‘Golpe do motoboy’ é o crime da moda para fraudar cartão de crédito


Atualmente, uma força-tarefa envolvendo policiais e promotores de justiça tenta levantar a origem desses ataques.

Há dois meses, a empresária Fátima Vilani recebeu uma ligação de seu banco sobre uma suposta compra realizada com cartão de crédito na cidade de Campinas (SP). Não reconheceu o pagamento e foi orientada pelo atendente a entrar em contato com a instituição financeira. Fátima ligou para o número localizado na parte de trás do cartão, ouviu a música de espera do banco, falou com um funcionário e aceitou a oferta de entregar o cartão ao motoboy para uma averiguação.

No dia seguinte, Fátima descobriu que a compra nunca aconteceu. Que não havia telefonado para o banco. Que o motoboy não levou o cartão para a investigação. E que o prejuízo disso tudo superava R$ 80 mil.

Ela caiu no ‘golpe do motoboy’, crime de engenharia social, como são chamados os casos de manipulação psicológica das vítimas por estelionatários. É o golpe da moda, segundo a Polícia Civil, o Ministério Público e os bancos – mas apenas um entre as diversas modalidades de fraudes que envolvem cartões de crédito.

“Hoje, o cartão de crédito é a principal porta de entrada para os casos de fraudes envolvendo nossos clientes”, afirma o superintende de prevenção a fraude do Itaú Unibanco, Ricardo Lima. O banco, recentemente, iniciou uma campanha justamente para alertar os clientes sobre o ‘golpe do motoboy’. Um vídeo disseminado pelo WhatsApp explica o crime e diz que o banco não solicita senhas e não pede cartões de seus clientes.

“Quem cai nesse golpe geralmente fica espantado com o nível de detalhamento dos bandidos. Eles têm informações sobre a vítima, após monitoramento de redes sociais, e geralmente desviam a linha de telefone no instante do golpe para que a ligação caia exatamente no número dos golpistas”, afirma o delegado José Mariano de Araújo Filho, titular da delegacia de crimes cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo.

“A pessoa com quem conversei possuía todo conhecimento do sistema de cartões. Era impossível perceber que se tratava de um golpe”, conta a empresária. “Fui parar no hospital. Eram R$ 84 mil. Não conseguia dormir”, conta. Fátima Vilani só recuperou o dinheiro 20 dias depois. A seguradora pagou uma parte do prejuízo e a agência, onde é cliente há 27 anos, assumiu a outra parcela.

Bancos de dados
Lima, do Itaú, lembra no entanto que golpes como o aplicado na empresária representam a minoria dos casos de fraudes do setor. “A gente fez esse vídeo para alertar as pessoas sobre a dinâmica desse golpe, mas os crimes de engenharia social são apenas 5% dos casos que captamos aqui na instituição”, diz.

O promotor de Justiça do MP-DF e presidente do Instituto Brasileiro de Direito Digital, Frederico Meinberg Ceroy, destaca que a maioria das fraudes tem origem nos roubos de banco de dados de empresas.

“Um vazamento de bancos de dados expõe dados de milhares de consumidores. Isso depois é vendido no mercado paralelo da internet e vai alimentar milhares de fraudes no e-commerce”, conta Ceroy.

Atualmente, uma força-tarefa envolvendo policiais e promotores de justiça tenta levantar a origem desses ataques. Uma das linhas de investigação trabalha com o envolvimento de colaboradores dentro de bancos, companhias telefônicas e centros de processamento de dados de varejistas que facilitariam o acesso a informações por parte de estelionatários.

“Existem ainda bancos de dados que são frágeis e os hackers invadem sem muita dificuldade”, diz uma fonte do setor, em condição de anonimato. As informações são do jornal

Site: https://www.correiobraziliense.com.br

Estratégias de sucesso para uma educação de qualidade no futuro

No primeiro dia do evento internacional Educação 360, especialistas apontam caminhos para melhorar o nível de aprendizagem dos jovens

Experiência. Após comandar importantes mudanças no sistema educacional de seu país, o ex-ministro da Educação de Portugal, Nuno Crato, relata as medidas que levaram ao avanço nas avaliações internacionais
Investimento, trabalho e apoio. Durante o evento internacional Educação 360, especialistas partiram dessa combinação de fatores para traçar um caminho rumo à educação de qualidade. De Portugal, o ex-ministro da Educação do país, Nuno Crato, trouxe as estratégias usadas pelo país para dar um salto nos índices de aprendizagem: educar mais e avaliar melhor. Já o economista David Evans acredita que o investimento em formação de professores, qualificação de gestores e novas políticas a partir das avaliações pode reverter o quadro assustador revelado em um relatório do Banco Mundial em fevereiro deste ano — o de que o Brasil vai demorar 260 anos para atingir o nível de leitura de países desenvolvidos.

O Educação 360 é promovido pelos jornais O GLOBO e Extra com patrocínio de Sesi, Fundação Telefônica, Fundação Itaú Social, Instituto Unibanco e Colégio pH, apoio de Fundação Cesgranrio, e apoio institucional de TV Globo, Canal Futura, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Unesco, Unicef e Todos pela Educação.

A gestão de Crato à frente do Ministério da Educação de Portugal, entre 2011 e 2015, foi marcada pela valorização dos resultados das avaliações. Desde 2000, quando foi criado o Pisa, maior avaliação de educação no mundo, os portugueses não conseguiam ficar acima da média dos países participantes, que fazem parte da OCDE (Organização para a Cooperação e DesenvolvimentoEconômico).Masna última edição, em 2015, Portugal tirou nota 501 em Ciências (22º no ranking de 70 países); 498 em leitura (21º) e 492 em Matemática (29º). O país líder em todas as disciplinas é Cingapura, com 556, 535 e 564 pontos, respectivamente. O Brasil ficou com 401 pontos em Ciências (63º lugar), 407 em Leitura (59º) e 377 em Matemática (66º).

—Eufuiministroemumperíodo de subida da nota do Pisa, o que me orgulha muito. Mas não fiz isso sozinho. Foram os professores, alunos e diretores —analisa Crato.

Com um currículo mais exigente e intervenções sobre as primeiras dificuldades, o país melhorou o desempenho tanto dos alunos com alta performance quanto dos de baixo desempenho.

As taxas de evasão também caíram: de 43,6% em 2000, para 13,7% em 2015.

— Isso prova que aumentar a exigência faz bem para todo mundo —avalia Crato.

Dados do desempenho dos estudantes brasileiros de 15 anos no Pisa também foram levados em consideração pelo relatório do Banco Mundial que aponta o atraso no nível de leitura. Para o economista David Evans, são necessárias mudanças estruturais:

—Cingapura tem os melhores resultados em matemática. Lá, em seis anos, uma criança aprende o que teria aprendido em dez no Brasil. Estamos perdendo anos de aprendizagem por não termos o sistema que precisamos.

ATRASO EM ETAPAS CRUCIAIS

Membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), o educador Cesar Callegari destacou que o Brasil tem grandes problemas em etapas cruciais da escolarização.

— No Rio, 41% dos alunos que chegam ao final do terceiro ano do ensino fundamental não estão alfabetizados — exemplificou o educador, ressaltando a importância da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que vai nortear os currículos de todo o país. — A BNCC tem que ser implementada. Para isso, não pode ser considerada um currículo único, mas uma cesta de possibilidades para que professores e escolas criem seus próprios caminhos.

