Adasa identifica 1.015 poços irregulares na Bacia do Descoberto


Fiscalização ocorre desde 2015 e foi intensificada com a crise hídrica.
Multa para quem usar água ilegalmente varia de R$ 400 a R$ 10 mil.
A crise hídrica por que passa o Distrito Federal reforça a importância de preservar as  águas subterrâneas como reserva estratégica para o abastecimento.
Por isso, a   Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) tem intensificado a fiscalização de poços artesianos ilegais.

De 2015 até outubro deste ano, foram identificados 1.015 unidades irregulares na Bacia do Descoberto.

A região é uma das mais afetadas pela escassez hídrica e a recordista em registros desse tipo de anomalia no meio rural.

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Em alguns casos, os poços cavados sem autorização na área do Descoberto serviam para irrigar pequenas hortas. No entanto, para atividades como irrigação e piscicultura, a captação mais frequente é a superficial.

No meio urbano, por sua vez, os poços desconformes agrupam-se no Gama, em Planaltina e em São Sebastião.

A concentração coincide com as principais frentes de parcelamento ilegal do território.

“Isso acontece porque os parcelamentos costumam ficar distantes dos cursos d’água, em locais mais afastados e sem infraestrutura. Para ter acesso à água, os Adasa, parceladores cavam poços sem autorização”, explica o coordenador de Fiscalização da Hudson Rocha de Oliveira.

Com a crise hídrica, a agência reguladora intensificou a fiscalização nesses locais e lavrou, até outubro de 2017, 107 autos de infração por uso irregular da água. As multas variam de R$ 400 a R$ 10 mil.

As permissões para perfurar novos poços artesianos estão suspensas desde 31 de outubro de 2016. A determinação da Adasa é válida enquanto durar a escassez de água e visa à manutenção do abastecimento para uso humano e para matar a sede de animais (dessedentação).

As denúncias de uso irregular da água chegaram por meio da Ouvidoria da Adasa.
Os canais de atendimento são o telefone (61) 3961–4900
e o e-mail ouvidoria@adasa.df.gov.br.
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Além de escassa, água no DF é cada vez mais impura, aponta análise

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Além de escassa, água no DF é cada vez mais impura, aponta análise

Os principais inimigos são a grilagem de terra e os loteamentos urbanos próximos a nascentes, córregos e reservatórios

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Crédito: Tony Winston/Agência Brasília. Reservatório de Santa Maria / Parque Nacional.ppostado em 29/09/2017 06:00 / atualizado em 29/09/2017 10:19
Pedro Grigori – Especial para o Correio
Tony Winston/Agência BrasíliaNo Parque Nacional de Brasília, captações do manancial de Santa Maria têm o melhor índice de qualidade do DF

Localizada no centro do Brasil, a água que deixa as nascentes brasilienses abastece algumas das principais bacias hidrográficas do país. O recurso, que surge cristalino ao deixar a fonte, perde a pureza ao seguir o curso d’água e, hoje, devido, principalmente, à ocupação desordenada, chega aos córregos com qualidade cada vez pior. No Distrito Federal, estudo da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) analisou os 23 mananciais superficiais utilizados para abastecimento hídrico e identificou que a proximidade com áreas de parcelamento irregular do solo e com loteamentos urbanos resulta na queda no Índice de Qualidade da Água (IQA). O ribeirão do Engenho das Lajes, próximo ao Gama, faz parte da Bacia do Descoberto, e apresentou o pior número. Além do prejuízo ao meio ambiente, a poluição significa aumento no custo do tratamento.

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Nesta semana, com o fim da estiagem, a qualidade desses córregos tende a cair ainda mais. Isso ocorre porque o vento e a chuva carregam as mais diversas impurezas para os rios. Exemplo prático disso ocorreu em dezembro de 2009, quando o vazamento de um material tóxico utilizado na pavimentação de asfalto na BR-060 atingiu o ribeirão, interrompendo a captação por mais de três meses e causando falta de água na região.

A Caesb avalia a qualidade dos recursos e, por meio de um cálculo relacionado às variáveis pH, cor, turbidez, ferro total, nitrogênio amoniacal, carbono total, cloretos e coliformes totais, classifica o IQA de cada local. O índice varia entre 0 (totalmente imprópria) a 100 (ótima). Engenho das Lajes registrou 61. Nenhuma das 23 captações do DF foi avaliada como ótima (veja quadro).

16/03/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Captação irregular de água das nascentes do Rio Descoberto. Cano e caixa dágua

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
Caixas d’água e canos captam água diretamente de uma nascente na Área de Preservação (APP) do Descoberto.

Segundo o gerente de Gestão Ambiental Corporativa da Caesb, Vladimir Puntel, a ocupação urbana em áreas de bacias hidrográficas pode ser determinante para a queda na qualidade de um manancial. “Em Engenho das Lajes, há diversas propriedades agrícolas que contribuem, em função dos usos e atividades desenvolvidas, para que o IQA tenha valores tão baixos. Estradas vicinais sem o devido controle do escoamento de águas pluviais também contribuem significativamente para essa situação”, alerta.

O professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB) Sérgio Koide conta que uma das causas da poluição da água é o sedimento gerado pelas construções. “Quando você tem obras na cidade, você gera lixo e entulho, levados pelo vento ou pelas chuvas para os córregos. Ocorrem também muitos problemas com infiltrações de esgoto, o que faz aparecer coliformes fecais”, explica o especialista em recursos hídricos.

O professor ainda alerta sobre a qualidade final do recurso. “O tratamento feito hoje pela Caesb é considerado muito bom, um exemplo para outras unidades da Federação. Mas ter água bruta em pior qualidade, além de gerar mais custos, significa que, independentemente dos processos de tratamento, o resultado não será tão bom quanto o de um manancial preservado”, esclarece.

16/03/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Captação irregular de água das nascentes do Rio Descoberto. Cano e caixa dágua

Reservatórios

O Rio Descoberto também apresentou um número de alerta: 69,2. Em março, o Correio mostrou invasões de luxo erguidas em cima das nascentes que abastecem o principal reservatório do DF. Seis meses depois, as edificações continuam de pé. Santa Maria mostrou o cenário ideal. Localizado dentro do Parque Nacional de Brasília, o reservatório registrou o melhor índice: 82,3. A Caesb não tem cálculos que mostrem a diferença financeira entre tratar a água do Santa Maria comparada com a do Descoberto.

Sérgio Koide lembra que, na construção de Brasília, os engenheiros fizeram um estudo de captação de água, construíram o reservatório de Santa Maria e criaram um parque ao redor para proteger as nascentes. “Santa Maria é o quadro ideal. Algo impossível de acontecer no Descoberto, que, como o próprio nome diz, não é coberto. Na criação da capital, ele foi designado para a produção de hortifrútis e para abastecer as chácaras agrícolas da capital. Porém, com o crescimento urbano, começou a ser utilizado para abastecimento do DF, mas aí o parcelamento de terra havia dominado as margens da bacia”, lamenta.

