Quero curtir minha família, o que mais amo’, diz pai libertado após ser condenado injustamente por abusar dos filhos


Família se abraça após liberdade de pai (Foto: Reprodução/GloboNews)

Após quase um ano preso injustamente, o vendedor Atercino Ferreira de Lima Filho, de 51 anos, foi solto na manhã desta sexta-feira (2). Ele foi condenado a 27 anos de prisão por abusar sexualmente dos filhos quando eles tinham 8 e 6 anos e o Tribunal de Justiça de São Paulo o absolveu unanimamente nesta quinta-feira (1º).

“Gostaria de agradecer a Deus muito, a minha esposa, aos meus amigos. Quero ir para casa, comer uma pizza, cervejinha com meus amigos, curtir minha família, que eu mais amo e mais quero na minha vida”, disse ao sair da Penitenciária José Parada Neto, em Guarulhos, na Grande São Paulo.

Na saída do pai, a filha Aline disse que quer “valorizar cada minuto, cada segunda, porque família é o que a gente tem de mais precioso”.

A condenação foi fundamentada nos depoimentos dos filhos, que contaram ser obrigadas a mentir sobre os abusos para prejudicar o pai, que estava separado da mãe.

Atercino e a mulher se separaram em 2002 e os filhos Andrey e Aline ficaram sob a guarda da mãe, que foi morar na casa de uma amiga. Lá, os irmãos contam que sofriam maus tratos e fugiram de casa. Eles moraram em orfanato e quando saíram procuraram pelo pai e começaram uma batalha para provar a inocência dele.

Em 2012, Andrey registrou em cartório uma escritura de declaração em que afirmava que nunca havia sofrido abusos por parte do pai. “Eu, quando criança, era ameaçado e agredido para mentir sobre abusos sexuais.”
Atercino Ferreira de Lima Filho, de 51 anos, foi liberado após um ano preso injustamente (Foto: Reprodução/GloboNews)

Um projeto que começou nos Estados Unidos, Innocence Project, que tem a missão de tirar da cadeia pessoas que foram presas injustamente, ajudou a família.

Dora Cavalcati, diretora do Innocence Project, explica que os laudos da época da denúncia foram negativos para violência sexual. “Uma psicóloga forense atestou, depois de conversar longamente tanto com o Andrey quanto com a Aline, que eles não tinham nenhuma sequela de violência paterna por condutas de abuso sexual. [Atestou] que, ao contrário, eles foram crianças que cresceram em meio aos maus tratos infringidos pela mãe e pela companheira da mãe.”

Cronologia do caso:

2002

Atercino Ferreira de Lima Filho e sua mulher se separam. Os filhos Andrey, 8, e Aline, 6, vão morar com a mãe, na casa de uma amiga

2004

Ministério Público denuncia vendedor por abuso dos filhos quando ainda era casado

2012

Andrey registra em cartório que foi forçado a acusar o pai mediante maus tratos

2014

Caso chega ao Supremo Tribunal Federal e a ministra Rosa Weber rechaça pedido e pede que fatos e provas sejam reexaminados

2015

Aline faz declaração semelhante ao irmão negando os abusos

2017

Atercino é preso em abril, após o caso ser transitado em julgado. Os filhos, na época, moravam com o pai

2018

Atercino deve sair da Penitenciária José Parada Neto – Guarulhos I, onde cumpria pena

Polícia Civil do DF prende quadrilha que aplicava golpe do cartão em idosos

Polícia Civil do Distrito Federal faz operação na manhã desta quinta-feira (1º/3) para desarticular um grupo que aplicava golpes em idosos. A máfia investigada por cerca de cinco meses teria sacado R$ 500 mil das contas das vítimas. São cumpridos mandados de prisão, busca, apreensão e condução coercitiva.

Em 2017, o Metrópoles publicou uma série de matérias alertando sobre o golpe. Em maio, a reportagem conversou com quatro vítimas que tiveram prejuízo total superior a R$ 33 mil, apenas em abril do mesmo ano. Em uma das ocorrências, os estelionatários gastaram R$ 18 mil em lojas da cidade.
A fraude foi feita da mesma maneira nos quatro casos: de posse dos dados pessoais das vítimas, um criminoso entrou em contato e se identificou como funcionário da central de segurança dos cartões. O golpista, então, informou que havia sido identificada uma compra não usual com o cartão do cliente.

