Copo e sacola encontrados no intestino de tartaruga-verde mostram os riscos de poluir a água com plástico

Em média, 70% das tartarugas que encalham na costa brasileira ingeriram plástico, diz pesquisa.

Imagens inéditas da necropsia de uma tartaruga-verde que morreu após encalhar em uma praia na costa brasileira hoje são usadas pelo biólogo Robson Guimarães dos Santos como forma de conscientizar a população sobre os riscos de jogar plástico no lugar errado. As imagens são fortes e foram feitas em 2012 como parte da pesquisa de doutorado de Santos, hoje professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).

Tartaruga-verde morta em praia suja; calcula-se que prejuízo para o ecossistema marinho seja de US$ 8 bilhões por ano — Foto: Robson Santos/Arquivo Pessoal

A divulgação do vídeo, que o G1 reproduz parcialmente acima, é uma das formas que ele encontrou de chamar a atenção para uma ameaça ambiental que começa com o consumo de objetos feitos de plástico. Após o descarte, o material pode seguir diversos caminhos, mas, se não recebeu o destino correto, é provável que provoque danos como a morte de um dos animais mais característicos da costa brasileira.

“A ingestão de plástico é hoje um dos principais problemas para a conservação das espécies de tartarugas marinhas tanto pela mortalidade direta como por todos os problemas crônicos decorrentes de sua ingestão, como contaminação por poluentes, por exemplo”, diz Santos.

De acordo com o professor, uma tartaruga-verde juvenil só precisa ingerir meio grama de plástico para morrer. Elas o ingerem ao confundi-lo com alimento, e então o material obstrui o trato gastrointestinal dos animais. Isso quer dizer que a tartaruga fica impedida de comer e realizar outras funções fisiológicas, levando-a a um emagrecimento crônico e podendo prolongar o sofrimento por bastante tempo até ela morrer.

Foi o caso da tartaruga no vídeo acima. A necropsia apontou a ingestão do plástico como causa da morte. Isso é comum no Brasil. A pesquisa de doutorado do biólogo, feita na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), avaliou 255 tartarugas-verdes encontradas mortas e encalhadas ao longo da costa brasileira de 2009 a 2013, e descobriu que em média 70% delas tinham ingerido plástico. Em alguns pontos do país, esse número chega a 100%.

De acordo com especialistas, a pesca acidental — quando o pescador lança a rede e pega acidentalmente animais que não tinha intenção — ainda é a principal causa de morte de tartarugas no Brasil. Mas é a ingestão de plástico a mais difícil de combater.

“A pesca pode ser regulada de um dia para o outro, mas o plástico não. Calcula-se que atualmente há 5 trilhões de fragmentos de plástico flutuando nos oceanos em todo o mundo”, diz o pesquisador.

Plástico e pesca acidental não são os únicos inimigos da vida marinha. A falta de saneamento básico, como mostram os dados levantados pelo G1 para o Desafio Natureza, volta a ser um problema demonstrado pelas tartarugas.

Da cidade para o mar

Não é difícil uma tartaruga marinha ingerir plástico que foi consumido no continente. Um estudo feito pela Associação de Educação Marinha, dos Estados Unidos, e publicado em 2015 na revista Science, avaliou dados de 2010 referentes a 192 países que têm alguma costa nos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico, além do Mar Mediterrâneo e do Mar Negro.

O objetivo era avaliar como o lixo feito de plástico produzido em terra vai parar no mar. O resultado encontrado pela pesquisadora é que, naquele ano, a falta de gestão adequada do lixo fez com que 8 milhões de toneladas de plástico jogado fora fossem parar na água salgada.

Outros números sobre o plástico já são conhecidos: um copo leva pelo menos 200 anos para se decompor, já uma garrafa PET precisa de mais de 400 anos para desaparecer.

“O plástico começa a ser produzido em escala industrial na década de 1950, e parte deste material está até hoje no ambiente e provavelmente ainda permanecerá aí por mais algumas décadas. Apesar de o governo ter grande responsabilidade pela gestão do lixo, a poluição dos ambientes é um problema de difícil resolução, e o indivíduo é uma peça importante neste processo””, afirma o professor Robson dos Santos, da Ufal.