O levantamento da Caesb não avaliou a qualidade da água das captações do Lago Paranoá e do Bananal, previstas para serem inauguradas no próximo mês. Segundo Ricardo Moreira, gerente do Laboratório Central da Caesb, os dados estarão no estudo do próximo ano. “O relatório permite a comparação entre diferentes mananciais, a avaliação de possíveis tendências ao longo do tempo e de possíveis alterações da qualidade da água decorrentes de contaminação ou de melhorias promovidas na bacia de drenagem, por exemplo”, detalha.

Tendo em vista os prejuízos financeiros e ambientais, a Caesb informou que realiza monitoramento permanente nas Áreas de Proteção de Mananciais, além de realizar pelo menos cinco programas de conscientização e proteção de nascentes.

ARTIGO

Sabedoria natural
Por Eugênio Giovenardi, escritor e ecossociólogo

“Nos dias atuais, a colheita da água para uso da espécie humana não é feita na fonte cristalina. É do meio do rio que tiramos a água ou das represas. As formas de manter a boa qualidade da água que brota pura da nascente são variadas.

Mas, entre todas, por hábitos culturais da civilização moderna, confia-se na limpeza da água por processos químicos.

A ocupação da terra, seja pela expansão urbana, seja pela atividade produtiva, agrícola ou industrial, seja pelo tráfego intenso de automóveis, seja pelo lixo a céu aberto afeta a qualidade da água.

A inumerável variedade de dejetos líquidos e sólidos chega direta ou indiretamente aos córregos, rios e lagos.

As formas mais simples e menos onerosas para manter a qualidade da água foram ensinadas por gregos e romanos há milênios. Os aquedutos romanos colhiam as águas que jorravam das rochas para uso da população. Água limpa garante a saúde de todos.

O respeito à vegetação nativa, ao redor das nascentes e nos cursos d’água, pequenos ou grandes, é a forma natural de preservar a qualidade da água. A ênfase necessária que se está dando ao enquadramento dos cursos de água superficiais, da menos poluída à mais imprópria, revela, em diferentes regiões, o grau de ignorância e descuido do homo sapiens na forma de ocupação do solo e no uso inadequado das águas. Perdeu-se a sabedoria natural e instintiva de servir-se diretamente da fonte.

Uma das consequências é, necessariamente, o custo crescente das tecnologias usadas pelos órgãos públicos para manter a qualidade desejável da água oferecida gratuitamente pela natureza a todos os seres vivos. Pagamos caro o que poderíamos ter de graça.

Nossas torneiras, no DF, recebem quase 1 bilhão de litros de água tratada por dia e nos damos ao luxo de despejá-lo sujo nos córregos e nos lagos de onde a tiramos para beber, cozinhar e nos lavar.”

Movimento dos girassóis é guiado por bússola interna

As plantas mais velhas não acompanham todo o movimento do Sol: tática para atrair polinizadores.

image001 (5)O ritmo circadiano — período de 24 horas em que os ciclos biológicos do corpo se completam — também funciona como um guia para a movimentação dos girassóis. Pesquisadores dos Estados Unidos analisaram a flor e observaram que ela acompanha os raios solares de acordo com o seu relógio interno. O trabalho, publicado na última edição da revista Science, também aponta diferenças de comportamento nas espécies mais velhas, que realizam ciclos menores que as jovens.

Os estudiosos cultivaram as plantas da espécie Helianthus annuus, o girassol comum, em vasos ao ar livre e monitoraram como elas seguiam o Sol. Depois dessa etapa, as plantas foram levadas a uma câmara de crescimento, onde a única luz fornecida era controlada por meio de lâmpadas fluorescentes. Constatou-se que as plantas ainda se movimentavam, mesmo sem estar expostas à luz solar. A descoberta indica a existência de uma espécie de bússola interna para esse deslocamento.

“Um mecanismo interno, o relógio circadiano, é o que lhes permite dobrar para trás e para a frente com um ritmo de 24 horas”, explicou, ao Correio, Stacey Harmer, professora do Departamento de Biologia Vegetal da Universidade da Califórnia e uma das autoras do estudo. Os cientistas também observaram uma diferença curiosa entre plantas jovens e velhas. “Quando as plantas maduras se abrem, elas ficam fixas em uma posição virada para o leste e não acompanham o movimento do Sol, o que as mais novas fazem”, contou a autora.

A hipótese é de que o movimento mais limitado tem uma razão evolutiva. Os cientistas perceberam que os girassóis virados apenas para o leste, os mais velhos, têm temperaturas mais altas do que as plantas viradas para o oeste. Isso os torna mais atraentes para os polinizadores. Quando girassóis voltados para o oeste foram aquecidos com aquecedores portáteis, também ficaram mais propensos a chamar os polinizadores do que os colocados no mesmo lado, mas que não receberam aquecimento artificial.

Os autores pretendem se aprofundar nos achados e sanar novas dúvidas quanto ao comportamento da planta. “Estamos muito interessados em compreender como esses padrões de crescimento diferentes são impostos. Por que os girassóis são tao bons em seguir o Sol enquanto outras espécies não se comportam dessa forma? Se outras plantas seguissem a luz solar, elas teriam uma maior eficiência quanto ao seu crescimento?”, adianta Harmer. (VS)

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Barragem do Fundão, em Mariana, tem novo vazamento e Samarco aciona alerta

Defesa Civil foi avisada pela Samarco, que acendeu o alerta amarelo – a área foi esvaziada, conforme protocolo de segurança

Daniel Camargos
A barragem do Fundão, da mineradora Samarco, em Mariana, apresentou um novo vazamento no começo da tarde desta quarta-feira. De acordo com o chefe da Defesa Civil de Mariana, Welbert Stopa, o órgão foi avisado pela empresa, que adotou o alerta amarelo. Estopa afirma que não há vítimas, mas que, seguindo a legislação, os funcionários tiveram que sair do local. “Teve um deslocamento de massa. Foi material acumulado que vazou”, afirma Stopa.

O responsável pela Defesa Civil detalha que esses materiais acumulados são sedimentos do vazamento anterior, em 5 de novembro, que matou 17 pessoas, deixou duas desaparecidas, arrasou comunidades e provocou o colapso no abastecimento das cidades às margens do Rio Doce. Procurada pela reportagem, a Samarco ainda não havia se pronunciado até a publicação deste texto.

A Samarco confirmou à prefeitura de Mariana que os funcionários foram retirados do local por motivo de segurança. Ainda citada pela prefeitura, a mineradora minimizou o incidente, qualificando o vazamento como de “volume pequeno”. A Samarco descartou risco de que esse material siga adiante nos cursos d´água e que não há motivo para pânico.

A situação de emergência é iniciada, segundo a portaria do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), quando “for constatada, a qualquer momento, anomalia que resulte na pontuação máxima de 10 (dez) pontos em qualquer coluna do quadro de estado de conservação referente a categoria de risco da barragem de mineração, ou quando há qualquer outra situação com potencial comprometimento de segurança da estrutura. A emergência é classificada de níveis de um a três, sendo que o último é quando há ruptura ou iminência.

