Pastor é preso acusado espiar mulheres em banheiros do Parque da Cidade

Suspeito tem 41 anos, é casado e pai de um menino. Ele foi preso em flagrante no domingo, com objetos que usava para perfurar os banheiros químicos


Um homem de 41 anos, suspeito de fazer furos em banheiros químicos no Parque da Cidade para espiar mulheres, é um pastor de uma igreja evangélica. Morador de Águas Claras, o suspeito foi preso em flagrante, no domingo (14/10), pela Polícia Militar do Distrito Federal. Com ele foram encontradas ferramentas usadas para fazer buracos nos banheiros públicos.

O crime aconteceu no Estacionamento 9 do parque durante um circuito de corrida. O pastor foi detido no momento em que os vencedores da competição recebiam as medalhas.

Na mochila do suspeito havia facas, uma lâmina, um maçarico e fluido para isqueiro. De acordo com a PMDF, o religioso esquentava a ponta dos metais para derreter o plástico dos toaletes com mais facilidade, afim de bisbilhotar a intimidade das mulheres.

O pastor é casado e tem um filho pequeno. Encaminhado à 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul), ele responderá pelos crimes de dano à patrimônio e importunação sexual. Se condenado, pode cumprir de um a quatro anos de prisão.
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Menino vítima de estupro coletivo volta para casa da mãe no DF

Após ser levado para uma instituição de acolhimento, mãe foi buscá-lo. Garoto está abalado, segundo conselheiro tutelar

Um dia após ser encaminhado para uma instituição de acolhimento institucional de Santa Maria, o menino de 12 anos vítima de estupro coletivo em Santa Maria voltou para a casa da mãe. Como o Metrópoles revelou nessa quarta-feira (10/10), o garoto foi abusado, humilhado e agredido por cinco pessoas. Tudo foi filmado e divulgado em um grupo de WhatsApp de moradores do condomínio Porto Rico. O vídeo vazou e o caso chegou à polícia.

“A gente o acolheu emergencialmente porque estava sem contato com a mãe. Procuramos a família e, como foi ela localizada, tem o direito de tirar a criança de lá”, explicou o conselheiro tutelar de Santa Maria Sul Hessley Santos.

A mãe foi buscá-lo na manhã desta quinta-feira (11) na unidade de acolhimento institucional de Santa Maria. “Ele será reintegrado à família”, ressaltou Hessley Santos. O menino morava com a avó há seis meses por conta do seu envolvimento com drogas. Segundo o conselheiro, o garoto receberá apoio psicológico. Ele está abalado, de acordo com Santos.

A denúncia de estupro coletivo chegou à Polícia Civil do DF após a divulgação de um vídeo chocante nas redes sociais, no qual é possível ver o menino amordaçado, seminu e com cordas amarradas no pescoço.

Nas imagens, o menino aparece sendo agredido fisicamente e humilhado por um dos acusados. De acordo com o chefe da 33ª DP (Santa Maria), Rodrigo Têlho, ao todo, cinco pessoas teriam participado da ação ocorrida na semana passada. O caso foi descoberto, porém, nessa terça-feira (9).

Entre os suspeitos, estão uma mulher, um homem e três garotos menores de idade. Todos já foram identificados. No entanto, apenas a acusada foi presa em flagrante, pois estaria divulgando o vídeo nas redes sociais. À polícia, ela confirmou que os casos de estupro eram recorrentes e não envolviam conjunção carnal.

A criança era constantemente humilhada pelos autores. A vestiam de mulher, introduziram cabos de ferro e de martelo no seu ânus. A sacaneavam em troca de drogas”
Rodrigo Têlho, delegado da 33ª DP
O investigador teve acesso ao conteúdo do vídeo após receber denúncia do Conselho Tutelar da região administrativa. Logo depois, instaurou inquérito para apurar o caso.

A mulher responderá por injúria, estupro de vulnerável, lesão corporal, crimes praticados contra a criança e o adolescente, além de tráfico de drogas e ameaça. Já o outro acusado, também maior de idade, teve prisão temporária pedida à Justiça pela corporação.

“A punição dos três adolescentes envolvidos ficará a cargo da Delegacia da Criança e do Adolescente, que tomará as medidas cabíveis ao caso”, completou o delegado.

Segundo Hessley Santos, os próprios moradores do Porto Rico teriam acionado o órgão. “O garoto disse que os acusados iriam jogá-lo no córrego para matá-lo. Mas desistiram da ideia. Eles rasparam a sobrancelha do menino, torturaram e cometeram abuso sexual”, confirmou.

Aumento na punição
No dia 25 de setembro, foi sancionada Lei nº 13.718, de 2018, que aumenta pena para estupro coletivo, além de tornar crime a importunação sexual, a chamada vingança pornográfica e a divulgação de cenas de estupro.

Para abuso coletivo, o texto aumenta a pena de um quarto para até dois terços. A punição será ainda maior se o crime for cometido em local público, aberto ou com grande aglomeração de pessoas ou em meio de transporte público, durante a noite em lugar ermo, com o emprego de arma, ou por qualquer meio que dificulte a possibilidade de defesa da vítima.

Todos os crimes sexuais contra vulneráveis terão a ação movida pelo Ministério Público mesmo quando a vítima for maior de 18 anos. Isso independe do desejo da vítima de entrar com o processo contra o agressor.

Ainda segundo o texto, poderá ser punido com reclusão de 1 a 5 anos quem oferecer, vender ou divulgar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outro tipo de registro audiovisual que contenha cena de estupro ou de abuso sexual de vulnerável. Incorre no mesmo delito quem, sem consentimento, divulgar imagens com cena de sexo, nudez ou pornografia ou ainda com apologia à prática de estupro.

