Atividade física regular pode reduzir risco de demência em 28%

Médico endocrinologista explica efeito do exercício na melhora de processos cognitivos: estudos mostram que caminhadas, por exemplo, têm importante papel no aumento da massa cinzenta.

Demência pode ser caracterizada por perda progressiva sobretudo da memória, mas também compromete o pensamento, o julgamento e/ou a capacidade de adaptação a situações sociais. Atualmente, um novo caso de demência por todas as causas é detectado a cada quatro segundos em todo o mundo. Prevê-se também que a prevalência de demência aumente, pois o fator de risco número um é a idade e o número de idosos em todo o mundo está aumentando. Assim, a atual falta de tratamentos farmacêuticos eficazes para a demência está criando uma urgência no desenvolvimento de estratégias não farmacológicas para prevenir, ou pelo menos atrasar, o início e a progressão da doença. Como resultado, as abordagens do estilo de vida tornaram-se uma importante linha de investigação científica e interesse público. O aumento da atividade física é uma estratégia promissora para promover ou manter a saúde cognitiva mais tarde na vida. Evidências empíricas fortes e acumuladas sugerem que atividade física regular pode reduzir o risco de demência por todas as causas em 28%.

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Assim, cumprir as diretrizes atuais para idosos com 150 minutos por semana de atividade física moderada a vigorosa pode ajudar a reduzir o risco de demência por todas as causas, prevenir outras comorbidades, incluindo diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, e reduzir a mortalidade por todas as causas.

Proteção contra doenças neurodegenerativas

As doenças neurodegenerativas resultam da deterioração dos neurônios, que ao longo do tempo levam à neurodegeneração e a deficiências. Ensaios controlados randomizados demonstraram que o treinamento físico tem um efeito robusto na melhoria de certos processos cognitivos que podem ser importantes para o risco futuro de demência.

A atividade física pode ser protetora contra o declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas através de vários mecanismos possíveis. É provável que o exercício regular promova a saúde vascular, diminuindo a pressão arterial, lipídios, obesidade e marcadores inflamatórios e melhorando a função endotelial, que são fatores de risco para demência e doença de Alzheimer. Em particular, a circulação cerebral parece ser importante para o desempenho cognitivo e as adaptações ao exercício podem envolver melhor fluxo sanguíneo e suprimento de oxigênio nessas áreas. Outros mecanismos podem envolver efeitos na plasticidade cerebral e reserva cognitiva, angiogênese, neurogênese, sinaptogênese e aumento dos níveis de fatores neurotróficos.

Fatores de crescimento endógenos desempenham múltiplos papéis que facilitam a sobrevivência e a maturação de novos neurônios. Esses papéis são críticos para a neurogênese, plasticidade sináptica e angiogênese (crescimento de novos vasos sanguíneos). O fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) e o fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-1) são fatores de crescimento particularmente envolvidos nos efeitos positivos do exercício no cérebro e na cognição. Foi demonstrado em modelos animais que a atividade física regulamenta a produção de vários fatores e receptores de crescimento (como o neurotrófico derivado do cérebro e o de crescimento semelhante à insulina) e reduz a inflamação celular e o estresse oxidativo, mediando os efeitos terapêuticos e protetores do exercício sobre a função cerebral.

Existem evidências que sugerem que as citocinas pró-inflamatórias comprometem algumas das vias de sinalização do fator de crescimento no cérebro; portanto, ações anti-inflamatórias do exercício podem ser importantes.

Sedentarismo é fator de risco

Evidências também sugerem que comportamento sedentário pode aumentar o risco de morbidade e mortalidade. Comportamento sedentário está associado a vários riscos à saúde, incluindo diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e mortalidade por todas as causas. Por isso, sugere-se limitar o tempo sedentário a menos de duas horas por dia e acumular mais de duas horas diárias de atividade de intensidade de luz (como caminhada leve). Evidências emergentes também sugerem que o comportamento sedentário está associado à função cognitiva.

Pesquisas sobre a relação entre comportamento sedentário e inflamação só recentemente surgiram. Existem evidências que envolvem o tecido adiposo branco localizado centralmente, incluindo gordura visceral, como mediador do relacionamento sedentário-inflamatório. Sabe-se que a obesidade ativa a cascata inflamatória em locais metabolicamente ativos nos níveis celular (células imunes) e sistêmico (veia porta do fígado), resultando em níveis elevados de adipocinas em circulação. Além disso, estudos relataram associações entre comportamento sedentário e múltiplas adipocinas, incluindo proteína C reativa (PCR), interleucina-6 (IL-6), leptina e fator de necrose tumoral alfa (TNF-a). Sugeriu-se uma forte conexão entre o comportamento sedentário e a inflamação.