O promotor Carlos Eduardo Ferreira Pinto, coordenador do Núcleo de Combate aos Crimes Ambientais do Ministério Público de Minas Gerais mandou deslocar uma equipe ao local para apurar o novo incidente.

Colaboraram Sandra Kieffer, Paula Caroline e João Henrique do Vale

É necessário isolar Rio Doce da ação humana, afirma especialista

Para Brian Richter, diretor de Estratégias Globais de Água Doce da ONG The Nature Conservancy, em casos como esse, é preciso deixar a natureza agir para curar suas feridas
Um dos maiores especialistas no gerenciamento de recursos hídricos no mundo, Brian Richter visitou o Brasil durante o mais grave desastre ambiental da história do país. O rompimento, em Mariana (MG), de uma barragem com rejeitos de mineração da empresa Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton, lançou no Rio Doce 55 milhões de metros cúbicos de lama tóxica e espessa, que sufoca a fauna e a flora por onde passa.

Para Richter, diretor de Estratégias Globais de Água Doce da ONG The Nature Conservancy, em casos como esse, é preciso deixar a natureza agir para curar suas feridas. “Existem rios nos Estados Unidos que foram afetados pela mineração há 150 anos e ainda não foram recuperados, pois as pessoas os usam intensamente até hoje. É necessário isolar esse rio da ação humana”, aconselha, com a experiência de quem assessorou mais de 120 projetos hídricos em 25 anos.

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“De forma nenhuma existe uma resposta fácil, mas é preciso que o governo tenha normas mais rígidas para regular como esses rejeitos são utilizados”

Também assessor hídrico das Nações Unidas e professor de sustentabilidade hídrica na Universidade de Virgínia, o norte-americano conversou com o Correio quando esteve em Brasília para participar do XXI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, ocasião que aproveitou para lançar seu mais novo livro, Em busca da água (Oficina de Textos). Segundo ele, a escassez dos recursos hídricos se espalha e se intensifica em muitas regiões do mundo, com consequências desastrosas para as comunidades locais, as economias e os ecossistemas.

As abordagens atuais tendem a confiar em políticas elaboradas em nível estadual ou nacional, que, sozinhas, se revelaram insuficientes para combater o problema. Um exemplo, encontrado aqui mesmo no Brasil, aponta, é a crise de abastecimento no estado de São Paulo. “Acho que muitas partes do Brasil ainda não enfrentaram grandes crises hídricas e, por isso, historicamente, a população não foi conscientizada sobre as formas corretas de usar a água. Agora, começamos a ver os problemas disso surgindo em lugares como São Paulo, onde, apesar de Cantareira ter subido 60mm, ainda existe falta de água”, analisa.

Para ser durável e eficaz, políticas de conservação devem ser firmadas na cultura, na economia e nas variadas necessidades dos membros das comunidades afetadas. Richter argumenta que o consumo sustentável no século 21 só pode acontecer por meio de um diálogo aberto, democrático e que gere uma ação coletiva local. Fazer com que as pessoas deem mais atenção ao tema foi justamente o principal motivo de escrever o livro, conta. Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Por que o senhor decidiu escrever Em busca da água?
Eu sempre tive uma preocupação grande em relação à água. Cresci no sul da Califórnia, um local muito seco. Quando eu era criança, já estávamos preocupados com a conservação, pois a água estava sempre perto de acabar. Isso me motivou desde muito cedo. Passei os últimos 30 anos viajando o mundo e conhecendo lugares que tinham problemas sérios de falta de água e vi as graves consequências disso, então pensei que fosse o momento de escrever um livro para mostrar o que eu vivenciei, o que aprendi e o que estive pensando sobre o tema da conservação de recursos hídricos. Particularmente, queria fazer isso de uma forma que fosse compreensível para o público em geral, porque, infelizmente, a maior parte dos especialistas falam de uma forma que a maioria das pessoas não consegue entender muito bem. Eu tentei escrever de forma simples o porquê de estarmos tendo tantos problemas de falta de água e como podemos prevenir esses problemas no futuro.

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Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press – 23/11/15″Todos nós, que moramos em cidades, podemos nos preocupar e nos conscientizar sobre a água que usamos, podemos usar metade dela”

Qual é a atual situação dos rios no mundo?
Existe uma boa notícia: aproximadamente dois terços das fontes de água — rios, lagos e lençóis freáticos — do mundo foram muito pouco explorados. Mas as notícias são muito obscuras no outro terço. Nele, há uma diminuição dos recursos, não só nos períodos de seca. Em muitas comunidades, não há água suficiente quase o ano todo. Nesses locais, vemos rios muito largos ficando secos por causa do uso humano. No meu país, o Rio Colorado e o Rio Grande secam completamente antes de chegar ao oceano, pois usamos completamente toda a água deles. O mesmo acontece em outros países. É o caso do Rio Amarelo, na China, e do Bramaputra, em Bangladesh. E não precisamos necessariamente secar um rio completamente para termos perdas ecológicas. Se tirarmos um volume que parece pequeno, 20% da água, a vida aquática pode perder diversidade e gerar impactos enormes, sem contar que muitas comunidades possuem problemas econômicos pela falta de água. Nós temos um terço da população mundial convivendo com esses problemas, inclusive a de São Paulo.

Quais são as principais mazelas que afetam os rios?
Acho que existem três grandes problemas que impactam os rios. A grande retirada de água, que danifica a saúde ecológica; a poluição, que, no Brasil, o Rio Doce é um exemplo, mas que há vários casos também nas nações desenvolvidas pela industrialização; e, em terceiro lugar, a construção de barragens. Nós não temos muito cuidado sobre onde as construímos, e elas acabam causando grande impacto ambiental ou mudanças tão graves nos rios que as pessoas que dependem dele para pescar ou para plantar ficam impedidas de trabalhar. Existem várias formas de prejudicar a vida dos rios, mas essas são as três mais graves.

É possível recuperar o Rio Doce? E como evitar novos desastres?
Quando há esse tipo de contaminação em um rio, não há muito o que ser feito para recuperá-lo. Felizmente, os rios se recuperam ao longo do tempo, mas isso pode demorar muito. Existem rios nos Estados Unidos que foram afetados pela mineração há 150 anos e ainda não foram recuperados, pois as pessoas os usam intensamente até hoje. É necessário isolar esse rio da ação humana. Quando acontece um grande vazamento como esse, o rio vai se recuperar sozinho, ao passo que haverá muitas chuvas ao longo dele, e muitos dos elementos contaminadores vão se estabilizar, os químicos serão absorvidos pelas plantas. Mas é importantíssimo impedir que isso aconteça de novo. De forma nenhuma existe uma resposta fácil, mas é preciso que o governo tenha normas mais rígidas para regular como esses rejeitos são utilizados. Isso ainda não é o suficiente. Existem locais com leis rígidas não cumpridas. Isso acontece porque pouquíssimas pessoas trabalham no governo para inspecionar esse tipo de barragem. É necessário reforçar a fiscalização, assim evitaremos que desastres como esse voltem a acontecer.

