Polícia Militar do DF aumenta número de vagas para mulheres e altera a data da prova

A retificação veio após recomendação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT)

02/03/2018 10:43 | Atualização: 02/03/2018 12:08

Mariana Fernandes

OMDF/DivulgaçãoA Polícia Militar do DF (PMDF) divulgou, no Diário Oficial desta sexta-feira (2/3), retificação do edital que altera diversos pontos do concurso público que oferece 2.024 vagas. Entre eles, o aumento do número de vagas para mulheres, que concorrerão ao cargo de combatente, a data de aplicação das provas objetivas e discursivas e a inclusão da Lei Maria da Penha no conteúdo programático.

A retificação veio após recomendação do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Para o MP, a restrição de apenas 50 vagas para mulheres, do total de 500 para o cargo de soldado, e a ausência de vagas reservadas para negros e pardos são ilegais. Além disso, pediu a inclusão da Lei Maria da Penha na parte de conhecimentos específicos.

O documento, elaborado pelo Núcleo de Direitos Humanos e pela Promotoria de Justiça Militar do MPDFT, recomendou que seja retirado o limite de 50 vagas às candidatas para possibilitar que as mulheres concorram aos 500 postos disponíveis no certame e à formação de cadastro reserva de 1.500 vagas. No entendimento dos promotores de Justiça, “o edital violou os princípios da legalidade, razoabilidade e igualdade e criou obstáculos ao direito ao livre acesso a cargo público, assegurado nos incisos I e II do art. 37 da Constituição Federal”.

Ainda de acordo com o MP, a limitação a apenas 50 vagas para admissão imediata e 150 para formação de cadastro de reserva não atinge sequer a recomendação da lei nº 9.713/98 que limita às mulheres a até 10% das vagas disponíveis nos quadros da PMDF. Segundo o MPDFT, atualmente existem na PMDF apenas 911 policiais militares do sexo feminino, montante muito inferior ao previsto na norma legal, tanto considerando o efetivo previsto de 18.673 postos quanto os 10.038 no efetivo existente.

Em resposta, o Iades comunicou, nesta sexta-feira (2), que os pedidos de impugnação foram devidamente analisados e julgados pela banca e pelo Departamento de Gestão de Pessoal da Polícia Milita do DF e que alterações foram feitas.

O Iades informou também que os pedidos de impugnação, bem como as respectivas justificativas para o deferimento/indeferimento, encontram-se disponíveis para consulta pública na Central de Atendimento ao Candidato do Iades, a partir de 5 de março.

Confira as retificações publicas nesta sexta-feira (2) pelo Iades:

Edital de combatentes

O concurso destinado a combatentes da Polícia Militar oferece ao todo 2.000 vagas , sendo 500 imediatas e 1500 de cadastro reserva. Com a retificação, o número de chances imediatas para mulheres aumentou, passando de 50 para 73. Assim como a formação de cadastro de reserva, que antes era 150 e agora é 220.

Dessa forma, diminuiu o número de vagas disponibilizadas para homens. Agora são 427 oportunidades para provimento imediato de candidatos do sexo masculino. Antes, eram 450. Para formação de cadastro de reserva, diminuiu de 1350 para 1280. Confira aqui as alteraões completas.

O cronograma de execução e de divulgação dos resultados do concurso também foi adicionado no edital. A data provável para realização da prova objetiva e discursiva passa a ser 20 de maio de 2018. Antes, o edital previa a realização das provas em 6 de maio. As provas serão aplicadas no turno da tarde e com duração de quatro horas e trinta minutos.

Os testes de aptidão física serão aplicados de 12 a 19 de setembro. Já o resultado final do concurso está previsto para 29 de março de 2019. Confira aqui o cronograma completo.

A retificação do edital da PMDF inclui também no conteúdo programático das provas, entre outras coisas, a Lei nº 11.340/2006 – Lei Maria da Penha, dentro da disciplina de noções de direito penal.

Edital para músicos

O edital para vagas de músicos da PMDF também foi alterado. Dentre várias alterações realizadas, vale destacar a modificação no conteúdo programático exigido para as provas e a também inclusão da Lei Maria da Penha na disciplina de noções de direito. Confira aqui as alterações completas.

Informações de número de vagas e datas não foram modificadas. São seis vagas para músico e 18 para corneteiro, com inscrições até 26 de março, e previsão de que as provas sejam aplicadas em 29 de abril.

O resultado final do concurso para músicos deve acontecer em 19 de junho de 2019.

Inscrições

As inscrições estão abertas e podem ser realizadas pelo site do Iades, até o dia 4 de abril para combatentes e 26 de março para músicos. A taxa é de R$ 88.

O salário é R$ 5.245,41 mais R$ R$ 850 de auxílio-alimentação (soldado de primeira classe) e R$ 4.119,22 mais R$ 850 de alimentação (soldado de segunda classe).

Podem participar candidatos de nível superior de ambos os sexos, com 18 anos completos e no máximo 30 anos de idade até a data de inscrição, que tenham altura mínima de 1,65 (sexo masculino) e 1,60 (sexo feminino).

Além das provas objetivas, o certame ainda prevê teste de aptidão física, avaliação de exames médicos, psicológicos, investigação da vida pregressa e social do candidato e, para quem se inscrever para músico, haverá também uma prova prática instrumental.

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3.400 vagas estão abertas em concursos para polícias civis e militares

A PMDF lidera com a maior oferta de vagas e a PCRS oferece o maior salário aberto

01/03/2018 12:18 | Atualização: 01/03/2018 12:34

Lorena Pacheco

Reprodução/Facebook

Cinco concursos públicos de polícias civis e militares oferecem juntos 3.400 oportunidades. O maior salário é pago pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, que oferece R$ 20.353,06 aos 100 primeiros colocados no cargo de delegado. Já a maior quantidade de vagas é liderada pela Polícia Militar do Distrito Federal, que abriu mais de 2 mil oportunidades para combatentes.

Polícia Militar do Distrito Federal

As inscrições já estão abertas! O concurso é organizado pelo Instituto Americano de Desenvolvimento (Iades) e oferece 500 vagas imediatas para combatente (sendo 450 para homens e 50 para mulheres), além de seis oportunidades para músico e 18 para corneteiro. O restante das chances são para formação de cadastro de reserva, sendo 1.350 postos para homens e 150 para mulheres.

O salário é R$ 5.245,41, mais R$ R$ 850 de auxílio-alimentação (soldado de primeira classe); e R$ 4.119,22, mais R$ 850 de alimentação (soldado de segunda classe). Podem participar candidatos de nível superior de ambos os sexos, com 18 anos completos e no máximo 30 anos de idade até a data de inscrição, que tenham altura mínima de 1,65 (sexo masculino) e 1,60 (sexo feminino).

