Um basta ao assédio

Estudantes de jornalismo e de publicidade participam de concurso sobre o tema. Depois de seis meses de trabalho, criaram várias plataformas de comunicação para alertar sobre a importância da denúncia.

» CAMILA COSTA
Publicação: 29/07/2016 04:00
Sexual, moral, psicológico, simbólico. O assédio pode se vestir de várias formas. Pode estar em vários ambientes e, de tão popular, sequer ser notado. E mais, ele não tem sexo. Prefere as mulheres, mas pode escolher os homens. Mais atual que nunca, o tema foi o mote escolhido para um concurso da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Católica de Brasília (UCB). Alunos de jornalismo e de publicidade se debruçaram em cima da hashtag #MeuÚltimoAssédio para criar produtos relacionados à temática e levantar a discussão: falar da última vez em que foi assediada ou assediado pode fazer com que, de fato, seja a última vez.

Depois de seis meses de trabalho, o resultado premiado foi uma campanha para diversos meios de comunicação, como televisão, jornal impresso, além de formatos para as redes sociais, produzida por oito estudantes. O conceito aborda o valor da denúncia. Quando uma vítima se cala, uma luz se apaga. “Precisamos de luz para combater o silêncio. Muitas vezes, por não enxergarem o assédio como um assédio, o tema não tem a visibilidade que deveria. E a luz é a denúncia. Um grito para acabar com o silêncio”, justificou Iago Martinho Kieling, 18 anos, aluno do 4º semestre de jornalismo. Segundo Iago, a pesquisa foi intensa. Muito das técnicas usadas veio de influências do expressionismo — movimento artístico que procura retratar as emoções e as respostas subjetivas.

Uma das peças é um vídeo. Uma moça, interpretada por uma atriz, sugere vários tipos de assédio até não aguentar mais. Nessa hora, ela grita. O vídeo não tem muitos sons; o grito, principalmente, não aparece. Mas foi o jeito encontrado para mostrar, mais uma vez, a importância de não se calar diante de um assédio. “A gente sempre ouve falar de assédio. É até comum. Mas, quando vimos o conceito, aqui, durante o trabalho, a concepção muda. Você começa a perceber que o assédio está do lado e você não percebe”, afirmou Caio Eduardo Almeida, 20, que está no 4º semestre de jornalismo. Segundo outro participante, Benny da Silva Leite, 18, do 4º semestre de publicidade, apesar de as meninas serem minoria no grupo — apenas três dos oito integrantes —, elas foram mais ouvidas na hora da produção das peças.

Para Benny, é impossível falar do que não se viveu. “Infelizmente, o assédio ainda acontece mais com as meninas. E foram elas que nos ajudaram a ter o olhar correto em cima do tema, com sensibilidade para que abordássemos da melhor forma. Elas indicavam os detalhes, com cuidado para que a realidade fosse retratada de verdade”, explicou. Em uma outra peça, os alunos produziram uma foto, na qual a vítima aparece agachada, retraída, de costas. “Fomos atrás de destacar todos os sentidos — visão, audição, tato —, em uma campanha que fosse séria, sem brincadeiras ou descontração, para conscientizar”, resume Iago.

Os estudantes receberam um troféu, feito pelo designer Caê Penna em parceria com a Galeria Ponto; certificados de participação; e ganharam, ainda, uma festa. Terão uma visita agendada na Agência Heads e um jantar com profissionais da área de comunicação.

(Carlos Vieira/CB/D.A Press)
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“Precisamos de luz para combater o silêncio. Muitas vezes, por não enxergarem
o assédio como um assédio, o tema não tem a visibilidade que deveria.
E a luz é a denúncia. Um grito para acabar com o silêncio”

Iago Martinho Kieling, 18 anos,
estudante de jornalismo, 4 º semestre.

“A gente sempre ouve falar de assédio. É até comum. Mas, quando vimos
o conceito, aqui, durante o trabalho, a concepção muda.
Você começa a perceber que o assédio está do lado e você não nota”

Caio Eduardo Almeida, 20 anos,
estudante de jornalismo, 4º semestre

“Infelizmente, o assédio ainda acontece mais com as meninas. Temos garotas
no grupo e foram elas que nos ajudaram a ter o olhar correto sobre o tema,
com sensibilidade para que abordássemos da melhor forma”

Benny da Silva Leite, 18 anos,
estudante de publicidade, 4 º semestre.

Diretrizes

O concurso Intercâmbio de Semestres foi proposto por duas professoras, Raquel Cantarelli, de redação publicitária e teorias da comunicação; e Ane Molina, de fotografia. No ano passado, as duas criaram o Projeto Práticas e a Agência Experimental — Espaço Bagagem, duas iniciativas para oferecer aos estudantes mais contato com as facetas de cada curso. “Entendíamos que eles tinham que ter mais prática. Colocamos um objetivo para os alunos do primeiro semestre, dentro do Projeto Prática, que era pesquisar o tema, ir atrás de material, de tudo sobre assédio. Esse material acabou desaguando em algo maior, como bagagem para a Agência. Além disso tudo, podemos tornar os meninos mais humanos”, explica Raquel.