Qual é a importância do Brasil na conservação dos recursos hídricos no cenário mundial?
Acho que muitas partes do Brasil ainda não enfrentaram grandes crises hídricas, e, por isso, historicamente, a população não foi conscientizada sobre as formas corretas de usar a água. Agora, começamos a ver os problemas disso surgindo em lugares como São Paulo, onde, apesar de Cantareira ter subido 60mm, ainda existe falta de água. À medida em que a população cresce, e as áreas de agricultura vão se expandido, caminhamos em direção ao limite de água disponível. Quanto mais perto disso, mais perigoso se torna o tema. Poderemos chegar em pouco tempo à situação do Nordeste brasileiro, onde a escassez acarreta crises econômicas que impedem o desenvolvimento. Eu gostaria de enfatizar três coisas: a primeira é que todos nós, que moramos em cidades, podemos nos preocupar e nos conscientizar sobre a água que usamos, podemos usar metade dela. Em segundo lugar, nas áreas com pouca água, a agricultura é de longe a maior utilizadora. É importante usar a água de maneira mais eficiente, com menos desperdício. O terceiro ponto é a necessidade de planejar e estar preparado. Em São Paulo, as pessoas foram pegas de surpresa, não estavam preparadas e não previam algo assim. São cruciais medidas para ajustar o consumo a esse tipo de situação. Se as pessoas conseguirem diminuir o consumo em 25% ou 50%, a vulnerabilidade delas diminuirá.

Como contornar a crise hídrica de São Paulo?
A forma mais rápida e confiável é usando menos água. Não é possível fazer um novo reservatório do dia para a noite. Minha resposta seria encontrar uma forma política e razoável de fazer as pessoas usarem menos água. Algumas maneiras já foram discutidas e tentadas, principalmente medidas como impostos sobre o consumo. Mas é preciso planejamento para que não se torne a água inacessível às camadas mais baixas da sociedade. É importante passar por essas crises de modo a criar políticas que impedirão que isso aconteça outra vez. No livro, eu explico isso de forma mais didática: é como na sua conta do banco, você não gasta mais do que deposita. Planejar sobre fontes de água é ter claro o tanto de água disponível para não gastar uma quantidade que afete o ecossistema. É crucial se preocupar tanto nos períodos de seca, quanto nos de chuva, pois sabemos que o clima está mudando e vamos ver muitas alterações no mundo. Não sabemos como será o futuro. Cada um tem sua responsabilidade: governo, indústrias, agricultores e cidadãos. Temos de ajustar nosso estilo de vida aos recursos disponíveis.

Quais são as obrigações e os deveres de cada setor da sociedade na conservação dos recursos hídricos?
Bem, uma das primeiras motivações para escrever o livro era fazer as pessoas darem mais importância a essas questões, de forma que elas não fiquem caladas durante a tomada de grandes decisões sobre o manejo dos recursos hídricos e trabalhem com as entidades governamentais e os especialistas no assunto. É muito importante o cidadão se envolver e expressar suas ideias. Eu acho que há duas coisas que todo mundo pode fazer: educar-se sobre as questões básicas acerca da água — ler o livro que escrevi pode ser um bom começo — e participar dos diálogos públicos quando for possível. Não podemos ficar sentados vendo o drama acontecer sem nossa mobilização. Todos deveríamos ser mais cuidadosos com a forma como gastamos a água. Deveríamos usar bem menos e produzir menos poluição, além de tentar solucionar os problemas juntos.

Como diminuir o consumo de água no dia a dia?
Um jeito de começar é olhar para formas efetivas de usar menos água e que não implicam em uma mudança no estilo de vida da população. Esse é um jeito barato. Podemos, por exemplo, ter banheiros, sanitários e lavadouras que usam a água de maneira mais eficiente. Se começarmos com essa mudança, não precisaremos nos importar com o tanto de vezes que usamos o vaso ou a lavadoura. Adotar encanamentos mais eficientes em nossas casas é algo muito importante, e existem muitas formas de encorajar a população a fazer isso. O governo pode tornar obrigatório, mas não concordo com essa estratégia, pois pode gerar resistência. A melhor forma é incentivar, como foi feito nos Estados Unidos, na Austrália e em Israel, por meio de um crédito para que o cidadão troque seu sistema de encanamentos para um melhor, além de subsidiar a reconstrução de banheiros mais eficientes. Há muitas outras formas de tornar o consumo mais inteligente, como, por exemplo, as pessoas usam muita água fora de casa para irrigar jardins. Podemos melhor utilizar a água nesses locais com o uso de plantas e árvores que precisem somente da água da chuva. Isso não significa que a paisagem da sua casa não seja atraente. Você pode procurar plantas bonitas que usem menos água.

O Nordeste brasileiro é árido e, para sanar esse problema, o governo está transpondo as águas do São Francisco. Esse tipo de projeto pode ser maléfico para o rio?
Uma das estratégias mais comuns nas comunidades ao redor do mundo que começaram a esgotar suas fontes de água, como os rios e os lençóis freáticos, é a construção de linhas que tragam água de outros locais. Os chineses estão construindo milhares de quilômetros de canais da parte sul do país para a parte norte. É uma situação comum, e pode ser muito importante para suplementar as fontes de água locais. É como um banco, como transferir mais dinheiro para essas comunidades. Contudo, essa prática traz riscos, e economizar é a forma mais barata de balancear o tanto de água disponível. Transferir a água de um lugar para outro pode prejudicar as pessoas que moram no lugar de origem. A perda do volume de água pode acarretar uma crise econômica que freia o desenvolvimento do lugar, além de prejudicar o sistema ecológico, pois, como mencionei, não é preciso tirar muito de um rio para destruir seu ecossistema. Isso precisa ser feito com muito cuidado.

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Terreno fértil para o mosquito

No momento em que o país vive uma proliferação de casos de bebês nascidos com microcefalia, provavelmente causada pelo zika vírus, latas, entulhos e pneus são flagrados pelas ruas do DF. Governo alerta que população precisa ajudar no combate ao Aedes aegypti
» OTÁVIO AUGUSTO
Publicação: 26/11/2015 04:00

image001 (1)Em Ceilândia, um antigo campo de futebol deu lugar a um aterro clandestino, em uma área residencial (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Em Ceilândia, um antigo campo de futebol deu lugar a um aterro clandestino, em uma área residencial

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No Setor Hospitalar Sul, flanelinhas usam grandes tonéis para captar água: sem nenhuma proteção.