Em debate sobre ensino superior e técnico, educadores destacaram a importância de uma formação geral ampla para todos estudantes.

— Temos vagas na universidade para 17% dos jovens, mas qual a proposta do país para os 83% que não vão para lá?— questionou a educadora Ana Inoue, assessora do Banco Itaú BBA no desenvolvimento de projetos de educação.

Ao mesmo tempo que impulsiona a educação profissional, o poder público não deve deixar de lado o aumento do ingresso no ensino superior, diz o diretor nacional do Sesc, Carlos Artexes:

—A formação técnica é importanteparavidadaspessoas, mas a superior também.

Felipe Morgado, gerente Executivo da Unidade de Educação Profissional e Tecnológica do Departamento Nacional do Senai, argumentou que esta pode ser uma oportunidade para desenvolver uma cultura de empreendedorismo. Para Dante Moura, professor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, o governo ignora problemas estruturais.

— Já tivemos várias reformas que incidiram no currículo, mas não nas condições básicas. E não deram certo. Temos prédios inadequados, não há laboratórios, as bibliotecas são deficientes, não há espaço para atividade artística e esportiva, os professores não têm formação adequada —critica.

ABERTO A TODOS

Ainda há vagas para assistir às palestras e aos debates de hoje no Educação 360, que acontece no Museu do Amanhã e no Museu de Arte do Rio, no Centro. Os interessados podem se inscrever no próprio local (saiba mais na página ao lado).

“Eu fui ministro em um período de subida da nota do Pisa, o que me orgulha muito. Mas não fiz isso _ sozinho” Nuno Crato Ex-ministro da Educação de Portugal

“Cingapura tem os melhores resultados em matemática. Lá, em seis anos, uma criança aprende o que teria aprendido em dez aqui no _ Brasil” David Evans Economista do Banco Mundial

“No Rio, 41% dos alunos que chegam ao final do terceiro ano não estão _ alfabetizados” Cesar Callegari Educador e Membro do Conselho Nacional de Educação

“Temos vagas na universidade para 17% dos jovens, mas qual a proposta do país para os 83% que não _ vão para lá?” Ana Inoue Assessora do Banco Itaú BBA no desenvolvimento de projetos de educação

Inovação e diversidade a serviço da comunidade

Baseada em valores defendidos por Mahatma Gandhi, faculdade indiana tem solução simples para problemas das aldeias. Na Maré, pré-vestibular onde Marielle Franco estudou já levou mais de 1.600 jovens à universidade

Só para pobres. Principal programa da ‘Barefoot College’, fundada por Sanjit Roy, é voltado para mulheres, principalmente analfabetas e com netos
Logo no início da palestra, o ativista social indiano Sanjit “Bunker” Roy avisa que vai virar o mundo da plateia do Museu do Amanhã de cabeça para baixo. O educador e ativista social indiano é criador da Barefoot College (em tradução livre, “Faculdade de Pés Descalços”) e diz ser um erro classificar como analfabeto aquele que não tem educação formal.

— Em 1965 resolvi conhecer um local pobre da Índia e decidi viver lá como trabalhador sem qualificação. Foi quando eu decidi abrir uma faculdade só para pobres com os ensinamentos que eles achem importante —conta.

Baseada nos valores defendidos por Mahatma Gandhi (simplicidade, não violência, transparência, responsabilidade) e na ideia de que a educação que essas pessoas recebem deve servir à comunidade, a Barefoot College foi criada em 1972 e conecta as comunidades rurais da Índia a energia solar, água, educação, profissõesedefesadedireitos.

O principal programa da faculdade é voltado para mulheres, de preferência analfabetas e com netos, de aldeias isoladas e pobres. Quatrocentas delas, de 37 países já se tornaram engenheiras solares em apenas seis meses de curso. Juntas, as “Solar Mamas” já eletrificaram 200 aldeias ao redor do mundo. Uma brasileira da Chapada Diamantina, na Bahia, já participou do programa, e outras três, do Amazonas, estão na Índia aprendendo a eletrificar uma comunidade com energia solar.

Economista da Fundação Unibanco e especialista nos estudos sobre pobreza e desigualdade, Ricardo Henriques afirma que a Barefoot College é uma ponte entre a experiência e o conhecimento:

—A gente precisa parar de tentar buscar soluções extraordinárias e produzir soluções simples, que tenham poder de transformação.

Professor associado da UFF e fundador do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, Jailson de Souza e Silva, um dos fundadores do projeto do pré-vestibular comunitário da Maré onde estudou a vereadora Marielle Franco, assassinada em março, falou sobre a mudança em curso em sua comunidade, constantemente prejudicada pela violência:

— A Redes da Maré já botou mais de 1.600 jovens na universidade. É possível, mesmo atuando num quadro de tanta violência e desprezo pela vida da favela.

EXEMPLO DE MEDELLÍN

Há cerca de 20 anos, a cidade de Medellín, na Colômbia, acumulava péssimos indicadores, como uma taxa de 382 mortes violentas a cada 100 mil habitantes. A partir do envolvimento de gestores municipais com lideranças comunitárias e toda a sociedade, a realidade foi sendo transformada.

— O investimento em educação na rede municipal passou de 12% para 40%. O orçamento de cultura foi de 0,6% para 5% —revela Jorge Melguizo, jornalista e exgerente do Centro Medellín, que participou da transformação dos índices negativos da cidade.

A experiência de Medellín serviu para inspirar outras cidades, como Recife, que criou modelo de Centro Comunitário da Paz (Compaz).

— Há outra forma de violência, que é não ter uma área de convivência para o lazer, onde a sociedade quer fazer justiça com as próprias mãos, onde não há horizonte para as crianças — afirma Murilo Cavalcanti, secretário de Segurança Urbana do Recife e especialista em políticas públicas de prevenção à violência urbana.

Os avanços necessários para a política de cotas foi a tônica do encontro “Quebrando tabus e mitos: com a palavra, a política das cotas”, com Naercio Menezes, professor e coordenador do centro de políticas públicas do Insper; Gersem Baniwa, filósofo, antropólogo e excoordenador geral de educação indígena do Ministério da Educação; e a professora e pesquisadora da Uerj Patrícia Santos.

— O acesso do indígena e do negro à universidade é uma revolução desarmada. O estudante indígena une dois tipos de conhecimento em sua atuação — analisa Baniwa.

Preconceito, discriminação e racismo ainda são reproduzidos entre as carteiras da sala de aula. Na mesa “Diversidade se aprende (e pratica) na escola”, as alunas Allana Lanes, do colégio estadual Ubiratan Reis Barbosa, em Nilopólis, e Daniela Martins, do colégio pH, da Tijuca participaram da conversa com a professora transgênero da UFPR Megg Rayara e com Rodrigo Mendes, fundador de um instituto que leva seu nome, com mediação de Debora Garcia, do canal Futura.

“Há outra forma de violência que é não ter uma área para o lazer, onde a sociedade quer fazer justiça com as próprias mãos, onde não há horizonte para crianças”. _ Murilo Cavalcanti, secretário de Segurança Urbana do Recife

“O acesso do indígena e do negro à universidade é uma revolução desarmada. O estudante indígena une dois tipos de conhecimento em sua atuação”.

