Vítimas de feminicídio: conheça mulheres que morreram pelas mãos deles

Em 2018, pelo menos 15 mulheres tiveram a vida interrompida. Na maior parte dos casos, algozes foram os próprios companheiros

Brasília(DF), 04/05/2018 – Protesto contra a morte de Jéssyka Laynara da Silva Souza, executada a tiros pelo ex-noivo Polícia Militar Ronan Menezes – Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

Somente em 2018, 15 mulheres foram assassinadas no Distrito Federal. A vítima mais recente, Janaína Romão Lúcio, 30 anos, perdeu a vida de forma covarde, a facadas, e na frente das filhas pequenas. Assassino confesso, Steffanno Jesus Souza de Amorim, 21, está preso.

O crime bárbaro ocorreu em Santa Maria, no sábado (14/7), um dia após as autoridades alemãs divulgarem a prisão de Marcelo Bauer. Há 31 anos, ele matou Thaís Mendonça, 19, sua namorada à época. Foi condenado à revelia em Brasília e, agora, sua impunidade chegou ao fim.

Os casos se assemelham não só pela brutalidade e covardia. O modo como os assassinos agem é parecido. Segundo especialistas, os algozes, geralmente pessoas com quem as vítimas se relacionam, começam com pequenas exigências, cenas de ciúmes, cobranças, brigas seguidas de presentes e pedidos de desculpas com promessas de mudanças.

Acuadas e sob constante ameaça, em geral, as mulheres optam por não fazer a denúncia quando ocorre a primeira agressão. Depois, é um caminho sem volta. O Estado falha no combate à violência e proteção às vítimas. A família, muitas vezes, não consegue evitar consequências mais graves. Assim, as tragédias vêm ocorrendo.

Vítimas
Foi assim com Jessyka Laynara da Silva Souza, 25, morta a tiros pelo soldado da Polícia Militar Ronan Menezes, 27, no dia 4 de maio, em Ceilândia. Extremamente possessivo e controlador, o rapaz não aceitava o fim do relacionamento.

Ameaçava e agredia Jessyka constantemente, e ela, com medo, escondia os hematomas usando maquiagem. “Era para eu estar enterrada agora. Ele me espancou tanto, tanto. Me deu tanto chute, soco, coronhada. Rasgou minha cabeça”, contou a moça, em áudio enviado para uma amiga. Agora, a mãe da vítima, a técnica de enfermagem Adriana Maria da Silva, 39 anos, chora a perda da filha.

Ele é um covarde. Deu dois tiros no peito dela (de Jessyka) e um nas costas. Quero que pague pelo que fez, mas nem 100 anos de cadeia vão trazer a minha filha de volta”
Adriana da Silva

Parentes da vítima disseram ainda que só tomaram conhecimento das agressões após a morte da jovem, por meio de uma amiga para quem ela costumava desabafar. Segundo o relato da testemunha, Ronan Menezes dizia para a ex-companheira que, caso ela fizesse a denúncia ou tentasse fugir, mataria toda a família dela.

Jessyka Laynara escondia com maquiagem as agressões que sofria do soldado da PM Ronan Menezes

A irmã de Janaína, Cleire Romão, 29, diz que o medo dos agressores é o que faz com que as vítimas optem por não denunciar. “Minha irmã tomou essa atitude, mas foi ameaçada e acabou retirando a queixa. Ele a perseguia”, disse.

Janaína Romão foi morta com cinco facadas pelo ex-companheiro, Steffano Jesus Souza de Amorim, na frente das filhas

Em 6 de março, outro caso de feminicídio chocou o DF. A funcionária do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Romilda Souza, 40, foi morta a tiros pelo marido e ex-vigilante Elson Martins da Silva, 39, que se suicidou em seguida, na 406 Sul.

Romilda Souza, 40, foi assassinada a tiros pelo marido Elson Martins da Silva, que se suicidou em seguida

Dez dias depois, Mary Stella Maris Gomes Rodrigues dos Santos, 32, também foi alvo de tiros disparados pelo marido, o piloto do Metrô-DF Júlio César dos Santos, 38, que também se matou em seguida em Ceilândia. Segundo vizinhos, o casal estava se divorciando e tinha uma relação abusiva. “Eles brigavam muito, mas não era uma discussão normal. Sempre tinha muito xingamento, objetos atirados um contra o outro“, disse uma testemunha.

Mary Stella Maris Gomes Rodrigues dos Santos foi baleada e perdeu a vida após discussão com o marido Júlio César dos Santos, piloto do Metrô-DF, que se suicidou logo após o crime

Em 5 de abril, a advogada Jusselia Martins de Godoy, 50, foi alvo de três tiros disparados pelo ex-marido, Evandro Alves de Faria, 56, em Planaltina. Ela chegou a ficar internada no Hospital de Base, mas não resistiu e veio a óbito cinco dias depois. Após o crime, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional do Distrito Federal (OAB-DF), Juliano Costa Couto, se manifestou lamentando a morte de Jusselia e repudiando a violência contra as mulheres.

“A OAB-DF repudia qualquer prática de violência. Não existe justificativa para crimes como esse. Fica nosso extremo pesar e desejo de que nenhuma mulher seja vítima de crimes bárbaros”, disse.

Jusselia Martins foi vítima de três tiros disparados por Evandro Alves de Faria. Ela chegou a ser internada, mas morreu cinco dias depois

Outro caso bárbaro e que poderia ter sido evitado foi o de Tauane Morais dos Santos, 23, esfaqueada até a morte pelo ex-companheiro Vinícius Rodrigues de Sousa, 24, no dia 6 de junho, em Samambaia. O homem cometeu o crime um dia após ser solto por agredir a jovem.