Ao dizer que não realizou a compra, a vítima era orientada a seguir instruções de segurança: digitar a senha do cartão no teclado do telefone, cortá-lo sem danificar o chip e escrever uma carta de próprio punho negando a suposta compra.

Os estelionatários asseguravam que o cartão estava cancelado e, portanto, outro seria enviado em breve. Ainda de acordo com informação dos fraudadores, um agente de segurança da operadora passaria na casa da vítima para recolher o envelope com o cartão cortado e a carta escrita manualmente.

Sem desconfiar que estava sendo enganado, o cliente entregava o chip

Sem desconfiar que estava sendo enganado, o cliente entregava o chip intacto. Dessa forma, os bandidos o instalavam em outro cartão e, então, realizavam compras, serviços, saques e empréstimos.

Ouça a ação de um golpista em uma gravação obtida pela polícia. O bandido, que conversa com uma mulher de Porto Alegre, é muito convincente:

“Nem desconfiei”
Uma aposentada de 68 anos, que pediu para não ser identificada, afirmou à reportagem que o suposto funcionário informou todos os seus dados pessoais. “Sabiam o meu nome completo, endereço e CPF. Nem desconfiei de que se tratava de um golpe, porque eles foram convincentes”, lembrou.

A moradora da Asa Norte disse que só se deu conta do crime após verificar um débito de R$ 18 mil na fatura do cartão de crédito.

“Trabalhei 36 anos para ter uma renda e tranquilidade ao me aposentar. Agora, estou no prejuízo. Depois que cancelei o cartão, ainda me ligaram novamente, tentando aplicar o mesmo golpe. Fiquei tão nervosa que estou tomando remédio para ansiedade. Eles sabem onde eu moro, roubaram meu dinheiro””
Vítima da quadrilha
Câmeras de segurança do prédio da aposentada registraram o momento em que um homem foi buscar o envelope com o cartão cortado e o chip na casa da vítima. O falso funcionário chegou por volta das 16h30 e se apresentou como Guilherme Carvalho. Ele estava com um capacete e forneceu até mesmo o número de um protocolo para a cliente.

Veja vídeo do criminoso que, em 12 de abril, se apresentou como Guilherme Carvalho e pegou o cartão de uma vítima. O suspeito está de camiseta branca sentado no banco ao fundo
Também em abril do ano passado, ao menos outros três moradores de Brasília caíram no golpe. Uma mulher ficou com dívida de R$ 6,8 mil. Desse total, R$ 6 mil foram gastos em um pet shop. O homem que foi buscar o cartão na casa da vítima também se apresentou como Guilherme Carvalho.

Outra vítima teve prejuízo de R$ 8,9 mil no cartão de crédito após seguir as recomendações dos estelionatários. Uma quarta pessoa enganada perdeu cerca de R$ 1,3 mil, pois percebeu a fraude e conseguiu cancelar o cartão antes que os criminosos fizessem novos gastos.

Todas as pessoas enganadas foram orientadas a escrever uma carta informando que o cartão havia sido clonado e não reconheciam as transações bancárias. Um homem foi até a residência delas e levou os respectivos cartões, cortados, mas com o chip intacto.

Crime organizado
Ainda em 2017, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul fez uma operação para desarticular a quadrilha que aplicava o golpe no país. Batizada de Privilege, a ação mirou os crimes de estelionato e lavagem de dinheiro. Oito envolvidos no esquema fraudulento foram presos durante o cumprimento de 22 mandados judiciais no Rio Grande do Sul e em São Paulo.

Em cinco meses de apuração, foi confirmado que o grupo possuía um núcleo em São Paulo, local de onde eram realizadas as ligações para as vítimas de várias regiões do país. Os integrantes da organização criminosa deslocavam-se de São Paulo a Porto Alegre para realizar compras e saques. Na capital gaúcha, foram identificados e presos o responsável pela logística do golpe na cidade e a pessoa designada a repassar aos bandidos as informações e dados privilegiados das vítimas.

