Projetos fotográficos devolvem autoestima a mulheres fora do padrão

Postado em 03/09/2017 07:00
Rebeca Oliveira /

Crédito: Andreza Pinheiro/Divulgacao.
Amanda Carvalho posa para o projeto Entre tantos amores, o próprio.

A fotografia tem sido importante aliada nesse processo de quebra de padrões
Andreza Pinheiro/DivulgaçãoAmanda Carvalho, uma das personagens que posou e compartilhou memórias com a paulista Andreza Pinheiro

Em tempos de empoderamento feminino, são muitas as mulheres que se sentem mais livres com a própria imagem, e encontram nas redes sociais uma plataforma para gritar essa autoaceitação. Arte do olhar, a fotografia tem sido importante aliada nesse processo de quebra de padrões. Apesar da pressão social continuar afligindo uma grande parcela da população (o Brasil lidera o ranking de países em cirurgias plásticas femininas), pipocam nas redes sociais projetos em que fotos e relatos biográficos entregam diversidade. O corpo é memória e, como tal, pede por respeito.

“Temos novas oportunidades de alcançar mais pessoas. Precisamos desconstruir a ideia de ‘padrões de beleza’. Cada indivíduo é único e essa diversidade precisa ser celebrada”, defende Andreza Pinheiro, criadora do Entre tantos amores, o próprio.
As imagens são disponibilizadas em uma página do Facebook criada em 8 de março, quando se comemorou o Dia Internacional da Mulher.

“Vivemos um processo de reestruturação do que é ser mulher na nossa sociedade. Não só os padrões de beleza, mas os padrões de comportamento e posicionamento político das mulheres vêm se alterando como nunca vimos antes. Acredito que, diferentemente do movimento feminista do século passado, a primavera feminina no século 21 reposiciona a mulher em todos os aspectos possíveis de uma vez só”, defende Nathália Oliveira, idealizadora da página Mulheres Poderosas, no ar na mesma rede social. Na próxima terça, será publicado o relato da primeira mulher trans entrevistada pelo projeto. Valéria Houston, a cantora escolhida, vem ganhando cada vez mais visibilidade no mercado, na “cola” de pares como a drag queen Pabllo Vittar.

Paulista, a fotógrafa Andreza Pinheiro sempre trabalhou com ensaios femininos convencionais. Até que, no início desse ano, uma inquietação a fez voltar as lentes para outros corpos. Sem padrões e estereótipos, a profissional queria construir uma narrativa em que imagens e memórias revelassem o que há por trás de diferentes personalidades femininas. Uma delas foi Amanda Carvalho, que teve 57% do corpo queimado com gasolina ao tentar salvar a mãe de um ataque furioso do próprio pai. Ambos morreram após a tragédia. “Se antes eu tinha vergonha das minhas cicatrizes, hoje eu tenho o maior orgulho e as amo. Elas fazem parte de mim, parte da minha história, de quem me tornei. Sou mais forte em tê-las. São como um escudo. Corpo bonito é aquele tem uma pessoa feliz dentro dele, e sou extremamente feliz assim: com cada cicatriz”, escreveu a modelo em um dos relatos mais impactantes do projeto.

Mulheres poderosas

De nome autoexplicativo, o Mulheres Poderosas é uma parceria das cariocas Nathália Oliveira e Renata Spinellio. A primeira delas teve o insight criativo em 2016, quando fez a primeira viagem sozinha e acompanhou, pela web, a repercussão do assassinato da argentina Lucía Pérez, em Mar Del Plata. “A mobilização de mulheres que surgiu a partir desse episódio tenebroso me motivou a também me mobilizar para lutar pelo fim da violência contra as mulheres. Toda campanha que existe sobre o assunto tem como imagem a mulher machucada, fragilizada, e entendi que esse não é o melhor caminho. O melhor caminho para o fim da violência contra a mulher é a valorização da vida de cada uma de nós, e tento fazer isso ao contar as histórias e publicar as fotos do projeto”, explica.

Crédito: Weudson Ribeiro/Divulgacao. Imagens do projeto Superafro, de Weudson Ribeiro.

Weudson Ribeiro/DivulgaçãoSuperafro, uma investigação informal da presença afro na mídia

Superafro

Brasiliense, o fotógrafo Weudson Ribeiro notou a ausência de mulheres com cabelo natural na moda e na publicidade – sobretudo no Brasil, país em que, segundo o IBGE, pretos e pardos integravam a maioria (53,6%) da população. Para sanar a lacuna, passou a publicar fotos desde 2015 no blog akaschwarz.tumblr.com, após uma conversa com a etnóloga norte-americana Yaba Blay. “Começou como uma investigação informal: eu fui às ruas para abordar essa questão e ouvir delas uma opinião sobre a falta de representatividade afro na mídia”, conta. “Se a consciência negra havia crescido tanto, porque os comunicadores em geral não estavam prestando atenção nisso?”, perguntou-se. Weudson planeja uma exposição de Superafro, ainda sem data definida.

Crédito: Daniel Regan/Divulgação.
Imagens do projeto Alopecia, do fotógrafo britânico Daniel Regan.Daniel Regan/DivulgaçãoProjeto Alopecia, do britânico Daniel Regan

Alopecia

O projeto criado pelo fotógrafo britânico Daniel Regan retrata mulheres com alopecia, doença que desacelera a produção de pelos na cabeça e em outras partes do corpo. Ela é desencadeada por questões genéticas ou emocionais, como situações de estresse. Em entrevista a portais internacionais, ele contou que os ensaios tem um papel importante na autoaceitação. “É um testemunho de como a fotografia pode ser poderosa, e se for usada corretamente, pode ter impactos terapêuticos importantes”, revelou ao Huffpost UK. As fotos estão disponíveis no site danielregan.com/alopecia.

Parasito conhecido por causar malária em macacos também pode infectar humanos

31/08/2017 – Instituto Oswaldo Cruz
Análise de amostras de pacientes que contraíram a doença em área de Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro, em 2015 e 2016, revela nova forma de infecção
Maíra Menezes e Vinicius Ferreira

Imagens de microscopia óptica, realizadas pelo Laboratório de Patologia do IOC, a partir de diagnóstico do Laboratório de Parasitologia do INI, evidenciam a infecção por Plasmodium simium em amostras de sangue humano.

A partir da análise de casos de malária registrados em região de Mata Atlântica, no estado do Rio de Janeiro, entre 2015 e 2016, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com cientistas de instituições nacionais e internacionais, demonstraram que um parasito até então conhecido por sua capacidade de infectar macacos é capaz de causar infecção em humanos, o que corresponde a uma zoonose.