Na época, o juiz Aragonê Nunes Fernandes, que proferiu a decisão, disse não ter “bola de cristal” para prever a tragédia. Um irmão da vítima relatou o quanto Vinícius era possessivo. “Ele a agredia muito. Chegou a quebrar tudo dentro de casa”.


Tauane Morais dos Santos foi esfaqueada até a morte pelo ex-companheiro Vinícius Rodrigues de Souza, que cometeu o crime um dia após ser solto por causa de uma agressão contra ela.

No dia 22 de fevereiro, a vítima foi a aposentada Isabel Lino de Souza, 60, assassinada pelo próprio filho Fernando, 33. O homem usou um guidão de bicicleta e a espancou até a morte. Na carceragem da 27ª Delegacia de Polícia, disse que assassinou brutalmente a idosa por questões financeiras. “Burrice da cabeça”, afirmou o homem, indiciado por feminicídio. Já Cristiane do Nascimento Mendes, 35, levou diversas facadas pelo corpo após uma discussão em um bar com dois homens, no dia 28 de junho, em São Sebastião.

Entre as vítimas, apenas duas pediram medida protetiva à Justiça. Janaína chegou a ter o direito garantido, mas retirou o pedido feito à Justiça. Atualmente, dos 143 presos que usam tornozeleiras eletrônicas no Distrito Federal, 21 cometeram violência doméstica e têm o equipamento preso ao corpo para se manterem distantes de suas vítimas.

Alerta
A presidente do Instituto Personna de Estudos e Pesquisas em Violência e Criminalidade, Elisa Waleska Krüger Costa, alerta: ao primeiro sinal de violência, denuncie. “A mulher não deve tentar ser psicóloga do agressor, dando conselhos ou justificando seus comportamentos”, afirma.

Mas não basta apenas denunciar. O Estado também precisa ter uma rede de proteção e de combate à violência eficientes para evitar que mais tragédias ocorram. É o que diz a professora adjunta de Direito da UnB Janaína Penalva.

“É necessário que a mulher se coloque em um espaço mínimo de resistência, denunciando ameaças — quando há tempo para isso –, mas ainda que ela denuncie, não evitará o crime se o Estado não se mobilizar para protegê-la. O que evita o feminicídio é a resposta estatal à violência”, assegura.

Denuncie
Pelo número 180. As ligações são gratuitas e o serviço funciona 24 horas. Na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), localizada na 204/205 Sul, ou pelo disque-denúncia da Polícia Civil, no número 197.

Homem é indiciado por estuprar estudante em saída de faculdade no DF


Vítima de 23 anos estava a caminho do Metrô na Asa Sul; crime foi em fevereiro. Suspeito, de 36 anos, cumpria prisão domiciliar e foi detido dois meses depois.

Polícia Civil do Distrito Federal indiciou, por estupro, o auxiliar de serviços gerais de 36 anos suspeito de abusar de uma estudante de 23 anos na Asa Sul, em fevereiro deste ano. O nome do homem não foi divulgado.

Segundo as investigações, a vítima tinha acabado de sair da faculdade, e se dirigia à estação 112 Sul do Metrô quando foi abordada. Imagens de câmeras de segurança de um prédio próximo flagraram o momento em que a jovem saiu correndo, tentando fugir do homem.

Estudante é estuprada após sair de faculdade na Asa Sul, em Brasília
O suspeito foi identificado e detido em abril – quase dois meses após o crime. Segundo a Polícia CIvil, ele cumpria prisão domiciliar e já tinha sido condenado a 25 anos por tentativa de homicídio, roubo e atentado violento ao pudor.

Nesse terceiro crime, ele foi acusado de praticar sexo anal com uma menina de 9 anos. Na época, a conduta não era classificada como estupro.

Coleta de provas
As investigações avançaram durante os 60 dias em que o suspeito ficou preso. Como o estupro é considerado crime hediondo, a prisão temporária é de 30 dias, renováveis por igual período. O prazo terminaria neste domingo (17), mas a Justiça autorizou a conversão da prisão temporária em preventiva – esta, por tempo indeterminado.

Clique no link  para ver o vídeo. https://globoplay.globo.com/v/6521651/

As provas coletadas no período serviram para embasar o indiciamento por estupro – que será analisado pelo Ministério Público e, se confirmado, pela Justiça.

Segundo a chefe da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), Sandra Gomes, os indícios mais fortes vieram do rastreamento do celular da vítima, roubado pelo homem no dia do estupro. O aparelho chegou a ser revendido para outras duas pessoas, que vão responder por receptação.

Sandra classifica o inquérito como “um dos mais complexos já elucidados” na Deam. A investigação ficou mais difícil porque não havia imagens do local do crime, e porque foi preciso acionar diversas companhias telefônicas para concluir o rastreamento.

Em buscas na casa do suspeito, no Núcleo Bandeirante, equipes encontraram objetos supostamente usados para prática de roubos. O arsenal incluía facas com a empunhadura enfaixada – uma técnica que evita marcas de impressão digital.

Se o indiciamento do estupro for seguido pelo Ministério Público e recebido pela Justiça, o homem vira réu pelo crime e pode ser condenado a até 20 anos de prisão.

Outros casos

Segundo a delegada, o homem tinha uma forma específica de abordar as vítimas: chegava ameaçando com uma faca ou estilete, exigia que ficassem de costas e usava a roupa delas para vendá-las. Ele agia sempre em lugares com mato alto, e no escuro.

Com base nesse “modus operandi”, os policiais conseguiram identificar outras duas vítimas recentes do homem.

“Um desses casos foi uma tentativa de estupro, e o outro, um estupro consumado”, diz Sandra. Esses casos são investigados separadamente e, se houver indiciamento, a pena prevista pode ser ainda maior.

Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.

Metade dos homicídios em 2016 ocorreu em apenas 2% dos municípios

Apesar de pequenos, os números são superiores aos de 2015, quando 109 localidades respondiam por metade das mortes violentas no país

Foto: HUGO BARRETO/METRÓPOLES

Metade dos homicídios registrados em 2016 ocorreram em apenas 123 cidades brasileiras, aponta o Atlas da Violência 2018 – Políticas Públicas e Retratos dos Municípios Brasileiros, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Juntos, esses municípios representam apenas 2,2% do total de cidades brasileiras. Apesar de pequenos, os números são superiores aos de 2015, quando 109 localidades respondiam por metade das mortes violentas no país. Fato que, para os pesquisadores, indica a propagação da criminalidade para cidades menores, processo que vem sendo observado por especialistas desde meados dos anos 2000.

Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, as mais violentas se concentram nas regiões Norte e Nordeste. No entanto, o ranking dos 309 municípios com maior taxa de mortalidade é encabeçado por Queimados, no Rio de Janeiro, com 134,9 homicídios por grupo de 100 mil pessoas.
As quatro cidades seguintes com os maiores índices de letalidade ficam na Bahia. Com uma taxa de 124,3 homicídios por grupo de 100 mil habitantes em 2016, Eunápolis ocupa o segundo lugar entre as mais violentas. Em seguida vem Simões Filho (107,7 homicídios/100 mil habitantes); Porto Seguro (101,7 homicídios/100 mil habitantes) e Lauro de Freitas, com 99,2 homicídios/100 mil habitantes.

Já a relação das cidades com a menor taxa média de homicídios em 2016 começa com Brusque (SC), onde foi registrada uma taxa média de 4,8 homicídios por 100 mil habitantes. Logo em seguida ficaram Atibaia (SP) (5,1); Jaraguá do Sul (SC) (5,4); Tatuí (SP) (5,9) e Varginha (SP) (6,7).

Capitais

Entre as capitais, Belém assumiu o título de mais violenta de 2016, com uma taxa média de 76,1 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Pelos dados do Atlas da Violência de 2015, a capital paraense era a quarta mais perigosa, com 61,8 homicídios/100 mil moradores. Nesta edição do relatório, Belém é seguida por Aracaju (73 homicídios/100 mil habitantes); Natal (62,7 homicídios/100 mil habitantes); Rio Branco (62,6 homicídios/100 mil habitantes) e Salvador (57,8 homicídios/100 mil habitantes).

Alvo de uma intervenção federal na segurança pública de todo o estado desde fevereiro deste ano, a capital fluminense terminou 2016 entre as oito capitais com as menores taxas de mortes violentas, com 25,8 óbitos por 100 mil habitantes. Este grupo é encabeçado por São Paulo (10,1 homicídios); Florianópolis (17,2) e Vitória (17,2); Brasília (25,5); Campo Grande (20,3); Curitiba (29,4) e Belo Horizonte (24,8).

No início do mês, o Atlas da Violência já tinha apontado que o estado do Rio de Janeiro está entre as seis unidades da federação que têm conseguido reduzir as taxas de homicídios, junto com São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Paraná. No documento, os pesquisadores apontam que a melhora dos índices paulistas se deve, em parte, à preponderância de uma organização criminosa sobre as demais, o que permitiria que seus integrantes controlassem o uso da violência, evitando disputas letais.

Fonte: Metrópoles

Maria Eduarda: vítima da violência que não dá trégua em Ceilândia

Segundo vizinhos da menina de 5 anos, tiroteios são comuns na região. Há dois meses, a casa da criança já tinha sido alvo de disparos


O ataque à casa da família de Maria Eduarda Rodrigues de Amorim, 5 anos, ocorrido na noite dessa segunda-feira (21/5) em Ceilândia, é o segundo em dois meses. Só que, desta vez, a menina morreu baleada enquanto passava no quintal na intenção de pegar milho de pipoca para a tia. O alvo dos disparos, segundo os familiares, seria um irmão da vítima, mas não o que foi baleado. De acordo com vizinhos, tiroteios são comuns na região.

Maria Eduarda levou três tiros – na cabeça, no tórax e na nádega. Ao ser atingida, caiu no corredor da casa. Foi levada por parentes ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC), mas chegou à unidade de saúde sem os sinais vitais.

A menina, que ia completar seis anos em agosto, morava com a família nos fundos da casa da avó, na QNO 18, Conjunto 36, em Ceilândia. O irmão, Marcos Rodrigues de Amorim, 19, entrava no quintal na noite de segunda quando dois homens chegaram em um Voyage preto e fizeram vários disparos. O rapaz levou um tiro no joelho. Ele está internado no HRC, mas não corre risco de morte.

O auxiliar administrativo Alan Jones Ferreira de Carvalho, 36, tio das vítimas, acredita que o alvo não era Marcos e, sim, o irmão dele, 15, que teria envolvimento com drogas. “Tentaram matá-lo há cerca de dois meses, aqui mesmo no quintal. Deram vários tiros, mas felizmente ninguém saiu ferido. Depois disso, ele foi embora e não sabemos onde está”, afirmou. As marcas de balas estão nas janelas e no portão da casa. A Polícia Civil não deu nenhuma informação sobre o caso nesta terça (22).

Rastros da violência
O muro da Escola Classe 56, onde a menina estudava, tem pichações que mostram a guerra de gangues na região. Segundo a diretora do colégio, Marlene de Oliveira, os educadores da instituição de ensino estão fazendo um trabalho com as crianças sobre a cultura da paz e da não violência.

