Terreno fértil para o mosquito

No momento em que o país vive uma proliferação de casos de bebês nascidos com microcefalia, provavelmente causada pelo zika vírus, latas, entulhos e pneus são flagrados pelas ruas do DF. Governo alerta que população precisa ajudar no combate ao Aedes aegypti
» OTÁVIO AUGUSTO
Publicação: 26/11/2015 04:00

image001 (1)Em Ceilândia, um antigo campo de futebol deu lugar a um aterro clandestino, em uma área residencial (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Em Ceilândia, um antigo campo de futebol deu lugar a um aterro clandestino, em uma área residencial

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No Setor Hospitalar Sul, flanelinhas usam grandes tonéis para captar água: sem nenhuma proteção.

Os riscos estão expostos a céu aberto, em frente de casa. São pneus, garrafas, latas que acumulam água e se tornam criadouros do Aedes aegypti — transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus. Há ainda gargalos que passam despercebidos aos olhos da vigilância ambiental. Esses se escondem dentro das casas, onde 80% dos criadouros se concentram, e somente os moradores podem intervir. O Correio percorreu Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Guará e Plano Piloto. A situação é semelhante. Falta interesse no combate ao mosquito que pode ter desencadeado o surto de microcefalia, que chama a atenção de todo o país. A Secretaria de Saúde garante que, diariamente, 500 agentes realizam vistorias e que o estoque de larvicida — veneno usado para matar o inseto — está abastecido. Contudo, a cooperação do brasilense é parte fundamental no trabalho.
O monitoramento da incidência do Aedes aegypti esbarra em entraves, como residências fechadas ou abandonadas. “Estamos fazendo um forte trabalho de educação e, ao mesmo tempo, tranquilizando a população em relação ao zika. Porém, muitas vezes, o agente de vigilância não é deixado entrar por proibição dos moradores ou mesmo a casa está fechada. É importante que as pessoas tirem uma hora para monitorar seu espaço”, explica Edmilton Alves, gerente de Vigilância Ambiental de Vetores e Animais Peçonhentos e Ações de Campo, da Secretaria de Saúde.
Até a última segunda-feira, a Secretaria de Saúde contabilizou 9.983 casos de dengue — percentual 21% menor que em 2014 (11.962). Ao todo, 25 pessoas morreram. Houve ainda 234 suspeitas e 14 confirmações de chikungunya, além de 12 hipóteses de zika e duas comprovações. Embora o cenário se mantenha estável, o governo pede à população que fique atenta à higienização de espaços que possam acumular água. Planaltina, Sobradinho 2, Sobradinho 1 e Gama são consideradas zonas críticas.

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Eduardo faz questão de cuidar do jardim semanalmente: família protegida

Pedro Luiz Tauil, especialista em controle de pragas epidemiológicas, explica que a umidade baixa, com o fim da seca, e a altitude elevada do DF contribuem negativamente. O controle, portanto, ainda é o melhor caminho. “Estão buscando outros métodos, mas o cuidado é a melhor forma de combate. O governo, em contrapartida, deve manter a coleta de lixo contínua, o fornecimento de água regular, para evitar o armazenamento pontual, e a limpeza de espaços públicos”, recomenda. “O elo vulnerável da cadeia de transmissão dessas doenças é o mosquito.”
O servidor público Eduardo Alves da Silva, 50 anos, cuida do jardim semanalmente. A regra é proteger a família de riscos. “Isso não interfere apenas na casa da gente, mas em toda a comunidade. Agora não é mais uma doença temporária. Significa transtornos para toda a vida, uma vez que microcefalia não tem cura”, argumenta o morador da QSB 8, em Taguatinga Sul.
O Serviço de Limpeza Urbana (SLU), em nota, condenou o modo como o brasiliense descarta o lixo. “A população precisa colaborar de forma mais efetiva, separando em casa o lixo doméstico seco do úmido. Os resíduos devem ser disponibilizados para as coletas nos dias específicos.” A Secretaria de Saúde ressaltou que, uma vez por mês, a pasta realiza a uma atividade ostensiva de combate ao Aedes aegypti. “A cada terceira semana do mês, as ações são intensificadas com a parceria de diversos órgãos do GDF.”

Risco

Veja a diferença entre as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

Dengue
Febre, dores moderadas pelo corpo e pelas articulações, manchas vermelhas na pele.

Chikungunya
Febre alta, dores intensas pelo corpo e pelas articulações, manchas vermelhas na pele a partir do segundo dia de contaminação, coceira e vermelhidão no olhos.

Zika
Febre baixa, manchas vermelhas pelo corpo nas primeiras 24 horas de contaminação e coceira intensa.

Fonte: Fiocruz
Os maus exemplos
Publicação: 26/11/2015 04:00
Em toda a capital existem pelo menos mil lixões irregulares, segundo o Serviço de Limpeza Urbana (SLU). A falta de preocupação do brasiliense com os espaços comuns coloca em risco a saúde pública. Em Ceilândia, a 32km do Plano Piloto, um aterro clandestino se forma todas as semanas. Os próprios moradores da região reconhecem que há esforço do governo para manter o local limpo. Contudo, carroceiros e vizinhos insistem em degradar o terreno que um dia abrigou um campo de futebol. “Fico extremamente preocupado com um surto de dengue. Já teve períodos chuvosos que o lixo não foi retirado por meses. Não adianta eu cuidar da minha casa se um criadouro gigantesco é formado com a ajuda dos colegas”, reclama o aposentado José Gonçalves, 69 anos.

Em outro ponto, o lixo fica acumulado exatamente em frente à casa da assistente social Alcione Almeida, 46 anos. Há nove anos, os flagrantes são rotina na QNL 20, em Taguatinga Norte. “Tentei vender a casa por duas vezes, mas não consegui. Essa situação afasta as pessoas. Ninguém quer trazer a família para um ambiente exposto a riscos”, lamenta a mulher.