Pessoas caminham na Praia da Avenida, na região central de Maceió — Foto: Marcelo Brandt/G1

Contaminação que volta ao homem
Mas se engana quem pensa que só as tartarugas se alimentam do plástico que é jogado fora de maneira inadequada. Como o homem faz parte da cadeia alimentar, o plástico que contamina a água e afeta a biodiversidade marinha chega também à nossa alimentação.

Em um relatório divulgado neste ano, a organização não governamental WWF (Fundo Mundial para a Natureza), afirma que a contaminação de macro, micro e nanoplásticos já atinge os solos, águas doces e oceanos. “A cada ano, seres humanos ingerem cada vez mais nanoplástico a partir de seus alimentos e da água potável, e seus efeitos totais ainda são desconhecidos”, diz o documento.

Para tentar mitigar o problema, o Ministério do Meio Ambiente lançou em março deste ano o Plano Nacional de Combate ao Lixo no Mar. A agenda do programa também abrange cinco outros temas: resíduos sólidos, recuperação de áreas verdes, qualidade do ar, saneamento e qualidade das águas e áreas contaminadas.

Canudo não é único inimigo
O Instituto Biota resgata e faz diagnóstico da causa da morte de animais que encalham nas praias do litoral de Maceió desde 2010. O presidente do instituto, Bruno Stéfanis, já foi surpreendido pelos objetos encontrados dentro dos animais: cotonetes, tecla de computador e até pedaço de placa de televisão estão na lista.

Para Bruno, eleger um vilão como o canudo plástico não ajuda a discussão sobre o tamanho do problema. Em 2015 viralizou o vídeo de uma tartaruga com um canudo atravessado na narina. A imagem do bicho agonizando de dor enquanto o objeto era retirado com um alicate movimentou uma “guerra anticanudo”.

“A gente não pode eleger um inimigo como o canudo e ir ao mercado e pegar a maior quantidade possível de sacola para trazer as compras. Temos de pensar no nosso consumo como um todo desse material”, diz Bruno.

A utilização de canudos é proibida em estabelecimentos comerciais desde julho de 2018 no Rio de Janeiro, desde 25 de junho na capital São Paulo e desde 13 de julho em todo o estado paulista. No estado de São Paulo a multa pode chegar a R$ 5,3 mil.

Falta de saneamento básico e tumores
O professor Robson utiliza as tartarugas-verde como “sentinela ambiental”. Isso quer dizer que, examinando a saúde das tartarugas, ele consegue aferir como está a qualidade ambiental de uma região.

Em Alagoas, essa qualidade é baixa, em parte porque 83,1% da população não tem coleta e tratamento de esgoto, segundo números de 2019 do Sistema Nacional de Informação Sanitária (SNIS).

Uma das consequências desse alto índice é o volume de dejetos que chegam aos rios e ao oceano, e que podem estar relacionados à fibropapilomatose, doença que provoca um tipo de tumor em tartarugas.

Pesquisadores do Laboratório de Biologia Marinha e Conservação do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúda da Ufal desenvolvem atualmente uma pesquisa que pretende investigar as causas dessa doença, e resultados preliminares apontam que a qualidade da água tem sua parcela nisso.

“Os tumores estão sempre ligados à degradação do ambiente costeiro e, em consequência, à qualidade da água. Quanto pior a qualidade, mais tumores. E quanto mais próximo de áreas urbanas, maiores são os problemas. Isso é decorrente da quantidade de população e baixos níveis de saneamento básico. A tartaruga-verde é diretamente afetada pela degradação da água”, afirma Robson.

O problema, segundo o pesquisador, é que estamos indo na direção oposta das soluções.

“A produção e uso de plástico continuam aumentando, e atualmente no mundo nós incineramos mais plástico do que reciclamos. O poder do indivíduo é maior na mitigação deste problema do que em outros casos, pois parte do problema deriva das nossas escolhas do dia a dia, mas nós também precisamos implementar políticas internacionais de combate à poluição por plástico”, diz Robson.

Para o pesquisador, em um nível individual, mais importante do que dar a destinação correta para o plástico que consumimos no dia a dia, é reduzir o consumo.

“A principal mensagem não é necessariamente jogar o lixo no lixo, mas, sim, reduzir o consumo. O plástico é muito difícil de ser manejado e até em lugares que têm uma boa gestão de resíduo sólido há grande poluição por plástico porque ele é leve e durável”, afirma.