Com base no relato de uma moradora da quadra onde a menina foi assassinada, a dona de casa Filomena Santiago, 59, os tiroteios são constantes na região. “Tenho vontade de ir embora em virtude da violência. Morro de medo por conta das minhas netas e filhas. Os bandidos estão na rua, matando e roubando. Nós, que somos honestos, ficamos trancados dentro de casa. Não temos sossego”, desabafou.

Conforme também contou o motorista Cláudio Miranda, 46, este não foi o primeiro tiroteio na quadra. “A minha casa já havia sido atingida em um dos casos. Fico com medo por conta das minhas duas filhas. O complicado é que a maioria dos criminosos são menores, então não existe punição. A Justiça manda soltar. É preciso mudar as leis”, pontua.

A aposentada Maria Cristina de Araújo, 54, garante ter ouvido vários tiros na região há umas duas semanas. “Era meio-dia e fizeram vários disparos. A gente vive com medo. Raramente a polícia passa por aqui. A impressão é de que eles têm medo dos bandidos, pois andam mais armados do que os próprios policiais”, destacou.

Clima de tristeza
Na quadra onde a menina morava, o clima é de tristeza e revolta. Assim como na escola. Na quarta (23), as aulas serão suspensas para que todos possam participar do enterro da criança. “Faremos cartazes em homenagem à Maria Eduarda pedindo paz. Ela cursava o segundo período da educação infantil, anterior ao primeiro ano. Era uma aluna tranquila, participativa e muito querida”, disse a diretora da instituição de ensino, Marlene de Oliveira.

Ela mostra um dos últimos trabalhos da garota no colégio, uma homenagem com a foto de Maria Eduarda em que a criança declarava amor à mãe, Cláudia Barbosa Rodrigues, 39. A mulher, muito abalada, não consegue falar sobre a tragédia que tirou a vida da única filha.

Guerra de gangues
É a segunda morte na região em menos de 24 horas. Por volta das 21h30 desse domingo (20), um adolescente de 17 anos foi morto a tiros na frente da irmã, de 12, em uma parada de ônibus na QNO 17. A vítima não possuía passagens pela polícia e teria morrido, conforme dados preliminares dos investigadores, em razão de uma guerra entre gangues na área.

De acordo com informações dos agentes, o garoto esperava um ônibus na parada, em companhia da irmã, quando foi abordado por dois homens, ambos de bicicleta. Os suspeitos teriam perguntado à vítima se ela estava envolvido na guerra existente entre os moradores da QNO 17 e da QNO 18.

Mesmo após negar qualquer envolvimento na disputa, o adolescente foi baleado ao menos quatro vezes. Um dos disparos atingiu a cabeça do jovem, que morava com a família na QNO 16. Até a última atualização desta reportagem, nenhum suspeito havia sido preso.

Nota da PM
Segundo a Polícia Militar, as rondas em Ceilândia são feitas pelos 8º e 10º batalhões, que, juntos, prenderam 968 autores ou suspeitos de crimes e retiraram 105 armas das ruas, somente em 2018. No ano passado, de acordo com a corporação, os PMs fizeram 3.240 detenções e 351 armas foram recolhidas pelas mesmas equipes.

Sobre o caso de Maria Eduarda, a PM acredita que, a princípio, está relacionado à guerra de gangues. A corporação informou ter prendido, ainda na noite de segunda, um suspeito de ter disparado contra a menina.

Por fim, a Polícia Militar destaca que a criminalidade não está relacionada somente à falta de polícia nas ruas. “Fatores como educação, renda, convívio familiar, legislação e, principalmente, altos índices de reincidência cooperam para que a insegurança aumente. A PMDF tem feito sua parte. Ressalta-se que cerca de 50% desses presos são soltos e boa parte voltam a delinquir”. O assassinato de Maria Eduarda será investigado pela 24ª DP (Setor O).

Site: https://www.metropoles.com

Indulto ou insulto?

  • O Globo
  • 13 May 2018
  • Ruth de Aquino é jornalista RUTH DE AQUINO

Quem há de aceitar como justa a saída de Suzane von Richthofen e Anna Carolina Jatobá, do presídio de Tremembé, no Dia das Mães?

É um indulto previsto em lei, por bom comportamento. Mas quem há de aceitar como justa essa saidinha de cinco dias do presídio? Impossível sentir compaixão pelas duas

Uma foi condenada a 39 anos pelo assassinato dos pais em 2002. A outra foi condenada a 26 anos e oito meses por matar a enteada em 2008. Dois crimes bárbaros ocorridos em São Paulo. O domingo materno será de festa para ambas.

Ninguém esquece que Suzane von Richthofen fingiu chorar com o luto após abrir a porta de casa para que o namorado e o irmão dele matassem a marretadas seu pai e sua mãe. Ninguém esquece que Anna Carolina Jatobá foi condenada por jogar do sexto andar uma menininha de 5 anos, Isabella Nardoni, com a cumplicidade do marido e pai da garota.

Suzane e Jatobá estão em liberdade para comemorar o Dia das Mães. É um indulto previsto em lei, por bom comportamento. Mas quem há de aceitar como justa essa saidinha de cinco dias do presídio de Tremembé, até terça-feira? Impossível sentir compaixão pelas duas mulheres. É justiça ou descompasso moral soltar ambas no Dia das Mães? O benefício é justo ou deslocado? Indulto ou insulto?

Curioso o sorriso de Suzane para as câmeras quando está fora das grades. Quase como se a celebridade negativa a divertisse. Matou a mãe por motivo fútil, porque não aceitava seu namoro. Rica, tinha vida confortável. Contratou os rapazes para sujar as mãos por ela. Órfã por matricídio, vai festejar o Dia das Mães ao lado do noivo, um empresário de Angatuba (SP). Tenta cumprir o resto da pena em liberdade, mas seu pedido não foi analisado.

