Como a doença de um presidente americano ajudou a criar a vacina contra a paralisia infantil

Como a doença de um presidente americano ajudou a criar a vacina contra a paralisia infantil

A poliomielite existe há séculos, mas foi só depois da doença de Franklin D. Roosevelt que os EUA se mobilizaram para tentar erradicá-la.

“Uma notícia alegre para alguém de idade como eu. Estou quase totalmente ‘fora de serviço’ no que diz respeito às minhas pernas, mas os médicos dizem que não há dúvidas de que recuperarei seu uso, ainda que isto signifique vários meses de tratamento em Nova York”.

Roosevelt era um símbolo de saúde e vitalidade antes de contrair a doença, e seu caso foi fundamental para chamar a atenção para o tema
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com

Franklin Delano Roosevelt tinha 39 anos quando escreveu esse parágrafo em uma carta.

Vindo de uma família privilegiada, tinha sido subsecretário da Marinha dos EUA e já havia concorrido à vice-presidência da República nas eleições de 1920, pelo Partido Democrata, ao lado do candidato presidencial James Cox.

Era um homem que estava no centro da vida pública americana e tinha um estado de saúde invejável.

Mas, em uma tarde de agosto de 1921, seus filhos o desafiaram para uma disputa de natação e, na manhã seguinte, ele se deu conta de que não conseguia mover direito a perna esquerda.

Naquela noite, Roosevelt teve febre e dores terríveis nas pernas e nas costas. No fim da semana, o político tinha perdido toda a sensibilidade da cintura para baixo.

Depois de se consultar com médicos locais, sua família decidiu procurar um professor da Universidade de Harvard, Roberto Lovett, autor de um livro sobre o tratamento da poliomielite, também conhecida como paralisia infantil.

Lovett confirmou o diagnóstico de pólio e disse ao futuro presidente dos EUA que, apesar de não ser um caso grave, não havia como garantir que ele poderia voltar a andar.

Roosevelt baseou seu tratamento na natação – e criou um centro de tratamento na Geórgia, que continua em funcionamento
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Roosevelt encarou a situação de maneira otimista e fez tudo o que estava a seu alcance para recobrar o uso das pernas.

Em 1922, ele brincou com um amigo a respeito do espartilho que estava usando por recomendação médica.

“Quando me sento, (o espartilho) me quebra em dois. Nunca me senti tão feliz por não pertencer ao sexo oposto”, escreveu ele.

Mas, apesar de todos os exercícios que eram indicados pelos médicos, com o tempo ficou claro que Roosevelt passaria o restante da vida em uma cadeira de rodas.

Muitos historiadores destacam a enfermidade de Roosevelt como um importante ponto de inflexão em sua vida como político – arrogante antes de contrair a doença, ele passou a demonstrar uma personalidade humilde.

Mas esse episódio também é considerado crucial para mudar a atitude dos americanos em relação às doenças e à saúde pública – e especialmente em relação à pólio. Os EUA acabaram desenvolvendo uma vacina para a doença depois que o tema entrou na agenda política nacional.

Milhares de crianças dos EUA foram vitimadas pela pólio nos séculos 19 e 20
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Atenção redobrada

Apesar de ser uma doença antiga, a pólio não chamava a atenção da comunidade médica até o século 19, quando a medicina começou a se dividir em especialidades.

Foi na segunda metade daquele século que começaram a surgir hospitais e clínicas dedicados a áreas como a ortopedia, a neurologia e a pediatria.

Nesse novo contexto, as vítimas da pólio passaram a chamar a atenção dos médicos – especialmente os casos de paralisia infantil que afetavam crianças menores de 6 anos de idade, e principalmente quando os afetados eram meninos.

Muitos deles começavam a demonstrar os sintomas de forma repentina: iam dormir com a saúde perfeita, começavam a ter febre e de manhã acordavam sem conseguir sentir as pernas.

Na maioria dos casos, a paralisia era irreversível e a criança nunca mais voltava a caminhar.

O mal foi categorizado como um problema neurológico, que afetava os nervos da espinha dorsal. E a paralisia infantil – que também era chamada de “paralisia matinal” – ganhou um nome oficial: poliomielite.

A palavra, de origem grega, significa inflamação da matéria cinzenta (pólio) da medula espinhal. Na mesma época, a imprensa americana apelidou a doença simplesmente de “pólio”.

Pioneira nas pesquisas

No século 19, a maior especialista dos EUA em pólio foi uma mulher: Mary Putnam. Ela foi também a primeira pessoa do sexo feminino a se graduar em medicina em Paris, no ano de 1871.

Na França, Putnam se especializou em neurologia. Logo depois da graduação, ela se casou em 1873 com outro médico, Abraham Jacobi, que se tornou o primeiro professor do mundo em pediatria.

Foi combinando os conhecimentos de sua área de estudo e a do marido que Putnam se tornou a principal referência na doença.

A médica percebeu que a paralisia era incurável porque destruía as células nervosas que controlavam os músculos.

Em 1907, houve uma grande epidemia de pólio em Nova York, que logo se alastrou pelo resto do país e chegou ao Canadá.

Desde então, os casos de paralisia infantil nos EUA passaram a ocorrer aos milhares, todos os anos, causando pânico na população.

Cidades inteiras eram postas em quarentena a cada vez que um novo caso aparecia, com a polícia vigiando as ruas para garantir o toque de recolher.

Havia uma ironia nisso: geralmente, acredita-se que países com níveis sanitários piores estejam mais expostos a enfermidades virais como a pólio. Mas, neste caso, a suposta higiene dos EUA – país que se considerava o “mais asseado do mundo” – teve o efeito contrário.

Em países mais “sujos”, as crianças costumavam infectar-se ainda muito pequenas, obtendo assim imunidade para o resto da vida – o que derrubava o número de casos de pólio com consequências graves. Ao contrário, nos países mais ricos e “asseados”, a população era mais vulnerável quando o vírus aparecia.

Roosevelt promoveu a pesquisa contra a pólio, mas nunca se deixou fotografar em sua cadeira de rodas
Foto: Getty Images / BBCBrasil.com

O líder e a doença

Depois de assumir a presidência dos EUA, em 1933, Roosevelt criou uma comissão para pesquisar a paralisia infantil – uma das primeiras atividades do comitê foi organizar um famoso baile para levantar fundos.