Técnica de análise de material genético desenvolvida especialmente para o estudo constatou 28 infecções causadas pelo Plasmodium simium. Publicado na revista científica ‘The Lancet Global Health’, o trabalho traz uma contribuição fundamental, já que esta é a descrição do segundo foco no mundo com transmissão de malária zoonótica, além da transmissão de P. knowlesi de macacos a humanos constatada na Malásia na Ásia. A evidência pode corresponder à descrição de um sexto tipo de malária humana.

“Estamos diante de uma descoberta de relevante impacto para a saúde pública, por representar uma nova forma de infecção. No entanto, do ponto de vista da vigilância epidemiológica, os casos de malária que detectamos representam uma parcela mínima dos registros da doença no país. Além disso, todos os pacientes diagnosticados com a infecção apresentaram apenas sintomas leves e se recuperaram rapidamente após o tratamento”, afirma um dos coordenadores do estudo, Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coordenador do Centro de Pesquisa, Diagnóstico e Treinamento em Malária da Fiocruz (CPD-Mal), centro de referência para diagnóstico da malária na Extra-Amazônia.

Sinal de alerta
A maior prevalência dos casos de malária no país está na região amazônica, com índice que supera os 99% de todo o registro nacional. Contudo, a crescente constatação de infecções em áreas de Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro – região cujos casos de malária em humanos foram considerados eliminados há cerca de 50 anos – despertou a atenção dos especialistas.
Enquanto de 2006 a 2014 o estado do Rio registrava uma média de quatro casos autóctones (locais) de malária por ano, em 2015 e 2016, esse índice subiu para 33 e 16, respectivamente.

Como serviço clínico integrante do Centro de Referência para Tratamento e Diagnóstico da Malária (CPD-Mal/Fiocruz), o Ambulatório de Doenças Febris Agudas do INI atendeu 25 dos 33 casos ocorridos no Rio, em 2015, e 14 dos 16, em 2016, totalizando 39 (80%) dos 49 casos reportados no estado.
“Os pacientes apresentavam sintomas um pouco diferentes da malária causada por Plasmodium vivax, usualmente vista na Amazônia, que responde por cerca de 90% das infecções em humanos no país. Os indivíduos reportavam quadro febril prolongado, sendo constante nos primeiros dias e intermitente nos demais. Além disso, a grande maioria tinha histórico de viagem a regiões de Mata Atlântica do Rio, seja por trabalho ou lazer”, explica a médica Patrícia Brasil, chefe do Laboratório de Doenças Febris Agudas do INI.

Investigação minuciosa e complexa
Em quase todos os casos analisados durante as investigações, o diagnóstico inicial – realizado a partir de uma minuciosa e especializada observação ao microscópio dos parasitos presentes no sangue dos pacientes e dos macacos capturados – apontava pequenas diferenças morfológicas entre o parasito encontrado e o P. vivax que comumente infecta indivíduos na região amazônica.

As análises indicavam uma maior semelhança entre os parasitos fluminenses e descrições anteriores do P. simium na literatura científica.

Ainda que a análise microscópica fosse suficiente para determinar que os parasitos encontrados nas amostras eram do gênero Plasmodium, era necessário realizar laboratorialmente a confirmação da espécie. Para isso, foram aplicados testes de PCR convencional e em tempo real. Os primeiros testes realizados reconheceram no material o parasito P. vivax, mas se revelaram posteriormente incapazes de distinguir P. vivax do P. simium.

Coube ao Grupo de Biologia Molecular e Imunologia da Malária da Fiocruz-Minas, juntamente com o grupo do IOC, realizar o diagnóstico dos casos em primatas não humanos. Para alcançar um diagnóstico mais preciso, amostras de 33 pacientes foram submetidas ao sequenciamento do genoma mitocondrial do parasita – DNA encontrado em organelas celulares chamadas de mitocôndrias. Em três foi realizado o sequenciamento completo e em 30, o parcial.

O passo seguinte foi comparar os resultados com 794 sequências de genoma mitocondrial de P. vivax e três sequências de P. simium depositados no banco de genomas internacional Genbank.

Nessa etapa, realizada em parceria com a UFRJ, o Instituto de Medicina Tropical do Japão e a Universidade Nova de Lisboa, foram identificadas diferenças entre os genomas do P. vivax e do P. simium que poderiam servir como alvo para o diagnóstico diferencial entre esses dois parasitos, usando técnicas moleculares.
“Por meio da comparação das amostras de primatas não humanos e humanos infectados na Mata Atlântica com as sequências de genomas mitocondriais de Plasmodium vivax de diferentes regiões do mundo, conseguimos identificar dois biomarcadores, garantindo se tratar do P. simium, o que significa que nesta região a doença se comporta como uma zoonose”, explica a pesquisadora da Fiocruz-Minas Cristiana Brito.

As análises baseadas nessa nova abordagem revelaram sequências genéticas idênticas para P. simium em 28 das 33 amostras. Amostras de P. simium de três macacos coletados da Mata Atlântica do Rio de Janeiro, um em 2013 e dois em 2016, e uma obtida de um macaco de São Paulo nos anos 1960, também foram analisadas.

Confirmação de uma hipótese
A possibilidade de infecção humana pelo P. simium foi evocada há quase 50 anos por Leônidas Deane, um dos maiores parasitologistas que o país já teve. Entretanto, sem as ferramentas moleculares para distinguir entre esse parasito e o P. vivax não era possível afirmar que os casos registrados no Rio de Janeiro eram resultado desse tipo de infecção.

“A descrição do P. simium foi feita em 1951 nas ‘Memórias do Instituto Oswaldo Cruz’ por Flavio da Fonseca, que identificou o parasito em um macaco de São Paulo. Na década de 1960, Leônidas Deane documentou o único caso suspeito de infecção humana por P. simium publicado anteriormente na literatura científica: um profissional que atuava na captura de mosquitos vetores da malária de macacos no Horto Florestal da Cantareira, em São Paulo, e contraiu a doença. A análise das características morfológicas do parasito aliada ao fato de não haver transmissão de malária humana na região apontavam para a hipótese”, explica Ricardo Lourenço, que foi discípulo de Deane e coordenador das capturas de mosquitos e macacos examinados no estudo.