A inscrição para combatentes deve ser feita até o dia 4 de abril, sob taxa de participação de R$ 88. As provas devem ser aplicadas em 6 de maio. No caso dos músicos, as inscrições vão até 26 de março, com provas em 29 de abril. Concorra aqui!

Leia também: Polícia Civil do DF aguarda autorização de 2,1 mil vagas para novo concurso

Polícia Civil da Bahia

Com salários que vão de R$ 3.915,85 a R$ 11.389,96, a Polícia Civil da Bahia divulgou o edital do concurso público para 1.000 vagas. Do total de chances, 82 são para delegado, 880 para investigador e 38 para e escrivão. Todas exigem formação em nível superior. As inscrições vão até 2 de março, por meio do site da Fundação para o Vestibular da Universidade Júlio de Mesquita Filho (Vunesp), banca organizadora do certame. A taxa é de R$ 140 ou R$ 160, a depender do cargo escolhido.

Polícia Civil do Rio Grande do Sul

Quem tem nível superior em direito pode concorrer ao concurso da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. São 100 vagas para delegado de polícia. O salário, após o curso de formação, é de R$ 20.353,06. Os interessados podem se inscrever até 27 de março. A taxa de participação é de R$ 187,77.

Polícia Civil de Minas Gerais

Outras 76 chances também são para quem quer ser delegado, mas desta vez em Minas Gerais. A Polícia Civil do estado oferece salário inicial de R$ 11.475,57, para uma jornada de trabalho de 40 horas semanais, com regime estatutário, a quem é formado e direito. As inscrições poderão ser feitas de 16 de abril a 15 de maio, pelo site da Fundação Mariana Resende Costa (Fumarc), que é a banca organizadora da seleção. O valor da taxa é de R$ 212.

E mais: Delegacias das polícias civis e da Polícia Federal não têm servidores suficientes

Polícia Militar do Rio Grande do Sul

Quem tem nível superior em ciências jurídicas e sociais pode concorrer a uma das 200 vagas abertas no novo concurso da Polícia Militar (outras 50 chances são para o Corpo de Bombeiros Militar). As oportunidades são para ingresso no Curso Superior de Bombeiro Militar, que terá duração de até dois anos. Os órgãos ainda exigem que os candidatos tenham idade máxima de 29 anos, altura mínima de 1,65m se do sexo masculino e de 1,60m para candidatas do sexo feminino.

Após a conclusão do curso, o aluno-oficial será declarado capitão no Quadro de Oficiais de Estado Maior, e receberá remuneração de R$ 11.620,55, para 40h de trabalho por semana.

Doença do pombo deixa três pessoas hospitalizadas no Distrito Federal

Ao menos cinco moradores do DF foram contaminados, este ano, por fungos presentes nas fezes das aves, concentradas em pontos com concentração de lixo e sobras de comida. Doença causa meningite, complicações cerebrais, pneumonia e até a morte

OA Otávio Augusto

postado em 22/02/2018 06:00 / atualizado em 22/02/2018 12:14

Especialistas recomendam maior controle da população de pombos(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)Especialistas recomendam maior controle da população de pombos(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

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Três pessoas estão internadas no Hospital de Base contaminadas com criptococose, doença infecciosa letal transmitida por fungos presentes nas fezes de pombos. Dois pacientes receberam alta no início da semana após ficarem quase um mês hospitalizados. O mal causa meningite, complicações cerebrais e pneumonia. O índice de mortalidade, segundo a literatura médica, chega a 70%. Especialistas dizem ser preciso controlar a proliferação dessas aves para reduzir os riscos de infecção.

Embora pareça baixo, os cinco casos são um indicativo da necessidade do monitoramento da população de pombos — considerado praga urbana. Além da criptococose, eles podem transmitir psitacose (que atinge os pulmões), histoplasmose (causa infecções) e salmonelose (afeta o intestino). Os casos não são de notificação compulsória, ou seja, a Secretaria de Saúde não é obrigada a fazer o registro. Mas algumas unidades registraram informalmente casos em 2017. Ninguém morreu no DF com a doença.

Há 19 dias, a família da auxiliar de serviços gerais Valdinéia Almeida Castro, 39 anos, trava uma batalha contra o fungo. Mãe de duas meninas, de 11 e 13 anos, a moradora de Taguatinga faz parte do trio hospitalizado. O primeiro sintoma, uma dor de cabeça forte, apareceu em 3 de fevereiro. Do atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Recanto das Emas à internação no Hospital de Base foram seis dias.

“Os médicos pediram uma tomografia, depois uma ressonância magnética. Havia uma mancha grande no cérebro”, conta a manicure Valquiria Almeida Castro, 43, irmã de Valdinéia.

O fungo causa alterações no trato respiratório e no sistema nervoso central. Dependendo da região do cérebro atingida, diminui a consciência, provoca convulsões, cegueira e surdez. A contaminação ocorre pela aspiração do fungo. “As sequelas são graves. A reação inflamatória pode levar a meningite e a morte”, destaca a neurologista Jerusa Smid da Academia Brasileira de Neurologia.

Controle

O protocolo do Ministério da Saúde destaca como medida preventiva o controle da população dos pombos. “Há locais, como em quadras comerciais, em que o lixo é acondicionado inadequadamente. Não podemos alimentar essas aves”, ressalta a infectologista Joana D’Arc Silva, especialista em medicina tropical.

A Secretaria de Saúde recomenda que em locais onde há muitos pombos os moradores peçam uma inspeção da Diretoria de Vigilância Ambiental, pelo telefone 160. “Os técnicos da diretoria agendarão uma visita para analisar o risco relativo à saúde pública e tomar as providências. A Vigilância Ambiental não faz captura ou eliminação desses animais, porém, nas inspeções, identifica a origem do foco”, explica a pasta, em nota.

A reportagem fez três orçamentos em empresas de dedetização contra pombos. O processo é feito em três fases, custa R$ 900 e deve ser repetido a cada dois meses. Técnicos aplicam inseticida contra o piolho do pombo. Depois, recolhem ovos, pombos e ninhos. Por fim, usam um repelente para afastar novos animais. Doença do pombo: Saiba como evitar o mal infeccioso, que pode matar.