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Mensagens revelam como jovens vendiam drogas caras em “loja virtual”

Quatro universitários são acusados de vender entorpecentes importados, como LSD líquido. Eles tratavam drogas como “passaporte da felicidade

Jovens universitários de classe média, moradores do Plano Piloto, foram presos na manhã desta quinta-feira (11/10) acusados de tráfico de drogas. O comércio ilegal era feito com ajuda de um aplicativo de celular. Na lista de transmissão do WhatsApp, os traficantes mantinham uma “lojinha virtual”, com preços e os tipos de entorpecentes caros e importados, chamados por eles de “passaporte da felicidade”.

Fotos e vídeos eram enviados aos clientes para mostrar a qualidade dos entorpecentes. Os traficantes vendiam apenas drogas sintéticas e maconha gourmet, potencializada e cara. Quatro acusados foram presos pela Polícia Civil do DF (PCDF) nesta quinta (11).

A investigação teve início com a prisão de um homem na 2ª fase da Operação Theya, coordenada pela 1ª Delegacia da Polícia (Asa Sul). Nesta terceira fase, cerca de 80 policiais cumpriram 10 mandados de busca e apreensão.

Os quatro jovens foram presos durante a ação. À polícia, eles informaram que a droga encontrada com eles era para consumo próprio. O delegado-chefe adjunto da 1ª DP, João de Ataliba Neto, confirmou que os investigados têm 18 e 30 anos, são de classe média, e, em regra, estudantes universitários que não precisam do dinheiro do tráfico.

São usuários de drogas que também as revendem para sustentar o próprio vicio e obter lucro. Percebemos que eles ganham um certo status em meio aos usuários e ostentam em festas. As drogas comercializadas são mais potentes que as tradicionais, por isso, mais caras”
João de Ataliba Neto

Um dos entorpecentes é o LSD líquido. Apenas uma ampola é comercializada por até R$ 1,3 mil. Os investigados também vendiam o alucinógeno em forma de cristal.

Além de maconha e das drogas sintéticas, a Polícia Civil apreendeu R$ 9,7 em espécie. Os presos foram identificados como Luis Henrique Araújo Silva, 19 anos; Matheus Silva Cabral, 23; Ageu Lucas Silva, 27; e Vitor Silvestre da Costa, 20. Um outro suspeito não foi localizado pela polícia, pois está em Alto Paraíso (GO).

Roleta-russa
No último fim de semana, o Metrópoles mostrou que, a cada seis dias, uma nova droga sintética surge no mundo. Essas composições modificadas são comercializadas por traficantes como se fossem substâncias conhecidas, e a estratégia criminosa já chegou a Brasília. Uma delas é a n-etilpentilona, que matou a universitária Ana Carolina Lessa, 19, em 23 de junho de 2018.

O perito criminal da PCDF Luciano Arantes constata que, atualmente, apenas 5% dos selos apreendidos no DF são LSD. Dados do Instituto de Criminalística da PCDF mostram que, de 2009 a 2012, 100% das apreensões eram de LSD. Depois do primeiro semestre de 2013, o número caiu para 50%.

A partir de 2014, os peritos identificaram a comercialização dos NBOMes, conhecidos também como Smiles ou N-bombs, fortes alucinógenos sintéticos vendidos como alternativas ao LSD. Nesse grupo, estão a 25B-NBOMe, 25I-NBOMe e a 25C-NBOMe.

Todas essas substâncias submetem quem as usa a alto risco de overdose. Usuários relatam que, ao consumirem essas drogas, sentem grande confusão mental, coração acelerado e alucinações. Em 2014, a Anvisa incluiu 11 tipos de NBOMes na Portaria n° 344. Em 2016, também foi identificada a família NBOH: 25I-NBOH e 25B-NBOH, além do DOC.

Também conforme o Metrópoles mostrou em reportagem recente, de olho no alto poder aquisitivo de usuários do Plano Piloto, Lago Sul e Lago Norte, traficantes do Distrito Federal passaram a apostar no tráfico de ervas geneticamente modificadas. As chamadas maconhas gourmet apresentam notas de limão, framboesa, cereja e de chocolate.

Investigações conduzidas pela Seção de Repressão às Drogas (SRD) da 1ª DP traçaram o perfil de compradores e de criminosos, além de terem identificado as principais variações que estão infestando festas na capital da República. As apurações policiais apontam que apenas um grupo seleto de usuários consegue acesso a esse tipo de maconha.

Uma pequena porção chega a custar R$ 1,4 mil. Ao contrário do produto vendido nas ruas e em bocas de fumo, as substâncias gourmet são negociadas em rodas de amigos. “Em quase 100% dos casos, quem vende e quem compra se conhece. Portanto, eles acreditam que se trata de uma transação segura”, explica o delegado-chefe adjunto da 1ª DP, Ataliba Neto.

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Goleiro Bruno pode deixar a prisão

Justiça atualiza atestado e goleiro Bruno pode pedir progressão de pena no dia 13 de outubro
Semiaberto poderá ser solicitado a partir desta data; atualmente jogador cumpre pena em regime fechado na Apac, em Varginha (MG).

A Justiça de Varginha (MG) atualizou o atestado de pena do goleiro Bruno Fernandes com os dias remidos por tempo trabalhado e por estudo. Agora o jogador, que pretende retomar a carreira, pode pedir a progressão de pena para o regime semiaberto domiciliar a partir do dia 13 de outubro, deixando o sistema prisional.

Bruno foi preso em 2010 e depois condenado pelo homicídio triplamente qualificado de Eliza Samúdio e por sequestro e cárcere privado do filho Bruninho. Em 2017, o goleiro chegou a ser solto por uma liminar, mas depois teve a medida revogada e foi preso em Varginha, onde cumpre pena em regime fechado desde então.

