Primo de Ana Íris confessa ter estuprado jovem antes de assassinato


Ana Íris, 12 anos, desapareceu em 10 de setembro
A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou que o primo de Ana Íris, 12 anos, confessou a prática do estupro, seguido de homicídio por esganadura da adolescente. O jovem já havia confirmado a autoria do crime. A Delegacia da Criança e do Adolescente II (DCA II) representou a denúncia e a Justiça deferiu o pedido de internação provisória contra o menor infrator.

Segundo o delegado-chefe da DCA II, Juvenal Campos, o adolescente estava internado em um hospital em razão das agressões e lesões que sofreu no último dia 26, quando a menina foi encontrada morta. Ele foi agredido por moradores da região que já suspeitavam da participação do menino no homicídio.

Após os últimos exames, ele teve alta na manhã da última quinta-feira (28/9). O adolescente declarou que a motivação do assassinato seria para ocultar o estupro. Tudo teria ocorrido em 10 de setembro. Após matar a vítima, ele teria arrastado o corpo por cerca de dez metros.

Ele foi apreendido pelos ato Infracionais análogos aos crimes de homicídio, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável, pelo período inicial de 45 dias. Após os procedimentos legais, o adolescente foi levado para internação no Núcleo de Atendimento Integrado (NAI).

Além de escassa, água no DF é cada vez mais impura, aponta análise

www.correiobraziliense.com.br
Além de escassa, água no DF é cada vez mais impura, aponta análise

Os principais inimigos são a grilagem de terra e os loteamentos urbanos próximos a nascentes, córregos e reservatórios

compartilhar: Facebook Google+ Twitter

Crédito: Tony Winston/Agência Brasília. Reservatório de Santa Maria / Parque Nacional.ppostado em 29/09/2017 06:00 / atualizado em 29/09/2017 10:19
Pedro Grigori – Especial para o Correio
Tony Winston/Agência BrasíliaNo Parque Nacional de Brasília, captações do manancial de Santa Maria têm o melhor índice de qualidade do DF

Localizada no centro do Brasil, a água que deixa as nascentes brasilienses abastece algumas das principais bacias hidrográficas do país. O recurso, que surge cristalino ao deixar a fonte, perde a pureza ao seguir o curso d’água e, hoje, devido, principalmente, à ocupação desordenada, chega aos córregos com qualidade cada vez pior. No Distrito Federal, estudo da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) analisou os 23 mananciais superficiais utilizados para abastecimento hídrico e identificou que a proximidade com áreas de parcelamento irregular do solo e com loteamentos urbanos resulta na queda no Índice de Qualidade da Água (IQA). O ribeirão do Engenho das Lajes, próximo ao Gama, faz parte da Bacia do Descoberto, e apresentou o pior número. Além do prejuízo ao meio ambiente, a poluição significa aumento no custo do tratamento.

Leia mais notícias em Cidades

Nesta semana, com o fim da estiagem, a qualidade desses córregos tende a cair ainda mais. Isso ocorre porque o vento e a chuva carregam as mais diversas impurezas para os rios. Exemplo prático disso ocorreu em dezembro de 2009, quando o vazamento de um material tóxico utilizado na pavimentação de asfalto na BR-060 atingiu o ribeirão, interrompendo a captação por mais de três meses e causando falta de água na região.

A Caesb avalia a qualidade dos recursos e, por meio de um cálculo relacionado às variáveis pH, cor, turbidez, ferro total, nitrogênio amoniacal, carbono total, cloretos e coliformes totais, classifica o IQA de cada local. O índice varia entre 0 (totalmente imprópria) a 100 (ótima). Engenho das Lajes registrou 61. Nenhuma das 23 captações do DF foi avaliada como ótima (veja quadro).

16/03/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Captação irregular de água das nascentes do Rio Descoberto. Cano e caixa dágua

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
Caixas d’água e canos captam água diretamente de uma nascente na Área de Preservação (APP) do Descoberto.

Segundo o gerente de Gestão Ambiental Corporativa da Caesb, Vladimir Puntel, a ocupação urbana em áreas de bacias hidrográficas pode ser determinante para a queda na qualidade de um manancial. “Em Engenho das Lajes, há diversas propriedades agrícolas que contribuem, em função dos usos e atividades desenvolvidas, para que o IQA tenha valores tão baixos. Estradas vicinais sem o devido controle do escoamento de águas pluviais também contribuem significativamente para essa situação”, alerta.

O professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB) Sérgio Koide conta que uma das causas da poluição da água é o sedimento gerado pelas construções. “Quando você tem obras na cidade, você gera lixo e entulho, levados pelo vento ou pelas chuvas para os córregos. Ocorrem também muitos problemas com infiltrações de esgoto, o que faz aparecer coliformes fecais”, explica o especialista em recursos hídricos.

O professor ainda alerta sobre a qualidade final do recurso. “O tratamento feito hoje pela Caesb é considerado muito bom, um exemplo para outras unidades da Federação. Mas ter água bruta em pior qualidade, além de gerar mais custos, significa que, independentemente dos processos de tratamento, o resultado não será tão bom quanto o de um manancial preservado”, esclarece.

16/03/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Captação irregular de água das nascentes do Rio Descoberto. Cano e caixa dágua

Reservatórios

O Rio Descoberto também apresentou um número de alerta: 69,2. Em março, o Correio mostrou invasões de luxo erguidas em cima das nascentes que abastecem o principal reservatório do DF. Seis meses depois, as edificações continuam de pé. Santa Maria mostrou o cenário ideal. Localizado dentro do Parque Nacional de Brasília, o reservatório registrou o melhor índice: 82,3. A Caesb não tem cálculos que mostrem a diferença financeira entre tratar a água do Santa Maria comparada com a do Descoberto.

Sérgio Koide lembra que, na construção de Brasília, os engenheiros fizeram um estudo de captação de água, construíram o reservatório de Santa Maria e criaram um parque ao redor para proteger as nascentes. “Santa Maria é o quadro ideal. Algo impossível de acontecer no Descoberto, que, como o próprio nome diz, não é coberto. Na criação da capital, ele foi designado para a produção de hortifrútis e para abastecer as chácaras agrícolas da capital. Porém, com o crescimento urbano, começou a ser utilizado para abastecimento do DF, mas aí o parcelamento de terra havia dominado as margens da bacia”, lamenta.

O levantamento da Caesb não avaliou a qualidade da água das captações do Lago Paranoá e do Bananal, previstas para serem inauguradas no próximo mês. Segundo Ricardo Moreira, gerente do Laboratório Central da Caesb, os dados estarão no estudo do próximo ano. “O relatório permite a comparação entre diferentes mananciais, a avaliação de possíveis tendências ao longo do tempo e de possíveis alterações da qualidade da água decorrentes de contaminação ou de melhorias promovidas na bacia de drenagem, por exemplo”, detalha.

Tendo em vista os prejuízos financeiros e ambientais, a Caesb informou que realiza monitoramento permanente nas Áreas de Proteção de Mananciais, além de realizar pelo menos cinco programas de conscientização e proteção de nascentes.

ARTIGO

Sabedoria natural
Por Eugênio Giovenardi, escritor e ecossociólogo

“Nos dias atuais, a colheita da água para uso da espécie humana não é feita na fonte cristalina. É do meio do rio que tiramos a água ou das represas. As formas de manter a boa qualidade da água que brota pura da nascente são variadas.

Mas, entre todas, por hábitos culturais da civilização moderna, confia-se na limpeza da água por processos químicos.

A ocupação da terra, seja pela expansão urbana, seja pela atividade produtiva, agrícola ou industrial, seja pelo tráfego intenso de automóveis, seja pelo lixo a céu aberto afeta a qualidade da água.

A inumerável variedade de dejetos líquidos e sólidos chega direta ou indiretamente aos córregos, rios e lagos.

As formas mais simples e menos onerosas para manter a qualidade da água foram ensinadas por gregos e romanos há milênios. Os aquedutos romanos colhiam as águas que jorravam das rochas para uso da população. Água limpa garante a saúde de todos.

O respeito à vegetação nativa, ao redor das nascentes e nos cursos d’água, pequenos ou grandes, é a forma natural de preservar a qualidade da água. A ênfase necessária que se está dando ao enquadramento dos cursos de água superficiais, da menos poluída à mais imprópria, revela, em diferentes regiões, o grau de ignorância e descuido do homo sapiens na forma de ocupação do solo e no uso inadequado das águas. Perdeu-se a sabedoria natural e instintiva de servir-se diretamente da fonte.

