Tire suas dúvidas sobre como serão as teleaulas da rede pública do DF

Secretaria de Educação transmitirá programa educativo na internet e na TV Justiça para auxiliar alunos da rede pública durante a pandemia. Atividade não é obrigatória e não conta como dia letivo, mas pode ajudar a manter a rotina


Programa contará com videoaulas gravadas por professores, além de aulões ao vivo para ensino médio (foto: TV Justiça/Divulgação )

Os cerca de 460 mil alunos da rede pública do Distrito Federal se juntam a milhares de estudantes em todo o mundo que tiveram de parar de frequentar a escola por causa da pandemia de coronavírus. Com o objetivo de oferecer uma alternativa para que crianças e adolescentes não percam total contato com os estudos, a Secretaria de Educação (SEE-DF) dá início, nesta segunda-feira (6/4), a uma série de teleaulas. O programa educativo será transmitido pela TV Justiça e também pela internet, com temas voltados para educação infantil ao ensino médio.

As atividades fazem parte da iniciativa Escola em Casa e não são obrigatórias, tampouco contam como dias letivos. Elas servem para oferecer conteúdo aos estudantes enquanto as aulas não voltam. “A expectativa é de que os alunos não desistam, não desanimem e que eles possam nutrir esse vínculo com a comunidade escolar e com o saber. É uma atividade extra para esse período”, explica David Nogueira, coordenador do programa Escola em Casa DF. Ele diz que o programa continuará sendo transmitido enquanto durar a pandemia.

Nogueira conta que houve um grande esforço para, dentro de um intervalo de 20 dias, mobilizar professores a gravarem videoaulas voluntariamente. Claro que a situação não é ideal, e não dá para esperar formato profissional de todo o conteúdo. “Tem muito programa gravado na casa dos professores, que se voluntariaram para fazer isso. Fizemos um chamamento voluntário para os educadores, e mais de 40 se prontificaram. E, a cada hora, há mais adesões.” O coordenador agradece o esforço dos docentes e de parceiros, como a própria TV Justiça, o Sebrae e o Canal Futura, que têm ajudando a viabilizar as teleaulas.


David Nogueira, coordenador do programa Escola em Casa DF (foto: SEE-DF/Divulgação )

Tira-dúvidas

A Secretaria de Educação responderá a perguntas sobre o programa Escola em Casa nesta segunda-feira (6/4), às 19h, no Facebook e no YouTube. David Nogueira, em conversa mediada por jornalistas, explicará também sobre a plataforma Moodle, que em breve estará disponível para estudantes do ensino médio. Para acompanhar, acesse www.facebook.com/educadf

Programação
» O programa educativo será transmitido de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h, nos canais 53.1 ou 53.2 (TV Justiça) e também pelo YouTube e pelo Twitter. Saiba mais no site tvjustica.jus.br. Segunda, quarta e sexta são dias de videoaulas gravadas. Elas começam às 9h, focando nos alunos mais novos. Os conteúdos vão avançando de série ao longo do tempo até que, às 11h45, é oferecido um programa para professores. Nas terças e quintas, serão transmitidos aulões ao vivo com foco em estudantes do ensino médio, especialmente pensando no Enem. Serão três aulões diferentes, cada um com uma hora de duração, divididos entre 1º, 2º e 3º anos do ensino médio.

Educação à distância


Rosilene Corrêa, do Sinpro-DF: preocupação com tentativa de EaD (foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil )

Segundo David Nogueira, coordenador do Programa Escola em Casa DF, as teleaulas são um primeiro passo emergencial de educação a distância (EAD). A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEE-DF)deve anunciar uma plataforma de aprendizagem para permitir interação entre estudantes e professores na próxima semana. “Se chegarmos a um cenário em que vamos precisar da EaD, essa plataforma permite aulas on-line.” Por enquanto, o calendário letivo da rede pública está suspenso, com previsão inicial de ser retomado em junho. No entanto, tudo dependerá de como a pandemia avançará.

Para a pedagoga Rosilene Corrêa, diretora de Finanças do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF), é válido oferecer uma atividade complementar aos alunos neste momento, mas suscita preocupação se houver intenção de trocar encontros presenciais por EaD. “Vimos com muita preocupação, porque teve um certo ensaio de uma intenção da secretaria de trabalhar com aulas virtuais”, esclarece. O formato, ela avalia, é impróprio para a educação básica. “Não temos a menor condição de pensar em crianças e adolescentes com aulas a distância”, defende.

“É preciso esclarecer que EAD tem regulação própria, é um projeto com o qual concordamos plenamente como complementação ou como algo para ensino superior, em que os estudantes já têm autonomia, ou como forma de inclusão, para levar educação aonde não tem universidade”, afirma. Rosilene também ressalta que as teleaulas são válidas como um apoio alternativo agora, mas não servem como dias letivos. “Entendemos como razoável que se ofereça algo para que os estudantes não fiquem ociosos. Mas o nosso calendário tem que ser preservado, precisamos discutir o nosso calendário e não sabemos quanto tempo isso vai durar”, comenta.