A atualização do atestado foi assinada nesta quarta-feira (3) pelo juiz Tarcisio Moreira de Souza, da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais da Comarca de Varginha. O pedido de progressão, no entanto, não é concedido de imediato, já que precisa ser analisado também pelo Ministério Público.

“Agora eu vou ter que aguardar o dia 13 para fazer o pedido de progressão ao regime semiaberto. Na sequência, colher o parecer do Ministério Público, para depois o juiz poder determinar a expedição do alvará de soltura dele”, explicou o advogado Fábio Gama, que defende Bruno.

Caso seja concedida a progressão, Bruno vai ter o direito de dormir em casa, uma vez que Varginha não possui albergados ou outras instituições onde o preso possa ir apenas para dormir. Ou seja, na prática, é similiar ao regime aberto.

Com isso, o goleiro, que tem contrato suspenso com o Boa Esporte, pretende buscar também uma autorização especial para poder viajar para jogar, diz a defesa. O clube também já manifestou o desejo de voltar a contar com Bruno.


Condenação
Bruno foi condenado pelo homicídio de Eliza Samúdio e pelo sequestro e cárcere privado do filho Bruninho. Ele também havia sido condenado por ocultação de cadáver, mas esta pena foi extinta, porque a Justiça entendeu que o crime prescreveu.

Em 2017, o goleiro chegou a ser solto por uma liminar do Superior Tribunal Federal (STF) e voltou a jogar futebol, atuando no Módulo 2 do Campeonato Mineiro pelo Boa Esporte, mas depois teve a medida revogada e um pedido de habeas corpus negado. Em 27 de abril de 2017, Bruno se apresentou à polícia em Varginha, onde foi preso e levado para o presídio da cidade.

Em junho de 2018, ele foi transferido para a Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) da cidade, após decisão da da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais. Desde então, cumpre pena e trabalha na unidade.


Goleiro Bruno cumpre pena em regime fechado em Varginha desde abril de 2017 — Foto: Reprodução/EPTV

Penas
As penas somadas chegaram a 20 anos e 9 meses de prisão. Ao todo, o goleiro, que teve a pena aumentada por ser mandante, mas diminuída na mesma proporção por ser réu confesso, precisa cumprir 7 anos, 6 meses e 15 de pena para ter direito ao benefício do semiaberto – esse número vem sendo diminuído devido às remições por tempo trabalhado e estudo.

Bruno já cumpriu pouco mais de 8 anos da pena, mas uma falta grave cometida em 2013 faz com que não seja computado o tempo total em que esteve preso. Com isso, apenas o período após 02 de abril daquele ano é contado para a obtenção da progressão de pena para o semiaberto. A conclusão total da pena agora está prevista para 11 de maio de 2031.

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Caso Eliza Samudio: Justiça em MG concede liberdade condicional a Macarrão

Luiz Henrique Ferreira Romão cumpre prisão em regime aberto em Pará de Minas desde março deste ano. Com progressão da pena, condenado por crime ocorrido em 2010 vai passar a contar com novos benefícios no cumprimento da sentença.

Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, vai passar a cumprir a pena pela morte da modelo Eliza Samudio em liberdade condicional. A decisão foi assinada na terça-feira (2) pelo juiz Antônio Fortes de Pádua Neto, da comarca de Pará de Minas, e divulgada no início da tarde desta quinta-feira (4) pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Condenado a 15 anos de prisão em 2012 pelo crime ocorrido em 2010, Macarrão deixou o Complexo Penitenciário Doutor Pio Canedo, em Pará de Minas, em março deste ano para continuar a cumprir a pena em regime aberto. Até então, ele estava no semiaberto e a Justiça alegou que a pena seria cumprida domiciliarmente porque não havia albergue para essa finalidade no município.

Com a liberdade condicional, Macarrão deverá permanecer em casa das 22h às 6h, exceto em casos que a Justiça aceitar como exceção. No regime aberto, ele precisava voltar para casa mais cedo, às 19h. Se descumprir os requisitos exigidos pela Justiça, pode voltar para o regime fechado.

Quando foi para regime aberto, Macarrão trabalhava em uma igreja evangélica e fazia curso profissionalizante — Foto: Reprodução/TV Integração

Para que a progressão da pena passe a valer, ainda é necessária a realização de uma audiência para assinatura de acordo sobre os termos da condicional. A audiência está marcada para 31 de outubro.

A progressão da pena de Luiz Henrique Ferreira Romão foi anunciada junto com a progressão de pena obtida pelo ex-goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, que, a partir de 13 de outubro, pode passar do regime fechado para o semiaberto.

Eliza Samudio foi morta em 2010 e o corpo ainda não foi encontrado — Foto: Reprodução/GloboNews

Condenação
Macarrão foi condenado em novembro de 2012 a 15 anos de prisão em regime fechado por homicídio triplamente qualificado – motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, a modelo Eliza Samudio – e mais três anos em regime aberto por sequestro e cárcere privado.

A Justiça considerou que ele agiu junto com o goleiro Bruno Fernandes, com quem Eliza Samudio teve um filho. Na época, o jogador era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade. O jogador foi condenado pelo crime em março de 2013.

Em 2016, Macarrão conseguiu progressão da pena para o regime semiaberto e, como a penitenciária onde estava, a Nelson Hungria, em Contagem, só aceitava o fechado, a defesa pediu a transferência de Macarrão para uma cidade do interior de Minas. Na época, foi alegado que ele tinha parentes em Pará de Minas.

Em 1º de março deste ano, a Justiça concedeu progressão da pena de Luiz Henrique para o regime aberto, com cumprimento em casa.