Também existem evidências que associam a inflamação relacionada à obesidade à disfunção cognitiva. Demonstrou-se que a inflamação prediz maior risco de demência e muitos biomarcadores inflamatórios têm sido associados à redução do volume total do cérebro e da cognição em estudos transversais, conectando a inflamação ao comprometimento cognitivo.

Ferramentas não invasivas de neuroimagem, como a ressonância magnética, oferecem uma maneira de medir a estrutura cerebral com especificidade do tipo de tecido (substância cinzenta e branca). Com a idade, são esperados declínios acelerados na densidade da substância cinzenta e na integridade da substância branca durante todo o processo de envelhecimento. Os participantes de um estudo que caminharam 40 minutos três vezes por semana aumentaram o volume de massa cinzenta nas regiões temporal pré-frontal, parietal e lateral do cérebro e aumentaram o volume de substância branca (MM) no corpo caloso. Esse resultado levou à hipótese de que o declínio estrutural relacionado à idade não é inevitável e que o exercício pode impedir o declínio relacionado à idade. Talvez os benefícios mais robustos do aumento da atividade física na estrutura cerebral sejam evidentes na população idosa, onde declínios acelerados na densidade da substância cinzenta e na integridade da substância branca ocorrem normalmente durante todo o processo de envelhecimento.

Em conclusão, os estudos sugerem que a atividade física é protetora contra o risco futuro de demência. Como a maioria dos idosos é fisicamente inativa (ou seja, não se envolve em ≥150 min / semana de atividade física moderada a vigorosa) e fica aquém dessas recomendações, o aumento da atividade física moderada a vigorosa entre idosos tornou-se uma prioridade de saúde pública. Lembrando da importância do acompanhamento de profissionais da saúde capacitados para orientar a prática de exercícios físicos, principalmente na população idosa.

Referências bibliográficas:

1 -Falck RS, Davis JC, Liu-Ambrose T. What is the association between sedentary behaviour and cognitive function? A systematic review. British Journal of Sports Medicine 2017;51:800-811.
2Fang X, Han D, Cheng Q, et al. Association of Levels of Physical Activity With Risk of Parkinson Disease: A Systematic Review and Meta-analysis. JAMA Netw Open. 2018;1(5):e182421.
3 – Hamer, M., & Chida, Y. (2009). Physical activity and risk of neurodegenerative disease: A systematic review of prospective evidence. Psychological Medicine, 39(1), 3-11.
4 – Nelson ME, Rejeski WJ, Blair SN, et al. Physical activity and public health in older adults: recommendation from the American College of Sports Medicine and the American Heart Association. Circulation. 2007;116(9):1094-1105.

Fonte: https://globoesporte.globo.com/

Cenário da covid-19 no DF preocupa bastante, diz secretário de Saúde

A situação da covid-19 na capital ainda “preocupa bastante”, afirmou o secretário de Saúde do Distrito Federal, Francisco Araújo Filho ao Correio. Segundo as estimativas da pasta, a pandemia está no pico, mas o cenário inspira muitos cuidados pelo número alto de novos casos e de mortes. “Nós chegamos a um ponto em que subiu bastante. Nas duas últimas semanas, houve uma estabilização, como algumas poucas variações, mas não tem como não se preocupar”, justificou Araújo.

Nesta quarta, o DF chegou a 1.277 mortes de moradores locais e a 101.236 casos confirmados.

O secretário afirmou que a estimativa é de que nas próximas semanas haja redução da taxa de crescimento de casos. “Dentro das projeções, a gente espera uma tendência de quedas nas próximas semanas e que, se não houver quedas, ao menos que permaneça como estamos”, informou.

Apesar do cenário grave, o chefe da pasta acredita que a estrutura montada tem capacidade para fazer os atendimentos necessários. “A nossa estrutura foi montada com base no comitê epidemiológico sob a coordenação do subsecretário Eduardo Hage para uma projeção de pico em julho, como de fato nós estamos. Hoje, nós estamos disparados por 100 mil habitantes como a unidade da federação que mais abriu leitos de covid-19”, destacou.

Araújo ressaltou que, além das ações governamentais, a participação da população é fundamental para que se controle o avanço da pandemia na capital. “Eu reitero sempre. O governo fez e faz muito esforço para fazer sua parte não só com abertura de leitos, mas com contratação de mais profissionais, campanhas educativas, toda parte pedagógica. O mais importante agora é a população fazer a parte dela, independentemente do que abra”, destacou.

