Cinco anos depois, estuprador conta detalhes de como matou jovem no DF

Segundo a polícia, Walker Fernandes Faraes matou Yusllayne Teixeira Reis em 2012, na Estrutural, e jogou o corpo dela em um lote vazio

Mirelle Pinheiro MIRELLE PINHEIRO
14/03/2017 11:40 , ATUALIZADO EM 14/03/2017 11:47

ESTRUPADORA frieza de Walker Fernandes Faraes (foto de destaque), 24 anos, impressiona. Acusado de estuprar e matar Yusllayne Teixeira Reis, 18 anos, em 2012, na Estrutural, ele foi apresentado nesta terça-feira (14/3) pela Polícia Civil do DF. Finalmente, o que ocorreu naquele dia 18 de março foi esclarecido. Ele contou que deu 24 facadas na jovem e depois jogou o corpo dela em um terreno baldio.

As facadas atingiram os seios, o pescoço, mãos e as costas da mulher. Os investigadores chegaram ao autor da barbárie graças ao banco de DNA. É possível que ele tenha feito outras vítimas no DF.

Segundo a polícia, Walker confessou o crime com tranquilidade. Disse que estava descascando laranja na porta da casa de um tio quando viu a menina passar na rua. Ele afirmou que não a conhecia. Usou uma faca para abordá-la. A violentou e, após ser mordido pela vítima, a executou, com medo de ser reconhecido.

REPRODUÇÃO/PCDF
Reprodução/PCDF
Yusllayne tinha dois filhos

De acordo com a polícia, após o crime, Walker foi para casa tomar banho, trocou de roupa e voltou para o local do estupro para se desfazer do corpo. No dia seguinte, quando a jovem foi encontrada, ele fugiu para Minas Gerais. Se condenado, as penas serão somadas, e ele pode ficar mais de 30 anos preso.
YULIIANE

Yusllayne era casada, tinha dois filhos e voltava do trabalho para casa, em uma açougue de Vicente Pires, quando foi morta. Segundo a delegada Viviane Bonato, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do DF, Walker representa “um grande perigo para a sociedade se ficar em liberdade”.

O assassino foi identificado após ter o DNA reconhecido no Banco Nacional de Perfis Genéticos. O acusado já foi condenado por outros quatro estupros, sendo um deles cometido em Paracatu (MG), em 2011, e outros três em Unaí (MG). Ele estava preso em Belo Horizonte, capital mineira.

Veja a entrevista da delegada:

Depois de estuprar uma mulher em Minas Gerais, ele veio para o DF se esconder. Mas não conseguiu conter seus impulsos, matando Yusllayne.

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Chicungunha: mortes entre jovens preocupam

Diretor da Fiocruz de Mato Grosso do Sul, o infectologista estuda o avanço da letalidade da doença. A instituição do Rio fará um seminário sobre o assunto na quinta e na sexta-feira

Por que devemos nos preocupar com a Chicungunha no próximo verão?
Não é uma doença tão banal quanto imaginávamos. É preocupante, porque está matando quase tanto quanto a dengue. Antes, os especialistas diziam: “a dengue mata, a chicungunha aleja e a zika causa má-formação”. Hoje a gente vê que tanto dengue quanto chicungunha matam. E que zika não causa só microcefalia.
E o Rio pode ter uma epidemia?
Se eu já tive contato com o vírus da chicungunha, não terei novamente a doença. É uma vacinação natural. Como a circulação do vírus no Sudeste, de um modo geral, foi muito pequena no verão passado, significa dizer que o percentual da população que foi imunizada também é baixo. Ou seja: a quantidade de pessoas suscetíveis a adquirir a doença, uma vez infectadas, é muito grande. Nosso risco é que a epidemia em curso em 2016, que deu uma arrefecida nos meses mais secos e frios, retorne com uma carga maior no verão, com a chegada das chuvas e do calor, em especial no Rio.
Por que a febre chicungunha está matando tanto?
Se a gente descobrir, vai aliviar nossas consciências e preocupações. Ainda não sabemos.
E para qual parcela da população há maior risco?
Sabemos que o risco é maior para pessoas idosas e portadoras de alguma doença de base, de problema cardíaco ou renal. E descobriu-se também que recém-nascidos adquirem a doença da mãe nos últimos dias de gestação. Se a mulher grávida tem chicungunha a uma semana, cinco dias, três dias de o bebê nascer, a probabilidade de a criança nascer com a doença é muito grande. E tendem a ser casos graves. Mais ou menos 50% desses bebês costumam ter chicungunha em formas graves. Uma parcela substancial vai a óbito.
Então o risco é maior para os mais velhos e para grávidas?
Só que estamos observando no Brasil um perfil também adicional de pessoas morrendo na faixa de 20 a 30 anos, sem história alguma de doença de base. Não temos explicações ainda. Estão sendo feitos levantamentos. Algumas observações mostram que boa parte desses jovens morre de insuficiência renal aguda. Embora não tivessem anteriormente relato de doença renal.
Pode ser alguma complicação durante o tratamento?
A gente sabe que o vírus na fase aguda se multiplica em vários órgãos do nosso corpo, como coração, pulmões e rins. Não sabemos se ele é potencializado ou não por uma predisposição familiar ou genética que não tinha aflorado ainda, e por isso não havia relato de doenças anteriores (naquele paciente), ou simplesmente potencializado por uma medicação que sabidamente pode complicar os rins, por exemplo, como os anti-inflamatórios. O Ministério da Saúde tem acompanhado isso.

Só é possível ser contaminado pela picada do “Aedes aegypti”?
A pessoa adquire chicungunha principalmente, mas não exclusivamente, por meio da picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. Há relatos de suspeita de transmissão pela transfusão sanguínea. Há detecção de material genético do vírus chicungunha em amostras de sangue de doadores saudáveis, sem quaisquer manifestações clínicas. O percentual dos infectados que desenvolvem a manifestação clínica da doença é sempre muito elevado, pelo que tem sido documentado até agora. Ao contrário da zika, em que há relatos de que somente de 20% a 25% desenvolvem alguma manifestação clínica, na chicungunha, de 70% a 80% das pessoas, uma vez infectadas, desenvolverão uma manifestação clínica.
Quais são estas manifestações clínicas?
Cem por cento dos doentes têm febre alta, de início agudo, quase sempre acompanhada de dores e inchaço nas articulações, de pés, tornozelos, punhos, mãos e cotovelos. Há um percentual de doentes, que varia de epidemia para epidemia, com manifestações cutâneas, principalmente no tronco, acompanhadas de coceiras. No caso de crianças, o comprometimento dermatológico pode surgir na forma mais grave, com lesões vesiculares e bolhosas, que podem infectar. Recentemente, têm sido catalogadas uma frequência cada vez maior de algumas formas atípicas, como casos de comprometimento cardíaco agudo, do sistema nervoso central, oftalmológico, meningoencefalite e insuficiência renal aguda.
Como diferenciar a febre chicungunha da dengue, por exemplo, já que nos dois casos há febre alta e dores?
A diferença fundamental é que na chicungunha as dores articulares são de tamanha intensidade que podem impedir a pessoa de levantar-se da cama sozinha e pentear os cabelos. As dores da dengue são mais musculares.
Por quanto tempo a pessoa pode ficar sentindo estas dores?
chicugunhaA doença dura, dependendo da idade do doente, de seis a oito meses. Acima dos 45, 50 anos, a pessoa fica de seis a oito meses convivendo com as dores. Tem gente que fala: “doutor, nunca mais eu fui igual”. Isso um ano depois. Infelizmente, quanto mais velho, pior.