Conexão RS-DF
As fraudes praticadas em Brasília podem ter partido do mesmo grupo, acredita o delegado responsável pela investigação, Hilton Müller. “Quem desenvolveu esse golpe, há dois anos, foi Danilo Vinícius da Silva Rosário, 29 anos. Ele mora em São Paulo e está com prisão preventiva decretada”, afirmou Müller ao Metrópoles. “O perfil das vítimas também é o mesmo em todo o Brasil”, completou.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, Danilo chegava a oferecer uma espécie de franquia criminosa em todo o país, comercializando a tecnologia que desenvolveu. Pelo “produto”, ele cobrava um percentual do valor roubado de cada cliente. Os crimes rendiam altos valores para a quadrilha. Só em Porto Alegre, o lucro estimado do bando ficou cerca de R$ 500 mil, roubados de um total de 29 vítimas.

Atenção!
As vítimas de estelionato devem entrar em contato com o banco, para que o cartão seja bloqueado e não haja mais danos, além de registrar a ocorrência na Polícia Civil. A notificação pode ser feita em qualquer delegacia, ou na internet.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) destaca que qualquer movimentação realizada depois da clonagem de um cartão de crédito ou cheque é de inteira responsabilidade do banco.
Se o caso não for solucionado, a vítima pode recorrer ao Instituto de Defesa do Consumidor (Procon) ou entrar com ação no Juizado Especial Cível.

Dicas
• Não use senhas óbvias, como datas de nascimento de parentes próximos
• Troque as senhas periodicamente
• Não confie em mensagens eletrônicas e telefonemas que pedem sua senha. Bancos e operadoras de cartão não solicitam essas informações por e-mail
• Antes de digitar a senha, verifique se o valor da compra foi digitado na máquina de cartão
• Confira frequentemente o extrato bancário
• Não perca o cartão de vista ao fazer compras em lojas físicas
• Procure buscar o cartão na agência em vez de pedir que seja entregue em casa
• Verifique se o antivírus do computador está atualizado antes de comprar pela internet. Ele impede a invasão de hackers que podem roubar dados bancários
Site:www.metropoles.com

Polícia apreende carro e bens de família que arrecadou dinheiro com campanha para ajudar bebê em SC

Polícia apreende carro e bens de família que arrecadou dinheiro com campanha em SC

A Polícia Civil apreendeu na manhã desta quinta-feira (1º) um carro avaliado R$ 140 mil, celulares, alianças no valor de R$ 7 mil, relógios e outros objetos na casa da família do menino Jonatas, que sofre de uma doença degenerativa rara, em Joinville, no Norte catarinense.

Os pais são investigados por suspeita de terem usado parte das doações arrecadadas pela campanha “AME Jonatas” para pagar luxos. A NSC TV não conseguiu contato com a família e nem com o advogado.

A campanha arrecadou quase R$ 4 milhões. Jonatas, de 1 ano e 8 meses, tem atrofia muscular espinhal (AME) e as doações foram pedidas para pagar a primeira parte do tratamento da criança.

O mandado de busca e apreensão foi cumprido pelos policiais civis por volta das 6h. A delegada responsável pelo caso, Geórgia Bastos, disse à NSC TV que a ação policial faz parte do inquérito e que na sexta-feira (2) a Polícia Civil vai informar o andamento da investigação.

Menino Jonatas sofre de Atrofia Muscular Espinhal (Foto: Reprodução/NSC TV)

Menino Jonatas sofre de Atrofia Muscular Espinhal (Foto: Reprodução/NSC TV)

Investigação

A Justiça bloqueou em janeiro, de forma liminar, os valores levantados com a campanha, a pedido do Ministério Público de Santa Catarina. O MPSC argumentou que tinha recebido informações de que o dinheiro doado na campanha estaria sendo usado para bancar luxos, como uma viagem para passar o réveillon em Fernando de Noronha e a compra de um carro de R$ 140 mil.

O Ministério Público também justificou o pedido do bloqueio porque o casal não estava cumprindo acordo feito em audiência em outubro de 2017 para que prestasse contas dos recursos arrecadados e despesas.

Em fevereiro, a Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso, a pedido do MPSC. No mesmo mês, a Justiça negou pedido da família para desbloquear os recursos conseguidos com a campanha.

