Primeira escola do DF, Caseb vai ganhar festa

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O10/05/2015 chão de terra batida nos canteiros do Centro de Ensino Fundamental Caseb, na 909 Sul, vai sendo revirado pelas mãos dos estudantes da primeira turma de paisagismo do Unieuro. Ainda que quase insípidas, pequenas mudas são plantadas na esperança de que, até o dia 16 deste mês, elas possam estar verdes o suficiente para o aniversário de 55 anos da instituição. Fundada em maio de 1960, é a escola mais antiga de Brasília.

Leandro de Sá, discente no curso oferecido através do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), explica que a atividade não é acadêmica: foi dele a ideia de usar o que eles aprenderam na faculdade para ajudar o Caseb. “Tenho uma amiga que trabalha aqui e me falou da situação precária das áreas verdes. Sugeri que nos uníssemos para dar um presente à escola e todos os colegas toparam”, afirma. O carinho veio em boa hora. Apesar de seu legado, o Caseb tem procurado parcerias que ajudem a instituição a se modernizar.

De acordo com a diretora, Angelita Amarante, a instituição tem, atualmente, 840 alunos, mas falta espaço físico e verba para atender a todos. “A escola precisa de uma reforma emergencial e estrutural. O telhado necessita ser mudado, há várias salas interditadas por conta de rachaduras graves, as quadras poliesportivas precisam de novo piso, alambrado e cobertura”, relata. Isso, claro, não vai impedir que a celebração aconteça.

No próximo sábado, dia 16, a escola vai oferecer uma festa para a comunidade, com uma praça de food trucks, além de feijoada e samba. “Teremos também várias atrações musicais, bem como apresentações de alunos”, conta Angelita. Outra parte da programação da semana que antecede o aniversário é o lançamento do projeto de escola integral do Caseb. A diretora explica que, em 2015, 400 estudantes serão beneficiados com mais duas horas aulas.

Os laboratórios, fechados há três anos, também estão sendo reformados.

“A família Caseb está com a proposta de mudar sua identidade. Com essas comemorações, pretendemos trazer a cidade para dentro da escola e reviver com a sociedade as experiências que a tornaram tão importante. Com isso, esperamos mais parcerias”, completa Angelita.

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Brasília no coração do Caseb

Na comemoração dos 55 anos, o colégio mais antigo da cidade, inaugurado um mês depois da nova capital, propõe uma inversão de papéis e convida os brasilienses a invadirem a escola. Mas nem tudo é festa. Instituição precisa de reforma urgente

postado em 24/04/2015 11:32 / atualizado em 24/04/2015 11:37
Mariana Niederauer

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.JPGKleber Farias Pinto foi um dos 60 primeiros professores da instituição: pioneirismo e inovação
No próximo mês, outro aniversariante ilustre comemora 55 anos: o Centro de Ensino Fundamental Caseb. Primeiro colégio de Brasília, ele nasceu com a capital e, no dia da celebração, abrirá as portas a ex-alunos, professores, diretores e a toda a comunidade. Agora, em vez de as ruas da cidade serem ocupadas, como tem ocorrido em manifestações e em eventos culturais, será Brasília quem invadirá o Caseb.

“A ideia é comemorar o aniversário da escola e fazer com que as pessoas que já estudaram no Caseb se reencontrem e resgatem histórias e amizades”, explica a diretora do colégio, Angelita Amarante Garcia. Por meio da campanha Caseb no coração de Brasília, Caseb no coração da gente, ela e a vice-diretora, Marinalva Costa Aguiar, trabalham com o apoio da comunidade escolar para revitalizar e resgatar a memória da instituição. Hoje, a instituição tem 37 turmas e cerca de mil alunos matriculados.

Sueli Costa Durães, 52 anos, foi estudante do colégio entre 1978 e 1979. Mais tarde, tornou-se professora e passou a dar aulas de ciências na instituição. Hoje, é coordenadora pedagógica. “Na minha adolescência, o Caseb era muito famoso e eu fiz de tudo para vir estudar aqui”, conta. Da época de estudante, ela lembra ainda o aconchego que sentia sempre que entrava na escola. “Um lugar onde fomos amados e queridos, a gente nunca esquece”, afirma. “Quem estudou no Caseb sempre tem um amor por ele, tem uma história para contar vivida aqui dentro, seja de felicidade, seja de tristeza. O Caseb não passou na vida dos alunos, ele ficou.”

