Uma parada para a arte

Artista plástica leva aos pontos de ônibus do Cruzeiro, lugar onde nasceu e construiu toda a vida, um pouco mais de cor. E presenteia os moradores com desenhos que remetem às memórias de infância, ao cerrado e às belezas da cidade

ROBERTA PINHEIRO
Especial para o Correio
Publicação: 15/10/2016 04:00
Na parada da Quadra 4, Vivi Dourado retratou um pouco da infância – dela e de tantas outras crianças – no Cruzeiro:

Na parada da Quadra 4, Vivi Dourado retratou um pouco da infância – dela e de tantas outras crianças – no Cruzeiro: “Quero que esses pontos passem uma inspiração de um futuro melhor”

 Da mãe, ela carrega o sobrenome de cor, Dourado. Do pai, aprendeu sobre urbanismo e guardou as instruções: “Minha futura arquiteta, capricha nos desenhos, insista na caligrafia e nunca deixe de ler”. Seguindo esses passos, a brasiliense e designer gráfica Viviane Ferreira Dourado, 41 anos, mais conhecida como Vivi Dourado, transformou os rabiscos na parede de casa em trabalhos com personalidade, alegria e, principalmente, amor pela cidade natal. Quem está acostumado a pegar ônibus no Cruzeiro Velho, agora, vai dividir a espera com os desenhos da brasiliense.

O sol escaldante do cerrado, os blocos de três andares do Plano Piloto, os pássaros, a infância candanga e a Paróquia Nossa Senhora das Dores são alguns elementos que se destacam no meio das casas e do comércio da região. Amanhã, Vivi Dourado pinta mais uma parada em homenagem aos 55 anos da escola de samba Aruc — que surgiu a partir da reunião de um grupo de moradores do Cruzeiro Velho. A ideia de dar uma cara nova para os pontos de ônibus surgiu no ano passado, mas só foi possível concretizar agora. “Na gestão passada, eles fizeram uma estrutura de banner, com fotos, e fiquei pensando por que artistas locais não pintavam as paradas. Tinha sonhado com isso. Estava voando pela região”, conta.

Vivi Dourado sempre morou no Cruzeiro. Criou com a região administrativa laços quase familiares. Ali, aprendeu a pintar com professores locais, construiu seu ateliê e sua vida. “Quando pensei em transformar os pontos de ônibus, já trabalhava com ícones de Brasília, como a fauna, a flora, o cerrado e a arquitetura. Mas por que não pintar o Cruzeiro com sua origem e sua história?”, relembra. E falar da localidade é falar da história e da infância da designer. Não à toa, um dos desenhos preferidos é o da Paróquia Nossa Senhora das Dores. “Foi onde meus pais se casaram. Quero que as pessoas se sintam nela”, comenta.

O pai de Vivi, Andarilho Ferreira dos Santos, veio da Bahia para a capital trabalhar na construção do sonho de Juscelino Kubitschek. “Ele fez a curva da Rodoviária”, afirma orgulhosa. Segundo Vivi, foi com ele que aprendeu a urbanizar e arborizar a cidade, a se envolver. “A ideia não é ter moradores de rua dormindo nas paradas. Mas confesso que fiquei emocionada ao ver um rapaz deitado em um dos bancos, porque imaginei que aqui ele encontrou paz. Quero que esses pontos passem uma inspiração de um futuro melhor, de que podemos plantar uma semente e propagar”, afirma. Em menos de 15 dias, a arte de Vivi chamou a atenção e virou ponto turístico. Na página dela nas redes sociais, as pessoas compartilham fotos nas paradas. “Principalmente, os idosos. Eles adoram. É uma forma de aproximar as pessoas da cidade”, complementa.

Andarilho Ferreira faleceu em 1996, após uma parada cardíaca, mas a filha sabe que ele está com ela desde a concepção dos projetos. “Acho que o meu pai está aqui hoje. Com certeza, estaria comigo fazendo o mesmo, assinaria embaixo. Ele participa comigo desde quando sonho”, afirma com carinho. O patriarca era alfaiate e foi observando o trabalho dele que Vivi se apegou às linhas. “Vou atrás do traço e daquilo que ele representa no momento. Desenho em guardanapo de restaurante. Tenho vários blocos”, comenta. Sua visão é diferente. Para cada muro com um portão, imagina uma janela com flores e muitas cores. “Por isso que dizem que nós (artistas) somos doidas”, brinca. Também foi da insistência de Andarilho para que a filha fizesse caligrafia que surgiu a assinatura Vivi Dourado, com letras bem redondas, uma das marcas registradas da designer.

