Presidente interino da república, Toffoli sanciona lei…..

Pela lei sancionada, fica caracterizada importunação sexual o ato libidinoso praticado contra alguém, e sem a autorização, a fim de satisfazer desejo próprio ou de terceiro. A pena prevista é de um a cinco anos de cadeia.

A proposta ganhou força quando foram registrados casos de homens que se masturbaram e ejacularam em mulheres em ônibus. Um dos episódios de maior repercussão ocorreu em São Paulo.

O texto sancionado também torna crime a divulgação, por qualquer meio, vídeo e foto de cena de sexo ou nudez ou pornografia sem o consentimento da vítima, além da divulgação de cenas de estupro.

A lei aumenta a pena em até dois terços se o crime for praticado por pessoa que mantém ou tenha mantido relação íntima afetiva com a vítima, como namorado, namorada, marido ou esposa. A intenção é evitar casos conhecidos como pornografia de vingança.

Fonte: https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/09/24/presidente-interino-da-republica-toffoli-sanciona-lei-que-torna-crime-importunacao-sexual.ghtml

Vamos falar sobre bullying: problema que atinge 150 milhões de jovens

As vítimas podem desenvolver doenças psíquicas como a depressão, chegando até a pensamentos suicidas

Site: Metropoles.com

O bullying nas escolas é um problema que acomete crianças e adolescentes de todo o mundo e preocupa pais e educadores. Um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, publicado no início do mês, revelou que metade dos adolescentes entre 13 e 15 anos, cerca de 150 milhões de meninos e meninas, sofre violência corporal ou psicológica por parte dos colegas dentro e no entorno das escolas.

O Metrópoles conversou com psicólogos, pedagogos e diretores de escolas públicas e privadas do Distrito Federal para entender como o bullying se manifesta nas instituições de ensino e a que sinais os pais devem ficar atentos.

A psicóloga da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF), Gabrielle Jesus, explica que o bullying é um comportamento aprendido e socialmente validado, ou seja, não é nato do ser humano. Ele está ligado à cultura em que a criança está inserida e começa a ser praticado por meninos e meninas a partir dos seis anos.

As vítimas tendem a se tornar mais isoladas e se recusam a ir para a escola. Foi o caso de Gustavo do Vale Ferreira, hoje com 14 anos. Quando sofreu bullying, o menino tinha apenas sete. Os três primeiros meses no novo colégio são lembrados até hoje pela mãe, Carolina Castro do Vale Ferreira, 39 anos, como um período difícil para o menino.

Gustavo era perseguido por colegas de sala que pegavam seu lanche na hora do intervalo, escondiam suas chuteiras e, em uma ocasião, chegaram até a tentar forçar sua cabeça no vaso sanitário. “Eu tentava evitar ir à escola porque ficava com medo que pudesse acontecer de novo”, lembra.

Hoje, Gustavo do Vale Ferreira tem 14 anos e não gosta de lembrar da época em que sofreu discriminação
A mãe conta que tudo começou quando Gustavo mudou de escola para cursar o ensino fundamental. Até então, o filho era um menino alegre, brincalhão e seu comportamento mudou completamente entre fevereiro e abril de 2011.

“Ele passou a evitar o colégio, mas não revelava o motivo. Todo dia inventava que estava doente e começou a ficar muito calado. Na época, eu não sabia onde estava o problema e imaginava que pudesse ser em casa”, recorda a mãe. Além do comportamento, Gustavo desenvolveu um tique nervoso: os olhos e a boca piscavam involuntariamente.

Carolina lembra que, na época, chegou a participar de mais de 20 reuniões com diretores e coordenadores da escola em que o filho estava matriculado para tentar descobrir o motivo da mudança de comportamento da criança e sempre escutava a mesma resposta: ela deveria se acalmar e ter paciência porque a ansiedade era algo comum no período de adaptação em um novo espaço.

“Eu sempre ouvi que o bullying era um problema que as pessoas sofriam caladas, mas não acreditava. Em uma família com diálogo, isso não aconteceria, até sentir dentro da minha casa”.”
Carolina Castro do Vale Ferreira
O menino participou de sessões de terapia, mas só se abriu quando a mãe resolveu matriculá-lo em outra escola. “A orientadora ligou dizendo que ele não estava bem e febril. Quando cheguei lá, vi meu filho sozinho, me esperando. Foi a gota d’água. Ele me contou que estava sofrendo perseguição de outros meninos da sala”. Mudar de escola foi a paz da vida de Gustavo e o menino se transformou da noite para o dia, mas os tiques nervosos ainda persistiram pelos quatro meses seguintes.

Carolina Castro e Gustavo do Vale

A professora doutora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), Angela Uchoa Branco, afirma que pais, professores e diretores das escolas devem trabalhar em conjunto para combater casos dessa natureza.

Os pais, atentos ao comportamento do filho em relação à escola, e os professores, à dinâmica da sala de aula e intervir cuidadosamente, mas ter tolerância zero com o bullying – conversar, ouvir e argumentar com os alunos sobre cultura de paz. Aos diretores, cabe orientar os professores e buscar a resolução pacífica de conflitos.

Gabrielle Jesus explica que, raramente os agressores sofrerão alguma sequela. “Eles se acham poderosos e não sentem culpa”, afirma. No entanto, os pais também devem ficar atentos ao comportamento dos filhos e observar se as crianças têm o costume de repetir as brincadeiras e discriminações reproduzidas pelos amigos.

O relatório da Unicef descreve uma variedade de maneiras pelas quais estudantes enfrentam a violência neste contexto. Embora meninas e meninos tenham o mesmo risco de sofrer bullying, os meninos têm chances maiores de sofrer violência física e ameaças, como Gustavo sofreu, enquanto as meninas são mais propensas a ser vítimas de formas psicológicas de bullying.

