Rota da morte: DF-001 é a rodovia que mais mata no Distrito Federal (Principal, violência, comportamento e serviços)

Rota da morte: DF-001 é a rodovia que mais mata no Distrito Federal

Acidentes resultaram em 254 mortes no DF em 2017, sendo 154 só em rodovias distritais. Mas trechos de BRs, como a 020, a 060 e a 080 também registraram um número alto. Detran e DER, porém, comemoram queda de 37% na quantidade de vítimas

“Eu estava a 80 km/h quando um carro saiu da entrada do Recanto das Emas e entrou na minha frente. Tentei desviar, mas acabei rodando na pista e capotando no canteiro” – Iolanda Rocha, professora

Nenhuma rodovia mata tanto no Distrito Federal quanto a DF-001. Dezenove pessoas perderam a vida na estrada que circula a capital em 2017. Em seguida, vêm os trechos das BRs-020 (Brasília-Fortaleza), 080 (Brasília-MT), 060 (Brasília-Goiânia) e 070 (Brasília-Bolívia). No ano passado, 254 morreram em acidentes no trânsito de Brasília, sendo 154 só em rodoviais distritais, como a DF-001. Comparado a 2016, o número total caiu 37%.

A professora Iolanda Rocha, 49 anos, foi vítima em um acidente no Km 4 da BR-060, perto do Recanto das Emas. Ela voltava da comemoração do ano-novo em Alexânia (GO). “Eu estava a 80 km/h quando um carro saiu da entrada do Recanto das Emas e entrou na minha frente. Tentei desviar, mas acabei rodando na pista e capotando no canteiro”, conta. Iolanda sofreu hematomas pelo corpo e fraturou o braço direito.

Detran flagra 26 motoristas embriagados por dia em operação de fim de ano

A professora reclama da falta de sinalização na via, da ausência de equipamentos eletrônicos de monitoramento e de passarelas para pedestres. “Como educadora, prezo por esse tipo de atitude por parte dos nossos governantes. Aqui, tragédias são comuns. Não podemos ficar esperando pessoas morrerem para a situação mudar”, cobra.

Coordenador do Centro Interdisciplinar de Estudos em Transportes (Ceftru) da Universidade de Brasília (UnB), Pastor Willy Gonzales Taco explica que o número de acidentes, principalmente nas rodovias do DF, é causado pela quantidade elevada de cruzamentos e retornos, além da velocidade alta das vias. “Como Brasília é um polo de ida e vinda, as cidades denominadas dormitórios fazem com que as pistas fiquem com alta intensidade de veículos. Somado ao comportamento humano, isso é um gerador de acidentes”, defende.

Para amenizar as mortes no trânsito, o especialista diz que o ideal é investir em campanha. “Temos que fazer um trabalho pontual e focar na população mais jovem. Todos precisam aprender a respeitar a outra pessoa que está na via. Isso seria um influenciador no índice das mortes”, comenta. Para ele, os órgãos de trânsito também precisam investir na qualidade do serviço e aumentar o número de sinalização e fiscalização ao longo das rodovias. O estudioso ressalta que o fluxo de veículos saindo e entrando no DF é alto em qualquer horário e os condutores devem se atentar para não sofrerem acidentes.

Fiscalização

O diretor-geral do Departamento de Trânsito (Detran-DF), Silvain Fonseca, afirma que o órgão, com as outras forças de segurança, como DER, PM e PRF, realizam operações planejadas para melhorar a qualidade do trânsito. De acordo com o Fonseca, a redução das mortes em 2017 também é resultado das campanhas educativas, das intervenções de engenharia, da implantação de bolsões de motos e das ações preventivas de fiscalização e patrulhamento.