_ Gersem Baniwa, ex-coordenador geral de educação indígena do MEC

Presidente interino da república, Toffoli sanciona lei…..

Pela lei sancionada, fica caracterizada importunação sexual o ato libidinoso praticado contra alguém, e sem a autorização, a fim de satisfazer desejo próprio ou de terceiro. A pena prevista é de um a cinco anos de cadeia.

A proposta ganhou força quando foram registrados casos de homens que se masturbaram e ejacularam em mulheres em ônibus. Um dos episódios de maior repercussão ocorreu em São Paulo.

O texto sancionado também torna crime a divulgação, por qualquer meio, vídeo e foto de cena de sexo ou nudez ou pornografia sem o consentimento da vítima, além da divulgação de cenas de estupro.

A lei aumenta a pena em até dois terços se o crime for praticado por pessoa que mantém ou tenha mantido relação íntima afetiva com a vítima, como namorado, namorada, marido ou esposa. A intenção é evitar casos conhecidos como pornografia de vingança.

Fonte: https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/09/24/presidente-interino-da-republica-toffoli-sanciona-lei-que-torna-crime-importunacao-sexual.ghtml

Vamos falar sobre bullying: problema que atinge 150 milhões de jovens

As vítimas podem desenvolver doenças psíquicas como a depressão, chegando até a pensamentos suicidas

Site: Metropoles.com

O bullying nas escolas é um problema que acomete crianças e adolescentes de todo o mundo e preocupa pais e educadores. Um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, publicado no início do mês, revelou que metade dos adolescentes entre 13 e 15 anos, cerca de 150 milhões de meninos e meninas, sofre violência corporal ou psicológica por parte dos colegas dentro e no entorno das escolas.

O Metrópoles conversou com psicólogos, pedagogos e diretores de escolas públicas e privadas do Distrito Federal para entender como o bullying se manifesta nas instituições de ensino e a que sinais os pais devem ficar atentos.

A psicóloga da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF), Gabrielle Jesus, explica que o bullying é um comportamento aprendido e socialmente validado, ou seja, não é nato do ser humano. Ele está ligado à cultura em que a criança está inserida e começa a ser praticado por meninos e meninas a partir dos seis anos.

As vítimas tendem a se tornar mais isoladas e se recusam a ir para a escola. Foi o caso de Gustavo do Vale Ferreira, hoje com 14 anos. Quando sofreu bullying, o menino tinha apenas sete. Os três primeiros meses no novo colégio são lembrados até hoje pela mãe, Carolina Castro do Vale Ferreira, 39 anos, como um período difícil para o menino.

Gustavo era perseguido por colegas de sala que pegavam seu lanche na hora do intervalo, escondiam suas chuteiras e, em uma ocasião, chegaram até a tentar forçar sua cabeça no vaso sanitário. “Eu tentava evitar ir à escola porque ficava com medo que pudesse acontecer de novo”, lembra.

Hoje, Gustavo do Vale Ferreira tem 14 anos e não gosta de lembrar da época em que sofreu discriminação
A mãe conta que tudo começou quando Gustavo mudou de escola para cursar o ensino fundamental. Até então, o filho era um menino alegre, brincalhão e seu comportamento mudou completamente entre fevereiro e abril de 2011.

“Ele passou a evitar o colégio, mas não revelava o motivo. Todo dia inventava que estava doente e começou a ficar muito calado. Na época, eu não sabia onde estava o problema e imaginava que pudesse ser em casa”, recorda a mãe. Além do comportamento, Gustavo desenvolveu um tique nervoso: os olhos e a boca piscavam involuntariamente.

Carolina lembra que, na época, chegou a participar de mais de 20 reuniões com diretores e coordenadores da escola em que o filho estava matriculado para tentar descobrir o motivo da mudança de comportamento da criança e sempre escutava a mesma resposta: ela deveria se acalmar e ter paciência porque a ansiedade era algo comum no período de adaptação em um novo espaço.

“Eu sempre ouvi que o bullying era um problema que as pessoas sofriam caladas, mas não acreditava. Em uma família com diálogo, isso não aconteceria, até sentir dentro da minha casa”.”
Carolina Castro do Vale Ferreira
O menino participou de sessões de terapia, mas só se abriu quando a mãe resolveu matriculá-lo em outra escola. “A orientadora ligou dizendo que ele não estava bem e febril. Quando cheguei lá, vi meu filho sozinho, me esperando. Foi a gota d’água. Ele me contou que estava sofrendo perseguição de outros meninos da sala”. Mudar de escola foi a paz da vida de Gustavo e o menino se transformou da noite para o dia, mas os tiques nervosos ainda persistiram pelos quatro meses seguintes.

Carolina Castro e Gustavo do Vale

A professora doutora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), Angela Uchoa Branco, afirma que pais, professores e diretores das escolas devem trabalhar em conjunto para combater casos dessa natureza.

Os pais, atentos ao comportamento do filho em relação à escola, e os professores, à dinâmica da sala de aula e intervir cuidadosamente, mas ter tolerância zero com o bullying – conversar, ouvir e argumentar com os alunos sobre cultura de paz. Aos diretores, cabe orientar os professores e buscar a resolução pacífica de conflitos.

Gabrielle Jesus explica que, raramente os agressores sofrerão alguma sequela. “Eles se acham poderosos e não sentem culpa”, afirma. No entanto, os pais também devem ficar atentos ao comportamento dos filhos e observar se as crianças têm o costume de repetir as brincadeiras e discriminações reproduzidas pelos amigos.

O relatório da Unicef descreve uma variedade de maneiras pelas quais estudantes enfrentam a violência neste contexto. Embora meninas e meninos tenham o mesmo risco de sofrer bullying, os meninos têm chances maiores de sofrer violência física e ameaças, como Gustavo sofreu, enquanto as meninas são mais propensas a ser vítimas de formas psicológicas de bullying.

As vítimas podem desenvolver doenças psíquicas chegando a ter pensamentos suicidas, como explica a psicóloga. A estudante Débora Dálet, 21 anos, passou por todos os estágios de depressão quando cursou o 9º ano, aos 14 anos. A jovem era perseguida por um colega de turma que a apelidava com nomes nada agradáveis, como baleia e javali.

Débora chegou a comentar sobre alguns episódios de violência sofrida no colégio, mas a mãe acreditava que mudá-la de escola não iria resolver o problema. “A minha mãe dizia que isso acontecia em todo lugar e eu precisava ser forte”. A adolescente cursou o ensino médio em outra escola.

Junto aos xingamentos, o agressor incentivava outros adolescentes a jogarem bolinhas de papel na colega de sala. Um dos episódios lembrados com muita dor por ela foi quando o rapaz jogou chiclete em sua cabeça. “O meu cabelo era na cintura. Eu fui a um salão, mas não teve jeito, precisaram fazer um corte joãozinho. Foi aí que o bullying piorou”. A solução encontrada pela escola para punir o adolescente foi a suspensão.

Na época, ela pesava cerca de 80 kg e passou a ter comportamentos de bulimia, até chegar aos 45 kg. Os pais perceberam que a adolescente comia e logo ia para o banheiro vomitar. Foi aí que eles decidiram levá-la a uma psicóloga.