Risco de disseminação
Os pesquisadores ponderam que, com os conhecimentos disponíveis hoje, não é possível determinar se o parasito adquiriu a capacidade de infecção de seres humanos recentemente ou se a malária zoonótica já infectava seres humanos no local antes da eliminação da doença na região.
Segundo eles, para dimensionar a ameaça apresentada pelo P. simium será necessário aprofundar os estudos, com a análise de mais amostras de humanos, primatas e mosquitos para determinar a área de circulação do parasito. Também será preciso investigar se a transmissão do P. simium ocorre apenas a partir dos macacos ou se as pessoas doentes podem apresentar quantidade suficiente de parasitos no sangue que mosquitos sejam infectados durante a picada.
“A partir da técnica de análise de material genético desenvolvida especialmente para o estudo, foi possível aprimorar o teste de PCR para detectar com precisão uma possível infecção por P. vivax ou P. simium. Vamos submeter outras amostras a este processo para verificar qual parasito tem provocado infecções no Rio e em outros estados cobertos por Mata Atlântica”, adianta Cláudio Ribeiro.
A combinação de técnicas parasitológicas e moleculares e de investigação em campo com buscas por animais e mosquitos infectados é fundamental para elucidar a origem dos casos de malária diagnosticados no Rio de Janeiro.

Os aspectos clínicos da malária causada pelo P. simium também devem ser alvo de pesquisas. Segundo os cientistas, a avaliação destes casos, até o presente momento, sugere que o P. simium não seria capaz de formar hipnozoítos, formas latentes que não são eliminadas pelos medicamentos e permanecem ‘adormecidas’ no fígado por meses ou anos, podendo levar à reativação do agravo posteriormente.
Para confirmar essa percepção, deve haver acompanhamento dos pacientes por mais tempo, bem como a realização de outros estudos em primatas não-humanos, que já se iniciaram.

Nas áreas onde a doença já foi identificada e quando houver a necessidade de adentrar em regiões de Mata Atlântica, os pesquisadores recomendam medidas de proteção individual, como o uso de repelentes e roupas que cubram a maior área do corpo, além da colocação de telas nas janelas e de mosquiteiros sobre as camas, com o objetivo de prevenir picadas durante a noite.
Além disso, os especialistas ressaltam que os profissionais de saúde precisam estar atentos para realizar o diagnóstico dos casos mesmo nas áreas que não são endêmicas para a doença e oferecer o tratamento adequado aos pacientes.
“A malária da Mata Atlântica costuma ter poucos sintomas e raramente é motivo de internação hospitalar. Os médicos devem ficar atentos à presença de síndrome febril e à história de deslocamento às localidades onde os casos foram registrados. Diante da falta de especificidade do quadro clínico, a história de deslocamento é o aspecto que deve orientar a investigação diagnóstica”, enfatiza Patrícia Brasil.

Malária no Brasil
Até a descoberta liderada pela Fiocruz, a doença podia ser causada no Brasil por três espécies de parasitos do gênero Plasmodium: P. vivax, P. falciparum e P. malariae. “A partir dos dados trazidos por esse estudo, é razoável supor que uma nova modalidade de transmissão, envolvendo macacos, mosquitos prevalentes na região e um parasito diferente do P. vivax encontrado na Amazônia está causando os casos nas regiões da Mata Atlântica do Rio de Janeiro e, possivelmente, em outros estados”, Cláudio sugere.
Em 2015, o Brasil registrou 143 mil notificações da doença. Independentemente da espécie de parasito, a malária é transmitida pela picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles. O principal sintoma é a febre. Além disso, os pacientes podem apresentar episódios de calafrios, dor de cabeça, dor no corpo e artralgia – dor nas articulações.
O tratamento é feito com medicamentos antimaláricos que variam conforme a espécie de Plasmodium causadora da infecção.
Site: www.fiocruz.br/ioc/

image-001refados, também pode prejudicar o desenvolvimento da criança.

A preocupação dos especialistas com isso é tamanha que recentemente a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) desaconselhou o uso destes aparelhos por menores de 2 anos. E agora um novo estudo, a ser apresentado neste sábado em São Francisco, EUA, na reunião anual da Sociedade de Academias de Pediatria (PAS), reforça esta recomendação.

A nova pesquisa, conduzida no Hospital para Crianças Doentes da Universidade de Toronto, no Canadá, indica que quanto mais “tempo de tela”, maior era o risco de os bebês apresentarem atraso no desenvolvimento da fala.

Média de 27,8 minutos por dia

No estudo, os profissionais acompanharam mais de mil crianças entre 6 meses e 2 anos de idade atendidas na instituição entre setembro de 2011 e dezembro de 2015. Destas, 219 (20%) tinham relatos dos próprios pais de uso de aparelhos com telas a uma média de 27,8 minutos diários.

Elas foram então avaliadas seguindo um sistema padrão para identificar problemas na comunicação oral. E, segundo os pesquisadores, os resultados da análise apontam que, para cada 30 minutos de “tempo de tela”, os riscos de a criança ter alguma demora para falar sobem em 49%.

— Os aparelhos portáteis estão em todos os lugares hoje em dia — diz Catherine Birken, líder da pesquisa e pediatra no hospital canadense.

— E embora as novas recomendações pediátricas sejam limitar o tempo de tela de bebês e crianças, acreditamos que o uso de smartphones e tablets por elas tem se tornado bem comum. Por isso a importância deste estudo, o primeiro a relatar associação entre o tempo de tela com estes aparelhos portáteis e um maior risco de atraso na expressão da linguagem.

Presidente do Departamento Científico de Adolescência da SBP, a médica Alda Elizabeth Iglesias Azevedo ficou até assustada com a média de tempo que as crianças canadenses passavam com os equipamentos eletrônicos, de quase 30 minutos, que classificou como “absurdo”.

— Temos certeza de que isso não é saudável, e não é só para a questão da fala. Nesta fase da vida a criança não está apta a entender o que é virtual e o que é real. Assim, o uso destes equipamentos também pode atrapalhar o desenvolvimento cognitivo, emocional e o sono das crianças, além de aumentar o risco de exposição a conteúdos inapropriados para sua idade.

Opinião similar tem Andrea Abrahão, fonoaudióloga da empresa Direito de Ouvir.

— Um dos fatores principais para este prejuízo no desenvolvimento da fala das crianças identificado na pesquisa é o isolamento social que estes aparelhos provocam — considera.

— Muitos pais têm o raciocínio errôneo de que com estas telas estão estimulando a criança, mas estes equipamentos não promovem a orientação espacial, nem a temporal e nem a interação com o outro, e com isso ela fatalmente apresentará problemas. As crianças precisam se comunicar, verbalizar, errar, serem corrigidas, e os jogos e aparelhos eletrônicos não dão estas possibilidades — critica.