· JOINVILLE
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Trem do metrô que descarrilou apresentou falha nos freios antes do acidente


Segundo a assessoria do Metrô/DF, o trem que saiu dos trilhos, na manhã desta quarta-feira (28), apresentou falha nos freios pouco antes do acidente. Por isso, os passageiros que seguiam viagem nele tiveram de descer na estação Águas Claras. O descarrilamento aconteceu depois disso, quando o condutor levava o trem para a área de manutenção, na mesma estação.

A empresa, no entanto, não confirmou que esse problema no freio foi o motivo de o trem sair dos trilhos. A perícia ainda avalia essa possibilidade. No fim da amnhã, os esforços eram para tirar o trem do caminho. Depois disso, os trilhos passariam por manutenção.

Segundo o diretor do Departamento de Manutenção e Operação do Metrô/DF, Carlos Alexandre Cunha, será preciso desconectar os carros do veículo danificado e encaminhá-los ao parque de manutenção da estatal. Depois, realinhar os trilhos da via, que também foram afetados.

O serviço deve durar todo o dia e a madrugada.
A previsão é de que o metrô volte a funcionar normalmente amanhã. Ou seja, a volta para casa de quem trabalho no Plano Piloto e ora em Águas Claras, Ceilândia e Samambaia deve ser complicada.

No começo da tarde, os carros que saíam de Samambaia e Ceilândia seguiam apenas até Águas Claras, e vice-versa. A partir da estação Guará, os trens seguem para a estação Central, na Rodoviária do Plano Piloto. A estação Arniqueiras é a única que não está funcionando.

De acordo com o tenente Daniel Oliveira, do Corpo de Bombeiros do DF, toda a estação está desativada e com a energia desligada para evitar acidentes. “Os trilhos ficaram danificados e a frente do painel do trem também. A parte metálica foi a mais danificada”, completou. “De Águas Claras até Ceilândia esquece. Isso não será consertado hoje”, frisou o tenente.

Impacto no trânsito

O diretor Carlos Alexandre Cunha não descartou o impacto no trânsito devido à interrupção da estação Arniqueiras. Com isso, Cunha acionou o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (DFTrans) para desafogar a demanda na região. “Será intenso e não temos previsão de término dos trabalhos. Esperamos finalizar a retirada ainda hoje, mas, se for necessário, estendemos durante a madrugada”, completou o diretor.

Nas redondezas da estação Arniqueiras, o Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran) está fazendo o controle das vias. Os militares estão tentando contato com os donos dos veículos estacionados na região para evitar que haja congestionamentos.
Site: www.correiobraziliense.com.br

Em 15 anos, país matou o equivalente à população de uma Lisboa e meia

Pelos dados oficiais, Brasil registrou um homicídio a cada dez minutos no período entre 2001 e 2015; a violência cresceu em ritmo maior que o número de habitantes, e nem as guerras e os atentados pelo mundo fizeram tantas vítimas


De 2001 a 2015, foram assassinadas no Brasil 786 mil pessoas, uma vez e meia a    população de Lisboa (506 mil) e mais que os habitantes de Frankfurt (701 mil). Juntos, os 28 países da União Europeia não tiveram tantos homicídios no período, assim como não morreram tantas pessoas na guerra da Síria (331 mil) ou nos atentados terroristas do século XXI (238 mil). “É uma tragédia que já nos acompanha há bastante tempo”, lamenta Claudio Beato, especialista em Segurança Pública. Ele aponta uma  combinação de fatores para o país registrar um morto a cada dez minutos, em média: a ausência de políticas públicas voltadas à prevenção, a violência que sai das prisões com as facções do crime e a lentidão da Justiça. O projeto “A Guerra do Brasil”, que o GLOBO publicará ao longo da semana, contém um documentário, reportagens e artigos, com o objetivo de propor possíveis soluções para este drama brasileiro. A dimensão da violência no Brasil pode ser traduzida em uma ideia: ultrapassa a das guerras. Mais pessoas foram assassinadas no país no século XXI do que nos dois maiores conflitos dos anos 2000, na Síria e no Iraque.