Macarrão (dir.), ao lado do ex-goleiro Bruno durante júri em 2012: ele foi condenado por homicídio triplamente qualificado — Foto: Vagner Antonio/Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Benefícios
Em nota, o TJMG informou que o juiz Antônio Fortes de Pádua Neto concedeu liberdade condicional a Macarrão embasado em parecer do Ministério Público e considerou que ele cumpriu todos os requisitos exigidos para uma pessoa que cumpra pena no regime aberto.

Para manter o benefício, Macarrão precisa comprovar que tem uma ocupação lícita em 30 dias, comparecer mensalmente em juízo para provar residência fixa e permanência em ocupação lícita, não mudar de residência nem se ausentar da comarca sem prévia autorização judicial e estar em casa entre 22h e 6h, exceto se for comprovado que está em atividade lícita.

Com a progressão da pena, Luiz Henrique Ferreira Romão não poderá frequentar bares, boates, casas de prostituição e locais de reputação considera duvidosa pela Justiça.

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Assédio no ônibus

Assédio no ônibus/metrô, agora é crime, e pode dar até cinco anos de prisão


Importunação sexual e divulgação de cenas de estupro agora são crimes. É o que prevê a Lei 13.718/18, sancionada nesta segunda-feira (24) pela Presidência da República.

O crime de importunação sexual é caracterizado pela realização de ato libidinoso na presença de alguém e sem sua anuência. O caso mais comum é o assédio sofrido por mulheres em meios de transporte coletivo, como ônibus e metrô. Antes, isso era considerado apenas uma contravenção penal, com pena de multa. Agora, quem praticá-lo poderá pegar de 1 a 5 anos de prisão.

Site: http://www2.camara.leg.br

‘Golpe do motoboy’ é o crime da moda para fraudar cartão de crédito


Atualmente, uma força-tarefa envolvendo policiais e promotores de justiça tenta levantar a origem desses ataques.

Há dois meses, a empresária Fátima Vilani recebeu uma ligação de seu banco sobre uma suposta compra realizada com cartão de crédito na cidade de Campinas (SP). Não reconheceu o pagamento e foi orientada pelo atendente a entrar em contato com a instituição financeira. Fátima ligou para o número localizado na parte de trás do cartão, ouviu a música de espera do banco, falou com um funcionário e aceitou a oferta de entregar o cartão ao motoboy para uma averiguação.

No dia seguinte, Fátima descobriu que a compra nunca aconteceu. Que não havia telefonado para o banco. Que o motoboy não levou o cartão para a investigação. E que o prejuízo disso tudo superava R$ 80 mil.

Ela caiu no ‘golpe do motoboy’, crime de engenharia social, como são chamados os casos de manipulação psicológica das vítimas por estelionatários. É o golpe da moda, segundo a Polícia Civil, o Ministério Público e os bancos – mas apenas um entre as diversas modalidades de fraudes que envolvem cartões de crédito.

“Hoje, o cartão de crédito é a principal porta de entrada para os casos de fraudes envolvendo nossos clientes”, afirma o superintende de prevenção a fraude do Itaú Unibanco, Ricardo Lima. O banco, recentemente, iniciou uma campanha justamente para alertar os clientes sobre o ‘golpe do motoboy’. Um vídeo disseminado pelo WhatsApp explica o crime e diz que o banco não solicita senhas e não pede cartões de seus clientes.

“Quem cai nesse golpe geralmente fica espantado com o nível de detalhamento dos bandidos. Eles têm informações sobre a vítima, após monitoramento de redes sociais, e geralmente desviam a linha de telefone no instante do golpe para que a ligação caia exatamente no número dos golpistas”, afirma o delegado José Mariano de Araújo Filho, titular da delegacia de crimes cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo.

“A pessoa com quem conversei possuía todo conhecimento do sistema de cartões. Era impossível perceber que se tratava de um golpe”, conta a empresária. “Fui parar no hospital. Eram R$ 84 mil. Não conseguia dormir”, conta. Fátima Vilani só recuperou o dinheiro 20 dias depois. A seguradora pagou uma parte do prejuízo e a agência, onde é cliente há 27 anos, assumiu a outra parcela.

Bancos de dados
Lima, do Itaú, lembra no entanto que golpes como o aplicado na empresária representam a minoria dos casos de fraudes do setor. “A gente fez esse vídeo para alertar as pessoas sobre a dinâmica desse golpe, mas os crimes de engenharia social são apenas 5% dos casos que captamos aqui na instituição”, diz.

O promotor de Justiça do MP-DF e presidente do Instituto Brasileiro de Direito Digital, Frederico Meinberg Ceroy, destaca que a maioria das fraudes tem origem nos roubos de banco de dados de empresas.

“Um vazamento de bancos de dados expõe dados de milhares de consumidores. Isso depois é vendido no mercado paralelo da internet e vai alimentar milhares de fraudes no e-commerce”, conta Ceroy.

Atualmente, uma força-tarefa envolvendo policiais e promotores de justiça tenta levantar a origem desses ataques. Uma das linhas de investigação trabalha com o envolvimento de colaboradores dentro de bancos, companhias telefônicas e centros de processamento de dados de varejistas que facilitariam o acesso a informações por parte de estelionatários.

“Existem ainda bancos de dados que são frágeis e os hackers invadem sem muita dificuldade”, diz uma fonte do setor, em condição de anonimato. As informações são do jornal

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Presidente interino da república, Toffoli sanciona lei…..

Pela lei sancionada, fica caracterizada importunação sexual o ato libidinoso praticado contra alguém, e sem a autorização, a fim de satisfazer desejo próprio ou de terceiro. A pena prevista é de um a cinco anos de cadeia.

A proposta ganhou força quando foram registrados casos de homens que se masturbaram e ejacularam em mulheres em ônibus. Um dos episódios de maior repercussão ocorreu em São Paulo.

O texto sancionado também torna crime a divulgação, por qualquer meio, vídeo e foto de cena de sexo ou nudez ou pornografia sem o consentimento da vítima, além da divulgação de cenas de estupro.