Com tudo o que os alunos do primeiro semestre colheram dentro do tema, foi dada a largada para o concurso. Ao todo, 150 alunos participaram, e oito grupos se formaram, com estudantes de ambos os cursos e de semestres diferentes. Em quatro etapas, eles criaram um projeto que tinha tanto peças publicitárias como produtos jornalísticos. Uma vez por semana, eram orientados pelas duas docentes. Apoiadores como ONU Mulheres, Agência Heads — primeira agência de publicidade do Brasil a se alinhar com os princípios de empoderamento das mulheres — e Perestroika — escola de atividades criativas —, fizeram parte da banca de avaliação. “O trabalho é um despertar para o tema. Uma forma de entender meu corpo e meu espaço e que não pode ser maculado”, ponderou Ane.

Elas ainda são as mais vulneráveis

Uma pesquisa do Instituto Avon/Data Popular com 1.823 universitários de todo o país, entre setembro e outubro de 2015, conclui que:

52%
foram humilhadas, xingadas ou ofendidas

56%
sofreram assédio sexual, comentários com apelos sexuais indesejados, cantadas ofensiva ou abordagens agressiva

28%
sofreram estupro, tentativa de abuso enquanto estavam sob efeito de álcool ou foram tocadas sem consentimento e forçadas a beijar veteranos

42%
já sentiram medo de sofrer violência no ambiente universitário

36%
deixaram de fazer alguma atividade na universidade por medo de sofrer violência

18%
foram coagidas a ingerir, à força, bebida alcoólica e/ou drogas, foram drogadas sem conhecimento ou forçadas a participar em atividades degradantes, como leilões e desfiles

10%
sofreram agressão física

49%
sofreram desqualificação intelectual ou piadas ofensivas, ambos por serem mulheres

63%
admitem não ter reagido quando sofreram a violência
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Polícia busca quadrilha de golpe do falso emprego, no DF e em São Paulo

O grupo divulgava os anúncios em sites na internet e jornais, mas quando a vítima entrava em contato interessada na vaga de emprego eles informavam da necessidade de fazer um curso a distância no valor de R$ 150


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postado em 25/07/2016 12:14 / atualizado em 25/07/2016 12:44
Isa Stacciarini
Polícia Civil/DivulgaçãoA imagem do anúncio foi levada à polícia por uma das vítimas
Um golpe de falso emprego, aplicado em todo país – inclusive com vítimas no Distrito Federal -, está sendo alvo de policiais da Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, à Ordem Tributária e a Fraudes (Corf). Os 12 mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão são cumpridos em São Paulo e no litoral paulista onde fica a sede da organização criminosa. A investigação durou mais de um ano. A operação batizada de Fake Job foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (25/7). Ao menos cinco pessoas foram presas até às 12h40.

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O grupo divulgava os anúncios em sites na internet e jornais, mas quando a vítima entrava em contato interessada na vaga de emprego eles informavam da necessidade de fazer um curso a distância no valor de R$ 150. Os criminosos prometiam que após o falso “treinamento” os candidatos seriam admitidos. No entanto, não existia o emprego. A maioria das oportunidades ofertadas era de baixa renda em diversas funções. O líder do bando, Renan Romero Dias, está foragido.
maria

Polícia Civil/Divulgação líder do bando, Renan Romero Dias, está foragido
Segundo investigação da Polícia Civil do DF, em apenas um dia os golpistas recebiam cerca de mil e-mails de desempregados interessados nas vagas. Ainda não há custo estimado de quanto os criminosos lucraram. A expectativa é fazer a contagem dos valores com as buscas realizadas e a prisão dos envolvidos.

De acordo com o apurado pelos investigadores até agora, quando o grupo aplicava muitos golpes com o mesmo site, eles desativavam a página online e criavam outro. Contudo, ainda há contas ativas com as ofertas de emprego disponíveis. Alguns anúncios fraudados são identificados como Grupo Líder Portaria, Central Internacional, Emprego de Portaria, Embra Treinamentos, Certificado de Portaria, SC Pesquisa Nacional, entre outros.

A Polícia Civil acredita que milhares de pessoas espalhadas por todo país tenham sido vítimas dos criminosos. Investigadores também suspeitam que após a divulgação do caso novas vítimas apareçam.
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Termina hoje prazo para o trabalhador sacar o PIS/Pasep

Até a última segunda-feira (27), 1,4 milhão de trabalhadores ainda não haviam sacado o benefício, de acordo com o Ministério do Trabalho.

postado em 30/06/2016 09:41
Agência Brasil
Hoje é o último dia para o trabalhador sacar o abono salarial do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep). Até a última segunda-feira (27), 1,4 milhão de trabalhadores ainda não haviam sacado o benefício, de acordo com o Ministério do Trabalho.

Equivalente a um salário-mínimo (R$ 880), o benefício é pago a empregados que tenham trabalhado com carteira assinada por pelo menos 30 dias em 2014 e tenham recebido até dois salários mínimos por mês nesse período.

O trabalhador também precisa estar cadastrado no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos e ter tido os dados informados corretamente pelo empregador na Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Os recursos não sacados retornam ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

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Em caso de dúvida, os beneficiários do PIS podem ligar para a Central de Atendimento da Caixa Econômica, no telefone 0800-726-0207. Quem tem direito ao Pasep pode obter informações no telefone 0800-729-0001, do Banco do Brasil.