As vítimas podem desenvolver doenças psíquicas chegando a ter pensamentos suicidas, como explica a psicóloga. A estudante Débora Dálet, 21 anos, passou por todos os estágios de depressão quando cursou o 9º ano, aos 14 anos. A jovem era perseguida por um colega de turma que a apelidava com nomes nada agradáveis, como baleia e javali.

Débora chegou a comentar sobre alguns episódios de violência sofrida no colégio, mas a mãe acreditava que mudá-la de escola não iria resolver o problema. “A minha mãe dizia que isso acontecia em todo lugar e eu precisava ser forte”. A adolescente cursou o ensino médio em outra escola.

Junto aos xingamentos, o agressor incentivava outros adolescentes a jogarem bolinhas de papel na colega de sala. Um dos episódios lembrados com muita dor por ela foi quando o rapaz jogou chiclete em sua cabeça. “O meu cabelo era na cintura. Eu fui a um salão, mas não teve jeito, precisaram fazer um corte joãozinho. Foi aí que o bullying piorou”. A solução encontrada pela escola para punir o adolescente foi a suspensão.

Na época, ela pesava cerca de 80 kg e passou a ter comportamentos de bulimia, até chegar aos 45 kg. Os pais perceberam que a adolescente comia e logo ia para o banheiro vomitar. Foi aí que eles decidiram levá-la a uma psicóloga.

A situação se agravou quando Débora tentou cometer suicídio. Foram diversos episódios – ela carrega as marcas dos cortes que fez no próprio corpo até hoje – até ser socorrida às pressas e seguir até o hospital. “Fui a um psiquiatra e ele me receitou antidepressivos e remédios para dormir. Eu acordava com medo de ir para a escola”, lamenta, a voz embargada.

Sete anos depois, Débora acredita que está em outra fase da vida, com foco nos estudos. Ela segue fazendo acompanhamento psicológico e ainda não se sente a vontade com a própria imagem. “Eu não aceito ser gordinha. Ainda me sinto feia”, completou.

A psicóloga afirma que é obrigação da escola desenvolver um trabalho em conjunto com orientadores e pedagogos para que o bullying seja coibido. A Secretaria de Educação do Distrito Federal desenvolve, ao longo de todo o ano letivo, projetos pedagógicos sobre temas relacionados à cidadania e direitos humanos, mediação de conflitos, combate às drogas, entre outros assuntos, como forma de prevenir e combater a violência..

A diretora da Escola Classe 204 Sul, Alessandra Alves de Oliveira Lopes, trabalha com crianças de seis a 12 anos há duas décadas. Ela lembra que o desrespeito, a intimidação e a apelidagem existem desde que iniciou o trabalho na educação. Os valores são trabalhados de forma gradativa com os estudantes, dentro da proposta pedagógica. As crianças aprendem o que é respeito através de aulas, palestras e filmes.

O centro educacional Sigma é pioneiro com a implantação da disciplina Convivência Ética. Estudantes de 71 turmas da escola participam das aulas duas vezes por semana desde o primeiro semestre de 2017, sob supervisão da professora Áurea Bartoli. Atualmente, 20 docentes de diferentes matérias estão capacitados para trabalhar a Convivência Ética. Os estudantes são incentivados a participar com a sugestão de temas.

O Metrópoles conversou com a supervisora e quatro alunos do 8º e 9º ano do ensino fundamental para entender na prática como eles encaram a disciplina e o bullying. Fica evidente na fala de Arthur Henrique Silva Pinho, 15 anos, Isabela Koshino, e Isabella Maryan, as duas com 14 , e Clarisse França, 13, que a disciplina dá a eles poder de fala e decisão. São jovens empoderados.

Isabela Maryan lembra de um caso recente, em que viu uma colega de sala ser discriminada. Ela e outras duas amigas contrárias à prática levaram o assunto para a sala de aula. As adolescentes pesquisaram o conceito do bullying e fizeram uma apresentação para a turma, explicando os tipos de agressão e alvos comuns. “Geralmente são pessoas com linguagem passiva. A gente trouxe esse assunto e conseguiu resolver na aula, parando o bullying com a menina”, explicou.

Clarissa lembra que sofria discriminação por ser considerada muito baixinha. Era normal o agressor excluí-la das brincadeiras em grupo, por exemplo. “Eu nunca levei isso a sério porque sempre fiz piada de mim mesma. Foi assim que o meu pai me ensinou a me defender”.

A menina de apenas 13 anos demonstra segurança e maturidade de gente grande. Ela entende que a altura não é motivo para se envergonhar, assim como qualquer outro relacionado à aparência. “Eu nunca me senti humilhada porque eu sei que não é culpa minha. Não posso fazer nada sobre isso”.

Isabela Koshino entende, por vezes, que a vítima não tem real proporção da gravidade das agressões e sofre em silêncio. “Eu achava normal eles me zoarem por eu não ser magra nem alta. Hoje eu entendo que não tem nada de errado comigo”, analisa. A adolescente acredita também na importância de se cercar por pessoas que fazem bem para elas. A opinião é comum no grupo.

Isabela Maryan acredita que conversar com um amigo pode ser mais fácil do que com os pais e diretores. O diálogo é equiparado, sem julgamentos. “Os amigos vêm tudo, eles estão presentes no dia a dia e às vezes os pais não sabem”, ressalta.

Arthur compreende que a disciplina deu responsabilidades aos alunos. Hoje, eles sugerem os temas que querem abordar e têm mais liberdade para falar com os professores. Segundo Áurea, o objetivo é construir a autonomia moral dos adolescentes. “Eles desenvolvem pensamentos como ‘o que eu posso?’, ‘o que eu quero?’ e ‘o que eu devo?’”, completou.