A lei aumenta a pena em até dois terços se o crime for praticado por pessoa que mantém ou tenha mantido relação íntima afetiva com a vítima, como namorado, namorada, marido ou esposa. A intenção é evitar casos conhecidos como pornografia de vingança.

Fonte: https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/09/24/presidente-interino-da-republica-toffoli-sanciona-lei-que-torna-crime-importunacao-sexual.ghtml

Vamos falar sobre bullying: problema que atinge 150 milhões de jovens

As vítimas podem desenvolver doenças psíquicas como a depressão, chegando até a pensamentos suicidas

Site: Metropoles.com

O bullying nas escolas é um problema que acomete crianças e adolescentes de todo o mundo e preocupa pais e educadores. Um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, publicado no início do mês, revelou que metade dos adolescentes entre 13 e 15 anos, cerca de 150 milhões de meninos e meninas, sofre violência corporal ou psicológica por parte dos colegas dentro e no entorno das escolas.

O Metrópoles conversou com psicólogos, pedagogos e diretores de escolas públicas e privadas do Distrito Federal para entender como o bullying se manifesta nas instituições de ensino e a que sinais os pais devem ficar atentos.

A psicóloga da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF), Gabrielle Jesus, explica que o bullying é um comportamento aprendido e socialmente validado, ou seja, não é nato do ser humano. Ele está ligado à cultura em que a criança está inserida e começa a ser praticado por meninos e meninas a partir dos seis anos.

As vítimas tendem a se tornar mais isoladas e se recusam a ir para a escola. Foi o caso de Gustavo do Vale Ferreira, hoje com 14 anos. Quando sofreu bullying, o menino tinha apenas sete. Os três primeiros meses no novo colégio são lembrados até hoje pela mãe, Carolina Castro do Vale Ferreira, 39 anos, como um período difícil para o menino.

Gustavo era perseguido por colegas de sala que pegavam seu lanche na hora do intervalo, escondiam suas chuteiras e, em uma ocasião, chegaram até a tentar forçar sua cabeça no vaso sanitário. “Eu tentava evitar ir à escola porque ficava com medo que pudesse acontecer de novo”, lembra.

Hoje, Gustavo do Vale Ferreira tem 14 anos e não gosta de lembrar da época em que sofreu discriminação
A mãe conta que tudo começou quando Gustavo mudou de escola para cursar o ensino fundamental. Até então, o filho era um menino alegre, brincalhão e seu comportamento mudou completamente entre fevereiro e abril de 2011.

“Ele passou a evitar o colégio, mas não revelava o motivo. Todo dia inventava que estava doente e começou a ficar muito calado. Na época, eu não sabia onde estava o problema e imaginava que pudesse ser em casa”, recorda a mãe. Além do comportamento, Gustavo desenvolveu um tique nervoso: os olhos e a boca piscavam involuntariamente.

Carolina lembra que, na época, chegou a participar de mais de 20 reuniões com diretores e coordenadores da escola em que o filho estava matriculado para tentar descobrir o motivo da mudança de comportamento da criança e sempre escutava a mesma resposta: ela deveria se acalmar e ter paciência porque a ansiedade era algo comum no período de adaptação em um novo espaço.

“Eu sempre ouvi que o bullying era um problema que as pessoas sofriam caladas, mas não acreditava. Em uma família com diálogo, isso não aconteceria, até sentir dentro da minha casa”.”
Carolina Castro do Vale Ferreira
O menino participou de sessões de terapia, mas só se abriu quando a mãe resolveu matriculá-lo em outra escola. “A orientadora ligou dizendo que ele não estava bem e febril. Quando cheguei lá, vi meu filho sozinho, me esperando. Foi a gota d’água. Ele me contou que estava sofrendo perseguição de outros meninos da sala”. Mudar de escola foi a paz da vida de Gustavo e o menino se transformou da noite para o dia, mas os tiques nervosos ainda persistiram pelos quatro meses seguintes.

Carolina Castro e Gustavo do Vale

A professora doutora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), Angela Uchoa Branco, afirma que pais, professores e diretores das escolas devem trabalhar em conjunto para combater casos dessa natureza.

Os pais, atentos ao comportamento do filho em relação à escola, e os professores, à dinâmica da sala de aula e intervir cuidadosamente, mas ter tolerância zero com o bullying – conversar, ouvir e argumentar com os alunos sobre cultura de paz. Aos diretores, cabe orientar os professores e buscar a resolução pacífica de conflitos.

Gabrielle Jesus explica que, raramente os agressores sofrerão alguma sequela. “Eles se acham poderosos e não sentem culpa”, afirma. No entanto, os pais também devem ficar atentos ao comportamento dos filhos e observar se as crianças têm o costume de repetir as brincadeiras e discriminações reproduzidas pelos amigos.

O relatório da Unicef descreve uma variedade de maneiras pelas quais estudantes enfrentam a violência neste contexto. Embora meninas e meninos tenham o mesmo risco de sofrer bullying, os meninos têm chances maiores de sofrer violência física e ameaças, como Gustavo sofreu, enquanto as meninas são mais propensas a ser vítimas de formas psicológicas de bullying.

As vítimas podem desenvolver doenças psíquicas chegando a ter pensamentos suicidas, como explica a psicóloga. A estudante Débora Dálet, 21 anos, passou por todos os estágios de depressão quando cursou o 9º ano, aos 14 anos. A jovem era perseguida por um colega de turma que a apelidava com nomes nada agradáveis, como baleia e javali.

Débora chegou a comentar sobre alguns episódios de violência sofrida no colégio, mas a mãe acreditava que mudá-la de escola não iria resolver o problema. “A minha mãe dizia que isso acontecia em todo lugar e eu precisava ser forte”. A adolescente cursou o ensino médio em outra escola.