Destinado a trabalhadores da iniciativa privada, o PIS é pago na Caixa Econômica Federal. Quem tiver o Cartão Cidadão pode sacar o benefício em casas lotéricas ou em terminais de autoatendimento da Caixa. Quem não tiver o cartão, pode receber o dinheiro em qualquer agência do banco, desde que leve documento de identificação. Empregados domésticos não têm direito ao benefício, porque o PIS é recolhido somente por empresas privadas.

Destinado a servidores públicos, o Pasep é pago pelo Banco do Brasil. O dinheiro costuma ser depositado diretamente na conta. Caso o crédito não tenha sido feito, o trabalhador pode ir a qualquer agência da instituição financeira e apresentar um documento de identificação.
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E haja frio!

As duas últimas semanas foram as mais geladas do ano na capital. Os termômetros chegaram a marcar sensação térmica de 6ºC na segunda. E a previsão é de temperaturas mais baixas e dias muito secos.
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Publicação: 30/06/2016 04:00
As manhãs geladas têm desanimado Ioléte Alves a fazer as habituais caminhadas:

As manhãs geladas têm desanimado Ioléte Alves a fazer as habituais caminhadas: “Está muito gelado para sair”
jaqueta

Vendedor de casacos, Guilherme Bandeira não tem do que reclamar da chegada do inverno:

Vendedor de casacos, Guilherme Bandeira não tem do que reclamar da chegada do inverno: “As vendas subiram muito”

Junho chega ao fim como o mês mais frio do ano na capital. Antes mesmo do início oficial do inverno, no dia 18, os termômetros chegaram a registrar a temperatura mínima de 9,9°C. Na última segunda-feira, as constantes rajadas de vento deixaram a sensação térmica em 6°C. E o brasiliense que se prepare, pois as noites e as madrugadas geladas estão só começando. Devem continuar até setembro, acompanhadas de muita secura.

De acordo com a meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) Lilian Caldas, com o frio, uma massa de ar seco está sobre a região e deve permanecer até outubro. “A falta de umidade ataca, principalmente, durante o período da tarde, quando, geralmente, marca a mínima de 30%”, detalha. É também durante a tarde que os termômetros atingem os pontos mais altos, com média de 25ºC.

E a população tem sentido na pele essa variação térmica. A comerciante Ioléte Alves conta que, com a chegada do inverno, precisou mudar a rotina. “Parei de fazer caminhada pela manhã, está muito gelado para sair. Até menos água estou bebendo”, relata. Se alguns reclamam do clima, aqueles que trabalham no comércio de roupas de inverno só têm a festejar. O gaúcho Guilherme Bandeira mora no Distrito Federal há 20 anos e vende casacos em um caminhão. “Agora que o tempo esfriou, as vendas subiram muito. Trabalho nas ruas e, por onde eu passo, sempre existe procura”, comemora.

Segundo o Inmet, o clima gelado é causado pelo El Ninõ — fenômeno climático, de caráter atmosférico-oceânico, em que ocorre o aquecimento das águas do Oceano Pacífico e afeta diretamente o clima brasileiro.

Problemas de saúde
A mistura do tempo frio com a massa de ar seco desencadeia diversas doenças respiratórias, que levam à lotação dos ambulatórios. Entre as principais, estão rinite, resfriados, dores de garganta e crises alérgicas. O pneumologista Thiago Fuscaldi alerta para os cuidados especiais com crianças, idosos e pessoas que estão em grupos de risco, como as que sofrem com enfermidades crônicas ou que atacam o sistema imunológico. “Em casos normais, o resfriado passa em até 48 horas. Se demorar mais que isso ou se o paciente estiver se sentido muito prostrado pelos sintomas, é importante ir ao posto”, aconselha.

Quem não está acostumado com o clima de Brasília reclama do frio e do tempo seco, e acaba sofrendo mais nesta época. É o caso de Wesley Oliveira. Nascido no Rio de Janeiro, ele atualmente mora e trabalha na capital. “No Rio, o tempo é mais quente e úmido. Aqui, acabo ficando gripado mais facilmente, e a baixa umidade faz a minha pele ficar muito ressecada”, conta.

Para diminuir os casos de gripe, o pneumologista aconselha que, mesmo no frio, evite-se ficar em locais públicos sem ventilação. “É importante deixar os ambientes arejados. Mesmo se estiver gelado, as janelas precisam ficar abertas, pois esta época do ano é muito propicia a doenças contagiosas”, justifica.

“É importante deixar os ambientes arejados. Mesmo se estiver gelado,
as janelas precisam ficar abertas”
Thiago Fuscaldi,
pneumologista

Termômetro em baixa

As temperaturas mais frias nos meses de junho de 2015 e 2016. As duas últimas semanas, foram as mais frias do ano.