Casos de sífilis avançam no DF

Assim como em todo o Brasil, a capital federal tem registrado cada vez mais casos da doença %u2014 transmitida sexualmente ou de mãe para filho na gestação. Só este ano, 168 bebês nasceram com a bactéria. No total, até outubro, foram 1.020 contágios

» OTÁVIO AUGUSTO

Embora seja uma infecção secular, conhecida desde a Idade Média, as estatísticas da sífilis mostram que ela ainda é um problema de saúde pública no Brasil — o Ministério da Saúde está em estado de alerta para a alta incidência do mal (leia Para saber mais).Transmitida sexualmente ou de mãe para filho, os dados mostram que, na capital federal, a doença traça uma escalada de crescimento nos últimos cinco anos. No período, são mais de 5,2 mil contaminações, sendo 1.020 em recém-nascidos. Até outubro, são 1.018 contágios na cidade.

A maior preocupação das autoridades de saúde é a explosão da doença em gestantes. O coeficiente em cada grupo de mil grávidas saiu de 2,2 casos, em 2010, para 5, no ano passado, o que significa que o risco de transmissão de mãe para filho está cada vez maior. Quando isso ocorre, a doença recebe o nome de sífilis congênita. O tratamento para os bebês consiste na aplicação de uma a três doses de Benzetacil. No começo do ano, o DF passou por desabastecimento do insumo (leia Memória). Em 2016, nasceram 168 bebês com sífilis congênita.

A sífilis é um mal silencioso e requer cuidados. Após a infecção inicial, a bactéria pode permanecer no corpo por décadas para só depois se manifestar novamente. Entre os entraves à erradicação da doença, estão, segundo especialistas ouvidos pelo Correio, a baixa notificação dos casos, a resistência masculina ao tratamento e as dificuldades no diagnóstico. No DF, os homens são os que mais contraem a doença. Dos 1.086 casos notificados em 2016, os pacientes do sexo masculino representam 70,1%. São ao todo 761 infecções. As mulheres são responsáveis por 325 contaminações, ou 29,9% dos contágios. Outro detalhe do perfil epidemiológico é a idade dos doentes. Os adultos jovens — entre 20 e 29 anos — é a parcela da população que mais contrai sífilis. Este ano, eles representam 33,7% dos registros.

Apesar do panorama crítico, o Executivo local diz que não haverá nenhuma campanha específica na capital. Segundo a Secretaria de Saúde, o que pode ser feito é “buscar intensificar a disponibilidade de testes e a utilização da penicilina (Benzetacil)”. O insumo está disponível na rede pública, de acordo com a pasta. “É importante a prevenção primária, ou seja, aumentar as ações educativas, principalmente junto aos jovens, e o estímulo ao uso de preservativos”, destaca, em nota.

O Ministério da Saúde lançou na, semana passada, uma agenda de ações estratégicas para redução da sífilis congênita no próximo ano. “O foco é detectar precocemente a doença no início do pré-natal e encaminhar imediatamente o tratamento”, ressalta o órgão, em nota. O plano reforça a necessidade do tratamento adequado, tanto da gestante, quanto das parcerias sexuais. Para assegurar a assistência, a pasta comprou, em caráter emergencial, 2,7 milhões de frascos de penicilina benzatina (Benzetacil).

Consequências

O infectologista Alexandre Cunha diz que o aumento da sífilis é uma tendência dos últimos cinco anos. Para ele, houve uma desmobilização no uso de preservativo. “É preciso abordar duas frentes: primeiro, o diagnóstico para quebrar a cadeia de transmissão e tratar os infectados. A outra medida é estimular o uso do preservativo, pois a adesão está sendo menor. Os números se avolumaram bastante”, explica.

A explosão de casos no DF causa complicações em alguns pacientes. A bactéria causadora da sífilis se multiplica na área genital infectada e, em poucas horas, espalha-se pela circulação sanguínea e linfática. Adultos podem desenvolver várias doenças oculares. A uveíte, inflamação que acomete a úvea (camada intermediária do bulbo ocular, altamente vascularizada e responsável pela nutrição do olho), é a principal delas. O oftalmologista Sebastião José Ferreira Neto atendeu pelo menos três casos este ano. “A inflamação no olho pode ocorrer em qualquer uma das fases da sífilis. São inflamações severas e graves, que provocam lesões até na retina ou no nervo ótico”, alerta.

O especialista explica que possíveis sintomas da doença, como olhos vermelhos, sensibilidade à luz e visão turva, podem ser sinais de sífilis. Na maior parte dos casos, o tratamento é feito com antibiótico. “A qualquer sinal diferente, o essencial é procurar o médico. Quanto mais cedo se iniciar o tratamento, maiores são as chances de cura”, frisa. Sebastião analisou as estatísticas do DF a pedido do Correio. “Tenho observado aumento muito expressivo de casos no consultório. Durante os últimos 20 anos, não víamos, mas, nos últimos três anos, começou a crescer”, detalha.

Uma das medidas é estimular o uso do preservativo, pois a adesão está sendo menor. Os números se avolumaram bastante”

Alexandre Cunha,
infectologista

Para saber mais

Epidemia no país
O Ministério da Saúde admitiu que o Brasil enfrenta uma epidemia de sífilis. Entre junho de 2010 e 2016, foram notificados quase 230 mil casos da doença, de acordo com o último boletim epidemiológico do governo. Três em cada cinco ocorrências (62,1%) estavam no Sudeste. A transmissão de gestantes para bebês é o principal problema. A situação foi qualificada como “epidemia” somente agora, mas vem se desenvolvendo há mais tempo. Em 2015, por exemplo, no país todo, foram notificados 65.878 casos. Os casos de sífilis congênita, de transmissão da mãe grávida para o bebê, também cresceram expressivamente. No ano passado, a cada mil bebês nascidos, 6,5 eram portadores de sífilis. Somente cinco anos antes, em 2010, esse número era de 2,4 bebês em cada mil nascimentos. Ou seja, a incidência da sífilis congênita praticamente triplicou em meia década.