Site: http://www.correiobraziliense.com.br/

Em três dias, quatro mulheres são vítimas de violência no Distrito Federal (Principal e violência)

www.correiobraziliense.com.br

Os casos mais recentes de violência no Distrito Federal tiveram mulheres assassinadas ou feridas por bandidos com armas de fogo ou facas. Em abordagem na 408 Sul, psicóloga levou um tiro no peito, mas sobreviveu

Perito examina o local do crime e o veículo da vítima, na 408 Sul: suspeito foragido desde a noite de segunda-feira

Em três dias, quatro mulheres são vítimas de violência no Distrito Federal
Os casos mais recentes de violência no Distrito Federal tiveram mulheres  assassinadas ou feridas por bandidos com armas de fogo ou facas. Em abordagem na 408 Sul, psicóloga levou um tiro no peito, mas sobreviveu.

Três mulheres morreram e uma ficou gravemente ferida em crimes praticados entre o último sábado e ontem no Distrito Federal. No mais recente deles, a Polícia Civil suspeita que um policial militar matou a namorada e, depois, cometeu suicídio na casa do casal, na Quadra 11 do Morro Azul, em São Sebastião. O caso é investigado pela 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul). O corpo da vítima foi encontrado no quarto. O do militar, que fazia curso de formação de praças da corporação, estava no corredor.

A violência contra mulheres também resultou na morte de uma jovem de 18 anos no Gama. Na madrugada de terça-feira, ela levou um tiro na cabeça. O autor do disparo, segundo a polícia, é o namorado. Ele foi preso com um comparsa quando tentava fugir para Valparaíso (GO). Samambaia também virou palco de feminicídio — o DF registrou nove entre janeiro e junho do ano passado e 19 em 2016 —, no qual um homem matou uma vizinha com facadas na cabeça e no pescoço. O crime aconteceu na rua, e o autor se entregou ontem. Ele contou à polícia que sofria ameaças da vítima, identificada como Anne Mikaelly. No dia do crime, ela teria soltado fogos para anunciar a morte do acusado e da família dele.

Leia as últimas notícias em Distrito Federal

No Plano Piloto, uma mulher de 54 anos reagiu à abordagem de um criminoso na 408 Norte e levou um tiro de pistola calibre 40 no peito. Ieda Maria Neiva Rizzo entrava no carro, no estacionamento entre os blocos A e B, no momento em que um bandido a surpreendeu. O crime ocorreu na noite de segunda-feira. Segundo a vítima, o suspeito teria ameaçado estuprá-la.

Psicóloga sofreu ameaça de estupro

Familiares reforçam a tese de tentativa de estupro no caso da mulher baleada na 408 Sul após reagir à abordagem de um criminoso. A psicóloga Ieda Maria Neiva Rizzo, 54 anos, levou um tiro de pistola calibre 40, à queima-roupa, no peito. A bala quebrou o externo e quatro costelas e parou em um dos pulmões da vítima, que sobreviveu ao disparo. “A única preocupação dela era com a vida e a integridade física. Ele disse que ia estuprá-la e matá-la. Ela queria sobreviver”, disse ao Correio o irmão de Ieda, o policial civil André Rizzo. Apesar disso, a Polícia Civil investiga o caso como tentativa de latrocínio.

Paramédicos levaram Ieda para o Hospital de Base do Distrito Federal. Ontem, ela foi transferida para o Hospital Daher, no Lago Sul. Para o irmão, “ela sobreviveu por um milagre”. “A gente sabe que, infelizmente, a Ieda foi mais uma. É o preço que pagamos por um país que vive em uma inversão de valores. Ontem, foi a minha irmã. Essa noite serão mais quantas? Ela teve uma proteção divina. Sou policial civil e sei o potencial lesivo de uma pistola calibre 40. Ela tomou um tiro covarde, desnecessário, de um bandido que não tem o menor respeito pela vida humana. O ato dele representa, simplesmente, a certeza da impunidade”, desabafou.

 

Polícia Civil divulga imagens da fuga de suspeito de crime na 408 Sul

Antes de atirar, o criminoso deu um soco na vítima, que tentava se desvencilhar para fugir. “Quando recebi a ligação, achei que fosse trote. Quando cheguei ao local e vi a quantidade de sangue no chão e vi a cápsula de uma pistola calibre 40, o meu mundo acabou. Achei que ela estaria morta. Ela está chamuscada pela explosão da pólvora. Foi um tiro à queima-roupa”, revoltou-se.