Anna Carolina Jatobá nunca foi de sorrir. Inventou com o marido Alexandre Nardoni, na época, uma história fantasiosa para a morte de Isabella. O casal foi desmascarado por pistas do carro à janela, embora continue a se dizer inocente. Anna Carolina Jatobá vai comemorar o domingo com os dois filhos. A mãe de Isabella, que também se chama Ana Carolina, vai comemorar com o filho de 1 ano e dez meses. Seu senso de justiça é outro. “Uma pessoa que comete um crime desses deveria ficar presa o resto da vida dela”, disse em março, dez anos após o assassinato. Ela encontrou a filha ainda viva, estirada no jardim.

Como a Justiça deve agir diante de assassinatos torpes assim? “O sistema penal e prisional é uma criação humana para substituir o desejo de vingança”, diz a juíza Andrea Pachá. A pena de prisão não deveria ser apenas punitiva, mas sim aprimorada para garantir aos condenados uma chance de ressocialização. A progressão de pena e o indulto têm essa função. Mas, sempre que a lei se dissocia dos sentimentos morais, a sensação de injustiça vem à tona.

“Como magistrada, o que me inquieta é não conseguir explicar com clareza para a sociedade a razão de ser de determinadas normas”, afirma Andrea Pachá. “Devemos nos preocupar com a aplicação da lei, mas devemos nos preocupar com a importância simbólica que a lei representa. Nesse contexto, os indultos — previsões importantes da afirmação da civilidade e da humanidade — poderiam muito bem se desvincular de datas sensíveis e cheias de significado para todos nós”.

Em outras palavras, Suzane e Jatobá talvez devessem passar o Dia das Mães na cadeia, para refletir sobre o significado da maternidade. Assim, não despertariam a ira da sociedade, que as enxerga como bruxas.​

Homem que atacou corretora na Asa Sul vai a júri popular


Thiago Dantas Tizon de Oliveira será julgado pelo júri popular por tentativa de homicídio duplamente qualificado cometida contra uma corretora de imóveis em novembro de 2017. O julgamento ainda não tem data marcada.

“Tendo a instrução processual revelado indícios de autoria por parte do acusado, inclusive no que se refere à qualificadora do motivo fútil e do recurso que dificultou a defesa da vítima, confirmando em tese o que restou apurado na fase inquisitiva, e estando comprovada a materialidade do crime, impõe-se seja o caso submetido ao júri popular desta circunscrição”, decidiu o juiz do Tribunal do Júri de Brasília, Evandro Moreira da Silva.

Memória
A vítima contou que o homem a atacou dentro de um apartamento na 412 Sul. Segundo o depoimento, Tizon se passou por um cliente interessado em um imóvel. Ela relatou que pressentiu “algo ruim”. “Ele disse que queria mostrar o apartamento para a noiva e pediu 20 minutos até que ela chegasse. Depois, contou que ela não conseguiria vir e pediu para tirar umas fotos do imóvel”, completou.
Desconfiada, a corretora deixou a porta entreaberta e manteve contato visual com o homem durante toda a visita: “Mas, no único momento que me virei de costas, para abrir a persiana da sala, fui surpreendida com dois golpes de martelo na cabeça”.

Machucada, assustada e ainda em pânico, a corretora afirmou que sentiu a primeira martelada na lateral de sua cabeça. Em seguida, teria recebido mais cinco golpes na cabeça e um no braço, quando ela tentava se defender de alguma forma.

Depois de agredi-la, teria tido que “a mataria de qualquer jeito”. Segundo a mulher, a frase foi dita repetidas vezes, enquanto o algoz a martelava na cabeça e rasgava suas roupas.

Versão do autor
Thiago Tizon contou na delegacia que não sabia o motivo pelo qual atacou a corretora com um martelo. Afirmou que costumava carregar a ferramenta porque também trabalha como corretor e a usa para pregar faixas pela cidade. O autor explicou que procurava um apartamento para comprar e se interessou pelo imóvel anunciado.

Disse que chegou a chamar a namorada para participar da visita ao imóvel, mas ela não apareceu. Thiago relatou ter pedido permissão para tirar algumas fotografias do apartamento, para mostrar à parceira, mas, inesperadamente, “decidi agredir” a corretora. Ele negou para os policiais que teria tentado estuprá-la: “As roupas se rasgaram quando tentei segurá-la”.

Site: www.metrópoles.com

Justiça condena homem que matou professora Márcia Lopes em 2014

O corpo foi encontrado carbonizado em 1º de abril de 2014, próximo à GO-118. O acusado, Luiz Carlos Coelho Penna Teixeira, namorava a vítima

O crime aconteceu em 9 de março de 2014, após uma discussão entre o casal

O acusado de matar a professora Márcia Regina Lopes, há quatro anos, foi condenado pelo Tribunal do Júri de Brasília na última segunda-feira (2/4) a 30 anos e 9 meses de prisão em regime inicial fechado. Luiz Carlos Coelho Penna Teixeira, então namorado da vítima, respondeu por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Em aproximadamente 13 horas de julgamento, o júri aceitou as qualificadoras do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) – motivo fútil, emprego de meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Luiz Carlos assassinou a mulher após uma discussão, por meio de golpes com um extintor de incêndio.

Luiz Carlos responde na Justiça por crimes como lesão corporal; violência doméstica; ameaça de morte; dano ao patrimônio; e injúria no histórico criminal. Ele chegou a causar um incêndio na casa de uma ex-namorada.

O crime ocorreu em 9 de março de 2014, quando Márcia foi jogada do carro e teve o corpo incendiado. O cadáver carbonizado foi encontrado apenas em 1º de abril daquele ano, em uma estrada de terra na GO-118.