O mesmo sentimento é compartilhado pelos alunos atuais do colégio. “O Caseb foi a escola em que eu mais gostei de estudar. A gente gosta de levantar cedo e vir para cá”, relata Giulia Perez Petit, 13 anos, aluna do 8º ano do ensino fundamental que estuda na instituição há três anos. O colega dela Ygor Borges de Souza, 13, concorda, e lista os motivos de se identificar tanto com o ambiente escolar: “Gosto de estudar aqui pelos professores e pelos membros da direção, que são pessoas muito amigáveis. Para os alunos, isso ajuda a interagir mais e se sentir à vontade na escola”. No ano passado, os dois criaram uma página no Facebook para o colégio, que já conta com mais de mil curtidas, e começaram a fazer um jornal interno, espaços onde divulgam eventos e informações importantes aos demais estudantes.

Pioneiro

Entre os 60 primeiros professores selecionados para dar aulas no Caseb, em 1960, por meio de concurso público, estava o engenheiro Kleber Farias Pinto, hoje com 82 anos. Mineiro, natural de Ouro Preto, ele veio para Brasília dois anos antes, com o grupo de 31 profissionais da área selecionados por Israel Pinheiro para ajudar na construção da capital. Kleber era um dos responsáveis por implantar a rede subterrânea de eletricidade de Brasília e, quando soube da oportunidade de dar aulas na comissão que deu origem ao atual Centro de Ensino Fundamental Caseb, fez a prova e foi selecionado (leia Memória). “Eu fazia as duas coisas: dava aulas de matemática e enterrava os fios na cidade inteira para que ninguém os visse”, relembra.

Para ele, o Caseb é sinônimo de pioneirismo e de inovação. Kleber conta que a criação do colégio teve relação com a concepção do então presidente, Juscelino Kubitschek, de que tudo o que fosse construído na capital recém-inaugurada tinha de ser também novo e criativo. A realização desse objetivo e a construção de um colégio adaptado à renovação do ensino que ocorria na época foram possíveis com o apoio do educador Anísio Teixeira e do diretor executivo do colégio na ocasião, Armando Hildebrand.

“Imagina a importância e o desafio de um professor do interior de Minas Gerais ter à sua disposição a capital da República para criar um novo modo de ensino da matemática”, relata Kleber. Ele e os outros dois docentes da disciplina chegaram a escrever um livro sobre a matemática moderna: Grande Biblioteca Básica Colegial — Matemática (Editora Peon). Outro fruto dessa nova forma de ensino, segundo o professor, foi a criação da Universidade de Brasília (UnB). “O primeiro resultado que se teve foi preparar as bases da Universidade de Brasília, que era, na época, uma das mais avançadas do país”, conclui.

Na comemoração dos 55 anos do Caseb, um dos objetivos é trazer a comunidade e ex-alunos, professores e diretores para perto do colégio e convocar todos a se unirem pela revitalização da instituição. A estrutura da escola ainda é a original, da década de 1960. O telhado está em péssimas condições e as salas, cheias de goteiras. A Ala 5, que tem seis salas, está interditada, assim como três laboratórios — de ciências, de química e de física —, que a direção está tentando, por meio de parcerias, reformar.

Por meio do Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (Pdaf), foi possível comprar material para pequenas manutenções, como a pintura das paredes, no início deste ano. De acordo com a diretora, Angelita Amarante, o colégio ainda aguarda a aprovação, pelo governo, de um projeto de reforma e a abertura de licitação. A equipe de engenharia da Casa Civil da gestão passada estimou o valor da obra em, aproximadamente, R$ 20 milhões. Segundo a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Educação do DF (SEDF), um plano de obras da rede pública de ensino para o período de 2015 a 2018 está em fase de elaboração, e o Caseb está na lista de escolas contempladas.
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Antonio CunhaSueli Durães é ex-aluna e coordenadora pedagógica
Antonio CunhaAs diretoras Angelita e Marinalva organizam a festa

Memória

Projeto ousado

A Comissão de Administração do Sistema Educacional do Brasil (Caseb) foi instituída por decreto de 1959, assinado pelo então presidente, Juscelino Kubitschek, e pelo ministro da Educação, Clóvis Salgado, com o objetivo de construir a rede física e manter o sistema de ensino da nova capital. A inauguração ocorreu em 16 de maio e as aulas tiveram início dias depois, em 19 de maio. Os primeiros professores foram selecionados em concurso público aplicado em todo o país. Os alunos eram filhos de parlamentares e de candangos.