“O ano vai acabar em dezembro? Não sabemos, pois não sabemos quando vamos começar…” Rosilene sabe que não será um ano fácil e que haverá sequelas de aprendizado, mas argumenta que é preciso não perder de vista o direito dos alunos a educação de qualidade, uma demanda que não será suprida com videoaulas na visão dela. “Eu jamais diria que educação pode esperar. Mas, entre a vida e a rotina escolar, precisamos garantir vida primeiro, para depois pensar na educação”, observa.

Assim, a pedagoga acredita que um grande serviço que as teleaulas podem fazer é no sentido de informar e conscientizar os alunos com relação à prevenção do coronavírus. A orientação do Sinpro para a categoria é que os professores que desejarem gravar videoaulas tomem medidas de segurança e o façam diretamente de casa, em vez de num estúdio. “A gente não pode ficar circulando por aí.”

Acesso
Entre os estudantes da rede pública, existe uma parcela que não tem acesso à internet nem televisão em casa, que podem ficar desatendidos. Para Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro, é grave o fato de nem todos os alunos poderem ser atendidos. “Por isso, não há hipótese de pensar nisso como dia letivo, nem as teleaulas, nem alguma plataforma de internet. Um aluno matriculado, por não ter as ferramentas, vai ficar de fora? Assim, o estado não estará cumprindo seu papel”, reforça.

Cerca de 94% dos alunos têm internet e boa parte dos que não têm podem ter acesso à TV. “Precisaremos identificar quem não tem acesso a nenhum dos dois para pensar em alternativas para eles”, reconhece David Nogueira, da SEE-DF. No entanto, ele pondera que não é efetivo não oferecer as teleaulas porque nem todos conseguirão assisti-las. “Primeiro, precisamos colocar para rodar. Não vamos atender todo mundo, é verdade. Mas porque não vou atender a todo mundo, então, não vou atender a ninguém? Essa é uma lógica perversa”, comenta. “Pior do que atingir 94% dos estudantes é atender zero.”

Incerteza sobre o ano letivo


Aldenice com os filhos Maikom e Gustavo: mãe incentiva os meninos (foto: Arquivo Pessoal )

A pandemia de coronavírus mudou bastante a rotina da família de Aldenice da Silva Nunes, 42 anos, que mora no Itapoã. Ela tem dois filhos alunos da rede pública de ensino: Gustavo Silva dos Santos, 6, aluno do Centro de Educação Infantil Tia Nair, no Paranoá; e Maikom Douglas Silva dos Santos, 18, que está no 3º ano no Centro de Ensino Médio (CEM) Paulo Freire. Aldenice é empregada doméstica e, por causa da Covid-19, está trabalhando apenas duas vezes por semana. A liberação foi importante para que ela possa ficar com Gustavo.

“Não tenho com quem deixá-lo”, explica. Na segunda e na quinta, quando vai para a casa da família onde trabalha, o primogênito cuida do caçula. Entreter uma criança pequena que sente falta das tias e dos amigos da escola nem sempre é fácil. “O Gustavo fica ansioso, agoniado. Tenho feito atividades manuais com ele, como mexer com glitter. Agora, a gente está montando um dinossauro de papelão”, diz Aldenice.

A mãe diz que tentará estimular o caçula a assistir às teleaulas, já que o programa educativo abrange da educação infantil ao ensino médio, mas não garante que ele conseguirá acompanhar. “Vou tentar, vou fazer o teste para ver se ele se interessa, mas acho difícil. Ele gosta mais de desenho, de coisas mais lúdicas, não sei se a linguagem vai atendê-lo”, pondera. Maikom pretende assistir às teleaulas, especialmente os aulões com foco no Enem. Apesar de acreditar que o programa educativo seja uma boa alternativa para os estudantes não ficarem totalmente parados, Aldenice se preocupa. “Mesmo assim, os alunos vão ficar prejudicados. A gente não sabe como será o ano letivo”, afirma.

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Covid-19: Ensino a distância é aprovado no DF para rede pública e privada

Em um primeiro momento, 80 mil estudantes do ensino médio terão acesso ao conteúdo


Em decorrência da pandemia do novo coronavírus, as escolas estão fechadas em todo o DF
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

A Secretaria de Educação do DF implementará o ensino a distância para as escolas públicas e privadas da região. A medida valerá da educação infantil até o ensino médio. O Conselho de Educação do DF (CEDF) aprovou, nesta terça-feira (24/3), o parecer sobre a modalidade pedagógica. As aulas presenciais estão suspensas desde 16 de março em razão do decreto governamental.
Segundo a pasta, as aulas on-line devem começar em 6 de abril, caso a suspensão não seja prorrogada. Em um primeiro momento, 80 mil estudantes do ensino médio terão acesso ao conteúdo que, posteriormente, será estendido aos anos finais e, por fim, aos anos iniciais do Ensino Fundamental. As datas do início das aulas de alunos do primeiro ao nono ano ainda serão divulgadas.