Homem mata mulher durante missa

Landercy Hemerson
Belo Horizonte — Policiais militares prenderam ontem, em Rio Verde (GO), o empresário Marcos Ferreira da Silva, 43 anos, suspeito de ter matado a facadas, na noite de sexta-feira, a também empresária Simone Marca, 30. Os dois haviam sido amantes, mas a relação estava terminada. O crime ocorreu dentro da Catedral São José, em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, durante a celebração de uma missa de sétimo dia. Marcos gravou uma confissão e a enviou por meio do aplicativo de mensagens WhatsApp para amigos.
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A vítima, Simone Marca, e Marcos, que confessou o crime pelo WhatsApp

(Reprodução/Facebook)

A vítima, Simone Marca, e Marcos, que confessou o crime pelo WhatsApp

No momento do assassinato, cerca de 80 pessoas estavam no templo. Simone ocupava um dos primeiros bancos, ao lado do atual namorado. Segundo testemunhas, Marcos entrou no local munido de uma faca e desferiu cinco golpes na vítima, que chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos. A polícia apura se o crime foi motivado apenas por ciúmes. Há informações de que Simone teria denunciado o empresário por furto, levando-o a ser preso, episódio mencionado pelo suspeito na gravação. Depois do ataque, houve princípio de pânico na igreja e o assassino fugiu.

No arquivo de áudio enviado pelo WhatsApp, Marcos, que é dono de um jornal em Ituiutaba, afirma que matou Simone porque a amava. “Não tenho força. Eu fiz isso porque gostava dela, amava ela. Ela fez tudo isso comigo, estava com o outro lá, me prendeu, fez esse tipo de coisa. Então, eu quero falar pra vocês o seguinte: eu não tenho força, meus amigos. Pelo amor de Deus, vocês não fiquem com raiva de mim. Eu não dou conta, acabou a minha vida. Acabou, acabou tudo”, diz.

O crime causou grande comoção na cidade mineira. Em sua página oficial no Facebook, a catedral postou uma foto de Simone Marca lamentando o ocorrido. “A comunidade paroquial da Catedral São José, em unidade com seu pároco, padre Axé, se solidariza com os familiares e amigos da jovem Simone Marca pelo trágico ocorrido na noite do dia 7, durante a santa missa. Nós nos unimos em oração pelo conforto e fortalecimento da família e que a alma da jovem descanse em paz”, diz o texto.
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Familiares de jovem estuprada e morta protestam durante prisão de criminoso

Crime ocorreu em julho do ano passado em Ceilândia. Só neste sábado (23/7) Polícia Civil identificou e prendeu Diogo dos Santos Pestana, 32 anos, que confessou o ato.

image002Otávio Augusto
Zuleika Sousa/CB/D.A Press”Esse último ano eu vivi, porque tinha que viver. A prisão dele não vai trazê-la de volta, nem apagar as mágoas, mas, pelo menos, alguma coisa foi feita”, desabafou a mãe de Thalitha, Cícera Maria Cacau

Após um ano de investigações a Polícia Civil identificou e prendeu o homem que estuprou e matou Thalitha Cacau Rocha Passos, 25 anos. O crime aconteceu em junho do ano passado, próxima a BR-070, em Ceilândia, na altura de um campo de futebol. Diogo dos Santos Pestana, 32, confessou o crime. A prisão aconteceu no sábado (23/7), quando o acusado fazia serviços elétricos em uma clínica da 910 Sul.

O celular da vítima, roubado no dia do crime, ajudou investigadores a localizarem Diogo. Os policiais passaram a monitorar o suspeito. Na casa de Diogo, em Luziânia (GO), a polícia apreendeu três calcinhas, um computador e uma grande quantidade de camisinhas e gel lubrificante. Ele estava com um mandado de prisão da Polícia Civil de Goiás aberto por tentativa de estupro em Águas Lindas (GO).

“O Diogo contou tudo o que tinha feito com detalhes. Num primeiro momento, ele se mostrou surpreso por haver uma investigação”, detalhou o titular da 24ª Delegacia de Polícia (Setor O), Ricardo Viana. Diogo deve ser transferido ainda na tarde desse domingo (24/7) para o Complexo Penitenciário da Papuda.

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Zuleika Sousa/CB/D.A PressDiogo dos Santos Pestana, 32 anos, foi preso quando fazia serviços elétricos em uma clínica da 910 Sul

Familiares de Thalitha estiveram na delegacia e tentaram agredir o criminoso. A jovem deixou dois filhos de 2 e 6 anos. “Esse último ano eu vivi, porque tinha que viver. A prisão dele não vai trazê-la de volta, nem apagar as mágoas, mas, pelo menos, alguma coisa foi feita”, desabafou a mãe de Thalitha, a auxiliar de serviços gerais Cícera Maria Cacau, 49 anos.

Neste domingo, a filha mais nova de Thalitha, que vive com o pai, completa dois anos. “O filho mais velho sabe o que aconteceu. Estava passando da hora de termos um ponto final. Não há um dia sequer que eu não lembre dela. Ao passar pelos locais onde o crime aconteceu sinto uma indignação imensa. Ainda mais por ser uma pessoa de índole boa”, completa Cícera, que cuidado do filho mais velho de Thalitha.

Policiais apreenderam, ainda, o carro usado no crime — um Fiat Tempra. Diogo havia vendido o veículo. “O carro vai passar por exames periciais para constatar material genético e sangue humano. Na época do crime, ele usou esse mesmo veículo”, contou o delegado.
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Zuleika Sousa/CB/D.A PressCarro usado por Diogo para abordar a vítima

Crimes

Diogo é acusado de estuprar e tentar matar uma mulher em Águas Lindas, em dezembro do ano passado. O crime teria sido executado da mesma forma que no caso de Thalitha. “A forma dos crimes que nortearam as investigações e conduziu a ele como o principal suspeito”, explica Ricardo Viana.

Em ambas as situações, Diogo abordou as vítimas com uma arma falsa, as obrigou entrar no carro. Após os estupros, ele enforcava as mulheres com um meião de futebol. “Ele tentou justificar que as vítimas, em algum momento, aceitaram ficar com ele, mas depois se recusavam. Por sorte, a moça de Águas Lindas conseguiu fugir da casa dele”, afirma o delegado.

O mandado de prisão contra Diogo é por estupro e tentativa de homicídio. Ele não possui passagens anteriores pela polícia.

A vítima

A operadora de caixa Thalitha desapareceu na noite de 27 de junho de 2015. Ela foi abordado em uma parada de ônibus em Ceilândia, próxima ao JK Shopping. Familiares registraram na polícia o sumiço e chegaram a fazer uma campanha em redes sociais para encontrar a moça. Thalitha teria saído do trabalho por volta das 19h30 de sábado.