Uma das consequências é, necessariamente, o custo crescente das tecnologias usadas pelos órgãos públicos para manter a qualidade desejável da água oferecida gratuitamente pela natureza a todos os seres vivos. Pagamos caro o que poderíamos ter de graça.

Nossas torneiras, no DF, recebem quase 1 bilhão de litros de água tratada por dia e nos damos ao luxo de despejá-lo sujo nos córregos e nos lagos de onde a tiramos para beber, cozinhar e nos lavar.”

Homem é preso por sequestrar e matar menina de 6 anos no Paraná


Conhecido da família ele confessou o crime e foi transferido para outra prisão, porque populares invadiram o local para “fazer justiça”

Um homem de 30 anos foi preso na noite desta quarta-feira (27/9) por sequestrar e matar a menina Tabata Fabiana Crespilho da Rosa, de 6 anos, em Umuarama, no oeste do Paraná. Eduardo Leonildo da Silva confessou o crime, segundo a Polícia Civil do município. Ele é um conhecido da família da criança.

Tabata estava desaparecida desde a última terça-feira (26) quando foi deixada próximo à escola onde estudava pelo irmão de 13 anos, como acontecia todos os dias. Imagens de câmeras de segurança revelaram que ela foi abordada por Eduardo, que dirigia um veículo Gol, entrou no carro e foi levada por ele. Os detalhes sobre o crime ainda não foram divulgados pela polícia, mas o corpo da menina já foi localizado. Existe a suspeita de abuso sexual, não confirmada até o momento.

Moradores da cidade invadiram a delegacia para protestar após a prisão do homem. Alguns quebraram uma porta de vidro e depredaram carros no local. Por segurança, o preso foi transferido para outra unidade. Outros presos detidos na delegacia aproveitaram o protesto para dar início da uma rebelião. Os policiais ainda trabalhavam para tentar controlar a situação na manhã desta quinta.
Site: www.metrópoles.com.br

Mutirão de vasectomia é realizado pelo HUB e pela Secretaria de Saúde

Objetivo é atender 50 pacientes até a sexta-feira (22/9). Beneficiados são moradores de Itapuã, Paranoá e São Sebastião que estão na fila de espera

compartilhar: Facebook Google+ Twitter
http://app2.correiobraziliense.com.br/access/noticia_127983242361/627773/63/eq.gif
postado em 21/09/2017 12:05 / atualizado em 21/09/2017 12:30
Correio Braziliense
Carlos Moura/CB/D.A Press

Para reduzir a espera pela vasectomia, procedimento cirúrgico de esterilização masculina, o Hospital Universitário de Brasília (HUB) e a Secretaria de Saúde do Distrito Federal se uniram para, até sexta-feira (22/9), realizar o procedimento em 50 pacientes da Região Leste de Saúde: Itapuã, Paranoá e São Sebastião. A fila de espera, atualmente, conta com 147 homens.

O paciente atendido no mutirão sai do hospital com o espermograma agendado para daqui a dois meses. O exame, realizado no HUB, confirma o resultado da vasectomia. Além disso, ele recebe todas as orientações para agendar o retorno com um urologista, que passará a acompanhá-lo periodicamente ou o encaminhará ao Programa Saúde da Família, na própria Região Leste.

20 profissionais

O HUB organizou toda a estrutura necessária para atender à demanda. São três salas de cirurgia ambulatorial disponíveis e pelo menos 20 profissionais envolvidos, entre técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos do HUB e do Hospital da Região Leste (HRL), estudantes de graduação e médicos residentes.O projeto visa a organizar um fluxo de atendimento que permita ao paciente ter suas necessidades atendidas em qualquer nível de complexidade assistencial, o que pressupõe um trabalho de regulação interna e de regulação entre as instituições.

O urologista e chefe da Unidade de Transplantes do HUB, Rômulo Maroccolo, explica que a intervenção é simples e rápida, ao contrário da laqueadura, procedimento de esterilização da mulher que exige mais tempo de recuperação e está sujeito a mais riscos. Com anestesia local, a vasectomia é realizada em aproximadamente 30 minutos, e o paciente tem alta em seguida.

