Mais da metade dos veículos do DF circulam sem documento obrigatório

Detran-Ricardo-Botelho

O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) pretende regularizar 80% da frota de veículos do Distrito Federal até 1º de setembro. A data é a limite para os  proprietários estarem com o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) 2017 em mãos. A partir desse dia, as fiscalizações vão ser intensificadas e quem for flagrado em situação irregular poderá ser multado e ter o veículo removido para o depósito do Detran-DF.

De acordo com o órgão, 46% da frota estão regularmente licenciados, o que representa um total de 781.938 de 1.693.958 veículos do Distrito Federal. O número está abaixo do esperado pelo Detran-DF, o que motivou mais ações para agilizar a emissão do CRLV.

“A regularização está menor do que no ano passado. É uma preocupação nossa que o proprietário arque com as obrigações e responsabilidades que ele assumiu ao adquirir um veículo. Demos esse prazo e muitos não precisariam passar por isso (risco de multa e apreensão do carro)”, diz o diretor-geral interino do Detran-DF, Silvain Fonseca.

Ele explica que uma das medidas adotadas pelo órgão para elevar o índice de veículos em situação regular é o atendimento, em fase experimental, para transferência de propriedade e da unidade da Federação, além do emplacamento para quem perdeu o prazo inicial de 30 dias.

Esses casos, que exigem vistoria, estão sendo feitos também na unidade do Detran localizada no Trecho 1 do Setor de Cargas, Zona Industrial do Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA), na antiga Vadel. De acordo com o órgão, desde o dia 11 de julho, já foram realizados 1,8 mil atendimentos.

O serviço tem recebido, em média, 100 usuários por dia. É necessário agendamento prévio e só está apto ao suporte quem for ao local fazer, ao mesmo tempo, a vistoria e a transferência ou o primeiro emplacamento. “Boa parte dos condutores deixa para regularizar a documentação em cima da hora. Brasília está no limite, no último minuto. Deixamos para fiscalizar depois de outras capitais, que já têm feito essa fiscalização desde o início do ano”, destaca Silvain Fonseca.

QR Code
Este ano, os proprietários de veículos fabricados a partir de janeiro de 2017 também precisam garantir a presença de um QR Code (Código Bidimensional) na placa do automóvel, para garantir o licenciamento. A medida, obrigatória desde o início do ano, tem o objetivo de evitar clonagem de veículos.

Com a colocação do QR Code nas placas dianteira e traseira, estarão gravadas informações de segurança relativas à origem e destinação do veículo. Os dados poderão ser usados durante fiscalizações de trânsito. O número também deve estar presente no Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV).

De acordo com o Detran-DF, neste ano, 44.066 automóveis já tiveram o QR Code instalado em suas placas na capital. Para motoristas que andarem em desacordo com a norma, o Código de Trânsito Brasileiro prevê multa de R$ 130,16, quatro pontos na CNH e retenção do veículo.

Fiscalização
O Detran-DF já autuou 18.800 condutores desde janeiro último por falta de licenciamento. Desses, 10.656 tiveram os carros recolhidos aos depósitos. Circular sem o documento obrigatório é infração grave, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro.

O condutor é multado em R$ 293,47 e perde sete pontos na habilitação. Além disso, como o veículo é rebocado pelo Detran, o proprietário tem que arcar com todas as despesas, como guincho, diária, vistoria e serviço de liberação.

Segundo a legislação de trânsito, para obter o CRLV é preciso que o condutor quite todas as multas vencidas do veículo. Além disso, deve colocar em dia o pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), da taxa de licenciamento anual e do Seguro de Trânsito por Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT).
Crédito para www.metrópoles. Com

Distrito Federal registra queda de 9,5% nas doações de órgãos

costureiraA chance de sobreviver pode depender dos órgãos de alguém que acabou de morrer. Quem perdeu um parente pode não autorizar o procedimento

“Ao adoecer, consegui receber o benefício financeiro, mas isso não basta para eu pagar os remédios. Preciso continuar trabalhando e fazer consertos em roupas. Meu sonho é fazer o transplante e voltar a ter uma vida normal, sem dor para trabalhar dignamente”

Tudo passa a ser urgente quando se trata de salvar vidas. A doação de órgãos — ato que dá a chance às pessoas acometidas por doenças graves e, muitas vezes, incuráveis, de seguir vivo — é uma simples equação matemática: a morte encefálica de uma pessoa pode mudar a vida de outras cinco. Porém, 36% das famílias brasilienses não autorizam a doação de órgãos de parentes falecidos, de acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). O Distrito Federal registrou uma queda de 9,5% nas doações. A pesquisa assinalou, ainda, que, no ano passado, 32 pessoas morreram na fila à espera de um transplante, na capital do país.

Em 2016, foram notificados 321 potenciais doadores em Brasília. Porém, apenas 75 tornaram-se efetivos, pois 246 foram descartados, o que equivale a 77%. Atualmente, 291 pessoas aguardam por transplante no DF, segundo dados da ABTO. Desses, 215 esperam por um rim; 10, por fígado; cinco precisam de um novo coração e 61, de uma córnea.