A situação se agravou quando Débora tentou cometer suicídio. Foram diversos episódios – ela carrega as marcas dos cortes que fez no próprio corpo até hoje – até ser socorrida às pressas e seguir até o hospital. “Fui a um psiquiatra e ele me receitou antidepressivos e remédios para dormir. Eu acordava com medo de ir para a escola”, lamenta, a voz embargada.

Sete anos depois, Débora acredita que está em outra fase da vida, com foco nos estudos. Ela segue fazendo acompanhamento psicológico e ainda não se sente a vontade com a própria imagem. “Eu não aceito ser gordinha. Ainda me sinto feia”, completou.

A psicóloga afirma que é obrigação da escola desenvolver um trabalho em conjunto com orientadores e pedagogos para que o bullying seja coibido. A Secretaria de Educação do Distrito Federal desenvolve, ao longo de todo o ano letivo, projetos pedagógicos sobre temas relacionados à cidadania e direitos humanos, mediação de conflitos, combate às drogas, entre outros assuntos, como forma de prevenir e combater a violência..

A diretora da Escola Classe 204 Sul, Alessandra Alves de Oliveira Lopes, trabalha com crianças de seis a 12 anos há duas décadas. Ela lembra que o desrespeito, a intimidação e a apelidagem existem desde que iniciou o trabalho na educação. Os valores são trabalhados de forma gradativa com os estudantes, dentro da proposta pedagógica. As crianças aprendem o que é respeito através de aulas, palestras e filmes.

O centro educacional Sigma é pioneiro com a implantação da disciplina Convivência Ética. Estudantes de 71 turmas da escola participam das aulas duas vezes por semana desde o primeiro semestre de 2017, sob supervisão da professora Áurea Bartoli. Atualmente, 20 docentes de diferentes matérias estão capacitados para trabalhar a Convivência Ética. Os estudantes são incentivados a participar com a sugestão de temas.

O Metrópoles conversou com a supervisora e quatro alunos do 8º e 9º ano do ensino fundamental para entender na prática como eles encaram a disciplina e o bullying. Fica evidente na fala de Arthur Henrique Silva Pinho, 15 anos, Isabela Koshino, e Isabella Maryan, as duas com 14 , e Clarisse França, 13, que a disciplina dá a eles poder de fala e decisão. São jovens empoderados.

Isabela Maryan lembra de um caso recente, em que viu uma colega de sala ser discriminada. Ela e outras duas amigas contrárias à prática levaram o assunto para a sala de aula. As adolescentes pesquisaram o conceito do bullying e fizeram uma apresentação para a turma, explicando os tipos de agressão e alvos comuns. “Geralmente são pessoas com linguagem passiva. A gente trouxe esse assunto e conseguiu resolver na aula, parando o bullying com a menina”, explicou.

Clarissa lembra que sofria discriminação por ser considerada muito baixinha. Era normal o agressor excluí-la das brincadeiras em grupo, por exemplo. “Eu nunca levei isso a sério porque sempre fiz piada de mim mesma. Foi assim que o meu pai me ensinou a me defender”.

A menina de apenas 13 anos demonstra segurança e maturidade de gente grande. Ela entende que a altura não é motivo para se envergonhar, assim como qualquer outro relacionado à aparência. “Eu nunca me senti humilhada porque eu sei que não é culpa minha. Não posso fazer nada sobre isso”.

Isabela Koshino entende, por vezes, que a vítima não tem real proporção da gravidade das agressões e sofre em silêncio. “Eu achava normal eles me zoarem por eu não ser magra nem alta. Hoje eu entendo que não tem nada de errado comigo”, analisa. A adolescente acredita também na importância de se cercar por pessoas que fazem bem para elas. A opinião é comum no grupo.

Isabela Maryan acredita que conversar com um amigo pode ser mais fácil do que com os pais e diretores. O diálogo é equiparado, sem julgamentos. “Os amigos vêm tudo, eles estão presentes no dia a dia e às vezes os pais não sabem”, ressalta.

Arthur compreende que a disciplina deu responsabilidades aos alunos. Hoje, eles sugerem os temas que querem abordar e têm mais liberdade para falar com os professores. Segundo Áurea, o objetivo é construir a autonomia moral dos adolescentes. “Eles desenvolvem pensamentos como ‘o que eu posso?’, ‘o que eu quero?’ e ‘o que eu devo?’”, completou.

Isabella Maryan, Clarisse França, Arthur Henrique Silva Pinho e Isabela Koshino

O programa teve origem em escolas da Espanha há 16 anos. As ações em relação ao tema começaram em 2016, com alunos do 1º ano do ensino médio e 9º ano do fundamental para discutir problemas de convivência da escola e temas estudados por eles em outras disciplinas, como a descriminalização do aborto.

Áurea faz questão de enfatizar que a escola não levanta discussões acerca de políticas partidárias e religião por entender que, primeiro, precisa ser construído um viés de respeito para que alunos estejam aptos para discutir sobre qualquer assunto.

O trabalho de conscientização do bullying deve ser feito com o alvo, os autores e os expectadores. “O bullying é um problema moral. Se eu acho que posso zoar o outro sem limites, a vítima não tem forças para lidar sozinha e eu tenho expectadores, gente que ri, isso só aumenta”, segundo a supervisora. “Nós não queremos que eles saiam da escola aceitando tudo o que acontece”, completa.

Assim como Gustavo e Débora, muitas crianças têm vergonha ou medo de falar sobre o assunto com pais e docentes. Por isso, especialistas alertam para que a família preste atenção à alguns sinais que podem indicar que a criança ou adolescente esteja sofrendo bullying:

Fique atento a mudanças no comportamento e humor da criança: mais isoladas e chorosas, por exemplo;
Observe se ela pede para faltar aula com frequência: “Fique alerta se ela disser que não quer ir para a aula, algo pode estar acontecendo”, ressalta a diretora da Escola Classe 204 Sul, Alessandra Alves de Oliveira;
Seu filho tem medo de ir para a escola? Em alguns casos, a aproximação do início de uma nova semana ou ano letivo são suficientes para que a criança fique ansiosa;
Participe da vida escolar de seu filho: fique atento à agenda e mochila da criança;
Frequente a escola e converse com os professores.

Coragem para vencer o medo

www.brasilsemgrades.org

Luiz Fernando Oderich
Presidente da ONG Brasil Sem Grades

Outubro se aproxima e com ele aquela sensação de insuficiência, angústia e apreensão. Enquanto boa parte do povo brasileiro paira sobre a espessa nuvem da polarização, ao fundo, distante, alguns conjecturam sobre o que esperar do futuro. Em meio a tantos problemas, a pergunta que fica é: o que priorizar?

É possível priorizar a saúde e isso se justifica de inúmeras maneiras. O mesmo vale para a educação, a base de tudo. Há aqueles que dirão ser necessário antever os movimentos econômicos e também não estarão errados. Mas eu, como uma vítima que luta há 16 anos contra a impunidade e as causas da criminalidade, escolheria sem pestanejar a segurança pública.

Defender essa bandeira é fácil, difícil é conviver com o medo. Reféns da violência, nos limitamos a espaços fechados, a horários pré-estabelecidos, até mesmo a escolhas que influenciam trabalho, estudo e entretenimento. Tudo passa pela nossa sensação de insegurança. E não é para menos. O Atlas da Violência (2018) escancara 62.517 homicídios no país em 2016. Enquanto, Chile, Argentina e Uruguai, países notoriamente mais desprovidos de recursos que o Brasil, navegam em índices abaixo da média mundial.