No Setor Hospitalar Sul, grandes tonéis de água, usados por flanelinhas, ficam expostos ao lado de clínicas, consultórios e hospitais. A situação chama a atenção de quem passa pelo local. E os maus exemplos proliferam. Entre junho e julho, o Correio publicou uma série de 11 reportagens denunciando a falta de cuidado do brasiliense com a cidade. Uma irregularidade mostrada em Samambaia Norte persiste, uma vez que os moradores não mudaram de hábito. O espaço é próximo ao prédio em que Marlene Viera, 50, é síndica. “Fazemos a nossa parte, mas é difícil unir todos em uma causa.”

O SLU diz que desenvolverá o projeto de implantação de Pontos de Entrega Voluntária (PEV), local adequado para receber até um metro cúbico de resíduos da construção civil, materiais volumosos e galhadas. Está prevista a construção de 10 unidades no ano que vem

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Moradores de Sobradinho trocam lixo por mudas de plantas

Cansado de ver tanto entulho espalhado por Sobradinho, Ilton Correa começou uma ação solitária, que tem ganhado o apoio de outros brasiliensesCarlos Moura/CB/D.A PressGraças à iniciativa do grupo Caridade Verde, a Quadra 8 de Sobradinho I ganhou uma charmosa pracinha.

Quando alguém decide fazer um pouquinho pelo lugar onde vive, o mundo começa a mudar. Pelo menos é assim que pensa o ambientalista Ilton Correa, 49 anos. Motivado pela vontade de fazer algo pela região de Sobradinho — onde nasceu, foi criado e vive até hoje —, ele deu início ao grupo Caridade Verde. A ideia de Ilton de limpar e preservar o meio ambiente em que vive conquistou a simpatia de oito moradores da redondeza. Passados alguns meses, a iniciativa tem surpreendido. Apesar disso, precisa de ajuda e mais colaboradores para seguir em frente.

Há cerca de quatro meses, em uma de suas andanças por Sobradinho, Ilton se surpreendeu ao encontrar uma paisagem que tirava a beleza natural da cidade. “Notei a existência de vários focos de lixo, acúmulo de pneus e sujeira. Resolvi fazer alguma coisa”, recorda-se. Daí em diante, o trabalho se concentrou na limpeza das ruas e na criação de uma área verde. Caixas de papelão, restos de móveis, pneus e sacos abarrotados de lixo deram lugar a mudas de ipê, dama da noite, mogno e tamarindo.

Com a ajuda dos demais integrantes do grupo, Ilton pega sementes e as cultiva até chegar a hora de plantá-las pela cidade. Um terreno público, localizado na Quadra 8 de Sobradinho I, era conhecido pelo acúmulo de sujeira. Por lá, passavam ratos e baratas e o mau cheiro era constante. O local foi limpo pelo grupo de moradores e deu lugar a uma variedade encantadora de árvores e flores.

“No caso dos pneus, eu os recolho pelas ruas da cidade. Guardo tudo na minha casa, corto, pinto e utilizo para proteger as mudas que plantamos”, explica Jamaica, como é conhecido. Funciona assim: os sacos de lixo e entulho são recolhidos e descartados nos locais corretos. Os pneus, que antes acumulavam água e significavam risco para a saúde da população, são retirados das ruas e dos becos da cidade e ganham novo destino. Ao fundo, são feitos pequenos cortes, que evitam a concentração da água das chuvas, sobretudo nesta época do ano.

Em cada pneu, Ilton faz questão de escrever palavras de conforto e frases motivacionais.
A finalidade, segundo ele, é contagiar a população e arrancar sorrisos de quem passar por ali. “Muita gente tem perdido a essência. É importante voltar aos bons sentimentos”, pontua. Paz, saúde, amor e união são algumas das palavras estampadas nos pneus que ganharam nova vida. Alguns deles, inclusive, são recortados e coloridos de modo a formar imagens que podem ser vistas de longe. Em um dos lugares, uma flor feita de pneus acolhe cinco mudas de árvore. No futuro, o objetivo é recheá-la ainda mais com mudas de roseiras.

Corrente solidária
Apesar dos custos, tudo isso ocorre sem nenhuma ajuda governamental. O grupo, composto por costureira, ambientalista, cozinheira, professora, diarista, operadora de telemarketing, entre outros profissionais, tira dinheiro do próprio bolso para colaborar com o meio ambiente. Os recursos, que já não são muitos, logo vão embora. Mas o que sobra, no fim das contas, é a boa vontade e a preocupação com o futuro. Alisson da Costa, 12 anos, acompanhou a ação da última segunda-feira e sentiu-se inspirado. Na ocasião, foram plantadas sete mudas de árvores. Atento, ele viu tudo de perto e quase não piscava. “Eu acho interessante, porque poucas pessoas fazem isso. Quando eu crescer, quero ser metade ambientalista, metade jogador de futebol”, vislumbra.

A professora Lisdaura Cavalcante, 43, também se sentiu motivada a fazer parte do grupo. Atualmente, ela ajuda na divulgação das ações comunitárias desenvolvidas e acompanha cada novo projeto. Antes mesmo de saber o nome de Ilton, ela o viu carregando um monte de pneus pelas ruas de Sobradinho. Curiosa, ela chegou a pensar que o ambientalista trabalhava em uma das borracharias da região. “Eu passava por aqui e via todas as plantas bem cuidadas, via a praça bonita, cheia de pneus coloridos e decorados. Um dia, eu falei com o Jamaica e decidi ajudar”, conta.

Para que o projeto siga em frente, entretanto, é preciso que mais gente abrace a causa. “Mais pessoas precisam colaborar conosco. Ajudar ao outro pensando no meio ambiente é muito bom”, valoriza a professora. Cada um com sua especialidade pode colaborar, a exemplo da cozinheira Ana Lúcia de Sousa, 55. Levando uma vida simples, ela também decidiu entrar na corrente de solidariedade. Na prática, Ana decidiu traduzir seu amor pelos bichos em ações efetivas.