Para buscar as referências e inspirações, a designer vai a campo. Conversa com os moradores, olha os pontos da cidade e vai lá no fundo da caixinha de memórias encontrar as lembranças da infância. Depois dos traços, a filha Giulia, 18 anos, é quem dá o aval final. “Ela é bem crítica. Se ela gosta, tudo bem; mas, se não gosta, eu refaço”, confessa, aos risos.

(Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A Paróquia Nossa Senhora das Dores, onde os pais de Vivi se casaram, serviu de inspiração para a artista, assim como o sol escaldante do cerrados e os prédios de três andares do Cruzeiro (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

A Paróquia Nossa Senhora das Dores, onde os pais de Vivi se casaram, serviu de inspiração para a artista, assim como o sol escaldante do cerrados e os prédios de três andares do Cruzeiro

Comunidade
Viabilizar o projeto de Vivi só foi possível com a ajuda da Administração Regional do Cruzeiro e dos comerciantes. A administração faz o reparo das paradas, pinta de branco e deixa no ponto para a artista fazer a arte. “É um resgate cultural da própria cidade. Ela está contando a história do Cruzeiro”, comenta o administrador Reginaldo Rocha Sardinha. Os comerciantes ajudam, doando as tintas. Ao todo, 17 pontos de ônibus serão transformados e, assim que finalizarem as pinturas no Cruzeiro, a ideia segue para o Sudoeste e para a Octogonal. Sempre priorizando os artistas locais.

“Primeiro, quando vi, achei que era sujeira. Depois, vi que era um menino empinando pipa”, relembra a diarista Guirmar Nunes, 54 anos. Há cinco meses, ela pega ônibus na parada da Quadra 4. Com os desenhos de Vivi, a espera ficou mais agradável. “A parada suja dá uma sensação de medo e de que está largado”, comenta. Apesar da delicadeza dos traços e da alegria das cores, é comum no cenário da cidade encontrar os pontos de ônibus pichados e sujos. A designer sabe que isso pode ocorrer um dia com seu projeto, mas não tem medo. “Vou persistir até mudar a cabeça das pessoas. Não podemos desistir na primeira etapa. Temos que dar o exemplo”, declara.

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Assista a um vídeo com Vivi Dourado.

Temático
Veja quais os próximos desenhos criados por Vivi Dourado:

Igreja Batista da Quadra 10
Igreja Santa Terezinha
Boate Kremlin
Creche do Cruzeiro
A Feira Permanente
Os pioneiros
Suvaco da Asa
Grupo Pellinsky

Após devolver US$ 1,4 mil que achou no lixo, catador ganha emprego

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catador
O dinheiro foi jogado fora acidentalmente pelo cunhado do fonoaudiólogo Bruno Temístocles. Ele já tinha desistido de encontrar a quantia, quando recebeu um telefonema de João com a boa notícia

O Catador de materiais recicláveis João Rodrigues Cerqueira, 20 anos, encontrou na terça-feira (20/9) US$ 1,4 mil (cerca de R$ 5 mil) em meio ao lixo e devolveu todo o dinheiro ao dono, o fonoaudiólogo Bruno Temístocles, 34 anos. A atitude do rapaz rendeu a ele uma recompensa de R$ 500, um novo emprego e muito orgulho para a família. “Não tinha nem arroz em casa. Agora, deu para comprar comida e fraldas”, disse ao Metrópoles.

João mora em um barraco na Chácara Santa Luzia, na Estrutural, com a mulher e a filha, de dez meses. Ele recebeu o apoio da família pela ação. “A minha mãe disse que eu fiz a coisa certa. Eles estão orgulhosos de mim e isso me deixa contente”, comemorou.

A oportunidade de um novo trabalho foi dada pelo próprio Bruno na empresa do pai dele. A entrevista será realizada nesta quarta-feira (21/9).

Os dólares foram comprados na última sexta (16) para serem utilizados em uma viagem que Bruno fará com a noiva para a Europa, em fevereiro de 2017. A quantia teria sido descartada por engano pelo cunhado do fonoaudiólogo, que tem apenas sete anos.