Os riscos estão expostos a céu aberto, em frente de casa. São pneus, garrafas, latas que acumulam água e se tornam criadouros do Aedes aegypti — transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus. Há ainda gargalos que passam despercebidos aos olhos da vigilância ambiental. Esses se escondem dentro das casas, onde 80% dos criadouros se concentram, e somente os moradores podem intervir. O Correio percorreu Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Guará e Plano Piloto. A situação é semelhante. Falta interesse no combate ao mosquito que pode ter desencadeado o surto de microcefalia, que chama a atenção de todo o país. A Secretaria de Saúde garante que, diariamente, 500 agentes realizam vistorias e que o estoque de larvicida — veneno usado para matar o inseto — está abastecido. Contudo, a cooperação do brasilense é parte fundamental no trabalho.
O monitoramento da incidência do Aedes aegypti esbarra em entraves, como residências fechadas ou abandonadas. “Estamos fazendo um forte trabalho de educação e, ao mesmo tempo, tranquilizando a população em relação ao zika. Porém, muitas vezes, o agente de vigilância não é deixado entrar por proibição dos moradores ou mesmo a casa está fechada. É importante que as pessoas tirem uma hora para monitorar seu espaço”, explica Edmilton Alves, gerente de Vigilância Ambiental de Vetores e Animais Peçonhentos e Ações de Campo, da Secretaria de Saúde.
Até a última segunda-feira, a Secretaria de Saúde contabilizou 9.983 casos de dengue — percentual 21% menor que em 2014 (11.962). Ao todo, 25 pessoas morreram. Houve ainda 234 suspeitas e 14 confirmações de chikungunya, além de 12 hipóteses de zika e duas comprovações. Embora o cenário se mantenha estável, o governo pede à população que fique atenta à higienização de espaços que possam acumular água. Planaltina, Sobradinho 2, Sobradinho 1 e Gama são consideradas zonas críticas.

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Eduardo faz questão de cuidar do jardim semanalmente: família protegida

Pedro Luiz Tauil, especialista em controle de pragas epidemiológicas, explica que a umidade baixa, com o fim da seca, e a altitude elevada do DF contribuem negativamente. O controle, portanto, ainda é o melhor caminho. “Estão buscando outros métodos, mas o cuidado é a melhor forma de combate. O governo, em contrapartida, deve manter a coleta de lixo contínua, o fornecimento de água regular, para evitar o armazenamento pontual, e a limpeza de espaços públicos”, recomenda. “O elo vulnerável da cadeia de transmissão dessas doenças é o mosquito.”
O servidor público Eduardo Alves da Silva, 50 anos, cuida do jardim semanalmente. A regra é proteger a família de riscos. “Isso não interfere apenas na casa da gente, mas em toda a comunidade. Agora não é mais uma doença temporária. Significa transtornos para toda a vida, uma vez que microcefalia não tem cura”, argumenta o morador da QSB 8, em Taguatinga Sul.
O Serviço de Limpeza Urbana (SLU), em nota, condenou o modo como o brasiliense descarta o lixo. “A população precisa colaborar de forma mais efetiva, separando em casa o lixo doméstico seco do úmido. Os resíduos devem ser disponibilizados para as coletas nos dias específicos.” A Secretaria de Saúde ressaltou que, uma vez por mês, a pasta realiza a uma atividade ostensiva de combate ao Aedes aegypti. “A cada terceira semana do mês, as ações são intensificadas com a parceria de diversos órgãos do GDF.”

Risco

Veja a diferença entre as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Dengue
Febre, dores moderadas pelo corpo e pelas articulações, manchas vermelhas na pele.

Chikungunya
Febre alta, dores intensas pelo corpo e pelas articulações, manchas vermelhas na pele a partir do segundo dia de contaminação, coceira e vermelhidão no olhos.

Zika
Febre baixa, manchas vermelhas pelo corpo nas primeiras 24 horas de contaminação e coceira intensa.

Fonte: Fiocruz
Os maus exemplos
Publicação: 26/11/2015 04:00
Em toda a capital existem pelo menos mil lixões irregulares, segundo o Serviço de Limpeza Urbana (SLU). A falta de preocupação do brasiliense com os espaços comuns coloca em risco a saúde pública. Em Ceilândia, a 32km do Plano Piloto, um aterro clandestino se forma todas as semanas. Os próprios moradores da região reconhecem que há esforço do governo para manter o local limpo. Contudo, carroceiros e vizinhos insistem em degradar o terreno que um dia abrigou um campo de futebol. “Fico extremamente preocupado com um surto de dengue. Já teve períodos chuvosos que o lixo não foi retirado por meses. Não adianta eu cuidar da minha casa se um criadouro gigantesco é formado com a ajuda dos colegas”, reclama o aposentado José Gonçalves, 69 anos.

Em outro ponto, o lixo fica acumulado exatamente em frente à casa da assistente social Alcione Almeida, 46 anos. Há nove anos, os flagrantes são rotina na QNL 20, em Taguatinga Norte. “Tentei vender a casa por duas vezes, mas não consegui. Essa situação afasta as pessoas. Ninguém quer trazer a família para um ambiente exposto a riscos”, lamenta a mulher.

No Setor Hospitalar Sul, grandes tonéis de água, usados por flanelinhas, ficam expostos ao lado de clínicas, consultórios e hospitais. A situação chama a atenção de quem passa pelo local. E os maus exemplos proliferam. Entre junho e julho, o Correio publicou uma série de 11 reportagens denunciando a falta de cuidado do brasiliense com a cidade. Uma irregularidade mostrada em Samambaia Norte persiste, uma vez que os moradores não mudaram de hábito. O espaço é próximo ao prédio em que Marlene Viera, 50, é síndica. “Fazemos a nossa parte, mas é difícil unir todos em uma causa.”

O SLU diz que desenvolverá o projeto de implantação de Pontos de Entrega Voluntária (PEV), local adequado para receber até um metro cúbico de resíduos da construção civil, materiais volumosos e galhadas. Está prevista a construção de 10 unidades no ano que vem

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Moradores de Sobradinho trocam lixo por mudas de plantas

Cansado de ver tanto entulho espalhado por Sobradinho, Ilton Correa começou uma ação solitária, que tem ganhado o apoio de outros brasiliensesCarlos Moura/CB/D.A PressGraças à iniciativa do grupo Caridade Verde, a Quadra 8 de Sobradinho I ganhou uma charmosa pracinha.

Quando alguém decide fazer um pouquinho pelo lugar onde vive, o mundo começa a mudar. Pelo menos é assim que pensa o ambientalista Ilton Correa, 49 anos. Motivado pela vontade de fazer algo pela região de Sobradinho — onde nasceu, foi criado e vive até hoje —, ele deu início ao grupo Caridade Verde. A ideia de Ilton de limpar e preservar o meio ambiente em que vive conquistou a simpatia de oito moradores da redondeza. Passados alguns meses, a iniciativa tem surpreendido. Apesar disso, precisa de ajuda e mais colaboradores para seguir em frente.