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Ozanan Coelho, o homem que plantou os jardins da capital

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“Já dei tanta entrevista que tenho a minha vida escaneada, mexida e remexida. O povo não está mais interessado nessa besteira que digo mais não.” Ozanan é assim: debochado, brincalhão. Quase não pontua as próprias frases, tamanha a velocidade com que as memórias chegam à mente. A fala, no entanto, é mansa. Cearense, mesmo depois de quase cinco décadas em Brasília não perdeu o sotaque nordestino, o que torna impossível esconder as origens. É um verdadeiro contador de causos e boas histórias não lhe faltam. Ri alto. Solta palavrões. Diverte-se com as próprias piadas. E garante ter “papo para um milhão de horas”. Disso ninguém duvida.

O agrônomo Francisco Ozanan Correia Coelho de Alencar vai completar 72 anos. Quase 40 deles dedicados a embelezar a capital. Ele começa a entrevista exibindo um livro. Entre aquelas páginas, mostra fotos da Brasília que o acolheu: terra batida, vermelha, sem verde. Tanta poeira que deixava colarinhos avermelhados e olhos ardidos. Em outra parte da publicação, exibe a capital atual, com espaços arborizados e floridos. Emociona-se ao saber que foi figura essencial dessa mudança de paisagem. Orgulha-se de ter visto o sonho de Lucio Costa tornar-se realidade. O urbanista queria que “os prédios residenciais nascessem como da clareira de uma floresta”, como escreveu no relatório do Plano Piloto. Assim foi feito.

Ozanan trabalhou no Departamento de Parques e Jardins (DPJ) da Novacap, em uma época que as plantas morriam nesse cerrado. Ele e sua equipe trouxeram mudas de fora, testaram a natureza até negociar com ela o que brotaria por aqui. A cidade floresceu. Depois, o cearense foi diretor do DPJ, plantou árvores, flores, gramas, salvou outras. Tem o buriti, da praça de mesmo nome, como grande proeza. Ele o salvou depois que um desajustado quis cortá-lo por causa da rebeldia política. Também transplantou mangueiras no Museu do Índio que dão frutos até hoje. Até ele vê como impossível a tarefa de diferenciar as árvores que estão em local de nascença e as que mudaram de lugar.

Ozanan diz que nunca se importou com o poder, mas conheceu gente influente. Trabalhou com vários governadores. Tem na sala de casa um quadro feito para ele por Oscar Niemeyer. O desenho foi presente depois de um encontro sobre as tais mangueiras que deveriam ser salvas antes de construir o Museu do Índio. Conheceu Lucio Costa e Burle Marx. Foi da turma dos que transformaram o chão poeirento da cidade em jardim florido e gramado.

Hoje, está aposentado da lida de pôr a mão na massa. Diz que a idade já não permite. Mas o amor pelas plantas permanece. Lamenta os jardins da capital estarem meio “descuidados”, mas reconhece a beleza da cidade que escolheu como sua: “Claro que escolhi ficar aqui. Não tem a menor possibilidade de voltar para o Ceará. Pelo amor de Deus! E olha que gosto demais de Fortaleza. Todo ano eu vou. Uma vez ou duas. Vou para passar uma semana. Depois, já estou doido para voltar.”

ELE POR ELE
“Meu nome, por incrível que pareça, é Francisco Ozanan Correia Coelho de Alencar. Tudo isso. É coisa de cearense. Acho que no dia do registro civil, o tabelião, lá da Barbalha, estava bêbado, porque meus irmãos não têm esse nome assim. Só eu e o gêmeo comigo temos um nome comprido desse jeito. Ele também é Francisco. Foi promessa da minha mãe. Você já pensou o que é, 70 anos atrás, ter um parto duplo no interior do Ceará, em uma cidade que não tinha médico, que não tinha coisa nenhuma? A Barbalha era uma aldeia. Sou casado com uma senhora também de lá. Começamos a namorar quando eu tinha 15 anos e ela, 13. Fui estudar em Fortaleza e disse para ela: ‘Vou me casar com você, só não sei quando. Se você quiser esperar…’ Aí foram quase nove anos de enrolação… Eu me casei em 1951. Entre a enrolação de namoro e o casamento são 53 anos, 44 de casado. Como enrolei essa mulher! (risos) Tenha vergonha! Meu Deus, meus filhos já se casaram e se separaram, e nós dois aqui. (risos)”

BRASÍLIA
“Fiz agronomia na Universidade Federal do Ceará. Tinha um professor, Melquíades, da cadeira de zoologia, muito duro, reprovador, odiado pelos alunos. Ele passou um trabalho em que cada um deveria escolher falar de um animal. Entreguei o meu sobre um rato de cana da região do Cariri. Um dia, me avisaram que as notas estavam na secretaria. De longe, vi meu trabalho com um bilhetinho de nota 10. Ele me disse: ‘Sabe por que eu dei 10 pra você? Seu trabalho é absurdamente original e eu não gosto de xerox. Você quer trabalhar comigo?’ Chega gelou meu corpo todinho. Nasceu uma amizade que perdura até hoje. Terminei o curso em 12 dezembro de 1968. No dia 13, saiu o AI-5. Estava com a maior esperança de que ia ficar lá (na universidade). Mas a vida é totalmente decidida pelo imponderável. Com o AI-5 não houve colação de grau, não houve festa. O diretor chamou a gente no gabinete dele e disse para cada um rezar um pai-nosso. O AI-5 foi o endurecimento da revolução. O professor Melquíades falou assim: ‘Você quer ir para Brasília? Um diretor de um departamento de parques e jardins (Stênio de Araújo Bastos) é muito meu amigo e pediu para indicar um rapaz que quisesse. Aquilo lá é um desafio. Você vai, se gostar, fica. Se não gostar, trabalha uns dois meses e volta.’