Isabella Maryan, Clarisse França, Arthur Henrique Silva Pinho e Isabela Koshino

O programa teve origem em escolas da Espanha há 16 anos. As ações em relação ao tema começaram em 2016, com alunos do 1º ano do ensino médio e 9º ano do fundamental para discutir problemas de convivência da escola e temas estudados por eles em outras disciplinas, como a descriminalização do aborto.

Áurea faz questão de enfatizar que a escola não levanta discussões acerca de políticas partidárias e religião por entender que, primeiro, precisa ser construído um viés de respeito para que alunos estejam aptos para discutir sobre qualquer assunto.

O trabalho de conscientização do bullying deve ser feito com o alvo, os autores e os expectadores. “O bullying é um problema moral. Se eu acho que posso zoar o outro sem limites, a vítima não tem forças para lidar sozinha e eu tenho expectadores, gente que ri, isso só aumenta”, segundo a supervisora. “Nós não queremos que eles saiam da escola aceitando tudo o que acontece”, completa.

Assim como Gustavo e Débora, muitas crianças têm vergonha ou medo de falar sobre o assunto com pais e docentes. Por isso, especialistas alertam para que a família preste atenção à alguns sinais que podem indicar que a criança ou adolescente esteja sofrendo bullying:

Fique atento a mudanças no comportamento e humor da criança: mais isoladas e chorosas, por exemplo;
Observe se ela pede para faltar aula com frequência: “Fique alerta se ela disser que não quer ir para a aula, algo pode estar acontecendo”, ressalta a diretora da Escola Classe 204 Sul, Alessandra Alves de Oliveira;
Seu filho tem medo de ir para a escola? Em alguns casos, a aproximação do início de uma nova semana ou ano letivo são suficientes para que a criança fique ansiosa;
Participe da vida escolar de seu filho: fique atento à agenda e mochila da criança;
Frequente a escola e converse com os professores.

Mapa do feminicidio no DF

O Correio traça um panorama do crime que tem espantado Brasília. Desde 2015, foram quase 60 crimes, 20 deles este ano. Companheiros e ex-companheiros formam a maioria dos assassinos

Enterro de Adriana Castro, morta pelo ex-marido, Epaminondas Silva Santos, policial militar, no Riacho Fundo

“Ele a ameaçava de morte. Às vezes, falava que ia matá-la; às vezes, que mataria as crianças na frente dela, para ver que ele era capaz.” A frase é da operadora de caixa Silvaneide de Castro, 34 anos, cunhada de Adriana Castro Rosa Santos, 40, uma das 20 vítimas de feminicídio no DF até 31 de agosto de 2018. A dona de casa foi assassinada em 7 de agosto pelo marido, o policial militar Epaminondas Silva Santos, 51. Além de Adriana, 59 mulheres da capital federal foram mortas, seja por facadas, seja por tiros, seja por socos, desde 2015. Em 85% dos casos, os crimes aconteceram dentro de casa. No mesmo período, houve 136 tentativas de feminicídio, segundo a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP).

No ano passado, as delegacias do DF registraram 20 ocorrências. Diante desse cenário violento contra as mulheres, formou-se uma câmara temática com representantes da Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, SSP, Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Detran, Defensoria Pública e Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) com o objetivo de entender o padrão relacionado às mortes. Para o secretário da Segurança Pública e da Paz Social, Cristiano Sampaio, isso pode ajudar juízes a decidir sobre a sentença de agressores desde a primeira denúncia. “A gente tem percebido que eles não partem da primeira ocorrência para a morte. Com o padrão estabelecido, a gente consegue ter uma luz acesa mostrando o nível de risco e quando adotar as mais altas medidas de proteção”, explica.

No caso de Adriana, o relacionamento abusivo se mostrou aos poucos. Epaminondas não a deixava trabalhar, era ciumento e bebia muito. Silvaneide disse que a cunhada não falava muito dele e, havia cerca de dois anos, ele parou de frequentar a casa da sogra. “Ela visitava a mãe sempre, todo fim de semana estava aqui, trazia os filhos. Era uma pessoa muito boa”. Agora, as crianças, uma menina de 8 anos e um garoto de 11, moram com a avó. Eles fazem acompanhamento psicológico. No dia da tragédia, os dois dormiam na sala da casa e acordaram com os tiros. “Eles falam na Di (apelido de Adriana) de vez em quando, sentem saudades”, conta Silvaneide.

Medidas protetivas
Depois de assassinar a ex-mulher, Epaminondas cometeu suicídio. O mesmo aconteceu com outros cinco homens em 2018. Dos 20 autores de feminicídio, 11 estão presos. Um deles é Eduardo Gonçalves de Sousa, 34, que matou, em 26 de agosto, a companheira Maria Regina de Araújo, 44, no Itapoã. Dez dias antes, Maria Regina havia pedido uma medida protetiva à Justiça, mas sem sucesso.

Segundo o TJDFT, apenas em 2018, a Justiça recebeu 9.459 pedidos de medidas protetivas, dos quais pouco mais da metade — 4.964 — foram concedidos. Ainda 2.216 tiveram aprovação parcial. O presidente do tribunal, desembargador Romão Cícero de Oliveira, explicou que as solicitações são analisadas, caso a caso, por um juiz. “Nem todas as histórias são verificáveis. Nós temos o sentido de que a palavra da vítima vale muito em relação à do réu”, ressalta o magistrado. “De vez em quando, o juiz deixa de aplicar um benefício a uma dessas pessoas que, talvez, estivesse falando a verdade, mas que não teve a eloquência necessária para chegar aos ouvidos do juiz. A eloquência do acusado talvez tenha sido muito melhor e convenceu”, diz.