2016
» 1º/6 – 17ºC
» 9/6 – 18ºC
» 18/6 – 9,9ºC
» 27/6 – 10ºC

2015
» 1º/6 – 15ºC
» 9/6 – 14ºC
» 18/6 – 16ºC
» 27/6 – 12ºC

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Parte da história do DF jogada às traças

Uma pequena sala na Asa Norte guarda documentos importantes para a cidade sem acondicionamento próprio. Até plantas desenhadas por Lucio Costa estão lá. Situação é denunciada para o Ministério Público e governo promete ação para impedir descaso

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» HELENA MADER
» OTÁVIO AUGUSTO
Publicação: 07/06/2016 04:00
A Mapoteca do DF está em uma sala dentro da construção da década de 1970, perto da Colina da UnB, onde antigamente funcionava a Diretoria Regional de Ensino do Plano Piloto (Rodrigo Nunes/Esp. CB/D.A Press)
image002A Mapoteca do DF está em uma sala dentro da construção da década de 1970, perto da Colina da UnB, onde antigamente funcionava a Diretoria Regional de Ensino do Plano Piloto

Ação diz que local não tem

Ação diz que local não tem “condições mínimas de higiene e segurança”

Mapas e plantas urbanísticas que ajudam a contar a história de Brasília estão guardados em um local improvisado, sem segurança e cuidados adequados de preservação. Cerca de 20 mil documentos da chamada Mapoteca do DF foram transferidos no ano passado de um prédio na W3 Sul para um antigo edifício na Asa Norte. Os papéis já estavam acondicionados de forma inadequada havia vários anos, mas especialistas dizem que o atual local de arquivo representa um grave risco à documentação. O descaso com os antigos mapas da cidade é histórico. Arquitetos não sabem onde estão papéis com incomparável valor, como plantas desenhadas pelo arquiteto e urbanista Lucio Costa, que desapareceram há alguns anos. O GDF promete transferir a documentação para uma sala adequada no Arquivo Público do DF.

Ontem, entidades de defesa da preservação de Brasília e associações comunitárias entregaram uma representação ao governador Rodrigo Rollemberg (PSB), à Câmara Legislativa e ao Ministério Público do DF a fim de denunciar o problema. A Promotoria de Defesa do Meio Ambiente e do Patrimônio Cultural informou que vai apurar a denúncia e garantiu ter pedido informações ao Buriti. O documento é assinado por vários grupos, como os conselhos comunitários das asas Sul e Norte e do Sudoeste, a Associação Parque Ecológico das Sucupiras, o Instituto Pactos de Desenvolvimento Regional Sustentável, o Fórum das ONGs Ambientalistas do DF e o Instituto Histórico e Geográfico.

Os integrantes das entidades denunciam “a forma completamente inadequada” como estão arquivadas plantas originais de projetos de parcelamento urbano, paisagísticos, memoriais descritivos e projetos complementares de todo o DF. “Literalmente jogadas às traças e aos ratos”, diz a representação. As entidades criticam o local de abrigo dos documentos, “um ambiente completamente desprovido das condições mínimas de higiene e segurança para tão precioso material”.

O novo endereço da mapoteca fica escondido em um espaço próximo à Colina — conjunto de prédios habitacionais da Universidade de Brasília (UnB). No local, já funcionou a Diretoria Regional de Ensino do Plano Piloto. A edificação, um prédio da década 1970, apresenta desgastes do tempo. É possível observar problemas elétricos, como fiações expostas e falta de manutenção predial: as portas estão enferrujadas e há falhas no assoalho. Uma sala de cerca de 35m² é o espaço destinado aos mapas da capital. O ambiente é muito quente, mesmo em uma tarde fresca de outono.

Ontem, por volta das 16h30, havia dois vigilantes no local. “A gente fica sempre atento ao que está acontecendo. Aqui é meio isolado e sempre tem pessoas rondando”, contou um vigia. As grades que cercam o órgão são antigas e os portões, frágeis.

Fotos

Na denúncia entregue ao GDF, ao MPDFT e à Câmara, os especialistas anexaram fotos que mostram a péssima situação dos arquivos urbanísticos da capital. “Não há nenhuma sinalização ou placa informando a atual destinação do prédio. A situação é ainda mais grave porque, em volta do local, há dezenas de moradores de rua acampados, cometendo furtos e roubos. O lugar é de difícil acesso e quem quer procurar algum documento tem muita dificuldade de encontrá-lo”, conta Heliete Bastos, líder comunitária da Asa Sul.

Os autores da representação dizem que, até meados dos anos 2000, a Mapoteca do DF funcionava no Anexo do Palácio do Buriti. Em seguida, os documentos foram transferidos para um prédio do Setor Comercial Sul e, no governo passado, o acervo seguiu para a 507 Sul. Em 2015, houve a mudança para a 611 Norte.
Imagens do desleixo (FDDF/Reprodução)
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Imagens do desleixo

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image006Fotos anexadas no processo enviado para o MPDFT mostram as condições do local onde mapas e plantas estão guardados: altas temperaturas, ferrugem, sujeira e insegurança ao redor do prédio (FDDF/Reprodução)

Fotos anexadas no processo enviado para o MPDFT mostram as condições do local onde mapas e plantas estão guardados: altas temperaturas, ferrugem, sujeira e insegurança ao redor do prédio

“Tristeza enorme”

Publicação: 07/06/2016 04:00
A arquiteta e urbanista Tânia Batella lembra que os documentos guardados no local têm “um valor cultural incomparável”. “É a memória de Brasília que está sendo desrespeitada”, lamenta a especialista. Ela conta que entre os documentos com destino desconhecido está uma planta do arquiteto Lucio Costa. “Não encontramos a planta original do Brasília Revisitada, documento do Lucio Costa, por exemplo. A planta é essencial. A maioria dos documentos foi digitalizada, mas precisamos do original. E não é só isso: eles precisam ser guardados e preservados. Dá uma tristeza enorme”, acrescenta.