A CHEGADA
“Meu irmão me deu o dinheiro da passagem. Vim, cheguei, peguei um táxi do aeroporto. Passei pelo Eixo e perguntei ao motorista qual era o nome daquela rua e ele disse que não era rua, era o Eixo Monumental. Então pensei: ‘Estou lascado, essa cidade é completamente diferente’. Eu me lembro perfeitamente da tarde em que fui assinar meu contrato. Ali na Esplanada dos Ministérios subia uma poeira que nunca tinha visto na minha vida. Era um barro vermelho e uns redemoinhos… Os ventos se encontravam e faziam ‘timmm’. Tinha uma chaminé vermelha que você via lá de longe. O povo chamava aquilo de Lacerdinha, em alusão a Carlos Lacerda, governador da Guanabara. O colarinho da camisa, às vezes, ficava vermelho e eu andava com um vidro de colírio para botar nos olhos porque entupia de terra, da gente que trabalhava nas obras. Aqui era que nem dr. Stênio me disse: ‘É pegar ou largar.’ O desafio era grande demais, mas eu não ia voltar não porque um dia isso aqui ia ser bom. Aí não larguei e me apaixonei por Brasília.”

PODER
“Eu me tornei chefe do Departamento de Parques e Jardins depois de trabalhar com dr. Stênio por 10 anos. Eu não queria de jeito nenhum, não tinha essa ambição de assumir a parte administrativa. Escolhi um método meu para administrar: nunca fechei a minha porta. Quem quisesse entrar podia: cachorro, gente. O máximo que pode acontecer é ouvir um não, mas nunca tratava ninguém mal e, se pudesse ajudar, ajudava. Nunca me preocupei com o poder. Sou a pessoa mais feliz do mundo com o que fiz profissionalmente. Tenho muitos defeitos e, depois que me aposentei, enxergo melhor os defeitos. Mas foi o que eu podia fazer. Nesses 40 anos, que passei na Novacap, tirei duas férias. Não é que me proibiam de tirar férias. Era tesão que eu tinha por aquilo. Uma verdadeira paixão. Não sei se é virtude ou defeito, mas é verdade. Tinha tesão, paixão e ainda tenho.”

APOSENTADORIA
“Tenho seis anos de aposentado. Abri uma empresinha que planta grama com dois colegas que trabalharam comigo em mais de 30 anos na Novacap. Não me aposentei com a intenção de trabalhar. Eu disse: ‘Vou ficar em casa e aproveitar o resto da minha vida.’ O primeiro e o segundo mês, achei bom demais; no terceiro, começou a me dar um tédio louco e eu já estava aprendendo a fazer bolo com a Ana Maria Braga. Falei: ‘Cacete, vou ficar doido.’ Disse para a mulher que não ia ficar em casa. Juntei-me com esses dois colegas e fizemos uma empresinha. Dá mais raiva do que a gente ganha de dinheiro. Fizemos uma obra que o Agnelo (ex-governador) não pagou e lascou a gente… Mas é bom que a gente se reúne, bate papo e fala das besteiras de antigamente, conta causo e movimenta a cabeça. Hoje, apesar da minha aposentadoria, ainda tenho, como minha mulher cunhou, o mesmo adultério explícito, que eu tinha com as áreas verdes de Brasília. Você acredita em um negócio desse? Passo nos cantos e vejo as coisas erradas. Não vou ligar lá e dar opinião, mas vejo esses jardins se acabando.”

Leia a reportagem completa na edição nº544 da Revista do Correio.
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Burocracia condena onça a viver em cela de 12 m²

Bravão chegou filhote ao zoo de Goiânia há mais de 12 anos e até hoje é mantido em espaço longe do ideal

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Photo: Diomício Gomes
Bravão no recinto em que vive há mais de uma década no Parque Zoológico de Goiânia: estresse e sobrepeso.

Era apenas um filhote em uma caixa de papelão quando foi encontrado em uma estrada no município de Goiatuba, a 178 quilômetros de Goiânia. Levado por uma equipe do Batalhão Ambiental da Polícia Militar para o Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foi ficando sem destinação adequada.

Bravão, um Puma concolor, mais conhecido como suçuarana, onça-parda, onça-vermelha, onça-bodeira, mossoroca ou leão-baio, foi entregue ao Ibama dia 12 de março de 2003. O apelido foi dado pela Coordenação de Fauna do Ibama. É uma referência ao humor do animal que oficialmente tem apenas uma identificação: 982F009102058706, que pode ser lida por um leitor de chip. Tudo bem formal.

E é a formalidade que atrapalhou a vida de Bravão. O Cetas funcionava na época nas dependências do Parque Zoológico de Goiânia. Quando o órgão foi transferido para outro local, três suçuaranas, entre elas Bravão, ficaram.

Por não pertencerem ao plantel do município, ficavam contidas em espaços inadequados, pequenos e sem grama ou terra. É o que acontece com animais no setor extra do Zoológico.

Das três onças remanescentes do plantel do Ibama, um casal agora pertence ao plantel do município e ganhou um espaço maior e mais confortável. “Há 15 dias, aproximadamente, juntamos o casal de onças que já vinha se adaptando aos poucos a essa convivência e fizemos a transferência para um espaço que foi readequado pensando no bem-estar dos animais”, explica o diretor do Zoológico, Raphael Cupertino.

Agora persiste o problema de Bravão. Aos 12 anos, sempre esteve contido em uma cela de 12 metros quadrados no Zoo. Sedentário, nervoso e acima do peso, está sem alguns dentes, mas tem o olhar triste de um encarcerado. Nasceu livre e foi condenado a morrer preso.

Listas

“É um passivo ambiental”, explica a coordenadora de Fauna do Ibama em Goiás, Cristianne Miguel. Ela explicou que Bravão é um macho adulto de difícil destinação. Zoológicos e Cetas do País todo possuem listas de excedentes muito parecidas – reclamação também de Cupertino. Suçuaranas são comuns nas listas.

“Quando se consegue destinação para um zoológico, geralmente são filhotes, de mais fácil adaptação”, conta o responsável pelo Cetas em Goiânia, Luiz Alfredo Baptista. Atualmente existem 13 onças-pardas no local. São 8 adultos e 5 filhotes.

“Todos chegaram filhotes. Estamos destinando dois para o zoológico de São Paulo e tentando a soltura de um, se ele conseguir. Essa soltura será monitorada”, diz. O local não é divulgado para evitar a caça ao animal.