No fim do expediente, Thalita telefonou para o marido. A intenção dela era pegar o metrô até o Centro de Taguatinga. De lá, seguiria de ônibus para Águas Lindas, cidade onde morava. Na época, os policiais acreditavam que a morte teria acontecido por volta das 3h da manhã.
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Doenças crônicas não transmissíveis são a principal causa de óbitos no DF

A população entre 30 e 69 anos é cada vez mais acometida por males, como cânceres, diabetes, problemas cardiovasculares e respiratórios. As crianças também têm adoecido mais

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Helio Montferre/Esp. CB/D.A Press
Os irmão Alex e Camila têm diabetes: os pais, Alex e Lucineide, criaram um grupo de apoio a famílias na mesma situação

Problemas cardiovasculares, cânceres, males respiratórios e diabetes são as doenças que mais mataram na última década na capital federal. Levantamento da Secretaria de Saúde mostra que 55,1% dos brasilienses morreram em 2014 vítimas de doenças crônicas não transmissíveis. A faixa etária entre 30 e 69 anos é a que mais morre por essas enfermidades — o que é considerado um quadro de mortalidade prematura. O dado não é apenas uma estatística. É um alerta. Autoridades em saúde e especialistas são taxativos ao dizer que a qualidade de vida na infância influencia diretamente o bem-estar dos adultos. A notícia não é boa: a expectativa é que nos próximos 20 anos se tenha uma população que adoece cada vez mais cedo por causa dos hábitos de hoje.

A gravidade e o impacto das doenças crônicas estão diretamente ligados a fatores de risco que são considerados modificáveis e pautados pela urbanização e pelo estilo de vida adotado pela população, como alimentação inadequada, falta de atividade física, tabagismo e uso abusivo de álcool. O cenário é pessimista. No DF, 50,3% da população está acima do peso — sendo 15,8% obesa; 9,7% fumantes; 70,7% não consumem frutas e verduras suficientes para uma alimentação equilibrada; e 21% bebem álcool de maneira abusiva, segundo dados da Secretaria de Saúde.

Desde 2008, a parcela entre 30 e 39 anos vem em escala ascendente por mortes de doenças crônicas. Em 2014, 6.627 pessoas morreram. Dessas, 46% pertenciam a essa parcela da população. “Estamos vivendo uma transição epidemiológica. Há 30 anos, as pessoas morriam por doenças infecciosas causadas por vírus e bactérias. Hoje, estamos morrendo por padrões errôneos de vida. A má alimentação, o sedentarismo, o fumo e o alcoolismo são fatores que trazem doenças a longo prazo”, explica Sarah Tinoco, responsável pela Área Técnica de Doenças Não Transmissíveis (DCNT) da Secretaria de Saúde.

Evitar o excesso de peso, controlar a pressão a arterial e a glicemia — sobretudo na infância — são essenciais para atenuar essa curva. “Somente em 2014, contabilizamos 214 mortes de pessoas entre 30 e 39 anos por agravantes como hipertensão, diabetes e obesidade. Fica o alerta para a mudança do padrão de vida das crianças que estão apresentado doenças crônicas cada vez mais cedo. As pessoas que morreram entre 30 e 39 ficaram doentes com 15 ou 20 anos”, analisa Sarah.

Exposição precoce

José Lima Oliveira Júnior, especialista em doenças cardiovasculares, salienta que, com o aumento progressivo da expectativa de vida da população, é esperado que as pessoas vivam mais e com melhor qualidade de vida. Entretanto, na última década, segundo o médico, fatores fora da curva epidemiológica, como derrame, infarto com sequelas e doenças renais estão acometendo as pessoas mais cedo. “Estamos pagando um preço de uma geração que não se preocupou com alimentação, atividade física e estresse. Se não começarmos a alterar esse padrão e melhorar a qualidade de vida, vamos ter uma geração de pais enterrando os filhos”, pontua José Lima.

O médico critica a falta de ações para promover a qualidade de vida. “O que temos são ações pontuais, que não ajudam na criação do hábito precocemente. O essencial é doutrinar nossas crianças a manterem práticas de alimentação e atividade física equilibradas”, reclama José Lima Oliveira.

Alerta

Em 2014,

55,1%
dos brasilienses morreram vítimas de doenças crônicas não transmissíveis.

A parcela entre

30 e 39 anos
vem em escala ascendente por mortes de doenças crônicas. Problemas cardiovasculares, cânceres, males respiratórios e diabetes são as doenças que mais mataram em 10 anos no DF.

Para saber mais
Luta contra a obesidade infantil
Uma criança gorda em idade pré-escolar tem 30% de chances de virar um adulto obeso. O risco sobe para 50% caso ela entre na adolescência com quilos a mais. Segundo a Associação Brasileira de Pediatria, a obesidade infantil já atinge 15% das meninas e meninos brasileiros — índice preocupante, uma vez que já se aproxima do encontrado nos Estados Unidos, que é de 20%. Para reverter esse quadro, 24 grandes empresas no Brasil firmaram um compromisso de limitar a publicidade de alimentos e bebidas para menores de 12 anos nos meios de comunicação e nas escolas. O documento prevê apenas uma exceção para produtos que atendam a critérios nutricionais específicos e que recomendem o estímulo responsável do produto. Esse mesmo tipo de compromisso já foi adotado por empresas do setor alimentício em países da Europa, nos Estados Unidos, no Canadá e na Austrália.

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Mãe recebe notificação de escola para cortar cabelos crespos dos filhos

Sem acreditar no que leu, Débora Figueiredo decidiu publicar uma foto do recado e a postagem teve mais de 1,22 mil compartilhamentos em cinco dias.

postado em 21/06/2016 21:29
Estado de Minas
Reprodução/Facebook
image002 (1)Em nota, a orientadora escreve que ficaria mais feliz caso os cabelos dos dois meninos estivessem presos ou fossem mais curtos
A família carioca formada por Débora Figueiredo e seus dois filhos, Antônio e Benício, tem como característica os volumosos e crespos cabelos. Para a surpresa da mãe, a orientadora pedagógica da escola onde os dois pequenos estudam, no Rio de Janeiro, não achou adequada a estética das crianças para frequentar as aulas.