A nefrologista Daniela Salomão, coordenadora-geral da Central de Notificação Captação e Distribuição de Órgãos do Distrito Federal (CNCDO), informou que, ainda que uma redução tenha sido registrada, a capital do país contabilizou, em 2016, 25,7 doadores de órgãos por milhão de habitante. Segundo ela, o número praticado no Distrito Federal está próximo ao de países primeiros colocados no ranking na doação, como Espanha (39,7 doadores por milhão de habitantes); Croácia (39); Bélgica (32,4); Portugal (28,6) e EUA (28,5).

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Para a nefrologista, a queda se explica por uma série de fatores. “Estamos cada vez mais rigorosos quanto aos critérios estabelecidos por nossas equipes para avaliar se um paciente está em condições de se tornar um doador e, por outro lado, precisamos de uma melhor infraestrutura para a captação dos órgãos”, avaliou. Daniela Salomão acrescentou que Brasília capta, de outros estados, órgãos para serem transplantados no DF. “Contamos com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) para agilizar todo o trabalho”, comentou.

Idealizador do Setembro Verde — campanha nacional que visa conscientizar os brasileiros sobre a doação de órgãos —, o cirurgião cardiovascular José Lima Oliveira Júnior, acredita que “existe também a necessidade de aumentar o número de equipes transplantadoras na capital federal, assim como ampliar a ação das campanhas elucidativas para explicar à população sobre a importância da doação de órgãos”.

Ressignificando a dor

A prática da doação e do transplante de órgãos é uma via de mão dupla que precisa, mais do que tudo, de consentimento. No momento da decisão, são vivenciadas situações delicadas e difíceis de administrar, tanto com os familiares dos doadores, como com os receptores, que aguardam novos órgãos.

A costureira Maria de Jesus, 53 anos, sofre de insuficiência renal e espera por um rim desde 2015. Moradora do Gama, ela disse que a doença foi descoberta em 2011. “Ao adoecer, consegui receber o benefício financeiro, mas isso não basta para eu pagar os remédios. Preciso continuar trabalhando e fazer consertos em roupas. Meu sonho é fazer o transplante e voltar a ter uma vida normal, sem dor para trabalhar dignamente”, afirmou.

A secretária Naara Felipe da Silva Guedes, 35 anos, também aguarda um transplante há pelo menos dois anos. Como é diabética, está na fila prioritária para receber um rim e um pâncreas. Segundo Naara, a doença a acompanha desde o primeiro ano de vida. “Aos 19 anos, perdi a visão. Aos 24, me casei e hoje tenho um filho de 7 anos. Esse é o verdadeiro motivo pelo qual me fortaleci para aguentar toda essa espera”, admitiu. A moça, moradora do Riacho Fundo II, está em São Paulo há dois meses fazendo todos os exames para a cirurgia. “Meu maior sonho é poder me recuperar e estar bem para presenciar a formatura do meu filho daqui a alguns anos”, afirmou.

Segundo o cirurgião cardiovascular José Lima Oliveira Júnior, a insuficiência renal crônica — principalmente associada à pressão alta, à obesidade, à diabetes e ao tabagismo — é o que mais atinge pacientes que precisam de um transplante. Ele explica que o tempo de espera varia muito de acordo com o estado de saúde e de algumas características do receptor. “A demanda é muito alta para esse órgão. Por isso, temos de fazer campanhas de conscientização em todo o país para ajudar quem precisa”, complementou.

Mas há esperanças. A pesquisa da ABTO mostrou que a taxa de doadores de órgãos no Brasil aumentou 3,5%, atingindo 14,6 doadores por um milhão de habitantes, em 2016. A expectativa é de alcançar 15,1 doadores por um milhão de habitantes. Segundo o cirurgião, o Brasil já conta com mais de 250 mil transplantados, desde o início da década de 1960. “A partir de 1980, houve o boom do procedimento. Hoje, fazemos uma média de mais de 34 mil transplantes por ano.”

A luta pela vida em números

· 10.158 é o número de potenciais doadores no Brasil, em 2016.
· Desses, apenas 2.981 se tornaram doadores efetivos no ano passado.
· Cerca de 71% dos potenciais doadores (7.177) foram descartados, enquanto 2.013 pessoas morreram na fila aguardando um transplante.
· Até dezembro de 2016, mais de 34 mil pessoas esperaram por um transplante: 21.264 (rim); 10.923 (córnea); 1.331 (fígado); 282 (coração); 172 (pulmão); 539 (pâncreas) e 31(rim e pâncreas)

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Cinco anos depois, estuprador conta detalhes de como matou jovem no DF

Segundo a polícia, Walker Fernandes Faraes matou Yusllayne Teixeira Reis em 2012, na Estrutural, e jogou o corpo dela em um lote vazio

Mirelle Pinheiro MIRELLE PINHEIRO
14/03/2017 11:40 , ATUALIZADO EM 14/03/2017 11:47

ESTRUPADORA frieza de Walker Fernandes Faraes (foto de destaque), 24 anos, impressiona. Acusado de estuprar e matar Yusllayne Teixeira Reis, 18 anos, em 2012, na Estrutural, ele foi apresentado nesta terça-feira (14/3) pela Polícia Civil do DF. Finalmente, o que ocorreu naquele dia 18 de março foi esclarecido. Ele contou que deu 24 facadas na jovem e depois jogou o corpo dela em um terreno baldio.