Filha de Lucio Costa, a também arquiteta Maria Elisa Costa confirma que o documento mencionado por Tânia Batella está desaparecido. “Eu nunca mais tive notícia do desenho de Brasília Revisitada, que foi feito sobre uma reprodução fotográfica do levantamento aerofotogramétrico da cidade, numa espécie de plástico, no qual se podia desenhar por cima. No acervo da Casa de Lucio Costa, há uma reprodução desse desenho, feita na época”, lembra Maria Elisa. “A impressão que eu tenho é que esse descaso se consolidou com o tempo, o que é uma pena”, acrescenta.

Em nota, a Secretaria de Gestão do Território e Habitação (Segeth) esclareceu que toda a documentação urbanística e cartográfica já está disponível em acervo digital. “Os documentos ativos, aqueles vigentes e usados como base de consulta para elaboração de projetos, podem ser acessados por endereço eletrônico. Já os documentos históricos podem ser consultados digitalmente, mas apenas mediante solicitação, já que o sistema é uma plataforma dedicada aos arquivos correntes.”

“Atualmente, a Segeth está em fase final de tratativas para a instalação da mapoteca numa sala do Arquivo Público do DF, onde continuará sendo guardada por servidores da secretaria e com melhor condicionamento dos documentos”, acrescenta a nota do governo. A Segeth informou ainda que, depois da migração, os arquivos “permanecem recebendo os cuidados necessários para sua manutenção enquanto aguardam a transferência para o Arquivo Público”.
Saiba mais…
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Golpe promete Netflix gratuito para enganar usuários brasileiros

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Da Redação
09 de maio de 2016 – 15h41
Segundo Kaspersky Lab, cibercriminosos usam a demanda por acesso ao serviço de streaming para espalhar malware entre usuários.
Um novo golpe que promete acesso gratuito ao Netflix vem sendo usado para disseminar trojans entre usuários brasileiros, segundo informações da Kaspersky Lab. De acordo com a empresa de segurança, os cibercriminosos do país aproveitam a demanda pelo serviço para espalhar trojans por meio de tutoriais e geradores de logins disponíveis.
Além disso, foi criado um mercado paralelo que oferece credenciais roubadas com um custo mais baixo.

Promoções falsas

Outro golpe aplicado pelos cibercriminosos para espalhar malware se utiliza de falsas promoções enviadas via e-mail que prometem seis meses de acesso grátis aos conteúdos do Netflix e do canal a cabo Telecine.

Quando clica no link da “oferta”, o usuário é levado para uma página falsa que pede seus dados pessoais e financeiros.

Vale lembrar que a única forma de acessar o Netflix de forma gratuita, mas apenas por um mês, é ao se inscrever para usar a plataforma de streaming pela primeira vez – o mesmo acontece com outros serviços como Spotify e Apple Music, por exemplo.
Como proteger seu Netflix
Segundo a Kaspersky, o Netflix não oferece aos usuários brasileiros recursos de segurança avançados para impedir o roubo de uma conta, como a dupla autenticação. Por isso, a empresa sugere as dicas abaixo:
1) Use uma senha única e forte: códigos repetidos é uma má prática de segurança, mas comum para a maioria dos usuários. Uma senha forte deve contar letras, números e símbolos. Mais importante, não use essa senha em nenhum outro lugar. Para facilitar a criação e gerenciamento de senhas fortes, a empresa oferece oKaspersky Password Manager.

2) Fique de olho no cadeado: se for acessar sua conta por meio do navegador web, verifique se a página possui conexão SSL (cadeado de segurança que fica no canto esquerdo do navegador). Se ele não for exibido, feche a página, pois ela é falsa.
3) Cadastre seu número de telefone: essa medida pode ser usada para recuperar sua conta, caso ela seja roubada ou a senha seja esquecida. De fato, esse é atualmente o único recurso de segurança oferecido pelo Netflix aos clientes e é altamente recomendável ativá-lo.

4) Não acredite em promoções mirabolantes: é comum que cibercriminosos enviem promoções com pacotes gratuitos ou recursos que não existem no Netflix. A mensagem sempre trará um link para uma página falsa, que solicitará seu login e/ou número de cartão. Na dúvida é melhor não informar nada e excluir a mensagem.
5) Não seja espertinho, o barato pode sair caro: comprar logins roubados ou buscar geradores de logins para tentar usar o serviço gratuitamente pode custar suas informações pessoais e financeiras. A maioria desses programas são falsos e visam apenas infectar o computador do internauta.
Site:www.terra.com.br

Entenda quando o funcionário aposentado ou demitido pode continuar com o plano de saúde

Por Thiago Soares
Publicado em 09/05/2016 – 11:44 Flávia Maia

No momento da aposentadoria, uma das principais preocupações dos trabalhadores é com o plano de saúde. Muitos ficam apreensivos com o fato de terem que contratar um novo seguro e cumprir os longos prazos de carências exercidos pelas operadoras. Uma regra da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) garante que os antigos trabalhadores e até mesmo os demitidos sem justa causa têm direito de manter as condições de cobertura assistencial, ou seja, os mesmos de quando usavam o plano na vigência do contrato de trabalho.