O primeiro evento usou o slogan “dance para que outros possam caminhar” e arrecadou mais de US$ 700 mil – uma fortuna considerável para a época.

Em 1938, a comissão se transformou na Fundação Nacional para a Paralisia Infantil (NFIP, na sigla em inglês), cujas campanhas de conscientização descreviam a pólio como a ameaça número um à saúde pública.

A NFIP recebeu doações enormes e financiou muitas pesquisas sobre a possibilidade do desenvolvimento de uma vacina contra a pólio.

Mas a ideia de infectar crianças com um vírus tão perigoso era muito controvertida – e demorou trinta anos para que uma solução fosse encontrada.

Depois da Segunda Guerra Mundial, os especialistas discutiam se a melhor opção era usar cepas mortas ou ainda vivas, mas atenuadas.

O virologista de origem polonesa Albert Sabin acreditava que usar cepas mortas do vírus não faria com que os pacientes criassem os anticorpos capazes de protegê-los definitivamente.

Os testes em animais – principalmente macacos – haviam mostrado que a vacina com o vírus vivo funcionava, mas testar o método com humanos – em particular, crianças – ainda era um problema.

Jonas Salk, criador da primeira vacina contra a pólio. Hoje, a maior parte do mundo usa a vacina de via oral criada por Albert SabinFoto: Getty Images / BBCBrasil.com

‘O maior experimento do mundo’

Em 1952, os EUA sofreram com o pior surto de pólio de sua história, e a NFIP ficou sob imensa pressão para produzir logo a vacina.

No mesmo ano, o médico Jonas Salk concluiu os estudos para uma vacina à base de vírus mortos, com financiamento da NFIP, e quis testá-la com crianças.

Decidiu-se – depois de muita polêmica – testar o material em crianças de um instituto psiquiátrico do Estado da Pensilvânia. Os testes foram bem-sucedidos.

O passo seguinte era fazer uma prova com um número maior de indivíduos. A NFIP, então, contatou centenas de milhares de famílias americanas atrás de voluntários.

Nada menos que 90% dos consultados deram autorização para que seus filhos se tornassem “pioneiros” da pesquisa.

O estudo ficou conhecido como “o maior experimento de saúde pública de todos os tempos” e envolveu 1,5 milhão de crianças.

Um ano depois, a Universidade de Michigan anunciou que os resultados do teste eram positivos e que a vacina era segura e eficaz contra a doença.

“Este é um dia maravilhoso para o mundo. Um dia no qual se fez história”, disse, na época, um porta-voz das autoridades de saúde dos EUA.

Numa entrevista à rede de TV americana CBS, Salk destacou que a vacina, na realidade, era uma realização coletiva.

Perguntaram-lhe a quem pertenceria a patente, e ele respondeu: “Não há patente. Pode-se patentear o Sol?”

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Casos de caxumba fazem universidade suspender aulas de engenharia civil

A turma do 9º semestre do curso foi autorizada a fazer as atividades remotamente. Pelo menos seis alunos apresentam sintomas da doença

É indicado que os frequentadores do campus verifiquem se as vacinas Tríplice Viral e Tetra Viral estão atualizadas(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)

Pelo menos quatro alunos do curso de engenharia civil do Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), campus Taguatinga, estão com caxumba e outros dois apresentaram os sintomas da doença. Por causa disso, as aulas do 9º semestre do curso foram suspensas nesta quinta-feira (26/4) pela instituição de ensino.

As primeiras informações, de que haveria muitos casos da doença na instituição, começaram a circular nas redes sociais esta semana. Porém na quarta-feira (25/4), quando questionada a respeito pelo Correio, o UniCEUB negou e as classificou como boato.

Em nota divulgada nesta quinta-feira (26/4), porém, o UniCEUB informou que acompanha o caso e, por precaução, os estudantes da turma do 9º período poderão fazer as atividades em casa. As aulas continuam normalmente para os demais alunos.

“A instituição também está em contato com as autoridades responsáveis por promover a proteção da saúde da população”, enfatizou. A diretoria indica que os estudantes, assim como os funcionários, apurem se as vacinas Tríplice Viral e Tetra Viral estão devidamente atualizadas.

A Secretaria de Saúde informou que não sabe sobre casos de caxumba e que a notificação da doença não é compulsória.

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Por quanto tempo dá para congelar cada alimento?

O congelamento é uma das formas mais comuns e seguras de conservar alimentos. De acordo com o engenheiro de alimentos Douglas Fernandes Barbin, professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), o congelamento mantém o produto em um estado mais próximo ao original, imobilizando a água presente nele e dificultando as reações microbiológicas. Assim, evitando o crescimento de microorganismos capazes de causar intoxicações.

Para congelar o alimento, no entanto, é necessário estar atento à temperatura – que deve ser de pelo menos –18ºC – e ao tempo que os produtos ficam no freezer. De acordo com a autoridade sanitária Mariana Uenojo, da Covisa (Coordenação de Vigilância em Saúde), esse tempo varia dependendo do tipo de alimento.

“O tempo interfere tanto na qualidade do produto quanto na textura e sabor e características microbiológicas, relacionadas à segurança para o consumo”.

O modo como o produto é congelado também influencia em seu tempo de conservação. O alimento deve ser manipulado em condições de higiene e ser submetido ao freezer rapidamente após o preparo, sempre em recipientes próprios de congelamento. Na lista abaixo, apresentamos a melhor forma de congelar os alimentos e quanto tempo, em média, cada um pode ser mantido no freezer.

Limite para congelar os alimentos

Arroz (3 meses)
O arroz deve ser congelado em pequenas porções que serão consumidas na hora, em recipientes de plástico com total vedação na tampa, próprios para o freezer. Para garantir a durabilidade, é importante congelar o alimento fresco, logo após o preparo. Por ser manipulado e temperado, dura poucos meses no freezer.

Carnes cozidas (2 a 3 meses)
Devem ser congeladas em embalagens de plástico – no caso dos bifes, o ideal é colocá-los separados em saquinhos plásticos com fechos de zíper.

Aves cozidas (4 meses)
As aves cozidas também devem ser armazenadas em recipientes de plástico com vedação completa, para evitar a entrada de bactérias. Por conter menos gordura do que as carnes vermelhas, esse alimento possui um tempo de conservação um pouco maior.