A infecção

» O fungo causa alterações no trato respiratório e no sistema nervoso;
» Pode causar meningite e pneumonia, provoca convulsões, cegueira e surdez;
» A doença pode levar à morte;
» A contaminação ocorre pela aspiração do fungo;
» O fungo está nas fezes do pombo;
» A principal medida preventiva é o controle da população de pombos;
» Os principais sintomas são dores de cabeça, confusão mental e comprometimento pulmonar.

Memória

Mortes no Centro-Oeste
Nos últimos sete anos, ao menos duas pessoas morreram em Goiás e no Mato Grosso com criptococose. Em dezembro de 2011, uma adolescente de 17 anos morreu em consequência da doença em Anápolis (GO). Em 2013, um caso grave foi registrado na região metropolitana de Goiânia. O paciente se recuperou. Em março do ano passado, o funcionário dos Correios de Várzea Grande (MT) Celso Luis Gomes, 47 anos, morreu afetado pelo fungo.
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Atingida por fogo, Creche Alecrim vai reabrir, mas ainda precisa de doações

Nos últimos dias, 16 operários, cedidos por uma empresa, deram início à reforma que deve ser concluída nesta sexta-feira (16/2)

Em 7 de fevereiro, as chamas destruíram a cozinha, o refeitório e o depósito da instituição que abriga 107 crianças, de zero a 5 anos. A reforma, que contou com apoio da comunidade, deve ser concluída hoje (foto: Divulgação)

Um verdadeiro mutirão de solidariedade se formou para deixar a Creche Alecrim em condições de reabrir as portas e voltar a receber as 107 crianças que atende, na Cidade Estrutural. Há exatos nove dias, a cozinha, o depósito e o refeitório da instituição beneficente foram consumidos por um incêndio. Em pleno carnaval, 16 operários, cedidos por uma empresa, deram início à reforma que deve ser concluída hoje, com a colocação de pias e torneiras.

“Foram seis dias de trabalho intenso, sem folga para ninguém brincar na festa do Momo”, confirmou o supervisor da obra, Francielto de Sousa Miranda, 36 anos. A intenção é deixar o prédio em condições para o ano letivo começar na próxima segunda-feira, planeja a coordenadora-geral da creche, Maria de Jesus Pereira de Sousa.

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“Graças a Deus, conseguimos muitas coisas. Estou feliz porque as pessoas se mostraram dispostas a nos ajudar. Mas o que temos ainda não é o suficiente para atender os alunos, faltam utensílios básicos de cozinha e alimentos, por exemplo”, enfatizou Maria de Jesus. A instituição recebe crianças de zero até 5 anos que passam o dia no local enquanto seus pais trabalham. Na maioria, são catadores de material reciclável que trabalhavam no antigo Aterro Sanitário do Jóquei.

Para a doméstica Noélia Rodrigues, 31 anos, moradora da Estrutural, o retorno das aulas na creche é importante para todos os pais. De segunda a sexta-feira, ela deixa João Paulo Rodrigues, 5, aos cuidados dos voluntários. “Precisamos da escolinha, porque trabalhamos o dia inteiro. Se não fosse a creche, não teria condições de pagar alguém para ficar com meu filho. Seria um gasto que não tenho como arcar”, afirmou a mãe.

A coordenadora-geral da creche, Maria de Jesus Pereira de Sousa, mostra as doações encaminhadas pela comunidade na última semana (foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)

Os pequenos ficam na Alecrim das 8h às 17h e fazem cinco refeições por dia, do café da manhã ao jantar. Para muitos pais, a alimentação oferecida pela instituição é essencial para que o dinheiro ganho com o trabalho árduo renda um pouco mais dentro de casa. É o caso do trabalhador rural José Francisco de Oliveira Souza, 40, pai de Luís Felipe Araújo de Souza, 4. “Como ele faz as refeições na escola, quando chega em casa, apenas reforçamos o jantar. É custo a menos no bolso e que ajuda muito, que ajuda em outras contas”, relata o morador da Estrutural.

Para José, as atividades na creche são importantes para o progresso de Luís. “Meu filho Antônio, que está com 7 anos, também frequentou aqui. Quando ele foi para o fundamental, já sabia muita coisa”, falou, orgulhoso. Entre as atividades oferecidas para as crianças, há rodas de conversas, projeção de filmes, aulas de dança, o aprendizado do alfabeto e numerais, sem dispensar a diversão no parquinho.

De acordo com a mãe e cozinheira Maronita Batista de Oliveira, 43, a creche é como a segunda casa para de Matheus Batista dos Santos, 3. “Aqui é um lugar seguro e que tenho confiança em deixar meu filho. Sei que está em boas mãos. O Matheus ama estar aqui e tem um carinho enorme pelas tias e os amiguinhos. A creche faz um trabalho indispensável para a comunidade”, opinou.

Reaproveitamento

Os trabalhadores refizeram a parte elétrica, os encanamentos, o contrapiso, reformaram paredes e o teto dos ambientes danificados pelo fogo. Há pouco mais de uma semana, um dos fornos pegou fogo quando as cozinheiras finalizavam o almoço. Pelo menos 80 crianças estavam na instituição, sendo 17 delas bebês de colo. Ninguém ficou ferido.

Na reforma, foram aproveitadas algumas estruturas, como o reboco da parede, “que foi apenas reforçado antes de receber os ladrilhos”, explicou a coordenadora. Parte do telhado foi reforçado e as paredes, pintadas. Porém, os recursos não foram suficientes para uma reforma geral. “Não tivemos como mexer no telhado da sala de aula”, lamentou. Outros ambientes, como banheiros e quartos, não precisaram ser mexidos.

Além da obra, a comunidade doou alimentos e panelas, que foram perdidos no incêndio. Entretanto, Maria de Jesus Pereira de Sousa disse que ainda é preciso mais donativos para atender os alunos com tranquilidade.

Na cozinha, faltam pratos, talheres, copos e panos de louça. Como o estoque também foi perdido, a instituição precisa de itens básicos como arroz, feijão, leite e biscoitos. Para a higiene dos pequenos, é necessário pasta de dente, papel higiênico, fraldas, talco, sabonete e toalhas de banho.

Apesar das dificuldades, para Maronita está perfeito. “Quando vi tudo ajeitadinho de novo, fiquei super feliz. É muito bom ver que a segunda casa do meu filho está tão linda para atender às crianças”, disse a mãe, com um largo sorriso no rosto.

Às voltas com o que ainda falta ser arrumado, Maria de Jesus planeja também dar mais cor à fachada da escola, pintada de bege, como os ambientes internos. “Estamos vendo se grafiteiros topam nos ajudar. Quero que a entrada passe a sensação de alegria que temos aqui dentro da escola”, concluiu.