Os dados corroboram essa hipótese: a cidade de São Paulo, que é a maior produtora de resíduos —tanto no volume total quanto na geração per capita — recicla apenas 3% do que coleta, segundo levantamento feito pela Associação das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). Maceió recicla 3,41% do resíduo que coleta.

Além disso, segundo Robson, um caminho importante seria implementar um sistema de logística reversa para as empresas que produzem produtos que utilizem embalagem plástica, responsabilizando-as, assim, pela reutilização e destinação apropriada do resíduo.

“Como nós vamos lidar com este problema global nos próximos anos pode servir como um termômetro de nossas possibilidades de sucesso na mitigação dos demais problemas ambientais de escala global, como o aquecimento global e a crescente perda da biodiversidade”, conclui o professor.

Fonte: g1.globo.com

Condenada pela morte de Maria Cláudia Del’Isola é copeira do GDF

Secretaria de Justiça e Cidadania informou, em nota, que Adriana de Jesus Santos tem autorização da Vara de Execuções Penais para prestar serviço externo. No regime semiaberto, ela é contratada da Funap desde outubro de 2018

Condenada pelo assassinato da estudante Maria Cláudia Siqueira Del’Isola (foto em destaque), Adriana de Jesus Santos cumpre pena em regime semiaberto e trabalha como copeira no Governo do Distrito Federal (GDF). Ela é contratada da Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap-DF) desde outubro de 2018. A informação foi confirmada pela Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus).

O crime ocorreu em dezembro de 2004 e foi considerado um dos assassinatos mais bárbaros da capital da República. A Sejus informou, em nota, que a presa tem autorização da Vara de Execuções Penais (VEP) para trabalho externo.

A Funap integra a administração indireta do GDF e é vinculada à Secretaria de Justiça e Cidadania. A entidade tem como função “contribuir para a inclusão e reintegração social das pessoas presas, oportunizando melhorias em suas condições de vida por meio da qualificação profissional e oportunidades de inserção no mercado de trabalho”. Atualmente, a Funap presta serviços para outros órgãos do Executivo local, do governo federal e a três empresas particulares.

Até a última atualização deste texto, a reportagem não havia conseguido contato com a defesa de Adriana.

Morte no Lago Sul
Bernardino do Espírito Santo era caseiro da família de Maria Cláudia Del’Isola, enquanto Adriana de Jesus, sua namorada, trabalhava como empregada doméstica na mesma residência. O caso aconteceu no Lago Sul, um dos bairros mais nobres de Brasília.

A dupla foi condenada pelos crimes de homicídio triplamente consubstanciado, estupro, atentado violento ao pudor, ocultação de cadáver e furto qualificado. Preso em 2007, Bernardino Espírito Santo obteve progressão para o semiaberto em 2016. Adriana está no mesmo regime, com trabalho externo.

Antes de sair para a faculdade, a vítima foi abordada pelo casal, agredida com um soco e obrigada a informar a senha do cofre. Em seguida, foi estuprada, esfaqueada e morta com um golpe de pá na cabeça. A dupla enterrou a universitária debaixo da escada principal da residência. O corpo foi encontrado três dias depois.

Em março de 2019, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) conseguiu decisão favorável no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para aumentar as penas de Adriana e do outro condenado pelo crime. De acordo com a sentença inicial, as penas eram de 65 e 58 anos, que posteriormente foram reduzidas para 44 e 38 anos, respectivamente.

Após despacho do STJ proferido em 29 de março, Bernardino do Espírito Santo Filho deve receber a pena de 50 anos e 6 meses, enquanto Adriana de Jesus Santos deverá cumprir 40 anos de reclusão.

 Fonte: https://www.metropoles.com/distrito-federal/condenada-pela-morte-de-maria-claudia-delisola-e-copeira-do-gdf

Bazar Europeu

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DF: suspeito de feminicídio pediu demissão do emprego após crime

Barbeiro é procurado pela Polícia Civil depois de corpo de Maria dos Santos Gaudêncio ser achado em casa, no Itapoã, com cinco facadas

A Polícia Civil procura pelo barbeiro Antônio Alves Pereira, 40 anos, principal suspeito de ter assassinado a comerciante Maria dos Santos Gaudêncio (foto em destaque), 52. O corpo da vítima foi encontrado nessa terça-feira (19/3) em estado de putrefação, com cinco facadas e uma lesão na nuca. O casal namorava há cerca de dois anos.