Bravão provavelmente foi vítima de caçadores. Técnicos do Ibama acreditam que a mãe dele tenha sido morta por fazendeiros quando saiu para caçar e alimentar a cria e ficaram com medo de matar o filhote. “É o que mais acontece. Matam a mãe, capturam os filhotes e nos entregam”.

A coordenadora de Fauna do Ibama alerta para que as pessoas não capturem animais silvestres. Luiz Alfredo lembra que o próprio Ibama tem projetos para impedir a caça de animais que porventura estejam atacando rebanhos.

“Fazemos toda orientação e em alguns casos até a captura”, afirma. Quem localizar uma onça em propriedade rural, deve ligar na Coordenação de Fauna do Ibama: (62) 3946-8140 e 3946-8142.

Sem chance de voltar à natureza, animal deve ganhar mais espaço

A captura de Bravão em 2003 trouxe consequências irreversíveis. Como não aprendeu com a mãe a caçar e a se defender, nunca teve nem a chance de ser reinserido na natureza. “Ele não sobreviveria”, diz a coordenadora de Fauna do Ibama, Cristianne Miguel.

Por ser adulto e bravo, zoológicos não demonstram interesse por ele. Cristianne explica que um adulto briga por território e certamente ele mataria outras onças colocadas com ele em um recinto.

Ontem o diretor geral da Associação pela Redução Populacional e contra o Abandono de Animais (Arpa Brasil), Alexander Noronha, protocolou requerimento junto à Agência Municipal de Turismo, Eventos e Lazer, solicitando que o município transfira as onças do setor extra para recintos adequados. Ele argumenta que o dinheiro arrecadado na bilheteria do Zoológico de Goiânia deve ser usado para a construção de ambientes adequados ao bem-estar dos animais, independente de pertencerem aos plantéis do zoológico ou do Ibama. Pede ainda que um tigre macho seja vasectomizado.

Alexander Noronha diz que a Arpa Brasil solicitou acesso a informações sobre a destinação das onças ao Ibama, ao Zoológico e à Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). “Independente de em qual plantel o animal esteja, acreditamos e lutamos para que o tratamento seja o melhor possível e dessa forma pedimos para que o zoológico use todos os seus recursos à disposição do bem-estar dos animais”, reforça.

O delegado Luziano de Carvalho, titular da Delegacia Estadual do Meio Ambiente (Dema), afirma que a conclusão do inquérito que apurou a morte de dezenas de animais no zoológico de Goiânia foi a de que não houve crime ambiental cometido ali. “É um problema ligado ao manejo e o mesmo ocorre em relação a essa suçuarana macho”, pondera.

Para o presidente da Arpa Brasil, seria papel do Ministério Público analisar se houve crime ou não. “Fato incontestável é que um animal viveu em um espaço de 10 metros quadrados por uma década sem que fosse tomada nenhuma atitude”.

Mais espaço

Um acordo entre a direção do Zoológico e a Coordenação de Fauna do Ibama deverá garantir pelo menos mais espaço para Bravão. É que com a retirada do casal de suçuaranas do setor extra para outro ambiente, a parede que separa duas celas será quebrada. Bravão passará a ter cerca de 35 metros quadrados de cimento para viver.

De acordo com Cristianne Miguel, o ideal para onças do porte de Bravão é um espaço de 70 metros quadrados, com água, terra, grama, troncos e tocas. Isso, por enquanto, ele não terá. “É o melhor que pode ser feito hoje para melhorar a condição dele, que passou a vida toda em cativeiro”, conta ela.

Site:http://www.opopular.com.br/

Rio que abastece cidade do Entorno é contaminado 3 vezes em 2 anos

Indústria de fabricação de produtos de limpeza é a única suspeita. Se o problema se repetir em proporções maiores, Companhia de Abastecimento de Goiás (Saneago) será obrigada a suspender o abastecimento

Renato Alves
Pela terceira vez em menos de dois anos, um rio que abastece Luziânia (GO) é contaminado por uma espuma branca. Fiscais do município do Entorno do Distrito Federal fizeram uma vistoria em uma indústria de fabricação de produtos de limpeza que fica próximo ao Rio Palmital na segunda-feira (14/9). A empresa é a única suspeita.

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Rio Palmital foi contaminado pela terceira vez em dois anos

Nas outras duas vezes, a empresa Flora Higiene e Limpeza foi multada em R$ 600 mil. Porém, recorreu da decisão na Justiça. Sobre a contaminação do fim de semana a empresa, disse que não encontrou nenhuma anormalidade na fábrica e que está colaborando com a investigação.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Luziânia investiga o caso. Já a Companhia de Abastecimento de Goiás (Saneago) informou que está “levantando os prejuízos da empresa e com certeza vai fazer parte de uma solicitação de indenização aos cofres da empresa”, afirmou Hélio Leão, gerente regional da Companhia de Abastecimento de Goiás (Saneago). Se o problema se repetir em proporções maiores, a estatal será obrigada a suspender o abastecimento.

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7 filmes infantis que abordam consciência e conservação ambiental

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24 DE ABRIL DE 2015 / @PAOLARODRIGUES / 19 COMMENTS

Acho que essa lista é essencial para crianças, mas diz muito sobre adultos. Diz muito sobre o mundo em que vivemos e nossa intensiva campanha em destruí-lo. Narra com histórias lúdicas o obvio: sem natureza, como sobreviver? E temos em doses divertidas e sensíveis a ilustração de quão contraditório e cego pode ser o ser humano, destruindo vida em busca de uma “vida melhor”.

Então antes de adentrar em qualquer assunto, como sempre, aconselho que você reserve uma tarde, faça algo gostoso para comer e sente com seu filho para ver algum destes títulos. Mais importante que apresentar lições e conteúdo de qualidade para crianças, dar o exemplo tem sido o melhor dos métodos.

Não basta apenas falar “Preservar o meio ambiente é importante, queridx, por favor, veja esse filme”, é necessário inserir o hábito da conservação e restauração do meio ambiente em nossa rotina. Como garantir um futuro melhor para nossos filhos? Mostrando na prática que a mudança é possível. Sim, podemos transformar nossas práticas em algo positivo.