Carnes e aves cruas (até 12 meses)
Como os outros alimentos sólidos, podem ser conservadas em recipientes de plástico, específicos para congelamento de alimentos, ou nas próprias bandejas do mercado. É ideal que essas carnes sejam congeladas sem tempero, para garantir a sua qualidade.

Bacon, linguiça e presunto (1 a 2 meses)
Devem ser congelados em saquinhos plásticos bem vedados. Esses alimentos favorecem a proliferação de microorganismos, então não podem ficar no freezer por muito tempo. Entretanto, carnes processadas como hambúrguer sofrem adição de ingredientes antioxidantes que auxiliam a conservação.

Peixe magro (4 a 6 meses)
O peixe magro pode ser armazenado em potes de plástico com tampa e pode ser mantido no freezer por um período de quatro a seis meses.

Peixe gorduroso (2 meses)
Já os peixe gordurosos, como o salmão, duram menos tempo.

Massas prontas (3 meses)
No caso das massas, é recomendado congelar em embalagens de plástico e, se for congelar junto com o molho, o ideal é uma embalagem de vidro. O alimento pode durar até três meses no freezer e a durabilidade é comprometida caso possua recheio.

Molhos e sopas (2 a 3 meses)
Os molhos e sopas podem ser congelados em recipientes de vidro bem tampados, que são indicados para o armazenamento de líquidos em geral. O tempo de conservação no freezer é de dois a três meses, dependendo da quantidade de gordura do alimento.

Queijo (1 mês)
Os queijos frescos não devem ser congelados por conterem muito líquido. Os demais, embora sejam mais consistentes, têm uma durabilidade curta devido à facilidade de entrada de bactérias. Assim, esses alimentos devem ficar congelados por no máximo um mês.

Levantamento internacional indica que metade dos diabéticos do planeta não sabe que tem a doença

De acordo com levantamento, mais de 425 milhões de adultos no mundo têm a doença
· O Globo

· 5 Feb 2018

· ANA PAULA BLOWER apaula.blower@oglobo.com.br

Atualizado desde 2000, o Atlas do Diabetes vem apontando uma tendência alarmante sobre a doença no mundo. Segundo o último levantamento feito pela Federação Internacional de Diabetes (IDF, na sigla em inglês), relativo a 2017, mais de 425 milhões de adultos têm a doença no mundo, dez milhões a mais do que há dois anos. Ainda de acordo com a organização, uma a cada duas pessoas não sabe que é diabética.

O levantamento tem, ainda, dados com recorte por país e região geográfica. O Brasil aparece em quarto lugar na quantidade de pessoas com a doença: são 12,5 milhões com ou sem diagnóstico. Em relação ao público infantil, o país aparece em terceiro lugar, com 88.300 crianças e adolescentes portadores da enfermidade, atrás apenas de Índia e Estados Unidos.

Entre os motivos para o avanço da doença, apontam especialistas e organizações médicas, estão maus hábitos alimentares, estilo de vida sedentário ou com pouca atividade física, além de uma possível falha das campanhas de sensibilização do público de alto risco para desenvolver o diabetes.

— É um cenário que vem se perpetuando e piorando. O dado de que 50% das pessoas não sabem que têm a doença já vem se mantendo desde a última década, e não mudamos as estratégias para sensibilizar aqueles com fator de risco — ressalta Alexandre Hohl, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). — É um número gigantesco de pessoas que deveriam estar se cuidando e não estão.

O médico destaca que o Brasil oscila entre a quarta e a quinta posições nas últimas edições do Atlas e que, apesar de já ter um lugar nada desejado no pódio, os números da doença no país são subestimados e devem ser ainda maiores.

Apontar apenas as falhas não é o bastante. Para conseguir atingir de maneira positiva quem corre o risco de desenvolver a doença, como pessoas obesas, com sobrepeso e histórico familiar, é preciso detectar a melhor forma de chegar a elas. Por ser uma doença silenciosa, o desafio está em tocar quem não apresenta sintomas. É possível passar anos nesse estágio.

— A linguagem tem que mudar. Talvez tenhamos que recorrer a outras formas de comunicação, como as redes sociais, ou criar novas maneiras de impactar quem pode ter diabetes em qualquer idade, mas, principalmente, depois dos 40 anos — acredita Hohl.

O diabetes faz com que a glicose se deposite nos vasos sanguíneos antes mesmo de qualquer sintoma. Quando há manifestação clínica, a doença já está na fase avançada, sendo mais difícil de se controlar. O diagnóstico precoce é o ideal.

— O diabetes é uma doença de fácil detecção e, por isso, vale a pena fazer os exames periódicos. Além disso, pessoas diabéticas, com simples mudanças de hábitos, conseguem manter os níveis de glicose estabilizados e evitam que a doença evolua com rapidez — diz Helio Magarinos Torres Filho, patologista clínico, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica do Rio de Janeiro e diretor médico do Richet. BEBÊS SÃO AFETADOS NA GRAVIDEZ Segundo o levantamento da IDF, o número de pessoas que podem ter a doença aumentou em 34 milhões desde 2015. A supervisora de vendas Flavia de Abreu, de 33 anos, só descobriu que grande parte da família materna tinha a doença ao contar para a mãe que suas taxas de glicose tinham passado do limite durante a gestação do segundo filho.

A mudança teve que ser radical, ela diz. Quando o menino nasceu, em novembro de 2016, ela continuou acompanhando as taxas de glicose, que não diminuíram. Assustada com o que ouvia de seus familiares, buscou uma endocrinologista e começou a fazer uso de medicação e dieta regrada desde o final de 2017.

O Brasil aparece em quarto lugar na quantidade de pessoas com a doença: são 12,5 milhões com ou sem diagnóstico

— Na gestação, estava muito cansada, com sobrepeso, 29 quilos acima do meu ideal. Eu não era de comer legumes ou verduras. Tive que mudar da água para o vinho — conta Flavia, que garante não ter cometido nenhuma “derrapada” desde que iniciou o tratamento e repetirá os exames em abril para avaliar se as mudanças surtiram mesmo efeito.

Ainda de acordo com o Atlas, um em cada seis bebês nascidos foram afetados pela hiperglicemia na gravidez. O levantamento também mostra que um em cada 14 adultos, de 20 a 79 anos, tem intolerância à glicose diminuída.

Em relação à mortalidade, metade das quatro milhões de pessoas que morreram em decorrência de diabetes tinha idade superior a 60 anos.