A quantia estava embrulhada em um papel, no console do carro. “Nós havíamos pedido para ele recolher e jogar fora todo o lixo que estava dentro do veículo. Ele não teve culpa. Depois que soubemos que o dinheiro tinha ido parar no lixo, fomos atrás da cooperativa para encontrar o caminhão e correr atrás do prejuízo”, disse.

Após acionar a empresa responsável pela coleta, Bruno foi até a cooperativa, na Estrutural, procurar o dinheiro, mas não encontrou. “Eu fiquei das 18h até as 22h procurando sem parar. Reviramos todo o material e, já sem esperança, deixei o meu contato com os catadores para que me procurassem caso achassem a quantia”, explicou.

Ao saber da história, João contou que ficou mais atento ao serviço e acabou encontrando os dólares. “Sou funcionário da cooperativa há seis meses. O meu salário é de R$ 600 (quase 10 vezes menos do que o valor dos dólares). Eles estavam tão desesperados que me empenhei nas buscas até achar”, explicou.

A atitude nobre e a humildade do homem de 20 anos sensibilizaram o fonoaudiólogo, que agora considera João um novo amigo.“Nem acreditamos quando ele ligou. Estou muito feliz com essa honestidade. Foi bem bacana o que ele fez por mim”, afirmou Bruno.

Funcionária sofre discriminação racial de cliente na fila do cinema

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Manoela Alcântara
Publicação: 01/05/2012 08:05 Atualização: 01/05/2012 08:24
A Polícia Civil investiga a denúncia de discriminação racial em um shopping da Asa Norte, na tarde do último domingo. O acusado fugiu após clientes e funcionários do estabelecimento chamarem seguranças do centro comercial. Os agentes tentam identificar o suspeito por meio de imagens do circuito interno e dos depoimentos das testemunhas. Até a noite de ontem, no entanto, ele não havia sido encontrado. A vítima é a atendente de cinema Marina Serafim dos Reis, 25 anos. De pele negra, ela trabalhava na bilheteria quando um homem de aproximadamente 40 anos começou a confusão na fila para compra dos tíquetes. Ele teria chegado atrasado à sessão e queria passar na frente dos demais. Os insultos começaram quando a funcionária disse que ele teria de esperar. “Ele disse que meu lugar não era ali, lidando com gente. Falou que eu deveria estar na África, cuidando de orangotangos ”. Indignados, clientes e funcionários acionaram a segurança, mas o homem conseguiu fugir. A 5ª Delegacia de Polícia (Área Central) investiga o caso.

Marina Serafim dos Reis, a vítima, diz que nunca enfrentou algo parecido: “Fiquei muito nervosa, me senti humilhada”

O acusado chegou a comprar o ingresso para assistir ao filme Habemus Papam, mas não conseguiu chegar até a sala. Quando percebeu a reação dos demais espectadores na fila, caminhou rápido até as escadas rolantes. Vídeos gravados pela segurança interna do shopping mostram o momento em que o homem começou a correr pelo shopping na fuga. As testemunhas o chamavam de racista e pediam aos vigilantes que o detivessem. Mas ele correu até o carro. “Conseguimos ouvir os gritos e ainda tentamos segui-lo, mas ele conseguiu entrar no carro e fugir”, contou um segurança, que preferiu não se identificar.

Debate no Senado começa com reivindicação de política de segurança pública mais consistente

O Senado começou a debater na manhã desta quarta-feira (8) com representantes do poder público, advogados, juristas e secretários estaduais a relação entre os problemas da segurança pública e as leis penais. Logo no início, o presidente da Subcomissão Permanente de Segurança Pública da Casa, senador Pedro Taques (PDT-MT), procurou determinar o ponto de partida para o ordenamento da questão:

– Não basta focar na repressão e no aumento das penas. É preciso uma política pública consistente para a segurança – afirmou o parlamentar mato-grossense.

Ele também criticou o contingenciamento de recursos no Ministério da Justiça, “fato que contrasta com o discurso do governo federal de priorização da segurança”.

A audiência pública desta quinta, solicitada por Pedro Taques, conta com a participação de secretários estaduais de segurança pública e de representantes da comissão de juristas encarregada de elaborar o anteprojeto de um novo Código Penal.

– Precisamos discutir o que a comissão de juristas fez nos últimos quatro meses. E eles já desenvolveram um bom trabalho – afirmou o senador.

Além disso, Pedro Taques lembrou que os secretários de segurança pública apresentaram recentemente uma série de propostas, como a de tipificação do terrorismo e a de criminalização do “jogo do bicho”.