Plataforma

Alunos da rede pública poderão acessar às aulas por meio da plataforma on-line chamada Moodle. O acesso será por computador ou por aplicativo para celular. O estudante entrará, com login e senha, em uma versão virtual da escola, na qual será possível visualizar a turma e os componentes curriculares. As aulas serão desenvolvidas por meio de diversas atividades e recursos, como vídeos e interações.
Segundo a Secretaria de Educação, professores e estudantes poderão estar juntos durante os 50 minutos de aula ou, como alternativa, as atividades poderão ser baixadas e desenvolvidas no tempo e no espaço que melhor atender às condições de cada escola e estudante. Vídeos da internet também poderão ser disponibilizados, além de materiais produzidos pelos professores.

Formação

A pasta trabalha ainda em um curso voltado para professores regentes, coordenadores pedagógicos locais, coordenadores intermediários e professores conteudistas para instrumentalizar os profissionais em relação ao uso pedagógico da plataforma. Durante o curso, os profissionais também serão orientados sobre as ferramentas do Google, da Microsoft, de aplicativos e de programas para criação de jogos.
Ao todo, a Escola em Rede Virtual do Distrito Federal terá carga horária de 60 horas. A primeira etapa de treinamento será para os cerca de 4 mil professores do ensino médio. Segundo a pasta, cabe à Subsecretaria de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (Eape) a formação dos professores da rede pública. O planejamento detalhado dessas formações e as orientações aos docentes e gestores serão divulgadas em breve.
Os conteúdos disponibilizados aos alunos serão alinhados à Base Nacional Comum Curricular, naquilo que compete a cada um, incluindo aulas destinadas ao ensino especial.

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Conselho de Educação do DF aprova educação mediada por tecnologia

Na rede pública, a metodologia será aplicada primeiro aos 80 mil estudantes do Ensino Médio

Málcia Afonso e Rossana Gasparini, Ascom/SEEDF

Foto Vladimir Luz, Ascom/SEEDF

A Secretaria de Educação já tem sinal verde para implementar o ensino mediado por tecnologia na rede pública do DF, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio. O mesmo vale para as escolas particulares. O parecer que permite a realização de atividades não presenciais foi aprovado pelo Conselho de Educação do DF (CEDF) nesta terça-feira (24/3), por unanimidade entre os 15 conselheiros presentes à reunião.
As aulas pela metodologia de educação mediada devem ter início em 6 de abril, caso a suspensão, que começou em 16 de março, não seja prorrogada. Na primeira fase, a educação mediada será dirigida aos 80 mil estudantes do Ensino Médio. Posteriormente, será estendida aos anos finais e, por fim, aos anos iniciais do Ensino Fundamental – ambos em datas a ser divulgadas oportunamente.
O secretário de Educação, João Pedro Ferraz, afirma que “o momento exige soluções corajosas que permitam a retomada do ano letivo, como o desenvolvimento emergencial de um programa de educação mediada por tecnologia, para um número expressivo de estudantes”. O titular da pasta ressalta também a importância das famílias. “O papel das mães, pais e responsáveis pelos estudantes será essencial nesse período em que cada um deve fazer sua parte para que a vida possa voltar a fluir da melhor maneira possível.”
Para o presidente do CEDF, Marco Antônio Almeida Del’Isola, que atuou como relator do parecer, “é necessário pensar na ocupação do estudante, em um momento de isolamento social, e, neste aspecto, iniciativas como a apresentada merecem aplausos”. Para ele, não é o momento para se pensar em reposição de aulas, tendo em vista que ninguém sabe os desdobramentos da pandemia do Covid-19.
As escolas particulares que optaram por interromper o recesso e utilizar atividades não presenciais deverão enviar seus planejamentos à SEEDF para posterior submissão ao CEDF. O Conselho também deliberou que devem ser mantidos os 200 dias letivos (equivalentes a 800 horas de atividades escolares), pois é um tema que depende de legislação federal. Também ficou decidido que, caso necessário, o ano letivo nas redes pública e privada poderá avançar para o ano civil de 2021.

Mobile
Na rede pública, serão viabilizadas aulas on-line por meio da Plataforma Moodle, que poderá ser acessada pelo computador ou por aplicativo para celular. O estudante entrará, com login e senha, numa versão virtual de sua escola, onde irá visualizar sua turma e os componentes curriculares. As aulas serão desenvolvidas por meio de diversas atividades e recursos.
A depender da estrutura de conectividade, poderão ser desenvolvidas tarefas de modo on-line ou offline. Assim, professores e estudantes poderão estar juntos durante os 50 minutos de aula ou as atividades poderão ser baixadas (downloads) e desenvolvidas no tempo e no espaço que melhor atender as condições de cada escola e estudante, sendo possível disponibilizar outros vídeos da internet, além de materiais produzidos pelos professores.