Tudo indica que Maria foi morta no domingo (17). O corpo dela, porém, foi achado pela filha mais velha, de 28 anos, na terça (19), na Quadra 2 da Fazendinha, no Itapoã. Ambas moravam juntas. Sábado (16) foi o último dia que ela viu a mãe com vida.

A jovem saiu para comemorar o aniversário do namorado e, quando retornou, na segunda (18), encontrou o quarto da mãe trancado. Na noite de terça (19), ela começou a sentir um odor forte e resolveu arrombar a porta. Os bombeiros e a PM foram chamados.

Como nada foi roubado, a suspeita do assassinato recaiu sobre o namorado. Isso porque era a única pessoa que tinha acesso à casa, segundo familiares da vítima. De acordo com a delegada-chefe da 6ª DP (Paranoá), Jane Klébia, não há registros anteriores de violência doméstica contra o homem. Apesar disso, ele é procurado pelo crime.

Ela diz que existem indícios de que o feminicídio tenha sido premeditado. No sábado (16), segundo as investigações, Antônio pediu adiantamento de salário na barbearia onde trabalha. Na segunda-feira (18), demitiu-se, alegando que havia ganhado na loteria. Chegou a dizer que doou roupas velhas, conforme mensagem encaminhada ao patrão.

Uma testemunha relatou ter visto a vítima junto com Antônio no domingo (17), na porta de casa. Por volta das 23h, ele teria deixado o local às pressas de bicicleta. A filha mais nova de Maria, que não reside com ela, a viu pela última vez no mesmo dia. A mãe foi visitá-la com o namorado. De acordo com o relato, Maria queria ter ficado mais tempo, mas Antônio a convenceu a deixar o local.

Na 6ª DP, a caçula disse que sua mãe chegou a lhe mostrar algumas mensagens trocadas entre ela e Antônio em que ambos discutiam, mas “nada sério”, conforme contou. Maria tinha um bar do lado de casa. Assim como na residência, nada foi roubado do estabelecimento.

O crime chocou a vizinhança. A esteticista Luzia Almeida, 36, amiga da família, diz que não consegue dormir desde que recebeu a notícia da morte de Maria e têm crises de choro constantes. “Não dava para desconfiar dele [Antônio]. Sempre foi tranquilo, apenas muito quieto”, ressaltou.

Caso as suspeitas sejam confirmadas, será o 6º caso de feminicídio no DF apenas neste ano. Até a semana passada, a Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) registrou 3.101 ocorrências de violência doméstica.

No dia 5 de janeiro, Vanilma Martins dos Santos, 30, foi morta com uma facada desferida pelo marido. Os dois viviam juntos no Gama e tinham um filho pequeno. Pouco mais de 20 dias depois, Diva Maria Maia da Silva, 69, levou cinco tiros no apartamento da família, na Asa Norte. O assassino — Ranulfo do Carmo, 74 — também era companheiro da vítima.

Em seguida, Veiguima Martins, 56, foi assassinada a facadas na Asa Norte pelo marido, que acabou sendo achado morto no apartamento que foi incendiado. Ainda em janeiro, Patrícia Alice de Souza, 23, foi atingida por um tiro nas costas. As investigações concluíram que foi feminicídio.

Cevilha Moreira dos Santos, 45, foi encontrada morta no dia 11 de março, em Sobradinho. A vítima tinha marcas de facada no peito. O namorado dela é o principal suspeito de matar a mulher que sequestrou um bebê no Conic e foi morta dois anos depois.

Saiba mais em: metropoles.com

Metade dos homicídios em 2016 ocorreu em apenas 2% dos municípios

Apesar de pequenos, os números são superiores aos de 2015, quando 109 localidades respondiam por metade das mortes violentas no país

Foto: HUGO BARRETO/METRÓPOLES

Metade dos homicídios registrados em 2016 ocorreram em apenas 123 cidades brasileiras, aponta o Atlas da Violência 2018 – Políticas Públicas e Retratos dos Municípios Brasileiros, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Juntos, esses municípios representam apenas 2,2% do total de cidades brasileiras. Apesar de pequenos, os números são superiores aos de 2015, quando 109 localidades respondiam por metade das mortes violentas no país. Fato que, para os pesquisadores, indica a propagação da criminalidade para cidades menores, processo que vem sendo observado por especialistas desde meados dos anos 2000.

Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, as mais violentas se concentram nas regiões Norte e Nordeste. No entanto, o ranking dos 309 municípios com maior taxa de mortalidade é encabeçado por Queimados, no Rio de Janeiro, com 134,9 homicídios por grupo de 100 mil pessoas.
As quatro cidades seguintes com os maiores índices de letalidade ficam na Bahia. Com uma taxa de 124,3 homicídios por grupo de 100 mil habitantes em 2016, Eunápolis ocupa o segundo lugar entre as mais violentas. Em seguida vem Simões Filho (107,7 homicídios/100 mil habitantes); Porto Seguro (101,7 homicídios/100 mil habitantes) e Lauro de Freitas, com 99,2 homicídios/100 mil habitantes.

Já a relação das cidades com a menor taxa média de homicídios em 2016 começa com Brusque (SC), onde foi registrada uma taxa média de 4,8 homicídios por 100 mil habitantes. Logo em seguida ficaram Atibaia (SP) (5,1); Jaraguá do Sul (SC) (5,4); Tatuí (SP) (5,9) e Varginha (SP) (6,7).

Capitais

Entre as capitais, Belém assumiu o título de mais violenta de 2016, com uma taxa média de 76,1 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Pelos dados do Atlas da Violência de 2015, a capital paraense era a quarta mais perigosa, com 61,8 homicídios/100 mil moradores. Nesta edição do relatório, Belém é seguida por Aracaju (73 homicídios/100 mil habitantes); Natal (62,7 homicídios/100 mil habitantes); Rio Branco (62,6 homicídios/100 mil habitantes) e Salvador (57,8 homicídios/100 mil habitantes).

Alvo de uma intervenção federal na segurança pública de todo o estado desde fevereiro deste ano, a capital fluminense terminou 2016 entre as oito capitais com as menores taxas de mortes violentas, com 25,8 óbitos por 100 mil habitantes. Este grupo é encabeçado por São Paulo (10,1 homicídios); Florianópolis (17,2) e Vitória (17,2); Brasília (25,5); Campo Grande (20,3); Curitiba (29,4) e Belo Horizonte (24,8).

No início do mês, o Atlas da Violência já tinha apontado que o estado do Rio de Janeiro está entre as seis unidades da federação que têm conseguido reduzir as taxas de homicídios, junto com São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Paraná. No documento, os pesquisadores apontam que a melhora dos índices paulistas se deve, em parte, à preponderância de uma organização criminosa sobre as demais, o que permitiria que seus integrantes controlassem o uso da violência, evitando disputas letais.

Fonte: Metrópoles

Nos 11 anos da Maria da Penha, DF tem dia violento para as mulheres

Instituto lança relógio que registra o número de casos de abuso em todo o país. A cada 2 segundos, uma pessoa do sexo feminino é agredida

Larissa Rodrigues
LARISSA RODRIGUES
07/08/2017 18:34 , ATUALIZADO EM 08/08/2017 10:48

Este 7 de agosto marca os 11 anos da Lei Maria da Penha, criada para coibir a violência doméstica contra o sexo feminino. Mas o Distrito Federal tem pouco a comemorar. Entre o fim da tarde de domingo (6/8) e a madrugada desta segunda (7), foram registradas ao menos cinco agressões a mulheres na capital da República.

Os dados divulgados pela Polícia Militar do DF incluem-se nas estatísticas do Instituto Maria da Penha: a cada dois segundos, uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil. O número consta na ferramenta virtual lançada nesta segunda (7), o Relógio da Violência. Entre a 0h de hoje e as 17h55, foram contabilizados 32,6 mil casos. Segundo o instituto, o Brasil é o quinto país mais violento do mundo para as mulheres. A organização pede que a população compartilhe o relógio com a hashtag #TáNaHoraDeParar.

“A informação é uma grande aliada das mulheres quando o assunto é violência doméstica e familiar. É preciso conhecer as diversas formas de agressão e promover o acesso à Lei Maria da Penha em larga escala”, diz a nota assinada por Maria da Penha Maia Fernandes, a farmacêutica cearense que se tornou marco na luta contra os abusos.

Problema estrutural
O relógio começou a funcionar há poucas horas e não contabilizou casos como os registrados na Cidade Estrutural no fim da tarde de domingo (6). Em um deles, um homem chegou em casa bêbado, ameaçou bater na esposa, quebrou a geladeira com um martelo e foi preso em flagrante.
Site: Metropoles