Débora recebeu a notificação por meio de um recado: “Mamãe Débora, peço-lhe se possível aparar ou trançar o cabelinho dos meninos. Eles são lindos, mais (sic) eu ficaria mais feliz com o cabelo deles mais baixo ou preso”, escreveu a coordenadora.
Indignada com o preconceito que ela e os filhos sofreram, Débora decidiu tornar o recado público no Facebook. Logo, a postagem recebeu vários comentários de apoio à família, além dos 1,22 mil compartilhamentos em cinco dias. Junto com a foto do bilhete, a mãe das crianças fez o seguinte desabafo:

“Como eu gostaria que meus filhos não passassem por nenhum tipo de preconceito. Como eu gostaria de protegê-los desse mundo cruel. Como eu gostaria de afastar gente ruim travestido de bonzinhos antes que eles tivessem o desprazer de ter contato. Meus filhos Antônio e Benício foram vítimas de preconceito por causa do cabelo deles. Recebi essa mensagem na agenda escrita pela coordenadora da escola que até então tinha meu respeito. Daqui em diante [já não mais]. Eu não posso protegê-los de tudo, mas sempre vou lutar por eles.”

Entre os comentários recebidos, muitos questionaram a posição da funcionária da escola e se mostraram revoltados: “Desde quando felicidade depende de um cabelo?”, escreveu Robertta Costa. A mãe respondeu a maioria dos comentários, inclusive aqueles que sugeriam que ela processasse a orientadora: “É um caso a se pensar”, disse Débora, também na rede social.
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Feminicídio segue na pauta

Em evento realizado para receber novatas, estudantes e professores discutiram a necessidade de colocar a violência contra a mulher como tema central na Universidade de Brasília. Comunidade acadêmica cobra ações concretas da direção da instituição

Publicação: 29/03/2016 04:00
Isabella acredita que a morte de Louise Ribeiro não pode ser esquecida: %u201CPoderia ser eu%u201D (Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press

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Isabella acredita que a morte de Louise Ribeiro não pode ser esquecida: %u201CPoderia ser eu%u201D

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Aluno de ciências contábeis, Lucas diz sentir falta da discussão de temas socias nas aulas (Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)

Aluno de ciências contábeis, Lucas diz sentir falta da discussão de temas socias nas aulas

Passados 19 dias do assassinato de Louise Ribeiro, a Universidade de Brasília (UnB) continua o debate sobre feminicídio. Na tarde de ontem, teve início a Semana das Calouras, organizada pelo Centro Acadêmico de Comunicação (Cacom). O evento tem como objetivo fomentar a discussão dentro da instituição e dar continuidade ao fluxo de atividades que vem sendo propostas pela comunidade acadêmica.

A aluna de audiovisual e membro do Centro Acadêmico de Comunicação (Cacom) Ana Luisa Meneses, 20 anos, crê que as conversas levantadas durante a semana devem ultrapassar os portões da universidade. A intenção é que não fique somente aqui, mas que seja apenas o início. Que os assuntos sejam carregados para a universidade, pela cidade e por todos os lugares”, considera.

Não apenas meninas participaram da atividade. Para o calouro Samir Otmen, 18 anos, o brutal assassinato de Louise assustou a todos, em especial os recém-chegados. “Quando entrei aqui, fiquei sabendo de várias histórias de insegurança, e com o caso da Louise piorou muito. Antes, eu pensava que era conversa de pai e mãe, mas eu vi que é real e que acontece. Dá um pânico”, relata. Para o universitário, a insegurança na universidade é geral e necessita ser discutida para que possam ser tomadas providências. “É preciso ter esse debate para alguma coisa acontecer. Porque se a gente ficar somente comentando casualmente nada vai ser resolvido”, considera.

Isabella Barbosa, 19 anos, cursa o primeiro semestre de publicidade e propaganda. Considera importante que o tema de feminicídio continue em debate, principalmente entre os calouros. “É um local que você acabou de chegar e vê realmente o mundo. Aquela menina estava cheia de sonhos, estagiando, com vários amigos e, do nada, a vida dela acabou. Poderia ser eu, pode ser comigo. Não podemos imaginar quando isso pode acontecer”, desabafa. Para a estudante, essas discussões são boas oportunidades de construir um pensamento mais humano e ajudar gerações futuras.

A professora da Faculdade de Comunicação Tânia Montoro foi uma dos mais de 100 docentes da universidade que assinaram carta enviada para a Administração Superior da Universidade de Brasília pedindo a ampliação do debate do tema.O documento reivindica mais ação para que sejam evitados atos de violência contra as mulheres. Tânia, que ministra a disciplina de comunicação e gênero, acredita que, além da perda uma aluna, a lição que fica é que essas agressões estão mais próximas do que a maioria das pessoas imagina. “Por mais que a gente tenha caminhado, por mais que tenhamos trabalhado essas questões, precisamos de mais ainda. Estamos engatinhando”, declara. A professora diz que o mais importante é debater o assunto em todos os departamentos da UnB. “Não é uma luta por alguém, é uma luta pela paz. Estamos falando da justiça social que estamos construindo”, afirma.

Apesar de o assunto estar em pauta, muitas pessoas o desconhecem. É o caso do estudante de ciências contábeis Lucas Salomão, 19 anos. Ele diz sentir falta de temas sociais nas aulas. “No meu curso principalmente, pecamos na falta desses debates”, relata. O jovem tem muitas dúvidas sobre questões feministas e, para se manter por dentro dos assuntos, procura conversar com pessoas que entendem a causa. “No caso da Louise, em princípio, para mim, não era feminicídio, Mas me explicaram que a questão é mais ampla, é você ter medo por ser mulher”, exemplifica.

Condenação
Thiago Santos foi condenado a 24 anos de prisão, pelo Tribunal do Júri de Santa Maria, por assassinar a ex-companheira. Como o crime ocorreu antes da lei que criou o termo feminicídio, em março de 2015, o ato não pôde ser incluído na nova nomenclatura. O homicídio — triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima — veio por asfixia, com um golpe chamado de mata-leão, e atropelamento, em 2 de outubro de 2014, motivado por ciúmes.

Carona on-line
Na tarde de ontem, o sonho de um grupo de alunos e ex-alunos da Universidade de Brasília (UnB) se tornou realidade. O Carona Phone, aplicativo pensado e desenvolvido por eles, foi lançado no auditório da Faculdade de Tecnologia depois de dois anos de dedicação e intenso trabalho. A ideia do programa, que já está disponível para ser baixado nos aparelhos Android, é promover a mobilidade sustentável em todo o Distrito Federal. Além disso, a ferramenta permite que as pessoas conquistem novas amizades por meio da tecnologia.A
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O aplicativo pretende promover a mobilidade sustentável no DF (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O aplicativo pretende promover a mobilidade sustentável no DF

Tudo começou a partir de um incômodo de Márcio Batista, 33 anos. O graduado em ciência da computação costumava ir para a UnB de ônibus e não se conformava com os estacionamentos do câmpus, que sempre viviam abarrotados de veículos. “O pior é que a maioria desses carros tinha somente uma pessoa”, conta. Diante dessa situação, ele decidiu: queria estimular o hábito de oferecer e pedir carona. “Como isso sempre me incomodou bastante, decidi compartilhar com alguns amigos a ideia de desenvolver um sistema de caronas solidárias que pudesse beneficiar a todos”, diz.