O que doar

» Material de construção e oferta de mão de obra
» Utensílios de cozinha
» Materiais de limpeza em geral
» Material de higiene pessoal, inclusive fraldas
» Alimentos não perecíveis
» Leite e sucos
» Brinquedos

Local

Creche Alecrim
Quadra 1, Conjunto 4, Lote 1 — Estrutural
Horário de visita: das 14h às 16h
Telefones: 3465-6005 ou 99575 0755

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Rota da morte: DF-001 é a rodovia que mais mata no Distrito Federal (Principal, violência, comportamento e serviços)

Rota da morte: DF-001 é a rodovia que mais mata no Distrito Federal

Acidentes resultaram em 254 mortes no DF em 2017, sendo 154 só em rodovias distritais. Mas trechos de BRs, como a 020, a 060 e a 080 também registraram um número alto. Detran e DER, porém, comemoram queda de 37% na quantidade de vítimas

“Eu estava a 80 km/h quando um carro saiu da entrada do Recanto das Emas e entrou na minha frente. Tentei desviar, mas acabei rodando na pista e capotando no canteiro” – Iolanda Rocha, professora

Nenhuma rodovia mata tanto no Distrito Federal quanto a DF-001. Dezenove pessoas perderam a vida na estrada que circula a capital em 2017. Em seguida, vêm os trechos das BRs-020 (Brasília-Fortaleza), 080 (Brasília-MT), 060 (Brasília-Goiânia) e 070 (Brasília-Bolívia). No ano passado, 254 morreram em acidentes no trânsito de Brasília, sendo 154 só em rodoviais distritais, como a DF-001. Comparado a 2016, o número total caiu 37%.

A professora Iolanda Rocha, 49 anos, foi vítima em um acidente no Km 4 da BR-060, perto do Recanto das Emas. Ela voltava da comemoração do ano-novo em Alexânia (GO). “Eu estava a 80 km/h quando um carro saiu da entrada do Recanto das Emas e entrou na minha frente. Tentei desviar, mas acabei rodando na pista e capotando no canteiro”, conta. Iolanda sofreu hematomas pelo corpo e fraturou o braço direito.

Detran flagra 26 motoristas embriagados por dia em operação de fim de ano

A professora reclama da falta de sinalização na via, da ausência de equipamentos eletrônicos de monitoramento e de passarelas para pedestres. “Como educadora, prezo por esse tipo de atitude por parte dos nossos governantes. Aqui, tragédias são comuns. Não podemos ficar esperando pessoas morrerem para a situação mudar”, cobra.

Coordenador do Centro Interdisciplinar de Estudos em Transportes (Ceftru) da Universidade de Brasília (UnB), Pastor Willy Gonzales Taco explica que o número de acidentes, principalmente nas rodovias do DF, é causado pela quantidade elevada de cruzamentos e retornos, além da velocidade alta das vias. “Como Brasília é um polo de ida e vinda, as cidades denominadas dormitórios fazem com que as pistas fiquem com alta intensidade de veículos. Somado ao comportamento humano, isso é um gerador de acidentes”, defende.

Para amenizar as mortes no trânsito, o especialista diz que o ideal é investir em campanha. “Temos que fazer um trabalho pontual e focar na população mais jovem. Todos precisam aprender a respeitar a outra pessoa que está na via. Isso seria um influenciador no índice das mortes”, comenta. Para ele, os órgãos de trânsito também precisam investir na qualidade do serviço e aumentar o número de sinalização e fiscalização ao longo das rodovias. O estudioso ressalta que o fluxo de veículos saindo e entrando no DF é alto em qualquer horário e os condutores devem se atentar para não sofrerem acidentes.

Fiscalização

O diretor-geral do Departamento de Trânsito (Detran-DF), Silvain Fonseca, afirma que o órgão, com as outras forças de segurança, como DER, PM e PRF, realizam operações planejadas para melhorar a qualidade do trânsito. De acordo com o Fonseca, a redução das mortes em 2017 também é resultado das campanhas educativas, das intervenções de engenharia, da implantação de bolsões de motos e das ações preventivas de fiscalização e patrulhamento.

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Mais da metade dos veículos do DF circulam sem documento obrigatório

Detran-Ricardo-Botelho

O Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF) pretende regularizar 80% da frota de veículos do Distrito Federal até 1º de setembro. A data é a limite para os  proprietários estarem com o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) 2017 em mãos. A partir desse dia, as fiscalizações vão ser intensificadas e quem for flagrado em situação irregular poderá ser multado e ter o veículo removido para o depósito do Detran-DF.

De acordo com o órgão, 46% da frota estão regularmente licenciados, o que representa um total de 781.938 de 1.693.958 veículos do Distrito Federal. O número está abaixo do esperado pelo Detran-DF, o que motivou mais ações para agilizar a emissão do CRLV.

“A regularização está menor do que no ano passado. É uma preocupação nossa que o proprietário arque com as obrigações e responsabilidades que ele assumiu ao adquirir um veículo. Demos esse prazo e muitos não precisariam passar por isso (risco de multa e apreensão do carro)”, diz o diretor-geral interino do Detran-DF, Silvain Fonseca.

Ele explica que uma das medidas adotadas pelo órgão para elevar o índice de veículos em situação regular é o atendimento, em fase experimental, para transferência de propriedade e da unidade da Federação, além do emplacamento para quem perdeu o prazo inicial de 30 dias.

Esses casos, que exigem vistoria, estão sendo feitos também na unidade do Detran localizada no Trecho 1 do Setor de Cargas, Zona Industrial do Setor de Indústrias e Abastecimento (SIA), na antiga Vadel. De acordo com o órgão, desde o dia 11 de julho, já foram realizados 1,8 mil atendimentos.

O serviço tem recebido, em média, 100 usuários por dia. É necessário agendamento prévio e só está apto ao suporte quem for ao local fazer, ao mesmo tempo, a vistoria e a transferência ou o primeiro emplacamento. “Boa parte dos condutores deixa para regularizar a documentação em cima da hora. Brasília está no limite, no último minuto. Deixamos para fiscalizar depois de outras capitais, que já têm feito essa fiscalização desde o início do ano”, destaca Silvain Fonseca.

QR Code
Este ano, os proprietários de veículos fabricados a partir de janeiro de 2017 também precisam garantir a presença de um QR Code (Código Bidimensional) na placa do automóvel, para garantir o licenciamento. A medida, obrigatória desde o início do ano, tem o objetivo de evitar clonagem de veículos.

Com a colocação do QR Code nas placas dianteira e traseira, estarão gravadas informações de segurança relativas à origem e destinação do veículo. Os dados poderão ser usados durante fiscalizações de trânsito. O número também deve estar presente no Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV).