As facadas atingiram os seios, o pescoço, mãos e as costas da mulher. Os investigadores chegaram ao autor da barbárie graças ao banco de DNA. É possível que ele tenha feito outras vítimas no DF.

Segundo a polícia, Walker confessou o crime com tranquilidade. Disse que estava descascando laranja na porta da casa de um tio quando viu a menina passar na rua. Ele afirmou que não a conhecia. Usou uma faca para abordá-la. A violentou e, após ser mordido pela vítima, a executou, com medo de ser reconhecido.

REPRODUÇÃO/PCDF
Reprodução/PCDF
Yusllayne tinha dois filhos

De acordo com a polícia, após o crime, Walker foi para casa tomar banho, trocou de roupa e voltou para o local do estupro para se desfazer do corpo. No dia seguinte, quando a jovem foi encontrada, ele fugiu para Minas Gerais. Se condenado, as penas serão somadas, e ele pode ficar mais de 30 anos preso.
YULIIANE

Yusllayne era casada, tinha dois filhos e voltava do trabalho para casa, em uma açougue de Vicente Pires, quando foi morta. Segundo a delegada Viviane Bonato, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do DF, Walker representa “um grande perigo para a sociedade se ficar em liberdade”.

O assassino foi identificado após ter o DNA reconhecido no Banco Nacional de Perfis Genéticos. O acusado já foi condenado por outros quatro estupros, sendo um deles cometido em Paracatu (MG), em 2011, e outros três em Unaí (MG). Ele estava preso em Belo Horizonte, capital mineira.

Veja a entrevista da delegada:

Depois de estuprar uma mulher em Minas Gerais, ele veio para o DF se esconder. Mas não conseguiu conter seus impulsos, matando Yusllayne.

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DF registra primeira morte por chicungunha

Caso foi notificado em Sobradinho. Este ano, ocorreram 153 contaminações na capital federal, um aumento de 800% em relação ao ano passado. Doença causa fortes dores articulares e pode deixar graves sequelas
» OTÁVIO AUGUSTO
Publicação: 04/12/2016 04:00
Para especialistas, a única forma de controlar as doenças transmitidas pelo Aedes é combatendo o mosquito (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
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Para especialistas, a única forma de controlar as doenças transmitidas pelo Aedes é combatendo o mosquito

A duas semanas do início do verão, em 21 de dezembro, autoridades sanitárias estão em alerta para as infecções transmitidas pelo Aedes aegypti. O mosquito volta a causar temor e traz novas nuances: a chicungunha, segundo pesquisadores, pode provocar uma grande epidemia no país. A capital federal contabiliza três anos de alta nos registros da doença. O crescimento chega a 800% entre 2015 e 2016. A Secretaria de Saúde confirmou a primeira morte pelo mal no Distrito Federal. Outra situação ilustra o agravamento do problema. Um paciente tenta se aposentar por complicações crônicas desencadeadas pela chicungunha. Ao mesmo tempo, a dengue e o zika deixam panorama ainda mais pessimista — nunca ocorreram tantas contaminações.

Seis regiões administrativas concentram 55% dos casos de chicungunha, uma doença que chegou ao DF em 2014 de maneira discreta. Ocorreram, neste ano, 153 infecções, sendo 22 em Ceilândia (veja infográfico). Das bancadas do Laboratório Central (Lacen) e das estatísticas da Vigilância Epidemiológica, surge somente uma saída para frear o avanço dos estragos causados pelo Aedes: a prevenção. Para isso, é essencial destruir focos nos quais o mosquito possa se desenvolver. “Não temos alternativas, a não ser combater o vetor, ou seja, o mosquito. Para termos diminuição de casos das doenças, precisamos reduzir também a presença do Aedes”, pondera a gerente de doenças crônicas e agravos transmissíveis da Secretaria de Saúde, Cristiane Resende.

O homem que morreu com complicações de chicungunha recebeu atendimento em Sobradinho. Na cidade, foram registrados nove casos — alta de 350% em relação ao ano passado, quando ocorreram duas notificações. “O dado ainda não está no Boletim Epidemiológico, mas entrará na próxima edição. Confirmamos o óbito há pouco mais de uma semana. Houve uma investigação, mas o local de infecção é desconhecido”, comenta Cristiane. Ela prefere não fazer previsão para a doença em 2017. “Trabalhamos com vigilância e registro de casos, não podemos fazer previsões”, pontua.

Um outro paciente — que não teve a identidade divulgada — entrou com pedido de aposentadoria no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele alega que desenvolveu danos nas articulações e ficou impossibilitado de trabalhar. O caso é investigado por uma junta médica e pelo Lacen. A farmacêutica especialista em biosaúde do Lacen Graziela Araújo acompanha a apuração no laboratório. “Há, realmente, a possibilidade de se desenvolver dores crônicas. Algumas pessoas, meses depois, nem sequer conseguem digitar no celular”, detalha.

Alerta
A ciência explica que alguns vírus, como os da dengue, da chicungunha e do zika, alastram-se com facilidade porque os mosquitos se contagiam ao picar animais infectados, como os macacos e os pássaros silvestres. Atualmente, são conhecidos 34 arbovírus no país. Os cientistas os classificam de acordo com o tipo de síndrome febril que provocam e a gravidade dos acometimentos. “Em média, levamos três dias para fazer o diagnóstico da doença. Analisamos, laboratorialmente, a presença do vírus quando a chicungunha está no início ou na produção de anticorpos, após a fase aguda da infecção. Por isso, a necessidade de atendimento precoce”, explica Graziela.