– Os secretários nos podem trazer a visão de quem lida diretamente com a criminalidade, para que nós da subcomissão e os juristas da comissão especial tenhamos uma melhor percepção do que é concreto – argumentou ele.

O relator da subcomissão, senador Eduardo Braga (PMDB-AM) fez também uma exposição inicial e afirmou que, sem um novo Código Penal, “todo esforço [na área de segurança pública] terá poucas chances de ter sucesso”. Relator da Subcomissão Permanente de Segurança Pública do Senado, o parlamentar participa de debate sobre as leis penais e a segurança pública.

O senador afirmou que o código atual, elaborado em 1940, está ultrapassado “e sem a dinâmica de uma sociedade moderna”. Ele também ressaltou que a preocupação com a segurança pública aparece como prioritária em várias pesquisas de opinião pública realizadas em diversos estados do país.

– A segurança é uma prioridade para a população brasileira – frisou.

Ao lembrar que hoje se comemora o Dia Internacional da Mulher, Eduardo Braga declarou que o novo Código Penal, “ao representar os anseios de uma sociedade mais moderna, deve garantir os direitos das mulheres”.

Conforme Taques, o objetivo do debate é pavimentar o caminho para a modernização da legislação penal brasileira”. Entre os convidados, estão o ministro do Superior Tribunal de Justiça, Gilson Dipp, e o Secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame.

O senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), a que a Subcomissão está ligada abriu a reunião e participa da discussão.

Como o projeto da comissão de juristas trata do aborto, ativistas de movimentos contrários a institucionalização desse procedimento exibem cartazes no auditório da comissão, localizado na sala 3 ala Alexandre Costa.

Da Redação

Agência Senado

Para Sarney, impunidade é raiz das altas estatísticas de homicídio

Ao apresentar o projeto de lei de sua autoria que torna mais severas as punições aos autores do crime de homicídio (PLS 38/2012), o presidente do Senado, José Sarney, classificou seu discurso como uma “denúncia”, na qual discorreu sobre os alarmantes índices de violência no Brasil, apontados pelo Mapa da Violência no Brasil. Com apenas 3% da população mundial, o Brasil é responsável por 12% dos homicídios no mundo.

Para ilustrar a gravidade das estatísticas, que revelaram a ocorrência de 1,1 milhão de assassinatos no país nos últimos 30 anos, o senador recorreu aos conflitos armados ocorridos ao longo da história brasileira. Na Guerra do Paraguai, por exemplo, 100 mil brasileiros morreram. Já na Cabanagem foram 40 mil. Na tragédia de Canudos, cerca de cinco mil. Mesmo em comparação a guerras internacionais, as estatísticas brasileiras são assustadoras. A luta pela independência do Timor, que durou 26 anos, teve 100 mil mortos. A guerra civil em Angola em 27 anos contabilizou 550 mil mortos

Os números brasileiros, no entanto, podem ser ainda maiores, ressaltou José Sarney. O Mapa da Violência baseia-se nos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, e não faz cruzamento com outros dados. Assim, a estimativa é que a ocorrência real seja ainda 20% maior do que a oficial, chegando a cerca de 1,33 milhão de assassinatos.

O presidente do Senado alertou para o fato de que as principais vítimas da violência são os jovens de sexo masculino. O alto número de mortes de jovens na faixa de 15 a 29 anos demonstra, em sua avaliação, a “insuficiência das políticas de enfrentamento da violência”. Os dados do Mapa da Violência apontam para uma taxa de 43,7 homicídios para cada grupo de cem mil brasileiros entre 15 e 19 anos de idade. Esse índice sobe para 60,9 considerada a faixa etária entre 20 e 24 anos e vai para 51,6 entre jovens de 25 a 29 anos.

Com relação às mulheres, as estatísticas também são preocupantes. Mais de 4,2 mil mulheres foram vítimas de homicídio em 2010, em uma proporção de 4,4 homicídios para cada cem mil mulheres no país. Já o número de negros mortos em 2010 foi de 33.264, contra 13.668 de brancos.

– É evidente que as perdas causadas pelos homicídios são incalculáveis. As consequências para o país são as mais gravosas e não podem ser ignoradas pelas autoridades públicas, na medida em que a impunidade está na raiz desse cenário desolador. Por outras palavras, o sistema de justiça criminal no Brasil não tem funcionado a contento para reprimir crimes de gravidade tão elevada, seja por carência de recursos logísticos, seja por conta de uma legislação leniente – criticou.