De acordo com o Detran-DF, neste ano, 44.066 automóveis já tiveram o QR Code instalado em suas placas na capital. Para motoristas que andarem em desacordo com a norma, o Código de Trânsito Brasileiro prevê multa de R$ 130,16, quatro pontos na CNH e retenção do veículo.

Fiscalização
O Detran-DF já autuou 18.800 condutores desde janeiro último por falta de licenciamento. Desses, 10.656 tiveram os carros recolhidos aos depósitos. Circular sem o documento obrigatório é infração grave, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro.

O condutor é multado em R$ 293,47 e perde sete pontos na habilitação. Além disso, como o veículo é rebocado pelo Detran, o proprietário tem que arcar com todas as despesas, como guincho, diária, vistoria e serviço de liberação.

Segundo a legislação de trânsito, para obter o CRLV é preciso que o condutor quite todas as multas vencidas do veículo. Além disso, deve colocar em dia o pagamento do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), da taxa de licenciamento anual e do Seguro de Trânsito por Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre (DPVAT).
Crédito para www.metrópoles. Com

Distrito Federal registra queda de 9,5% nas doações de órgãos

costureiraA chance de sobreviver pode depender dos órgãos de alguém que acabou de morrer. Quem perdeu um parente pode não autorizar o procedimento

“Ao adoecer, consegui receber o benefício financeiro, mas isso não basta para eu pagar os remédios. Preciso continuar trabalhando e fazer consertos em roupas. Meu sonho é fazer o transplante e voltar a ter uma vida normal, sem dor para trabalhar dignamente”

Tudo passa a ser urgente quando se trata de salvar vidas. A doação de órgãos — ato que dá a chance às pessoas acometidas por doenças graves e, muitas vezes, incuráveis, de seguir vivo — é uma simples equação matemática: a morte encefálica de uma pessoa pode mudar a vida de outras cinco. Porém, 36% das famílias brasilienses não autorizam a doação de órgãos de parentes falecidos, de acordo com levantamento feito pela Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO). O Distrito Federal registrou uma queda de 9,5% nas doações. A pesquisa assinalou, ainda, que, no ano passado, 32 pessoas morreram na fila à espera de um transplante, na capital do país.

Em 2016, foram notificados 321 potenciais doadores em Brasília. Porém, apenas 75 tornaram-se efetivos, pois 246 foram descartados, o que equivale a 77%. Atualmente, 291 pessoas aguardam por transplante no DF, segundo dados da ABTO. Desses, 215 esperam por um rim; 10, por fígado; cinco precisam de um novo coração e 61, de uma córnea.

A nefrologista Daniela Salomão, coordenadora-geral da Central de Notificação Captação e Distribuição de Órgãos do Distrito Federal (CNCDO), informou que, ainda que uma redução tenha sido registrada, a capital do país contabilizou, em 2016, 25,7 doadores de órgãos por milhão de habitante. Segundo ela, o número praticado no Distrito Federal está próximo ao de países primeiros colocados no ranking na doação, como Espanha (39,7 doadores por milhão de habitantes); Croácia (39); Bélgica (32,4); Portugal (28,6) e EUA (28,5).

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Para a nefrologista, a queda se explica por uma série de fatores. “Estamos cada vez mais rigorosos quanto aos critérios estabelecidos por nossas equipes para avaliar se um paciente está em condições de se tornar um doador e, por outro lado, precisamos de uma melhor infraestrutura para a captação dos órgãos”, avaliou. Daniela Salomão acrescentou que Brasília capta, de outros estados, órgãos para serem transplantados no DF. “Contamos com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) para agilizar todo o trabalho”, comentou.

Idealizador do Setembro Verde — campanha nacional que visa conscientizar os brasileiros sobre a doação de órgãos —, o cirurgião cardiovascular José Lima Oliveira Júnior, acredita que “existe também a necessidade de aumentar o número de equipes transplantadoras na capital federal, assim como ampliar a ação das campanhas elucidativas para explicar à população sobre a importância da doação de órgãos”.

Ressignificando a dor

A prática da doação e do transplante de órgãos é uma via de mão dupla que precisa, mais do que tudo, de consentimento. No momento da decisão, são vivenciadas situações delicadas e difíceis de administrar, tanto com os familiares dos doadores, como com os receptores, que aguardam novos órgãos.

A costureira Maria de Jesus, 53 anos, sofre de insuficiência renal e espera por um rim desde 2015. Moradora do Gama, ela disse que a doença foi descoberta em 2011. “Ao adoecer, consegui receber o benefício financeiro, mas isso não basta para eu pagar os remédios. Preciso continuar trabalhando e fazer consertos em roupas. Meu sonho é fazer o transplante e voltar a ter uma vida normal, sem dor para trabalhar dignamente”, afirmou.

A secretária Naara Felipe da Silva Guedes, 35 anos, também aguarda um transplante há pelo menos dois anos. Como é diabética, está na fila prioritária para receber um rim e um pâncreas. Segundo Naara, a doença a acompanha desde o primeiro ano de vida. “Aos 19 anos, perdi a visão. Aos 24, me casei e hoje tenho um filho de 7 anos. Esse é o verdadeiro motivo pelo qual me fortaleci para aguentar toda essa espera”, admitiu. A moça, moradora do Riacho Fundo II, está em São Paulo há dois meses fazendo todos os exames para a cirurgia. “Meu maior sonho é poder me recuperar e estar bem para presenciar a formatura do meu filho daqui a alguns anos”, afirmou.

Segundo o cirurgião cardiovascular José Lima Oliveira Júnior, a insuficiência renal crônica — principalmente associada à pressão alta, à obesidade, à diabetes e ao tabagismo — é o que mais atinge pacientes que precisam de um transplante. Ele explica que o tempo de espera varia muito de acordo com o estado de saúde e de algumas características do receptor. “A demanda é muito alta para esse órgão. Por isso, temos de fazer campanhas de conscientização em todo o país para ajudar quem precisa”, complementou.

Mas há esperanças. A pesquisa da ABTO mostrou que a taxa de doadores de órgãos no Brasil aumentou 3,5%, atingindo 14,6 doadores por um milhão de habitantes, em 2016. A expectativa é de alcançar 15,1 doadores por um milhão de habitantes. Segundo o cirurgião, o Brasil já conta com mais de 250 mil transplantados, desde o início da década de 1960. “A partir de 1980, houve o boom do procedimento. Hoje, fazemos uma média de mais de 34 mil transplantes por ano.”