Temos aqui lindas imagens, com animais, árvores, aventuras e a maior lição de todas: precisamos valorizar a vida, e não só a nossa.

E muito me espanta que num país que possuí a maior área da Floresta Amazônica, tribos intocadas e uma diversidade de fauna e flora de colocar continentes no chão, se produza tão pouco conteúdo infantil abordando tais temas. Alô indústria! Vamos falar de coisa boa, vamos falar de meio ambiente!

Então segue mais uma lista da nossa coluna semanal #conteúdodequalidade. Boa diversão 🙂

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1. O Lorax: Em Busca da Trúfula Perdida

Acho que vi esse filme no mínimo umas 100 vezes no último 1 ano. Helena é completamente doida por esse filme e houve épocas que ela via o filme ad infinitum e nós vivíamos cantando a música. Era Let It Growwwww 24 por dia – sim, é muito parecido com a do Frozen e chiclete com o mesmo potencial.

Mas para nós é o melhor filme infantil para discutir destruição, conservação e restauro do meio ambiente, e ainda tem pitadas geniais de como a indústria se beneficia e distorce nosso senso do que é correto. O filme é baseado no livro do Dr. Seuss, que foi um cartonista e desenhista americano responsável por personagens como O Gato de Cartola, Grinch e Lorax. Procurem livros dele, é fantástico!

No filme temos Ted, um menino com ótimas intenções: conseguir um beijo da garota que gosta, mas ela é uma ativista [yey!] e completamente apaixonada pela história das Trúfulas, árvores que foram extintas antes dos jovens personagens nascerem. Então acompanhamos a busca de Ted pela última Trúfula e o retorno ao passado de Thneedville, a cidade feita de plástico onde as árvores são mantidas com pilhas.

Retornamos na história do filho rejeitado que busca a aprovação da mãe. Um dia ele resolve partir em busca de um futuro melhor – leia-se: impressionar a família – e descobre uma linda floresta de Trúfulas; no primeiro momento ele fica maravilhado, mas já vai logo tirando o machado e cortando uma das lindas árvores para fazer um “lindo” e super prático tecido. Nessa chega Lorax, o Guardião da Floresta, que entra de forma triunfal para colocar nosso Umavez-ildo no lugar. Só que a ambição humana é implacável e isso fica muito evidente durante o filme, que tem músicas fantásticas, uma animação linda e um dos melhores roteiros que já vi.

O estúdio que criou O Lorax para os cinemas, Illumination Entertainment, é o mesmo do Meu Malvado Favorito, então corre e vai lá ver.

imagem-32. Nausicaä do Vale do Vento

Esse filme é uma das obras primas de Hayao Miyazaki, diretor e roteirista japonês responsável pelo Studio Ghibli, lugar onde nascem os filmes mais lindos do mundo. Se você nunca ouviu falar em nenhum desses dois nomes, corra procurar sobre e veja todos os filmes com seus filhos.

Dias de Fogo é um evento conhecido por ter destruído o ecossistema da Terra e a civilização humana. Os que restaram do grande evento de esforçam em conseguir sobreviver, já que o clima e as condições são áridas e a população teve que recorrer a tecnologia para se manter, isolados em pequenos impérios.

Nausicaä é uma princesa de um pequeno império no Vale do Vento, que além de tentar conter as investidas de outros reinos, também estuda uma floresta chamada Mar da Corrupção, cheia de plantas e insetos gigantes, onde o ar é tóxico e tem devastado todo o planeta com seus danos. Ao contrário do restante da população, Nausicaä se sente fascinada pela floresta e acredita que ela possuí belezas, mesmo depois dos danos terem causado a morte de quase toda a sua família.

É uma história linda sobre o quão nocivo podem ser os danos causados pelos seres humanos na natureza, mas que nem tudo está perdido. E foi a primeira produção do Hayao Miyazaki, já que enquanto a Disney lançava sua Branca de Neve, os japoneses do outro lado do mundo mostravam que meninas podiam ser cientistas e voar!

imagem-43. WALL-E

Eu choro com esse filme, eis a realidade. É a animação que vi mais vezes sem ser coagida pela minha filha.

É uma animação da Pixar [amamos eles] e foi dirigido pelo mesmo diretor de Procurando Nemo, que também aconselhamos ver.

A história se passa num futuro distante onde a Terra está destruída e soterrada em lixo. Tudo isso aconteceu por nosso cultura consumista, que engoliu, processou e vomitou até que o planeta estivesse sem recursos naturais e com tranqueiras empilhadas sobre tudo; e claro que isso aconteceu com a ajuda de uma megacorporação, a Buy-n-Large , que também foi a responsável pela retirada da população humana da Terra até ela se “restabelecer”. Nossa sociedade começou a viver em naves no espaço, sedentários, se alimentando de porcarias, até que se viram impossibilitados de caminhar. É chocante ver em uma animação nossa sociedade espelhada de forma tão honesta. Realmente chega a causar angústia, pois parece [ou será] que esse é o nosso futuro.

Nós começamos a acompanhar a rotina de WALL-E, um robô coletor de lixo que vive na Terra, sozinho, sendo fofo. Até que um dia chega a EVA, outro robô, mas nesse caso ela foi enviada para buscar vida na Terra… e calha que WALL-E tem surpresas. E assim começa a aventura, com nosso robô fofo correndo atrás da super high tech.

É minha produção preferida da Pixar, não só por colocar todas as métaforas de forma genial, mas porque eles conseguiram criar um personagem que não fala nada além do próprio nome e “EVA” e mesmo assim é expressivo e carismático. WALL-E é o aluno nerd do fim da classe que você quer abraçar – e de quebra ele ajuda a salvar a humanidade.

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4. Minúsculos [Minuscule – La vallée des fourmis perdues]

Essa linda e bem escrita produção francesa não fala diretamente sobre o impacto humano no meio ambiente, mas conta a história de uma guerra entre formigas com riqueza bélica, tática e de humor quando uma cesta de piquenique é abandonada.