O adjunto da 1ª Delegacia de Polícia, delegado José Ataliba Neto, se apoia nas caraterísticas do crime para sustentar a tese de tentativa de latrocínio. Para ele, o criminoso queria o carro, um Nissan Kicks preto. “Não houve nenhum ato que caracterizasse tentativa de estupro. Toda a ação foi muito rápida. Geralmente, casos de abusos ocorrem em locais ermos, diferentemente da quadra”, ressaltou. Para ajudar na identificação do suspeito, a corporação divulgou as imagens capturadas pelos circuitos de segurança de prédios da 407 Sul e da 408 Sul. O homem filmado de camisa preta e boné e tênis brancos usa barba e teria entre 20 e 25 anos.

Na 408 Sul, agentes da PCDF passaram a manhã de ontem coletando imagens dos prédios residenciais, tomando depoimentos de moradores e refazendo os possíveis passos do criminoso. As gravações do circuito interno de segurança de um dos prédios mostram que, após dar o tiro no peito da psicóloga, o bandido seguiu em direção à 407 Sul. O local do crime fica próximo à Divisão de Controle de Denúncias da Polícia Civil (Dicoe).

Dono da Banca da 408 Sul e também morador da quadra, Ubirajara Leandro de Souza, 62 anos, disse que a vizinhança está assustada. “Ouvimos falar de arrombamento de um carro ou de outro. Agora, algo com tiro, não pensávamos que poderia acontecer”, afirmou. Moradores reclamam de falta de iluminação pública na região, prejudicada, principalmente, pelas árvores.

Policiamento é constante, diz PM

De janeiro a novembro de 2017, a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social registrou, na Asa Sul, dois latrocínios e uma tentativa. No mesmo período do ano anterior, a polícia registrou cinco tentativas de roubo com morte. Segundo a PM, a Asa Sul recebe policiamento ostensivo a pé, de moto e com carros. O porta-voz da corporação, major Michello Bueno, destacou que a criminalidade está em queda, com taxas de homicídio estáveis e diminuição de 42% nos roubos a pedestres. “Estamos fazendo o nosso trabalho, mas o combate à violência passa por várias áreas, como a social, por exemplo”, argumentou. (LC)

Morta com tiro na cabeça

Um dos casos de feminicídio mais recentes no Distrito Federal aconteceu na madrugada de ontem. Uma jovem de 18 anos morreu com um tiro na cabeça, após supostamente participar de uma roleta-russa com pelo menos duas pessoas. Segundo a Polícia Militar, o autor dos disparos seria o namorado dela. Os três estavam dentro de um carro, um Palio branco, quando o acusado, de 27 anos, atirou contra a moça. Palloma Lima chegou a ser atendida no Hospital Regional do Gama, mas não resistiu.

Depois de a vítima ser baleada, os dois acusados a deixaram na unidade de saúde, sem acompanhamento. Em seguida, saíram em disparada com o veículo. Pacientes e acompanhantes que estavam no local chamaram a PM, que localizou os envolvidos em Santa Maria. De acordo com a corporação, eles seguiam com o carro em direção a Valparaíso (GO). Detidos, tanto o acusado de disparar contra Palloma quanto o cúmplice foram conduzidos à 20ª Delegacia de Polícia (Gama).

O suposto namorado da vítima deve responder por homicídio, enquanto o motorista será indiciado por tráfico de drogas, porte de munição e favorecimento pessoal (quando ajuda outro a fugir). Caso se comprove que a jovem foi coagida a participar da suposta roleta-russa, a Justiça pode enquadrar o acusado também em crime de tortura (LV)

Comoção diante da casa onde ocorreu o crime, em São Sebastião: dois anos de relacionamento conturbado

Polícia apura se PM matou a namorada

Agentes da 30ª Delegacia de Polícia (São Sebastião) investigam um possível caso de feminicídio no qual um policial militar teria matado a namorada e se matado em seguida. O crime aconteceu no bairro de Morro Azul, em São Sebastião. A vítima, Clésia Andrade, 28 anos, estudava licenciatura em dança no Instituto Federal de Brasília (IFB). Ela e o cabo Bruno Viana, 38, foram encontrados mortos, por volta das 14h30 de ontem, na casa onde a jovem morava com a família — um bar funciona no mesmo imóvel.