Informações levantadas junto ao sistema Datasus, do Ministério da Saúde, revelam 786.870 vítimas de homicídios no país em 15 anos, entre janeiro de 2001 e dezembro de 2015. O número representa um assassinato a cada dez minutos.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos registra 331.765 mortes no país, em função da guerra, de março de 2011 a julho de 2017. No Iraque, também em um período de 15 anos (entre 2003 e 2017), foram 268 mil vidas perdidas por causa do conflito, segundo o projeto “Iraq Body Count”. Os números brasileiros são quase três vezes maiores que os iraquianos, em um intervalo de tempo semelhante.

Os assassinatos no Brasil também superam as mortes provocadas por atos terroristas — o projeto “Global Terrorism Database” (base de dados do terrorismo global, em tradução livre) contabiliza 238.808 vítimas de atentados entre 2001 e 2016.

SUPERA A UNIÃO EUROPEIA

Tomando como referência a população de algumas cidades, os dados significam que o Brasil, em 15 anos, exterminou uma Lisboa e meia — a capital de Portugal tem em torno de 506 mil habitantes. Ainda nesta base de comparação, é como se os moradores de Atenas (664 mil), Seattle (684 mil), Sevilha (698 mil), Frankfurt (701 mil) ou João Pessoa (791 mil) tivessem sido eliminados.

As mortes no Brasil neste século superam os assassinatos ocorridos no mesmo período em oito países da América do Sul, somados — o mesmo acontece em relação às 28 nações da União Europeia. O número de homicídios é equivalente à população da Guiana.

— É uma tragédia que já nos acompanha há bastante tempo. A Segurança Pública está fora da agenda política — aponta o sociólogo Claudio Beato, professor visitante da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da UFMG.

Beato lista uma combinação de fatores que, para ele, formam o cenário de violência extrema:

— Prendemos muito e prendemos mal, e o resultado é a violência que sai das prisões e toma conta das ruas, com as facções do crime organizado; a Justiça é lenta, demora nove, dez anos, para haver a condenação de quem comete um homicídio; em termos sociais e econômicos, há uma ausência de políticas focalizadas para a prevenção.

O levantamento apresentado nesta edição faz parte do projeto “A Guerra do Brasil”, que traz ainda um documentário, reportagens e artigos de especialistas em Segurança Pública que serão publicados ao longo da semana. Ao apresentar e dar a dimensão do número de homicídios no Brasil no século, o GLOBO pretende também propor uma discussão e apontar possíveis soluções.

Discutir os homicídios no Brasil, necessariamente, passa por indicar o grupo mais vulnerável: os jovens negros ou pardos. Do total dos assassinatos, 56% foram de pessoas com até 29 anos, e 63% das vítimas são negras ou pardas. Um estudo divulgado ontem por Unesco, Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Secretaria Nacional de Juventude mostra que jovens negras têm duas vezes mais chances de serem assassinadas do que jovens brancas.

O Datasus mostra que os homicídios de homens correspondem a 91% do total e que 70% dos assassinatos foram cometidos com armas de fogo.

Um dos nomes desta história de violência é o adolescente Wesley Daniel. No dia 29 de dezembro de 2015, Wesley, 17 anos, foi à Igreja evangélica que frequentava aos domingos. Ao fim do culto, aguardava na porta quando foi baleado — morreu com a Bíblia na mão, segundo familiares. A família afirma que policiais o confundiram com um traficante; a polícia diz que havia um confronto com criminosos e, em seguida, o jovem foi encontrado ferido. Wesley trabalhava em um depósito de bebidas e ajudava a mãe com as despesas. — Apesar de agora (em dezembro) fazer dois anos, para mim (a morte) foi ontem. É sempre ontem. Parece que está acontecendo (agora). Nunca termina, todos os dias está aí — afirma Maria Quitéria Conceição dos Santos, mãe de Wesley. — A gente sabe que a morte faz parte da vida. Mas não desse jeito.

Em Jacareí, no interior de São Paulo, o século começou de maneira traumática. No dia 3 de janeiro, a funcionária pública Marisa Silvério saiu do trabalho no fim da tarde, como fazia todos os dias. Grávida de oito meses, dispensou a caminhada sugerida pelas amigas, pegou um ônibus e chegou ao supermercado minutos antes delas. Dez dias depois de celebrar o Natal, queria aproveitar a anunciada promoção de panetones. Uma tentativa de roubo a um carroforte, um tiroteio entre assaltantes e seguranças, duas balas que atravessaram intestino, fígado e útero. As amigas chegaram a tempo de ver Marisa entrar na ambulância. Mãe e filho morreram no hospital — o assalto fez outras três vítimas.