Antônio Bandeira, do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), destaca a alta velocidade de transmissão que a chicungunha tem mostrado. Ele analisou a situação epidemiológica do DF. “Espera-se uma mortalidade menor, mas a doença é extremamente incapacitante. Mais da metade dos pacientes ficam com problemas crônicos. Uma verdadeira legião de sequelados”, ressalta. E emenda. “O vírus pode se multiplicar e trazer alterações imunológicas, desenvolvendo anticorpos que agridem o corpo e provocam a inflamação”, conclui.

Casos importados

As primeiras infecções no DF ocorreram em 2014. Inicialmente, quatro pessoas tiveram chicungunha. O vírus, segundo a Secretaria de Saúde, foi trazido da República Dominicana, do Haiti e de Barbados (ilha na América Central). Três moradores da Asa Sul, sendo um casal, e um do Lago Norte foram os contaminados. Entre os pacientes, estava uma missionária religiosa. O tratamento, à época, ocorreu no Hospital Regional da Asa Norte.

Mayaro no Entorno

A Secretaria de Saúde de Goiás confirmou um caso de mayaro em Luziânia, distante 50km do Plano Piloto. A doença trilha caminho para ser o próximo vírus a se urbanizar e causar epidemias. Assim como o zika e a dengue, o “parente próximo” da chicungunha causa surtos de uma síndrome febril aguda, que causa dor nas articulações, tontura, náuseas, fotofobia e dor lombar. Os sintomas duram de três a cinco dias, mas as dores na articulação podem se prolongar por semanas. Em Goiás, do ano passado até o início de março, a Secretaria de Saúde notificou 70 casos da doença. O Laboratório Central (Lacen) passou a realizar o diagnóstico há duas semanas. Antes, o teste era feito somente no Instituto Evandro Chagas, no Pará.

Para saber mais

Epidemia devastou ilha

Tudo começou em fevereiro de 2005. Médicos alertaram as autoridades sanitárias de que pacientes estavam sentindo fortes febres, acompanhadas de dores articulares agudas. A Ilha Reunión, no Oceano Índico, decretou a epidemia de chicungunha em 2006. Mais de 260 mil pessoas tiveram a doença, sendo que 225 morreram. O lugar, que era roteiro paradisíaco para o ecoturismo, deu lugar a uma onda de ostracismo e pânico. A economia local desacelerou bruscamente. Em alguns distritos, até mesmo os médicos adoeceram. No início da epidemia, os profissionais confundiam o diagnóstico com uma “forte gripe”. Mais tarde, a luta contra o vírus se tornou causa nacional. Os casos de “l’homme courbé” (na África, chicungunha significa homem que se curva, em referência à postura dos pacientes) foram a maior crise de saúde pública em Ilha Reunión. Depois disso, o número de casos diminuiu drasticamente.

Dengue e zika preocupam

Publicação: 04/12/2016 04:00
Pedro Tauil, especialista em controle de doenças e epidemiologia: essas doenças carecem de aprimoramento de diagnóstico, tratamento e prevenção (Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Pedro Tauil, especialista em controle de doenças e epidemiologia: essas doenças carecem de aprimoramento de diagnóstico, tratamento e prevenção

Temendo perder completamente o controle da situação com o avanço da dengue e do zika, doenças que registraram recorde de infecções em 2016, a Secretaria de Saúde acompanha semanalmente a evolução dos casos. A dengue nunca infectou tanto na capital federal: são 21.162 notificações. O zika acometeu 174 pessoas, sendo 26 gestantes. A doença avançou 4.250% em um ano. Dois bebês morreram com agravos do mal e um caso continua em investigação. “Temos que acompanhar essas crianças até os 3 anos. Pode haver casos de microcefalia tardia”, argumenta a gerente de doenças crônicas e agravos transmissíveis da Secretaria de Saúde, Cristiane Resende.

O cronograma de combate ao Aedes aegypti da Secretaria de Saúde conta com 2 mil agentes comunitários de saúde, 546 agentes de vigilância ambiental em saúde, 220 homens das forças armadas, 40 bombeiros, além do reforço de servidores do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e das administrações regionais. Mesmo com o esforço, Antônio Bandeira, do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), é pessimista em relação ao controle. “Se houver uma redução de casos, nada tem a ver com ação direcionada. O que pode acontecer é que o número de pessoas imunizadas aumente e as vulneráveis diminua, já que chicungunha e zika se contraem apenas uma vez”, completa Antônio.