De acordo com a polícia, ambos tinham ferimentos provocados por arma de fogo. De acordo com a polícia, Bruno teria usado a arma da corporação, uma Taurus PT 100, calibre 40, para matar Clésia e, depois, se matar. Nesse momento, a mais nova das três irmãs da estudante, além de quatro crianças, estavam no estabelecimento comercial, que fica na entrada da residência. Segundo a Polícia Civil, uma delas era o filho de 8 anos da vítima, fruto de um relacionamento anterior. Nenhuma delas testemunhou o crime.

A mãe da jovem, dona do bar, viajou para São Paulo na segunda-feira e deixou Clésia e a filha mais nova cuidando do local. A mãe comprou uma passagem de volta para Brasília assim que soube da tragédia. No entanto, não havia chegado até a tarde de ontem, quando a perícia esteve no local. O pai da vítima também mora em São Sebastião e precisou ser hospitalizado ao saber do assassinato.

Houve comoção na vizinhança. À tarde, familiares e amigos acompanharam a retirada dos corpos, separados por um cordão de isolamento. “Ela morava aqui desde criança, e a gente não sabia como era a convivência deles (do casal). Tudo o que sei é que tinham terminado recentemente”, contou um vizinho, que preferiu não se identificar.

Segundo o delegado Paulo Savio, plantonista responsável pelo registro preliminar da ocorrência, a irmã da vítima acionou a polícia ao ouvir os disparos. Em seguida, gritou por socorro ao avistar uma equipe da PM. “Nem ela nem as crianças foram testemunhas. Ao chegar, encontramos o corpo da jovem na porta da casa e o do policial na cama. Os dois foram mortos com um tiro na cabeça, mas ainda não sabemos as circunstâncias que levaram a isso. A perícia vai apurar o caso com a equipe do plantão”, afirmou Paulo.

A irmã de Clésia confirmou à polícia que estava no bar quando ouviu os tiros, mas não escutou gritos ou discussões. Segundo ela, o relacionamento de cerca de dois anos era de “idas e vindas”. Segundo o delegado, Bruno teria entrado no bar e dito que queria conversar com Clésia. Dessa forma, conseguiu acesso aos fundos do imóvel. A polícia trabalha com a hipótese de homicídio seguido de suicídio e aguarda o laudo pericial para concluir as investigações.

Perseguição

Apesar de não existirem ocorrências contra o policial militar, a irmã revelou que Clésia e a mãe pediram à Justiça uma medida protetiva. No entanto, ela não soube informar à polícia se a medida era cumprida ou não. Atitudes agressivas do PM foram relatadas pela amiga Mikaely Moura, 28. As duas se conheceram na escola, aos 7 anos, em São Sebastião. A empregada doméstica contou que Bruno tinha o costume de perseguir a vítima e que chegou a agredi-la em algumas ocasiões. As duas se viram pela última vez na sexta-feira passada. “Ele estava indo atrás dela o tempo todo, mesmo com a medida protetiva. Na última vez em que saímos, ela precisou ir escondida para que ele não soubesse”, comentou.

Estagiária sob supervisão de Guilherme Goulart

 

Mulher é baleada no peito ao reagir a tentativa de estupro na Asa Sul

Ieda Maria Neiva Rizzo, de 54 anos, foi baleada na noite desta segunda-feira (8/1), na Asa Sul. Segundo informações da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) o crime ocorreu na 408 Sul, entre os blocos A e B, quando a vítima entrava no carro.