A adversidade não está no orçamento, está na falta de comprometimento com a vida. A vida do meu único filho, de familiares de tantas pessoas que conheço e de milhões de desconhecidos. Ninguém está a salvo. Se queremos resgatar nosso direito de ir e vir, se queremos sonhar com uma base educacional que renda frutos, se buscamos entregar menos feridos à saúde, precisamos priorizar a segurança pública. Para que os bandidos sejam de fato punidos e isolados do convívio social. Para que os aspirantes do crime tenham receio de delinquir. Para que as mulheres tenham seus corpos respeitados. Esse é um comprometimento que não pode ser negligenciado.

A luta não começa e termina com as eleições. Nossos eleitos precisam reconhecer esse problema como prioridade e atuar efetivamente para reversão desse quadro. E nós bem sabemos o quão confortável pode ser um assento político, independente da esfera. Não vamos nos acomodar com aquilo que nos limita. A vida pede voz.

Banco de leite humano do Hospital Regional de Taguatinga celebra 40 anos

No ano da fundação do Banco de Leite de Taguatinga, mais de 90 recém-nascidos perderam a vida por doenças e infecções diversas. Enfermidades que o leite humano poderia prevenir

“Apesar de ter sido mobilizado todo esforço médico, 15 crianças nascidas no Hospital Regional de Taguatinga, no mês passado, não tiveram defesa para resistir ao estado de subnutrição em que se encontravam as suas mães.” É assim que começa a matéria do Correio Braziliense de 20 de setembro de 1978, que anunciava a criação do banco de leite humano da unidade de saúde. O primeiro do Distrito Federal e de todo o Centro-Oeste. À época, o quinto do país. Hoje, perto de completar 40 anos de existência, o equipamento público é referência técnica internacional para o trabalho de coleta e distribuição do alimento que salva vidas de bebês todos os dias.

No ano da fundação, mais de 90 recém-nascidos perderam a vida por doenças e infecções diversas. Enfermidades que o leite humano poderia prevenir. A quantidade de mortes caiu de lá para cá, mostrando a importância do banco. Passou de 20 para 10 a cada mil nascidos vivos. Hoje, um bebê que nasce com menos de 1kg tem muito mais chances de se desenvolver e levar uma vida normal do que na década de 1970. Os bancos de leite no Brasil, hoje, são reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e se tornaram referência para a América Latina e países africanos de língua portuguesa.

Wilson, Áurea, Cidalina, José, Iracema e Romilda: profissionais e doadoras que fazem parte da história do banco

Naquela época, o trabalho era de trincheira. Funcionários precisavam procurar materiais que ainda não eram utilizados no HRT. Também não dava para guardar o leite, que era levado para os bebês assim que as mães entregavam o alimento. Como era um serviço que não existia, foi preciso incentivar a amamentação para que, a partir daí, as mulheres doassem. Uma Kombi rodava pelas ruas de Taguatinga coletando os frascos, trabalho parecido com o que o Corpo de Bombeiros faz hoje no DF. Fundador do banco do HRT, o pediatra Wilson Marra, hoje com 69 anos e aposentado da rede pública, recorda a batalha para fundar o espaço.

Criado em Taguatinga, ele se formou na Universidade de Brasília (UnB), fazia especialização em pediatria e tinha 29 anos. “Conhecia bem a cidade. Víamos os problemas que tínhamos com doenças e mortes de crianças internadas, principalmente recém-nascidos. Nessa época, entrei no Rotary Club de Taguatinga Norte. Foi quando surgiu a ideia de associar a entidade com o trabalho no hospital”, conta. De acordo com Wilson, foi necessário estudar, mergulhar em livros, experiências nacionais e internacionais, além de muitas estatísticas para criar o equipamento público do zero.

O resultado, segundo ele, foi a queda de cerca de 30% da mortalidade de bebês, principalmente recém-nascidos na unidade de saúde. Ele não esconde a emoção ao falar do projeto. “Junto com o banco, começamos um trabalho de estímulo ao aleitamento, e o Rotary ajudava economicamente. Muitas mães doadoras eram de baixo nível socioeconômico e ganhavam cestas básicas. Realmente, foi uma vitória. O leite é um remédio. Você consegue maior contato da mãe com o filho e a imunidade da criança que recebe o leite materno é muito maior”, destaca.

Militância pela vida
Fundadores do Rotary Clube de Taguatinga Norte, José Córdoba Solano, 89, e a mulher, Cidalica Martins Córdoba, 80, estiveram na linha de frente para a criação do banco. “O Wilson (Marra) estava muito preocupado. Começou a pensar em soluções para a mortalidade infantil e apresentou a ideia para o Rotary. Conversamos com a direção do hospital, mas ninguém tinha experiência, conhecimento”, recorda José. “Saíamos de Kombi chamando as pessoas. Havia muitas doadoras que eram de baixa renda, e chegamos a oferecer cestas básicas para elas”, completa Cidalica. O casal é conhecido por funcionários do HRT como os “avós do banco de leite”.

Auxiliar de operações de serviços do banco, Romilda Maria de Fraia, 54, é a funcionária mais antiga do local e coleciona amizades e histórias. “Tinha uma bebezinha que chamávamos de glamour por causa do jeito dela quando saiu. Ela chegou quase em pele e osso, bem magrinha. A mãe estava em tratamento de câncer quando engravidou e, depois que a filha nasceu, tinha dificuldades em amamentar.”

Amor
Maria Áurea dos Santos, 54, dona de casa e mãe crecheira, foi uma das doadoras do banco. Agora, a filha dela, Silvana dos Santos Chaves, 32, também é doadora. “Já tinha uma filha, mas comecei a doar leite em 1986, quando nasceu a Silvana. Depois, tive outras duas filhas e fiz doações em cada uma das gestações”, lembra. Áurea se emociona ao lembrar da época. “Era um gesto de amor. Estávamos salvando vidas. Minha filha herdou isso de mim”, relata, sem conter o choro.

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Amiga de Áurea, Iracema Maria de Souza, 57, a conheceu no banco de leite humano ainda em 1986. As amigas não se separaram mais. “Doar é uma satisfação muito grande para a mãe. Eu tinha muito prazer nisso. Há muitas mães com o filho desnutrido, doente, precisando desse leite. Só a satisfação é recompensa para o que fiz”, declara.

Referência
Coordenadora das ações de aleitamento materno do banco de leite humano da Secretaria de Saúde, Miriam Oliveira dos Santos esteve à frente do ponto de doações do HRT entre 2004 e 2008. Ela destaca a importância nacional da criação de tecnologia para aleitamento de bebês. “A criação teve grande impacto na redução de doenças e da mortalidade. O Brasil foi reconhecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) por uma das estratégias que mais contribuiu para a redução da mortalidade infantil neonatal, e o HRT fez parte disso”, lembra.

Dentro do hospital, o banco mudou algumas vezes de lugar. Hoje, fica no ambulatório, perto da pediatria. “À época da criação do banco, existia um no Rio de Janeiro, dois em São Paulo e um no Rio Grande do Sul. Fomos o quinto. Não havia Secretaria de Saúde, e sim a Fundação Hospitalar. Hoje, o DF é destaque no Brasil pela coleta de leite materno. Isso é graças a uma história de muitos funcionários militantes da causa do aleitamento materno espalhados pela capital e também de quatro gerações que acreditam na solidariedade e doam leite”, completa a gestora.