Este ano, por dia, o DF registrou 63 novos casos de dengue — média inédita, superando até mesmo as epidemias de 2010 e de 2013. O crescimento da doença chega a atingir 978% ante o ano passado, como em Brazlândia, que saltou de 180 casos para 1.942. Para Pedro Tauil, do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Brasília (UnB), os números deixam um legado. “Essas são doenças que carecem de aprimoramento de diagnóstico, tratamento e prevenção. Precisamos investir na possibilidade de vacina. O tratamento atual é muito difícil, com uso de antivirais, drogas que não temos muitas para usar”, avalia o especialista em controle de doenças e epidemiologia.
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Ameaça à saúde no Lago Paranoá

Problemas podem variar de alergias a doença mais grave no fígado. Ibram e Adasa prosseguem investigação sobre proliferação de cianobactérias
» THIAGO SOARES
Publicação: 04/12/2016 04:00
Peixes mortos foram retirados do local interditado. Também era possível encontrar detritos ao longo da margem (Carlos Vieira/CB/D.A Press – 21/11/06)
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Peixes mortos foram retirados do local interditado. Também era possível encontrar detritos ao longo da margem
Autoridades continuam a investigar as causas da proliferação de cianobactérias no Lago Paranoá. Equipes do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) rastreiam dutos pluviais a fim de identificar vestígios de lançamento de esgoto diretamente na água. No entanto, até o momento, nada foi detectado. Além de acarretar mortes de peixes, a contaminação pode afetar a saúde dos banhistas e de quem consome animais pescados no local. As consequências podem ser desde simples alergias até problemas mais severos no fígado. Por isso, enquanto a causa do problema na água não for detectada, os banhos e a pesca continuam suspensos por tempo indeterminado no trecho entre o Pontão do Lago Sul e a foz do Riacho Fundo.

Os órgãos garantem que o restante do lago não está contaminado e que também não existe possibilidade de expansão das cianobactérias. Leonardo de Lima, 75 anos, chegou a Brasília na época da construção da barragem e já tirou dali muitos peixes. Próximo da Ponte das Garças, um dos locais apontados como impróprios para a pesca, o funcionário público pratica o esporte. Foi de lá também que, em 16 de novembro, equipes do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) retiraram 70 sacos de peixes mortos.

Leonardo de Lima costuma pescar na região e lamenta a situação:

Leonardo de Lima costuma pescar na região e lamenta a situação: “É muito triste ver o lago dessa maneira”
“É uma situação triste ver o lago dessa maneira. Vi muitos peixes mortos por aqui. Está melhorando um pouco, mas ainda não é ideal. Esse peixe daqui, eu não consumo, apenas pesco por lazer. Vejo isso tudo como parte de um abandono do nosso lago. É possível ver muito lixo nas margens”, reclama Leonardo. Nas margens onde ele pesca, a cada 5 metros, é possível ver peixes mortos. Antes da proliferação da cianobactéria, ele conta que pegava peixes em poucos minutos. Agora, quem pesca por ali precisa esperar um bom tempo até ter sucesso.

Cuidado
Os riscos da presença das cianobactérias nas águas podem ser diversos, segundo a doutora em microbiologia Janaina Rigonato, especialista em cianobactéria do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (USP). “Em condições de floração, que é quando ocorre essa proliferação, elas liberam uma toxina que pode acometer peixes e outros animais que consomem essa água”, detalha. Segundo ela, isso pode explicar a grande mortandade de espécies. A cianobactéria também pode ser prejudicial à saúde humana. “Elas podem acarretar desde reações alérgicas, afetar os órgãos nervosos e até provocar problemas nos rins. O ideal é que, uma vez detectada a presença de cianobactérias em reservatórios, lago ou rio, seja interrompida qualquer atividade no local, seja banho, seja pesca, seja captação, até que os níveis voltem ao normal.”

A especialista explica ainda que esses microrganismos estão presentes usualmente em ambientes aquáticos, mas dentro de uma proporção aceita pelo Ministério de Saúde. A proliferação em excesso configura o problema. As causas podem ser o lançamento de esgoto irregular ou o escoamento de produtos agrícolas no solo, por exemplo. “Esses lançamentos aumentam a produção de nitrogênio e de fósforo nas águas, o que acarreta um fenômeno chamado de floração, que é quando ocorre um crescimento exagerado das cianobactérias. A consequência é água em tom esverdeado e até com bolhas e também a morte de peixes, devido à baixa de oxigênio no local”, relata Janaina.

Na avaliação do doutor em recursos hídricos da Universidade de Brasília (UnB) Sérgio Koide, a situação do Lago Paranoá é consequência da ocupação urbana desordenada na capital do país. “Houve crescimento de áreas habitacionais e, com isso, o lançamento de esgoto e ligações clandestinas no espelho d’água e em seus afluentes, como o Riacho Fundo e o Córrego Bananal. É preciso investimento e controle dessas expansões ao longo da bacia do Paranoá”, afirma.

O superintendente de estudos e monitoramento do Ibram, Luiz Rios, detalhou que a mancha tem diminuído significativamente com as últimas chuvas. “Não quer dizer que o problema foi superado. O lago aumentou o nível em seis centímetros, e isso também ajuda na diminuição da matéria orgânica. Estamos monitorando toda a extensão e não há risco de que a área contaminada aumente, pelo contrário, a tendência agora é diminuir”, disse.
Esporte comprometido

» GLÁUCIA CHAVES
Publicação: 04/12/2016 04:00
A contaminação do lago por cianobactérias tem afetado a prática de esportes no local e, consequentemente, os pequenos negócios que funcionam às margens. O microempreendedor Rafael Sampaio, 29 anos, é idealizador do projeto Surf do Cerrado e participou do protesto de cerca de 20 surfistas e outros esportistas em 25 de novembro na Praça do Buriti, para cobrar do governo de Brasília providências para a despoluição. Ele e o sócio Sérgio Marques, 36, têm amargado manhãs solitárias. São poucos os interessados em aprender a surfar ou a praticar Stand Up Paddle (SUP). Antes da divulgação do boletim sobre as algas do lago, ele conta que atendia, em média, 200 pessoas por sábado. “Diminuiu bastante o número de pessoas. Até aquelas do nosso círculo do esporte estão deixando de vir. A situação está bastante preocupante”, comenta Rafael.