Leia as últimas notícias do Distrito Federal

Ainda de acordo com a polícia, a mulher teria relatado o caso na ambulância, depois que foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e transportada ao Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF). Aos socorristas, ela teria dito que sofreu uma tentativa de estupro, mas a Polícia Civil acredita em tentativa de latrocínio.

Ela levou um tiro no peito. Foi feita uma tomografia, que constatou que o tiro não atingiu o coração. Ieda passou por cirurgia para colocar um dreno no pulmão, que foi perfurado.

Nenhum suspeito foi localizado até a última atualização desta matéria. De acordo com informações do zelador do prédio em que a mulher ia entrar, Gimadalbérico Antônio da Silva, as câmeras de segurança flagraram o momento em que um homem de estatura média, que usava roupa preta e boné da mesma cor, chega no local, mas sai logo em seguida. A atuação de um segundo suspeito foi narrada pela vítima, que estava consciente durante todo o trajeto. Testemunhas afirmam, ainda, que a vítima teria ido visitar o namorado, que é morador do bloco B.

Ao Correio, o zelador afirmou que os primeiros socorros foram prestados pelo companheiro da vítima. “Enquanto o homem pressionava o peito da mulher para conter o sangue, ela repetia para ele ‘amor, não me deixa morrer’. Ela estava nervosa, mas bastante lúcida”, contou.

Vídeo mostra o momento em que a vítima é socorrida:

Número de casos aumenta

O ano de 2017 encerrou com alta de 32,4% nos casos de estupros no DF. De janeiro a dezembro, a polícia contabilizou 883 ocorrências desse tipo, enquanto no mesmo período do ano passado houve 667 denúncias. Mas, nem todas as queixas são de atos consumados em 2017. Em razão de uma maior consciência e do reconhecimento do que é o estupro, as mulheres têm procurado mais ajuda. Outro fator, segundo especialistas, é a ampliação daquilo que se caracteriza como estupro. Pela lei, ele não se resume só ao ato sexual.

Mesmo assim, a quantidade de estupros consumados aumentou. Passou de 616 em 2016 para 687 em todo o ano passado: um salto de 12%. O acumulado de janeiro a dezembro de 2017 seguiu a tendência do que aconteceu mês a mês no DF. O crime chegou a ser o único que continuou crescendo na capital.

Até 15 de dezembro de 2017, 466 vítimas eram mulheres e 53, homens. A faixa etária é de 10 a 32 anos. Em todo o ano, 55% dos estupros ocorreram sem conjunção carnal e 39% dos crimes ocorreram na casa da vítima ou do autor. Em 59% dos casos havia vínculo entre a vítima e o estuprador, segundo a Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social (SSP-DF).

Vídeo mostra a fuga dos criminosos:

Site: www.correiobraziliense.com.br/

Em 15 anos, país matou o equivalente à população de uma Lisboa e meia

Pelos dados oficiais, Brasil registrou um homicídio a cada dez minutos no período entre 2001 e 2015; a violência cresceu em ritmo maior que o número de habitantes, e nem as guerras e os atentados pelo mundo fizeram tantas vítimas


De 2001 a 2015, foram assassinadas no Brasil 786 mil pessoas, uma vez e meia a    população de Lisboa (506 mil) e mais que os habitantes de Frankfurt (701 mil). Juntos, os 28 países da União Europeia não tiveram tantos homicídios no período, assim como não morreram tantas pessoas na guerra da Síria (331 mil) ou nos atentados terroristas do século XXI (238 mil). “É uma tragédia que já nos acompanha há bastante tempo”, lamenta Claudio Beato, especialista em Segurança Pública. Ele aponta uma  combinação de fatores para o país registrar um morto a cada dez minutos, em média: a ausência de políticas públicas voltadas à prevenção, a violência que sai das prisões com as facções do crime e a lentidão da Justiça. O projeto “A Guerra do Brasil”, que o GLOBO publicará ao longo da semana, contém um documentário, reportagens e artigos, com o objetivo de propor possíveis soluções para este drama brasileiro. A dimensão da violência no Brasil pode ser traduzida em uma ideia: ultrapassa a das guerras. Mais pessoas foram assassinadas no país no século XXI do que nos dois maiores conflitos dos anos 2000, na Síria e no Iraque.