Em meio a esse cenário, destacou Sarney, a população vive com medo. Pesquisa do Sistema de Indicadores de Percepção Social do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), realizada em 2010, revelou que 78,6% da população têm muito medo de ser assassinada, enquanto 11,8% dos entrevistados disse ter pouco medo. Apenas 9,6% das pessoas ouvidas manifestaram ter nenhum medo de ser vítima de homicídio. Ou seja, nove em cada dez brasileiros têm, em menor ou maior grau, medo de ser assassinado.

O presidente do Senado registrou ainda que, ao se analisar países populosos, mas com baixas taxas de homicídio, como China, Índia e Estados Unidos, percebe-se que a repressão a crimes contra vida é mais rigorosa do que a do Brasil, onde é comum que o assassino, mesmo se réu confesso, se defenda em liberdade. Outro dado citado por Sarney é de que existem no Brasil aproximadamente 115.376 inquéritos policiais sobre homicídios ainda não concluídos e um em cada dez assassinatos sequer chegam a ser denunciados à Justiça. O senador lamentou, entretanto, que mesmo diante desses números, “ninguém se choca ou se sensibiliza”.

– Tirar a vida de alguém no Brasil é menos grave que traficar entorpecentes. O resultado de nossa política penal mais branda não é menos crimes, mas mais crimes – enfatizou.

Para Sarney, a raiz do problema está na aprovação da Lei 5941/73, que ficou conhecida como Lei Fleury, por beneficiar o delegado Sérgio Fleury, acusado de inúmeras mortes em serviço. A lei permitiu que réus primários e com residência fixa pudessem responder o processo em liberdade.

– A partir daí fui um dos que levantei a voz contra esta lei e lutei na Assembleia Constituinte para que nós não permitíssemos que a doutrina da Lei Fleury continuasse na nossa Constituição. Infelizmente, o ponto de vista da lei foi vitorioso. Corresponde a este tempo, os 30 anos de existência da lei, o aumento do número de homicídios. É o tempo em que o criminoso de morte pode defender-se solto. Portanto há uma correlação entre uma coisa e outra – argumentou.

O senador informou ainda ter apresentado projeto de lei de auxilio às vitimas (PL 3503/04, na Câmara dos Deputados), já que a legislação brasileira assegura pensão às famílias dos que estão presos, mas as vitimas não têm outra coisa “senão esquecimento”. Sarney lembrou que, muitas vezes, a família que perde o parente não tem nem recursos para enterrá-lo. O projeto foi aprovado no Senado em 2004 e está há sete anos na Câmara sem ser votado.

Agência Senado

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

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Ciclistas fazem "bicicletada" para pedir segurança e educação no trânsito

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Roberta Abreu
Agência Brasil
Publicação: 06/03/2012 20:31 Atualização: 06/03/2012 20:48

Mais de 50 ciclistas se reuniram em frente ao Museu e à Biblioteca Nacional, no começo da noite desta terça-feira (6/3), para protestar por mais segurança nas ruas do DF. A manifestação ganhou força nas redes sociais e teve eventos simultâneos em diversas cidades do país.

Sem destino certo, os ciclistas brasilienses saíram às 19h40 e, com placas e cartazes, pediram medidas contra a violência no trânsito e campanhas educativas direcionadas aos motoristas. “Bicicleta não polui”, “Bicicleta é amor” e “Menos carros, mais bicicletas”, protestaram.
O gerente comercial Ricardo Vieira Nunes, 38 anos, ficou sabendo da manifestação pela internet. Ele utiliza a bicicleta como meio de transporte somente aos fins de semana e considera o movimento importante. “O trânsito está muito violento e o motorista tem que se conscientizar da existência da bicicleta. As ruas estão cada vez mais pesadas e a bicicleta é uma das soluções”, acredita. “Aqui em Brasília, a segurança ainda é muito pouca e não temos ciclovias suficientes, por isso não me arrisco durante a semana. Pedalo menos do que gostaria”, completou Nunes.

Chamada de Bicicletada Nacional, a iniciativa é uma ampliação dos passeios que grupos realizam semanalmente em cidades de todo o país e foi desencadeada depois que ao menos menos três ciclistas perderam a vida, atropelados em apenas um dia.