Os dados do IDF também evidenciam que os custos relacionados à doença são muito altos: US$ 727 bilhões foram gastos com diabetes no mundo em 2017, o que corresponde a mais de R$ 2,3 trilhões. Deste total, o Brasil atingiu a quantia de R$ 77 milhões.​

Além de escassa, água no DF é cada vez mais impura, aponta análise

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Além de escassa, água no DF é cada vez mais impura, aponta análise

Os principais inimigos são a grilagem de terra e os loteamentos urbanos próximos a nascentes, córregos e reservatórios

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Crédito: Tony Winston/Agência Brasília. Reservatório de Santa Maria / Parque Nacional.ppostado em 29/09/2017 06:00 / atualizado em 29/09/2017 10:19
Pedro Grigori – Especial para o Correio
Tony Winston/Agência BrasíliaNo Parque Nacional de Brasília, captações do manancial de Santa Maria têm o melhor índice de qualidade do DF

Localizada no centro do Brasil, a água que deixa as nascentes brasilienses abastece algumas das principais bacias hidrográficas do país. O recurso, que surge cristalino ao deixar a fonte, perde a pureza ao seguir o curso d’água e, hoje, devido, principalmente, à ocupação desordenada, chega aos córregos com qualidade cada vez pior. No Distrito Federal, estudo da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb) analisou os 23 mananciais superficiais utilizados para abastecimento hídrico e identificou que a proximidade com áreas de parcelamento irregular do solo e com loteamentos urbanos resulta na queda no Índice de Qualidade da Água (IQA). O ribeirão do Engenho das Lajes, próximo ao Gama, faz parte da Bacia do Descoberto, e apresentou o pior número. Além do prejuízo ao meio ambiente, a poluição significa aumento no custo do tratamento.

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Nesta semana, com o fim da estiagem, a qualidade desses córregos tende a cair ainda mais. Isso ocorre porque o vento e a chuva carregam as mais diversas impurezas para os rios. Exemplo prático disso ocorreu em dezembro de 2009, quando o vazamento de um material tóxico utilizado na pavimentação de asfalto na BR-060 atingiu o ribeirão, interrompendo a captação por mais de três meses e causando falta de água na região.

A Caesb avalia a qualidade dos recursos e, por meio de um cálculo relacionado às variáveis pH, cor, turbidez, ferro total, nitrogênio amoniacal, carbono total, cloretos e coliformes totais, classifica o IQA de cada local. O índice varia entre 0 (totalmente imprópria) a 100 (ótima). Engenho das Lajes registrou 61. Nenhuma das 23 captações do DF foi avaliada como ótima (veja quadro).

16/03/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Captação irregular de água das nascentes do Rio Descoberto. Cano e caixa dágua

Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press
Caixas d’água e canos captam água diretamente de uma nascente na Área de Preservação (APP) do Descoberto.

Segundo o gerente de Gestão Ambiental Corporativa da Caesb, Vladimir Puntel, a ocupação urbana em áreas de bacias hidrográficas pode ser determinante para a queda na qualidade de um manancial. “Em Engenho das Lajes, há diversas propriedades agrícolas que contribuem, em função dos usos e atividades desenvolvidas, para que o IQA tenha valores tão baixos. Estradas vicinais sem o devido controle do escoamento de águas pluviais também contribuem significativamente para essa situação”, alerta.

O professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB) Sérgio Koide conta que uma das causas da poluição da água é o sedimento gerado pelas construções. “Quando você tem obras na cidade, você gera lixo e entulho, levados pelo vento ou pelas chuvas para os córregos. Ocorrem também muitos problemas com infiltrações de esgoto, o que faz aparecer coliformes fecais”, explica o especialista em recursos hídricos.

O professor ainda alerta sobre a qualidade final do recurso. “O tratamento feito hoje pela Caesb é considerado muito bom, um exemplo para outras unidades da Federação. Mas ter água bruta em pior qualidade, além de gerar mais custos, significa que, independentemente dos processos de tratamento, o resultado não será tão bom quanto o de um manancial preservado”, esclarece.

16/03/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Captação irregular de água das nascentes do Rio Descoberto. Cano e caixa dágua

Reservatórios

O Rio Descoberto também apresentou um número de alerta: 69,2. Em março, o Correio mostrou invasões de luxo erguidas em cima das nascentes que abastecem o principal reservatório do DF. Seis meses depois, as edificações continuam de pé. Santa Maria mostrou o cenário ideal. Localizado dentro do Parque Nacional de Brasília, o reservatório registrou o melhor índice: 82,3. A Caesb não tem cálculos que mostrem a diferença financeira entre tratar a água do Santa Maria comparada com a do Descoberto.

Sérgio Koide lembra que, na construção de Brasília, os engenheiros fizeram um estudo de captação de água, construíram o reservatório de Santa Maria e criaram um parque ao redor para proteger as nascentes. “Santa Maria é o quadro ideal. Algo impossível de acontecer no Descoberto, que, como o próprio nome diz, não é coberto. Na criação da capital, ele foi designado para a produção de hortifrútis e para abastecer as chácaras agrícolas da capital. Porém, com o crescimento urbano, começou a ser utilizado para abastecimento do DF, mas aí o parcelamento de terra havia dominado as margens da bacia”, lamenta.

O levantamento da Caesb não avaliou a qualidade da água das captações do Lago Paranoá e do Bananal, previstas para serem inauguradas no próximo mês. Segundo Ricardo Moreira, gerente do Laboratório Central da Caesb, os dados estarão no estudo do próximo ano. “O relatório permite a comparação entre diferentes mananciais, a avaliação de possíveis tendências ao longo do tempo e de possíveis alterações da qualidade da água decorrentes de contaminação ou de melhorias promovidas na bacia de drenagem, por exemplo”, detalha.

Tendo em vista os prejuízos financeiros e ambientais, a Caesb informou que realiza monitoramento permanente nas Áreas de Proteção de Mananciais, além de realizar pelo menos cinco programas de conscientização e proteção de nascentes.

ARTIGO

Sabedoria natural
Por Eugênio Giovenardi, escritor e ecossociólogo

“Nos dias atuais, a colheita da água para uso da espécie humana não é feita na fonte cristalina. É do meio do rio que tiramos a água ou das represas. As formas de manter a boa qualidade da água que brota pura da nascente são variadas.

