Primo de Ana Íris confessa ter estuprado jovem antes de assassinato


Ana Íris, 12 anos, desapareceu em 10 de setembro
A Polícia Civil do Distrito Federal confirmou que o primo de Ana Íris, 12 anos, confessou a prática do estupro, seguido de homicídio por esganadura da adolescente. O jovem já havia confirmado a autoria do crime. A Delegacia da Criança e do Adolescente II (DCA II) representou a denúncia e a Justiça deferiu o pedido de internação provisória contra o menor infrator.

Segundo o delegado-chefe da DCA II, Juvenal Campos, o adolescente estava internado em um hospital em razão das agressões e lesões que sofreu no último dia 26, quando a menina foi encontrada morta. Ele foi agredido por moradores da região que já suspeitavam da participação do menino no homicídio.

Após os últimos exames, ele teve alta na manhã da última quinta-feira (28/9). O adolescente declarou que a motivação do assassinato seria para ocultar o estupro. Tudo teria ocorrido em 10 de setembro. Após matar a vítima, ele teria arrastado o corpo por cerca de dez metros.

Ele foi apreendido pelos ato Infracionais análogos aos crimes de homicídio, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável, pelo período inicial de 45 dias. Após os procedimentos legais, o adolescente foi levado para internação no Núcleo de Atendimento Integrado (NAI).

Homem é preso por sequestrar e matar menina de 6 anos no Paraná


Conhecido da família ele confessou o crime e foi transferido para outra prisão, porque populares invadiram o local para “fazer justiça”

Um homem de 30 anos foi preso na noite desta quarta-feira (27/9) por sequestrar e matar a menina Tabata Fabiana Crespilho da Rosa, de 6 anos, em Umuarama, no oeste do Paraná. Eduardo Leonildo da Silva confessou o crime, segundo a Polícia Civil do município. Ele é um conhecido da família da criança.

Tabata estava desaparecida desde a última terça-feira (26) quando foi deixada próximo à escola onde estudava pelo irmão de 13 anos, como acontecia todos os dias. Imagens de câmeras de segurança revelaram que ela foi abordada por Eduardo, que dirigia um veículo Gol, entrou no carro e foi levada por ele. Os detalhes sobre o crime ainda não foram divulgados pela polícia, mas o corpo da menina já foi localizado. Existe a suspeita de abuso sexual, não confirmada até o momento.

Moradores da cidade invadiram a delegacia para protestar após a prisão do homem. Alguns quebraram uma porta de vidro e depredaram carros no local. Por segurança, o preso foi transferido para outra unidade. Outros presos detidos na delegacia aproveitaram o protesto para dar início da uma rebelião. Os policiais ainda trabalhavam para tentar controlar a situação na manhã desta quinta.
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Já atingiram meu olho, mas não vão me calar”: Professora agredida por aluno denuncia mensagens de ódio

Marcia Friggi, de 51 anos, lamenta situação da educação no Brasil: “Chegamos além do fundo do poço”
BBC BRASIL.com
22 AGO2017
11h33
atualizado às 11h54
O sangue que escorria de uma abertura do supercílio manchava o rosto de Marcia Friggi, de 51 anos. Do olho esquerdo brotavam lágrimas já que o direito, atingido por um soco, estava tão inchado que a professora de língua portuguesa e literatura de Indaial, em Santa Catarina, mal conseguia abri-lo. Era o primeiro dia de aula de Friggi para aquela turma. E também o primeiro dia do aluno agressor ali.

“Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede”, escreveu a professora.

“Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede”, escreveu a professora.
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Uma pesquisa de 2014, feita em 34 países, revelou que 12,5% dos educadores brasileiros disseram sofrer agressões verbais ou intimidações de alunos ao menos uma vez por semana. A média entre todos os países foi de 3,4%.

À BBC Brasil, a delegacia da Polícia Civil de Indaial confirmou ter registrado a ocorrência ainda na manhã da última segunda-feira. Por ser menor de idade, o adolescente teve a atitude anotada em um auto de infração por lesão corporal e deve ser levado a depor ainda esta semana.