Site: www.correiobraziliense.com.br

LITERATURA DE CORDEL

CONVITE!
TERÇA LITERÁRIA DA BIBLIOTECA DEMONSTRATIVA TEM A “LITERATURA DE CORDEL” COMO TEMA.
A LITERATURA DE CORDEL é o tema do Projeto TERÇA LITERÁRIA, promovido pela BIBLIOTECA DEMONSTRATIVA DE BRASÍLIA (Av. W3 Sul EQ 506/507. O encontro será realizado no dia 10 de maio (terça-feira), às 12h30, e contará com as presenças do escritor Gustavo Dourado e do estudante Gustavo Fontele Dourado que conduzirão um bate-papo sobre “O CORDEL E O CINEMA”.

O Projeto Terça Literária consiste na apresentação informal de autores
e temas na intenção de cativar a atenção dos usuários, transformando o
intervalo do almoço em um momento agradável de entretenimento
informativo.
Leia mais em cultura

SP: trote cadastra alunos como doadores de medula

07 de fevereiro de 2011

Comentários

O trote dos calouros da Faculdade de Informática e Administração Paulista (Fiap), que começa nesta segunda-feira, vai promover o cadastramento voluntário de doadores de medula óssea, realizado em parceria com a Associação da Medula Óssea (Ameo). Marcada para acontecer no dia 16 de janeiro, na sede da faculdade em São Paulo, a campanha prevê a coleta de 5 ml de sangue de cada aluno para o teste de compatibilidade e cadastramento no registro nacional de doadores de medula (Redome).

Segundo a Fiap, o trote também tem como atividade uma competição entre turmas para arrecadar mantimentos e produtos de higiene que serão doados a 19 instituições de São Paulo. Os itens recebem uma pontuação e a equipe que marcar mais pontos terá como prêmio uma visita monitorada à sede do Google Brasil. O trote solidário acontece de 7 de fevereiro a 14 de março.

Programa sobre o Código Penal

MEU MOMENTO COM VOCÊ DENUNCIA A INÉRCIA DO SENADO

PROJETO DE INICIATIVA POPULAR DO MOVIMENTO GABRIELA SOU DA PAZ

PARADO NO SENADO DESDE 2006

O apresentador e amigo, Barjon de Mello, inconformado ao assistir o vídeo da entrega das 1.300.000 assinaturas e tomar ciência de que o Projeto de Iniciativa Popular do Movimento Gabriela Sou da Paz está parado no Senado desde 2006, abordará em seu programa de amanhã (11/01 às 20:00h) esse tema.

Assista e participe!

Entre em contato através do fone: 11 3501-4378 e dê a sua opinião!
Ou entre no site e mande uma mensagem on line para o Barjon

O programa pode ser assistido de qualquer lugar do Brasil através do link: www.tvorkut.com.br


NÃO…A LUTA NÃO PODE TER SIDO EM VÃO!

Vídeo da entrega das assinaturas, na época, ao Senador Renan Calheiros e ao Presidente da Câmara Aldo Rebelo em 2006:

http://www.youtube.com/watch?v=xohr_n6Ko7Q

Não podemos esquecer que o abaixo-assinado entregue em 2006 no Senado, com a ajuda de várias famílias, vítimas da violência, e ativistas solidários a causa, em todo Brasil, foi uma luta de 3 anos de Cleyde e Santiago, pais da adolescente Gabriela Prado Maia Ribeiro, vítima de bala perdida, numa troca de tiros no metrô do Rio de Janeiro em 2003

VOCÊ que fez parte dessa luta, vai deixar que a luta tenha sido em vão?!
Exigimos que o Congresso Vote os 5 itens restantes do projeto de iniciativa popular entregue no Senado em 2006…afinal é o desejo de 1.300.000 brasileiros que ali nos representaram.

O projeto está parado no Senado desde 2006 e apenas 1 dos 6 itens entrou em pauta e foi aprovado em 2008; o fim do protesto por novo júri e graças a essa lei, hoje podemos ver a justiça ser feita e nada de 2º júri para assassinos.