“A população precisa entender que esse vírus mata e que precisamos proteger nossas vidas. O Estado se organiza, coloca leitos, faz todos os movimentos para proteger o cidadão, mas, como tudo na vida, existe um limite. Então, para esse limite se tornar maior, é preciso que governo e cidadão façam suas partes”, frisou.

O secretário também falou sobre a ocupação dos leitos, uma preocupação constante desde o início da pandemia, e destacou que estão em fase final as obras dos hospitais de campanha em Ceilândia e no Hospital da PMDF (que aguarda posicionamento do Tribunal de Contas do DF), além da Papuda.

Recursos
Recentemente, o Ministério Público de Contas (MPC-DF) questionou o fato de que o DF recebeu mais de R$ 670 milhões do Ministério da Saúde, porém teria incorporado ao orçamento perto da metade desse valor. O secretário negou que existam verbas destinadas para a covid-19 na capital sem uso ou sem planejamento. “A dificuldade de usar o recurso não existe o que acontece é que não se usa o recurso de uma vez só.” Ele citou como exemplo as obras dos hospitais de campanhas, para as quais os pagamentos são liberados aos poucos.

Fonte: https://blogs.correiobraziliense.com.br/

Artigo aponta que vacina de Oxford, em teste no Brasil, é segura

Resultados preliminares publicados na revista científica The Lancet apontam que a vacina conseguiu induzir a criação de anticorpos contra o Covid-19 após 28 dias

A vacina para covid-19, pesquisada pela Universidade de Oxford, não causa muitos efeitos secundários em pacientes e é eficaz para estimular a produção de anticorpos e células T contra o novo coronavírus. Pelo menos é o que apontam os resultados preliminares de um estudo divulgado nesta segunda-feira (20/7) na revista científica The Lancet.

Essa análise diz respeito às fases 1 e 2 do desenvolvimento da vacina. A terceira está sendo feita no Brasil em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Vários grupos de cientistas estão em busca da substância que pode imunizar a população contra o coronavírus. Em outra frente, uma vacina criada pelo laboratório chinês Sinovac Biotech também está em fase avançada e chegou nesta segunda ao Brasil para começar a ser testada na população.

Detalhes sobre o estudo de Oxford

No caso dos resultados divulgados no artigo da The Lancet, os anticorpos estimulados nos pacientes atingiram o número máximo a partir do 28º dia depois de receber o tratamento e continuaram no mesmo patamar até o 56º. Análises feitas com um sub-grupo de 10 pessoas também indicaram que uma segunda dose poderia trazer resultados ainda melhores.

Os cientistas analisaram dados de 1.077 voluntários que não haviam contraído a doença, além de comparar os resultados com um grupo controle vacinado contra malária. Alguns dos participantes apontaram efeitos colaterais, como fadiga – em 70% dos casos – e dor de cabeça (68%). Mas os relatórios apontam que eles podem ser reduzidos com o uso de medicamentos comuns, como paracetamol.

De qualquer forma, o artigo aponta que mais testes são necessários para que a eficácia seja permanentemente comprovada. Por isso, os autores do estudo seguem com a pesquisa – inclusive aplicando a vacina em idosos.

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/

Pesquisa da UnB cria álcool em gel que potencializa ação antibactericida

O trabalho investe na adição de nanopartículas de prata no produto, que destrói mais de 650 organismos patogênicos


Pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) desenvolveram uma nova fórmula de álcool em gel de alta performance e baixo custo. O trabalho consiste na adição de nanopartículas de prata ao produto, o que o deixaria mais eficiente, destruindo mais de 650 organismos patogênicos.

O grupo de pesquisa é formado por 10 integrantes do curso de Engenharia de Energia da UnB e encabeçado pela professora Maria Del Pilar Hidalgo Falla. As pesquisas são feitas no laboratório de Nanotecnologia da UnB Gama.

Segundo os pesquisadores, a prata possui uma ação antimicrobiana bem conhecida e é usada em curativos para tratar ferimentos de diabéticos – que têm normalmente dificuldades de cicatrização. Em nanopartículas, a prata tem suas propriedades aumentadas. O elemento nunca foi utilizado na produção de álcool em gel, portanto o produto da UnB será inédito.

De acordo com a professora Pilar, o etanol 70% é potente, mas apresenta alguns problemas. “O álcool evapora fácil e, com isso, vai perdendo o seu efeito com o passar do tempo. A outra questão é que, ao potencializar o efeito bactericida com a nanopartícula de prata, dá para diminuir a concentração do etanol do produto. Assim, a concentração do álcool não precisaria ser 70%, poderia ser talvez 50%. E, por fim, o álcool em gel irrita um pouco a pele, e a prata poderia amenizar um pouco isso”, explica a pesquisadora.