Em 2016, o mesmo jovem já havia sido denunciado por lesão corporal contra a própria mãe e, em 2017, por ameaça contra um Conselheiro Tutelar, que acompanha o desenvolvimento do rapaz. Na ocasião, o jovem havia afirmado que daria um soco no rosto do profissional, tal como acabou fazendo com Friggi.
Ataques nas redes sociais
Junto com manifestações de solidariedade, a professora foi alvo de uma enxurrada de mensagens de ódio de pessoas que a culparam pelo incidente. Os internautas acusaram-na de ter feito comentários elogiosos à uma ovada desferida contra o deputado federal Jair Bolsonaro.

Nos comentários, ela leu que “apanhou pouco” e que “se a senhora e vários outros professores se preocupassem em ensinar ao invés de imbecilizar os alunos, cenas como essa não existiriam nas escolas. Você é cupada por incentivar o desrespeito, a falta de educação, o vitimismo e o coitadismo”.

Em resposta, a professora fechou suas páginas nas redes sociais para comentários. Antes disso, no entanto, afirmou em uma mensagem: “dilacerada ainda, mas em paz”.
Experiência cotidiana
A situação vivida por Friggi nesta segunda-feira é, segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), uma experiência vivida por muitos professores brasileiros.

“Estou dilacerada por ter sido agredida fisicamente. Estou dilacerada por saber que não sou a única, talvez não seja a última. Estou dilacerada por já ter sofrido agressão verbal, por ver meus colegas sofrerem”, desabafou Friggi.
Além da falta de segurança para exercer a profissão, professores brasileiros são comprovadamente mal-remunerados. Outro levantamento da OCDE, de 2016, mostrou que os docentes dos ensinos fundamental e médio do país recebem menos da metade do que a média dos profissionais da educação dos 35 países membros da organização.
Os ferimentos físicos, causados por um aluno de 15 anos e documentados em foto, impressionam. Mas as agressões à professora não se encerraram aí. A exposição do caso nas redes sociais de Friggi desencadeou uma nova onda de ataques contra ela, conforme relatou a professora à BBC Brasil:
“Estou estarrecida. Certas pessoas estão escrevendo que eu merecia isso, por meu posicionamento político de esquerda, de feminista. Já atingiram o meu olho, mas não vão me calar. Na sala de aula é uma coisa, mas nas redes sociais tenho todo o direito de me expressar”, afirmou a professora, que se desdobra em dois empregos, nas redes municipal e estadual, para sustentar a família.
Com a voz embargada, Friggi definiu sua condição:
“Exerço uma das profissões mais dignas do mundo, com um salário miserável”.
A escola onde Friggi foi agredida, na qual leciona há quatro anos, dedica-se ao ensino de jovens e adultos.
“Somos agredidos verbalmente de forma cotidiana. Fomos [os professores] relegados ao abandono de muitos governos e da sociedade. Somos reféns de alunos e de famílias que há muito não conseguem educar. Esta é a geração de cristal: de quem não se pode cobrar nada, que não tem noção de nada”, lamenta.
Socos na escola
Conforme relatou em uma postagem no Facebook, já compartilhada mais de 321 mil vezes, Friggi foi agredida por um estudante durante a aula.
Ao pedir que o aluno colocasse um livro que estava entre as pernas sobre a mesa, a professora conta que foi xingada. Depois, o aluno jogou o livro em sua direção.
Ao encaminhar o jovem para a direção escolar, Friggi acabou alvo de socos e agressões.
“Ele, um menino forte de 15 anos, começou a me agredir. Foi muito rápido, não tive tempo ou possibilidade de defesa. O último soco me jogou na parede”, escreveu a professora.
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Tentativas de feminicídio registraram aumento de 288,9% neste ano

O caso de um rapaz acusado de jogar a namorada nas rodas de um caminhão na EPTG aumenta as estatísticas de barbáries contra a mulher.