Mas, entre todas, por hábitos culturais da civilização moderna, confia-se na limpeza da água por processos químicos.

A ocupação da terra, seja pela expansão urbana, seja pela atividade produtiva, agrícola ou industrial, seja pelo tráfego intenso de automóveis, seja pelo lixo a céu aberto afeta a qualidade da água.

A inumerável variedade de dejetos líquidos e sólidos chega direta ou indiretamente aos córregos, rios e lagos.

As formas mais simples e menos onerosas para manter a qualidade da água foram ensinadas por gregos e romanos há milênios. Os aquedutos romanos colhiam as águas que jorravam das rochas para uso da população. Água limpa garante a saúde de todos.

O respeito à vegetação nativa, ao redor das nascentes e nos cursos d’água, pequenos ou grandes, é a forma natural de preservar a qualidade da água. A ênfase necessária que se está dando ao enquadramento dos cursos de água superficiais, da menos poluída à mais imprópria, revela, em diferentes regiões, o grau de ignorância e descuido do homo sapiens na forma de ocupação do solo e no uso inadequado das águas. Perdeu-se a sabedoria natural e instintiva de servir-se diretamente da fonte.

Uma das consequências é, necessariamente, o custo crescente das tecnologias usadas pelos órgãos públicos para manter a qualidade desejável da água oferecida gratuitamente pela natureza a todos os seres vivos. Pagamos caro o que poderíamos ter de graça.

Nossas torneiras, no DF, recebem quase 1 bilhão de litros de água tratada por dia e nos damos ao luxo de despejá-lo sujo nos córregos e nos lagos de onde a tiramos para beber, cozinhar e nos lavar.”

Vencimento de vacinas contra HPV faz Ministério da Saúde ampliar campanha

19/03/2015. Crédito: Gabriel Jabur/Agência Brasília. Brasil. Brasília – DF. A campanha para a vacinação contra o HPV começou no último dia 3 de março mas até o momento, poucas crianças foram imunizadas.

O Ministério da Saúde ampliou o prazo de vacinação contra o papiloma vírus humano (HPV), para homens e mulheres entre 15 e 26 anos. Agora, quem quiser se proteger do vírus tem até março de 2018. Inicialmente, o período acabaria este mês, mas alguns estoques venceriam no terceiro mês do ano que vem. O governo federal alterou o calendário para evitar o desperdício de doses com vencimento para o primeiro trimestre do próximo ano. Contudo, o DF não prorrogou o imunização.

Segundo a Secretaria de Saúde, a capital não tem vacinas com vencimento em 2018. “Todo o estoque tem vencimento em 2019. Por esse motivo, o DF não ampliará a vacinação”, explicou em nota. Atualmente, o DF 26,2 mil doses disponíveis — sendo 8,1 mil doses no estoque, 6 mil nos postos de saúde e mais 12,1 mil enviadas pelo Ministério da Saúde. O governo federal repassa mensalmente as vacinas aos estados, que são responsáveis por garantir a vacinação da população.

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Com o fim dos estoques a vencer em março de 2018, a orientação do Ministério da Saúde é que a vacina continue sendo administrada apenas no público-alvo (9 a 15 anos). As pessoas de 15 a 26 anos que tomarem a primeira dose da vacina HPV neste período terão garantidas as doses subsequentes no SUS. Para essa faixa etária, o esquema vacinal é com três doses, com intervalo de zero, dois e seis meses.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, destacou, em nota, que a orientação é que as secretarias de Saúde utilizem as vacinas até que durem os estoques. “A recomendação é que os municípios utilizem as vacinas com prazos de validade a expirar, evitando um possível desperdício e dando a oportunidade para que essas outras faixas etárias possam usufruir dos benefícios proporcionados pela vacina”, ressaltou.

Vacina previne contra o câncer

Existem mais de 200 tipos de HPV, sendo que 150 foram cientificamente identificados e sequenciados geneticamente. Entre esses tipos, 14 apenas podem causar lesões precursoras de câncer, como o de colo de útero, garganta ou ânus. Os sintomas normalmente se manifestam após entre dois e oito meses da infecção, ele pode ficar encubado, ou seja, presente no organismo, mas sem se manifestar, por até 20 anos.

O principal sintoma do HPV é o surgimento de verrugas ou lesões na pele, normalmente uma manchinha branca ou acastanhada que coça. Muitas vezes, no entanto, a lesão pode não ser visível a olho nu, aparecendo em exames. “A vacina HPV Quadrivalente é segura, eficaz e é a principal forma de prevenção contra o aparecimento do câncer do colo de útero, quarta maior causa de morte entre as mulheres no Brasil. Nos homens protege contra os cânceres de pênis, orofaringe e ânus. Além disso, previne mais de 98% das verrugas genitais, doença estigmatizante e de difícil tratamento”, ressalta o Ministério da Saúde.

18 milhões

Total de dose aplicadas na população feminina desde o início da vacinação, em 2014, até junho deste ano

7,1 milhões

Quantidade de meninas que receberam o esquema vacinal completo (duas doses) o que corresponde a 59,7% do público-alvo

853 mil

Total de meninos, de janeiro a junho deste ano, que se vacinaram com a primeira dose da vacina de HPV, o que corresponde a 23,6% do público-alvo

3,6 milhões

Quantidade de meninos entre 11 e 13 anos que devem se imunizar

Menino de 4 anos com leucemia precisa de doação de sangue no DF

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Artur Machado Correa, de apenas 4 anos, diagnosticado com leucemia em julho, precisa de ajuda. O menino, que mora com a família no Jardim Botânico, está internado desde o último dia 8 e necessita de doações de sangue urgentemente.

De acordo com o pai dele, o empresário Vinicius Correa, 34, o diagnóstico da doença foi constatado após Artur cair de um banco e torcer o tornozelo. “Procuramos a emergência do hospital e iniciamos o tratamento. Retornamos várias vezes para acompanhamento do trauma e, após um exame de sangue, recebemos a notícia”, explicou.

“Iniciamos uma campanha para buscar ajuda. Peço como pai. Precisamos de doação de sangue para repor o banco do Hemocentro São Lucas. Qualquer tipo é bem-vindo. O sangue dele é O positivo (O+)”, disse Vinicius.
Parentes e amigos da família também buscam doadores pelas redes sociais. “A campanha está em grupos de WhatsApp, Facebook e outras mídias sociais”, disse o pai de Artur.