Ministério segue OMS e passa a recomendar dose única da vacina contra a febre amarela

Até então, o órgão pedia a aplicação de uma dose padrão e o reforço após 10 anos.
O Ministério da Saúde mudou a recomendação nacional para o número de doses de vacina contra a febre amarela. A partir desta segunda-feira (5), a pasta passa a indicar uma aplicação única para as áreas com exigência de vacinação em todo o país.

Até então, o governo federal pedia que os moradores das áreas com recomendação, e quem fosse viajar a estes locais, tomassem uma dose da vacina e, após 10 anos, recebessem um reforço. A Organização Mundial da Saúde (OMS) já pedia apenas uma única aplicação – o Brasil era o único país do mundo que ainda exigia a dose extra.

“Temos evidências científicas hoje de que uma dose da vacina da febre amarela é suficiente ao longo da vida”, disse Carla Domingues, coordenadora do Programa Nacional de Imunizações.

Além disso, o governo voltou a informar que está estudando o uso da dose fracionada, com a criação de um Plano de Contingência. O ministério disse que não haverá uma diluição na vacina, mas uma diminuição no volume da aplicação. A vacina padrão tem 0,5 ml; a fracionada, 0,1 ml.

“A composição da vacina continuará a mesma, o que haverá é uma diminuição do quantitativo de volume que será colocado na seringa para se fazer essa vacinação nos locais que ainda serão definidos”, disse Domingues.

“Nós passamos de um frasco de cinco doses, que hoje vacina cinco pessoas, a um volume que irá vacinar 25 pessoas, num curto prazo de tempo. Com um frasco de 10 doses, iremos vacinar até 50 pessoas”, completou.

Ainda de acordo com o ministério, pesquisas sobre a vacina apontam que a versão com menos volume protege por pelo menos um ano. Por isso, quem receber a dose fracionada deverá receber a vacina padrão posteriormente.

Gestantes, crianças com até quatro anos e pessoas que viajarão ao exterior não poderão tomar a dose fracionada, de acordo com o governo. Isso ocorre porque os estudos atuais não englobaram os efeitos nesta faixa etária e em grávidas. Além disso, o protocolo internacional de vacinação só aceita a vacina padrão.

O Brasil recebeu 1.987 notificações da doença até esta semana, sendo que 586 casos foram confirmados, 951 foram descartados e 450 ainda estão em investigação. Até agora, 190 pessoas morreram devido à febre amarela.

Febre amarela para viajantes internacionais

Mais cedo, o secretariado da OMS incluiu 88 novos municípios brasileiros como áreas com recomendação de vacina contra febre amarela. A decisão, divulgada no comunicado “Disease Outbreak News”, vale para viajantes internacionais que se deslocam até esses lugares, incluindo as cidades do Rio de Janeiro, Niterói (RJ), Salvador e a área urbana de Campinas (SP).

Com isso, todo o estado do Rio passa a ser área com recomendação para viajantes. O número de municípios da Bahia que deverá ter imunização passou de 69, em 27 de janeiro, para 154. No estado de São Paulo, apenas o município de São Paulo não faz parte da área recomendada.

O comunicado levou em conta as epizootias (mortes de macacos) e casos em humanos que estão sendo investigados ao longo da zona costeira do norte da Bahia, incluindo a área urbana de Salvador, com uma epizootia confirmada por infecção pelo vírus da febre amarela no município de Feira de Santana.

Também foram confirmadas epizootias associadas à doença nas proximidades da área urbana de Campinas. Nas proximidades de áreas urbanas do Rio e de Niterói estão sendo investigadas mortes de macacos por febre amarela.

Show de Bossa Nova

Sábado, 22 de abril, às 11h30, no TEATRO SESC SÍLVIO BARBATO (Setor comercial Sul) o CLUBE DA BOSSA NOVA e o SESC realizarão o show
DUO DE CORDAS
com FÉLIX JÚNIOR e MANASSÉS DE SOUSA
Participação Especial
CÉLIA RABELO, reconhecida internacionalmente e admirada pelo seu talento.

Os violonistas e a cantora apresentam afinidade e entrosamento fantástico, além de várias formas de interpretação e virtuosidade seguida de muita emoção.

ENTRADA FRANCA

Você irá ouvir:

*CORRENTEZA
Tom Jobim / Luiz Bonfá
* O MEU AMOR
Chico Buarque
*LÁ VEM A BAIANA
Dorival Caymmi
*JOÃO E MARIA
Sivuca / Chico Buarque
*BERIMBAU
Baden Powell / Vinícius de Moraes
*DISPARADA
Théo de Barros / Geraldo Vandré
*JUAZEIRO
Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira
*O MUNDO É UM MOINHO
Cartola
*EU PRECISO APRENDER A SÓ SER
Gilberto Gil
*AMIGO É PRA ESSAS COISAS
Sílvio da Silva Jr. / Aldir Blanc
*CABROCHINHA
Maurício Carrilho / Paulo César Pinheiro
* PONTEIO
Edu Lobo / Capinan
* LIBERTANGO
Astor Piazolla
*SANTA MORENA
Jacob do Bandolin

Louise: alunos da UnB ficam revoltados com pena 'leve' para assassino

Para a família, amigos e estudantes do curso da vítima, havia a esperança de mais tempo de reclusão em regime fechado

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postado em 05/04/2017 06:00 / atualizado em 05/04/2017 07:33

Gabriella Bertoni – Especial para o Correio
Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press
“No dia seguinte ao desaparecimento (de Louise), eu cheguei cedo à universidade e vi o Vinícius andando pelos corredores do Centro de Biologia. Nem imaginei que ele tinha feito aquilo” Amanda Bernardes, (de óculos), 19 anos, ao lado de colegas do curso de biologia

Após o assassino confesso Vinícius Neres Ribeiro ser condenado a 23 anos e 10 dias pela morte da estudante de biologia da Universidade de Brasília (UnB) Louise Maria da Silva Ribeiro, o clima entre estudantes e professores da instituição era de inconformismo — advogados criminalistas previam pena de pelo menos 30 anos de prisão para o réu. Para a família, amigos e alunos do curso da vítima, havia a esperança de mais tempo de reclusão em regime fechado. Dessa forma, Vinícius poderá cumprir dois quintos da pena e passar para o regime semiaberto em 8 anos, pois está preso há um ano.

A sentença saiu após o julgamento que durou quase 11 horas. O réu foi condenado por homicídio quadruplamente qualificado (feminicídio, motivo torpe, asfixia e recurso que dificultou a defesa da vítima) e destruição parcial do cadáver. Ao fim da audiência, o pai de Louise, o militar Ronald Ribeiro, comentou que a pena foi a esperada, mas considera baixa. “Nada trará a vida dela de volta. Como o juiz falou, ele é jovem, réu primário e tem bons antecedentes. É um rapaz que daqui a pouco está solto de novo, em uma nova universidade e poderá cometer outros crimes”, lamentou.