Junto aos xingamentos, o agressor incentivava outros adolescentes a jogarem bolinhas de papel na colega de sala. Um dos episódios lembrados com muita dor por ela foi quando o rapaz jogou chiclete em sua cabeça. “O meu cabelo era na cintura. Eu fui a um salão, mas não teve jeito, precisaram fazer um corte joãozinho. Foi aí que o bullying piorou”. A solução encontrada pela escola para punir o adolescente foi a suspensão.

Na época, ela pesava cerca de 80 kg e passou a ter comportamentos de bulimia, até chegar aos 45 kg. Os pais perceberam que a adolescente comia e logo ia para o banheiro vomitar. Foi aí que eles decidiram levá-la a uma psicóloga.

A situação se agravou quando Débora tentou cometer suicídio. Foram diversos episódios – ela carrega as marcas dos cortes que fez no próprio corpo até hoje – até ser socorrida às pressas e seguir até o hospital. “Fui a um psiquiatra e ele me receitou antidepressivos e remédios para dormir. Eu acordava com medo de ir para a escola”, lamenta, a voz embargada.

Sete anos depois, Débora acredita que está em outra fase da vida, com foco nos estudos. Ela segue fazendo acompanhamento psicológico e ainda não se sente a vontade com a própria imagem. “Eu não aceito ser gordinha. Ainda me sinto feia”, completou.

A psicóloga afirma que é obrigação da escola desenvolver um trabalho em conjunto com orientadores e pedagogos para que o bullying seja coibido. A Secretaria de Educação do Distrito Federal desenvolve, ao longo de todo o ano letivo, projetos pedagógicos sobre temas relacionados à cidadania e direitos humanos, mediação de conflitos, combate às drogas, entre outros assuntos, como forma de prevenir e combater a violência..

A diretora da Escola Classe 204 Sul, Alessandra Alves de Oliveira Lopes, trabalha com crianças de seis a 12 anos há duas décadas. Ela lembra que o desrespeito, a intimidação e a apelidagem existem desde que iniciou o trabalho na educação. Os valores são trabalhados de forma gradativa com os estudantes, dentro da proposta pedagógica. As crianças aprendem o que é respeito através de aulas, palestras e filmes.

O centro educacional Sigma é pioneiro com a implantação da disciplina Convivência Ética. Estudantes de 71 turmas da escola participam das aulas duas vezes por semana desde o primeiro semestre de 2017, sob supervisão da professora Áurea Bartoli. Atualmente, 20 docentes de diferentes matérias estão capacitados para trabalhar a Convivência Ética. Os estudantes são incentivados a participar com a sugestão de temas.

O Metrópoles conversou com a supervisora e quatro alunos do 8º e 9º ano do ensino fundamental para entender na prática como eles encaram a disciplina e o bullying. Fica evidente na fala de Arthur Henrique Silva Pinho, 15 anos, Isabela Koshino, e Isabella Maryan, as duas com 14 , e Clarisse França, 13, que a disciplina dá a eles poder de fala e decisão. São jovens empoderados.

Isabela Maryan lembra de um caso recente, em que viu uma colega de sala ser discriminada. Ela e outras duas amigas contrárias à prática levaram o assunto para a sala de aula. As adolescentes pesquisaram o conceito do bullying e fizeram uma apresentação para a turma, explicando os tipos de agressão e alvos comuns. “Geralmente são pessoas com linguagem passiva. A gente trouxe esse assunto e conseguiu resolver na aula, parando o bullying com a menina”, explicou.

Clarissa lembra que sofria discriminação por ser considerada muito baixinha. Era normal o agressor excluí-la das brincadeiras em grupo, por exemplo. “Eu nunca levei isso a sério porque sempre fiz piada de mim mesma. Foi assim que o meu pai me ensinou a me defender”.

A menina de apenas 13 anos demonstra segurança e maturidade de gente grande. Ela entende que a altura não é motivo para se envergonhar, assim como qualquer outro relacionado à aparência. “Eu nunca me senti humilhada porque eu sei que não é culpa minha. Não posso fazer nada sobre isso”.

Isabela Koshino entende, por vezes, que a vítima não tem real proporção da gravidade das agressões e sofre em silêncio. “Eu achava normal eles me zoarem por eu não ser magra nem alta. Hoje eu entendo que não tem nada de errado comigo”, analisa. A adolescente acredita também na importância de se cercar por pessoas que fazem bem para elas. A opinião é comum no grupo.

Isabela Maryan acredita que conversar com um amigo pode ser mais fácil do que com os pais e diretores. O diálogo é equiparado, sem julgamentos. “Os amigos vêm tudo, eles estão presentes no dia a dia e às vezes os pais não sabem”, ressalta.

Arthur compreende que a disciplina deu responsabilidades aos alunos. Hoje, eles sugerem os temas que querem abordar e têm mais liberdade para falar com os professores. Segundo Áurea, o objetivo é construir a autonomia moral dos adolescentes. “Eles desenvolvem pensamentos como ‘o que eu posso?’, ‘o que eu quero?’ e ‘o que eu devo?’”, completou.

Isabella Maryan, Clarisse França, Arthur Henrique Silva Pinho e Isabela Koshino

O programa teve origem em escolas da Espanha há 16 anos. As ações em relação ao tema começaram em 2016, com alunos do 1º ano do ensino médio e 9º ano do fundamental para discutir problemas de convivência da escola e temas estudados por eles em outras disciplinas, como a descriminalização do aborto.

Áurea faz questão de enfatizar que a escola não levanta discussões acerca de políticas partidárias e religião por entender que, primeiro, precisa ser construído um viés de respeito para que alunos estejam aptos para discutir sobre qualquer assunto.