Os dois mantêm a base de atividades próximo à Ponte das Garças, um dos locais apontados pela Adasa e pelo Ibram como perigosos para banho. “Todos que dependemos do lago de alguma forma estão tendo prejuízos”, lamenta. “O que podemos fazer é cobrar dos responsáveis soluções imediatas, para não deixar o problema se agravar. Até agora, não tem nenhum trabalho em prol da limpeza. Em vez disso, só colocaram placas de proibido nadar”, completa.

Mesmo com as placas de sinalização, algumas pessoas se arriscavam nas águas do Paranoá. O mecânico Eduardo Ximenes, 31 anos, testava o motor de seu jet ski. “Sempre venho ao lago e notei que a tonalidade da água está bem mais escura”, comenta. “Perto da ponte, tem muitos peixes mortos. Quando você anda na margem, sente um mau cheiro também”, diz.

Os amigos dele Daniel Assis Sales, 32, e o técnico em segurança do trabalho Diego Costa Oliveira, 34, não tiveram coragem de entrar no lago e acompanharam de longe. Para Daniel, não foi só a má qualidade da água que afastou os visitantes, mas também a falta de estrutura da orla. “Aqui em Brasília é tudo mal fiscalizado. Isso (a poluição do lago) é só mais uma consequência da má administração.”

De acordo com o instrutor de SUP Jackson Sousa, 40, a diminuição do público se deu, também, devido ao período de chuvas. “Só as chuvas já diminuem naturalmente a quantidade de pessoas. Coincidiu, infelizmente, com esse laudo”, avalia. O microempreendedor Lucas Duarte, 18, também notou a queda de clientes. Ele acredita que falta informação sobre a realidade do lago. “O público acha que o lago inteiro está afetado, mas não está. Agora, é tentar correr atrás do prejuízo, porque não tem como não usar o local, ele é para todos.”

Cãominhada estimula doação de ração a grupos de proteção​

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Animais de estimação também marcarão presença na #ViradadoCerrado com a realização da 5ª Cãominhada Solidária. Será dia 11 de setembro, de 9 às 16h, no Parque da Cidade, com concentração no estacionamento 11.

A programação vai estimular os tutores de cães a cuidar do bem-estar do seu animal, ter noção da guarda responsável e de como proteger o meio ambiente. Isso, além de apoiar projetos de auxílio a cães e gatos vítimas de maus-tratos e de abandono no Distrito Federal para que eles sejam encaminhados para adoção.

Além da atividade, haverá também estandes dos grupos de proteção animal: Projeto Linda, Projeto Adoção São Francisco, Quintal dos Bichos, Felinos e Projeto Cão Guia de Cegos, exposições e muitas atividades para os pets. Para participar da Cãominhada o tutor deve doar, no mínimo, 1kg de ração para cães ou gatos no dia do evento.

Você pode ajudar também adquirindo antecipadamente um kit solidário por R$ 25, que contém uma bandana do evento para o cão, protetor solar para pets, bebedouro portátil e um calendário. O valor arrecadado será revertido na campanha de Castração Solidária.

Quem não tem animal de estimação, ou não puder participar da Cãominhada, pode entregar a doação de ração no estande do Grupo Cãominhada, no estacionamento 10, onde estarão concentrados os eventos da Virada do Cerrado o dia inteiro.

Vem pra Virada!

Após morte de criança em MT, Anvisa suspende lote de achocolatado

A resolução, que vigora por 90 dias, atende ao pedido da Coordenadoria de Vigilância Sanitária do Estado de Mato Grosso

postado em 30/08/2016 14:26
Agência Estado
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu nesta segunda-feira (29/8), em todo o Brasil, um lote do achocolatado da marca Itambé, após a morte de uma criança em Cuiabá (MT), na última quinta-feira (25/8). A Polícia Civil de Mato Grosso investiga se a morte do menino de dois anos está relacionada à ingestão do produto.

A decisão da Anvisa foi publicada no Diário Oficial desta segunda e diz respeito ao lote “21:18” da bebida, fabricado pela Itambé Alimentos S/A e que tem validade até 21 de novembro de 2016. A resolução, que vigora por 90 dias, atende ao pedido da Coordenadoria de Vigilância Sanitária do Estado de Mato Grosso.

De acordo com informações da Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica) de Cuiabá, a família do menino informou que recebeu o achocolatado de um vizinho. Até a noite desta segunda, o homem ainda não havia sido encontrado pela polícia para prestar depoimento.

Em depoimento, a mãe informou que, no dia da morte, a criança estava resfriada, soltando coriza pelo nariz, mas sem febre. Ela disse ainda à polícia que o menino pediu algo para comer e, então, deu uma caixinha do achocolatado.