Um grupo de estudantes de biologia que, à época do crime, em 2016, eram alunos do primeiro semestre, contou que precisaram passar por acompanhamento de professores do curso e de psicólogos. “Era a nossa primeira semana de aula e foi aquele choque. No dia seguinte ao desaparecimento (de Louise), eu cheguei cedo à universidade e vi o Vinícius andando pelos corredores do Centro de Biologia. Nem imaginei que ele tinha feito aquilo”, contou Amanda Bernardes, 19 anos. Sobre o resultado do julgamento, Ademar Dantas, 19, foi incisivo. “Poderia ser um dia ou a vida toda, mas nunca será o suficiente. Não existe essa barganha com a vida de alguém. O período que ele passar lá ainda será pouco”, avaliou.

A diretora do Instituto de Biologia, Andrea Queiroz Maranhão, contou que, depois do crime, houve a necessidade da criação de grupos de apoio e de acompanhamento psicológico para alunos e professores. “Sabemos que o resultado foi o possível, mas não o justo, pois pode estar fora da cadeia com 28 anos. Nós tivemos que reaprender o que fazemos de melhor e ficar com os alunos. Não podemos perder o nosso foco, que é formar esses jovens”, contou. A educadora destacou que o curso de biologia fez uma parceria com o Centro de Apoio Psicológico da UnB para orientar todos os envolvidos. “Precisamos repassar que a biologia ensina a vida. Essa tragédia jamais será esquecida”, concluiu.

Defesa

Inicialmente condenado a 25 anos de reclusão, Vinícius recebeu dois atenuantes da pena: a confissão e a menoridade relativa do réu (quando tem entre 18 e 21 anos). Por causa disso, ele cumprirá a pena de 23 anos e 10 dias de reclusão — 22 anos pelo homicídio e 1 ano pela destruição do cadáver. “Mas por ser um homicídio qualificado, que é um crime hediondo, ele tem direito a cumprir dois quintos da pena em regime fechado e, depois, passar para o regime semiaberto”, explicou a advogada de defesa, Tabata Lais Sousa Silva. A defensora detalhou, ainda, que, a cada três dias de trabalho, o condenado recebe o abono de um dia na pena.

A defesa de Vinícius entrará com recurso, mas não revelou qual será o argumento a ser usado. Tabata Silva acrescentou que, com o tempo, se o cliente mantiver o bom comportamento, estudar e trabalhar, poderá conseguir a liberdade condicional, quando não precisará mais dormir no Complexo Penitenciário da Papuda. Porém, terá obrigações com a Justiça e precisará de autorização especial para sair de Brasília.

Durante o julgamento, a promotoria alegou que o discurso de Vinícius havia mudado quando o réu contou que o motivo do crime foi a raiva que sentiu ao abraçar Louise — ele a atraiu para o Laboratório de Biologia da UnB ao dizer que se mataria. Ao ser preso, o condenado demonstrou frieza, postura semelhante durante os depoimentos prestados no Tribunal do Júri de Brasília.

Mulher acusou 6 vezes autor de chacina em Campinas

Na noite de réveillon, ele matou a ex-mulher, o filho, João Victor, de 8, e mais dez pessoas que comemoravam o ano-novo na casa de parentes dela, em Campinas, no interior do Estado. Depois, Araújo se matou.

postado em 03/01/2017 08:04
A técnica em contabilidade Isamara Filier, de 41 anos, registrou cinco boletins de ocorrência contra o ex-marido Sidnei Ramis de Araújo, de 46, por crimes de agressão e ameaça, além de denunciá-lo por abuso sexual contra o filho na Justiça. As queixas na polícia começaram em 2005 e foram até 2015. Na noite de réveillon, ele matou a ex-mulher, o filho, João Victor, de 8, e mais dez pessoas que comemoravam o ano-novo na casa de parentes dela, em Campinas, no interior do Estado. Depois, Araújo se matou.

Isamara ganhou a guarda do filho depois de denunciar à Justiça que o menino teria sido abusado sexualmente pelo pai. Segundo a polícia, a decisão judicial deixou Araújo consternado e foi o principal motivo para que ele cometesse o crime. A denúncia foi feita no início de 2012.

No Natal daquele ano, ela foi até a Delegacia da Mulher, em Campinas, e afirmou que foi ameaçada pelo ex-marido por telefone Durante uma discussão, ele teria dito “vou te matar”. A queixa seguinte foi em setembro de 2013. Segundo o boletim de ocorrência, Araújo estava brincando com o filho durante uma visita monitorada e empurrou a mulher, que caiu.

Em dezembro de 2014, a Polícia Militar foi chamada até um clube da cidade. Lá, Araújo foi flagrado descumprindo uma ordem judicial, que o proibia de se aproximar do filho fora dos dias de visita monitorada. O menino estava jogando futebol e o pai foi surpreendido na arquibancada por Isamara. Por último, em junho de 2015, foi feita a ameaça mais grave. Isamara disse à polícia que o ex-marido a ameaçou de morte: ele teria dito que “é melhor você ir conversar com o diabo, porque nem Deus vai te ajudar! Porque você e a vaca da sua mãe vão pagar!”.

Segundo a polícia, em nenhum dos casos Isamara quis receber medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.

Investigação. O 3º DP de Campinas vai investigar o que motivou os 12 assassinatos e o suicídio de Araújo.

Os policiais apreenderam uma gravação com o assassino no local do crime. Nela, o atirador teria se justificado e pedido desculpas para amigos. O material, junto com dez explosivos e cápsulas de pistola 9 milímetros encontrados na casa foram encaminhados para a perícia.

O foco da investigação é descobrir quem vendeu a arma para Araújo. Nesta semana, estão previstos os primeiros depoimentos de testemunhas e parentes das vítimas e do atirador.

Conforme a reportagem revelou nesta segunda, Araújo mandou um e-mail coletivo para os amigos, programado antes do ataque, explicando os motivos que o levaram a matar a ex-mulher e a família dela. O e-mail contém um arquivo com áudios nos quais o atirador revela todo o ódio que sentia em relação a Isamara.

Ele diz também que pretendia cometer o massacre na noite de Natal. “Eu tentei pegar a vadia no almoço do Natal e dia da minha visita, assim pegaria o máximo de vadias da família, mas, como não tenho prática, não consegui”, disse o atirador. A polícia ainda não tem esse documento.