violencia
postado em 18/08/2017 06:00

Thiago Soares
No Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF), uma mulher que ainda não teve a identidade revelada está à beira da morte. A jovem faz parte de uma estatística revoltante ligada à tentativa de femincídio. Na madrugada de ontem, ela foi atropelada depois de ser jogada pelo namorado contra contra um caminhão que trafegava no sentido Plano Piloto—Estrada Parque Taguatinga (EPTG). Depois do crime, Lucas Ribeiro Bragança, 21 anos, saiu correndo, mas foi capturado pelos ocupantes do veículo. Até o fechamento desta edição, ele estava preso na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE) da Polícia Civil. Apenas neste ano, de janeiro a junho, 35 mulheres sofreram tentativas de assassinato. Um acréscimo de 288,9% desse tipo de crime se comparado ao mesmo período do ano passado, em que 9 foram vítimas.

A tragédia de ontem ocorreu por volta da 1h da manhã, quando o caminhão de coleta de lixo do Serviço de Limpeza Urbana (SLU) se dirigia para o centro de distribuição na Cidade Estrutural. Essa seria a última viagem, mas os trabalhadores acabaram surpreendidos com o fato. O motorista, ainda a uma certa distância, percebeu que um casal discutia no canteiro próximo à pista. “Pela gesticulação dava para notar que eles brigavam”, relata o condutor, que trafegava a menos de 60km/h. Ao chegar mais próximo, o motorista levou um susto. “Percebi que ele foi para trás da moça. Em questão de segundos, o homem a arremessou contra o caminhão. Tentei desviar e não foi suficiente. Ela se machucou. Eu desci pra socorrer. Fiquei em choque com a situação”, destacou.

Depois disso, o acusado seguiu em fuga. Entrou correndo em um supermercado que estava em funcionamento. “Ele chegou falando que alguém estava querendo assaltá-lo. Só que depois dois homens entraram contando o que ele tinha feito”, detalhou um funcionário do estabelecimento. Algumas pessoas tentaram agredir Lucas, porém, os atendentes e caixas da loja impediram a ação. “O rapaz estava bem transtornado. Não dava para saber se ele tinha apenas bebido ou talvez consumido alguma droga”, contou. No momento havia alguns clientes na supermercado, que ficaram assustados com a situação. A Polícia Militar chegou ao local em pouco menos de 10 minutos. A mulher foi levada com urgência pelo Corpo de Bombeiros ao Hospital de Base.

Investigações

Para a Polícia Civil, não há dúvidas em relação ao caso. Lucas foi autuado por tentativa de feminicídio. Os investigadores não conseguiram identificar a vítima, uma vez que ela não possuía nenhum documento. Além disso, nenhum familiar havia comparecido ao hospital até o fechamento desta edição. “Estamos acompanhando o estado da vítima. A última informação que tivemos é que o estado de saúde dela ainda é considerado gravíssimo. Ela teve perda de massa encefálica e, caso sobreviva, o braço direito pode ser amputado”, revelou Paulo Henrique Almeida, delegado adjunto da 12ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Centro).
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Homem é preso por estuprar primos de 5 anos e filmar os abusos

O acusado, de 22 anos, foi preso em Ceilândia. Segundo a polícia, ele estuprou as crianças por reiteradas vezes

Márcia Delgado
MÁRCIA DELGADO
11/08/2017 12:24 , ATUALIZADO EM 11/08/2017 13:26

Policiais da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) prenderam, nesta sexta-feira (11/8), um homem acusado de estuprar os dois primos, de 5 anos, e filmar as cenas de sexo explícito envolvendo as duas crianças. A ação ocorreu em Ceilândia.
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L.J.C.S., 22, foi encarcerado por determinação da Justiça, que decretou a sua prisão preventiva. A polícia indiciou o rapaz por estupro de vulnerável.
De acordo com a apuração da DPCA, L.J.C.S. abusou sexualmente das crianças por reiteradas vezes e filmou os atos libidinosos. Por isso, responderá pelo crime de filmagem de cena de sexo explícito envolvendo menores, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Na mesma ação, os policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão em três endereços vinculados ao autor. Foram apreendidos celulares e computador, dispositivos eletrônicos depositários de pornografia infantil. Além disso, os agentes encontraram brinquedos infantis, pertencentes ao indiciado, que estavam, inclusive, no armário pessoal do local de trabalho do autor. Após os procedimentos legais, L.J.C.S. foi recolhido ao cárcere da Polícia Civil do Distrito Federal.
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Nos 11 anos da Maria da Penha, DF tem dia violento para as mulheres