Informações levantadas junto ao sistema Datasus, do Ministério da Saúde, revelam 786.870 vítimas de homicídios no país em 15 anos, entre janeiro de 2001 e dezembro de 2015. O número representa um assassinato a cada dez minutos.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos registra 331.765 mortes no país, em função da guerra, de março de 2011 a julho de 2017. No Iraque, também em um período de 15 anos (entre 2003 e 2017), foram 268 mil vidas perdidas por causa do conflito, segundo o projeto “Iraq Body Count”. Os números brasileiros são quase três vezes maiores que os iraquianos, em um intervalo de tempo semelhante.

Os assassinatos no Brasil também superam as mortes provocadas por atos terroristas — o projeto “Global Terrorism Database” (base de dados do terrorismo global, em tradução livre) contabiliza 238.808 vítimas de atentados entre 2001 e 2016.

SUPERA A UNIÃO EUROPEIA

Tomando como referência a população de algumas cidades, os dados significam que o Brasil, em 15 anos, exterminou uma Lisboa e meia — a capital de Portugal tem em torno de 506 mil habitantes. Ainda nesta base de comparação, é como se os moradores de Atenas (664 mil), Seattle (684 mil), Sevilha (698 mil), Frankfurt (701 mil) ou João Pessoa (791 mil) tivessem sido eliminados.

As mortes no Brasil neste século superam os assassinatos ocorridos no mesmo período em oito países da América do Sul, somados — o mesmo acontece em relação às 28 nações da União Europeia. O número de homicídios é equivalente à população da Guiana.

— É uma tragédia que já nos acompanha há bastante tempo. A Segurança Pública está fora da agenda política — aponta o sociólogo Claudio Beato, professor visitante da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e coordenador do Centro de Estudos em Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da UFMG.

Beato lista uma combinação de fatores que, para ele, formam o cenário de violência extrema:

— Prendemos muito e prendemos mal, e o resultado é a violência que sai das prisões e toma conta das ruas, com as facções do crime organizado; a Justiça é lenta, demora nove, dez anos, para haver a condenação de quem comete um homicídio; em termos sociais e econômicos, há uma ausência de políticas focalizadas para a prevenção.

O levantamento apresentado nesta edição faz parte do projeto “A Guerra do Brasil”, que traz ainda um documentário, reportagens e artigos de especialistas em Segurança Pública que serão publicados ao longo da semana. Ao apresentar e dar a dimensão do número de homicídios no Brasil no século, o GLOBO pretende também propor uma discussão e apontar possíveis soluções.

Discutir os homicídios no Brasil, necessariamente, passa por indicar o grupo mais vulnerável: os jovens negros ou pardos. Do total dos assassinatos, 56% foram de pessoas com até 29 anos, e 63% das vítimas são negras ou pardas. Um estudo divulgado ontem por Unesco, Fórum Brasileiro de Segurança Pública e Secretaria Nacional de Juventude mostra que jovens negras têm duas vezes mais chances de serem assassinadas do que jovens brancas.

O Datasus mostra que os homicídios de homens correspondem a 91% do total e que 70% dos assassinatos foram cometidos com armas de fogo.

Um dos nomes desta história de violência é o adolescente Wesley Daniel. No dia 29 de dezembro de 2015, Wesley, 17 anos, foi à Igreja evangélica que frequentava aos domingos. Ao fim do culto, aguardava na porta quando foi baleado — morreu com a Bíblia na mão, segundo familiares. A família afirma que policiais o confundiram com um traficante; a polícia diz que havia um confronto com criminosos e, em seguida, o jovem foi encontrado ferido. Wesley trabalhava em um depósito de bebidas e ajudava a mãe com as despesas. — Apesar de agora (em dezembro) fazer dois anos, para mim (a morte) foi ontem. É sempre ontem. Parece que está acontecendo (agora). Nunca termina, todos os dias está aí — afirma Maria Quitéria Conceição dos Santos, mãe de Wesley. — A gente sabe que a morte faz parte da vida. Mas não desse jeito.