Com informações Hospital Universitário de Brasília (HUB)

DESAFIOS DA EDUCAÇÃO

Esse debate se propõem a fazer uma reflexão sobre os Desafios da Educação, com foco na Educação Básica, profissionalizante e no processo de formação dos gestores.

Palestrantes.

– Professor Mozart Neves – Foi Reitor da Universidade Federal de Pernambuco , Presidente Executivo do Movimento “Todos pela Educação” e atualmente é diretor de articulação e inovação do Instituto Ayrton Senna. Atua na área de Políticas Públicas para a Educação.

Helena Neiva – representante da Conspiração Mineira pela Educação.
Moderador: Jornalista Estevão Damázio.
Data: 14 de setembro às 20 horas.
Local: Auditório da Câmara Legislativa do DF.
Obs: O acesso à garagem será liberado

Vencimento de vacinas contra HPV faz Ministério da Saúde ampliar campanha

19/03/2015. Crédito: Gabriel Jabur/Agência Brasília. Brasil. Brasília – DF. A campanha para a vacinação contra o HPV começou no último dia 3 de março mas até o momento, poucas crianças foram imunizadas.

O Ministério da Saúde ampliou o prazo de vacinação contra o papiloma vírus humano (HPV), para homens e mulheres entre 15 e 26 anos. Agora, quem quiser se proteger do vírus tem até março de 2018. Inicialmente, o período acabaria este mês, mas alguns estoques venceriam no terceiro mês do ano que vem. O governo federal alterou o calendário para evitar o desperdício de doses com vencimento para o primeiro trimestre do próximo ano. Contudo, o DF não prorrogou o imunização.

Segundo a Secretaria de Saúde, a capital não tem vacinas com vencimento em 2018. “Todo o estoque tem vencimento em 2019. Por esse motivo, o DF não ampliará a vacinação”, explicou em nota. Atualmente, o DF 26,2 mil doses disponíveis — sendo 8,1 mil doses no estoque, 6 mil nos postos de saúde e mais 12,1 mil enviadas pelo Ministério da Saúde. O governo federal repassa mensalmente as vacinas aos estados, que são responsáveis por garantir a vacinação da população.

Leia mais notícias em Cidades

Com o fim dos estoques a vencer em março de 2018, a orientação do Ministério da Saúde é que a vacina continue sendo administrada apenas no público-alvo (9 a 15 anos). As pessoas de 15 a 26 anos que tomarem a primeira dose da vacina HPV neste período terão garantidas as doses subsequentes no SUS. Para essa faixa etária, o esquema vacinal é com três doses, com intervalo de zero, dois e seis meses.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, destacou, em nota, que a orientação é que as secretarias de Saúde utilizem as vacinas até que durem os estoques. “A recomendação é que os municípios utilizem as vacinas com prazos de validade a expirar, evitando um possível desperdício e dando a oportunidade para que essas outras faixas etárias possam usufruir dos benefícios proporcionados pela vacina”, ressaltou.

Vacina previne contra o câncer

Existem mais de 200 tipos de HPV, sendo que 150 foram cientificamente identificados e sequenciados geneticamente. Entre esses tipos, 14 apenas podem causar lesões precursoras de câncer, como o de colo de útero, garganta ou ânus. Os sintomas normalmente se manifestam após entre dois e oito meses da infecção, ele pode ficar encubado, ou seja, presente no organismo, mas sem se manifestar, por até 20 anos.

O principal sintoma do HPV é o surgimento de verrugas ou lesões na pele, normalmente uma manchinha branca ou acastanhada que coça. Muitas vezes, no entanto, a lesão pode não ser visível a olho nu, aparecendo em exames. “A vacina HPV Quadrivalente é segura, eficaz e é a principal forma de prevenção contra o aparecimento do câncer do colo de útero, quarta maior causa de morte entre as mulheres no Brasil. Nos homens protege contra os cânceres de pênis, orofaringe e ânus. Além disso, previne mais de 98% das verrugas genitais, doença estigmatizante e de difícil tratamento”, ressalta o Ministério da Saúde.