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Ameaça ao coração

· 11 mai 2017
· O Globo
· PAULA FERREIRA paula.ferreira@infoglobo.com.br RENATO GRANDELLE renato.grandelle@oglobo.com.br
Ameaça ao coração
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Consumo de analgésicos pode aumentar em até 58% o risco de ataque cardíaco

O uso de analgésicos conhecidos como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como o ibuprofeno, pode aumentar o risco de ataques cardíacos entre 24% e 58% — principalmente no primeiro mês de uso contínuo, segundo uma pesquisa divulgada ontem no periódico “British Medical Journal”.
image001 (2)W3yA%3d%3dROBERTO MOREYRASem controle. Remédios para a dor têm propaganda irrestrita e são vendidos sem receita médica, o que estimula seu uso, segundo especialistas
A equipe de pesquisadores liderada pela epidemiologista Michèle Bally, do Hospital da Universidade de Montreal, no Canadá, revisou estudos realizados com 446.763 pessoas com idade entre 40 e 79 anos em países como Canadá, Finlândia e Reino Unido. Deste grupo, 61.460 indivíduos tiveram ataques cardíacos, tendo sido observados apenas pacientes que receberam prescrição médica, e não aqueles que adquiriram o remédio por conta própria. Os cientistas destacam que outras causas, além do uso de medicamento, podem estar envolvidas nas doenças cardiovasculares.

Pesquisas anteriores já tinham relacionado o consumo de analgésicos a problemas ou sobrecarga no coração, mas este novo estudo mede o risco das doses e o tempo de tratamento, além de classificar os efeitos de cada remédio.

PERIGO MAIOR COM DOSES ALTAS “Considerando que o risco de infarto agudo do miocárdio é identificado já na primeira semana de uso e parece maior no primeiro mês de tratamento com doses mais elevadas, os prescritores devem considerar a ponderação dos riscos e benefícios dos anti-inflamatórios antes de instituírem o tratamento”, afirmaram os pesquisadores no estudo.

Michèle revela que o aumento absoluto dos riscos é muito pequeno, já que, na maioria das pessoas, as chances de um ataque cardíaco também são ínfimas. Ainda assim, a epidemiologista ressalta que os pacientes devem ser informados sobre detalhes de seus tratamentos:
— Quero que as pessoas conversem com seus médicos — diz a pesquisadora. — A maioria dos pacientes não está ciente de seu risco cardiovascular, então é preciso saber se é bom continuar com os AINEs ou se deve considerar outros tratamentos.

De acordo com o estudo, há mais de 90% de chances de que todos os anti-inflamatórios não esteroides estejam relacionados ao risco de ataque cardíaco. E a probabilidade de problemas cardiovasculares aumenta de acordo com o remédio. O que apresentou menor risco foi o celecoxibe (no Brasil comercializado como Celebra), com 24% de probabilidade de problemas cardiovasculares. Em seguida, aparecem o ibuprofeno (Advil e Motrin), com 48% de risco; o diclofenaco (Voltaren), com 50%; e o naproxeno (Flanax), com 53%. A maior taxa de risco, de 58%, foi verificada no rofecoxib (Vioxx), que foi retirado do mercado em 2014.

Diretor científico do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, José Francisco Kerr Saraiva destaca que os maiores consumidores de anti-inflamatórios, em geral, já têm outros problemas de saúde.

— Estes medicamentos são mais procurados por pessoas com idade avançada, que sofrem mais de doenças como artrite, bursite e dor na coluna. E os idosos são o grupo com mais casos de hipertensão e doença renal. Portanto, o risco não pode ser ignorado — ressalta. — Existe uma regulamentação sobre o uso de antiinfalamatórios, mas as regras não são colocadas em prática. As autoridades sanitárias precisam ser r orosas e impor algum tipo de controle.

Saraiva revela que é comum ver consumidores de anti-inflamatórios chegarem à emergência de hospitais com pressão alta.

— Antes de recorrer aos medicamentos, as pessoas devem ter mais informações sobre as condições de seus rins e do sistema circulatório — recomenda. — Às vezes o paciente tem um problema cardiovascular e nem sabe.

Pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública da Fiocruz e membro da Câmara Técnica de Medicamentos, órgão consultivo vinculado à Anvisa, Francisco Paumgartten concorda que a grande preocupação é o fato de que algumas dessas drogas têm venda livre, como o ibuprofeno.

— O paciente não precisa nem se dirigir ao farmacêutico, o ibuprofeno fica exposto, há liberdade total — critica. — Além disso, é permitida a propaganda de medicamentos de venda livre na televisão, e essa publicidade estimula o consumo.

Paumgartten avalia que, com as evidências disponíveis sobre os riscos do medicamento, a Anvisa já deveria ter tomado alguma atitude para restringir o acesso:
— A Anvisa já poderia ter excluído esse medicamento da lista de drogas de venda livre. É um risco alto para fazer um uso banal do remédio, e muitas pessoas os consomem desnecessariamente. No caso de um paciente com doença inflamatória grave, que sinta uma dor insuportável, o benefício pode ser maior que o risco. E o profissional capaz de colocar os prós e contras na balança é o médico.

O levantamento publicado ontem foi visto com ressalvas por parte da comunidade médica. Diretora do Real Colégio Britânico de Clínica Geral, Helen Stokes-Lampard pondera que é perigoso rejeitar imediatamente os analgésicos.

— Estas drogas podem ser eficazes no fornecimento de alívio da dor a curto prazo para alguns pacientes — sublinha. — É importante que qualquer decisão de prescrever seja baseada nas características individuais do paciente, e que os resultados sejam revistos regularmente.
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Distrito Federal registra queda de 9,5% nas doações de órgãos

costureiraA chance de sobreviver pode depender dos órgãos de alguém que acabou de morrer. Quem perdeu um parente pode não autorizar o procedimento

“Ao adoecer, consegui receber o benefício financeiro, mas isso não basta para eu pagar os remédios. Preciso continuar trabalhando e fazer consertos em roupas. Meu sonho é fazer o transplante e voltar a ter uma vida normal, sem dor para trabalhar dignamente”

Tudo passa a ser urgente quando se trata de salvar vidas. A doação de órgãos — ato que dá a chance às pessoas acometidas por doenças graves e, muitas vezes, incuráveis, de seguir vivo — é uma simples equação matemática: a morte encefálica de uma pessoa pode mudar a vida de outras cinco. Porém, 36% das famílias brasilienses não autorizam a doação de órgãos de parentes falecidos, de acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). O Distrito Federal registrou uma queda de 9,5% nas doações. A pesquisa assinalou, ainda, que, no ano passado, 32 pessoas morreram na fila à espera de um transplante, na capital do país.