Nossa guerreira, Cleyde Prado Maia Ribeiro, exemplo de garra, luta e coragem, fez sua partida em setembro de 2008, vítima de um AVC, mas a Luta do Movimento Gabriela Sou da Paz continua, através do Santiago, pai da Gabriela!

Saiba mais sobre o Projeto de Lei do Movimento Gabriela Sou da Paz: http://www.gabrielasoudapaz.org/projeto-de-lei

Comunidade no Orkut: Gabriela Sou da Paz

Sandra Domingues
Ativista e voluntaria do Movimento Gabriela Sou da Paz.

AUDIOTECA SAL E LUZ

São áudios de 2.700 livros que podem ser enviados a deficientes visuais.

Divulgue, por favor!
Eles não precisam de dinheiro, mas de DIVULGAÇÃO!!!

Procure o site
http://www.audioteca.org.br/catalogo.htm
e veja os nomes dos livros falados disponiveis.

Caros amigos,
Venho por meio deste e-mail divulgar o trabalho maravilhoso que
é realizado na Audioteca Sal e Luz e corre o risco de acabar.
A Audioteca Sal e Luz é uma instituição filantrópica, sem fins lucrativos,
que produz e empresta livros falados (audiolivros).

Mas o que seria isto?
São livros que alcançam cegos e deficientes visuais, (inclusive os
com dificuldade de visão pela idade avançada) de forma totalmente
gratuita.

Seu acervo conta com mais de 2.700 títulos que vão desde
literatura em geral, passando por textos religiosos até textos e provas
corrigidas voltadas para concursos públicos em geral. São emprestados
sob a forma de fita K7, CD ou MP3.

E agora, você está se perguntando: O que eu tenho a ver com isso?
É simples. Nos ajude divulgando. Se você conhece algum cego ou
deficiente visual, fale do nosso trabalho. DIVULGUE!

Para ter acesso ao nosso acervo, basta se associar na nossa sede,
que fica situada à Rua Primeiro de Março, 125- Centro. RJ.
Não precisa ser morador do Rio de Janeiro.

A outra opção, foi uma alternativa que se criou face a dificuldade
de locomoção dos deficientes na nossa cidade. Eles podem
solicitar o livro pelo telefone, escolhendo o título pelo site, e
enviaremos gratuitamente pelos Correios.

A nossa maior preocupação reside no fato que, apesar do governo
estar ajudando imensamente, é preciso apresentar resultados. Precisamos
atingir um número significativo de associados, que realmente contemplem
o trabalho, se não ele irá se extinguir e os deficientes não poderão
desfrutar da magia da leitura. Só quem tem o prazer na leitura, sabe
dizer que é impossível imaginar o mundo sem os livros…

Ajudem-nos, Divulguem!
Atenciosamente,

Christiane Blume – Audioteca Sal e Luz
Rua Primeiro de Março, 125- 7. Andar
Centro- RJ. CEP 20010-000
Fone: (21) 2233-8007 (21) 2233-8007 (21) 2233-8007 (21) 2233-8007

Horário de atendimento: 08 às 16 horas
http://audioteca.org.br/noticias.htm

INSISTINDO: eles não precisam de dinheiro, mas de DIVULGAÇÃO!!!

Convite Geraldo Carneiro – Feira do Livro de Brasília

Café Literário da 29ª Feira do Livro de Brasília

Encaminho o convite para o lançamento do novo livro de Geraldo Carneiro, o Poemas Reunidos, com sessão de autógrafos. Será no próximo sábado, 16/10, às 17 horas, no Café Literário da 29ª Feira do Livro de Brasília, no ExpoBrasília – Parque da Cidade.

Geraldinho Carneiro é um dos grandes nomes da literatura brasileira e o seu livro reúne a produção de 36 anos de poesias e poemas. É uma edição da Fundação Biblioteca Nacional em co-edição com a Nova Fronteira. Lindo demais!