Ainda segundo ela, a produção do álcool em gel com as nanopartículas de prata pode ser feita em laboratório e com um baixo custo de produção.

Os pesquisadores prepararam e caracterizaram as nanopartículas de prata no laboratório de nanotecnologia e produziram o álcool. O próximo passo é realizar testes de ensaio bactericida conduzidos por pesquisadores da biologia, para verificar o poder de desinfecção do produto.

Quando o álcool em gel for produzido, o grupo distribuirá kits com o produto em escolas públicas do Gama e de Santa Maria.

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Bruxismo e briquismo podem se tornar mais comuns na pandemia da Covid-19

Ranger ou fazer pressão nos dentes são ações associadas ao estresse e à ansiedade provocados pelo medo do coronavírus

A Covid-19 surgiu de forma tão inesperada quanto impactante. Além dos prejuízos à saúde das pessoas infectadas pelo novo coronavírus, a incerteza de quando a pandemia vai acabar e o medo de ser contaminado têm causado ansiedade e estresse nas pessoas. Dois reflexos desses estados são o bruxismo e o briquismo, condições que provocam o desgaste dos dentes, a inflamação dos músculos locais, dores de cabeça e zumbidos no ouvido, por exemplo.

No primeiro caso, a pessoa range os dentes e é mais comum durante a noite, quando se está dormindo, como um reflexo do que foi acumulado durante o dia. No briquismo, a pressão é feita entre os dentes em direção única.

“Podemos perceber que a causa do bruxismo vem de um misto de fatores interligados, pois uma pessoa estressada ou muito ansiosa também não dorme direito, o que vai retroalimentando gradativamente o problema. Todos estão apreensivos, com medo, até mesmo pânico. Isso deixou muitas pessoas ansiosas e estressadas, e aquelas que já apresentavam certo tipo de ansiedade, agravaram”, conta a psicóloga clínica e hospitalar da clínica Biotipo Gabriella Ciardullo.

Ainda de acordo com a psicóloga, o bruxismo é uma das primeiras manifestações clínicas do estresse, pois funciona como uma válvula de escape, onde a pessoa descarrega a tensão. “Para que se manifeste, não é necessário que o indivíduo tenha históricos de estresse ou ansiedade. Algo pontual pode acontecer e desencadear, como a morte de um ente querido ou a falência de uma empresa”, explica.

O dentista especialista em implante e prótese Ítalo Barbosa lembra que a condição é multifatorial. Pode ter relação com predisposição genética; distúrbio do sono; refluxo; e hábitos adquiridos, como o consumo excessivo de café e outras bebidas estimulantes, e o tabagismo.

O ranger dos dentes e a pressão fazem com que os músculos envolvidos na mastigação, o masseter e o temporal, fiquem mais fortes, provocando dor no local ou irradiada para o pescoço. Outras complicações são a retração da gengiva e algumas lesões na língua, quando o paciente a pressiona contra os dentes.

A condição não tem cura, segundo Barbosa, mas a dor pode ser amenizada com alternativas que relaxem os músculos, como compressa morna dos dois lados do rosto e o consumo de uma maçã, para fadigar o músculo nas mordidas e relaxá-lo em seguida, ambos antes de dormir.

Outras opções são o uso da placa de proteção dentária durante a noite pelos adultos e, em casos mais graves, tratamentos com eletroestimulação; remédios relaxantes musculares; ou o botox, todos para deixar a musculatura menos tensa.

Para evitar que os casos se agravem, Gabriella sugere que tudo aquilo que leve a potencializar a ansiedade e o estresse sejam minimizados, como a cafeína após às 18h, o tabagismo e a ingestão de bebidas alcoólicas.

Boas práticas que ajudam a controlar os sintomas são: atividade física moderada, alimentação saudável, ter prazeres diários, fazer terapia, meditar e realizar uma boa higienização do sono, como evitar os estímulos luminosos dos aparelhos eletrônicos antes de dormir.