O trabalho de conscientização do bullying deve ser feito com o alvo, os autores e os expectadores. “O bullying é um problema moral. Se eu acho que posso zoar o outro sem limites, a vítima não tem forças para lidar sozinha e eu tenho expectadores, gente que ri, isso só aumenta”, segundo a supervisora. “Nós não queremos que eles saiam da escola aceitando tudo o que acontece”, completa.

Assim como Gustavo e Débora, muitas crianças têm vergonha ou medo de falar sobre o assunto com pais e docentes. Por isso, especialistas alertam para que a família preste atenção à alguns sinais que podem indicar que a criança ou adolescente esteja sofrendo bullying:

Fique atento a mudanças no comportamento e humor da criança: mais isoladas e chorosas, por exemplo;
Observe se ela pede para faltar aula com frequência: “Fique alerta se ela disser que não quer ir para a aula, algo pode estar acontecendo”, ressalta a diretora da Escola Classe 204 Sul, Alessandra Alves de Oliveira;
Seu filho tem medo de ir para a escola? Em alguns casos, a aproximação do início de uma nova semana ou ano letivo são suficientes para que a criança fique ansiosa;
Participe da vida escolar de seu filho: fique atento à agenda e mochila da criança;
Frequente a escola e converse com os professores.

Mapa do feminicidio no DF

O Correio traça um panorama do crime que tem espantado Brasília. Desde 2015, foram quase 60 crimes, 20 deles este ano. Companheiros e ex-companheiros formam a maioria dos assassinos

Enterro de Adriana Castro, morta pelo ex-marido, Epaminondas Silva Santos, policial militar, no Riacho Fundo

“Ele a ameaçava de morte. Às vezes, falava que ia matá-la; às vezes, que mataria as crianças na frente dela, para ver que ele era capaz.” A frase é da operadora de caixa Silvaneide de Castro, 34 anos, cunhada de Adriana Castro Rosa Santos, 40, uma das 20 vítimas de feminicídio no DF até 31 de agosto de 2018. A dona de casa foi assassinada em 7 de agosto pelo marido, o policial militar Epaminondas Silva Santos, 51. Além de Adriana, 59 mulheres da capital federal foram mortas, seja por facadas, seja por tiros, seja por socos, desde 2015. Em 85% dos casos, os crimes aconteceram dentro de casa. No mesmo período, houve 136 tentativas de feminicídio, segundo a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP).

No ano passado, as delegacias do DF registraram 20 ocorrências. Diante desse cenário violento contra as mulheres, formou-se uma câmara temática com representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, SSP, Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Detran, Defensoria Pública e Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) com o objetivo de entender o padrão relacionado às mortes. Para o secretário da Segurança Pública e da Paz Social, Cristiano Sampaio, isso pode ajudar juízes a decidir sobre a sentença de agressores desde a primeira denúncia. “A gente tem percebido que eles não partem da primeira ocorrência para a morte. Com o padrão estabelecido, a gente consegue ter uma luz acesa mostrando o nível de risco e quando adotar as mais altas medidas de proteção”, explica.

No caso de Adriana, o relacionamento abusivo se mostrou aos poucos. Epaminondas não a deixava trabalhar, era ciumento e bebia muito. Silvaneide disse que a cunhada não falava muito dele e, havia cerca de dois anos, ele parou de frequentar a casa da sogra. “Ela visitava a mãe sempre, todo fim de semana estava aqui, trazia os filhos. Era uma pessoa muito boa”. Agora, as crianças, uma menina de 8 anos e um garoto de 11, moram com a avó. Eles fazem acompanhamento psicológico. No dia da tragédia, os dois dormiam na sala da casa e acordaram com os tiros. “Eles falam na Di (apelido de Adriana) de vez em quando, sentem saudades”, conta Silvaneide.

Medidas protetivas
Depois de assassinar a ex-mulher, Epaminondas cometeu suicídio. O mesmo aconteceu com outros cinco homens em 2018. Dos 20 autores de feminicídio, 11 estão presos. Um deles é Eduardo Gonçalves de Sousa, 34, que matou, em 26 de agosto, a companheira Maria Regina de Araújo, 44, no Itapoã. Dez dias antes, Maria Regina havia pedido uma medida protetiva à Justiça, mas sem sucesso.

Segundo o TJDFT, apenas em 2018, a Justiça recebeu 9.459 pedidos de medidas protetivas, dos quais pouco mais da metade — 4.964 — foram concedidos. Ainda 2.216 tiveram aprovação parcial. O presidente do tribunal, desembargador Romão Cícero de Oliveira, explicou que as solicitações são analisadas, caso a caso, por um juiz. “Nem todas as histórias são verificáveis. Nós temos o sentido de que a palavra da vítima vale muito em relação à do réu”, ressalta o magistrado. “De vez em quando, o juiz deixa de aplicar um benefício a uma dessas pessoas que, talvez, estivesse falando a verdade, mas que não teve a eloquência necessária para chegar aos ouvidos do juiz. A eloquência do acusado talvez tenha sido muito melhor e convenceu”, diz.

A cidade do DF com o maior número de feminicídios é Ceilândia (11), seguida de Samambaia (8), Brasília, Gama e Santa Maria (6). Um dos objetivos da câmara temática é descobrir por que há mais casos nessas regiões. “Qualquer afirmação conclusiva agora é prematura, mas eu acredito que a questão cultural é um fator decisivo para se ter mais ou menos violência doméstica”, ponderou o secretário de Segurança.

A SSP agora passou a trabalhar a questão da agressão às mulheres também no curso de formação de policiais. Além disso, pela frequência com que PMs se revelam agressores, a pasta matricula, compulsoriamente, os envolvidos em uma iniciativa de tratamento. “Eles reconhecem a importância de fazer isso para evitar uma nova agressão. Você percebe que esse é um crime recorrente. Ou trabalha na causa e neutraliza, ou vai chegar a um ponto mais grave. Então, o tratamento do agressor também é muito importante”, avalia o secretário Cristiano Sampaio.