A ANS permite que o aposentado ou demitido permaneça com o seguro de saúde desde que ele tenha contribuído mensalmente com desconto no contracheque. Nesse caso, o empregador pode escolher se o ex-funcionário fica com o mesmo plano dos empregados ativos ou em um exclusivo para demitidos e aposentados. A exceção para continuidade do seguro é quando o benefício tenha sido pago integralmente pela empresa ou de forma coparticipa — sem desconto de mensalidade, mas apenas de procedimentos realizados.
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Crédito: Minervino Junior/CB/D.Aresize=542%2C360″ alt=”Crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press”  />Crédito: Minervino Junior/CB/D.A Press
Susana Fernandes Rascop, 54 anos, aposentou-se há menos de dois meses e foi avisada sobre a possibilidade de permanecer com o plano de saúde. A ex-bancária decidiu manter o benefício, principalmente pela vantagem de não precisar mais cumprir novos prazos para fazer procedimentos. “A empresa explicou como seria o plano a partir de agora e detalhou os custos que eu teria. Quando a gente se aposenta, quer ter a segurança de um seguro de saúde. Se eu mudasse de operadora, teria que cumprir carência e ainda pagar mais caro”, disse. Susana também manteve o serviço para o marido, que é dependente dela no seguro. “Nossa saúde está em dia, mas é importante ter um produto desse para qualquer situação”, completou.

De acordo com as regras, o demitido pode permanecer no benefício por tempo equivalente a 1/3 do total de pagamento do plano de saúde — sendo o mínimo de seis meses e o máximo de dois anos. O aposentado com menos de 10 anos de empresa pode continuar com o seguro. Cada ano trabalhado vale por um ano a mais de plano. Se o período for inferior a um ano, o direito será equivalente ao tempo que pagou pelo serviço. O trabalhador com mais de 10 anos de vínculo com a empresa pode permanecer no seguro até o fim da vida, ou enquanto o ex-empregador manter o benefício ativo para todos os empregados.

A ANS detalha que a decisão do aposentado ou do ex-empregado demitido sem justa causa de se manter no plano deve ser informada ao empregador no prazo máximo de 30 dias, contados a partir da comunicação do empregador sobre o direito de manutenção do benefício. Nesse caso, o trabalhador passará a pagar o valor do seguro de forma integral, diretamente à seguradora. O direito de permanência de uso do serviço também é extensivo, obrigatoriamente, ao grupo familiar. Em caso de morte, os dependentes continuam no plano pelo restante do tempo a que o beneficiário titular tinha direito.

Sem carência

A vantagem de permanecer com o plano é não cumprir as carências vigentes pelas empresas, segundo a advogada especialista em direito do consumidor na área de saúde Danielle Bitetti. “É um direito do trabalhador, mas que muitos não conhecem muito bem. A continuidade é bem interessante, principalmente quando alguém está no meio de algum tratamento de saúde. Quando permanecem com o mesmo plano, não fica necessário cumprir novos prazos”, explica.

A especialista alerta que na hora do desligamento ou da aposentadoria, a empresa tem como dever avisar o trabalhador sobre a possibilidade de permanecer com o plano de saúde. “Caso a empresa não oferecer a opção, o usuário pode entrar com uma ação contra a operadora e o antigo empregador para continuar com o benefício”, aponta Danielle. Se estiver em tratamento, a advogada explica que o beneficiado tem o direito de continuar com o serviço até a fim do procedimento médico. Porém, ela lembra que, depois de algum tempo, se a pessoa for efetivada em outra empresa, ela não terá mais direito a ficar com o seguro.

Por meio da assessoria de imprensa, a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) afirma que segue as regras estabelecidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). “É importante lembrar que o ex-empregado demitido sem justa causa ou aposentado tem um prazo máximo de 30 dias.
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Entrega de passaportes sofre atraso por falta de matéria-prima

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Entrega de passaportes sofre atraso por falta de matéria-prima

Em nota, a Casa da Moeda admite que haverá atraso na entrega dos passaportes; prazo só deve ser regularizado em junho

postado em 26/04/2016 10:51 / atualizado em 26/04/2016 12:11
Agência Estado
A entrega de passaportes solicitados a partir do dia 20 de abril vai atrasar por falta de matéria-prima para confeccionar a capa do documento. Segundo a Polícia Federal, o prazo regular vai passar de seis dias úteis para 30 dias corridos. O pedido foi feito pela Casa da Moeda do Brasil, responsável por produzir o documento. A estimativa é que a situação seja regularizada até junho.

Em nota, a Casa da Moeda admite que haverá atraso na entrega dos passaportes. Segundo afirma, houve uma “variação inesperada da demanda” entre o segundo semestre de 2015 e o início deste ano, o que afetou o planejamento do órgão. O aumento das solicitações para emitir o documento teria contribuído para uma “redução drástica dos estoques de matéria-prima (capa) antes do tempo previsto”, de acordo com a nota.