Os interessados em participar podem baixar o aplicativo, clicar em “oferecer carona”, informar o destino, horário de partida e número de vagas no veículo. A partir daí, quem busca carona pode ter acesso a diversas possibilidades e optar pela que melhor atender. “Não queremos restringir o ponto de destino. Nosso objetivo é conectar pessoas próximas, independentemente do lugar para onde o motorista esteja indo”, pontua Márcio. Para resolver as questões que envolvem a segurança dos usuários, é possível acessar o perfil de cada pessoa e avaliar tanto o motorista quanto quem pega carona. As estrelas podem ser marcadas com notas de zero a cinco.

A iniciativa está conquistando adeptos. Até a tarde de ontem, quando o aplicativo foi oficialmente liberado, já haviam sido registrados cerca de 1 mil downloads e pelo menos 60 caronas dentro da UnB. Para o professor responsável por acompanhar o Carona Phone, Pastor Willy Gonzales Taco, a ideia tem tudo para agradar ao público por um fato muito simples: as questões que envolvem a mobilidade são latentes e chamam a atenção de muita gente. “Temos vários estudos que falam sobre o uso da carona, mas faltava um aplicativo que integrasse as novas tecnologias”, acredita. Envolvido com o projeto desde o começo, o professor considera que para que uma ideia como essas se torne possível é preciso perseverar e estar disposto a transpor barreiras. “Esse é o nosso maior desafio. Mesmo sem grandes recursos, nossa equipe é comprometida e acredita no que está desenvolvendo”, orgulha-se.

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Zika: o que já se sabe e o que está sendo estudado sobre a doença

É transmitida por via sexual? Causa mesmo microcefalia? Veja respostas.
Pesquisas estudam formas de transmissão, vacina e combate a mosquito.
Do G1, em São Paulo
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Cientista trabalha em Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz, onde foi descoberta a presença de vírus da zika no líquido amniótico zicaJPG

Foto: Institugo Oswaldo Cruz)

Cientista trabalha em Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz, onde foi descoberta a presença de vírus da zika no líquido amniótico
Identificada no Brasil há menos de um ano, a zika é uma doença ainda cercada de mistérios. Enquanto os casos se multiplicam e se espalham pelo mundo, cientistas correm para comprovar sua relação com outros problemas de saúde e pesquisar exames mais confiáveis, vacinas e métodos mais eficazes para eliminar seu principal vetor, o mosquito

Aedes aegypti.
Veja a seguir o que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre a doença, o vírus que a causa, suas formas de transmissão e seus efeitos no organismo.

O que é zika?
É uma doença causada por um vírus do gênero Flavivírus. Identificada pela primeira vez em 1947 em um macaco rhesus na floresta Zika, da Uganda, foi diagnosticada no Brasil em abril de 2015. Entenda neste vídeo interativo como a zika se tornou um problema de saúde pública.

Quais são os sintomas?
Os principais são dor de cabeça, febre baixa, dores leves nas articulações, manchas vermelhas na pele, coceira e vermelhidão nos olhos. A evolução da doença costuma ser benigna e os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente em um período de 3 até 7 dias.

O quadro de zika é muito menos agressivo que o da dengue, por exemplo, e cerca de 80% dos pacientes não têm manifestações clínicas. O que assusta é sua possível relação com outras condições mais graves, como microcefalia e síndrome de Guillain-Barré.
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Como o vírus é transmitido?
O principal transmissor é o mosquito Aedes aegypti, que, quando infectado, pode passar a doença a humanos pela picada. Outras possíveis formas de transmissão estão sendo estudadas.

O vírus pode ser transmitido por via sexual?
O risco de transmissão sexual ainda não foi comprovado cientificamente, mas vários casos de possível contágio intrigam cientistas e já levaram médicos a recomendar que grávidas usem proteção durante relações sexuais.

A OMS afirma que ainda não há evidências suficientes para provar que essa forma de disseminação do vírus de fato ocorreu e que ela é preocupante, mas também recomendou sexo seguro ou abstinência a quem está em regiões com surto de zika. Mais estudos estão sendo feitos. Saiba mais.

Pode ser transmitido pela saliva?
O vírus já foi encontrado em amostras de saliva, mas não se sabe se ele pode ser absorvido por esse meio por outra pessoa até chegar à corrente sanguínea. Ainda não existem casos suspeitos de infecção dessa forma.
Pode ser transmitido pelo leite materno?
O vírus também já foi encontrado no leite materno, mas nenhum caso suspeito de transmissão foi relatado.
Pode ser transmitido por transfusão de sangue?
Um estudo de abril de 2014 detectou o vírus da zika em amostras de sangue de doadores que não manifestavam sintomas no momento da doação.

Neste ano, foi constatado em Campinas um caso de transmissão do vírus da zika de um doador de sangue para um receptor. O Ministério da Saúde investiga o caso, que seria o primeiro do Brasil.

Existe vacina?
Atualmente, pelo menos 15 empresas e grupos acadêmicos estão empenhados na criação de vacinas contra o zika, de acordo com a OMS. Uma delas se mostrou promissora em ratos e outra começará a ser testada em animais em breve também (veja mais detalhes aqui).
Apesar do programa de trabalho acelerado, estima-se que serão necessários pelo menos 18 meses para que qualquer vacina contra o zika esteja pronta para ser utilizada em testes clínicos de larga escala.

Existe exame para diagnosticar o problema?
O método diagnóstico disponível atualmente é o PCR, um exame de alta complexidade que só é realizado em laboratórios muito especializados (veja alguns deles nesse link).

Segundo recomendações do Ministério da Saúde, nas regiões em que já houve diagnóstico laboratorial para zika, o diagnóstico dos outros pacientes deve ser clínico, ou seja, pela avaliação dos sintomas que o paciente apresenta.

Um dos problemas do PCR é que ele só detecta a presença do vírus em um período muito curto de tempo: cinco dias depois do aparecimento dos sintomas. Ou seja, é possível que o paciente ainda esteja manifestando sintomas da doença e o vírus não seja mais detectado em seu sangue.
Os cientistas estão desenvolvendo testes sorológicos, capazes de detectar os anticorpos contra o vírus, que poderia detectar a infecção em uma janela maior de tempo.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já aprovou ao menos três testes do tipo, mas eles ainda não estão disponíveis comercialmente.

Existe tratamento?
Não há tratamento específico para a doença. Segundo o Ministério da Saúde, os casos devem ser tratados com o uso de paracetamol ou dipirona para controle da febre e da dor. Assim como na dengue, o uso de ácido acetilsalicílico (aspirina) deve ser evitado por causa do risco aumentado de hemorragias.