Na última quinta-feira (2), a bióloga Juliana Dias, 33 anos, foi atropelada por um ônibus quando transitava pela Avenida Paulista, em São Paulo, uma das mais conhecidas vias do país. No mesmo dia, pelo menos mais dois ciclistas também morreram atropelados.

O mecânico Hélio Nunes da Costa, 43 anos, foi atingido por um carro ao tentar atravessar a BR-316, na região metropolitana de Belém (PA) e a poucos metros de uma passarela de pedestres. A terceira morte foi registrada no Riacho Fundo (DF).

Somente na capital paulista, 439 ciclistas morreram no trânsito entre 2005 e 2010, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Distritais resistiram em abrir mão de salários e cogitaram deixar política

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Ricardo Taffner
Publicação: 29/02/2012 06:27 Atualização:
O clima durante todo o dia de ontem foi de tensão na Câmara Legislativa. Deputados que recebiam normalmente os 14º e 15º salários relutaram em aceitar a ideia de votar um projeto que acabaria com o benefício. No entanto, a pressão externa da opinião pública fez com que os distritais recuassem. A proposição ganhou mais força nos últimos dias, quando sete deputados resolveram ouvir o clamor popular e também abriram mão do benefício. O assunto só foi resolvido na reunião do Colégio de Líderes, no início da tarde desta terça-feira.

Na reunião, alguns distritais demonstraram claramente o descontentamento em debater o tema. Não houve discussão acalorada entre eles, mas parte do colegiado entrou no encontro com a intenção de não permitir a inclusão do projeto de lei na pauta do dia. Pela defesa da aprovação imediata do texto, posicionaram-se o bloco PPS-PSB-PDT e o líder do grupo formado pelo PTB-PP-PR-DEM, o petebista Dr. Charles — apesar da resistência interna de alguns dos seus liderados. Mesmo não concordando com a necessidade da votação, o líder do PT-PRB, Chico Vigilante, logo aderiu à proposta.

A reportagem completa você lê na edição impressa do Correio Braziliense desta quarta-feira (29/2).

JUSTIÇA PARA A FAMÍLIA CASSARO e coloque o texto abaixo até Juntos somos mais fortes

Sandra escreveu: “***PEÇO A ATENÇÃO DOS AMIGOS DE LUTA***

Amigos, na quarta-feira (29/02) às 13:30h será o julgamento da apelação do caso Anastácio Cassaro, pai da nossa amiga de dor e luta Sandra Cassaro e bem sabemos a importância e o peso que tem o CLAMOR POPULAR.

Então peço-lhes que POR FAVOR assinem o abaixo-assinado, que será entregue aos desembargadores responsáveis por analisar o recurso e enviem e-mails em apoio à família Cassaro, pedindo a prisão dos assassinos que já foram julgados e condenados…eles podem sair de lá PRESOS e enfim, depois de 25 anos a família Cassaro ver a Justiça ser feita.

Por favor assinem o abaixo assinado:

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2012N20890

E enviem e-mail ao TJES:

presidente@tjes.jus.br

O e-mail deve ser endereçado aos Desembargadores:

Dr. Jorge Henrique Valle dos Santos
Dr. Ney Batista Coutinho
Dr. Jaime Ferreira Abreu

* Não esqueçam de assinar o nome e a cidade de vocês.

CONTAMOS COM OS AMIGOS DE LUTA E COM PESSOAS DA SOCIEDADE CIVIL PARA QUE POSSAMOS VER A JUSTIÇA DE FATO SER FEITA E OS MANDANTES DO ASSASSINATO DO PREFEITO ANASTÁCIO CASSARO SAÍREM DO TJ PRESOS!

JUNTOS SOMOS MAIS FORTES !!!”

STJ nega anulação de processo de Marcelo Bauer, acusado de homicídio em 87

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Publicação: 24/02/2012 20:05 Atualização: 24/02/2012 20:26

Acusado de ter matado Thais Muniz Mendonça, Marcelo Bauer.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido de anulamento do processo de Marcelo Duarte Bauer, acusado de matar a namorada Thaís Muniz Mendonça em julho de 1987, em Brasília.