A luta pela vida em números

· 10.158 é o número de potenciais doadores no Brasil, em 2016.
· Desses, apenas 2.981 se tornaram doadores efetivos no ano passado.
· Cerca de 71% dos potenciais doadores (7.177) foram descartados, enquanto 2.013 pessoas morreram na fila aguardando um transplante.
· Até dezembro de 2016, mais de 34 mil pessoas esperaram por um transplante: 21.264 (rim); 10.923 (córnea); 1.331 (fígado); 282 (coração); 172 (pulmão); 539 (pâncreas) e 31(rim e pâncreas)

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Cinco anos depois, estuprador conta detalhes de como matou jovem no DF

Segundo a polícia, Walker Fernandes Faraes matou Yusllayne Teixeira Reis em 2012, na Estrutural, e jogou o corpo dela em um lote vazio

Mirelle Pinheiro MIRELLE PINHEIRO
14/03/2017 11:40 , ATUALIZADO EM 14/03/2017 11:47

ESTRUPADORA frieza de Walker Fernandes Faraes (foto de destaque), 24 anos, impressiona. Acusado de estuprar e matar Yusllayne Teixeira Reis, 18 anos, em 2012, na Estrutural, ele foi apresentado nesta terça-feira (14/3) pela Polícia Civil do DF. Finalmente, o que ocorreu naquele dia 18 de março foi esclarecido. Ele contou que deu 24 facadas na jovem e depois jogou o corpo dela em um terreno baldio.

As facadas atingiram os seios, o pescoço, mãos e as costas da mulher. Os investigadores chegaram ao autor da barbárie graças ao banco de DNA. É possível que ele tenha feito outras vítimas no DF.

Segundo a polícia, Walker confessou o crime com tranquilidade. Disse que estava descascando laranja na porta da casa de um tio quando viu a menina passar na rua. Ele afirmou que não a conhecia. Usou uma faca para abordá-la. A violentou e, após ser mordido pela vítima, a executou, com medo de ser reconhecido.

REPRODUÇÃO/PCDF
Reprodução/PCDF
Yusllayne tinha dois filhos

De acordo com a polícia, após o crime, Walker foi para casa tomar banho, trocou de roupa e voltou para o local do estupro para se desfazer do corpo. No dia seguinte, quando a jovem foi encontrada, ele fugiu para Minas Gerais. Se condenado, as penas serão somadas, e ele pode ficar mais de 30 anos preso.
YULIIANE

Yusllayne era casada, tinha dois filhos e voltava do trabalho para casa, em uma açougue de Vicente Pires, quando foi morta. Segundo a delegada Viviane Bonato, da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do DF, Walker representa “um grande perigo para a sociedade se ficar em liberdade”.

O assassino foi identificado após ter o DNA reconhecido no Banco Nacional de Perfis Genéticos. O acusado já foi condenado por outros quatro estupros, sendo um deles cometido em Paracatu (MG), em 2011, e outros três em Unaí (MG). Ele estava preso em Belo Horizonte, capital mineira.

Veja a entrevista da delegada:

Depois de estuprar uma mulher em Minas Gerais, ele veio para o DF se esconder. Mas não conseguiu conter seus impulsos, matando Yusllayne.

Site:
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DF registra primeira morte por chicungunha

Caso foi notificado em Sobradinho. Este ano, ocorreram 153 contaminações na capital federal, um aumento de 800% em relação ao ano passado. Doença causa fortes dores articulares e pode deixar graves sequelas
» OTÁVIO AUGUSTO
Publicação: 04/12/2016 04:00
Para especialistas, a única forma de controlar as doenças transmitidas pelo Aedes é combatendo o mosquito (Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
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Para especialistas, a única forma de controlar as doenças transmitidas pelo Aedes é combatendo o mosquito

A duas semanas do início do verão, em 21 de dezembro, autoridades sanitárias estão em alerta para as infecções transmitidas pelo Aedes aegypti. O mosquito volta a causar temor e traz novas nuances: a chicungunha, segundo pesquisadores, pode provocar uma grande epidemia no país. A capital federal contabiliza três anos de alta nos registros da doença. O crescimento chega a 800% entre 2015 e 2016. A Secretaria de Saúde confirmou a primeira morte pelo mal no Distrito Federal. Outra situação ilustra o agravamento do problema. Um paciente tenta se aposentar por complicações crônicas desencadeadas pela chicungunha. Ao mesmo tempo, a dengue e o zika deixam panorama ainda mais pessimista — nunca ocorreram tantas contaminações.

Seis regiões administrativas concentram 55% dos casos de chicungunha, uma doença que chegou ao DF em 2014 de maneira discreta. Ocorreram, neste ano, 153 infecções, sendo 22 em Ceilândia (veja infográfico). Das bancadas do Laboratório Central (Lacen) e das estatísticas da Vigilância Epidemiológica, surge somente uma saída para frear o avanço dos estragos causados pelo Aedes: a prevenção. Para isso, é essencial destruir focos nos quais o mosquito possa se desenvolver. “Não temos alternativas, a não ser combater o vetor, ou seja, o mosquito. Para termos diminuição de casos das doenças, precisamos reduzir também a presença do Aedes”, pondera a gerente de doenças crônicas e agravos transmissíveis da Secretaria de Saúde, Cristiane Resende.

O homem que morreu com complicações de chicungunha recebeu atendimento em Sobradinho. Na cidade, foram registrados nove casos — alta de 350% em relação ao ano passado, quando ocorreram duas notificações. “O dado ainda não está no Boletim Epidemiológico, mas entrará na próxima edição. Confirmamos o óbito há pouco mais de uma semana. Houve uma investigação, mas o local de infecção é desconhecido”, comenta Cristiane. Ela prefere não fazer previsão para a doença em 2017. “Trabalhamos com vigilância e registro de casos, não podemos fazer previsões”, pontua.

Um outro paciente — que não teve a identidade divulgada — entrou com pedido de aposentadoria no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele alega que desenvolveu danos nas articulações e ficou impossibilitado de trabalhar. O caso é investigado por uma junta médica e pelo Lacen. A farmacêutica especialista em biosaúde do Lacen Graziela Araújo acompanha a apuração no laboratório. “Há, realmente, a possibilidade de se desenvolver dores crônicas. Algumas pessoas, meses depois, nem sequer conseguem digitar no celular”, detalha.