Formação de professores

A Secretaria está empenhada no desenvolvimento do curso “Escola em Rede Virtual do Distrito Federal”, que terá como público-alvo professores regentes, coordenadores pedagógicos locais, coordenadores intermediários e professores conteudistas. Com carga horária de 60 horas, o curso tem o objetivo de instrumentalizar os professores para o uso pedagógico da Plataforma Moodle, além de orientar quanto ao uso de ferramentas e recursos do Google e da Microsoft, bem como de aplicativos e programas para criação de jogos.

A primeira etapa de treinamento será para os cerca de 4 mil professores do Ensino Médio, primeira etapa de ensino a ter disponível conteúdo e aulas virtuais para os estudantes.

Todas as áreas internas da SEEDF estão mobilizadas para produzir e ofertar conteúdo de alta qualidade, alinhados à Base Nacional Comum Curricular, naquilo que compete a cada uma, incluindo aulas destinadas ao ensino especial. Caberá à Subsecretaria de Formação Continuada dos Profissionais da Educação (Eape) a formação dos professores da rede pública, essenciais para que a proposta inovadora no DF alcance êxito. O planejamento detalhado destas formações, bem como as demais orientações aos docentes e gestores também serão divulgadas em breve, tendo em vista que o recesso escolar vai até 5 de abril.

A ideia é que cada escola possa usufruir da nova plataforma em sintonia com suas propostas pedagógicas, que levam em consideração a realidade de cada comunidade escolar.

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PARECER ↓

Fronteiras entre as disciplinas não existiam

Invenção. Para o físico e escritor alemão, ensinar ciência por meio de histórias incentiva que estudantes experimentem e façam descobertas por conta própria

Adistinção entre arte e ciência não faria sentido algum para o artista, engenheiro e cientista Leonardo da Vinci, afirma o físico alemão Sfefan Klein. Em seu livro “O legado de Leonardo: como Da Vinci reimaginou o mundo” (em inglês, “Leonardo’s legacy: how Da Vinci reimagined the world”, inédito no Brasil), o escritor de ciência evoca o renascentista como exemplo perfeito de interdisciplinaridade, tema que debaterá hoje no painel “Aprendendo com Leonardo”, às 10h, no Museu do Amanhã.

Klein vai abrir o Educação 360 STEAM —sigla que, em inglês, une as palavras Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática —, que terá debates sobre como integrar essas cinco áreas ao ensino. O evento é uma realização dos jornais O GLOBO e Extra, com patrocínio do Colégio pH e da Fundação Telefônica Vivo, e o apoio institucional da Revista Galileu, do site Techtudo, TV Globo, Canal Futura, Unicef e Unesco.

Formado em Biofísica, Klein abandonou a carreira de pesquisador para escrever sobre ciência e hoje tem obras traduzidas para 27 idiomas. Seu livro “A fórmula da felicidade” (2002) ficou mais de um ano na lista de best-sellers da Alemanha. Fascinado por Leonardo da Vinci, ele explica como o artista e cientista pode inspirar o debate sobre educação.

Leonardo da Vinci pode ser considerado o principal exemplo de educação STEAM, já que era um gênio universal?

Leonardo da Vinci é, sim, o perfeito exemplo da viabilidade da interdisciplinaridade e das descobertas por conta própria na educação. Sua carreira espetacular também mostra o quão importante é a relação professor-aluno. Leonardo foi ensinado por Andrea Del Verrocchio, que já era um artesão universal, artista e engenheiro. E Andrea deve ter sido um professor absolutamente incrível, porque muitas outras pessoas importantes iam aos seus workshops. Então você diz que o Leonardo era um gênio universal e sim, ele era, mas não nasceu um gênio, ele se tornou um. Além disso, naquele tempo fronteiras entre as disciplinas ainda nem existiam ainda. Leonardo não teria entendido a distinção entre arte e ciência. Elas eram os dois lados da mesma moeda e, para ele, dividiam a missão — como ainda dividem — de entender melhor o mundo.

Por que é essencial pensar a educação de forma interdisciplinar?

Uma abordagem interdisciplinar ajuda a melhorar a educação, porque encoraja estudantes e professores a fazerem conexões e encontrarem seus próprios percursos em meio a um vasto caminho de conhecimento. Além disso, alunos e professores diferem em seus gostos e habilidades, e com essa abordagem há muito mais oportunidades para que cada um descubra quais são seus interesses ou o que fazem melhor do que em um modelo de disciplinas isoladas.

Você acredita que a ciência deve ser ensinada em formato de histórias e não como fatos. Por quê?

Porque assim que o nosso cérebro opera. Nós, humanos, somos uma espécie contadora de histórias. É mais fácil ficarmos interessados por elas do que por fatos aleatórios.

E como isso se aplica ao ensino de crianças e adolescentes?