— Quando falam de uma pessoa que morreu com um tiro, você nunca imagina que pode perder alguém da sua casa. Tiro é coisa de confronto com a polícia, é coisa de quem faz algo errado. Pensamos essas coisas. Minha irmã estava no supermercado. Mas era o lugar errado. E a hora errada — diz Margareth Miranda Paula, irmã de Marisa, quase 17 anos depois.

Em uma análise ampla sobre os motivos que levaram o número de homicídios a este patamar, a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, critica a omissão do governo federal na discussão:
Site:www.oglobo.com.br

Homem entra armado em escola e mata estudante em Alexânia

Segundo testemunhas, a vítima, uma adolescente de 16 anos, recusou um pedido  de namoro do suspeito  compartilhar:
Hellen Leite ,
Deborah Novais – Especial para o    Correio  As aulas na escola foram suspensas Uma adolescente de 16 anos foi morta a tiros, na manhã desta segunda-feira   (6/11),  dentro de uma escola em Alexânia, cidade no Entorno do Distrito Federal. O suspeito é um jovem de 19 anos, que foi preso logo após o crime.
Segundo um ex-funcionário da escola, que trabalhou no colégio até janeiro   deste ano, o rapaz pulou o muro e entrou na sala da garota já atirando.  Raphaella Noviski, aluna do 9º ano da Escola Estadual 13 de Maio, foi  atingida no rosto e morreu na hora.

 Vítima de atirador de Goiânia não quer voltar para escola

colegas-dizem-que-atirador-de-goiania-ameaçava matar-estudante  antes Colegas dizem que atirador de Goiânia ameaçava matar estudantes  As aulas já tinham começado quando o atirador chegou à escola. De acordo com   a Polícia Militar, ele entrou em três salas antes de encontrar a vítima.  Armado com um revólver calibre .32, ele atirou pelo menos sete vezes.

“Segundo os alunos ele chegou a recarregar a arma, que tem espaço para seis   disparos”, informou o subcomandante Lima, do 34º Batalhão de Polícia Militar  de Goiás. A PM informou ainda que o autor dos disparos disse odiar a garota.  Segundo testemunhas, ele queria namorar com a menina, que não aceitou o  relacionamento. Vítima e atirador eram amigos nas redes sociais.

Os parentes da menina foram chamados ao local. Até às 10h, o corpo ainda   estava dentro da sala. As aulas foram suspensas. O atirador foi encaminhado  Segundo testemunhas, a vítima, uma adolescente de 16 anos, recusou um pedido de namoro do suspeito   compartilhar:  <javascript:void(0)> Facebook  <javascript:void(0)> Google+

http://app2.correiobraziliense.com.br/access/noticia_127983242361/638869/63/
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 postado em 06/11/2017 09:56 / atualizado em 06/11/2017 11:28
  <mailto:hellenleite.df@dabr.com.br> Hellen Leite ,
<mailto:deborahnovais.df@dabr.com.br> Deborah Novais – Especial para o  Correio 
As aulas na escola foram suspensas Uma adolescente de 16 anos foi morta a tiros, na manhã desta segunda-feira.
(6/11), dentro de uma escola em Alexânia, cidade no Entorno do Distrito
Federal. O suspeito é um jovem de 19 anos, que foi preso logo após o crime.
Segundo um ex-funcionário da escola, que trabalhou no colégio até janeiro.
deste ano, o rapaz pulou o muro e entrou na sala da garota já atirando.
Raphaella Noviski, aluna do 9º ano da Escola Estadual 13 de Maio, foi
atingida no rosto e morreu na hora.
<http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2017/10/22/internas
_polbraeco,635440/vitima-de-atirador-de-goiania-nao-quer-voltar-para-escola.
shtml
>
Vítima de atirador de Goiânia não quer voltar para escola·<http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2017/10/20/internas
_polbraeco,635153/colegas-dizem-que-atirador-de-goiania-ameacava-matar-estud
antes.shtml
> Colegas dizem que atirador de Goiânia ameaçava matar estudantesAs aulas já tinham começado quando o atirador chegou à escola. De acordo com
a Polícia Militar, ele entrou em três salas antes de encontrar a vítima.
Armado com um revólver calibre .32, ele atirou pelo menos sete vezes.
“Segundo os alunos ele chegou a recarregar a arma, que tem espaço para seis
disparos”, informou o subcomandante Lima, do 34º Batalhão de Polícia Militar
de Goiás. A PM informou ainda que o autor dos disparos disse odiar a garota.
Segundo testemunhas, ele queria namorar com a menina, que não aceitou o
relacionamento.Vítima e atirador eram amigos nas redes sociais.