Alerta
A ciência explica que alguns vírus, como os da dengue, da chicungunha e do zika, alastram-se com facilidade porque os mosquitos se contagiam ao picar animais infectados, como os macacos e os pássaros silvestres. Atualmente, são conhecidos 34 arbovírus no país. Os cientistas os classificam de acordo com o tipo de síndrome febril que provocam e a gravidade dos acometimentos. “Em média, levamos três dias para fazer o diagnóstico da doença. Analisamos, laboratorialmente, a presença do vírus quando a chicungunha está no início ou na produção de anticorpos, após a fase aguda da infecção. Por isso, a necessidade de atendimento precoce”, explica Graziela.

Antônio Bandeira, do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), destaca a alta velocidade de transmissão que a chicungunha tem mostrado. Ele analisou a situação epidemiológica do DF. “Espera-se uma mortalidade menor, mas a doença é extremamente incapacitante. Mais da metade dos pacientes ficam com problemas crônicos. Uma verdadeira legião de sequelados”, ressalta. E emenda. “O vírus pode se multiplicar e trazer alterações imunológicas, desenvolvendo anticorpos que agridem o corpo e provocam a inflamação”, conclui.

Casos importados

As primeiras infecções no DF ocorreram em 2014. Inicialmente, quatro pessoas tiveram chicungunha. O vírus, segundo a Secretaria de Saúde, foi trazido da República Dominicana, do Haiti e de Barbados (ilha na América Central). Três moradores da Asa Sul, sendo um casal, e um do Lago Norte foram os contaminados. Entre os pacientes, estava uma missionária religiosa. O tratamento, à época, ocorreu no Hospital Regional da Asa Norte.

Mayaro no Entorno

A Secretaria de Saúde de Goiás confirmou um caso de mayaro em Luziânia, distante 50km do Plano Piloto. A doença trilha caminho para ser o próximo vírus a se urbanizar e causar epidemias. Assim como o zika e a dengue, o “parente próximo” da chicungunha causa surtos de uma síndrome febril aguda, que causa dor nas articulações, tontura, náuseas, fotofobia e dor lombar. Os sintomas duram de três a cinco dias, mas as dores na articulação podem se prolongar por semanas. Em Goiás, do ano passado até o início de março, a Secretaria de Saúde notificou 70 casos da doença. O Laboratório Central (Lacen) passou a realizar o diagnóstico há duas semanas. Antes, o teste era feito somente no Instituto Evandro Chagas, no Pará.

Para saber mais

Epidemia devastou ilha

Tudo começou em fevereiro de 2005. Médicos alertaram as autoridades sanitárias de que pacientes estavam sentindo fortes febres, acompanhadas de dores articulares agudas. A Ilha Reunión, no Oceano Índico, decretou a epidemia de chicungunha em 2006. Mais de 260 mil pessoas tiveram a doença, sendo que 225 morreram. O lugar, que era roteiro paradisíaco para o ecoturismo, deu lugar a uma onda de ostracismo e pânico. A economia local desacelerou bruscamente. Em alguns distritos, até mesmo os médicos adoeceram. No início da epidemia, os profissionais confundiam o diagnóstico com uma “forte gripe”. Mais tarde, a luta contra o vírus se tornou causa nacional. Os casos de “l’homme courbé” (na África, chicungunha significa homem que se curva, em referência à postura dos pacientes) foram a maior crise de saúde pública em Ilha Reunión. Depois disso, o número de casos diminuiu drasticamente.

Dengue e zika preocupam

Publicação: 04/12/2016 04:00
Pedro Tauil, especialista em controle de doenças e epidemiologia: essas doenças carecem de aprimoramento de diagnóstico, tratamento e prevenção (Carlos Vieira/CB/D.A Press)

Pedro Tauil, especialista em controle de doenças e epidemiologia: essas doenças carecem de aprimoramento de diagnóstico, tratamento e prevenção

Temendo perder completamente o controle da situação com o avanço da dengue e do zika, doenças que registraram recorde de infecções em 2016, a Secretaria de Saúde acompanha semanalmente a evolução dos casos. A dengue nunca infectou tanto na capital federal: são 21.162 notificações. O zika acometeu 174 pessoas, sendo 26 gestantes. A doença avançou 4.250% em um ano. Dois bebês morreram com agravos do mal e um caso continua em investigação. “Temos que acompanhar essas crianças até os 3 anos. Pode haver casos de microcefalia tardia”, argumenta a gerente de doenças crônicas e agravos transmissíveis da Secretaria de Saúde, Cristiane Resende.

O cronograma de combate ao Aedes aegypti da Secretaria de Saúde conta com 2 mil agentes comunitários de saúde, 546 agentes de vigilância ambiental em saúde, 220 homens das forças armadas, 40 bombeiros, além do reforço de servidores do Serviço de Limpeza Urbana (SLU), da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) e das administrações regionais. Mesmo com o esforço, Antônio Bandeira, do Comitê de Arboviroses da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), é pessimista em relação ao controle. “Se houver uma redução de casos, nada tem a ver com ação direcionada. O que pode acontecer é que o número de pessoas imunizadas aumente e as vulneráveis diminua, já que chicungunha e zika se contraem apenas uma vez”, completa Antônio.

Este ano, por dia, o DF registrou 63 novos casos de dengue — média inédita, superando até mesmo as epidemias de 2010 e de 2013. O crescimento da doença chega a atingir 978% ante o ano passado, como em Brazlândia, que saltou de 180 casos para 1.942. Para Pedro Tauil, do Núcleo de Medicina Tropical da Universidade Brasília (UnB), os números deixam um legado. “Essas são doenças que carecem de aprimoramento de diagnóstico, tratamento e prevenção. Precisamos investir na possibilidade de vacina. O tratamento atual é muito difícil, com uso de antivirais, drogas que não temos muitas para usar”, avalia o especialista em controle de doenças e epidemiologia.
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Ameaça à saúde no Lago Paranoá

Problemas podem variar de alergias a doença mais grave no fígado. Ibram e Adasa prosseguem investigação sobre proliferação de cianobactérias
» THIAGO SOARES
Publicação: 04/12/2016 04:00
Peixes mortos foram retirados do local interditado. Também era possível encontrar detritos ao longo da margem (Carlos Vieira/CB/D.A Press – 21/11/06)
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Peixes mortos foram retirados do local interditado. Também era possível encontrar detritos ao longo da margem
Autoridades continuam a investigar as causas da proliferação de cianobactérias no Lago Paranoá. Equipes do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do Distrito Federal (Adasa) rastreiam dutos pluviais a fim de identificar vestígios de lançamento de esgoto diretamente na água. No entanto, até o momento, nada foi detectado. Além de acarretar mortes de peixes, a contaminação pode afetar a saúde dos banhistas e de quem consome animais pescados no local. As consequências podem ser desde simples alergias até problemas mais severos no fígado. Por isso, enquanto a causa do problema na água não for detectada, os banhos e a pesca continuam suspensos por tempo indeterminado no trecho entre o Pontão do Lago Sul e a foz do Riacho Fundo.