18 milhões

Total de dose aplicadas na população feminina desde o início da vacinação, em 2014, até junho deste ano

7,1 milhões

Quantidade de meninas que receberam o esquema vacinal completo (duas doses) o que corresponde a 59,7% do público-alvo

853 mil

Total de meninos, de janeiro a junho deste ano, que se vacinaram com a primeira dose da vacina de HPV, o que corresponde a 23,6% do público-alvo

3,6 milhões

Quantidade de meninos entre 11 e 13 anos que devem se imunizar

Projetos fotográficos devolvem autoestima a mulheres fora do padrão

Postado em 03/09/2017 07:00
Rebeca Oliveira /

Crédito: Andreza Pinheiro/Divulgacao.
Amanda Carvalho posa para o projeto Entre tantos amores, o próprio.

A fotografia tem sido importante aliada nesse processo de quebra de padrões
Andreza Pinheiro/DivulgaçãoAmanda Carvalho, uma das personagens que posou e compartilhou memórias com a paulista Andreza Pinheiro

Em tempos de empoderamento feminino, são muitas as mulheres que se sentem mais livres com a própria imagem, e encontram nas redes sociais uma plataforma para gritar essa autoaceitação. Arte do olhar, a fotografia tem sido importante aliada nesse processo de quebra de padrões. Apesar da pressão social continuar afligindo uma grande parcela da população (o Brasil lidera o ranking de países em cirurgias plásticas femininas), pipocam nas redes sociais projetos em que fotos e relatos biográficos entregam diversidade. O corpo é memória e, como tal, pede por respeito.

“Temos novas oportunidades de alcançar mais pessoas. Precisamos desconstruir a ideia de ‘padrões de beleza’. Cada indivíduo é único e essa diversidade precisa ser celebrada”, defende Andreza Pinheiro, criadora do Entre tantos amores, o próprio.
As imagens são disponibilizadas em uma página do Facebook criada em 8 de março, quando se comemorou o Dia Internacional da Mulher.

“Vivemos um processo de reestruturação do que é ser mulher na nossa sociedade. Não só os padrões de beleza, mas os padrões de comportamento e posicionamento político das mulheres vêm se alterando como nunca vimos antes. Acredito que, diferentemente do movimento feminista do século passado, a primavera feminina no século 21 reposiciona a mulher em todos os aspectos possíveis de uma vez só”, defende Nathália Oliveira, idealizadora da página Mulheres Poderosas, no ar na mesma rede social. Na próxima terça, será publicado o relato da primeira mulher trans entrevistada pelo projeto. Valéria Houston, a cantora escolhida, vem ganhando cada vez mais visibilidade no mercado, na “cola” de pares como a drag queen Pabllo Vittar.

Paulista, a fotógrafa Andreza Pinheiro sempre trabalhou com ensaios femininos convencionais. Até que, no início desse ano, uma inquietação a fez voltar as lentes para outros corpos. Sem padrões e estereótipos, a profissional queria construir uma narrativa em que imagens e memórias revelassem o que há por trás de diferentes personalidades femininas. Uma delas foi Amanda Carvalho, que teve 57% do corpo queimado com gasolina ao tentar salvar a mãe de um ataque furioso do próprio pai. Ambos morreram após a tragédia. “Se antes eu tinha vergonha das minhas cicatrizes, hoje eu tenho o maior orgulho e as amo. Elas fazem parte de mim, parte da minha história, de quem me tornei. Sou mais forte em tê-las. São como um escudo. Corpo bonito é aquele tem uma pessoa feliz dentro dele, e sou extremamente feliz assim: com cada cicatriz”, escreveu a modelo em um dos relatos mais impactantes do projeto.

Mulheres poderosas

De nome autoexplicativo, o Mulheres Poderosas é uma parceria das cariocas Nathália Oliveira e Renata Spinellio. A primeira delas teve o insight criativo em 2016, quando fez a primeira viagem sozinha e acompanhou, pela web, a repercussão do assassinato da argentina Lucía Pérez, em Mar Del Plata. “A mobilização de mulheres que surgiu a partir desse episódio tenebroso me motivou a também me mobilizar para lutar pelo fim da violência contra as mulheres. Toda campanha que existe sobre o assunto tem como imagem a mulher machucada, fragilizada, e entendi que esse não é o melhor caminho. O melhor caminho para o fim da violência contra a mulher é a valorização da vida de cada uma de nós, e tento fazer isso ao contar as histórias e publicar as fotos do projeto”, explica.

Crédito: Weudson Ribeiro/Divulgacao. Imagens do projeto Superafro, de Weudson Ribeiro.