Márcia entra no elevador com o namorado, em 9 de março. Ela parece conversar normalmente com Luiz Carlos. Mais tarde, ele volta ao imóvel e troca de roupa(foto: Reprodução)
Vídeos mostraram últimas imagens de Márcia

Imagens de câmeras de segurança do circuito interno do edifício mostraram os últimos momentos da mulher de 56 anos, horas antes do assassinato brutal. Márcia Regina Lopes desceu pelo elevador do prédio em Águas Claras, onde morava, acompanhada do namorado e algoz. O vídeo é de 9 de março de 2014, dia do desaparecimento de Márcia Regina.

No vídeo, vestida de preto e calça bege, Márcia parece conversar normalmente com o companheiro, que usa camiseta verde. Os dois saíram do prédio e foram para um restaurante no Guará 1, onde almoçaram. Mais tarde, o agente de vendas volta sozinho ao imóvel, como apontado em outra gravação. Ele troca de roupa — veste camisa branca estampada e bermuda azul — e, descalço, passa pela portaria.

Irmão reconheceu anel da vítima

Um laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) foi o confirmou que o cadáver localizado em um matagal de Planaltina de Goiás era o da professora. O corpo estava em estado de decomposição em uma estrada de terra. Pelo estado não foi possível a família realizar o reconhecimento do corpo. Porém o irmão deu como certo que o corpo era de Márcia Regina Lopes. “Estava com um anel que temos certeza que ela usava”, apontou.

Caso Emanuelly: pais torturaram menina por quase 1 mês até ela morrer, diz delegado

Caso Emanuelly: pais torturaram menina por quase 1 mês até ela morrer, diz delegado

Laudo aponta que menina de Itapetininga (SP) teve ferimentos na cabeça, no braço e no peito e até partes do cabelo arrancadas. Débora Rolim da Silva e Phelipe Douglas Alves estão na penitenciária de Tremembé.

Suspeita é que Emanuelly foi morta pelos pais em Itapetininga (Foto: Reprodução/TV TEM)

A menina Emanuelly Agatha da Silva, de 5 anos, foi agredida várias vezes pelos pais durante quase um mês, até morrer no dia 2, segundo o laudo necroscópico do Instituto Médico Legal (IML). A informação foi divulgada pelo delegado que investiga o caso, Eduardo de Souza Fernandes. O G1 não teve acesso ao documento.

O documento aponta que Emanuelly morreu em decorrência de um traumatismo craniano e hemorragia cerebral.

“O laudo constatou que ela apresentava lesões de até 20 dias atrás, o que entendemos como uma tortura”, afirma o delegado.

Os pais, Phelipe Douglas Alves, de 25 anos, e Débora Rolim da Silva, de 24 anos, tiveram a prisão decretada um dia após o crime e permanecem na penitenciária de Tremembé, em celas isoladas.

Na segunda-feira (12), a Polícia Civil concluiu o inquérito e indiciou o casal por maus-tratos (veja mais abaixo). Agora, o Ministério Público tem cinco dias para analisá-lo e decidir se os denuncia – e por quais crimes.

Débora e Phelipe estão presos em Tremembé (Foto: Reprodução/Facebook)

O delegado afirma que as provas contra o casal são de maus-tratos, apesar de o laudo apontar que o ferimento na cabeça da menina provocou a hemorragia que levou à sua morte. Souza também incluiu no inquérito que há indícios de homicídio qualificado e tortura, mas não indiciou o casal pelos crimes.

“É difícil dizer que o crime foi premeditado, pois os dois se negaram a falar sobre o caso. Eles disseram que não vão falar nada, só falam em juízo. A parte da polícia foi feita. Montamos o laudo, comprovando lesões, as causas da morte, o laudo pericial do local dos fatos, onde constatamos locais com sangue da criança, e enviamos tudo para o Poder Judiciário. As provas que tenho no inquérito são de maus-tratos”, afirma.

O casal tem outros dois filhos: uma menina, de nove anos – fruto de um relacionamento anterior da mãe -, e um menino de quatro anos. A mais velha está com o pai e o caçula foi encaminhado para um abrigo após as prisões.

Pais de Emanuelly agrediram menina várias vezes por quase um mês, diz delegado

Cabelos arrancados

Em entrevista à TV TEM nesta terça-feira (13), o delegado Eduardo de Souza detalhou como teria sido a agressão que matou a menina, com base no depoimento do irmão.

No dia do crime, afirma o delegado, Emanuelly estava dormindo quando os pais foram ao quarto dizendo que dariam banho nela. Um deles pegou a menina e a arremessou contra a parede, provocando um grave ferimento na cabeça.

“A informação passada por um dos filhos é que os dois foram ao quarto, enquanto a menina estava dormindo, e a agrediram. É um crime cujo passo a passo é difícil de ser comprovado, mas o depoimento do filho foi contundente. Eles [os pais] acordaram-na para tomar banho e, então, praticaram o ato que levou à morte”, afirma Souza.

Crime ocorreu na casa onde o casal e os filhos moravam, no Centro de Itapetininga (Foto: Reprodução/TV TEM)

O casal ligou para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) dizendo que Emanuelly estava com convulsões por ter caído da cama, mas os médicos constaram múltiplas lesões na menina.

“O ferimento era incompatível com a queda. Ela tinha uma lesão grave na cabeça, nos braços, nas pernas e no peito e até mesmo teve partes do cabelo arrancadas. Ela tinha múltiplas lesões, mas o que provocou a morte foi o grave ferimento na cabeça”, afirma.

O delegado disse que, mesmo sabendo da gravidade dos ferimentos da filha, os pais se mantiveram frios.

“Isso comprova que eles negavam a menina, como aconteceu desde o início. Na delegacia eles estavam tranquilos, como se nada tivesse acontecido”, diz Souza.