Os parentes da menina foram chamados ao local. Até às 10h, o corpo ainda
estava dentro da sala. As aulas foram suspensas. O atirador foi encaminhado
para a Delegacia de Alexânia. O Grêmio estudantil da escola usou as redes
sociais para prestar solidariedade à família e cobrar mais segurança na
escola.

 Violência nas escolas

O crime em Alexânia ocorre pouco mais de duas semanas depois de
<http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/brasil/2017/10/20/internas
_polbraeco,635041/aluno-abre-fogo-mata-dois-colegas-e-fere-4-em-escola-de-go
iania.shtml
> um adolescente entrar atirando e matar colegas em um colégio em
Goiânia, no último dia 20. Em junho deste ano,
<http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2017/11/06/interna
_cidadesdf,638869/homem-entra-atirando-em-escola-e-mata-estudante-em-alexani
a.shtml
> um estudante de 26 anos foi morto com três tiros dentro da sala de
aula, no Centro de Ensino Fundamental (CEF) Zilda Arns, na Quadra 378 do
Itapoã. O crime aconteceu em 13 de junho, e, segundo a Polícia Militar, o
atirador usava um capuz e fugiu em uma Parati prata.

 
 para a Delegacia de Alexânia. O Grêmio estudantil da escola usou as redes
sociais para prestar solidariedade à família e cobrar mais segurança na
escola.

Violência nas escolas

O crime em Alexânia ocorre pouco mais de duas semanas depois de
um adolescente entrar atirando e matar colegas em um colégio em
Goiânia, no último dia 20. Em junho deste ano,

_cidadesdf,638869/homem-entra-atirando-em-escola-e-mata-estudante-em-alexani
a.shtml> um estudante de 26 anos foi morto com três tiros dentro da sala de
aula, no Centro de Ensino Fundamental (CEF) Zilda Arns, na Quadra 378 do
Itapoã. O crime aconteceu em 13 de junho, e, segundo a Polícia Militar, o
atirador usava um capuz e fugiu em uma Parati prata.

Projetos fotográficos devolvem autoestima a mulheres fora do padrão

Postado em 03/09/2017 07:00
Rebeca Oliveira /

Crédito: Andreza Pinheiro/Divulgacao.
Amanda Carvalho posa para o projeto Entre tantos amores, o próprio.

A fotografia tem sido importante aliada nesse processo de quebra de padrões
Andreza Pinheiro/DivulgaçãoAmanda Carvalho, uma das personagens que posou e compartilhou memórias com a paulista Andreza Pinheiro

Em tempos de empoderamento feminino, são muitas as mulheres que se sentem mais livres com a própria imagem, e encontram nas redes sociais uma plataforma para gritar essa autoaceitação. Arte do olhar, a fotografia tem sido importante aliada nesse processo de quebra de padrões. Apesar da pressão social continuar afligindo uma grande parcela da população (o Brasil lidera o ranking de países em cirurgias plásticas femininas), pipocam nas redes sociais projetos em que fotos e relatos biográficos entregam diversidade. O corpo é memória e, como tal, pede por respeito.

“Temos novas oportunidades de alcançar mais pessoas. Precisamos desconstruir a ideia de ‘padrões de beleza’. Cada indivíduo é único e essa diversidade precisa ser celebrada”, defende Andreza Pinheiro, criadora do Entre tantos amores, o próprio.
As imagens são disponibilizadas em uma página do Facebook criada em 8 de março, quando se comemorou o Dia Internacional da Mulher.