A cidade do DF com o maior número de feminicídios é Ceilândia (11), seguida de Samambaia (8), Brasília, Gama e Santa Maria (6). Um dos objetivos da câmara temática é descobrir por que há mais casos nessas regiões. “Qualquer afirmação conclusiva agora é prematura, mas eu acredito que a questão cultural é um fator decisivo para se ter mais ou menos violência doméstica”, ponderou o secretário de Segurança.

A SSP agora passou a trabalhar a questão da agressão às mulheres também no curso de formação de policiais. Além disso, pela frequência com que PMs se revelam agressores, a pasta matricula, compulsoriamente, os envolvidos em uma iniciativa de tratamento. “Eles reconhecem a importância de fazer isso para evitar uma nova agressão. Você percebe que esse é um crime recorrente. Ou trabalha na causa e neutraliza, ou vai chegar a um ponto mais grave. Então, o tratamento do agressor também é muito importante”, avalia o secretário Cristiano Sampaio.

Tornozeleiras
Segundo Cristiano, 6 mil tornozeleiras eletrônicas estão disponíveis, mas, atualmente, apenas 28 agressores são monitorados. Os equipamentos, que custam R$ 162 mensais, fazem parte de um contrato de locação e, de acordo com a SSP, só são cobradas quando em uso. Mas, para um acusado usar o equipamento, é preciso determinação judicial. “Se precisar usar, temos 6 mil. A central de atendimento está montada e equipada com servidores em esquema de operação 24 horas por dia, sete dias por semana. E essa é a nossa angústia”, alerta o secretário. “A gente precisa convencer as pessoas de que esse é um recurso importante e que pode ajudar a cidade”, declara Sampaio.

No fim de agosto, um dos agressores rompeu a tornozeleira e tentou estrangular a ex-companheira em casa, no Gama. O homem de 34 anos descumpriu medida protetiva e chegou a dizer: “Agora eu consigo te matar”. O feminicídio só não aconteceu porque um amigo da vítima chegou a tempo de evitar o pior. Cristiano Sampaio reforça que o equipamento não é um impeditivo, apenas um recurso de acompanhamento. “Assim que ele o rompeu, foi gerado um alarme na central, que tentou contato com ele. Como não atendeu, a PMDF deslocou efetivo para a residência. O monitoramento é permanente.”

O desembargador Romão Cícero, presidente do TJDFT, concorda que o número de tornozeleiras em uso é baixo. “Podia ser muito maior para que a polícia pudesse ter o olho bem mais perto dessas pessoas. É um material que ajuda e muito não só no caso de violência doméstica”, reconhece o magistrado.

Aplicativo para vigiar
Além das tornozeleiras, outro recurso subutilizado, na visão da SSP, é o aplicativo Viva Flor, espécie de botão do pânico que permite às vítimas de violência doméstica acionar a PM caso se sintam ameaçadas. Até o momento, 12 estão cadastradas no programa, lançado em 20 de novembro do ano passado. À época, a promessa era de que 100 mulheres seriam contempladas com o benefício até o fim de 2017. Contudo, os cadastros começaram em junho e, segundo o TJDFT, ainda está em fase de execução do projeto-piloto. Agora, a previsão é de que até o final de setembro haja 30 nomes no total.

Para fazer parte do Viva Flor, a mulher deve ter uma medida protetiva de urgência vigente, e a decisão da inclusão deve ser dada pelo Poder Judiciário, que fornece os dados para cadastro feito pela SSP. O secretário Cristiano Sampaio, no entanto, afirma que a central de atendimento tem capacidade maior. “Esse é um aplicativo on-line, que não tem custo. Eu acho que a segurança, a cautela, o teste, o ajuste, tudo isso é importante, mas tem coisa mais importante. Tem gente precisando do serviço agora”, reforça.

No mês passado, o GDF encaminhou para a Câmara Legislativa um projeto de lei que prevê a conexão entre o Viva Flor e as tornozeleiras eletrônicas. A ideia é que, caso um agressor monitorado se aproxime da vítima cadastrada no aplicativo (ele é georreferenciado), um alerta seja emitido na central de controle, que tomará as providências cabíveis para proteção da mulher em risco.

Outra medida prevista é a obrigação de a SSP fornecer os equipamentos de monitoração. O secretário explica que hoje, o Estado não precisa fornecer as tornozeleiras, de acordo com a Lei nº 12.258/2010). “Se o DF quiser interromper o contrato, interrompe. A lei vai garantir que isso seja mantido”, esclarece.

Três perguntas para
Liz-Elainne Mendes, coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos do MPDFT

Quais são as punições para quem agride uma mulher?
Podem variar de uma prisão simples até uma muito significativa em um regime fechado de reclusão. Se for reconhecido na sentença uma pena maior do que quatro anos, o agressor pode perder cargo público. A condenação criminal traz diversos empecilhos para vagas em cargos públicos e é um prejuízo muito grande. O feminicídio é uma qualificadora do homicídio. Enquanto em um homicídio a pena varia de seis a 20 anos, no caso de feminicídio, vai de 12 a 30 anos.

O que a vítima de violência deve fazer?
Quando ela entende que está passando por violência, eu penso que é um ganho enorme. Ela deve procurar serviços que possam auxiliá-la a tomar maior consciência do quadro de violência para entender a situação de risco. É importante que o sistema de Justiça tome conhecimento para que possa, pela própria lei, combater as agressões. A mulher tem o direito fundamental de viver uma vida plena de paz e, quando há crianças ou adolescentes envolvidos nesse quadro, os serviços auxiliam também para que ela perceba que outras pessoas são impactadas e é preciso que o Estado intervenha. Ela não deve ficar em casa sem tomar providências, sem buscar informação e auxílio.

