poema lindo de Antônio Cícero chamado Guardar. Compartilho um trecho: “Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la / Em cofre não se guarda coisa alguma / Em cofre perde-se a coisa à vista / Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado / Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela ou ser por ela / Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro / Do que um pássaro sem voos…”

Sou uma pessoa de sorte. Tenho o que guardar. Guardo gente, mas não as tranco, nem as escondo. Tenho ao meu lado amigos com raras qualidades. Observá-las no decorrer da vida tem sido um exercício de aprendizado. Algo como aulas de caráter, dignidade, bondade, empatia. Tenho isso de graça, talvez por graça divina. O que pode haver de melhor? Passear pela vida de braços dados com seres iluminados, porém humanos e palpáveis, é caminhar na luz. A cada dia, persisto na ideia de compartilhar o mundo com as melhores companhias. Hoje, quero falar de uma delas: Valéria Velasco.

Nossas vidas se cruzaram há exatos 31 anos. Ela, uma respeitada e premiada editora de revistas e jornais; eu, uma retirante pernambucana dando os primeiros passos no jornalismo brasiliense. Somos cúmplices na dor e no amor. Testemunhas de momentos intensos na vida de uma e outra. Companheiras de trabalho, que se guardaram mutuamente a cada mudança de posto e de porto. Acima de tudo, parceiras num mundo que esbanja crueldade e carece de mãos amigas. Valéria tem uma especialidade: a capacidade de amparar. A mão dela não vacila. O gesto de esticá-la sempre na direção de quem necessita é traço de sua personalidade.

A mão, o colo, o ombro de Valéria são patrimônios quase públicos, tamanha a sua disponibilidade de socorrer qualquer um, sobretudo naqueles dias que não têm 24 horas. Sim, há dias que duram uma vida: nove meses de uma gestação de risco, temporadas de perrengues financeiros, a morte de um filho e tantas outras perdas e inconstâncias da nossa existência. Em dias, semanas, meses, anos extremamente cinzentos, vi Valéria abrir caminhos na Justiça; horas na agenda; abrir a casa; e abrir os braços para os abraços mais necessários e aconchegantes que alguém pode ganhar. Guardo testemunhos em série sobre sua generosidade.

Minha amiga conhece como ninguém a arte do amparo, tão rara e cara nesse mundão truculento de hoje. Este texto não é apenas sobre Valéria, nem sobre amigos, nem sobre guardar o que precisa ser guardado e jogar fora todo o resto. Este texto é sobre reconhecimento. Precisamos falar sobre o que é bom e sobre quem faz o bem. O que você guarda? Quem você guarda? Aqui, nas minhas preciosas caixinhas, guardo Valéria. Mas ouso compartilhar suas qualidades, sem medo, porque ela merece e porque todos devem saber.