Em 2016, foram notificados 321 potenciais doadores em Brasília. Porém, apenas 75 tornaram-se efetivos, pois 246 foram descartados, o que equivale a 77%. Atualmente, 291 pessoas aguardam por transplante no DF, segundo dados da ABTO. Desses, 215 esperam por um rim; 10, por fígado; cinco precisam de um novo coração e 61, de uma córnea.

A nefrologista Daniela Salomão, coordenadora-geral da Central de Notificação Captação e Distribuição de Órgãos do Distrito Federal (CNCDO), informou que, ainda que uma redução tenha sido registrada, a capital do país contabilizou, em 2016, 25,7 doadores de órgãos por milhão de habitante. Segundo ela, o número praticado no Distrito Federal está próximo ao de países primeiros colocados no ranking na doação, como Espanha (39,7 doadores por milhão de habitantes); Croácia (39); Bélgica (32,4); Portugal (28,6) e EUA (28,5).

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Para a nefrologista, a queda se explica por uma série de fatores. “Estamos cada vez mais rigorosos quanto aos critérios estabelecidos por nossas equipes para avaliar se um paciente está em condições de se tornar um doador e, por outro lado, precisamos de uma melhor infraestrutura para a captação dos órgãos”, avaliou. Daniela Salomão acrescentou que Brasília capta, de outros estados, órgãos para serem transplantados no DF. “Contamos com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) para agilizar todo o trabalho”, comentou.

Idealizador do Setembro Verde — campanha nacional que visa conscientizar os brasileiros sobre a doação de órgãos —, o cirurgião cardiovascular José Lima Oliveira Júnior, acredita que “existe também a necessidade de aumentar o número de equipes transplantadoras na capital federal, assim como ampliar a ação das campanhas elucidativas para explicar à população sobre a importância da doação de órgãos”.

Ressignificando a dor

A prática da doação e do transplante de órgãos é uma via de mão dupla que precisa, mais do que tudo, de consentimento. No momento da decisão, são vivenciadas situações delicadas e difíceis de administrar, tanto com os familiares dos doadores, como com os receptores, que aguardam novos órgãos.

A costureira Maria de Jesus, 53 anos, sofre de insuficiência renal e espera por um rim desde 2015. Moradora do Gama, ela disse que a doença foi descoberta em 2011. “Ao adoecer, consegui receber o benefício financeiro, mas isso não basta para eu pagar os remédios. Preciso continuar trabalhando e fazer consertos em roupas. Meu sonho é fazer o transplante e voltar a ter uma vida normal, sem dor para trabalhar dignamente”, afirmou.

A secretária Naara Felipe da Silva Guedes, 35 anos, também aguarda um transplante há pelo menos dois anos. Como é diabética, está na fila prioritária para receber um rim e um pâncreas. Segundo Naara, a doença a acompanha desde o primeiro ano de vida. “Aos 19 anos, perdi a visão. Aos 24, me casei e hoje tenho um filho de 7 anos. Esse é o verdadeiro motivo pelo qual me fortaleci para aguentar toda essa espera”, admitiu. A moça, moradora do Riacho Fundo II, está em São Paulo há dois meses fazendo todos os exames para a cirurgia. “Meu maior sonho é poder me recuperar e estar bem para presenciar a formatura do meu filho daqui a alguns anos”, afirmou.

Segundo o cirurgião cardiovascular José Lima Oliveira Júnior, a insuficiência renal crônica — principalmente associada à pressão alta, à obesidade, à diabetes e ao tabagismo — é o que mais atinge pacientes que precisam de um transplante. Ele explica que o tempo de espera varia muito de acordo com o estado de saúde e de algumas características do receptor. “A demanda é muito alta para esse órgão. Por isso, temos de fazer campanhas de conscientização em todo o país para ajudar quem precisa”, complementou.

Mas há esperanças. A pesquisa da ABTO mostrou que a taxa de doadores de órgãos no Brasil aumentou 3,5%, atingindo 14,6 doadores por um milhão de habitantes, em 2016. A expectativa é de alcançar 15,1 doadores por um milhão de habitantes. Segundo o cirurgião, o Brasil já conta com mais de 250 mil transplantados, desde o início da década de 1960. “A partir de 1980, houve o boom do procedimento. Hoje, fazemos uma média de mais de 34 mil transplantes por ano.”

A luta pela vida em números

· 10.158 é o número de potenciais doadores no Brasil, em 2016.
· Desses, apenas 2.981 se tornaram doadores efetivos no ano passado.
· Cerca de 71% dos potenciais doadores (7.177) foram descartados, enquanto 2.013 pessoas morreram na fila aguardando um transplante.
· Até dezembro de 2016, mais de 34 mil pessoas esperaram por um transplante: 21.264 (rim); 10.923 (córnea); 1.331 (fígado); 282 (coração); 172 (pulmão); 539 (pâncreas) e 31(rim e pâncreas)

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Ingestão precoce de álcool entre adolescentes do DF preocupa sociedade

Especialistas alertam sobre a importância do diálogo para que a ingestão de bebidas na adolescência não se torne excessiva e venha a causar dependência
Deborah Fortuna – Especial para o Correio
alcoolAdolescentes do DF bebem mais que a média nacional

Maria* não queria beber naquela noite, mas cedeu à pressão dos amigos e do ex-namorado. Aos 14 anos, em uma festa no apartamento de um conhecido, topou participar de uma brincadeira com bebida alcoólica. A cada rodada, uma pessoa fazia uma confissão sobre algo que nunca tinha feito na vida.

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Os demais deveriam ingerir uma dose de vodka pura, caso tivessem passado pela experiência. Depois de três ou quatro goles, já no fim da brincadeira, todos foram parar em outra residência, a garota não soube explicar como. Relata, inclusive, que acordou com uma blusa que não era dela.

A história não é uma exceção entre os adolescentes. Eles aceleram o processo que, legalmente, deveria começar apenas aos 18 anos. Há dois anos, a Lei nº 13.106, de 2015, tornou crime servir bebidas alcoólicas a crianças e a adolescentes.