Quais países já registraram casos de zika?
A zika está se espalhando rapidamente pelas Américas e por outros países do mundo, o que preocupa a OMS. Pelas estimativas da organização, entre 3 e 4 milhões de pessoas vão ser infectadas pelo vírus no continente em 2016.

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Mapa que mostra os países que registraram casos de zika no mundo (Foto: Editoria de arte/G1)

O Brasil é o país mais atingido: até 1,5 milhão de brasileiros podem ter contraído o vírus no ano passado.
Atualmente, há registro de casos de zika em mais de 60 países, somando os que apresentam transmissão local e casos importados (CLIQUE PARA VER O MAPA ATUALIZADO).
A relação com a microcefalia está provada?
Apesar de ter sido observada uma forte correlação entre o vírus da zika e a microcefalia em bebês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que ainda não há comprovação definitiva da ligação entre os dois. Estudos estão sendo feitos para tentar chegar a uma confirmação.
O sinal de alerta surgiu em 2015, quando foi constatado um aumento incomum de casos de microcefalia em regiões do Nordeste brasileiro que também tinham sido acometidas por casos de zika . Em novembro, o Ministério da Saúde detectou a presença do vírus da zika em amostras de sangue de um bebê que nasceu com microcefalia no Ceará e acabou morrendo.

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Um experimento que simulou o desenvolvimento de cérebros em laboratórios constatou que o zika afeta a geração de neurônios, essencial ao crescimento do cérebro. Outra evidência que reforça essa associação foi uma autópsia realizada em um feto abortado de uma mulher europeia que ficou grávida enquanto morava no Brasil. O resultado revelou altos níveis de vírus da zika em tecidos do cérebro fetal, excedendo os níveis do vírus normalmente encontrados em amostras de sangue.
Anteriormente, o vírus já tinha sido encontrado nas placentas de mulheres que tiveram abortos espontâneos e nos cérebros de dois recém-nascidos que morreram e que tinham microcefalia.

Neste mês, o ministério iniciou na Paraíba um grande estudo em parceria com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA, que vai comparar mulheres que tiveram filhos recentemente, com e sem microcefalia.

Como a situação é muito recente, ainda não se sabe como o vírus atua no organismo humano, quais mecanismos levam à microcefalia e qual o período de maior vulnerabilidade para a gestante.

Elielson tenta acalmar seu irmão José Wesley em sua casa em Bonito (PE). José tem dificuldades para se alimentar, algo comum entre crianças com problemas neurológicos como a microcefalia (Foto: Felipe Dana/AP)
Morador de Bonito, em Pernambuco, tenta acalmar seu irmão, que nasceu com microcefalia (Foto: Felipe Dana/AP)

A zika causa paralisia?
Alguns estados do Nordeste que tiveram a ocorrência do vírus da zika observaram um aumento incomum dos casos da síndrome de Guillain-Barré – doença rara que afeta o sistema nervoso e pode provocar fraqueza muscular e paralisia de braços, pernas, face e musculatura respiratória. Em 85% dos casos, há recuperação total da força muscular e sensibilidade.

Especialistas afirmam que é muito provável que haja uma conexão entre as duas coisas, mas ainda é cedo para afirmar isso. Estudos epidemiológicos estão sendo feitos para verificar se essa relação realmente existe.

Esta semana, pesquisadores brasileiros também começaram a estudar se adultos infectados pelo vírus da zika podem desenvolver problemas neurológicos além da síndrome de Guillain-Barré. Médicos de diferentes hospitais vêm relatando um número acima da média de encefalites e encefalomielites – inflamações no cérebro e na medula normalmente decorrentes de infecções virais.
Como prevenir?
Como o vírus da zika é transmitido pelo Aedes aegypti, a prevenção segue as mesmas regras aplicadas a essas doenças. Evitar a água parada, que os mosquitos usam para se reproduzir, é a principal medida.
Colocar telas de proteção nas janelas e instalar mosquiteiros na cama também são medidas preventivas.
Vale também usar repelentes e escolher roupas que diminuam a exposição da pele. Em caso da detecção de focos de mosquito que o morador não possa eliminar, é importante acionar a Secretaria Municipal de Saúde do município.

Vasos de planta são preocupação durante época de proliferação do mosquito da dengue (Foto: Reprodução / TV Tribuna)
Vasos de planta podem ser criadouros para mosquito Aedes aegypti dengue.-plantajpg

O que as gestantes devem fazer?
O Ministério da Saúde orienta as mulheres grávidas a se protegerem contra picadas de insetos: evitar horários e lugares com presença de mosquitos, usar roupas compridas, aplicar repelentes e instalar barreiras para entrada de insetos como telas de proteção ou mosquiteiros.
É importante também informar o médico sobre qualquer alteração no estado de saúde, principalmente no período até o quarto mês de gestação.

O que a ciência está estudando para tentar controlar a proliferação do Aedes?
Segundo a OMS, os estudos mais promissores são os testes com mosquitos geneticamente modificados e com uma bactéria que infecta insetos.

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Um exemplo do primeiro caso são os “Aedes do bem”, mosquitos geneticamente modificados pela empresa britânica Oxitec para produzir descendentes estéreis. O método tem dado resultados dentro e fora do Brasil. Em um bairro de Piracicaba (SP), o uso desses animais esterilizados conseguiu reduzir em 82% a quantidade de larvas do mosquito.

Aedes aegypti no laboratório da Oxitec, em Campinas. O mosquito é transmissor de doenças como a dengue, chikungunya e do vírus zika, causador da microcefalia (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)
Aedes aegypti no laboratório da Oxitec, em Campinas(Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

A OMS também destacou o potencial da liberação no ambiente de mosquitos machos esterilizados por irradiação.

Outra linha de pesquisa, estudada inclusive pela Fiocruz, consiste em infectar os mosquitos com bactérias do gênero Wolbachia, que atrapalha a habilidade dos mosquitos de passar adiante o vírus da dengue durante a picada.

Outra variedade de Wolbachia suprime a reprodução do mosquito, pois, quando machos infectados pela bactéria copulam com fêmeas, os ovos resultantes do encontro não vingam.

A OMS mencionou, por último, um método que pode proteger reservatórios de água: o uso de peixes que se alimentam da larva do Aedes aegypti. A alternativa está sendo testada em El Salvador.

A microcefalia tem relação com a vacina de rubéola?

Essa informação que circula na internet, de que lotes vencidos dessa vacina seriam os responsáveis pela ocorrência de microcefalia, não passa de um boato. A vacina contra a rubéola é contraindicada para grávidas, e em nenhum caso registrado de microcefalia no Brasil gestantes relataram ter recebido o imunizante. A vacina é normalmente aplicada em crianças.