“A Casa da Moeda já adquiriu matéria-prima, que é importada, e a previsão é que um novo fornecimento seja feito em até 20 dias”, diz o órgão. “A empresa vai trabalhar 24 horas durante os sete dias da semana, inclusive feriados, para colocar toda a demanda em dia o mais rapidamente possível”, afirma a nota. Ainda de acordo com a Casa Moeda, a regularização se dará “no máximo em 30 dias.”

A Polícia Federal diz que foi comunicada do problema no dia 19, às 10 horas. “O prazo regular para a entrega, a pedido da Casa da Moeda, passará de seis dias úteis para trinta dias corridos, contados do comparecimento ao posto de atendimento”, afirma. No comunicado, a PF diz que a situação deve ser regularizada até o mês de junho, mas que o atendimento nos postos de emissão de passaportes ocorre normalmente e os casos de emergência são avaliados individualmente.

Toda atenção é pouca. Limite máximo permitido para abatimento no IR é de R$ 1.182,20

O contribuinte que tem empregado doméstico com carteira assinada deve lembrar que, ao fazer a declaração do Imposto de Renda 2016, tem o direito de lançar os gastos na declaração e abater até R$ 1.182,20 do tributo devido. O desconto pode reduzir o IR a pagar ou aumentar o valor da restituição.

A questão, porém, ainda gera polêmica, porque tem muita gente reclamando das limitações impostas pela Receita Federal. Só é possível lançar as despesas em um CPF, abater as despesas com apenas um doméstico e o salário base usado é o mínimo do ano passado, de
R$ 788. Ou seja, mesmo que o empregado ganhe mais do que isso, a diferença não é levada em conta.

Só será possível abater mais de um doméstico se outro integrante da família for o responsável pela assinatura da carteira de trabalho. Quer dizer, o marido é o contratante da cozinheira e a mulher, da babá. “Mas é preciso estar tudo comprovado, ter o registro formal”, diz Luiz Fernando Nóbrega, do Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Ele alerta que “sempre é bom guardar a documentação”, para o caso de o contribuinte cair em malha fina.

Diferença

Para o supervisor nacional do Programa do Imposto de Renda da Receita, Joaquim Adir, os gastos com domésticos são “uma das deduções mais importantes”. Portanto, separe todos os documentos, confira os valores e, na dúvida, busque a ajuda de um especialista. Nessas horas, o serviço de um profissional gabaritado faz a diferença, pois o Leão não aceita informações pela metade nem dados desencontrados.

“A Lei dos Domésticos não é dirigida às pessoas mais abastadas. O cara que pode ter quatro, cinco empregados não precisa de incentivo do Fisco”
Joaquim Adir, supervisor nacional do Programa do Imposto de Renda da Receita Federal

Rita Aguiar Soares, da Atos e Fatos Contabilidade, incentiva o contribuinte: “Quem gastou, efetivamente, seu dinheiro com um doméstico, tem todo o direito de declarar e aproveitar o abatimento”, afirma. Essa dica, ressalta ela, vale, principalmente, para aqueles que não têm dependentes, não gastaram com saúde e não têm outras deduções. No entender dela, não dá para abrir mão de nenhum direito, pois os trabalhadores pagam impostos muito altos.

Na visão de Henrique Ricardo Batista, do CFC em Goiânia, não se pode contar demais com o abatimento de gastos com domésticos para reduzir impostos a pagar ou para ampliar as restituições. Dependendo do caso, destaca ele, a dedução pode corresponder a pequenos valores, “ou nem compensar”. Isso porque o desconto “está dentro do limite de 6% do imposto devido para as deduções legais”, explica. Seja como for, sempre é bom lançar as despesas.

A dedução fiscal é permitida para compensar a contribuição previdenciária patronal de 12% sobre o salário do empregado. Mesmo que o contribuinte pague mais ao trabalhador, ele só pode fazer a soma das contribuições à Previdência, com os salários pagos ao longo do ano, o 13º e as férias tendo como base o piso salarial do país. É uma forma de a Receita ficar com boa parte dos tributos.

Segundo Joaquim Adir, ao fazer a declaração, o contribuinte inclui todas as informações necessárias e calcula o imposto devido. “Se o total de tributos a pagar deu R$ 2 mil, por exemplo, ele vai abater R$ 1.182,20 diretamente”, explica. É bom lembrar que essa dedução só vale para a declaração completa. Na prestação de contas simplificada, os gastos entram no bolo geral, prevalecendo o descontão de R$ 16.754,34.

A contadora Rita Soares esclarece que, à medida que o contribuinte coloca os dados, o próprio programa do IR 2016 faz os cálculos, mostrando qual é forma mais vantajosa de declarar. “Quem faz a dedução é o sistema da Receita. Por isso, é importante colocar os valores corretos, a soma dos salários e da contribuição previdenciária efetivamente paga”, assinala. Ela cita o exemplo de uma cliente que, ao concluir a declaração, tinha R$ 804 de imposto a receber. O próprio programa adicionou a dedução relativa à doméstica, ficando a contribuinte com restituição total de R$ 1.986,20.