Se quiser, pode convidar poetas, artistas e interessados na literatura para essa conversa boa com Geraldo Carneiro,

Esperamos você por lá,

abraço,

Convite Geraldo Carneiro na Feira do Livro de Brasilia

Um homem que nasceu inteligente

Quase meio século depois, o goiano que nunca leu ou escreveu — e ainda assim pelejou para que uma escola chegasse àquele lugar tão improvável — viu seu nome virar símbolo da primeira biblioteca do Capão Seco, zona rural a 70km do Plano Piloto

  • Marcelo Abreu
  • Fotos: Cadu Gomes/CB/D.A Pres

Durante a inauguração da biblioteca que ganhou seu nome, Santil, de 87 anos, comemora o feito de ter levado as letras a toda a comunidade: libertação

Ele estava por demais ansioso. O sono foi interrompido na madrugada. E olha que nunca teve insônia. Tomou calmante, coisa que nunca fez a vida inteirinha. Era preciso acalmar a emoção. Segurar o coração, mesmo sendo uma rocha. E chegou a hora. Lá estava ele, de paletó preto, sapatos também da mesma cor, recém-engraxados, e chapéu panamá. Parecia um lorde. Na verdade, ele é um lorde. No meio daquela gente importante e letrada, ele seria o mais importante. As homenagens eram pra ele, o homem que lutou, há quase meio século, contra a ditadura e levou o saber àquele fim de mundo.

Na manhã de ontem, o homem que nunca leu, nunca escreveu uma frase — nem o próprio nome — virou nome de biblioteca, a única daquele lugar tão improvável. Em pé, diante dos nove filhos, dos netos, dos professores, “de uma gente estudada e sabida”, ele disse, como agradecimento: “Eu não sei ler, mas o coração sabe sentir. Deus vai proteger todos vocês. Que ninguém mais passe pela vida sem conhecer as letras”. Arrancou aplausos e lágrimas da plateia.

Que história é essa, afinal? Que homem é esse? Onde fica esse lugar improvável? Estamos no Capão Seco, a 70km de Brasília, zona rural do Paranoá. Lá, a vida é tão calma que parece ter parado. Ainda se ouvem os pássaros cantarem. Há apenas uma escola, um posto de saúde e um centro comunitário. A violência ali ainda não se hospedou. Os moradores se conhecem e não há grades nas portas das casas.

Com os netos: lição maior de sabedoria é legado precioso do avô

Foi próximo àquela região, em Saco Grande, povoado da então minúscula Formosa (GO), que no começo do século 20 nasceu um menino comprido de nome Santil Alves Ribeiro. Filho de agricultores pobres, seus pais mudavam sempre de lugar. Santil já nasceu pelejando. A fome os enxotava de tempos em tempos.

Aos 15 anos, o pai de Santil morreu. Filho mais velho, ele precisou assumir a mãe viúva e os irmãos. Esqueceu-se dele. Em vez de estudar, foi plantar, colher e criar porcos. Os irmãos ainda foram à escola. Aprenderam um bocadinho das letras. Casaram-se. Santil ficou moço velho. Ao completar 30 anos, a mãe lhe disse: “Você precisa se casar. Tem que ter uma família. Vou morrer e não quero deixar você sozinho”.

Obediente, Santil se casou aos 31 anos com sua Carmelita Guimarães, a Lita. “Era dia 6 de agosto de 1957. Já era moço velho”, conta. Ainda em Saco Grande, nasceu parte dos nove filhos. A família se mudou, em busca de terras melhores. Começavam os anos 1960. Santil, finalmente, chegou à região do Capão Seco.

A família se completou: Maria, Antônio, Santino, Pedro, Flávia, Dulita, Marcos, José e Ivonice. Nove filhos. Nove vidas pra cuidar. E foi ali que o homem que nunca escreveu o nome começou a rabiscar a sua melhor e mais emocionante história. Onde seus filhos e as outras crianças da região iriam estudar?

Até a Banda dos Fuzileiros Navais marcou presença no dia especial

“Fé em mim”

Ditadura militar. Brasília estava sitiada pelas tropas. O Exército tomou conta da região do Capão Seco. Fez dali sua base estratégica. O comandante chamou Santil à sua casa, a única de alvenaria que havia. Queria saber quem era aquela gente que ali morava. Montado no seu burro, o destemido homem da roça foi ao encontro do homem de verde.

Santil lhe fez um pedido. Queria que chegasse uma escola à região. O comandante ficou de pensar. Mas não teve tempo. Adoeceu e teve que deixar o posto. No lugar dele, veio um sargento. “Moço, ele era brabo, mas eu tive coragem e pedi a escola de novo”, lembra. “Eu disse que gostava de homem que falava na hora, gente que fala atrás da moita não serve. O homem tomou fé em mim.”