A maravilha da ciência é que as histórias que existem para serem contadas são sobre descobertas. Isso se aplica muito bem à educação básica, porque toda criança, por natureza, é curiosa. Então, se apresentada do jeito certo, a ciência toca no ponto da curiosidade natural. E melhor ainda é permitir que os próprios alunos façam as descobertas. Histórias podem ter um papel importante nesse processo, porque mostram inspirações ao contar como ótimos cientistas, como Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Galileu Galilei ou Jane Goodall fizeram suas descobertas. Isso aumenta o interesse e encoraja crianças a experimentarem por elas mesmas.

O que é imprescindível para uma boa educação?

O melhor modelo educacional é não tanto entregar conhecimento, mas acender uma chama de interesse e entusiasmo nos estudantes. Se os alunos estão fascinados por um assunto, eles vão aprender muito melhor do que quando estão apenas estudando para passar numa prova.

E qual o papel dos professores nesse processo?

Os melhores professores são os que conseguem acender essa chama. Por exemplo, em um estudo feito com professores de Física nos Estados Unidos, a principal forma encontrada para melhorar a qualidade da educação foi realçar o interesse dos professores por suas próprias disciplinas. Isso foi feito dando a eles a oportunidade de trabalhar por duas semanas no laboratório de um importante instituto de Física. Quando o período acabou, os professores tinham encontrado um novo entusiasmo que puderam passar adiante para os alunos. Por isso, para melhorar os resultados da educação, a relação entre o estudante e o professor é muito mais importante do que qualquer tecnologia sofisticada.

“Leonardo da Vinci não teria entendido a distinção entre arte e ciência. Elas eram os dois lados da mesma moeda”

“A relação entre o estudante e o professor é muito mais importante do que qualquer tecnologia sofisticada”

Fonte: www.oglobo.com

Estratégias de sucesso para uma educação de qualidade no futuro

No primeiro dia do evento internacional Educação 360, especialistas apontam caminhos para melhorar o nível de aprendizagem dos jovens

Experiência. Após comandar importantes mudanças no sistema educacional de seu país, o ex-ministro da Educação de Portugal, Nuno Crato, relata as medidas que levaram ao avanço nas avaliações internacionais
Investimento, trabalho e apoio. Durante o evento internacional Educação 360, especialistas partiram dessa combinação de fatores para traçar um caminho rumo à educação de qualidade. De Portugal, o ex-ministro da Educação do país, Nuno Crato, trouxe as estratégias usadas pelo país para dar um salto nos índices de aprendizagem: educar mais e avaliar melhor. Já o economista David Evans acredita que o investimento em formação de professores, qualificação de gestores e novas políticas a partir das avaliações pode reverter o quadro assustador revelado em um relatório do Banco Mundial em fevereiro deste ano — o de que o Brasil vai demorar 260 anos para atingir o nível de leitura de países desenvolvidos.

O Educação 360 é promovido pelos jornais O GLOBO e Extra com patrocínio de Sesi, Fundação Telefônica, Fundação Itaú Social, Instituto Unibanco e Colégio pH, apoio de Fundação Cesgranrio, e apoio institucional de TV Globo, Canal Futura, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Unesco, Unicef e Todos pela Educação.

A gestão de Crato à frente do Ministério da Educação de Portugal, entre 2011 e 2015, foi marcada pela valorização dos resultados das avaliações. Desde 2000, quando foi criado o Pisa, maior avaliação de educação no mundo, os portugueses não conseguiam ficar acima da média dos países participantes, que fazem parte da OCDE (Organização para a Cooperação e DesenvolvimentoEconômico).Masna última edição, em 2015, Portugal tirou nota 501 em Ciências (22º no ranking de 70 países); 498 em leitura (21º) e 492 em Matemática (29º). O país líder em todas as disciplinas é Cingapura, com 556, 535 e 564 pontos, respectivamente. O Brasil ficou com 401 pontos em Ciências (63º lugar), 407 em Leitura (59º) e 377 em Matemática (66º).

—Eufuiministroemumperíodo de subida da nota do Pisa, o que me orgulha muito. Mas não fiz isso sozinho. Foram os professores, alunos e diretores —analisa Crato.

Com um currículo mais exigente e intervenções sobre as primeiras dificuldades, o país melhorou o desempenho tanto dos alunos com alta performance quanto dos de baixo desempenho.

As taxas de evasão também caíram: de 43,6% em 2000, para 13,7% em 2015.

— Isso prova que aumentar a exigência faz bem para todo mundo —avalia Crato.

Dados do desempenho dos estudantes brasileiros de 15 anos no Pisa também foram levados em consideração pelo relatório do Banco Mundial que aponta o atraso no nível de leitura. Para o economista David Evans, são necessárias mudanças estruturais:

—Cingapura tem os melhores resultados em matemática. Lá, em seis anos, uma criança aprende o que teria aprendido em dez no Brasil. Estamos perdendo anos de aprendizagem por não termos o sistema que precisamos.

ATRASO EM ETAPAS CRUCIAIS

Membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), o educador Cesar Callegari destacou que o Brasil tem grandes problemas em etapas cruciais da escolarização.