Há cerca de quatro meses, em uma de suas andanças por Sobradinho, Ilton se surpreendeu ao encontrar uma paisagem que tirava a beleza natural da cidade. “Notei a existência de vários focos de lixo, acúmulo de pneus e sujeira. Resolvi fazer alguma coisa”, recorda-se. Daí em diante, o trabalho se concentrou na limpeza das ruas e na criação de uma área verde. Caixas de papelão, restos de móveis, pneus e sacos abarrotados de lixo deram lugar a mudas de ipê, dama da noite, mogno e tamarindo.

Com a ajuda dos demais integrantes do grupo, Ilton pega sementes e as cultiva até chegar a hora de plantá-las pela cidade. Um terreno público, localizado na Quadra 8 de Sobradinho I, era conhecido pelo acúmulo de sujeira. Por lá, passavam ratos e baratas e o mau cheiro era constante. O local foi limpo pelo grupo de moradores e deu lugar a uma variedade encantadora de árvores e flores.

“No caso dos pneus, eu os recolho pelas ruas da cidade. Guardo tudo na minha casa, corto, pinto e utilizo para proteger as mudas que plantamos”, explica Jamaica, como é conhecido. Funciona assim: os sacos de lixo e entulho são recolhidos e descartados nos locais corretos. Os pneus, que antes acumulavam água e significavam risco para a saúde da população, são retirados das ruas e dos becos da cidade e ganham novo destino. Ao fundo, são feitos pequenos cortes, que evitam a concentração da água das chuvas, sobretudo nesta época do ano.

Em cada pneu, Ilton faz questão de escrever palavras de conforto e frases motivacionais.
A finalidade, segundo ele, é contagiar a população e arrancar sorrisos de quem passar por ali. “Muita gente tem perdido a essência. É importante voltar aos bons sentimentos”, pontua. Paz, saúde, amor e união são algumas das palavras estampadas nos pneus que ganharam nova vida. Alguns deles, inclusive, são recortados e coloridos de modo a formar imagens que podem ser vistas de longe. Em um dos lugares, uma flor feita de pneus acolhe cinco mudas de árvore. No futuro, o objetivo é recheá-la ainda mais com mudas de roseiras.

Corrente solidária
Apesar dos custos, tudo isso ocorre sem nenhuma ajuda governamental. O grupo, composto por costureira, ambientalista, cozinheira, professora, diarista, operadora de telemarketing, entre outros profissionais, tira dinheiro do próprio bolso para colaborar com o meio ambiente. Os recursos, que já não são muitos, logo vão embora. Mas o que sobra, no fim das contas, é a boa vontade e a preocupação com o futuro. Alisson da Costa, 12 anos, acompanhou a ação da última segunda-feira e sentiu-se inspirado. Na ocasião, foram plantadas sete mudas de árvores. Atento, ele viu tudo de perto e quase não piscava. “Eu acho interessante, porque poucas pessoas fazem isso. Quando eu crescer, quero ser metade ambientalista, metade jogador de futebol”, vislumbra.

A professora Lisdaura Cavalcante, 43, também se sentiu motivada a fazer parte do grupo. Atualmente, ela ajuda na divulgação das ações comunitárias desenvolvidas e acompanha cada novo projeto. Antes mesmo de saber o nome de Ilton, ela o viu carregando um monte de pneus pelas ruas de Sobradinho. Curiosa, ela chegou a pensar que o ambientalista trabalhava em uma das borracharias da região. “Eu passava por aqui e via todas as plantas bem cuidadas, via a praça bonita, cheia de pneus coloridos e decorados. Um dia, eu falei com o Jamaica e decidi ajudar”, conta.

Para que o projeto siga em frente, entretanto, é preciso que mais gente abrace a causa. “Mais pessoas precisam colaborar conosco. Ajudar ao outro pensando no meio ambiente é muito bom”, valoriza a professora. Cada um com sua especialidade pode colaborar, a exemplo da cozinheira Ana Lúcia de Sousa, 55. Levando uma vida simples, ela também decidiu entrar na corrente de solidariedade. Na prática, Ana decidiu traduzir seu amor pelos bichos em ações efetivas.

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Ozanan Coelho, o homem que plantou os jardins da capital

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“Já dei tanta entrevista que tenho a minha vida escaneada, mexida e remexida. O povo não está mais interessado nessa besteira que digo mais não.” Ozanan é assim: debochado, brincalhão. Quase não pontua as próprias frases, tamanha a velocidade com que as memórias chegam à mente. A fala, no entanto, é mansa. Cearense, mesmo depois de quase cinco décadas em Brasília não perdeu o sotaque nordestino, o que torna impossível esconder as origens. É um verdadeiro contador de causos e boas histórias não lhe faltam. Ri alto. Solta palavrões. Diverte-se com as próprias piadas. E garante ter “papo para um milhão de horas”. Disso ninguém duvida.

O agrônomo Francisco Ozanan Correia Coelho de Alencar vai completar 72 anos. Quase 40 deles dedicados a embelezar a capital. Ele começa a entrevista exibindo um livro. Entre aquelas páginas, mostra fotos da Brasília que o acolheu: terra batida, vermelha, sem verde. Tanta poeira que deixava colarinhos avermelhados e olhos ardidos. Em outra parte da publicação, exibe a capital atual, com espaços arborizados e floridos. Emociona-se ao saber que foi figura essencial dessa mudança de paisagem. Orgulha-se de ter visto o sonho de Lucio Costa tornar-se realidade. O urbanista queria que “os prédios residenciais nascessem como da clareira de uma floresta”, como escreveu no relatório do Plano Piloto. Assim foi feito.

Ozanan trabalhou no Departamento de Parques e Jardins (DPJ) da Novacap, em uma época que as plantas morriam nesse cerrado. Ele e sua equipe trouxeram mudas de fora, testaram a natureza até negociar com ela o que brotaria por aqui. A cidade floresceu. Depois, o cearense foi diretor do DPJ, plantou árvores, flores, gramas, salvou outras. Tem o buriti, da praça de mesmo nome, como grande proeza. Ele o salvou depois que um desajustado quis cortá-lo por causa da rebeldia política. Também transplantou mangueiras no Museu do Índio que dão frutos até hoje. Até ele vê como impossível a tarefa de diferenciar as árvores que estão em local de nascença e as que mudaram de lugar.

Ozanan diz que nunca se importou com o poder, mas conheceu gente influente. Trabalhou com vários governadores. Tem na sala de casa um quadro feito para ele por Oscar Niemeyer. O desenho foi presente depois de um encontro sobre as tais mangueiras que deveriam ser salvas antes de construir o Museu do Índio. Conheceu Lucio Costa e Burle Marx. Foi da turma dos que transformaram o chão poeirento da cidade em jardim florido e gramado.

Hoje, está aposentado da lida de pôr a mão na massa. Diz que a idade já não permite. Mas o amor pelas plantas permanece. Lamenta os jardins da capital estarem meio “descuidados”, mas reconhece a beleza da cidade que escolheu como sua: “Claro que escolhi ficar aqui. Não tem a menor possibilidade de voltar para o Ceará. Pelo amor de Deus! E olha que gosto demais de Fortaleza. Todo ano eu vou. Uma vez ou duas. Vou para passar uma semana. Depois, já estou doido para voltar.”