Fonte: https://www.metropoles.com/

Coronavírus: Colocar 20 crianças numa sala de aula implica em 808 contatos cruzados em dois dias, alerta universidade | Sociedade | EL PAÍS Brasil

Colocar 20 crianças numa sala de aula implica em 808 contatos cruzados em dois dias, alerta universidade
Grupo de especialistas em planejamento da Universidade de Granada estima os riscos da retomada das aulas em setembro na Espanha e pede uma organização que pense “além do primeiro dia”

O fim progressivo da quarentena na Europa levanta dúvidas sobre como proceder. Entre os dilemas que mais preocupam está o retorno das crianças e jovens às aulas, previsto para setembro na Espanha. A ministra da Educação espanhola, Isabel Celaá, anunciou há alguns dias que o Governo não considerava necessário o uso de máscaras ou a manutenção de uma distância física mínima nos primeiros quatro anos do ensino fundamental, pois são grupos assimiláveis como famílias ou que mantêm convivência. No entanto, os cálculos matemáticos de pesquisadores da Universidade de Granada (UGR) apresentam resultados que contradizem a ideia de um pequeno grupo familiar.

Supondo uma família espanhola média, composta por dois adultos e 1,5 filhos menores ―dado usado nas operações matemáticas, assumindo que há 10 alunos com um irmão na sala de aula e outros 10 são filhos únicos―, no primeiro dia de aula cada aluno será exposto a 74 pessoas. Isso ocorrerá exclusivamente se não houver contato com alguém fora da sala de aula e da casa da família.

“No segundo dia”, explica Alberto Aragón, coordenador do projeto, “a interação chegaria a 808 pessoas, considerando exclusivamente as relações sem distanciamento nem máscara da própria classe e as das classes de irmãos e irmãs”. A projeção em papel excede 15.000 contatos em três dias.

Se o número de crianças na sala de aula subir para 25, como muitos Governos autônomos espanhóis anunciaram, porque se trata da proporção habitual, o número de pessoas envolvidas aumentaria para 91 no primeiro dia e 1.228 no segundo. O contágio de uma pessoa desse grupo acarreta um risco automático para todo o grupo, portanto, espera-se que qualquer situação de alerta leve ao fechamento da sala ou mesmo de toda a escola, se houver espaços ou professores em comum.

No entanto, a realidade é que nenhum desses cenários está sendo considerado no planejamento de retorno às aulas no momento. Para Alberto Aragón, professor da UGR e especialista em organização de empresas e planejamento, a preparação para a volta em setembro não é só insuficiente, mas também foi deixada nas mãos das escolas, algo que “obviamente” excede sua capacidade organizacional e de recursos.

O professor levanta questões como: o que deve ser feito se uma criança tossir? Quando os professores serão submetidos a um teste? Todos os dias? Às vezes? Se adoecem? Ele também comenta sugestões feitas sem detalhes, como dar aulas ao ar livre, o que não tem resposta neste momento: “Nem parece que estejam sendo preparadas”, explica ele. “Neste momento, sabemos apenas que as aulas serão retomadas e que algumas referências foram apresentadas, mas pouco mais que isso”, observa Aragón.

O retorno às aulas para 1,7 milhão de alunos do ensino infantil, 2,9 milhões do ensino fundamental, 2 milhões do ensino médio e cerca de 600.000 do curso preparatório para a universidade, segundo dados do Ministério da Educação para o atual ano letivo, requer um planejamento consciente, argumentam os especialistas. Mas, de acordo com o trabalho de pesquisa da equipe de Granada, nada disso está sendo realizado.

Os pesquisadores analisaram os planos de retorno às aulas das instituições do Governo central e dos Governos autônomos, e destacam: “Muita ênfase foi dada ao objetivo de abrir as salas de aula em setembro, mas faltam todos os outros componentes do bom planejamento”. Aragón explica que, de fato, o primeiro dia está planejado, mas “é necessário ir além desse primeiro dia de retorno às aulas e é preciso pensar no segundo e nos dias seguintes”. Será então que as escolas terão que enfrentar situações que vale a pena já terem previsto.

Se não houver uma estratégia para o dia seguinte ao início das aulas, diz o pesquisador, “e se começa já, será muito difícil ter sucesso no caminho da volta às aulas”. Agora é necessário decidir “se vão contratar mais professores, quais espaços extraordinários podem ser usados ou, por exemplo, se os alunos receberão computadores. É importante reconhecer que a organização da volta às aulas possui características que a tornam especialmente complicada, e, precisamente por isso, deve resultar em planos mais rigorosos”, alerta.

Outra coisa que preocupa Aragón é que ainda não foi determinado o que acontecerá se as aulas tiverem que ser suspensas. “Não há plano de ação. Vamos voltar à necessária improvisação de março deste ano? Em um segundo surto, não seria mais surpresa. Deveríamos ter um quadro de referência muito mais específico”, explica ele. Para esses especialistas da UGR, a complexidade da doença e o limitado investimento complementar disponível também tornam essencial ter planos sólidos para possíveis cenários de fechamento, algo que ainda não existe.