“Vivemos um processo de reestruturação do que é ser mulher na nossa sociedade. Não só os padrões de beleza, mas os padrões de comportamento e posicionamento político das mulheres vêm se alterando como nunca vimos antes. Acredito que, diferentemente do movimento feminista do século passado, a primavera feminina no século 21 reposiciona a mulher em todos os aspectos possíveis de uma vez só”, defende Nathália Oliveira, idealizadora da página Mulheres Poderosas, no ar na mesma rede social. Na próxima terça, será publicado o relato da primeira mulher trans entrevistada pelo projeto. Valéria Houston, a cantora escolhida, vem ganhando cada vez mais visibilidade no mercado, na “cola” de pares como a drag queen Pabllo Vittar.

Paulista, a fotógrafa Andreza Pinheiro sempre trabalhou com ensaios femininos convencionais. Até que, no início desse ano, uma inquietação a fez voltar as lentes para outros corpos. Sem padrões e estereótipos, a profissional queria construir uma narrativa em que imagens e memórias revelassem o que há por trás de diferentes personalidades femininas. Uma delas foi Amanda Carvalho, que teve 57% do corpo queimado com gasolina ao tentar salvar a mãe de um ataque furioso do próprio pai. Ambos morreram após a tragédia. “Se antes eu tinha vergonha das minhas cicatrizes, hoje eu tenho o maior orgulho e as amo. Elas fazem parte de mim, parte da minha história, de quem me tornei. Sou mais forte em tê-las. São como um escudo. Corpo bonito é aquele tem uma pessoa feliz dentro dele, e sou extremamente feliz assim: com cada cicatriz”, escreveu a modelo em um dos relatos mais impactantes do projeto.

Mulheres poderosas

De nome autoexplicativo, o Mulheres Poderosas é uma parceria das cariocas Nathália Oliveira e Renata Spinellio. A primeira delas teve o insight criativo em 2016, quando fez a primeira viagem sozinha e acompanhou, pela web, a repercussão do assassinato da argentina Lucía Pérez, em Mar Del Plata. “A mobilização de mulheres que surgiu a partir desse episódio tenebroso me motivou a também me mobilizar para lutar pelo fim da violência contra as mulheres. Toda campanha que existe sobre o assunto tem como imagem a mulher machucada, fragilizada, e entendi que esse não é o melhor caminho. O melhor caminho para o fim da violência contra a mulher é a valorização da vida de cada uma de nós, e tento fazer isso ao contar as histórias e publicar as fotos do projeto”, explica.

Crédito: Weudson Ribeiro/Divulgacao. Imagens do projeto Superafro, de Weudson Ribeiro.

Weudson Ribeiro/DivulgaçãoSuperafro, uma investigação informal da presença afro na mídia

Superafro

Brasiliense, o fotógrafo Weudson Ribeiro notou a ausência de mulheres com cabelo natural na moda e na publicidade – sobretudo no Brasil, país em que, segundo o IBGE, pretos e pardos integravam a maioria (53,6%) da população. Para sanar a lacuna, passou a publicar fotos desde 2015 no blog akaschwarz.tumblr.com, após uma conversa com a etnóloga norte-americana Yaba Blay. “Começou como uma investigação informal: eu fui às ruas para abordar essa questão e ouvir delas uma opinião sobre a falta de representatividade afro na mídia”, conta. “Se a consciência negra havia crescido tanto, porque os comunicadores em geral não estavam prestando atenção nisso?”, perguntou-se. Weudson planeja uma exposição de Superafro, ainda sem data definida.

Crédito: Daniel Regan/Divulgação.
Imagens do projeto Alopecia, do fotógrafo britânico Daniel Regan.Daniel Regan/DivulgaçãoProjeto Alopecia, do britânico Daniel Regan

Alopecia

O projeto criado pelo fotógrafo britânico Daniel Regan retrata mulheres com alopecia, doença que desacelera a produção de pelos na cabeça e em outras partes do corpo. Ela é desencadeada por questões genéticas ou emocionais, como situações de estresse. Em entrevista a portais internacionais, ele contou que os ensaios tem um papel importante na autoaceitação. “É um testemunho de como a fotografia pode ser poderosa, e se for usada corretamente, pode ter impactos terapêuticos importantes”, revelou ao Huffpost UK. As fotos estão disponíveis no site danielregan.com/alopecia.