Um casal saí correndo quando a mulher entra em trabalho de parto e deixa toda a comida do piquenique no local, gerando a trama dessa animação que dura poucos minutos, não tem nenhum diálogo, mas deixa nosso coração cheio de ensinamentos de trabalho em equipe, generosidade e como decisões humanas podem impactar na vida de outros seres, mesmo sendo “apenas” formigas.

Nossa Joaninha-macho que toma partido na guerra é acolhida de forma muito divertida pelo grupo e se vê engolida por forças mais potentes que seus curtos braços. É um daqueles filmes para se assistir junto com a família e além de se deliciar com uma arte realmente bem produzida, ver uma versão dos filmes com formigas muito bem feita e didática quando discutida.

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5. O Mundo dos Pequeninos

Esse filme é do diretor Hiromasa Yonebayashi, que fez uma linda adaptação do livro The Borrowers, da escritora Mary Norton, que publicou a história dessas pequenas pessoas em 1952.

O filme conta a história de Arrietty e sua família, pequenos seres que parecem pessoas normais, mas com 10cm de altura, e que vivem no assoalho de uma casa em Tóquio. Com a chegada de Sho, um garoto doente, uma amizade um tanto inusitada nasce entre eles. Durante toda a história a sensação é que os Barrows são seres da natureza, talvez uma releitura das “fadas”, mas que se viram forçados a habitar pequenos lugares a medida que a civilização domesticava animais e se espalhavam em locais intocados. Mas infelizmente eles não estão seguros nem dentro da própria casa, já que quando um dos adultos descobrem que a casa pode estar sendo habitado pelos “pequenos intrusos” começa uma guerra em busca de extinguir Arrietty e sua família.

É um filme muito lindo, com uma histórica tocante e com uma narrativa que foge da fórmula americana. Deixa ainda mais a sensação de que os intrusos são os seres humanos, já que forçam todos os seres a se habituarem com seus gostos e sonhos, e nunca o contrário, aceitando a ordem natural da natureza.

Imagem-76. Era uma Vez na Floresta

Esse filme foi a minha infância, mas apesar de sempre ver Ferngully em vários lugares como filme que discute conservação do meio ambiente, esta obra incrível dirigida por Charles Grosvenor nunca está em lado algum.

Abgail, Edgar e Russel vivem felizes numa floresta, tal como um rato, uma toupeira e um ouriço devem viver. Eles são amigos e seguem sua rotina como sempre, até que um dia um homem chega na floresta espalhando gases tóxicos e adoece Michelle, amigas deles. Então começa a busca do três amigos, junto com o Tio Cornelius, de uma forma de salvar Michelle e a floresta.

É um daqueles filmes antigos, de 93, que contam fábulas de uma forma simples e divertida. Até hoje não entendo porque se fala tão pouco nesse filme, mas recomendo para todo mundo.

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7. Princesa Mononoke

Mais um do Hayao Miyazaki! E esse é meu filme preferido dele, porque temos um japão onde os seres humanos convivem com deuses da natureza e suas forças que trazem destruição para florescer a vida.

Somos apresentados ao Príncipe Ashitaka, que após matar o terrível deus-Javali se vê amaldiçoado pelo mesmo. Angustiado, ele foge da mesma aldeia que lutou tanto para defender e nesse longo caminho acaba por conhecer San, a Princesa Mononoke.

Numa aldeia está sendo travada uma luta e do lado dos deuses-animais está San, que foi adotada e criada por uma tribo de deuses-lobos. Seu ódio pelos seres humanos que estão destruindo a natureza é enorme e ela com o tempo foi se esquecendo do seu lado humano, até o seu encontro com Ashitaka.

E nisso a história se desenvolve, entre uma guerra entre a civilização que quer se estabelecer e a natureza, e seus protetores, que lutam incansavelmente contra a destruição.

Colocamos aqui os filmes que acreditamos que não são abordados com frequência, mas recomendamos também:
Irmão Urso, Vida de Inseto, Reino Escondido, Tainá – Uma Aventura da Amazônia, Mogli – O Menino Lobo, Procurando Nemo, Rio [1 e 2] e A Fuga das Galinhas.

Bate-Papo Ambiental – convite

Caros amigos e amigas,

Na próxima quarta-feira, dia 1 de setembro, fomos convidados pelo IBRAM a falar sobre os projetos Brasil das Aguas e Rios Voadores. Veja o convite em anexo.

Claro, seria uma grande honra para nós contar com sua presença!

Abs, Margi

Combustível para a motosserra

CORREIO BRAZILIENSE – 21/06/2010

MEIO AMBIENTE

Combustível para a motosserra

Modificação do Código Florestal Brasileiro permitirá o desmatamento de 80 milhões de hectares, área equivalente a 138 vezes o tamanho do DF

  • Vinicius Sassine


Um detalhe despercebido no relatório do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) que modifica o Código Florestal Brasileiro autoriza o desmatamento de 80 milhões de hectares de vegetação nativa, caso a nova regra definida no texto final do parlamentar entre em vigor. O cálculo das possíveis perdas em razão dessa alteração específica da lei, a que o Correio teve acesso, foi concluído pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) no fim da semana passada. Os 80 milhões de hectares — equivalentes a 138 territórios do tamanho do Distrito Federal (DF) — são áreas preservadas que não precisariam entrar no cálculo das reservas legais nas propriedades rurais, por meio de um mecanismo definido por Aldo Rebelo sem qualquer alarde.

Defendido pela bancada ruralista na Câmara e atacado pelos ambientalistas, o novo Código Florestal exime propriedades rurais de até quatro módulos fiscais(1) de definirem reservas que não podem ser desmatadas. É essa medida, somada à diminuição dos espaços de áreas de preservação permanente (APPs), a que mais vem despertando polêmica e reações contrárias ao relatório final de Rebelo. Uma outra regra, porém, passou incólume às críticas até agora porque não foi detalhada no voto de Aldo, mas está presente na redação final da nova lei.