Comparação com outros países
A comparação com outros países também é interessante. Dinamarca e Israel, que já retornaram às aulas, servem como modelo de estudo. No caso da Dinamarca, “com um bom planejamento e recursos suficientes”, diz Aragón, as classes são agora com 10 alunos, que saem de cinco em cinco para o recreio e com uma organização temporal e espacial que minimiza os contatos. “Eles estão se saindo bem e reduziram o risco ao mínimo.” No caso de Israel, com um modelo de retorno semelhante ao previsto para a Espanha, “nos primeiros dois ou três dias, 100 escolas tiveram que ser fechadas”. Muitas vezes, segundo o professor, mais por prevenção por causa de tosses ou febres do que por doença.

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Fonte: https://brasil.elpais.com/

Estudante é mordido por naja exótica no DF e está em coma

A naja é altamente nociva ao ser humano e o soro só é produzido em São Paulo: estudante está em coma desde terça

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl na Uniceplac, mas ainda não se sabe de onde veio a cobra que o mordeu.

Um estudante de 22 anos foi picado por uma cobra naja nesta terça-feira (7/7). O jovem foi levado ao Hospital Maria Auxiliadora e está em coma na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). O soro antiofídico necessário para o tratamento do veneno, que só é estocado pelo Instituto Butantan em São Paulo, chegou em Brasília durante a noite de terça-feira.

Pedro Henrique Santos Krambeck Lehmkuhl é estudante de medicina veterinária e segue em coma. De acordo com Carlos Eduardo Nóbrega, diretor de répteis, anfíbios e artrópodes do zoológico de Brasília, a naja é originária da Ásia e não tem postura agressiva. “Essa espécie só ataca quando se sente muito ameaçada. Porém, é muito nociva ao ser humano e pode levar à morte 1h depois da picada”, diz. Ele explica que o veneno age diretamente no sistema nervoso central. “A pessoa pode perder a noção de espaço e ficar sonolenta”, explica.

A naja não é típica do Brasil e, para ser importada, é preciso trazer o soro antiofídico.

Carlos afirma que a naja se assemelha com a espécie brasileira coral verdadeira. Ele ressalta que é importante não trazer animais exóticos para o Brasil sem autorização dos órgãos ambientais. “Antes de trazer o animal, é necessário importar o soro. Caso contrário, a pessoa pode responder por crime ambiental”, diz.

Sobre a cobra
Segundo o major Elias Costa do Batalhão de Polícia Militar Ambiental (BPMA), a polícia ainda tenta falar com a família do estudante picado para tentar recolher o animal. “Queremos colocá-lo em um ambiente adequado e não pode ser solto no Distrito Federal”, diz. Ele ressalta a importância de não domesticar animais silvestres nem peçonhentos. “Caso alguém que não tenho o conhecimento necessário tentar manipular esses animais, o risco de acidentes é grande”, explica.

Carlos Eduardo diz que, ao encontrar uma cobra, é necessário ter calma. “O primeiro passo é se afastar do animal e tentar desviar o caminho. Se não for possivel, pegar um galho comprido e encostar na cobra fará com que ela se incomodade e então saia do caminho.”

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br

Pacientes internados no Hran e HRG reclamam que estão sem água quente


Os servidores das unidades estão esquentando água para os internados tomarem banho.
Pacientes do Hospital Regional da Asa Norte (Hran) e do Hospital Regional do Gama (HRG) reclamam que as unidades estão sem água aquecida nos chuveiros. Os agentes de saúde estão orientando aos familiares a levarem baldes de água para dar banho nos internados.
Uma mulher que preferiu não se identificar afirmou para o Correio que o pai está no Hran há três dias internado e que leva mergulhões para dar banho ao familiar. “No primeiro dia que ele foi internado, as enfermeiras me disseram que o hospital está com esse problema tem algumas semanas e que estão tentando ajudar os pacientes esquentando a água, mas pedem para quem puder levar baldes ou mergulhões, que seria de grande ajuda”, conta.
O mesmo problema acontece no HRG. A Secretária de Saúde do Distrito Federal (SES/DF) informou que, há 40 dias, obras foram iniciadas para substituir a antiga tubulação. O objetivo é ampliar a capacidade de vazão de água quente em todos os setores. A pasta salientou que a tubulação que está sendo retirada foi instalada em 1967, quando o hospital foi entregue, e que 80% do HRG já tem água quente. A equipe trabalha para concluir o serviço nos setores restantes nos próximos 15 dias.
Em relação ao Hran, a SES esclareceu que a direção da unidade conta com equipes de manutenção trabalhando para resolver o problema o mais rápido possível. A resistência do aquecimento queimou e foi substituída duas vezes nos últimos 15 dias, mas segue apresentando problemas.