Enterro

Dor e comoção marcaram o enterro das 12 vítimas, na manhã desta segunda-feira, 2, no Cemitério da Saudade. Cerca de 1 mil pessoas, entre parentes, amigos e curiosos, acompanharam o final do velório e o cortejo.

Os sepultamentos começaram por volta das 9h20, de dois em dois, por causa da quantidade de vítimas. Os últimos corpos a serem sepultados foram de Isamara, João Victor e do irmão dela, Rafael Filier, de 33 anos. Comovida, a família pediu para que a imprensa se afastasse do túmulo.

O pai de Isamara, Jovair Filier, acompanhou o cortejo com ajuda de um carrinho elétrico. Segundo amigos, há dois anos ele perdeu a mulher. Agora, o casal de filhos. “Ficou só”, disse uma ex-empregada da família. (Colaborou Alenita Ramirez, Especial Para o Estado)

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Por Agência Estado
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Obras dos palácios do Planalto e da Alvorada são devolvidas a museu do Rio

Curadores criticam devolução de obras para o Museu Nacional de Belas Artes. O acervo fazia parte da ambientação dos locais há 55 anos

image002-5postado em 03/01/2017 09:01
Nahima Maciel

Reprodu??o/FacebookChegada das obras do acervo dos palácios da Alvorada e do Planalto devolvidas ao Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro

No último 29 de dezembro, o historiador Claudio Suarez Rocha e o curador Rogério Carvalho viram o trabalho de mais de uma década destinado ao patrimônio brasiliense se desmanchar. Seguindo autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para um acordo entre o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) e a Diretoria de Documentação Histórica do gabinete da Presidência da República, um total de 48 obras que compunham a ambientação dos palácios do Planalto e do Alvorada há 55 anos foram devolvidas ao Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no Rio de Janeiro. As obras vieram para Brasília de acordo com uma seleção de Oscar Niemeyer e Ana Maria Niemeyer e foram cedidas em comodato para integrar as áreas públicas e privadas dos dois palácios presidenciais. Entre as obras havia pinturas de Cândido Portinari, Rodolfo de Amoedo, Alberto da Veiga Guignard, Maria Leontina, Eliseu Visconti, Arcângelo Ianelli e Djanira da Mota.
image003-1Historiador do Arquivo Nacional, Claudio foi cedido para a Presidência da República em 1988 para cuidar dos acervos dos presidentes da República. Em 2003, se tornou Diretor de Documentação Histórica do gabinete, cargo do qual foi exonerado em 16 de dezembro, segundo ele, por discordar da devolução das obras. Junto com o curador e arquiteto Rogério Carvalho, que também trabalhava na presidência desde 2008, Claudio era responsável por cuidar da correta ambientação dos palácios, um ofício que envolve a compreensão dos contextos históricos nos quais móveis, obras de arte e arquitetura se inserem. Os cargos foram criados por um decreto de Luís Inácio Lula da Silva, que instituiu uma comissão de curadoria com a intenção de apresentar o Brasil tanto para o exterior quanto para a própria população. Rogério e Claudio estão indignados com a devolução das obras para o MNBA, resultado de uma postura, segundo eles, equivocada da diretora da instituição, Monica Xexéo.

Ela teria alegado que as obras precisam de restauro, mas os dois curadores explicam que 65% do acervo cedido em comodato pelo MNBA estão em perfeitas condições e que o restauro das pinturas restantes poderia ser feito em Brasília. Como a ambientação não era tombada pelo Iphan — proposta, inclusive, apresentada ao órgão pelos curadores ao longo dos anos —, o fim do comodato seria concluído com a devolução das obras. Mas Claudio e Rogério lembram que os quadros vieram para Brasília para integrar os palácios que representam a República brasileira e jamais poderiam ser devolvidos ao museu porque sua ausência descaracterizaria um projeto de Estado.

Além disso, Claudio e Rogério acusam o MNBA de ter levado as obras sem as condições técnicas adequadas. “Veio a desculpa de que vieram duas técnicas para embalar. Foi num avião da FAB sem seguro, sem a climatização necessária. Eles mostram as fotografias de umas caixas, mas as caixas não foram com os quadros do Planalto, as caixas eram dos Portinaris que vieram da Finep e que ela (Mônica Xexeo) levou de brinde. Eles mostram as caixas como se aquilo fosse o padrão utilizado. As obras foram, provavelmente, embrulhadas em plástico bolha, socadas num caminhão e levadas até o avião. Que nível de compromisso a diretora do MNBA tem com essas obras?”, questiona Rogério. Abaixo, a dupla explica por que entende o ato da diretora do MNBA como uma afronta e o que isso representa para o patrimônio brasileiro.

Barbara Cabral/Esp. CB/D.A PressClaudio Suares Rocha e Rogério Carvalho estão indignados com a transferência doas obras

Curadores pediram o tombamento >> Entrevista // Claudio Suarez Rocha e Rogério Carvalho

Você disse que havia um conjunto de obras de Portinari que não faziam parte do acervo do MNBA mas que também foram levadas. Como é isso?
Claudio Suarez Rocha — A Finep cedeu essas obras. E eles entraram em contato comigo e falaram que tinham total interesse em manter a coleção completa e que queriam que ficasse no Palácio do Planalto. São 120 quadros. A gente ainda estudou fazer um espaço inteiro do Portinari no Palácio do Planalto. Só que a administração enrolou, enrolou, enrolou e isso foi cedido para o MNBA.

Rogério Carvalho — Acharam que, de alguma forma, o MNBA poderia receber essas obras. Mas a Finep tem sede em Brasília, no Rio e em Belo Horizonte. Então, ela não pode, em momento nenhum, dizer que esses Portinaris que foram para lá eram do Rio de Janeiro. Ela que devolva para Minas Gerais.

Vocês estão estudando o instrumento do usocapião para tentar reaver as obras. Como funciona?
Rogério — Falei com Pedro Mastruobono, que é advogado, colecionador de São Paulo, e ele vem ganhando causas sequencialmente usando esse instrumento do usocapião relacionado a bens móveis. Ele acha possível. Se a sociedade civil organizada, a população do DF solicitar o usocapião das obras, pode funcionar. Ele disse que seria interessante que a gente entrasse em contato com a sociedade civil mesmo, uma OAB, instituições que de alguma forma se juntassem e apresentassem essa proposta

Em que circunstâncias essas obras foram selecionadas para Brasília?
Claudio — É uma ironia tudo isso. A capital da República mudou para Brasília, não sei se o Museu Nacional de Belas Artes sabe disso. E Oscar Niemeyer tinha selecionado, junto com Ana Maria Niemeyer, obras modernistas que tivessem a ver e ambientassem os palácios.