ELE POR ELE
“Meu nome, por incrível que pareça, é Francisco Ozanan Correia Coelho de Alencar. Tudo isso. É coisa de cearense. Acho que no dia do registro civil, o tabelião, lá da Barbalha, estava bêbado, porque meus irmãos não têm esse nome assim. Só eu e o gêmeo comigo temos um nome comprido desse jeito. Ele também é Francisco. Foi promessa da minha mãe. Você já pensou o que é, 70 anos atrás, ter um parto duplo no interior do Ceará, em uma cidade que não tinha médico, que não tinha coisa nenhuma? A Barbalha era uma aldeia. Sou casado com uma senhora também de lá. Começamos a namorar quando eu tinha 15 anos e ela, 13. Fui estudar em Fortaleza e disse para ela: ‘Vou me casar com você, só não sei quando. Se você quiser esperar…’ Aí foram quase nove anos de enrolação… Eu me casei em 1951. Entre a enrolação de namoro e o casamento são 53 anos, 44 de casado. Como enrolei essa mulher! (risos) Tenha vergonha! Meu Deus, meus filhos já se casaram e se separaram, e nós dois aqui. (risos)”

BRASÍLIA
“Fiz agronomia na Universidade Federal do Ceará. Tinha um professor, Melquíades, da cadeira de zoologia, muito duro, reprovador, odiado pelos alunos. Ele passou um trabalho em que cada um deveria escolher falar de um animal. Entreguei o meu sobre um rato de cana da região do Cariri. Um dia, me avisaram que as notas estavam na secretaria. De longe, vi meu trabalho com um bilhetinho de nota 10. Ele me disse: ‘Sabe por que eu dei 10 pra você? Seu trabalho é absurdamente original e eu não gosto de xerox. Você quer trabalhar comigo?’ Chega gelou meu corpo todinho. Nasceu uma amizade que perdura até hoje. Terminei o curso em 12 dezembro de 1968. No dia 13, saiu o AI-5. Estava com a maior esperança de que ia ficar lá (na universidade). Mas a vida é totalmente decidida pelo imponderável. Com o AI-5 não houve colação de grau, não houve festa. O diretor chamou a gente no gabinete dele e disse para cada um rezar um pai-nosso. O AI-5 foi o endurecimento da revolução. O professor Melquíades falou assim: ‘Você quer ir para Brasília? Um diretor de um departamento de parques e jardins (Stênio de Araújo Bastos) é muito meu amigo e pediu para indicar um rapaz que quisesse. Aquilo lá é um desafio. Você vai, se gostar, fica. Se não gostar, trabalha uns dois meses e volta.’

A CHEGADA
“Meu irmão me deu o dinheiro da passagem. Vim, cheguei, peguei um táxi do aeroporto. Passei pelo Eixo e perguntei ao motorista qual era o nome daquela rua e ele disse que não era rua, era o Eixo Monumental. Então pensei: ‘Estou lascado, essa cidade é completamente diferente’. Eu me lembro perfeitamente da tarde em que fui assinar meu contrato. Ali na Esplanada dos Ministérios subia uma poeira que nunca tinha visto na minha vida. Era um barro vermelho e uns redemoinhos… Os ventos se encontravam e faziam ‘timmm’. Tinha uma chaminé vermelha que você via lá de longe. O povo chamava aquilo de Lacerdinha, em alusão a Carlos Lacerda, governador da Guanabara. O colarinho da camisa, às vezes, ficava vermelho e eu andava com um vidro de colírio para botar nos olhos porque entupia de terra, da gente que trabalhava nas obras. Aqui era que nem dr. Stênio me disse: ‘É pegar ou largar.’ O desafio era grande demais, mas eu não ia voltar não porque um dia isso aqui ia ser bom. Aí não larguei e me apaixonei por Brasília.”

PODER
“Eu me tornei chefe do Departamento de Parques e Jardins depois de trabalhar com dr. Stênio por 10 anos. Eu não queria de jeito nenhum, não tinha essa ambição de assumir a parte administrativa. Escolhi um método meu para administrar: nunca fechei a minha porta. Quem quisesse entrar podia: cachorro, gente. O máximo que pode acontecer é ouvir um não, mas nunca tratava ninguém mal e, se pudesse ajudar, ajudava. Nunca me preocupei com o poder. Sou a pessoa mais feliz do mundo com o que fiz profissionalmente. Tenho muitos defeitos e, depois que me aposentei, enxergo melhor os defeitos. Mas foi o que eu podia fazer. Nesses 40 anos, que passei na Novacap, tirei duas férias. Não é que me proibiam de tirar férias. Era tesão que eu tinha por aquilo. Uma verdadeira paixão. Não sei se é virtude ou defeito, mas é verdade. Tinha tesão, paixão e ainda tenho.”

APOSENTADORIA
“Tenho seis anos de aposentado. Abri uma empresinha que planta grama com dois colegas que trabalharam comigo em mais de 30 anos na Novacap. Não me aposentei com a intenção de trabalhar. Eu disse: ‘Vou ficar em casa e aproveitar o resto da minha vida.’ O primeiro e o segundo mês, achei bom demais; no terceiro, começou a me dar um tédio louco e eu já estava aprendendo a fazer bolo com a Ana Maria Braga. Falei: ‘Cacete, vou ficar doido.’ Disse para a mulher que não ia ficar em casa. Juntei-me com esses dois colegas e fizemos uma empresinha. Dá mais raiva do que a gente ganha de dinheiro. Fizemos uma obra que o Agnelo (ex-governador) não pagou e lascou a gente… Mas é bom que a gente se reúne, bate papo e fala das besteiras de antigamente, conta causo e movimenta a cabeça. Hoje, apesar da minha aposentadoria, ainda tenho, como minha mulher cunhou, o mesmo adultério explícito, que eu tinha com as áreas verdes de Brasília. Você acredita em um negócio desse? Passo nos cantos e vejo as coisas erradas. Não vou ligar lá e dar opinião, mas vejo esses jardins se acabando.”

Leia a reportagem completa na edição nº544 da Revista do Correio.
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Burocracia condena onça a viver em cela de 12 m²

Bravão chegou filhote ao zoo de Goiânia há mais de 12 anos e até hoje é mantido em espaço longe do ideal

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Photo: Diomício Gomes
Bravão no recinto em que vive há mais de uma década no Parque Zoológico de Goiânia: estresse e sobrepeso.

Era apenas um filhote em uma caixa de papelão quando foi encontrado em uma estrada no município de Goiatuba, a 178 quilômetros de Goiânia. Levado por uma equipe do Batalhão Ambiental da Polícia Militar para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foi ficando sem destinação adequada.

Bravão, um Puma concolor, mais conhecido como suçuarana, onça-parda, onça-vermelha, onça-bodeira, mossoroca ou leão-baio, foi entregue ao Ibama dia 12 de março de 2003. O apelido foi dado pela Coordenação de Fauna do Ibama. É uma referência ao humor do animal que oficialmente tem apenas uma identificação: 982F009102058706, que pode ser lida por um leitor de chip. Tudo bem formal.