Quem conhece uma vítima deve “meter a colher”?
Sim. A violência contra a mulher é uma violação grave de direitos humanos e todos que convivem com as vítimas e percebem esse quadro precisam buscar auxílio e ajudar para que o sistema funcione de uma forma mais eficiente. É importante a participação de todos não só alertando, mas buscando o apoio do Estado. Quem quiser denunciar pode ligar no 180 ou fazer uma denúncia anônima pela Ouvidoria do MP, da Polícia Civil, do órgão onde essa mulher trabalha ou no SAC da empresa. São canais que se comunicam para que esse fato chegue ao sistema de Justiça sem que o denunciante se exponha. Outra opção, caso a pessoa queira ser mais ativa na investigação, é registrar uma ocorrência como comunicante e testemunha.

site: www.correiobraziliense.com.br

Vítimas de feminicídio: conheça mulheres que morreram pelas mãos deles

Em 2018, pelo menos 15 mulheres tiveram a vida interrompida. Na maior parte dos casos, algozes foram os próprios companheiros

Brasília(DF), 04/05/2018 – Protesto contra a morte de Jéssyka Laynara da Silva Souza, executada a tiros pelo ex-noivo Polícia Militar Ronan Menezes – Foto: Daniel Ferreira/Metrópoles

Somente em 2018, 15 mulheres foram assassinadas no Distrito Federal. A vítima mais recente, Janaína Romão Lúcio, 30 anos, perdeu a vida de forma covarde, a facadas, e na frente das filhas pequenas. Assassino confesso, Steffanno Jesus Souza de Amorim, 21, está preso.

O crime bárbaro ocorreu em Santa Maria, no sábado (14/7), um dia após as autoridades alemãs divulgarem a prisão de Marcelo Bauer. Há 31 anos, ele matou Thaís Mendonça, 19, sua namorada à época. Foi condenado à revelia em Brasília e, agora, sua impunidade chegou ao fim.

Os casos se assemelham não só pela brutalidade e covardia. O modo como os assassinos agem é parecido. Segundo especialistas, os algozes, geralmente pessoas com quem as vítimas se relacionam, começam com pequenas exigências, cenas de ciúmes, cobranças, brigas seguidas de presentes e pedidos de desculpas com promessas de mudanças.

Acuadas e sob constante ameaça, em geral, as mulheres optam por não fazer a denúncia quando ocorre a primeira agressão. Depois, é um caminho sem volta. O Estado falha no combate à violência e proteção às vítimas. A família, muitas vezes, não consegue evitar consequências mais graves. Assim, as tragédias vêm ocorrendo.

Vítimas
Foi assim com Jessyka Laynara da Silva Souza, 25, morta a tiros pelo soldado da Polícia Militar Ronan Menezes, 27, no dia 4 de maio, em Ceilândia. Extremamente possessivo e controlador, o rapaz não aceitava o fim do relacionamento.

Ameaçava e agredia Jessyka constantemente, e ela, com medo, escondia os hematomas usando maquiagem. “Era para eu estar enterrada agora. Ele me espancou tanto, tanto. Me deu tanto chute, soco, coronhada. Rasgou minha cabeça”, contou a moça, em áudio enviado para uma amiga. Agora, a mãe da vítima, a técnica de enfermagem Adriana Maria da Silva, 39 anos, chora a perda da filha.

Ele é um covarde. Deu dois tiros no peito dela (de Jessyka) e um nas costas. Quero que pague pelo que fez, mas nem 100 anos de cadeia vão trazer a minha filha de volta”
Adriana da Silva

Parentes da vítima disseram ainda que só tomaram conhecimento das agressões após a morte da jovem, por meio de uma amiga para quem ela costumava desabafar. Segundo o relato da testemunha, Ronan Menezes dizia para a ex-companheira que, caso ela fizesse a denúncia ou tentasse fugir, mataria toda a família dela.

Jessyka Laynara escondia com maquiagem as agressões que sofria do soldado da PM Ronan Menezes

A irmã de Janaína, Cleire Romão, 29, diz que o medo dos agressores é o que faz com que as vítimas optem por não denunciar. “Minha irmã tomou essa atitude, mas foi ameaçada e acabou retirando a queixa. Ele a perseguia”, disse.

Janaína Romão foi morta com cinco facadas pelo ex-companheiro, Steffano Jesus Souza de Amorim, na frente das filhas

Em 6 de março, outro caso de feminicídio chocou o DF. A funcionária do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Romilda Souza, 40, foi morta a tiros pelo marido e ex-vigilante Elson Martins da Silva, 39, que se suicidou em seguida, na 406 Sul.

Romilda Souza, 40, foi assassinada a tiros pelo marido Elson Martins da Silva, que se suicidou em seguida

Dez dias depois, Mary Stella Maris Gomes Rodrigues dos Santos, 32, também foi alvo de tiros disparados pelo marido, o piloto do Metrô-DF Júlio César dos Santos, 38, que também se matou em seguida em Ceilândia. Segundo vizinhos, o casal estava se divorciando e tinha uma relação abusiva. “Eles brigavam muito, mas não era uma discussão normal. Sempre tinha muito xingamento, objetos atirados um contra o outro“, disse uma testemunha.

Mary Stella Maris Gomes Rodrigues dos Santos foi baleada e perdeu a vida após discussão com o marido Júlio César dos Santos, piloto do Metrô-DF, que se suicidou logo após o crime

Em 5 de abril, a advogada Jusselia Martins de Godoy, 50, foi alvo de três tiros disparados pelo ex-marido, Evandro Alves de Faria, 56, em Planaltina. Ela chegou a ficar internada no Hospital de Base, mas não resistiu e veio a óbito cinco dias depois. Após o crime, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional do Distrito Federal (OAB-DF), Juliano Costa Couto, se manifestou lamentando a morte de Jusselia e repudiando a violência contra as mulheres.