Weudson Ribeiro/DivulgaçãoSuperafro, uma investigação informal da presença afro na mídia

Superafro

Brasiliense, o fotógrafo Weudson Ribeiro notou a ausência de mulheres com cabelo natural na moda e na publicidade – sobretudo no Brasil, país em que, segundo o IBGE, pretos e pardos integravam a maioria (53,6%) da população. Para sanar a lacuna, passou a publicar fotos desde 2015 no blog akaschwarz.tumblr.com, após uma conversa com a etnóloga norte-americana Yaba Blay. “Começou como uma investigação informal: eu fui às ruas para abordar essa questão e ouvir delas uma opinião sobre a falta de representatividade afro na mídia”, conta. “Se a consciência negra havia crescido tanto, porque os comunicadores em geral não estavam prestando atenção nisso?”, perguntou-se. Weudson planeja uma exposição de Superafro, ainda sem data definida.

Crédito: Daniel Regan/Divulgação.
Imagens do projeto Alopecia, do fotógrafo britânico Daniel Regan.Daniel Regan/DivulgaçãoProjeto Alopecia, do britânico Daniel Regan

Alopecia

O projeto criado pelo fotógrafo britânico Daniel Regan retrata mulheres com alopecia, doença que desacelera a produção de pelos na cabeça e em outras partes do corpo. Ela é desencadeada por questões genéticas ou emocionais, como situações de estresse. Em entrevista a portais internacionais, ele contou que os ensaios tem um papel importante na autoaceitação. “É um testemunho de como a fotografia pode ser poderosa, e se for usada corretamente, pode ter impactos terapêuticos importantes”, revelou ao Huffpost UK. As fotos estão disponíveis no site danielregan.com/alopecia.

Parasito conhecido por causar malária em macacos também pode infectar humanos

31/08/2017 – Instituto Oswaldo Cruz
Análise de amostras de pacientes que contraíram a doença em área de Mata Atlântica no estado do Rio de Janeiro, em 2015 e 2016, revela nova forma de infecção
Maíra Menezes e Vinicius Ferreira

Imagens de microscopia óptica, realizadas pelo Laboratório de Patologia do IOC, a partir de diagnóstico do Laboratório de Parasitologia do INI, evidenciam a infecção por Plasmodium simium em amostras de sangue humano.

A partir da análise de casos de malária registrados em região de Mata Atlântica, no estado do Rio de Janeiro, entre 2015 e 2016, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em parceria com cientistas de instituições nacionais e internacionais, demonstraram que um parasito até então conhecido por sua capacidade de infectar macacos é capaz de causar infecção em humanos, o que corresponde a uma zoonose.

Técnica de análise de material genético desenvolvida especialmente para o estudo constatou 28 infecções causadas pelo Plasmodium simium. Publicado na revista científica ‘The Lancet Global Health’, o trabalho traz uma contribuição fundamental, já que esta é a descrição do segundo foco no mundo com transmissão de malária zoonótica, além da transmissão de P. knowlesi de macacos a humanos constatada na Malásia na Ásia. A evidência pode corresponder à descrição de um sexto tipo de malária humana.

“Estamos diante de uma descoberta de relevante impacto para a saúde pública, por representar uma nova forma de infecção. No entanto, do ponto de vista da vigilância epidemiológica, os casos de malária que detectamos representam uma parcela mínima dos registros da doença no país. Além disso, todos os pacientes diagnosticados com a infecção apresentaram apenas sintomas leves e se recuperaram rapidamente após o tratamento”, afirma um dos coordenadores do estudo, Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, chefe do Laboratório de Pesquisa em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coordenador do Centro de Pesquisa, Diagnóstico e Treinamento em Malária da Fiocruz (CPD-Mal), centro de referência para diagnóstico da malária na Extra-Amazônia.

Sinal de alerta
A maior prevalência dos casos de malária no país está na região amazônica, com índice que supera os 99% de todo o registro nacional. Contudo, a crescente constatação de infecções em áreas de Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro – região cujos casos de malária em humanos foram considerados eliminados há cerca de 50 anos – despertou a atenção dos especialistas.
Enquanto de 2006 a 2014 o estado do Rio registrava uma média de quatro casos autóctones (locais) de malária por ano, em 2015 e 2016, esse índice subiu para 33 e 16, respectivamente.