Estagiário sob supervisão de Nahima Maciel

Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/

Campanha on-line pede doação de leite materno: estoques estão baixos no DF


A partir de terça-feira (19/5), cada banco de leite vai fazer uma live temática
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

A Semana Distrital de Doação de Leite Materno começa nesta segunda-feira (18/5). Entretanto, em virtude da pandemia do novo coronavírus, a campanha terá uma novidade: as atividades serão realizadas a distância, através da internet. Atualmente, o Banco de Leite Humano do DF está com um déficit de 11% nos estoques.

A queda nas doações de leite ocorreram em função do contexto de pandemia e de isolamento social. “O objetivo dessa Semana Distrital de Doação de Leite Materno é incentivar as mulheres que amamentam a se tornarem doadoras de leite materno”, pontuou o secretário de Saúde, Francisco Araújo. O secretário fez um apelo para que as mulheres voltem a doar e a participar da campanha Eu divido o meu leite.

A abertura da Semana Distrital será por videoconferência da Rede Universitária de Telemedicina (Rede Rute) e, a partir de terça-feira (19/5), cada banco de leite vai fazer uma live temática para as redes sociais do Amamenta Brasília. Através de uma parceria com a Fábrica Social, a Secretaria de Saúde vai entregar uma camiseta infantil para cada mãe doadora de leite materno com a frase “Eu divido o meu leite”.

De acordo com Miriam Santos, coordenadora das Políticas de Aleitamento Materno e Banco de Leite Humano do DF, trata-se de uma lembrança para os bebês, como forma de agradecimento pelo gesto voluntário. “Partilhar o leite é o primeiro ato de solidariedade da criança, que está dividindo seu alimento e ajudando outros bebês. Em 2019, a nossa coleta foi bem menor comparada ao ano de 2018. Em 2020, devido à pandemia, houve uma queda na doação de leite materno. Precisamos sensibilizar as mulheres para doarem”, disse.

Por meio de uma colaboração entre a Secretaria de Saúde e o Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF), as mulheres podem doar o leite materno sem se preocupar com o transporte. “São 30 anos de parceria e esse é um trabalho essencial para o sucesso do nosso trabalho”, destaca Miriam.

Atendimento
Os bancos de leite têm realizado atendimento com horário marcado, por WhatsApp, através de videochamadas. No entanto, quem chega no local, mesmo sem horário marcado, tem sido atendido. Para doar leite, as interessadas devem ligar no telefone 160 – opção 4. A Semana Distrital de Doação de Leite Materno faz parte do calendário institucional do Governo do Distrito Federal.

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Mais de 6 mil pessoas podem morrer por Covid-19 no DF, aponta estudo


Estudo faz projeção de cenários de acordo com medidas de isolamento
(foto: AFP/ Oscar del Pozo)

Uma nota técnica de pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) e infectologistas mostra possíveis cenários da pandemia da Covid-19, no Distrito Federal, até o fim de 2020. De acordo com a pesquisa, a doença pode causar mais de 6 mil mortes, caso haja um relaxamento total das medidas de contenção, e menos de 120 óbitos com ações de contenção mais rígidas que as atuais.

Também são avaliados possíveis cenários futuros. Os pesquisadores simularam quatro contextos para a evolução da pandemia, no DF, considerando flexibilizações ou endurecimento das medidas de contenção impostas pelo governo. Os parâmetros são os Decretos 40.509 e 40.539 de 11 e 19 de março, respectivamente.

O modelo utilizado para traçar os cenários também leva em conta a quantidade de leitos de unidades de terapia intensiva (UTI’s), além do número de pessoas hospitalizadas para estimar possíveis sobrecargas no sistema de saúde. Foram analisadas as informações disponibilizadas pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal entre 7 de março e 23 de abril.

De acordo com o estudo, o cenário que apresentou resultado mais equilibrado foi o que adotou medidas ligeiramente mais flexíveis que as vigentes, considerando não ser possível manter as medidas atuais por um longo período e admitindo ser necessário substituí-las por iniciativas sustentáveis social e economicamente.

Cenário 1

O primeiro cenário é baseado no relaxamento total das medidas impostas pelos Decretos 40.509 e 40.539 e a manutenção apenas da contenção realizada pela própria população, com hábitos de higiene. O número de mortes previsto, neste contexto, é superior a 6 mil até o final de 2020.