Para doar
Interessadas em doar leite materno têm várias opções no Distrito Federal. Por telefone, basta ligar no 160, opção 4. Na internet, o site amamentabrasilia.saude.df.gov.br tem várias informações e orientações para lactantes. Além do site, mães também podem baixar o aplicativo Amamenta Brasília no celular.

Fluxo constante
A demanda pelo leite humano nunca acaba nos hospitais. Para se ter uma ideia, no ano passado, o HRT recebeu e distribuiu 2.666 litros. Este ano, até agosto, foram 2.236l.

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Mapa do feminicidio no DF

O Correio traça um panorama do crime que tem espantado Brasília. Desde 2015, foram quase 60 crimes, 20 deles este ano. Companheiros e ex-companheiros formam a maioria dos assassinos

Enterro de Adriana Castro, morta pelo ex-marido, Epaminondas Silva Santos, policial militar, no Riacho Fundo

“Ele a ameaçava de morte. Às vezes, falava que ia matá-la; às vezes, que mataria as crianças na frente dela, para ver que ele era capaz.” A frase é da operadora de caixa Silvaneide de Castro, 34 anos, cunhada de Adriana Castro Rosa Santos, 40, uma das 20 vítimas de feminicídio no DF até 31 de agosto de 2018. A dona de casa foi assassinada em 7 de agosto pelo marido, o policial militar Epaminondas Silva Santos, 51. Além de Adriana, 59 mulheres da capital federal foram mortas, seja por facadas, seja por tiros, seja por socos, desde 2015. Em 85% dos casos, os crimes aconteceram dentro de casa. No mesmo período, houve 136 tentativas de feminicídio, segundo a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP).

No ano passado, as delegacias do DF registraram 20 ocorrências. Diante desse cenário violento contra as mulheres, formou-se uma câmara temática com representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, SSP, Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Detran, Defensoria Pública e Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) com o objetivo de entender o padrão relacionado às mortes. Para o secretário da Segurança Pública e da Paz Social, Cristiano Sampaio, isso pode ajudar juízes a decidir sobre a sentença de agressores desde a primeira denúncia. “A gente tem percebido que eles não partem da primeira ocorrência para a morte. Com o padrão estabelecido, a gente consegue ter uma luz acesa mostrando o nível de risco e quando adotar as mais altas medidas de proteção”, explica.

No caso de Adriana, o relacionamento abusivo se mostrou aos poucos. Epaminondas não a deixava trabalhar, era ciumento e bebia muito. Silvaneide disse que a cunhada não falava muito dele e, havia cerca de dois anos, ele parou de frequentar a casa da sogra. “Ela visitava a mãe sempre, todo fim de semana estava aqui, trazia os filhos. Era uma pessoa muito boa”. Agora, as crianças, uma menina de 8 anos e um garoto de 11, moram com a avó. Eles fazem acompanhamento psicológico. No dia da tragédia, os dois dormiam na sala da casa e acordaram com os tiros. “Eles falam na Di (apelido de Adriana) de vez em quando, sentem saudades”, conta Silvaneide.

Medidas protetivas
Depois de assassinar a ex-mulher, Epaminondas cometeu suicídio. O mesmo aconteceu com outros cinco homens em 2018. Dos 20 autores de feminicídio, 11 estão presos. Um deles é Eduardo Gonçalves de Sousa, 34, que matou, em 26 de agosto, a companheira Maria Regina de Araújo, 44, no Itapoã. Dez dias antes, Maria Regina havia pedido uma medida protetiva à Justiça, mas sem sucesso.

Segundo o TJDFT, apenas em 2018, a Justiça recebeu 9.459 pedidos de medidas protetivas, dos quais pouco mais da metade — 4.964 — foram concedidos. Ainda 2.216 tiveram aprovação parcial. O presidente do tribunal, desembargador Romão Cícero de Oliveira, explicou que as solicitações são analisadas, caso a caso, por um juiz. “Nem todas as histórias são verificáveis. Nós temos o sentido de que a palavra da vítima vale muito em relação à do réu”, ressalta o magistrado. “De vez em quando, o juiz deixa de aplicar um benefício a uma dessas pessoas que, talvez, estivesse falando a verdade, mas que não teve a eloquência necessária para chegar aos ouvidos do juiz. A eloquência do acusado talvez tenha sido muito melhor e convenceu”, diz.

A cidade do DF com o maior número de feminicídios é Ceilândia (11), seguida de Samambaia (8), Brasília, Gama e Santa Maria (6). Um dos objetivos da câmara temática é descobrir por que há mais casos nessas regiões. “Qualquer afirmação conclusiva agora é prematura, mas eu acredito que a questão cultural é um fator decisivo para se ter mais ou menos violência doméstica”, ponderou o secretário de Segurança.

A SSP agora passou a trabalhar a questão da agressão às mulheres também no curso de formação de policiais. Além disso, pela frequência com que PMs se revelam agressores, a pasta matricula, compulsoriamente, os envolvidos em uma iniciativa de tratamento. “Eles reconhecem a importância de fazer isso para evitar uma nova agressão. Você percebe que esse é um crime recorrente. Ou trabalha na causa e neutraliza, ou vai chegar a um ponto mais grave. Então, o tratamento do agressor também é muito importante”, avalia o secretário Cristiano Sampaio.

Tornozeleiras
Segundo Cristiano, 6 mil tornozeleiras eletrônicas estão disponíveis, mas, atualmente, apenas 28 agressores são monitorados. Os equipamentos, que custam R$ 162 mensais, fazem parte de um contrato de locação e, de acordo com a SSP, só são cobradas quando em uso. Mas, para um acusado usar o equipamento, é preciso determinação judicial. “Se precisar usar, temos 6 mil. A central de atendimento está montada e equipada com servidores em esquema de operação 24 horas por dia, sete dias por semana. E essa é a nossa angústia”, alerta o secretário. “A gente precisa convencer as pessoas de que esse é um recurso importante e que pode ajudar a cidade”, declara Sampaio.

No fim de agosto, um dos agressores rompeu a tornozeleira e tentou estrangular a ex-companheira em casa, no Gama. O homem de 34 anos descumpriu medida protetiva e chegou a dizer: “Agora eu consigo te matar”. O feminicídio só não aconteceu porque um amigo da vítima chegou a tempo de evitar o pior. Cristiano Sampaio reforça que o equipamento não é um impeditivo, apenas um recurso de acompanhamento. “Assim que ele o rompeu, foi gerado um alarme na central, que tentou contato com ele. Como não atendeu, a PMDF deslocou efetivo para a residência. O monitoramento é permanente.”

O desembargador Romão Cícero, presidente do TJDFT, concorda que o número de tornozeleiras em uso é baixo. “Podia ser muito maior para que a polícia pudesse ter o olho bem mais perto dessas pessoas. É um material que ajuda e muito não só no caso de violência doméstica”, reconhece o magistrado.