Instituto lança relógio que registra o número de casos de abuso em todo o país. A cada 2 segundos, uma pessoa do sexo feminino é agredida

Larissa Rodrigues
LARISSA RODRIGUES
07/08/2017 18:34 , ATUALIZADO EM 08/08/2017 10:48

Este 7 de agosto marca os 11 anos da Lei Maria da Penha, criada para coibir a violência doméstica contra o sexo feminino. Mas o Distrito Federal tem pouco a comemorar. Entre o fim da tarde de domingo (6/8) e a madrugada desta segunda (7), foram registradas ao menos cinco agressões a mulheres na capital da República.

Os dados divulgados pela Polícia Militar do DF incluem-se nas estatísticas do Instituto Maria da Penha: a cada dois segundos, uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil. O número consta na ferramenta virtual lançada nesta segunda (7), o Relógio da Violência. Entre a 0h de hoje e as 17h55, foram contabilizados 32,6 mil casos. Segundo o instituto, o Brasil é o quinto país mais violento do mundo para as mulheres. A organização pede que a população compartilhe o relógio com a hashtag #TáNaHoraDeParar.

“A informação é uma grande aliada das mulheres quando o assunto é violência doméstica e familiar. É preciso conhecer as diversas formas de agressão e promover o acesso à Lei Maria da Penha em larga escala”, diz a nota assinada por Maria da Penha Maia Fernandes, a farmacêutica cearense que se tornou marco na luta contra os abusos.

Problema estrutural
O relógio começou a funcionar há poucas horas e não contabilizou casos como os registrados na Cidade Estrutural no fim da tarde de domingo (6). Em um deles, um homem chegou em casa bêbado, ameaçou bater na esposa, quebrou a geladeira com um martelo e foi preso em flagrante.
Site: Metropoles

Em seis anos, denúncias de racismo cresceram mais de 1000% no DF

Número é do Ministério Público do DF, que lança livro sobre o tema e alerta para a necessidade de as vítimas registrarem a agressão e não se calarem

Paula Pires – Especial para o Correio , Julia Campos – Especial para o Correio

09/06/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press. Brasil. Brasília - DF. Vitimas de racismo. Carolina Saraiva no Venâncio Shopping.

09/06/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press. Brasil. Brasília – DF. Vitimas de racismo. Carolina Saraiva no Venâncio Shopping.

Carolina Saraiva foi xingada várias vezes por causa da cor da pele

“Meu apelido de infância era ‘picolé de kichute’. Na escola, me chamavam de ‘Carolina Saravá’, em referência à religião praticada pela minha família. Além de neguinha, umbandista e macaca”, diz a psicóloga Carolina Saraiva, 34 anos. Ela faz parte de uma parcela da população que sofre preconceito diariamente por causa da cor da pele. Hoje, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPFT) lança um livro que reúne acusações de racismo no Distrito Federal nos últimos 10 anos. Apenas entre 2010 e 2016, o número de denúncias aumentou 1.190% na capital. Centenas de pessoas foram vítimas da intolerância e da falta de respeito de outros seres humanos, cidadãos que não souberam exercer a cidadania e se acharam no direito de ofender alguém.

Racismo: pesquisadores acreditam que vítimas têm denunciado mais
Apesar de tudo que passou, é com voz tranquila e pausada que Carolina conta em detalhes todas as agressões verbais que já ouviu ao longo da vida. Ela garante que tudo isso não gerou revolta nem trauma. Na adolescência, era a única negra da turma em uma escola de padres. “Para ser respeitada, tornei-me a melhor aluna da sala. Eu era aquela garota que ganhava sempre menção honrosa.” Mesmo sendo uma estudante que ocupava lugar de destaque, ela não era convidada para participar de grupos de estudo porque os colegas achavam que poderia sujar o papel com a cor preta.