E é a formalidade que atrapalhou a vida de Bravão. O Cetas funcionava na época nas dependências do Parque Zoológico de Goiânia. Quando o órgão foi transferido para outro local, três suçuaranas, entre elas Bravão, ficaram.

Por não pertencerem ao plantel do município, ficavam contidas em espaços inadequados, pequenos e sem grama ou terra. É o que acontece com animais no setor extra do Zoológico.

Das três onças remanescentes do plantel do Ibama, um casal agora pertence ao plantel do município e ganhou um espaço maior e mais confortável. “Há 15 dias, aproximadamente, juntamos o casal de onças que já vinha se adaptando aos poucos a essa convivência e fizemos a transferência para um espaço que foi readequado pensando no bem-estar dos animais”, explica o diretor do Zoológico, Raphael Cupertino.

Agora persiste o problema de Bravão. Aos 12 anos, sempre esteve contido em uma cela de 12 metros quadrados no Zoo. Sedentário, nervoso e acima do peso, está sem alguns dentes, mas tem o olhar triste de um encarcerado. Nasceu livre e foi condenado a morrer preso.

Listas

“É um passivo ambiental”, explica a coordenadora de Fauna do Ibama em Goiás, Cristianne Miguel. Ela explicou que Bravão é um macho adulto de difícil destinação. Zoológicos e Cetas do País todo possuem listas de excedentes muito parecidas – reclamação também de Cupertino. Suçuaranas são comuns nas listas.

“Quando se consegue destinação para um zoológico, geralmente são filhotes, de mais fácil adaptação”, conta o responsável pelo Cetas em Goiânia, Luiz Alfredo Baptista. Atualmente existem 13 onças-pardas no local. São 8 adultos e 5 filhotes.

“Todos chegaram filhotes. Estamos destinando dois para o zoológico de São Paulo e tentando a soltura de um, se ele conseguir. Essa soltura será monitorada”, diz. O local não é divulgado para evitar a caça ao animal.

Bravão provavelmente foi vítima de caçadores. Técnicos do Ibama acreditam que a mãe dele tenha sido morta por fazendeiros quando saiu para caçar e alimentar a cria e ficaram com medo de matar o filhote. “É o que mais acontece. Matam a mãe, capturam os filhotes e nos entregam”.

A coordenadora de Fauna do Ibama alerta para que as pessoas não capturem animais silvestres. Luiz Alfredo lembra que o próprio Ibama tem projetos para impedir a caça de animais que porventura estejam atacando rebanhos.

“Fazemos toda orientação e em alguns casos até a captura”, afirma. Quem localizar uma onça em propriedade rural, deve ligar na Coordenação de Fauna do Ibama: (62) 3946-8140 e 3946-8142.

Sem chance de voltar à natureza, animal deve ganhar mais espaço

A captura de Bravão em 2003 trouxe consequências irreversíveis. Como não aprendeu com a mãe a caçar e a se defender, nunca teve nem a chance de ser reinserido na natureza. “Ele não sobreviveria”, diz a coordenadora de Fauna do Ibama, Cristianne Miguel.

Por ser adulto e bravo, zoológicos não demonstram interesse por ele. Cristianne explica que um adulto briga por território e certamente ele mataria outras onças colocadas com ele em um recinto.

Ontem o diretor geral da Associação pela Redução Populacional e contra o Abandono de Animais (Arpa Brasil), Alexander Noronha, protocolou requerimento junto à Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer, solicitando que o município transfira as onças do setor extra para recintos adequados. Ele argumenta que o dinheiro arrecadado na bilheteria do Zoológico de Goiânia deve ser usado para a construção de ambientes adequados ao bem-estar dos animais, independente de pertencerem aos plantéis do zoológico ou do Ibama. Pede ainda que um tigre macho seja vasectomizado.

Alexander Noronha diz que a Arpa Brasil solicitou acesso a informações sobre a destinação das onças ao Ibama, ao Zoológico e à Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). “Independente de em qual plantel o animal esteja, acreditamos e lutamos para que o tratamento seja o melhor possível e dessa forma pedimos para que o zoológico use todos os seus recursos à disposição do bem-estar dos animais”, reforça.

O delegado Luziano de Carvalho, titular da Delegacia Estadual do Meio Ambiente (Dema), afirma que a conclusão do inquérito que apurou a morte de dezenas de animais no zoológico de Goiânia foi a de que não houve crime ambiental cometido ali. “É um problema ligado ao manejo e o mesmo ocorre em relação a essa suçuarana macho”, pondera.

Para o presidente da Arpa Brasil, seria papel do Ministério Público analisar se houve crime ou não. “Fato incontestável é que um animal viveu em um espaço de 10 metros quadrados por uma década sem que fosse tomada nenhuma atitude”.

Mais espaço

Um acordo entre a direção do Zoológico e a Coordenação de Fauna do Ibama deverá garantir pelo menos mais espaço para Bravão. É que com a retirada do casal de suçuaranas do setor extra para outro ambiente, a parede que separa duas celas será quebrada. Bravão passará a ter cerca de 35 metros quadrados de cimento para viver.

De acordo com Cristianne Miguel, o ideal para onças do porte de Bravão é um espaço de 70 metros quadrados, com água, terra, grama, troncos e tocas. Isso, por enquanto, ele não terá. “É o melhor que pode ser feito hoje para melhorar a condição dele, que passou a vida toda em cativeiro”, conta ela.

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Rio que abastece cidade do Entorno é contaminado 3 vezes em 2 anos

Indústria de fabricação de produtos de limpeza é a única suspeita. Se o problema se repetir em proporções maiores, Companhia de Abastecimento de Goiás (Saneago) será obrigada a suspender o abastecimento

Renato Alves
Pela terceira vez em menos de dois anos, um rio que abastece Luziânia (GO) é contaminado por uma espuma branca. Fiscais do município do Entorno do Distrito Federal fizeram uma vistoria em uma indústria de fabricação de produtos de limpeza que fica próximo ao Rio Palmital na segunda-feira (14/9). A empresa é a única suspeita.

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Rio Palmital foi contaminado pela terceira vez em dois anos

Nas outras duas vezes, a empresa Flora Higiene e Limpeza foi multada em R$ 600 mil. Porém, recorreu da decisão na Justiça. Sobre a contaminação do fim de semana a empresa, disse que não encontrou nenhuma anormalidade na fábrica e que está colaborando com a investigação.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Luziânia investiga o caso. Já a Companhia de Abastecimento de Goiás (Saneago) informou que está “levantando os prejuízos da empresa e com certeza vai fazer parte de uma solicitação de indenização aos cofres da empresa”, afirmou Hélio Leão, gerente regional da Companhia de Abastecimento de Goiás (Saneago). Se o problema se repetir em proporções maiores, a estatal será obrigada a suspender o abastecimento.

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