Minutos após ingerir o líquido, o menino teria apresentado falta de ar, ficando com o corpo mole e com princípio de desmaio. Levada ao hospital em Cuiabá, a criança não resistiu. Ainda segundo a polícia mato-grossense, a mãe e o tio do menino teriam provado da bebida e também passaram mal, sentindo tonturas e náuseas. De acordo com a polícia, a família da criança já foi ouvida e agora espera pelos resultados do laudo sobre a causa da morte.

Resposta da empresa

Em nota, a Itambé informou que já realizou análises laboratoriais internas do lote de produção mencionado na notificação, não identificando qualquer problema em sua composição. Outras análises estão sendo feitas em laboratórios externos e no Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

De acordo com a empresa, não houve qualquer notificação de outros casos similares relativos ao achocolatado. A nota termina dizendo que o produto “está no mercado há mais de uma década, e nunca apresentou qualquer problema correlato. A empresa reitera seu compromisso com a qualidade de seus produtos e continua trabalhando com os órgãos oficiais para que os fatos sejam esclarecidos o mais rapidamente possível.”
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Um basta ao assédio

Estudantes de jornalismo e de publicidade participam de concurso sobre o tema. Depois de seis meses de trabalho, criaram várias plataformas de comunicação para alertar sobre a importância da denúncia.

» CAMILA COSTA
Publicação: 29/07/2016 04:00
Sexual, moral, psicológico, simbólico. O assédio pode se vestir de várias formas. Pode estar em vários ambientes e, de tão popular, sequer ser notado. E mais, ele não tem sexo. Prefere as mulheres, mas pode escolher os homens. Mais atual que nunca, o tema foi o mote escolhido para um concurso da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Católica de Brasília (UCB). Alunos de jornalismo e de publicidade se debruçaram em cima da hashtag #MeuÚltimoAssédio para criar produtos relacionados à temática e levantar a discussão: falar da última vez em que foi assediada ou assediado pode fazer com que, de fato, seja a última vez.

Depois de seis meses de trabalho, o resultado premiado foi uma campanha para diversos meios de comunicação, como televisão, jornal impresso, além de formatos para as redes sociais, produzida por oito estudantes. O conceito aborda o valor da denúncia. Quando uma vítima se cala, uma luz se apaga. “Precisamos de luz para combater o silêncio. Muitas vezes, por não enxergarem o assédio como um assédio, o tema não tem a visibilidade que deveria. E a luz é a denúncia. Um grito para acabar com o silêncio”, justificou Iago Martinho Kieling, 18 anos, aluno do 4º semestre de jornalismo. Segundo Iago, a pesquisa foi intensa. Muito das técnicas usadas veio de influências do expressionismo — movimento artístico que procura retratar as emoções e as respostas subjetivas.

Uma das peças é um vídeo. Uma moça, interpretada por uma atriz, sugere vários tipos de assédio até não aguentar mais. Nessa hora, ela grita. O vídeo não tem muitos sons; o grito, principalmente, não aparece. Mas foi o jeito encontrado para mostrar, mais uma vez, a importância de não se calar diante de um assédio. “A gente sempre ouve falar de assédio. É até comum. Mas, quando vimos o conceito, aqui, durante o trabalho, a concepção muda. Você começa a perceber que o assédio está do lado e você não percebe”, afirmou Caio Eduardo Almeida, 20, que está no 4º semestre de jornalismo. Segundo outro participante, Benny da Silva Leite, 18, do 4º semestre de publicidade, apesar de as meninas serem minoria no grupo — apenas três dos oito integrantes —, elas foram mais ouvidas na hora da produção das peças.

Para Benny, é impossível falar do que não se viveu. “Infelizmente, o assédio ainda acontece mais com as meninas. E foram elas que nos ajudaram a ter o olhar correto em cima do tema, com sensibilidade para que abordássemos da melhor forma. Elas indicavam os detalhes, com cuidado para que a realidade fosse retratada de verdade”, explicou. Em uma outra peça, os alunos produziram uma foto, na qual a vítima aparece agachada, retraída, de costas. “Fomos atrás de destacar todos os sentidos — visão, audição, tato —, em uma campanha que fosse séria, sem brincadeiras ou descontração, para conscientizar”, resume Iago.

Os estudantes receberam um troféu, feito pelo designer Caê Penna em parceria com a Galeria Ponto; certificados de participação; e ganharam, ainda, uma festa. Terão uma visita agendada na Agência Heads e um jantar com profissionais da área de comunicação.

(Carlos Vieira/CB/D.A Press)
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“Precisamos de luz para combater o silêncio. Muitas vezes, por não enxergarem
o assédio como um assédio, o tema não tem a visibilidade que deveria.
E a luz é a denúncia. Um grito para acabar com o silêncio”

Iago Martinho Kieling, 18 anos,
estudante de jornalismo, 4 º semestre.

“A gente sempre ouve falar de assédio. É até comum. Mas, quando vimos
o conceito, aqui, durante o trabalho, a concepção muda.
Você começa a perceber que o assédio está do lado e você não nota”

Caio Eduardo Almeida, 20 anos,
estudante de jornalismo, 4º semestre

“Infelizmente, o assédio ainda acontece mais com as meninas. Temos garotas
no grupo e foram elas que nos ajudaram a ter o olhar correto sobre o tema,
com sensibilidade para que abordássemos da melhor forma”

Benny da Silva Leite, 18 anos,
estudante de publicidade, 4 º semestre.