Aplicativo para vigiar
Além das tornozeleiras, outro recurso subutilizado, na visão da SSP, é o aplicativo Viva Flor, espécie de botão do pânico que permite às vítimas de violência doméstica acionar a PM caso se sintam ameaçadas. Até o momento, 12 estão cadastradas no programa, lançado em 20 de novembro do ano passado. À época, a promessa era de que 100 mulheres seriam contempladas com o benefício até o fim de 2017. Contudo, os cadastros começaram em junho e, segundo o TJDFT, ainda está em fase de execução do projeto-piloto. Agora, a previsão é de que até o final de setembro haja 30 nomes no total.

Para fazer parte do Viva Flor, a mulher deve ter uma medida protetiva de urgência vigente, e a decisão da inclusão deve ser dada pelo Poder Judiciário, que fornece os dados para cadastro feito pela SSP. O secretário Cristiano Sampaio, no entanto, afirma que a central de atendimento tem capacidade maior. “Esse é um aplicativo on-line, que não tem custo. Eu acho que a segurança, a cautela, o teste, o ajuste, tudo isso é importante, mas tem coisa mais importante. Tem gente precisando do serviço agora”, reforça.

No mês passado, o GDF encaminhou para a Câmara Legislativa um projeto de lei que prevê a conexão entre o Viva Flor e as tornozeleiras eletrônicas. A ideia é que, caso um agressor monitorado se aproxime da vítima cadastrada no aplicativo (ele é georreferenciado), um alerta seja emitido na central de controle, que tomará as providências cabíveis para proteção da mulher em risco.

Outra medida prevista é a obrigação de a SSP fornecer os equipamentos de monitoração. O secretário explica que hoje, o Estado não precisa fornecer as tornozeleiras, de acordo com a Lei nº 12.258/2010). “Se o DF quiser interromper o contrato, interrompe. A lei vai garantir que isso seja mantido”, esclarece.

Três perguntas para
Liz-Elainne Mendes, coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos do MPDFT

Quais são as punições para quem agride uma mulher?
Podem variar de uma prisão simples até uma muito significativa em um regime fechado de reclusão. Se for reconhecido na sentença uma pena maior do que quatro anos, o agressor pode perder cargo público. A condenação criminal traz diversos empecilhos para vagas em cargos públicos e é um prejuízo muito grande. O feminicídio é uma qualificadora do homicídio. Enquanto em um homicídio a pena varia de seis a 20 anos, no caso de feminicídio, vai de 12 a 30 anos.

O que a vítima de violência deve fazer?
Quando ela entende que está passando por violência, eu penso que é um ganho enorme. Ela deve procurar serviços que possam auxiliá-la a tomar maior consciência do quadro de violência para entender a situação de risco. É importante que o sistema de Justiça tome conhecimento para que possa, pela própria lei, combater as agressões. A mulher tem o direito fundamental de viver uma vida plena de paz e, quando há crianças ou adolescentes envolvidos nesse quadro, os serviços auxiliam também para que ela perceba que outras pessoas são impactadas e é preciso que o Estado intervenha. Ela não deve ficar em casa sem tomar providências, sem buscar informação e auxílio.

Quem conhece uma vítima deve “meter a colher”?
Sim. A violência contra a mulher é uma violação grave de direitos humanos e todos que convivem com as vítimas e percebem esse quadro precisam buscar auxílio e ajudar para que o sistema funcione de uma forma mais eficiente. É importante a participação de todos não só alertando, mas buscando o apoio do Estado. Quem quiser denunciar pode ligar no 180 ou fazer uma denúncia anônima pela Ouvidoria do MP, da Polícia Civil, do órgão onde essa mulher trabalha ou no SAC da empresa. São canais que se comunicam para que esse fato chegue ao sistema de Justiça sem que o denunciante se exponha. Outra opção, caso a pessoa queira ser mais ativa na investigação, é registrar uma ocorrência como comunicante e testemunha.

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Aula do dia: a crescente violência nas escolas públicas do DF


Levantamento mostra que 97,15% dos educadores já presenciaram atos violentos dentro dos centros de ensino da capital

A violência dentro das escolas públicas é uma realidade enfrentada por professores e alunos diariamente no Distrito Federal. Não bastasse a estrutura precária dos estabelecimentos, docentes, jovens e crianças vivem uma rotina de desrespeito, ameaças, agressões verbais e físicas.

A situação aferida por números é assustadora: 97,15% dos educadores da rede pública já presenciaram atos de violência dentro dos centros de ensino, conforme revelou pesquisa realizada pelo Sindicato dos Professores (Sinpro) com 1.355 profissionais de várias regiões administrativas.

O levantamento escancara as mazelas da rede de ensino público no DF e reforça a sensação de insegurança provocada pela onda de violência que atinge a capital federal, onde 73% dos brasilienses sentem-se pouco ou nada seguros, segundo pesquisa encomendada pelo Metrópoles ao Instituto FSB.

Entre os docentes ouvidos pelo Sinpro, 97,15% disseram ter presenciado episódios de agressão e ameaça entre os alunos; e 57,98% foram vítimas da violência. O caso mais recente ocorreu no Centro de Ensino Fundamental 507, em Samambaia, quando um aluno de 16 anos tentou dar um soco no vice-diretor do colégio, Alex Cruz Brasil, 45 anos.

O adolescente havia sido suspenso por jogar melão nas colegas, na semana anterior, e foi barrado na entrada ao tentar acessar a sala de aula na segunda-feira (10/9). De acordo com Alex, o estudante ficou revoltado, partiu para cima dele, tentou desferir um soco em seu rosto, mas atingiu o ombro. O adolescente, então, puxou um canivete automático e ameaçou furar o educador.

Alex teme uma possível retaliação do aluno, que retomou as atividades no mesmo dia do episódio e foi colocado para fora de sala pela professora por indisciplina. “Estou vivendo com medo: olho para os lados a todo momento, fico de costas para a parede e sempre evito ir para a porta do colégio”, conta. Procurada pela reportagem, a direção do colégio informou que casos de ameaça são recorrentes.

Um relatório ao qual o Metrópoles teve acesso mostra que apenas nessa unidade de Samambaia 603 ocorrências disciplinares foram registradas entre janeiro e a quarta-feira (12). O vice-diretor foi responsável por registrar 75% dos episódios. Entre os casos, 210 referem-se à desordem e 145 são relativos a brigas e ameaças. Além do adolescente de 16 anos envolvido na briga com o gestor, 203 alunos acabaram suspensos por comportamentos indisciplinares.

Comunidade violenta
Para Alex, o retrato do descaso com o ensino e o sentimento de insegurança são resultado de um “problema estrutural e social” e do baixo efetivo de policiais responsáveis pelo patrulhamento das escolas. Segundo o vice-diretor, 25 militares são distribuídos entre sete regiões administrativas, apenas dois deles em Samambaia, onde mais de 40 colégios públicos e particulares funcionam.

É impossível ter um policiamento ostensivo. Tudo isso é retrato de uma comunidade violenta, onde vive-se uma guerra civil. Alunos com pais presos, morando sozinhos, sem acompanhamento, tráfico de drogas intenso, roubos e legislações fracas contribuem para o agravamento da situação”
Alex Cruz Brasil, vice-diretor do CEF 507

A pesquisa não chegou a colher a opinião dos alunos, mas os casos de agressões entre eles também são recorrentes, e chegam a ser tratados com naturalidade pelos próprios jovens. No Centro de Ensino Fundamental 2 (CEF 2), no Paranoá, adolescentes na faixa etária dos 14 aos 16 anos chegam a agendar brigas em grupos do Facebook.