No mesmo ano de criação da norma, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrou que mais da metade dos estudantes do 9º ano do ensino fundamental no Distrito Federal tinham experimentado álcool pelo menos uma vez.

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O número do DF supera a estatística nacional. Em todo o país, 55,5% dos adolescentes matriculados nessa etapa do ensino admitiram ter bebido uma dose de álcool pelo menos uma vez na vida — 4 pontos percentuais a menos do que no DF — e 18,4% confessaram ter experimentado cigarro. Mais de um quinto dos jovens de 13 a 15 anos brasileiros sofreram algum tipo de embriaguez.

Outro relato de Maria mostra como o acesso ao álcool é facilitado. Dessa vez, ela conta que, aos 15 anos, foi à festa de uma colega da escola. A regra era que apenas maiores de 18 anos recebessem uma pulseira e pudessem passar para a área do bar.

Mas a menor afirma que não foi preciso esperar muito tempo: logo, nenhum barman estava preocupado em checar quem eram as pessoas autorizadas a beber e todos os amigos aproveitaram para escolher os mais diversos drinks que constavam no cardápio.

Nesse dia, ela chegou a perder a bolsa e os sapatos. A adolescente lembra que ficou de castigo depois que a mãe descobriu a primeira aventura com a bebida. “Eu perdi a confiança da minha mãe. Depois da festa, prometi que não ia mais beber”, disse. “Mas, nessa hora, os amigos caçoam, “e fica apenas na promessa”.

Em um grupo de 12 menores entrevistados pelo Correio, apenas um afirmou que ainda não tinha ingerido bebida alcoólica ou fumado. Uma das meninas, de 17 anos, contou que o “point” é uma praça pública, com árvores, bancos de concreto e pequenos pilares para exercício, que fica próximo à unidade de ensino onde estudam.

“Quando um dos professores libera, é pra lá que a gente vai”, contou um rapaz. A compra é feita em uma distribuidora de bebidas que não exige nenhum documento dos jovens clientes. De acordo com a adolescente de 17 anos, os amigos ficam tão alcoolizados que é necessário esperar algumas horas até que todos estejam em condições de voltarem para casa. “Eu não sei como que todo mundo consegue ver o número do ônibus ou em qual está entrando”, admitiu.

A diretora de uma das escolas também confirma problemas com alunos que passam dos limites. Para ela, os principais são os que envolvem adolescentes de até 15 anos. Uma menina, inclusive, levou garrafa de bebida para dentro da área escolar. Segundo a diretora, o comum é que eles se afastem do colégio para ter mais privacidade.

Porém, quando alguém passa mal por conta dos efeitos do álcool, é a escola o lugar para o qual recorrem. “Eles trazem o amigo que está mal e nós chamamos os responsáveis para que eles levem o aluno ao hospital”, contou.

Entre um trio de adolescentes ouvidos pelo reportagem, todos tinham experimentado alguma bebida, apesar de duas moças não fazerem uso frequente. O rapaz, de 17 anos, contou que também fuma. Eles relataram que os colegas de sala têm um grupo no aplicativo de mensagens WhatsApp e que é por meio dele que geralmente marcam um encontro depois da aula.

Como alguns amigos têm 18 anos, a compra é feita pelos mais velhos. Em uma ocasião, um aluno passou tão mal em uma praça que os próprios moradores das quadras próximas reconheceram o uniforme e avisaram a instituição. “Ele chegou a vomitar em cima do vice-diretor da escola”, contou o adolescente.

Questão social

A principal preocupação com relação ao uso do álcool, segundo especialistas, são os efeitos que a ingestão precoce dessas bebidas podem causar no futuro. “Não é uma coisa da juventude e que depois passa”, observa o sociólogo e especialista em segurança no trânsito Eduardo Biavati.

Os problemas envolvem não apenas o desenvolvimento da dependência física, mas também a criação de hábitos perigosos, como o de dirigir sob o efeito da bebida. Para Biavati, se trata de um problema de saúde pública e que a sociedade precisa aprender a lidar com as transformações pelas quais se passa durante a adolescência — começar a beber, aprender a dirigir, ser aceito pela turma.

Nesse sentido, a família tem papel fundamental, alerta o especialista. Segundo ele, é na pré-adolescência que os pais devem fiscalizar e conversar com os menores, pois, mais tarde, o controle pode se tornar mais difícil.

“Os pais vão fazer o quê? Ir para as festas? Para as boates? Isso não é realista. A gente consegue ter indícios conversando com os amigos dos filhos e das filhas, falando sobre os amigos. Às vezes, a criança não fala dela, mas fala dos amigos. É muito difícil fazer parte de um grupo e não compartilhar os hábitos dele”, aconselha.

A psicóloga e especialista na área de drogas na adolescência Maria Fátima Olivier Sudbrack acrescenta que a questão do álcool não é apenas culpa dos jovens, mas da sociedade como um todo.

Segundo ela, a cultura brasileira aceita a bebida como natural e estimula cada vez mais o consumo, mesmo entre os menores. Muito do incentivo vem da própria família ou mesmo da pressão dos amigos, para que o adolescente possa se sentir parte de um grupo.

De acordo com Maria Fátima, nessa idade, os amigos são as pessoas que mais influenciam, mas isso não tira a responsabilidade ou mesmo o consentimento dos próprios pais.

“Tem gente que diz que o filho virou homem porque tomou o primeiro porre. Nós chamamos isso de alcoolização da juventude. Não estou querendo que a gente tenha apenas uma visão repressora, mas é uma questão de conscientização e prevenção e de repensar o que estamos mostrando para eles”, explica.

Justiça

A Seção de Apuração e Proteção (Seapro) da Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal é responsável por fiscalizar locais onde haja o ingresso de crianças e adolescentes desacompanhados, como cinemas, shows e casas noturnas.

Com isso, eles permitem o alvará e iniciam um processo de conscientização com bares e ambulantes para que a venda de bebida ou cigarro seja proibida a menores.

Caso seja constatado que a criança conseguiu comprar álcool dentro do ambiente, os produtores são penalizados. Se houver flagrante, o vendedor é levado à delegacia e responde a processo criminal. O trabalho com os menores, por sua vez, é educativo, por meio de diálogo e de orientação.

* Nome fictício em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente.

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