Como serviço clínico integrante do Centro de Referência para Tratamento e Diagnóstico da Malária (CPD-Mal/Fiocruz), o Ambulatório de Doenças Febris Agudas do INI atendeu 25 dos 33 casos ocorridos no Rio, em 2015, e 14 dos 16, em 2016, totalizando 39 (80%) dos 49 casos reportados no estado.
“Os pacientes apresentavam sintomas um pouco diferentes da malária causada por Plasmodium vivax, usualmente vista na Amazônia, que responde por cerca de 90% das infecções em humanos no país. Os indivíduos reportavam quadro febril prolongado, sendo constante nos primeiros dias e intermitente nos demais. Além disso, a grande maioria tinha histórico de viagem a regiões de Mata Atlântica do Rio, seja por trabalho ou lazer”, explica a médica Patrícia Brasil, chefe do Laboratório de Doenças Febris Agudas do INI.

Investigação minuciosa e complexa
Em quase todos os casos analisados durante as investigações, o diagnóstico inicial – realizado a partir de uma minuciosa e especializada observação ao microscópio dos parasitos presentes no sangue dos pacientes e dos macacos capturados – apontava pequenas diferenças morfológicas entre o parasito encontrado e o P. vivax que comumente infecta indivíduos na região amazônica.

As análises indicavam uma maior semelhança entre os parasitos fluminenses e descrições anteriores do P. simium na literatura científica.

Ainda que a análise microscópica fosse suficiente para determinar que os parasitos encontrados nas amostras eram do gênero Plasmodium, era necessário realizar laboratorialmente a confirmação da espécie. Para isso, foram aplicados testes de PCR convencional e em tempo real. Os primeiros testes realizados reconheceram no material o parasito P. vivax, mas se revelaram posteriormente incapazes de distinguir P. vivax do P. simium.

Coube ao Grupo de Biologia Molecular e Imunologia da Malária da Fiocruz-Minas, juntamente com o grupo do IOC, realizar o diagnóstico dos casos em primatas não humanos. Para alcançar um diagnóstico mais preciso, amostras de 33 pacientes foram submetidas ao sequenciamento do genoma mitocondrial do parasita – DNA encontrado em organelas celulares chamadas de mitocôndrias. Em três foi realizado o sequenciamento completo e em 30, o parcial.

O passo seguinte foi comparar os resultados com 794 sequências de genoma mitocondrial de P. vivax e três sequências de P. simium depositados no banco de genomas internacional Genbank.

Nessa etapa, realizada em parceria com a UFRJ, o Instituto de Medicina Tropical do Japão e a Universidade Nova de Lisboa, foram identificadas diferenças entre os genomas do P. vivax e do P. simium que poderiam servir como alvo para o diagnóstico diferencial entre esses dois parasitos, usando técnicas moleculares.
“Por meio da comparação das amostras de primatas não humanos e humanos infectados na Mata Atlântica com as sequências de genomas mitocondriais de Plasmodium vivax de diferentes regiões do mundo, conseguimos identificar dois biomarcadores, garantindo se tratar do P. simium, o que significa que nesta região a doença se comporta como uma zoonose”, explica a pesquisadora da Fiocruz-Minas Cristiana Brito.

As análises baseadas nessa nova abordagem revelaram sequências genéticas idênticas para P. simium em 28 das 33 amostras. Amostras de P. simium de três macacos coletados da Mata Atlântica do Rio de Janeiro, um em 2013 e dois em 2016, e uma obtida de um macaco de São Paulo nos anos 1960, também foram analisadas.

Confirmação de uma hipótese
A possibilidade de infecção humana pelo P. simium foi evocada há quase 50 anos por Leônidas Deane, um dos maiores parasitologistas que o país já teve. Entretanto, sem as ferramentas moleculares para distinguir entre esse parasito e o P. vivax não era possível afirmar que os casos registrados no Rio de Janeiro eram resultado desse tipo de infecção.