Delegado Eduardo Delegado de Souza Fernandes, que investigou a morte de Emanuelly em Itapetininga (Foto: Reprodução/TV TEM)

Conselho Tutelar

Débora chegou a perder a guarda de Emanuelly em 2012, logo após o parto prematuro, porque ela se recusava a visitar a filha. Débora entrou na Justiça e conseguiu recuperar a guarda após comprovar que tinha condições para cuidar da menina.

As agressões não foram constatadas nos outros filhos, segundo o delegado. “Com a filha mais velha e mais novo eles [os pais] não tinham a mesma atitude de violência. Acreditamos, inclusive, que essa depressão que a mãe teve após ter a Emanuelly se manteve até depois que ela recebeu a menina”.

Sobre uma possível omissão do Conselho Tutelar, que devolveu Emanuelly a Débora e Phelipe, o delegado diz não ver erro, pois o casal era “muito esperto e fez de tudo para enganar os conselheiros até o caso ser arquivado pela Justiça”.

“Eles fizeram de tudo para ludibriar todo mundo, inclusive os conselheiros. Eles orientavam os filhos a só falarem bem deles, principalmente a filha mais velha. Em depoimento a menina chegou a dizer que os pais tratavam bem a Emanuelly, mas quando fizemos perguntas para as quais ela não estava orientada, ela dizia a verdade. Foi o que ajudou a comprovar os fatos”, afirma 

Débora Rolim da Silva, de 24 anos, também foi encaminhada para presídio da mesma cidade (Foto: Reprodução/TV TEM)

Babá denunciou agressões

Suspeita de matar filha espancada colocava papel na boca da menina para abafar os gritos

Uma babá que trabalhou na casa de Débora e Phelipe relatou à TV TEM que a menina era agredida constantemente e a mãe chegava até a colocar papel na boca da criança para que ela não gritasse.

“Um dia fui trabalhar e ela estava com o olho roxo. Porém, quando perguntei o que tinha acontecido, ela disse que tinha caído. Foi então que a irmã mais velha contou que a mãe havia enchido a boca dela [Emanuelly] com papel para que ela não gritasse e bateu com o guarda-chuva no olho dela”, afirma a babá, que chegou a denunciar os pais da menina em 2017.

O avô paterno de Emanuelly, Luiz Carlos Alves, afirmou que seu filho violento quando usava drogas e que já até chegou a agredi-lo. “Ele era usuário de drogas. Não só ele como a esposa também. O Phelipe era muito violento quando usava droga. Fora de série. Quando ele estava sem nada, era um anjo. Quando usava droga mudava tudo. Ficava violento”.

Alves diz que sempre notou marcas de agressão no corpo da criança e questionava os pais, mas ele diz que o filho e a nora diziam sempre que a menina vivia caindo.


Fonte: https://g1.globo.com

PCDF investiga se mulher queimada em contêiner foi morta por ciúmes

O corpo encontrado carbonizado dentro de um contênier na noite de domingo (4/3), na QE 11 do Guará I, é de Sandra Rodrigues, 36 anos. O suspeito de matá-la foi preso nessa segunda (5), menos de 24 horas após o crime. Ele negou o homicídio, mas os investigadores da 4ª Delegacia de Polícia (Guará) afirmam ter encontrado provas contra ele. O assassinato com requintes de crueldade teria sido motivado por ciúmes.

A mulher era conhecida pelos moradores da região por dar aulas de capoeira para crianças carentes nos anos de 1990. No entanto, o envolvimento com as drogas a teria afastado dos projetos sociais. Ela deixou dois filhos.

De acordo com o delegado-chefe da 4ª DP, Johnson Kennedy, a vítima e o suspeito têm passagens pela polícia. Ela por tráfico, furto e dois roubos. O homem, identificado como Márcio do Nascimento Batista, 36, possui histórico por Lei Maria da Penha (violência doméstica) e dois furtos.
Relembre o caso
O corpo queimado foi encontrado pelos bombeiros. O cadáver estava carbonizado dentro de um contêiner na QE 11, próximo da agência do Banco do Brasil e da Igreja Congregação Cristã. A corporação foi chamada para a ocorrência às 19h05 e conseguiu controlar as chamas no local. As equipes responsáveis pelo atendimento ficaram surpresas ao encontrar a vítima.
Fonte: www.metropoles.com

Polícia Civil do DF prende quadrilha que aplicava golpe do cartão em idosos

Polícia Civil do Distrito Federal faz operação na manhã desta quinta-feira (1º/3) para desarticular um grupo que aplicava golpes em idosos. A máfia investigada por cerca de cinco meses teria sacado R$ 500 mil das contas das vítimas. São cumpridos mandados de prisão, busca, apreensão e condução coercitiva.

Em 2017, o Metrópoles publicou uma série de matérias alertando sobre o golpe. Em maio, a reportagem conversou com quatro vítimas que tiveram prejuízo total superior a R$ 33 mil, apenas em abril do mesmo ano. Em uma das ocorrências, os estelionatários gastaram R$ 18 mil em lojas da cidade.
A fraude foi feita da mesma maneira nos quatro casos: de posse dos dados pessoais das vítimas, um criminoso entrou em contato e se identificou como funcionário da central de segurança dos cartões. O golpista, então, informou que havia sido identificada uma compra não usual com o cartão do cliente.

Ao dizer que não realizou a compra, a vítima era orientada a seguir instruções de segurança: digitar a senha do cartão no teclado do telefone, cortá-lo sem danificar o chip e escrever uma carta de próprio punho negando a suposta compra.