Diretrizes

O concurso Intercâmbio de Semestres foi proposto por duas professoras, Raquel Cantarelli, de redação publicitária e teorias da comunicação; e Ane Molina, de fotografia. No ano passado, as duas criaram o Projeto Práticas e a Agência Experimental — Espaço Bagagem, duas iniciativas para oferecer aos estudantes mais contato com as facetas de cada curso. “Entendíamos que eles tinham que ter mais prática. Colocamos um objetivo para os alunos do primeiro semestre, dentro do Projeto Prática, que era pesquisar o tema, ir atrás de material, de tudo sobre assédio. Esse material acabou desaguando em algo maior, como bagagem para a Agência. Além disso tudo, podemos tornar os meninos mais humanos”, explica Raquel.

Com tudo o que os alunos do primeiro semestre colheram dentro do tema, foi dada a largada para o concurso. Ao todo, 150 alunos participaram, e oito grupos se formaram, com estudantes de ambos os cursos e de semestres diferentes. Em quatro etapas, eles criaram um projeto que tinha tanto peças publicitárias como produtos jornalísticos. Uma vez por semana, eram orientados pelas duas docentes. Apoiadores como ONU Mulheres, Agência Heads — primeira agência de publicidade do Brasil a se alinhar com os princípios de empoderamento das mulheres — e Perestroika — escola de atividades criativas —, fizeram parte da banca de avaliação. “O trabalho é um despertar para o tema. Uma forma de entender meu corpo e meu espaço e que não pode ser maculado”, ponderou Ane.

Elas ainda são as mais vulneráveis

Uma pesquisa do Instituto Avon/Data Popular com 1.823 universitários de todo o país, entre setembro e outubro de 2015, conclui que:

52%
foram humilhadas, xingadas ou ofendidas

56%
sofreram assédio sexual, comentários com apelos sexuais indesejados, cantadas ofensiva ou abordagens agressiva

28%
sofreram estupro, tentativa de abuso enquanto estavam sob efeito de álcool ou foram tocadas sem consentimento e forçadas a beijar veteranos

42%
já sentiram medo de sofrer violência no ambiente universitário

36%
deixaram de fazer alguma atividade na universidade por medo de sofrer violência

18%
foram coagidas a ingerir, à força, bebida alcoólica e/ou drogas, foram drogadas sem conhecimento ou forçadas a participar em atividades degradantes, como leilões e desfiles

10%
sofreram agressão física

49%
sofreram desqualificação intelectual ou piadas ofensivas, ambos por serem mulheres

63%
admitem não ter reagido quando sofreram a violência
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Polícia busca quadrilha de golpe do falso emprego, no DF e em São Paulo

O grupo divulgava os anúncios em sites na internet e jornais, mas quando a vítima entrava em contato interessada na vaga de emprego eles informavam da necessidade de fazer um curso a distância no valor de R$ 150


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postado em 25/07/2016 12:14 / atualizado em 25/07/2016 12:44
Isa Stacciarini
Polícia Civil/DivulgaçãoA imagem do anúncio foi levada à polícia por uma das vítimas
Um golpe de falso emprego, aplicado em todo país – inclusive com vítimas no Distrito Federal -, está sendo alvo de policiais da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, à Ordem Tributária e a Fraudes (Corf). Os 12 mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão são cumpridos em São Paulo e no litoral paulista onde fica a sede da organização criminosa. A investigação durou mais de um ano. A operação batizada de Fake Job foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (25/7). Ao menos cinco pessoas foram presas até às 12h40.

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O grupo divulgava os anúncios em sites na internet e jornais, mas quando a vítima entrava em contato interessada na vaga de emprego eles informavam da necessidade de fazer um curso a distância no valor de R$ 150. Os criminosos prometiam que após o falso “treinamento” os candidatos seriam admitidos. No entanto, não existia o emprego. A maioria das oportunidades ofertadas era de baixa renda em diversas funções. O líder do bando, Renan Romero Dias, está foragido.
maria

Polícia Civil/Divulgação líder do bando, Renan Romero Dias, está foragido
Segundo investigação da Polícia Civil do DF, em apenas um dia os golpistas recebiam cerca de mil e-mails de desempregados interessados nas vagas. Ainda não há custo estimado de quanto os criminosos lucraram. A expectativa é fazer a contagem dos valores com as buscas realizadas e a prisão dos envolvidos.

De acordo com o apurado pelos investigadores até agora, quando o grupo aplicava muitos golpes com o mesmo site, eles desativavam a página online e criavam outro. Contudo, ainda há contas ativas com as ofertas de emprego disponíveis. Alguns anúncios fraudados são identificados como Grupo Líder Portaria, Central Internacional, Emprego de Portaria, Embra Treinamentos, Certificado de Portaria, SC Pesquisa Nacional, entre outros.

A Polícia Civil acredita que milhares de pessoas espalhadas por todo país tenham sido vítimas dos criminosos. Investigadores também suspeitam que após a divulgação do caso novas vítimas apareçam.
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