Os órgãos garantem que o restante do lago não está contaminado e que também não existe possibilidade de expansão das cianobactérias. Leonardo de Lima, 75 anos, chegou a Brasília na época da construção da barragem e já tirou dali muitos peixes. Próximo da Ponte das Garças, um dos locais apontados como impróprios para a pesca, o funcionário público pratica o esporte. Foi de lá também que, em 16 de novembro, equipes do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) retiraram 70 sacos de peixes mortos.

Leonardo de Lima costuma pescar na região e lamenta a situação:

Leonardo de Lima costuma pescar na região e lamenta a situação: “É muito triste ver o lago dessa maneira”
“É uma situação triste ver o lago dessa maneira. Vi muitos peixes mortos por aqui. Está melhorando um pouco, mas ainda não é ideal. Esse peixe daqui, eu não consumo, apenas pesco por lazer. Vejo isso tudo como parte de um abandono do nosso lago. É possível ver muito lixo nas margens”, reclama Leonardo. Nas margens onde ele pesca, a cada 5 metros, é possível ver peixes mortos. Antes da proliferação da cianobactéria, ele conta que pegava peixes em poucos minutos. Agora, quem pesca por ali precisa esperar um bom tempo até ter sucesso.

Cuidado
Os riscos da presença das cianobactérias nas águas podem ser diversos, segundo a doutora em microbiologia Janaina Rigonato, especialista em cianobactéria do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (USP). “Em condições de floração, que é quando ocorre essa proliferação, elas liberam uma toxina que pode acometer peixes e outros animais que consomem essa água”, detalha. Segundo ela, isso pode explicar a grande mortandade de espécies. A cianobactéria também pode ser prejudicial à saúde humana. “Elas podem acarretar desde reações alérgicas, afetar os órgãos nervosos e até provocar problemas nos rins. O ideal é que, uma vez detectada a presença de cianobactérias em reservatórios, lago ou rio, seja interrompida qualquer atividade no local, seja banho, seja pesca, seja captação, até que os níveis voltem ao normal.”

A especialista explica ainda que esses microrganismos estão presentes usualmente em ambientes aquáticos, mas dentro de uma proporção aceita pelo Ministério de Saúde. A proliferação em excesso configura o problema. As causas podem ser o lançamento de esgoto irregular ou o escoamento de produtos agrícolas no solo, por exemplo. “Esses lançamentos aumentam a produção de nitrogênio e de fósforo nas águas, o que acarreta um fenômeno chamado de floração, que é quando ocorre um crescimento exagerado das cianobactérias. A consequência é água em tom esverdeado e até com bolhas e também a morte de peixes, devido à baixa de oxigênio no local”, relata Janaina.

Na avaliação do doutor em recursos hídricos da Universidade de Brasília (UnB) Sérgio Koide, a situação do Lago Paranoá é consequência da ocupação urbana desordenada na capital do país. “Houve crescimento de áreas habitacionais e, com isso, o lançamento de esgoto e ligações clandestinas no espelho d’água e em seus afluentes, como o Riacho Fundo e o Córrego Bananal. É preciso investimento e controle dessas expansões ao longo da bacia do Paranoá”, afirma.

O superintendente de estudos e monitoramento do Ibram, Luiz Rios, detalhou que a mancha tem diminuído significativamente com as últimas chuvas. “Não quer dizer que o problema foi superado. O lago aumentou o nível em seis centímetros, e isso também ajuda na diminuição da matéria orgânica. Estamos monitorando toda a extensão e não há risco de que a área contaminada aumente, pelo contrário, a tendência agora é diminuir”, disse.
Esporte comprometido

» GLÁUCIA CHAVES
Publicação: 04/12/2016 04:00
A contaminação do lago por cianobactérias tem afetado a prática de esportes no local e, consequentemente, os pequenos negócios que funcionam às margens. O microempreendedor Rafael Sampaio, 29 anos, é idealizador do projeto Surf do Cerrado e participou do protesto de cerca de 20 surfistas e outros esportistas em 25 de novembro na Praça do Buriti, para cobrar do governo de Brasília providências para a despoluição. Ele e o sócio Sérgio Marques, 36, têm amargado manhãs solitárias. São poucos os interessados em aprender a surfar ou a praticar Stand Up Paddle (SUP). Antes da divulgação do boletim sobre as algas do lago, ele conta que atendia, em média, 200 pessoas por sábado. “Diminuiu bastante o número de pessoas. Até aquelas do nosso círculo do esporte estão deixando de vir. A situação está bastante preocupante”, comenta Rafael.

Os dois mantêm a base de atividades próximo à Ponte das Garças, um dos locais apontados pela Adasa e pelo Ibram como perigosos para banho. “Todos que dependemos do lago de alguma forma estão tendo prejuízos”, lamenta. “O que podemos fazer é cobrar dos responsáveis soluções imediatas, para não deixar o problema se agravar. Até agora, não tem nenhum trabalho em prol da limpeza. Em vez disso, só colocaram placas de proibido nadar”, completa.

Mesmo com as placas de sinalização, algumas pessoas se arriscavam nas águas do Paranoá. O mecânico Eduardo Ximenes, 31 anos, testava o motor de seu jet ski. “Sempre venho ao lago e notei que a tonalidade da água está bem mais escura”, comenta. “Perto da ponte, tem muitos peixes mortos. Quando você anda na margem, sente um mau cheiro também”, diz.

Os amigos dele Daniel Assis Sales, 32, e o técnico em segurança do trabalho Diego Costa Oliveira, 34, não tiveram coragem de entrar no lago e acompanharam de longe. Para Daniel, não foi só a má qualidade da água que afastou os visitantes, mas também a falta de estrutura da orla. “Aqui em Brasília é tudo mal fiscalizado. Isso (a poluição do lago) é só mais uma consequência da má administração.”

De acordo com o instrutor de SUP Jackson Sousa, 40, a diminuição do público se deu, também, devido ao período de chuvas. “Só as chuvas já diminuem naturalmente a quantidade de pessoas. Coincidiu, infelizmente, com esse laudo”, avalia. O microempreendedor Lucas Duarte, 18, também notou a queda de clientes. Ele acredita que falta informação sobre a realidade do lago. “O público acha que o lago inteiro está afetado, mas não está. Agora, é tentar correr atrás do prejuízo, porque não tem como não usar o local, ele é para todos.”