Os estelionatários asseguravam que o cartão estava cancelado e, portanto, outro seria enviado em breve. Ainda de acordo com informação dos fraudadores, um agente de segurança da operadora passaria na casa da vítima para recolher o envelope com o cartão cortado e a carta escrita manualmente.

Sem desconfiar que estava sendo enganado, o cliente entregava o chip

Sem desconfiar que estava sendo enganado, o cliente entregava o chip intacto. Dessa forma, os bandidos o instalavam em outro cartão e, então, realizavam compras, serviços, saques e empréstimos.

Ouça a ação de um golpista em uma gravação obtida pela polícia. O bandido, que conversa com uma mulher de Porto Alegre, é muito convincente:

“Nem desconfiei”
Uma aposentada de 68 anos, que pediu para não ser identificada, afirmou à reportagem que o suposto funcionário informou todos os seus dados pessoais. “Sabiam o meu nome completo, endereço e CPF. Nem desconfiei de que se tratava de um golpe, porque eles foram convincentes”, lembrou.

A moradora da Asa Norte disse que só se deu conta do crime após verificar um débito de R$ 18 mil na fatura do cartão de crédito.

“Trabalhei 36 anos para ter uma renda e tranquilidade ao me aposentar. Agora, estou no prejuízo. Depois que cancelei o cartão, ainda me ligaram novamente, tentando aplicar o mesmo golpe. Fiquei tão nervosa que estou tomando remédio para ansiedade. Eles sabem onde eu moro, roubaram meu dinheiro””
Vítima da quadrilha
Câmeras de segurança do prédio da aposentada registraram o momento em que um homem foi buscar o envelope com o cartão cortado e o chip na casa da vítima. O falso funcionário chegou por volta das 16h30 e se apresentou como Guilherme Carvalho. Ele estava com um capacete e forneceu até mesmo o número de um protocolo para a cliente.

Veja vídeo do criminoso que, em 12 de abril, se apresentou como Guilherme Carvalho e pegou o cartão de uma vítima. O suspeito está de camiseta branca sentado no banco ao fundo
Também em abril do ano passado, ao menos outros três moradores de Brasília caíram no golpe. Uma mulher ficou com dívida de R$ 6,8 mil. Desse total, R$ 6 mil foram gastos em um pet shop. O homem que foi buscar o cartão na casa da vítima também se apresentou como Guilherme Carvalho.

Outra vítima teve prejuízo de R$ 8,9 mil no cartão de crédito após seguir as recomendações dos estelionatários. Uma quarta pessoa enganada perdeu cerca de R$ 1,3 mil, pois percebeu a fraude e conseguiu cancelar o cartão antes que os criminosos fizessem novos gastos.

Todas as pessoas enganadas foram orientadas a escrever uma carta informando que o cartão havia sido clonado e não reconheciam as transações bancárias. Um homem foi até a residência delas e levou os respectivos cartões, cortados, mas com o chip intacto.

Crime organizado
Ainda em 2017, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul fez uma operação para desarticular a quadrilha que aplicava o golpe no país. Batizada de Privilege, a ação mirou os crimes de estelionato e lavagem de dinheiro. Oito envolvidos no esquema fraudulento foram presos durante o cumprimento de 22 mandados judiciais no Rio Grande do Sul e em São Paulo.

Em cinco meses de apuração, foi confirmado que o grupo possuía um núcleo em São Paulo, local de onde eram realizadas as ligações para as vítimas de várias regiões do país. Os integrantes da organização criminosa deslocavam-se de São Paulo a Porto Alegre para realizar compras e saques. Na capital gaúcha, foram identificados e presos o responsável pela logística do golpe na cidade e a pessoa designada a repassar aos bandidos as informações e dados privilegiados das vítimas.

Conexão RS-DF
As fraudes praticadas em Brasília podem ter partido do mesmo grupo, acredita o delegado responsável pela investigação, Hilton Müller. “Quem desenvolveu esse golpe, há dois anos, foi Danilo Vinícius da Silva Rosário, 29 anos. Ele mora em São Paulo e está com prisão preventiva decretada”, afirmou Müller ao Metrópoles. “O perfil das vítimas também é o mesmo em todo o Brasil”, completou.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, Danilo chegava a oferecer uma espécie de franquia criminosa em todo o país, comercializando a tecnologia que desenvolveu. Pelo “produto”, ele cobrava um percentual do valor roubado de cada cliente. Os crimes rendiam altos valores para a quadrilha. Só em Porto Alegre, o lucro estimado do bando ficou cerca de R$ 500 mil, roubados de um total de 29 vítimas.

Atenção!
As vítimas de estelionato devem entrar em contato com o banco, para que o cartão seja bloqueado e não haja mais danos, além de registrar a ocorrência na Polícia Civil. A notificação pode ser feita em qualquer delegacia, ou na internet.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) destaca que qualquer movimentação realizada depois da clonagem de um cartão de crédito ou cheque é de inteira responsabilidade do banco.
Se o caso não for solucionado, a vítima pode recorrer ao Instituto de Defesa do Consumidor (Procon) ou entrar com ação no Juizado Especial Cível.

Dicas
• Não use senhas óbvias, como datas de nascimento de parentes próximos
• Troque as senhas periodicamente
• Não confie em mensagens eletrônicas e telefonemas que pedem sua senha. Bancos e operadoras de cartão não solicitam essas informações por e-mail
• Antes de digitar a senha, verifique se o valor da compra foi digitado na máquina de cartão
• Confira frequentemente o extrato bancário
• Não perca o cartão de vista ao fazer compras em lojas físicas
• Procure buscar o cartão na agência em vez de pedir que seja entregue em casa
• Verifique se o antivírus do computador está atualizado antes de comprar pela internet. Ele impede a invasão de hackers que podem roubar dados bancários
Site:www.metropoles.com