“A descrição do P. simium foi feita em 1951 nas ‘Memórias do Instituto Oswaldo Cruz’ por Flavio da Fonseca, que identificou o parasito em um macaco de São Paulo. Na década de 1960, Leônidas Deane documentou o único caso suspeito de infecção humana por P. simium publicado anteriormente na literatura científica: um profissional que atuava na captura de mosquitos vetores da malária de macacos no Horto Florestal da Cantareira, em São Paulo, e contraiu a doença. A análise das características morfológicas do parasito aliada ao fato de não haver transmissão de malária humana na região apontavam para a hipótese”, explica Ricardo Lourenço, que foi discípulo de Deane e coordenador das capturas de mosquitos e macacos examinados no estudo.

Risco de disseminação
Os pesquisadores ponderam que, com os conhecimentos disponíveis hoje, não é possível determinar se o parasito adquiriu a capacidade de infecção de seres humanos recentemente ou se a malária zoonótica já infectava seres humanos no local antes da eliminação da doença na região.
Segundo eles, para dimensionar a ameaça apresentada pelo P. simium será necessário aprofundar os estudos, com a análise de mais amostras de humanos, primatas e mosquitos para determinar a área de circulação do parasito. Também será preciso investigar se a transmissão do P. simium ocorre apenas a partir dos macacos ou se as pessoas doentes podem apresentar quantidade suficiente de parasitos no sangue que mosquitos sejam infectados durante a picada.
“A partir da técnica de análise de material genético desenvolvida especialmente para o estudo, foi possível aprimorar o teste de PCR para detectar com precisão uma possível infecção por P. vivax ou P. simium. Vamos submeter outras amostras a este processo para verificar qual parasito tem provocado infecções no Rio e em outros estados cobertos por Mata Atlântica”, adianta Cláudio Ribeiro.
A combinação de técnicas parasitológicas e moleculares e de investigação em campo com buscas por animais e mosquitos infectados é fundamental para elucidar a origem dos casos de malária diagnosticados no Rio de Janeiro.

Os aspectos clínicos da malária causada pelo P. simium também devem ser alvo de pesquisas. Segundo os cientistas, a avaliação destes casos, até o presente momento, sugere que o P. simium não seria capaz de formar hipnozoítos, formas latentes que não são eliminadas pelos medicamentos e permanecem ‘adormecidas’ no fígado por meses ou anos, podendo levar à reativação do agravo posteriormente.
Para confirmar essa percepção, deve haver acompanhamento dos pacientes por mais tempo, bem como a realização de outros estudos em primatas não-humanos, que já se iniciaram.

Nas áreas onde a doença já foi identificada e quando houver a necessidade de adentrar em regiões de Mata Atlântica, os pesquisadores recomendam medidas de proteção individual, como o uso de repelentes e roupas que cubram a maior área do corpo, além da colocação de telas nas janelas e de mosquiteiros sobre as camas, com o objetivo de prevenir picadas durante a noite.
Além disso, os especialistas ressaltam que os profissionais de saúde precisam estar atentos para realizar o diagnóstico dos casos mesmo nas áreas que não são endêmicas para a doença e oferecer o tratamento adequado aos pacientes.
“A malária da Mata Atlântica costuma ter poucos sintomas e raramente é motivo de internação hospitalar. Os médicos devem ficar atentos à presença de síndrome febril e à história de deslocamento às localidades onde os casos foram registrados. Diante da falta de especificidade do quadro clínico, a história de deslocamento é o aspecto que deve orientar a investigação diagnóstica”, enfatiza Patrícia Brasil.

Malária no Brasil
Até a descoberta liderada pela Fiocruz, a doença podia ser causada no Brasil por três espécies de parasitos do gênero Plasmodium: P. vivax, P. falciparum e P. malariae. “A partir dos dados trazidos por esse estudo, é razoável supor que uma nova modalidade de transmissão, envolvendo macacos, mosquitos prevalentes na região e um parasito diferente do P. vivax encontrado na Amazônia está causando os casos nas regiões da Mata Atlântica do Rio de Janeiro e, possivelmente, em outros estados”, Cláudio sugere.
Em 2015, o Brasil registrou 143 mil notificações da doença. Independentemente da espécie de parasito, a malária é transmitida pela picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles. O principal sintoma é a febre. Além disso, os pacientes podem apresentar episódios de calafrios, dor de cabeça, dor no corpo e artralgia – dor nas articulações.
O tratamento é feito com medicamentos antimaláricos que variam conforme a espécie de Plasmodium causadora da infecção.
Site: www.fiocruz.br/ioc/