Rogério — Essa seleção do MNBA dava conta justamente da arte brasileira porque Ana Maria tinha feito uma compra grande de estrangeiros. Então a representatividade dos artistas brasileiros dentro dos prédios de Brasília e selecionados pela Ana Maria era justamente para você ter um equilíbrio e não ter apenas obras estrangeiras.

Vocês temem que essa devolução abra precedentes. O que isso significaria?
Claudio — Seria o mesmo que a Biblioteca Nacional exigir a devolução de livros que, eventualmente, tenha cedido para a biblioteca do Palácio. A biblioteca do Alvorada foi concebida por Antonio Houaiss, José Honório Rodrigues, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e Edson Néry da Fonseca. E agora vão devolver os livros para Rio? Não. Houve uma mudança da capital da República, caso eles não tenham percebido. E isso fez parte da seleção do que tinha que decorar esses palácios. Outra justificativa era que o público não tinha acesso. Como não tinha acesso?

Rogério — Tem visitação todos os dias no Planalto, visitação de escolas públicas, inclusive.

Como foi feita essa ambientação?
Claudio — Participei de três ambientações do Palácio da Alvorada. Quando o FHC (ex-presidenrte Fernando Henrique Cardoso) chegou lá, estava muito depauperado e ele melhorou muito. Dona Ruth Cardoso entrou em contato com Oscar Niemeyer, pediu autorização para tirar uns espelhos, colocar uns quadros do Portinari que tirou do Banco Central, e colocou um espaço do Portinari. Comprou mobiliário novo e montou um palácio digno. Quando o Lula assumiu, teve um perrengue com a administração, que fez uma bobagem e recolheu tudo. Eu montei novamente o Alvorada para eles. Depois, o Alvorada foi restaurado com supervisão do escritório do Niemeyer, com o Iphan e eu ali dentro de curador. Remontei o Alvorada, tanto a parte pública quanto a parte privada, para o casal. Dilma chegou, tiveram algumas mudanças, ela mexeu na parte íntima e na parte de trabalho, que é a que pode ser mexida.

O Brasil tem essa dificuldade de separar a coisa pública da privada?
Claudio — Sim, estamos discutindo exatamente essa questão do público e privado. A gente tentou, diversas vezes, convencer o Iphan a tombar a ambientação.

O Iphan não quis? Não há registro de tombamento de ambientação…
Claudio — Seria inédito.

Rogério — O acervo não é tombado, mas passou por inventário, que eu coordenei, inclusive. A partir do momento que o Iphan inventaria, ele demonstra interesse. O que a gente queria era o tombamento da ambiência, que seria um tombamento inédito, mas que iria muito ao encontro dessa história. A ambiência é a relação daquilo que está colocado com o espaço.

Por que a proposta não foi adiante?
Rogério — A gente chegou a conversar com a Jurema Machado (ex-presidente do Iphan) , mas ela já estava naquela de “ vou cair”. Conversamos também com o anterior, antes da Jurema, o Luiz Fernando de Almeida. Essa história da ambientação é muito nessa linha do que é a Casa Branca. Tem um vídeo do Obama falando da relação respeitosa que ele tinha com o espaço e que ele não se sentia no direito de mudar nada porque, afinal de contas, aquilo era a realização de um Estado, não era a realização de um governo. O que a gente fez, principalmente no Palácio do Planalto, é a realização de algo que o Planalto nunca viu. E aquilo foi feito a partir de um decreto presidencial.

O MNBA já havia pressionado antes?
Claudio — Desde Lula, eles querem essas obras de volta. Ela (Monica Xexéo) era uma técnica comum e vem querendo as obras desde FHC. Não pressionou tanto num primeiro momento do Lula não. No início da Dilma, veio uma pressão mais forte e disseram que as obras precisavam de restauração. E não é verdade.

Rogério — O restauro pode ser feito aqui. Quando fiz o procedimento de restauração da capela do Alvorada, a santa que hoje está lá foi restaurada na capela. O Claudio tem o laudo do ano retrasado que diz que mais de 65% das obras estão em excelentes condições.
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Mãe que teve filha morta por caseiro luta para manter condenado na cadeia

Cristina Del’sola lamenta a possibilidade de um dos assassinos da filha ser beneficiado pela progressão de regime, do fechado para o semiaberto. Para ela, caso serve de exemplo para que “outras Marias não se tornem vítimas nas mãos dele”

postado em 29/12/2016 06:05
Thiago Soares
Daniel Ferreira/CB/D.A Press – 1/12/14 “Não posso me calar”

image001-12“Eu não quero vingança, eu apenas não quero que nenhuma outra mãe seja alvejada como a minha família foi”. Assim reagiu Cristina Del’Isola, mãe da jovem Maria Cláudia Del’Isola, ao avaliar a possibilidade de concessão de um benefício àquele que assassinou a filha dela, em 2004. No último dia 12, o ex-caseiro da família da vítima Bernardino do Espírito Santo Filho obteve a progressão de pena em regime fechado para semiaberto. Ele ainda não saiu às ruas porque aguarda exames psicológicos que possam atestar a condição de reintegração. “O perfil dele é de psicopata. A minha necessidade é sensibilizar as autoridades à frente dessa decisão para que outras Marias não se tornem vítimas nas mãos dele”, argumenta Cristina (leia Depoimento).

Saiba mais

Ao tomar conhecimento da decisão na segunda-feira, Cristina, presidente do Movimento Maria Cláudia, preferiu silenciar. Mas a situação fez com que a mãe relembrasse toda a tristeza provocada por um dos crimes mais bárbaros da história de Brasília. Em 9 de dezembro, completaram-se 12 anos do homicídio. Bernardino e a então namorada, a empregada doméstica da casa, Adriana de Jesus Santos, foram condenados pelo assassinato. Segundo a investigação, eles abordaram a garota quando ela saía de casa, no Lago Sul, para a faculdade. A dupla imobilizou e agrediu Maria Cláudia, e, depois, o homem a estuprou. O corpo dela foi encontrado três dias depois, enterrado debaixo da escada da residência dos Del’Isola.