Quinze dias depois, a escola chegou àquele lugar improvável. Onde? À casa do sargento. A professora? A mulher do militar, moça fina criada no Rio de Janeiro. Vieram as crianças do Capão Seco. O quartinho ficou pequeno. O que fazer? Procurar outro lugar. Acharam, a 3km dali, num barraco de tábua. A moça fina do Rio de Janeiro? “A mulher pelejou demais, mas deu conta de montar num burrinho, pra chegar até a escola”, conta Santil. Às vezes, era um dos filhos dele, Antônio, então com 7 anos, que buscava a professora. Um a um dos nove filhos dele estudou na escola que nasceu de um sonho.

Com os nove filhos: todos estudaram na velha escolinha feita de tábua

O sargento e a professora, tempos depois, foram embora. Em 1969, a então Fundação Educacional do DF assumiu aquele lugar onde crianças aprendiam a ler e a escrever. E sonhavam que estavam longe dali. Virou, há 41 anos, Escola Classe Capão Seco. Hoje, naquele lugar não mais de tábua, estudam os filhos dos filhos do bravo Santil.

Comoção

No fim da manhã de ontem, o povoado parou. Havia uma inauguração no cento comunitário da região. Os alunos da escola, pais, professores e diretores de outras unidades rurais e até a Banda dos Fuzileiros Navais, que tocou o Hino Nacional, foram convidados. Ali, naquele lugar, nasceu a primeira biblioteca da região.

Por meio do Projeto Bibliotecas Casa do Saber, da Rede Gasol, que inaugurou ontem no DF a 87ª biblioteca, a coordenadora Carmen Gramacho, 65 anos, abriu a cerimônia. Emocionada, ela teve que conter as lágrimas. “Aqui será um espaço vivo da leitura, que é um caminho sem volta.” Sentado em meio às autoridades, Santil ouvia os discursos.

Na reportagem publicada no Correio em 2 de maio, Santil conta sua história: daí nasceu a ideia de homenageá-lo com a biblioteca

Presidente da Associação dos Bibliotecários do DF, Isa Antunes, 70 anos, que também é a responsável técnica pelas obras do projeto Casa Saber, lembrou: “Dados recentes do IBGE apontam 14 milhões de pessoas que não sabem ler e escrever no Brasil. Vamos diminuir esses números”.

Visivelmente emocionada, Consuelo Ferreira, 40 anos, diretora da Escola Classe Capão Seco, leu a história do guerreiro Santil, publicada no Correio, em 2 de maio deste ano. “Eu não queria que meus filhos usassem o dedão como eu”, ele dizia. Antônio Matias, 68, da Rede Gasol, lembrou que o projeto, que já inaugurou bibliotecas nos quatro contos do DF — de escolas a presídios, e até fora daqui —, só é possível graças à doação de livros da população de Brasília, nos postos da rede.

Santil ouviu tudo. Estavam ali os nove filhos, alguns moram bem longe, mas não deixaram de ir. Os netos. Os alunos da escola. As mães e os pais daquelas crianças. “Precisava acontecer alguma coisa boa nesse lugar”, diz Francisca Nazarinho, 47 anos, mãe de um aluno. “A comida nem foi pras panelas, mas eu não podia deixar de vir aqui. Essa biblioteca vai trazer sonhos pras nossas crianças”, emenda Neuraneide Novais, 37, mãe de duas alunas da Escola Classe. “Agora a gente pode pesquisar e fazer os trabalhos”, comemora Sandy Alves, 10.

Os filhos de Santil seguraram o choro. Santilo Ribeiro, 49 anos, comentou: “É uma homenagem em vida ao meu pai”. Antônio Ribeiro, 52, o então menino que trazia a professora carioca no burro, engasgou a voz: “É só emoção…”.

Passava do meio-dia e meia. A placa da biblioteca foi descerrada. E lá estava, em letras garrafais, o nome do homem que nunca pôde se sentar num banco de escola. Elegante, como só os verdadeiros lordes sabem sê-lo. A ele, todas as homenagens. Todas as condecorações. Do jeitinho simples, com suas palavras, ele disse a um comandante que o estudo salvaria a vida daquela gente. O homem de pompa e farda ouviu o homem humilde da roça. Começava, naquele dia, a ser escrita toda essa história.

A inteligência de Santil nunca se sentou num banco de escola. Nem foi preciso. E ainda assim ele virou um sábio.