“A OAB-DF repudia qualquer prática de violência. Não existe justificativa para crimes como esse. Fica nosso extremo pesar e desejo de que nenhuma mulher seja vítima de crimes bárbaros”, disse.

Jusselia Martins foi vítima de três tiros disparados por Evandro Alves de Faria. Ela chegou a ser internada, mas morreu cinco dias depois

Outro caso bárbaro e que poderia ter sido evitado foi o de Tauane Morais dos Santos, 23, esfaqueada até a morte pelo ex-companheiro Vinícius Rodrigues de Sousa, 24, no dia 6 de junho, em Samambaia. O homem cometeu o crime um dia após ser solto por agredir a jovem.

Na época, o juiz Aragonê Nunes Fernandes, que proferiu a decisão, disse não ter “bola de cristal” para prever a tragédia. Um irmão da vítima relatou o quanto Vinícius era possessivo. “Ele a agredia muito. Chegou a quebrar tudo dentro de casa”.


Tauane Morais dos Santos foi esfaqueada até a morte pelo ex-companheiro Vinícius Rodrigues de Souza, que cometeu o crime um dia após ser solto por causa de uma agressão contra ela.

No dia 22 de fevereiro, a vítima foi a aposentada Isabel Lino de Souza, 60, assassinada pelo próprio filho Fernando, 33. O homem usou um guidão de bicicleta e a espancou até a morte. Na carceragem da 27ª Delegacia de Polícia, disse que assassinou brutalmente a idosa por questões financeiras. “Burrice da cabeça”, afirmou o homem, indiciado por feminicídio. Já Cristiane do Nascimento Mendes, 35, levou diversas facadas pelo corpo após uma discussão em um bar com dois homens, no dia 28 de junho, em São Sebastião.

Entre as vítimas, apenas duas pediram medida protetiva à Justiça. Janaína chegou a ter o direito garantido, mas retirou o pedido feito à Justiça. Atualmente, dos 143 presos que usam tornozeleiras eletrônicas no Distrito Federal, 21 cometeram violência doméstica e têm o equipamento preso ao corpo para se manterem distantes de suas vítimas.

Alerta
A presidente do Instituto Personna de Estudos e Pesquisas em Violência e Criminalidade, Elisa Waleska Krüger Costa, alerta: ao primeiro sinal de violência, denuncie. “A mulher não deve tentar ser psicóloga do agressor, dando conselhos ou justificando seus comportamentos”, afirma.

Mas não basta apenas denunciar. O Estado também precisa ter uma rede de proteção e de combate à violência eficientes para evitar que mais tragédias ocorram. É o que diz a professora adjunta de Direito da UnB Janaína Penalva.

“É necessário que a mulher se coloque em um espaço mínimo de resistência, denunciando ameaças — quando há tempo para isso –, mas ainda que ela denuncie, não evitará o crime se o Estado não se mobilizar para protegê-la. O que evita o feminicídio é a resposta estatal à violência”, assegura.

Denuncie
Pelo número 180. As ligações são gratuitas e o serviço funciona 24 horas. Na Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), localizada na 204/205 Sul, ou pelo disque-denúncia da Polícia Civil, no número 197.

Homem é indiciado por estuprar estudante em saída de faculdade no DF


Vítima de 23 anos estava a caminho do Metrô na Asa Sul; crime foi em fevereiro. Suspeito, de 36 anos, cumpria prisão domiciliar e foi detido dois meses depois.

Polícia Civil do Distrito Federal indiciou, por estupro, o auxiliar de serviços gerais de 36 anos suspeito de abusar de uma estudante de 23 anos na Asa Sul, em fevereiro deste ano. O nome do homem não foi divulgado.

Segundo as investigações, a vítima tinha acabado de sair da faculdade, e se dirigia à estação 112 Sul do Metrô quando foi abordada. Imagens de câmeras de segurança de um prédio próximo flagraram o momento em que a jovem saiu correndo, tentando fugir do homem.

Estudante é estuprada após sair de faculdade na Asa Sul, em Brasília
O suspeito foi identificado e detido em abril – quase dois meses após o crime. Segundo a Polícia CIvil, ele cumpria prisão domiciliar e já tinha sido condenado a 25 anos por tentativa de homicídio, roubo e atentado violento ao pudor.

Nesse terceiro crime, ele foi acusado de praticar sexo anal com uma menina de 9 anos. Na época, a conduta não era classificada como estupro.

Coleta de provas
As investigações avançaram durante os 60 dias em que o suspeito ficou preso. Como o estupro é considerado crime hediondo, a prisão temporária é de 30 dias, renováveis por igual período. O prazo terminaria neste domingo (17), mas a Justiça autorizou a conversão da prisão temporária em preventiva – esta, por tempo indeterminado.

Clique no link  para ver o vídeo. https://globoplay.globo.com/v/6521651/

As provas coletadas no período serviram para embasar o indiciamento por estupro – que será analisado pelo Ministério Público e, se confirmado, pela Justiça.

Segundo a chefe da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), Sandra Gomes, os indícios mais fortes vieram do rastreamento do celular da vítima, roubado pelo homem no dia do estupro. O aparelho chegou a ser revendido para outras duas pessoas, que vão responder por receptação.

Sandra classifica o inquérito como “um dos mais complexos já elucidados” na Deam. A investigação ficou mais difícil porque não havia imagens do local do crime, e porque foi preciso acionar diversas companhias telefônicas para concluir o rastreamento.