De acordo com o estudo, isso acarretaria em um maior isolamento social, alongando significativamente as curvas, podendo haver um colapso no sistema de saúde. Nesta simulação, o número de pacientes hospitalizados e internados em UTIs têm picos acima de 9 mil e 3 mil, respectivamente. Caso a infraestrutura hospitalar não suporte essas demandas, o número de óbitos pode ser significativamente maior, de acordo com a pesquisa.

Cenário 2

No cenário 2, foram consideradas medidas de contenção ligeiramente mais flexíveis que as atuais. Dentre as possíveis medidas a vigorar estariam: a substituição das intervenções iniciadas no Decreto 40.539 por medidas de efetividade um pouco inferiores (de 60% para 58%) e a manutenção dos hábitos de conscientização e higiene da população.

Além disso, o estudo leva em conta a manutenção dos efeitos do Decreto 40.509 ou a substituição das medidas atuais por equivalentes, com o objetivo de manter a mesma efetividade no controle da Covid-19

Neste caso, a pandemia duraria significativamente mais. Se mantendo pelo período de 27 de fevereiro de 2020 a 31 de dezembro de 2021. O número de óbitos simulados ficou abaixo de 800 e os picos de hospitalização e internações em UTIs ficaram, respectivamente, próximos de 100 e 50.

Cenário 3

O terceiro contexto avaliado pelos pesquisadores considera medidas de contenção moderadamente mais flexíveis que atuais. São elas: intervenções com efetividade menor que as iniciadas no Decreto 40.539 – que podem ocorrer com a diminuição da intensidade do controle da pandemia (de 60% para 50%) e a manutenção dos hábitos de conscientização e higiene da população.

Ainda leva-se em conta a manutenção dos efeitos do Decreto 40.509 ou a substituição das medidas atuais por similares, com o objetivo de manter a mesma eficácia no controle do coronavírus.

Nesta simulação, há um alongamento da epidemia em relação ao primeiro cenário e um encurtamento comparado ao cenário 2. Considerando que as contaminações perdurem de 27 de fevereiro de 2020 a 31 de dezembro de 2021, o número acumulado de óbitos seria de 2.500 e os picos de hospitalização e internações em UTIs ficariam, respectivamente, próximos de 1 mil e 400. O resultado é semelhante ao encontrado no primeiro cenário. No entanto, em tempo mais alongado e em escala significativamente menor.

Cenário 4

O quarto cenário é baseado em medidas de contenção mais rígidas que atuais. O estudo considerou intervenções com efetividade um pouco maior que as iniciadas no Decreto 40.539, – que podem ocorrer com o aumento da intensidade de controle (60% para 70%), além da manutenção dos hábitos de conscientização e higiene da população. O contexto também leva em conta a manutenção dos efeitos do Decreto 40.509 ou a substituição das medidas atuais por equivalentes.

A simulação mostra um encurtamento da pandemia, em relação aos outros cenários. O período de 27 de fevereiro a 31 de dezembro de 2021 foi adotado para a análise. Neste caso, o número de mortes seria o menor dentre todos os contextos prospectados: menos de 120. Além disso, os picos de hospitalização e internações em unidades intensivistas ficaram próximos de 70 e 30, respectivamente.

De acordo com o estudo, do ponto de vista de controle da pandemia, o cenário 4 é o mais favorável. No entanto, os pesquisadores ponderam que os custos social e econômico das medidas poderiam ser “altos e prolongados”, já que não poderá ocorrer relaxamento após o término dos casos, considerando que a pandemia deverá estar ocorrendo em outras localidades, o que possibilita o surgimento de casos importados, iniciando, assim, novos contágios.

Decretos

No Decreto nº 40.509, de 11 de março, o governador Ibaneis Rocha (MDB) suspendeu eventos e atividades educacionais, além de determinar que bares e restaurantes observassem a distância mínima, indicada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de dois metros entre mesas.

Em novo Decreto (nº 40.539), de 19 de março, Ibaneis ampliou a restrição de funcionamento para todo o comércio, incluindo lojas de rua, bares e restaurantes, além de determinar a suspensão das atividades em templos religiosos e estender as restrições para escolas das redes pública e particular.

PrEpidemia

O PrEpidemia, responsável pela nota técnica, é um observatório que tem como objetivo subsidiar os gestores públicos e a população no monitoramento espacial da disseminação do da Covid-19, abordando aspectos de diversas áreas do conhecimento, a partir de estudos e simulações apoiadas em dados e modelagem matemática.

O observatório conta com uma equipe multidisciplinar composta por pesquisadores voluntários da Universidade de Brasília (UnB) e de instituições parceiras das áreas de geociências, saúde, engenharia de produção, transportes, estatística e matemática.

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