— No Rio, 41% dos alunos que chegam ao final do terceiro ano do ensino fundamental não estão alfabetizados — exemplificou o educador, ressaltando a importância da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que vai nortear os currículos de todo o país. — A BNCC tem que ser implementada. Para isso, não pode ser considerada um currículo único, mas uma cesta de possibilidades para que professores e escolas criem seus próprios caminhos.

Em debate sobre ensino superior e técnico, educadores destacaram a importância de uma formação geral ampla para todos estudantes.

— Temos vagas na universidade para 17% dos jovens, mas qual a proposta do país para os 83% que não vão para lá?— questionou a educadora Ana Inoue, assessora do Banco Itaú BBA no desenvolvimento de projetos de educação.

Ao mesmo tempo que impulsiona a educação profissional, o poder público não deve deixar de lado o aumento do ingresso no ensino superior, diz o diretor nacional do Sesc, Carlos Artexes:

—A formação técnica é importanteparavidadaspessoas, mas a superior também.

Felipe Morgado, gerente Executivo da Unidade de Educação Profissional e Tecnológica do Departamento Nacional do Senai, argumentou que esta pode ser uma oportunidade para desenvolver uma cultura de empreendedorismo. Para Dante Moura, professor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, o governo ignora problemas estruturais.

— Já tivemos várias reformas que incidiram no currículo, mas não nas condições básicas. E não deram certo. Temos prédios inadequados, não há laboratórios, as bibliotecas são deficientes, não há espaço para atividade artística e esportiva, os professores não têm formação adequada —critica.

ABERTO A TODOS

Ainda há vagas para assistir às palestras e aos debates de hoje no Educação 360, que acontece no Museu do Amanhã e no Museu de Arte do Rio, no Centro. Os interessados podem se inscrever no próprio local (saiba mais na página ao lado).

“Eu fui ministro em um período de subida da nota do Pisa, o que me orgulha muito. Mas não fiz isso _ sozinho” Nuno Crato Ex-ministro da Educação de Portugal

“Cingapura tem os melhores resultados em matemática. Lá, em seis anos, uma criança aprende o que teria aprendido em dez aqui no _ Brasil” David Evans Economista do Banco Mundial

“No Rio, 41% dos alunos que chegam ao final do terceiro ano não estão _ alfabetizados” Cesar Callegari Educador e Membro do Conselho Nacional de Educação

“Temos vagas na universidade para 17% dos jovens, mas qual a proposta do país para os 83% que não _ vão para lá?” Ana Inoue Assessora do Banco Itaú BBA no desenvolvimento de projetos de educação

Inovação e diversidade a serviço da comunidade

Baseada em valores defendidos por Mahatma Gandhi, faculdade indiana tem solução simples para problemas das aldeias. Na Maré, pré-vestibular onde Marielle Franco estudou já levou mais de 1.600 jovens à universidade

Só para pobres. Principal programa da ‘Barefoot College’, fundada por Sanjit Roy, é voltado para mulheres, principalmente analfabetas e com netos
Logo no início da palestra, o ativista social indiano Sanjit “Bunker” Roy avisa que vai virar o mundo da plateia do Museu do Amanhã de cabeça para baixo. O educador e ativista social indiano é criador da Barefoot College (em tradução livre, “Faculdade de Pés Descalços”) e diz ser um erro classificar como analfabeto aquele que não tem educação formal.

— Em 1965 resolvi conhecer um local pobre da Índia e decidi viver lá como trabalhador sem qualificação. Foi quando eu decidi abrir uma faculdade só para pobres com os ensinamentos que eles achem importante —conta.

Baseada nos valores defendidos por Mahatma Gandhi (simplicidade, não violência, transparência, responsabilidade) e na ideia de que a educação que essas pessoas recebem deve servir à comunidade, a Barefoot College foi criada em 1972 e conecta as comunidades rurais da Índia a energia solar, água, educação, profissõesedefesadedireitos.

O principal programa da faculdade é voltado para mulheres, de preferência analfabetas e com netos, de aldeias isoladas e pobres. Quatrocentas delas, de 37 países já se tornaram engenheiras solares em apenas seis meses de curso. Juntas, as “Solar Mamas” já eletrificaram 200 aldeias ao redor do mundo. Uma brasileira da Chapada Diamantina, na Bahia, já participou do programa, e outras três, do Amazonas, estão na Índia aprendendo a eletrificar uma comunidade com energia solar.

Economista da Fundação Unibanco e especialista nos estudos sobre pobreza e desigualdade, Ricardo Henriques afirma que a Barefoot College é uma ponte entre a experiência e o conhecimento:

—A gente precisa parar de tentar buscar soluções extraordinárias e produzir soluções simples, que tenham poder de transformação.