Saiba mais…
Ministério Público alemão vai investigar Marcelo Bauer Saiba quem é e como Marcelo Bauer construiu uma nova vida na Europa Advogado consegue adiar julgamento de Marcelo Bauer Defesa de Bauer tenta adiar júri marcado para às 9h desta quarta-feira Marcelo Bauer será julgado à revelia 24 anos depois da morte da ex-namorada
A defesa do réu alegou no processo que o acusado não pôde se defender no julgamento marcado para 7 de fevereiro de 2011, pois a intimação foi feita através de edital, uma vez que Marcelo não conseguiu ser contactado. A defesa do réu argumenta que poderia ter sido pedido uma intimação de Bauer à Justiça alemã.

Bauer desapareceu de Brasília no dia do sequestro e da morte deThaís. Policiais civis do DF o encontraram na Dinamarca, em 2001. Ele ficou preso por oito meses, mas sumiu novamente assim que foi solto. Livre, conseguiu abrigo na Alemanha. Nem a tentativa de julgá-lo à revelia deu certo. No dia do julgamento, marcado para 9 de novembro de 2011, o advogado defensor de Bauer faltou alegando estar doente. O juiz remarcou, então, nova sessão para 7 de fevereiro.

O STJ ainda não marcou a data de um novo julgamento.

Entenda o caso

O crime
Thaís Muniz Mendonça, 19 anos, foi vista com vida pela última vez por volta do meio-dia de 10 de julho de 1987, quando deixava a Universidade de Brasília (UnB), onde cursava letras. Bombeiros encontraram o corpo dela dois dias depois, em um matagal próximo à 415 Norte, com marcas de 19 facadas e um tiro na cabeça.

A fuga
A polícia apontou Marcelo Bauer, ex-namorado de Thaís, como o autor do crime. Segundo o inquérito, o crime ocorreu no carro dele. O Tribunal do Júri de Brasília acatou a denúncia do MPDFT e o pronunciou como réu em 11 de outubro de 1989. Mas Bauer fugiu antes de o julgamento ser marcado.

A prisão
A Polícia Civil do Distrito Federal encontrou Bauer 13 anos após a fuga. O acusado estava em Aarhus, na Dinamarca, onde morava havia oito anos. Como o foragido estava fora de jurisdição, a polícia recorreu à Interpol, que prendeu Bauer.

A liberdade
Dias depois, o Ministério da Justiça pediu a extradição do acusado. O governo dinamarquês aceitou. Em março de 2001, a defesa de Bauer recorreu à Corte de Justiça de Aarhus. Três juízes federais da Dinamarca suspenderam a extradição e libertaram o brasileiro, após oito meses de prisão.

Nova fuga
O governo brasileiro apelou à Suprema Corte da Dinamarca, que autorizou a extradição. Nesse meio tempo, Marcelo Bauer deu entrada no pedido de cidadania alemã. Quando a Justiça dinamarquesa acatou a extradição do brasileiro, a Interpol descobriu que o acusado não estava mais na Dinamarca.

Troca de nome
A Interpol localizou Bauer na Alemanha. Em 2002, o governo alemão negou a extradição pedida pelo Brasil. Em seguida, o acusado conseguiu a cidadania e mudou o sobrenome. Passou a se chamar Marcelo Nielsen. O avô paterno dele é alemão.

Risco de prescrição
Em 4 de dezembro de 2007, o MPDFT entrou com pedido de julgamento à revelia do acusado. O promotor Andrelino Santos Filho temia a prescrição do crime, em 11 de outubro de 2009. Mas, na época, a legislação não permitia julgamentos com o réu ausente.

Júri popular
Em 28 de maio de 2009, decisão unânime da 2ª Turma Criminal do Tribunal de Justiça do DF e Territórios (TJDFT) confirmou o julgamento de Marcelo Bauer pelo júri popular, com base na Lei Federal nº 11.689/08. Foragido no exterior, o acusado seria julgado à revelia em data ainda não definida.

Julgamento marcado
O Tribunal do Júri de Brasília marcou para 9 de novembro o julgamento de Marcelo Bauer. A intimação dele foi feita por meio de edital, pois é considerado um foragido da Justiça brasileira. Com isso, será julgado à revelia, com defesa feita por integrante do Núcleo de Práticas Jurídicas do UniCeub.

Julgamento adiado
Minutos antes do julgamento, por meio de um assistente, um advogado contratado pela família de Bauer 15 dias antes mandou comunicado ao Tribunal do Júri de Brasília pedindo o adiamento da sessão, alegando estar doente. O juiz aceitou e remarcou o julgamento para 7 de fevereiro.