Tornozeleiras
Segundo Cristiano, 6 mil tornozeleiras eletrônicas estão disponíveis, mas, atualmente, apenas 28 agressores são monitorados. Os equipamentos, que custam R$ 162 mensais, fazem parte de um contrato de locação e, de acordo com a SSP, só são cobradas quando em uso. Mas, para um acusado usar o equipamento, é preciso determinação judicial. “Se precisar usar, temos 6 mil. A central de atendimento está montada e equipada com servidores em esquema de operação 24 horas por dia, sete dias por semana. E essa é a nossa angústia”, alerta o secretário. “A gente precisa convencer as pessoas de que esse é um recurso importante e que pode ajudar a cidade”, declara Sampaio.

No fim de agosto, um dos agressores rompeu a tornozeleira e tentou estrangular a ex-companheira em casa, no Gama. O homem de 34 anos descumpriu medida protetiva e chegou a dizer: “Agora eu consigo te matar”. O feminicídio só não aconteceu porque um amigo da vítima chegou a tempo de evitar o pior. Cristiano Sampaio reforça que o equipamento não é um impeditivo, apenas um recurso de acompanhamento. “Assim que ele o rompeu, foi gerado um alarme na central, que tentou contato com ele. Como não atendeu, a PMDF deslocou efetivo para a residência. O monitoramento é permanente.”

O desembargador Romão Cícero, presidente do TJDFT, concorda que o número de tornozeleiras em uso é baixo. “Podia ser muito maior para que a polícia pudesse ter o olho bem mais perto dessas pessoas. É um material que ajuda e muito não só no caso de violência doméstica”, reconhece o magistrado.

Aplicativo para vigiar
Além das tornozeleiras, outro recurso subutilizado, na visão da SSP, é o aplicativo Viva Flor, espécie de botão do pânico que permite às vítimas de violência doméstica acionar a PM caso se sintam ameaçadas. Até o momento, 12 estão cadastradas no programa, lançado em 20 de novembro do ano passado. À época, a promessa era de que 100 mulheres seriam contempladas com o benefício até o fim de 2017. Contudo, os cadastros começaram em junho e, segundo o TJDFT, ainda está em fase de execução do projeto-piloto. Agora, a previsão é de que até o final de setembro haja 30 nomes no total.

Para fazer parte do Viva Flor, a mulher deve ter uma medida protetiva de urgência vigente, e a decisão da inclusão deve ser dada pelo Poder Judiciário, que fornece os dados para cadastro feito pela SSP. O secretário Cristiano Sampaio, no entanto, afirma que a central de atendimento tem capacidade maior. “Esse é um aplicativo on-line, que não tem custo. Eu acho que a segurança, a cautela, o teste, o ajuste, tudo isso é importante, mas tem coisa mais importante. Tem gente precisando do serviço agora”, reforça.

No mês passado, o GDF encaminhou para a Câmara Legislativa um projeto de lei que prevê a conexão entre o Viva Flor e as tornozeleiras eletrônicas. A ideia é que, caso um agressor monitorado se aproxime da vítima cadastrada no aplicativo (ele é georreferenciado), um alerta seja emitido na central de controle, que tomará as providências cabíveis para proteção da mulher em risco.

Outra medida prevista é a obrigação de a SSP fornecer os equipamentos de monitoração. O secretário explica que hoje, o Estado não precisa fornecer as tornozeleiras, de acordo com a Lei nº 12.258/2010). “Se o DF quiser interromper o contrato, interrompe. A lei vai garantir que isso seja mantido”, esclarece.

Três perguntas para
Liz-Elainne Mendes, coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos do MPDFT

Quais são as punições para quem agride uma mulher?
Podem variar de uma prisão simples até uma muito significativa em um regime fechado de reclusão. Se for reconhecido na sentença uma pena maior do que quatro anos, o agressor pode perder cargo público. A condenação criminal traz diversos empecilhos para vagas em cargos públicos e é um prejuízo muito grande. O feminicídio é uma qualificadora do homicídio. Enquanto em um homicídio a pena varia de seis a 20 anos, no caso de feminicídio, vai de 12 a 30 anos.

O que a vítima de violência deve fazer?
Quando ela entende que está passando por violência, eu penso que é um ganho enorme. Ela deve procurar serviços que possam auxiliá-la a tomar maior consciência do quadro de violência para entender a situação de risco. É importante que o sistema de Justiça tome conhecimento para que possa, pela própria lei, combater as agressões. A mulher tem o direito fundamental de viver uma vida plena de paz e, quando há crianças ou adolescentes envolvidos nesse quadro, os serviços auxiliam também para que ela perceba que outras pessoas são impactadas e é preciso que o Estado intervenha. Ela não deve ficar em casa sem tomar providências, sem buscar informação e auxílio.

Quem conhece uma vítima deve “meter a colher”?
Sim. A violência contra a mulher é uma violação grave de direitos humanos e todos que convivem com as vítimas e percebem esse quadro precisam buscar auxílio e ajudar para que o sistema funcione de uma forma mais eficiente. É importante a participação de todos não só alertando, mas buscando o apoio do Estado. Quem quiser denunciar pode ligar no 180 ou fazer uma denúncia anônima pela Ouvidoria do MP, da Polícia Civil, do órgão onde essa mulher trabalha ou no SAC da empresa. São canais que se comunicam para que esse fato chegue ao sistema de Justiça sem que o denunciante se exponha. Outra opção, caso a pessoa queira ser mais ativa na investigação, é registrar uma ocorrência como comunicante e testemunha.

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