Em buscas na casa do suspeito, no Núcleo Bandeirante, equipes encontraram objetos supostamente usados para prática de roubos. O arsenal incluía facas com a empunhadura enfaixada – uma técnica que evita marcas de impressão digital.

Se o indiciamento do estupro for seguido pelo Ministério Público e recebido pela Justiça, o homem vira réu pelo crime e pode ser condenado a até 20 anos de prisão.

Outros casos

Segundo a delegada, o homem tinha uma forma específica de abordar as vítimas: chegava ameaçando com uma faca ou estilete, exigia que ficassem de costas e usava a roupa delas para vendá-las. Ele agia sempre em lugares com mato alto, e no escuro.

Com base nesse “modus operandi”, os policiais conseguiram identificar outras duas vítimas recentes do homem.

“Um desses casos foi uma tentativa de estupro, e o outro, um estupro consumado”, diz Sandra. Esses casos são investigados separadamente e, se houver indiciamento, a pena prevista pode ser ainda maior.

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Metade dos homicídios em 2016 ocorreu em apenas 2% dos municípios

Apesar de pequenos, os números são superiores aos de 2015, quando 109 localidades respondiam por metade das mortes violentas no país

Foto: HUGO BARRETO/METRÓPOLES

Metade dos homicídios registrados em 2016 ocorreram em apenas 123 cidades brasileiras, aponta o Atlas da Violência 2018 – Políticas Públicas e Retratos dos Municípios Brasileiros, do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Juntos, esses municípios representam apenas 2,2% do total de cidades brasileiras. Apesar de pequenos, os números são superiores aos de 2015, quando 109 localidades respondiam por metade das mortes violentas no país. Fato que, para os pesquisadores, indica a propagação da criminalidade para cidades menores, processo que vem sendo observado por especialistas desde meados dos anos 2000.

Entre as cidades com mais de 100 mil habitantes, as mais violentas se concentram nas regiões Norte e Nordeste. No entanto, o ranking dos 309 municípios com maior taxa de mortalidade é encabeçado por Queimados, no Rio de Janeiro, com 134,9 homicídios por grupo de 100 mil pessoas.
As quatro cidades seguintes com os maiores índices de letalidade ficam na Bahia. Com uma taxa de 124,3 homicídios por grupo de 100 mil habitantes em 2016, Eunápolis ocupa o segundo lugar entre as mais violentas. Em seguida vem Simões Filho (107,7 homicídios/100 mil habitantes); Porto Seguro (101,7 homicídios/100 mil habitantes) e Lauro de Freitas, com 99,2 homicídios/100 mil habitantes.

Já a relação das cidades com a menor taxa média de homicídios em 2016 começa com Brusque (SC), onde foi registrada uma taxa média de 4,8 homicídios por 100 mil habitantes. Logo em seguida ficaram Atibaia (SP) (5,1); Jaraguá do Sul (SC) (5,4); Tatuí (SP) (5,9) e Varginha (SP) (6,7).

Capitais

Entre as capitais, Belém assumiu o título de mais violenta de 2016, com uma taxa média de 76,1 homicídios por grupo de 100 mil habitantes. Pelos dados do Atlas da Violência de 2015, a capital paraense era a quarta mais perigosa, com 61,8 homicídios/100 mil moradores. Nesta edição do relatório, Belém é seguida por Aracaju (73 homicídios/100 mil habitantes); Natal (62,7 homicídios/100 mil habitantes); Rio Branco (62,6 homicídios/100 mil habitantes) e Salvador (57,8 homicídios/100 mil habitantes).

Alvo de uma intervenção federal na segurança pública de todo o estado desde fevereiro deste ano, a capital fluminense terminou 2016 entre as oito capitais com as menores taxas de mortes violentas, com 25,8 óbitos por 100 mil habitantes. Este grupo é encabeçado por São Paulo (10,1 homicídios); Florianópolis (17,2) e Vitória (17,2); Brasília (25,5); Campo Grande (20,3); Curitiba (29,4) e Belo Horizonte (24,8).

No início do mês, o Atlas da Violência já tinha apontado que o estado do Rio de Janeiro está entre as seis unidades da federação que têm conseguido reduzir as taxas de homicídios, junto com São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Paraná. No documento, os pesquisadores apontam que a melhora dos índices paulistas se deve, em parte, à preponderância de uma organização criminosa sobre as demais, o que permitiria que seus integrantes controlassem o uso da violência, evitando disputas letais.

Fonte: Metrópoles

Maria Eduarda: vítima da violência que não dá trégua em Ceilândia

Segundo vizinhos da menina de 5 anos, tiroteios são comuns na região. Há dois meses, a casa da criança já tinha sido alvo de disparos


O ataque à casa da família de Maria Eduarda Rodrigues de Amorim, 5 anos, ocorrido na noite dessa segunda-feira (21/5) em Ceilândia, é o segundo em dois meses. Só que, desta vez, a menina morreu baleada enquanto passava no quintal na intenção de pegar milho de pipoca para a tia. O alvo dos disparos, segundo os familiares, seria um irmão da vítima, mas não o que foi baleado. De acordo com vizinhos, tiroteios são comuns na região.

Maria Eduarda levou três tiros – na cabeça, no tórax e na nádega. Ao ser atingida, caiu no corredor da casa. Foi levada por parentes ao Hospital Regional de Ceilândia (HRC), mas chegou à unidade de saúde sem os sinais vitais.

A menina, que ia completar seis anos em agosto, morava com a família nos fundos da casa da avó, na QNO 18, Conjunto 36, em Ceilândia. O irmão, Marcos Rodrigues de Amorim, 19, entrava no quintal na noite de segunda quando dois homens chegaram em um Voyage preto e fizeram vários disparos. O rapaz levou um tiro no joelho. Ele está internado no HRC, mas não corre risco de morte.