Em Jacareí, no interior de São Paulo, o século começou de maneira traumática. No dia 3 de janeiro, a funcionária pública Marisa Silvério saiu do trabalho no fim da tarde, como fazia todos os dias. Grávida de oito meses, dispensou a caminhada sugerida pelas amigas, pegou um ônibus e chegou ao supermercado minutos antes delas. Dez dias depois de celebrar o Natal, queria aproveitar a anunciada promoção de panetones. Uma tentativa de roubo a um carroforte, um tiroteio entre assaltantes e seguranças, duas balas que atravessaram intestino, fígado e útero. As amigas chegaram a tempo de ver Marisa entrar na ambulância. Mãe e filho morreram no hospital — o assalto fez outras três vítimas.

— Quando falam de uma pessoa que morreu com um tiro, você nunca imagina que pode perder alguém da sua casa. Tiro é coisa de confronto com a polícia, é coisa de quem faz algo errado. Pensamos essas coisas. Minha irmã estava no supermercado. Mas era o lugar errado. E a hora errada — diz Margareth Miranda Paula, irmã de Marisa, quase 17 anos depois.

Em uma análise ampla sobre os motivos que levaram o número de homicídios a este patamar, a diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, critica a omissão do governo federal na discussão:
Site:www.oglobo.com.br

Adasa identifica 1.015 poços irregulares na Bacia do Descoberto


Fiscalização ocorre desde 2015 e foi intensificada com a crise hídrica.
Multa para quem usar água ilegalmente varia de R$ 400 a R$ 10 mil.
A crise hídrica por que passa o Distrito Federal reforça a importância de preservar as  águas subterrâneas como reserva estratégica para o abastecimento.
Por isso, a   Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) tem intensificado a fiscalização de poços artesianos ilegais.

De 2015 até outubro deste ano, foram identificados 1.015 unidades irregulares na Bacia do Descoberto.

A região é uma das mais afetadas pela escassez hídrica e a recordista em registros desse tipo de anomalia no meio rural.

MAIS SOBRE O ASSUNTO
Nível da barragem do Descoberto volta a subir com chuvas
Contra crise hídrica, GDF poderá pegar empréstimo de US$ 41 milhões
Adasa autoriza Caesb a ampliar racionamento para 48 horas no DF
Em alguns casos, os poços cavados sem autorização na área do Descoberto serviam para irrigar pequenas hortas. No entanto, para atividades como irrigação e piscicultura, a captação mais frequente é a superficial.

No meio urbano, por sua vez, os poços desconformes agrupam-se no Gama, em Planaltina e em São Sebastião.

A concentração coincide com as principais frentes de parcelamento ilegal do território.

“Isso acontece porque os parcelamentos costumam ficar distantes dos cursos d’água, em locais mais afastados e sem infraestrutura. Para ter acesso à água, os Adasa, parceladores cavam poços sem autorização”, explica o coordenador de Fiscalização da Hudson Rocha de Oliveira.

Com a crise hídrica, a agência reguladora intensificou a fiscalização nesses locais e lavrou, até outubro de 2017, 107 autos de infração por uso irregular da água. As multas variam de R$ 400 a R$ 10 mil.

As permissões para perfurar novos poços artesianos estão suspensas desde 31 de outubro de 2016. A determinação da Adasa é válida enquanto durar a escassez de água e visa à manutenção do abastecimento para uso humano e para matar a sede de animais (dessedentação).

As denúncias de uso irregular da água chegaram por meio da Ouvidoria da Adasa.
Os canais de atendimento são o telefone (61) 3961–4900
e o e-mail ouvidoria@adasa.df.gov.br.
Leia mais notícias em metropoles.com