Professor associado da UFF e fundador do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, Jailson de Souza e Silva, um dos fundadores do projeto do pré-vestibular comunitário da Maré onde estudou a vereadora Marielle Franco, assassinada em março, falou sobre a mudança em curso em sua comunidade, constantemente prejudicada pela violência:

— A Redes da Maré já botou mais de 1.600 jovens na universidade. É possível, mesmo atuando num quadro de tanta violência e desprezo pela vida da favela.

EXEMPLO DE MEDELLÍN

Há cerca de 20 anos, a cidade de Medellín, na Colômbia, acumulava péssimos indicadores, como uma taxa de 382 mortes violentas a cada 100 mil habitantes. A partir do envolvimento de gestores municipais com lideranças comunitárias e toda a sociedade, a realidade foi sendo transformada.

— O investimento em educação na rede municipal passou de 12% para 40%. O orçamento de cultura foi de 0,6% para 5% —revela Jorge Melguizo, jornalista e exgerente do Centro Medellín, que participou da transformação dos índices negativos da cidade.

A experiência de Medellín serviu para inspirar outras cidades, como Recife, que criou modelo de Centro Comunitário da Paz (Compaz).

— Há outra forma de violência, que é não ter uma área de convivência para o lazer, onde a sociedade quer fazer justiça com as próprias mãos, onde não há horizonte para as crianças — afirma Murilo Cavalcanti, secretário de Segurança Urbana do Recife e especialista em políticas públicas de prevenção à violência urbana.

Os avanços necessários para a política de cotas foi a tônica do encontro “Quebrando tabus e mitos: com a palavra, a política das cotas”, com Naercio Menezes, professor e coordenador do centro de políticas públicas do Insper; Gersem Baniwa, filósofo, antropólogo e excoordenador geral de educação indígena do Ministério da Educação; e a professora e pesquisadora da Uerj Patrícia Santos.

— O acesso do indígena e do negro à universidade é uma revolução desarmada. O estudante indígena une dois tipos de conhecimento em sua atuação — analisa Baniwa.

Preconceito, discriminação e racismo ainda são reproduzidos entre as carteiras da sala de aula. Na mesa “Diversidade se aprende (e pratica) na escola”, as alunas Allana Lanes, do colégio estadual Ubiratan Reis Barbosa, em Nilopólis, e Daniela Martins, do colégio pH, da Tijuca participaram da conversa com a professora transgênero da UFPR Megg Rayara e com Rodrigo Mendes, fundador de um instituto que leva seu nome, com mediação de Debora Garcia, do canal Futura.

“Há outra forma de violência que é não ter uma área para o lazer, onde a sociedade quer fazer justiça com as próprias mãos, onde não há horizonte para crianças”. _ Murilo Cavalcanti, secretário de Segurança Urbana do Recife

“O acesso do indígena e do negro à universidade é uma revolução desarmada. O estudante indígena une dois tipos de conhecimento em sua atuação”.

_ Gersem Baniwa, ex-coordenador geral de educação indígena do MEC

Juíza que trabalhou como faxineira para pagar curso de direito lança livro

“Fui até motivo de piada. Sem ninguém na área jurídica na família, pobre, negra… Ninguém acreditava em mim, mas eu acreditava”
image002 (14)postado em 30/04/2017 09:09
Diário de Pernambuco
Adriana Maria Queiroz/Arquivo Pessoal

Adriana Maria Queiróz estudou em escola pública e trabalhou como faxineira para poder pagar a faculdade e, hoje, é juíza de direito. Titular da 1ª Vara Cível e da Vara da Infância e do Adolescente, de Quirinópolis, em Goiânia, Adriana vai lança um livro, no dia 29 de abril de 2017, intitulado “Dez passos para alcançar seus sonhos – A história real da ex-faxineira que se tornou juíza de direito”.

“O objetivo do livro é motivar as pessoas que, como eu, já estiveram muito distantes dos seus sonhos. É mostrar que é possível superar condições adversas, ir contra paradigmas preestabelecidos. Vale a pena lutar pelo que você acredita e você deve acreditar nos seus sonhos, independentemente do tempo que leve para realizá-los”, disse a juíza ao portal do UOL.

Ela nasceu no interior de São Paulo, em Tupã, onde seus pais, trabalhadores rurais do Sertão da Bahia, foram para buscar mais oportunidades de vida. “Era uma família humilde. Sempre estudei em escolas públicas e depois, quando passei na faculdade de Direito da cidade, tive que usar todas as minhas forças possíveis, pois meus pais não tinham condições de pagar”.

Para custear o sonho, Adriana conseguiu um trabalho como faxineira na Santa Casa da cidade onde morava, trabalhando na limpeza hospitalar enquanto estudava durante a noite. Porém, isso não era suficiente, então ela foi atrás do diretor da faculdade. A direção se sensibilizou com a história de Adriana e, então, deram 50% da bolsa de estudos para que ela concluísse o curso, que ela já havia escolhido desde o Ensino Médio.