As autoridades de saúde no Brasil, além disso, fazem fiscalização para garantir o descarte de produtos médicos vencidos, e nenhum caso de aplicação de vacina vencida foi relatado durante o período de epidemia da zika.

Segundo a Fundação Oswaldo Cruz, mesmo que a vacina vencida tivesse sido aplicada, o único problema é que ela não será eficaz contra a rubéola e ela não oferece potencial de danos neurológicos.

A microcefalia tem relação com o uso de larvicidas?
Um boato espalhado em blogs de ambientalistas afirmava que o uso do larvicida pyroproxyfen, que seria produzido pela empresa Monsanto (o que não é verdade, pois é fabricado pela Sumitomo Chemicals), estaria por trás dos casos de microcefalia.

Os textos mencionavam um “estudo argentino”, na verdade um relatório da Rede Universitária de Ambiente e Saúde (Reduas) – uma associação de médicos e professores universitários contra agrotóxicos –, que citava de maneira incorreta uma nota técnica da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).

A Abrasco desmentiu a informação e disse que se tratou de um mal-entendido. Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que “não existe nenhum estudo epidemiológico que comprove a associação do uso de pyriproxifen e a microcefalia” e que a substância foi aprovada para o uso pela OMS e pela Anvisa.

Site:http://g1.globo.com/bemestar/

Dengue cresce 240% no DF

O último boletim, divulgado ontem, mostra que, só neste ano, 1.794 pessoas foram contaminadas. Mais um morador de Brazlândia morreu possivelmente em decorrência da forma hemorrágica da doença. Um novo caso de zika vírus teve confirmação.

OTÁVIO AUGUSTO E NATHÁLIA CARDIM

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Nas tendas no estacionamento do Hospital de Brazlândia, apenas ontem houve 158 atendimentos, 60 confirmações de dengue e cinco internações

A cada semana a atualização do Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde revela o triste cenário que a capital federal enfrenta. Apenas este ano já são 1.794 casos de dengue. Em comparação com o mesmo período do ano passado, a alta é de 240%. Houve, ainda, a confirmação de uma nova infecção por zika vírus. Ontem, a forma hemorrágica da doença pode ter feito a terceira vítima em Brazlândia em menos de um mês — a cidade registrou 420 contaminações. A situação delicada obrigou o Executivo local a intensificar os esforços no combate ao Aedes aegypti. Na próxima semana, um novo hospital de campanha será inaugurado. Desta vez em São Sebastião.

Em menos de dois dias, a família do servidor público aposentado Erotides Dias da Costa, 61 anos, confirmou o diagnóstico de dengue e recebeu a notícia da morte do morador da zona rural de Brazlândia. Na última quinta-feira, ele deu entrada no Hospital Anchieta, em Taguatinga. Durante o período em que esteve na unidade, sofreu duas paradas cardíacas. Na segunda delas, a equipe não conseguiu reanimá-lo. “Enquanto esperava o leito ser preparado, ele desmaiou. Depois, aconteceu de novo, no banheiro”, contou Cidalina Cardoso, 28 anos, nora de Erotides, que, segundo a família, nunca havia contraído dengue.

A Secretaria de Saúde informou, em nota, que a Diretoria de Vigilância Epidemiológica ainda não recebeu a notificação do óbito. Segundo a pasta, o prazo máximo é de 24 horas. O Hospital Anchieta garantiu ter prestado toda a assistência necessária ao paciente, mas disse não ter como atestar, por enquanto, a causa da morte. “O paciente apresentava quadro clínico sugestivo de dengue e pancitopenia (hemorragia), que evoluiu rapidamente com choque circulatório e óbito. Cumprimos rigorosamente suas obrigações de notificação compulsória”, diz o texto. “Do documento do hospital, consta hemorragia não identificada, mas ele fez todo o tratamento para dengue. Durante todo o tempo, ficou à base de soro e de medicação para dor abdominal”, ressaltou Cidalina.

Governo quer criar mais quatro hospitais de campanha para agilizar o diagnóstico: São Sebastião é o próximo

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Governo quer criar mais quatro hospitais de campanha para agilizar o diagnóstico: São Sebastião é o próximo

Combate

Brazlândia, São Sebastião, Planaltina e Ceilândia são os locais com maior número da doença, respondendo por 874 casos — um percentual de 55% das contaminações. O Executivo identificou 77 casos suspeitos de zika. Há ainda uma nova confirmação da doença na capital federal. O local de contágio ainda está em investigação. Houve o registro de 78 casos suspeitos de febre chikungunya. Contudo, não foram confirmados. “Fui diagnosticada com dengue no último sábado. É muito ruim. Senti muita dor no corpo e tive febre alta. O surto na região está feio. Estou morrendo de medo de mais alguém contrair dengue na minha casa”, desabafou a atendente Eliene Pereira, 46 anos.

O cenário mais crítico é em Brazlândia, onde a Secretaria de Saúde ampliou para cinco o número de tendas do hospital de campanha. Agora, são 15 leitos e seis médicos atendendo. Ontem, 158 pessoas passaram pelo local. Dessas, 60 tiveram o diagnóstico de dengue. Cinco estão internadas com a suspeita de estarem com a forma grave da doença. Na quinta-feira, 111 pacientes foram atendidos e 55 tiveram a confirmação da doença. “Em dois dias, pudemos perceber que o número de pacientes que apresentaram os sintomas da doença é preocupante. Acreditamos que a demanda deve aumentar ainda mais. O que nos remete a pensar que estamos, sim, com um surto de dengue”, avaliou a secretária adjunta de Saúde, Eliene Ancelmo Berg.

Eliminar os criadouros do Aedes aegypti se tornou prioridade na cidade. Hoje, 18 mil militares realizam ação de combate ao mosquito na cidade — o objetivo é orientar os moradores e entregar panfletos explicativos. Até o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vai participar da ação. Ele estará na Administração Regional de Brazlândia. “Abram suas portas para que os agentes de vigilância ambiental e todos os agentes de saúde façam o trabalho de identificar os focos do mosquito”, pediu o subsecretário de Saúde, Tiago Coelho. As ações de combate direto com larvicida e inseticida devem ocorrer entre os dias 15 e 18 deste mês.

Entorno

A Secretaria de Saúde notificou 207 casos de dengue de moradores no Entorno. A alta é de 444,74%, em relação ao mesmo período de 2015. Águas Lindas, Luziânia, Padre Bernardo, Santo Antônio do Descoberto e Cidade Ocidental são os municípios com maior incidência. Dos 78 casos suspeitos de chikungunya, 22 (28%) vieram do Entorno. Os de zika vírus são 12 (16%). O Executivo local quer evitar que os reflexos negativos cheguem a Brasília. Representantes das secretarias de Saúde vão se reunir no próximo dia 19, em Luziânia, para tratar dos termos de cooperação técnica de combate à doença entre o DF e Goiás.