“É uma coisa que acontece muito e eu acho ruim vir para a escola e saber que isso vai ocorrer. Sou uma pessoa tranquila, nunca me envolvi nisso, mas fico com medo. As meninas aqui brigam muito, quase sempre por causa de namorados ou de xingamentos. No ano passado, duas alunas começaram a se baterem. O vigilante viu e não fez nada”, conta Ana Clara Brandão, 16, aluna do CEF 2 e moradora do Paranoá.

Os colegas de turma Ícaro de Souza, 15, e Matheus Mota, 16, ambos alunos do 9º ano do CEF 2, sempre procuram ficar longe das confusões, mas também já presenciaram várias brigas entre alunos dentro e fora da escola. Além disso, os meninos enumeram diversos casos em que viram colegas desrespeitando educadores na sala de aula.

“Às vezes, o professor pede silêncio e os colegas não fazem. Quando ele fala mais firme, tem aluno que retruca e desrespeita. Bate boca mesmo. Às vezes, até se xingam, mas agressão entre aluno e professor, nunca vi”,

Aula do dia: a crescente violência nas escolas pública

Mais violência
Nesta semana, dois adolescentes, um de 16 e outro de 17 anos, foram apreendidos na porta do Centro Educacional 6, no Gama. Eles começaram a brigar na saída do turno. A PM foi chamada e, ao abordá-los, encontrou 15 pedras de crack. À polícia, eles disseram que eram estudantes do colégio e confirmaram que estavam no local para comercializar a droga.

Já em 28 de agosto deste ano, um aluno de 13 anos do Centro de Ensino Fundamental 19, na QNN 18/20, em Ceilândia, esfaqueou um colega de 15 anos durante briga na hora do intervalo, em pleno pátio. A vítima ficou ferida no abdômen e no pescoço.

Violência não vem de hoje
Ex-aluno da unidade e hoje proprietário de um restaurante localizado em frente ao centro de ensino, Raulisson de Goes Mendes, 24, presenciou “cenas inimagináveis” enquanto estudava na unidade. “Coisa de aluno andando armado, muito perigoso. Um dia desses mesmo vi um menino descendo a pé com o celular na mão ser assaltado por dois caras em uma bicicleta.”

A diretora do Sinpro, Rosilene Corrêa, conta que os colégios já se atentaram para a realidade e desenvolveram projetos em busca de resultados. “A escola assume para si a responsabilidade, já que o Estado não tem feito isso. E não tem outro caminho, porque não adianta ficar dependente da elaboração de políticas públicas se a realidade está ali, na sua frente. É preciso ter escolas mais prazerosas e profissionais mais valorizados”, pontua.

Patrulhamento e ações pedagógicas
Em nota, a Secretaria de Educação disse promover projetos pedagógicos ao longo do ano como “forma de prevenir e combater a violência”. “A pasta ainda trabalha em parceria com o Batalhão Escolar da Polícia Militar, que mantém ações educativas dentro das unidades escolares por meio do programa Viva Brasília nas Escolas”.

Já o Batalhão Escolar da Polícia Militar do Distrito Federal informou patrulhar com rondas o perímetro das centros de ensino num raio de 100 metros. “Implantamos ainda, na área interna, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência (Proerd), que consiste em um amplo projeto de prevenção ao uso de drogas, e as operações Varredura e Escola Livre, ambas com o objetivo de precaver quanto ao uso de armas ou objetos que possam ser utilizados como tal, com abordagens fora e dentro das escolas mediante acionamento da direção.”

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Jovem que matou idosa na Esplanada é indiciada por homicídio doloso


A motorista Juliana Guimarães Cirillo, 22 anos, que atropelou e matou a aposentada Rose Marie Flexa Medeiros, 73, em março deste ano, foi indiciada por homicídio doloso. Para a polícia, a jovem assumiu “o risco de matar ao consumir drogas e dirigir”. Exames de urina analisados pela Polícia Civil constaram o uso de maconha.

Os autos foram encaminhados ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) em 3 de setembro. Os promotores devem apresentar a denúncia à Justiça nos próximos dias. Os exames, entretanto, não conseguiram constatar o consumo do chá do Santo Daime.

De acordo com o relatório feito pela 5ª Delegacia de Polícia (área central), responsável pela investigação, após o acidente, Juliana não apresentou hemorragia aparente e “estava toda vomitada. Ela aparentava estar confusa e desorientada”.

O medo da família da idosa é de que o MPDFT ofereça a denúncia como homicídio culposo, quando não há intenção de matar. “O exame de sangue com relação ao Santo Daime não foi feito. O IML protelou para dar a resposta e, por fim, disse que não teria recursos para fazer porque não há materiais comparativos que viabilizem a análise. Será que, por conta disso, vão rasgar o inquérito do delegado, os depoimentos das 13 testemunhas?”, questionou a assistente administrativa Roseane Flexa Medeiros, 42, filha da vítima.

Rose foi resgatada com vida, mas não resistiu e morreu horas depois. “Era uma viúva apaixonada pela família e vivia para os filhos [seis, ao todo] e netos. Guerreira incondicional, honesta e mãe maravilhosa”, lamentou Roseane.

A certidão de óbito apontou como causa da morte politraumatismo por ação contundente. “A pancada quebrou todos os ossos dela”, revoltou-se a filha.

Culpa do Xamã
Com base no relatório policial, ao ser questionada no hospital acerca de sua condição, Juliana disse ter tomado Santo Daime e que a culpa era do “Xamã”. Ainda conforme o documento, a jovem teve momentos de alucinação e falava que o braço dela estava caindo. Porém, estava imobilizada.

Já em depoimento formal, a motorista contou que dirigia o veículo na velocidade da via quando pressentiu que ia desmaiar. Afirmou ter tentado girar o volante e encostar o carro no meio-fio, mas desfaleceu.

Disse que só teve conhecimento do atropelamento quando chegou ao Instituto Hospital de Base do DF (IHBDF). Defendeu que no dia do acidente não fez uso do chá, mas que já havia bebido em outras ocasiões. Na delegacia, o pai de Juliana, Sérgio de Souza Cirillo, informou que a filha sofre de Síndrome do Vaso Vagal, doença que provoca desmaios e confusões. Afirmou que a jovem se envolveu em outro acidente recentemente, devido ao problema, mas que ela não tem restrição para dirigir.

Para Juliana, houve uma interpretação equivocada das pessoas responsáveis pelo seu atendimento no local do acidente ao dizerem que ela informou ter bebido o chá. A jovem alegou ter explicado aos socorristas que estava voltando da Igreja do Santo Daime.

O acidente
O atropelamento ocorreu por volta das 18h de 7 de março deste ano, na calçada em frente ao Ministério da Saúde. Rose foi levada pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao IHBDF com um corte na face, consciente, estável e orientada.

Os bombeiros encaminharam Juliana para a mesma unidade de saúde. A condutora se queixava de dores na coluna cervical, ânsia de vômito e estava consciente, porém desorientada, segundo a corporação.

O Metrópoles não conseguiu contato com a motorista nem com a defesa dela.
Fonte:  www.metropoles.com