O sonho de ser juíza veio quando ela estava na faculdade, mas outra dificuldade se apresentou: ela teve que lutar contra o preconceito e a descrença. “Minha decisão de estudar Direito teve a ver com injustiça social, com os motivos de exclusão que eu via. Busquei conhecimento e uma forma de mudar esse contexto. Dentro da faculdade, conhecendo as áreas, quis me preparar para ser juíza. Algumas pessoas da minha família e conhecidos ficaram surpresos. Fui até motivo de piada. Sem ninguém na área jurídica na família, pobre, negra… Ninguém acreditava, mas eu acreditava. Nunca isso foi requisito para ser juíza”.

Ao concluir a faculdade, Adriana pediu demissão, juntou o dinheiro da rescisão e foi para a capital de São Paulo fazer cursos preparatórios para o concurso de Magistratura. Com o dinheiro que tinha, conseguiria ficar por dois meses em um pensionato de estudantes. Como não conseguiu emprego logo, Adriana passou a achar que não conseguiria realizar seu sonho, mas então Damásio de Jesus, diretor de um curso de direito, se sensibilizou com a história e lhe ofereceu 100% de bolsa de estudos e um emprego na biblioteca na escola. Foi ele, inclusive, quem escreveu o prefácio do livro de Adriana.

“Foram sete anos trabalhando e estudando em São Paulo. Sábados, domingos, feriados… Foram muitas reprovações até que em 2010 eu fui aprovada. Em janeiro de 2011, tomei posse como juíza em Goiânia. Eu realmente estava obstinada a alcançar meu sonho. Passei por momentos de desânimo, as dificuldades pesaram muito, a distância que eu estava e onde queria chegar era muito longa… Mas desistir nunca passou pela minha cabeça”.

Com paralisia cerebral, gêmeos competem nas Paraolimpíadas Escolares

Com paralisiaa cerebral, gêmeos competem nas Paralimpíadas Escolares
Irmãos de Santa Catarina representam o estado nos jogos disputados no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, em São Paulo

postado em 25/11/2016 15:41 / atualizado em 25/11/2016 15:53
Victor Gammaro* /Correio Braziliense
São Paulo — Os gêmeos Lucas Felipe da Cruz e Bruno Rafael da Cruz foram uma das grandes atrações das Paralimpíadas Escolares. Com paralisia cerebral, os irmãos competem na bocha e, para a infelicidade da mãe, a tabela do torneio colocou os meninos frente a frente.
Lucas e Bruno disputam a classe BC3, que engloba os paratletas com deficiências muito severas e que usam um instrumento auxiliar, podendo ser ajudados por outra pessoa. No caso de Bruno, a mãe Rosana faz o papel de calheira — nome dado ao auxiliar do competidor. Já Lucas conta com o auxílio do amigo e calheiro Gabriel Osório, de 14 anos.

image001-19Rosana, a mãe, e Rafael Osório, o amigo, ajudam os irmãos gêmeos na hora da competição

No confronto das Paralimpíadas, melhor para Lucas, que tem um retrospecto de três vitórias e uma derrota contra o irmão. Rosana conta que é impossível escolher um lado para torcer. “Na primeira parcial, o Bruno estava ganhando e fiquei chateada por ver o Lucas triste. Depois, a situação se inverteu e foi o Bruno que ficou cabisbaixo. É difícil pra mim. Eu chorei um pouquinho, dói”, confessa a dona de casa de 45 anos.
Rosana afirmou que só é confortada por saber que a delegação de Santa Catarina sairá vencedora sempre quando o duelo for entre família.

Já Gabriel Osório não hesita em escolher um dos lados, mas confessa não ficar muito confortável com a derrota de um dos amigos. “Quando estou jogando, quero ganhar, apesar de ficar triste pelo Bruno”, disse o calheiro.
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Márcio Rodrigues/MPIX/CPBLucas e Bruno em ação: um perde, mas pelo menos a medalha vai para Santa Catarina

Bruno Rafael, o derrotado do confronto, afirma que não fica “nem um pouco triste” pelo revés para o irmão gêmeo. “Ele geralmente ganha de mim, não fico chateado. Foi bem legal, apesar de ter perdido”, comentou o paratleta de 12 anos, morador de Porto União, cidade à 444km de Florianópolis.

Bocha
O esporte é praticado por pessoas com elevado grau de paralisia cerebral ou deficiências severas. O Brasil tem tradição na bocha paralímpica. Nos Jogos do Rio de Janeiro, por exemplo, o país conquistou uma medalha de ouro com Antonio Leme e Evelyn Vieira, nas duplas mistas categoria BC3 — a mesma dos gêmeos.
O maior nome da modalidade no Brasil é Dirceu Pinto. O paulista tem quatro medalhas de ouro em Paralimpíadas: duas em Pequim e duas em Londres. No Rio de Janeiro, Dirceu não passou em branco e conquistou uma medalha de prata. Todas as medalhas foram na categoria BC4, disputada por atletas com deficiências severas, mas que não recebem assistência.

* Estagiário sob a supervisão de Leonardo Meireles. Victor Gammaro viajou a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro

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