Joaquim Adir sai em defesa da regra definida pela Receita. “O sistema é mais do que justo, porque é uma concessão que a lei dá”, afirma. Para ele, o desconto foi dado para incentivar a regularização dos domésticos, que sempre foram discriminados e, agora, têm seus direitos reconhecidos. O contador Henrique Batista coloca em dúvida se houve aumento ou não da formalização dos trabalhadores. E diz que o incentivo “não é atrativo” para muitos dos seus clientes, que reclamam do pequeno alcance da regra.

Doações

Se o contribuinte também fez uma doação legal de incentivo à cultura, ao desporto, ao audiovisual, a fundos da criança ou do idoso com abatimento permitido pelo Fisco, ele terá que somar tudo o que ofertou, mais a dedução do empregado doméstico, cita o Henrique Batista, do CFC. Assim, independentemente do valor total, só poderá deduzir até 6% do imposto apurado pela Receita.

Batista dá como exemplo um contribuinte com imposto a pagar no valor de R$ 15 mil. Se fez doações de R$ 3 mil para a cultura e pode descontar R$ 1.182,20com um doméstico, o total de abatimentos seria de R$ 4.182,20. “Mas será limitado a R$ 900, porque é esse valor que corresponde a 6% do imposto devido”, explicou.

Sobre os contribuintes que reivindicam a dedução fiscal para um número maior de empregados domésticos, Joaquim Adir, da Receita, rebate: “A lei não é dirigida às pessoas mais abastadas. O cara que pode ter quatro, cinco domésticos não está precisando de incentivo do Fisco”, sentencia.

Trabalhador recolhe menos

» ROSANA HESSEL
Publicação: 21/03/2016 04:00

O desemprego não está fazendo estrago somente no orçamento das famílias. Bateu forte, também, no caixa da Receita Federal. O Imposto de Renda retido no contracheque dos trabalhadores encolheu 26,8% no primeiro bimestre de 2016 ante o mesmo período do ano passado, totalizando R$ 18,1 bilhões. Segundo o chefe do Centro de Estudos Tributários na Receita, Claudemir Malaquias, como a recessão pegou em cheio o mercado de trabalho, muita gente foi empurrada para a informalidade.

A perspectiva é de que esse quadro se agrave nos próximos meses, uma vez que a tendência é de um número maior de demissões. Somente no ano passado, pelos cálculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,6 milhões de pessoas foram vitimadas pelo desemprego em todo o país. O exército de desocupados chegou a 9,1 milhões. Em janeiro deste ano, segundo o Ministério do Trabalho e da Previdência Social, quase 100 mil vagas com carteira assinadas foram extintas, saldo negativo que, muito provavelmente, se repetiu em fevereiro.

Incentivos

Na avaliação dos especialistas, enquanto a crise política perdurar, a economia vai afundar, o desemprego aumentar e a Receita sofrer para arrecadar impostos. Muitas empresas estão fechando as portas e deixando os empregados na rua da amargura. As projeções apontam para pelo menos mais 2 milhões de desocupados neste ano, com o índice chegando a 12%. Ciente desse quadro dramático, o governo prepara medidas para socorrer empresas em dificuldades e dar incentivos às companhias que mantiverem o quadro de pessoal intacto.

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Oficina de costura gera renda para 25 mulheres em situação de risco social

Este ano, a fábrica de bolsas ecológicas do projeto Modelando a Vida confeccionou 150 itens, encomendados em 2015. Capacidade de produção é de 5 mil por mês.

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Bernardo Bittar /
Rodrigo Nunes/Esp.CB

Desde 2004, donas de casa sem emprego fixo têm lugar em uma oficina de costura industrial montada no ginásio Serejinho, em Taguatinga. O projeto Modelando a Vida é integrado por mães de alunos da escolinha de vôlei criada pelas medalhistas olímpicas Ricarda Negrão e Leila Barros. Elas receberam apoio do programa e do governo para se qualificar e conseguir criar uma linha de bolsas ecologicamente corretas. O rendimento dessa iniciativa ajuda 25 mulheres em situação de risco social. Este ano, contudo, ainda não houve nenhuma encomenda.

Entre janeiro e março, a fábrica funcionou apenas para a confecção de 150 itens, muito abaixo da capacidade máxima, que é de 5 mil bolsas por mês, e produziu itens que foram encomendados no ano passado. As peças são feitas com lona de banner e com malote usado, doação dos Correios — que antes era incinerado.

“Dependemos das pessoas para conseguir material, mas isso nunca foi um problema. Estamos com o estoque cheio de matéria-prima, temos zíper, linha e viés, e muita gente querendo trabalhar”, explica a coordenadora de vendas, Margarida Meire Vieira, 67 anos.

Segundo ela, a fábrica, que chegou a lucrar R$ 15 mil em um mês, hoje sofre para conseguir pedidos superiores a R$ 750. Entre os clientes atendidos pelo Modelando a Vida estão a Presidência da República, o Banco do Brasil e a Universidade de Brasília (UnB). “Aceitamos encomendas de, no mínimo, 50 peças. O preço varia conforme a quantidade. A gente precisa dessa renda, pois aqui tem muita mãe que sustenta a casa. Não é o caso de todas, mas ninguém aqui dispensa esse dinheiro. Não podemos”, acrescenta.

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