Propriedades com mais de quatro módulos fiscais poderão excluir esses quatro módulos do cálculo da reserva legal. Assim, por exemplo, uma fazenda de 10 módulos instalada no cerrado, precisará preservar 20% da vegetação — como prevê a lei para reserva legal nesse bioma — sobre seis módulos apenas. Nos outros quatro, o desmatamento estaria autorizado.

A primeira projeção mostrou 180 milhões de hectares vulneráveis. Um refinamento dos dados levou aos 80 milhões de hectares que passariam a ser alvo de novos desmatamentos. “Nas grandes propriedades rurais, 100% das áreas equivalentes a quatro módulos fiscais ficariam vulneráveis. Esse é um risco bastante preocupante, já que se disponibilizam novas áreas para desmatamento legal”, afirma o diretor do Departamento de Florestas do MMA, João de Deus Medeiros, responsável pelos cálculos.

O voto do deputado Aldo Rebelo no relatório final sobre as alterações do Código Florestal detalha as razões para se exigir reserva legal somente de propriedades com mais de quatro módulos fiscais e reafirma a permanência dos percentuais já exigidos pela lei — 80% das florestas na Amazônia Legal, 35% das áreas de savana ou de campo na mesma região, e 20% nos outros biomas brasileiros. O texto, porém, não traz nenhuma referência à exclusão dos quatro módulos do cálculo da reserva legal nas grandes propriedades, o que só aparece na redação da nova lei. O primeiro parágrafo do artigo 14 faz a seguinte especificação, ao detalhar em seguida as percentagens: “A reserva legal exigida observará os percentuais mínimos em relação à área no imóvel que exceder a quatro módulos fiscais”.

Agropecuária
Ao Correio, Aldo Rebelo disse que o relatório em discussão na Câmara não autoriza novos desmatamentos nas propriedades rurais, mesmo com a definição de regras mais brandas para reservas legais e APPs. “Os proprietários não terão autorização para se desfazer do que têm. Na verdade, eles não ficarão obrigados a recompor essas áreas.” Segundo o deputado, a preservação será reforçada pela “moratória” de novos desmatamentos, também prevista no novo Código Florestal. A retirada de mata nativa para a agropecuária ficaria proibida por cinco anos, prorrogáveis por mais cinco, conforme decisão de cada estado. “A vegetação nativa é intocável”, sustenta Aldo.

1 – Medidas
Os módulos fiscais são unidades de medida de propriedades rurais definidas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), conforme a realidade de cada município brasileiro. As dimensões variam em cada região do país. O MMA levou em conta essas diferenças para calcular o tamanho das áreas de vegetação que ficarão vulneráveis à devastação, caso passe a valer a regra que exclui quatro módulos fiscais do cálculo das reservas legais nas grandes propriedades.

Devastação ainda maior

Além dos 80 milhões de hectares calculados pelo MMA, referentes às áreas de quatro módulos fiscais nas grandes propriedades, outros espaços preservados ficariam ameaçados com o novo Código Florestal, segundo estudo da Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo (USP).

O relatório de Aldo Rebelo permite que APPs sejam incluídas no cálculo de reservas legais, diferentemente do que é praticado hoje (no cerrado, por exemplo, são 20% para reserva legal e 10% para APPs). Somente essa inclusão deixaria vulneráveis mais 65 milhões de hectares de mata nativa. Há ainda as áreas preservadas das pequenas propriedades rurais, de até quatro módulos, que ficariam dispensadas de definir reservas legais.

Para se ter uma ideia, somente as áreas passíveis de novos desmatamentos em razão das novas regras para o Código Florestal são maiores do que todas as unidades de conservação e terras indígenas existentes no país. Outros 104 milhões de hectares já estão desprotegidos pela atual legislação. São áreas onde o desmatamento pode ser autorizado pelo poder público. Em APPs, o deficit de vegetação — que deveria estar preservada por força da lei — é de 44 milhões de hectares e, em reservas legais, de 43 milhões, conforme o estudo da USP.

Um exemplo dessa situação é o que ocorre na região do Vale do Araguaia e da cidade de Rio Verde, em Goiás. O Ministério Público (MP) do estado mapeou, com ajuda de imagens de satélite, a situação das propriedades rurais nas duas regiões, com o objetivo de identificar o desrespeito a reservas legais e APPs em áreas por onde a pecuária e a agricultura avançam.

Na área de nascentes do Rio Araguaia, em Mineiros, 249 das 384 fazendas (64,8%) não averbaram as reservas legais. Em Rio Verde, um dos maiores produtores de soja do país, das 3.970 propriedades, 1.666 (42%) não se preocuparam em averbar as reservas. “Os donos podem estar explorando propriedades inteiras, o que é ilegal. O MP vai notificar todos eles”, afirma a promotora Sandra Garbelini. (VS)

Guerra entre os estados

A possibilidade de os estados decidirem sobre a redução de até 50% das faixas mínimas de áreas de preservação permanente (APPs), como prevê o novo Código Florestal, pode gerar uma “guerra ambiental” entre as unidades federativas: vence quem fizer menos exigências a empreendimentos econômicos interessados em se instalar no local. Mais do que isso, a transferência da União para os estados da responsabilidade de editar normas ambientais e ampliar a fiscalização esbarra nas dificuldades estruturais das Secretarias de Meio Ambiente.

No estado do Amazonas, por exemplo, 70 analistas ambientais são responsáveis por 5 mil processos em um ano. O estoque de ações em que são analisados pedidos de licença ambiental chega a 10 mil, segundo informação apurada em audiência realizada no estado para a elaboração do relatório sobre o novo Código Florestal. Em Goiás, a Secretaria de Meio Ambiente tem um servidor concursado para cada quatro comissionados, “sem qualificação necessária”, conforme constatação do Ministério Público (MP) do estado.

A falta de estrutura dos órgãos ambientais, inclusive do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), é apontada no voto final do deputado Aldo Rebelo, relator do novo Código Florestal. “Há muitos conflitos de competência entre os órgãos ambientais, o que acaba por prejudicar os proprietários das terras”, cita o relatório. (VS)

Colaborou Igor Silveira