“Foram quase três anos de convivência dele (Bernardino) com a família, e ele se mostrou dissimulado com todos. O que quero lembrar neste momento é que perdi a minha filha de uma forma brutal e monstruosa. O fato é que estamos diante de um assassino inescrupuloso. A minha preocupação é saber que alguém com esse perfil pode, daqui a alguns dias, estar empregado, convivendo com outras pessoas sem elas saberem o que aguardam ao lado. O medo é da possibilidade de um novo crime”, afirma a mãe.
Dor

A Justiça sentenciou Bernardino a 65 anos de prisão em 2007. Mas, assim como Adriana, ele conseguiu reduzir a pena para 52 anos. Contra o ex-caseiro também há uma condenação por tentativa de homicídio e estupro contra uma adolescente de 13 anos, crime que ocorreu meses antes da morte de Maria Cláudia. “Diante de tantos crimes, nunca imaginei que ele poderia ser beneficiado pela Justiça”, lamenta Cristina.

Adriana também tenta o mesmo benefício de Bernardino. Em novembro de 2015, ela apresentou proposta de emprego à Justiça, mas ela foi vetada após exames atestarem transtornos psicológicos. A possibilidade de progressão de regime do ex-caseiro só foi possível pelo fato de que, à época do crime, a Lei de Execuções Penais previa que os presos com bom comportamento poderiam ser beneficiados depois de cumprirem um sexto da pena. No caso dele, no dia da decisão, ele havia cumprido aproximadamente 12 anos de reclusão. “A minha filha não voltará. Essa é a minha realidade, e eu tenho de conviver com essa dor. Mas o que não quero para mim, eu não quero para o próximo; por isso, peço que as autoridades sejam sensíveis e analisem bem o que isso pode representar”, conclui a mãe de Maria Cláudia.
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Justiça dá benefício a Bernardino, assassino de Maria Cláudia Del'Isola

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Condenado a 52 anos de prisão pelo estupro e morte de Maria Cláudia Del’Isola, o ex-caseiro conseguiu a progressão do regime da pena de prisão para o semiaberto. Para que comece a trabalhar fora, ele precisa ainda de avaliação

postado em 28/12/2016 09:41 / atualizado em 28/12/2016 09:51
Isa Stacciarini
Breno Fortes/CB/D.A PressAntes do crime, Bernardino estuprou uma menina de 13 anos

Condenado por matar e estuprar a universitária Maria Cláudia Del’Isola em 2004, o ex-caseiro Bernardino do Espírito Santo Filho obteve o benefício da progressão do regime de prisão fechado para o semiaberto. Mas a possibilidade de sair da penitenciária para trabalhar durante o dia e retornar à noite precisa, primeiro, ser avaliada por meio de exame criminológico. A decisão é de 2 de dezembro do juiz substituto da Vara de Execuções Penais (VEP) do DF Valter André de Lima Bueno Araújo. Significa que o assassino já teve a mudança do regime de prisão, mas ainda não recebeu benefícios externos, como o de trabalho e dos saidões de Natal e revéillon, por exemplo.

A transferência de um preso para o regime semiaberto não lhe dá, necessariamente, o direito a benefícios fora da cadeia. O Código Penal estabelece que o trabalho externo é admissível, mas frisa que cabe ao magistrado a decisão sobre a concessão. O exame é de praxe e solicitado pela Justiça principalmente quando o condenado praticou crimes de estupro. O objetivo é avaliar, por meio de análises psicológicas, se o apenado tem algum transtorno de psicopatia ou de personalidade. Se constatado o diagnóstico, é orientado tratamento médico.

O ex-caseiro da residência onde o crime ocorreu foi condenado a 65 anos de prisão em 2007, porque também recebeu pena por furto. Mas, assim como a comparsa e ex-empregada doméstica da casa, Adriana de Jesus Santos, ele conseguiu reduzir a pena para 52 anos. Pela regra, ele já tem direito ao benefício, porque, à época da morte de Maria Cláudia, a Lei de Execuções Penais previa que os presos com bom comportamento poderiam ganhar o benefício do regime semiaberto depois de cumprirem um sexto da pena: o que ocorreu em 2015.

Contra Bernardino, também há uma outra condenação de 58 anos e meio por tentativa de homicídio e estupro contra uma adolescente de 13 anos. O crime ocorreu em 2004, às margens do Lago Paranoá, meses antes da morte de Maria Cláudia.

Adriana tenta, como Bernardino, utilizar o benefício do regime semiaberto. Em novembro de 2015, ela apresentou proposta de emprego à Justiça, mas a Justiça vetou a saída dela da prisão em razão de os exames realizados atestarem transtornos psicológicos.

A defesa de Bernardino é feita pela Defensoria Pública do DF. Segundo defensores públicos em plantão do Núcleo de Execuções Penais, Bernardino cumpriu, até a data da decisão da progressão do regime, aproximadamente 12 anos de reclusão. “Assim, satisfez o requisito temporal para a obtenção do benefício”, informou a Defensoria. Por meio de nota, os defensores alegaram que, em relação aos requisitos subjetivos para a obtenção do benefício, Bernardino também os preencheu, uma vez que foi reconhecido o bom comportamento dele durante a pena.

O Correio procurou o pai de Maria Cláudia Del’Isola, Marco Antônio Del’Isola. Ele não tinha conhecimento da decisão da Justiça, mas preferiu não comentar o caso. A reportagem também falou com a mãe da vítima, Cristina Del’Isola, que hoje preside o Movimento Maria Cláudia. Ela contou que soube da decisão na segunda-feira, mas ainda está impactada com a notícia e pediu para não falar a respeito.

O que diz a lei
O preso só conseguiu a progressão para o regime semiaberto porque o crime ocorreu antes da Lei 11.464/2007. A nova regra determina que, para crimes hediondos, o tempo para a progressão do regime é de dois quintos para sentenciados primários e três quintos para reincidentes. O artigo 112 da Lei de Execuções Penais prevê o sistema progressivo de cumprimento de pena, visando a ressocialização do apenado e não apenas a punição. A lei só permite a progressão para o semiaberto quando o sentenciado comprova que vai estudar ou trabalhar.

Memória

Crime bárbaro
O crime, um dos mais bárbaros da história de Brasília, completou 12 anos em 9 de dezembro. Maria Claudia Del’ Isola foi assassinada em 9 de dezembro de 2004, em sua casa, no Lago Sul.

O então caseiro da família, Bernardino do Espírito Santo, e sua namorada, a empregada doméstica da casa, Adriana de Jesus Santos, abordaram a jovem para forçá-la a contar a senha do cofre. Tinham a intenção de roubar R$ 1,7 mil. Eles a imobilizaram, a agrediram com um soco e depois Bernardino a estuprou. Por fim, a dupla a esfaqueou e acertou a cabeça dela com uma pá. Enterraram o corpo da vítima debaixo da escada principal da residência. Ele foi encontrado três dias depois, quando a família ainda acreditava que Maria Cláudia pudesse ter sido sequestrada.