10/09/2014. Crédito: Carlos Moura/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. Promotor Thiago Pierobom, do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação - NED.

10/09/2014. Crédito: Carlos Moura/CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Promotor Thiago Pierobom, do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação – NED.

Thiago Pierobom: racismo sempre existiu, mas poucos reconhecem
Nos últimos quatro anos, o promotor e coordenador do estudo Thiago Pierobom esteve à frente do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação. Durante esse tempo, o que mais chamou a atenção do promotor foi a quantidade de crimes raciais. “Quando não se atua de forma especializada nesse assunto não conseguimos ter a dimensão do que é verdadeiramente a realidade dessas pessoas. Só quando vemos a mesa com pilhas de processos é que passamos ter essa sensibilidade de enxergar melhor e compreender que as ofensas não são sentimentos normais dentro de uma briga. É necessária a atuação jurídica”, admite.

Recentemente, Carolina passou por uma situação de discussão com o ex-marido que não costuma ser nada comum. Inclusive, demonstra um pouco de aflição ao remexer nesse passado que, segundo ela, dá embrulho no estômago. “Já havia me separado dele quando esse homem bateu à porta lá de casa com várias bananas na mão. Ele começou a gritar e encharcou o piso de água, jogando as frutas no chão. Depois, pisoteou tudo e começou a me xingar de ‘macaca’ e ‘nega’” , relatou. A psicóloga enfrentou a situação com um celular na mão na tentativa de gravar tudo, mas o homem quebrou o aparelho. Carolina deu queixa na delegacia por ofensa racial, mas não havia testemunha no momento da agressão para poder provar.

09/06/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press. Brasil. Brasília - DF. Vitimas de racismo. Camila Rodrigues em Águas Claras.

09/06/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press. Brasil. Brasília – DF. Vitimas de racismo. Camila Rodrigues em Águas Claras.

Camila Rodrigues trabalhava como frentista quando foi agredida

Pesquisa

A pesquisa aponta que 34,7% das ocorrências acontecem no ambiente de trabalho. Camila Rodrigues, 28, vivenciou esse tipo de situação há três anos. Ao relembrar do episódio, ela segura as duas mãos com força e respira fundo. É algo que a incomoda até hoje. “Eu trabalhava como frentista em um posto de gasolina, em Águas Claras, quando um motorista de caminhão parou para encher o tanque. Do nada, ele começou a me xingar de ‘neguinha’, ‘vagabunda’. Fiquei constrangida com toda aquela situação, sem reação e perdi a voz. O único movimento que fiz foi caminhar em direção ao banheiro para me distanciar daquele homem que, por sinal, também é negro. Ele ainda me chamou de ‘macaca’, lembra. A reação de Camila foi como a da maioria das vítimas: se calar diante das ofensas. Mas ela também aproveitou para responder posteriormente da forma mais digna e justa. Camila registrou uma ocorrência na 21ª Delegacia Policial (Taguatinga Sul). O caso está na Justiça e o agressor responde por ofensa racial, agressão verbal e ameaça. “Tive que revê-lo duas vezes em audiências. Ele assumiu tudo o que fez e o seu advogado pediu acordo. Eu não aceitei. Quero que ele sinta na pele o peso das agressões que fez contra mim. A justiça saberá puni-lo”, declara.

Thiago Pierobom explica que os acordos processuais são algo positivo, pois impedem que os agressores pratiquem mais delitos como aqueles ou mais graves. Porém, o mais importante é eles terem sempre a certeza de que vão responder pelo que fizeram. “Os acordos também são as respostas mais rápidas da justiça, pois são dadas penas alternativas. Mas os réus não gostam de fazer acordos porque se sentem punidos”, explica.
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