O auxiliar administrativo Alan Jones Ferreira de Carvalho, 36, tio das vítimas, acredita que o alvo não era Marcos e, sim, o irmão dele, 15, que teria envolvimento com drogas. “Tentaram matá-lo há cerca de dois meses, aqui mesmo no quintal. Deram vários tiros, mas felizmente ninguém saiu ferido. Depois disso, ele foi embora e não sabemos onde está”, afirmou. As marcas de balas estão nas janelas e no portão da casa. A Polícia Civil não deu nenhuma informação sobre o caso nesta terça (22).

Rastros da violência
O muro da Escola Classe 56, onde a menina estudava, tem pichações que mostram a guerra de gangues na região. Segundo a diretora do colégio, Marlene de Oliveira, os educadores da instituição de ensino estão fazendo um trabalho com as crianças sobre a cultura da paz e da não violência.

Com base no relato de uma moradora da quadra onde a menina foi assassinada, a dona de casa Filomena Santiago, 59, os tiroteios são constantes na região. “Tenho vontade de ir embora em virtude da violência. Morro de medo por conta das minhas netas e filhas. Os bandidos estão na rua, matando e roubando. Nós, que somos honestos, ficamos trancados dentro de casa. Não temos sossego”, desabafou.

Conforme também contou o motorista Cláudio Miranda, 46, este não foi o primeiro tiroteio na quadra. “A minha casa já havia sido atingida em um dos casos. Fico com medo por conta das minhas duas filhas. O complicado é que a maioria dos criminosos são menores, então não existe punição. A Justiça manda soltar. É preciso mudar as leis”, pontua.

A aposentada Maria Cristina de Araújo, 54, garante ter ouvido vários tiros na região há umas duas semanas. “Era meio-dia e fizeram vários disparos. A gente vive com medo. Raramente a polícia passa por aqui. A impressão é de que eles têm medo dos bandidos, pois andam mais armados do que os próprios policiais”, destacou.

Clima de tristeza
Na quadra onde a menina morava, o clima é de tristeza e revolta. Assim como na escola. Na quarta (23), as aulas serão suspensas para que todos possam participar do enterro da criança. “Faremos cartazes em homenagem à Maria Eduarda pedindo paz. Ela cursava o segundo período da educação infantil, anterior ao primeiro ano. Era uma aluna tranquila, participativa e muito querida”, disse a diretora da instituição de ensino, Marlene de Oliveira.

Ela mostra um dos últimos trabalhos da garota no colégio, uma homenagem com a foto de Maria Eduarda em que a criança declarava amor à mãe, Cláudia Barbosa Rodrigues, 39. A mulher, muito abalada, não consegue falar sobre a tragédia que tirou a vida da única filha.

Guerra de gangues
É a segunda morte na região em menos de 24 horas. Por volta das 21h30 desse domingo (20), um adolescente de 17 anos foi morto a tiros na frente da irmã, de 12, em uma parada de ônibus na QNO 17. A vítima não possuía passagens pela polícia e teria morrido, conforme dados preliminares dos investigadores, em razão de uma guerra entre gangues na área.

De acordo com informações dos agentes, o garoto esperava um ônibus na parada, em companhia da irmã, quando foi abordado por dois homens, ambos de bicicleta. Os suspeitos teriam perguntado à vítima se ela estava envolvido na guerra existente entre os moradores da QNO 17 e da QNO 18.

Mesmo após negar qualquer envolvimento na disputa, o adolescente foi baleado ao menos quatro vezes. Um dos disparos atingiu a cabeça do jovem, que morava com a família na QNO 16. Até a última atualização desta reportagem, nenhum suspeito havia sido preso.

Nota da PM
Segundo a Polícia Militar, as rondas em Ceilândia são feitas pelos 8º e 10º batalhões, que, juntos, prenderam 968 autores ou suspeitos de crimes e retiraram 105 armas das ruas, somente em 2018. No ano passado, de acordo com a corporação, os PMs fizeram 3.240 detenções e 351 armas foram recolhidas pelas mesmas equipes.

Sobre o caso de Maria Eduarda, a PM acredita que, a princípio, está relacionado à guerra de gangues. A corporação informou ter prendido, ainda na noite de segunda, um suspeito de ter disparado contra a menina.

Por fim, a Polícia Militar destaca que a criminalidade não está relacionada somente à falta de polícia nas ruas. “Fatores como educação, renda, convívio familiar, legislação e, principalmente, altos índices de reincidência cooperam para que a insegurança aumente. A PMDF tem feito sua parte. Ressalta-se que cerca de 50% desses presos são soltos e boa parte voltam a delinquir”. O assassinato de Maria Eduarda será investigado pela 24ª DP (Setor O).

Site: https://www.metropoles.com

Indulto ou insulto?

  • O Globo
  • 13 May 2018
  • Ruth de Aquino é jornalista RUTH DE AQUINO

Quem há de aceitar como justa a saída de Suzane von Richthofen e Anna Carolina Jatobá, do presídio de Tremembé, no Dia das Mães?

É um indulto previsto em lei, por bom comportamento. Mas quem há de aceitar como justa essa saidinha de cinco dias do presídio? Impossível sentir compaixão pelas duas

Uma foi condenada a 39 anos pelo assassinato dos pais em 2002. A outra foi condenada a 26 anos e oito meses por matar a enteada em 2008. Dois crimes bárbaros ocorridos em São Paulo. O domingo materno será de festa para ambas.

Ninguém esquece que Suzane von Richthofen fingiu chorar com o luto após abrir a porta de casa para que o namorado e o irmão dele matassem a marretadas seu pai e sua mãe. Ninguém esquece que Anna Carolina Jatobá foi condenada por jogar do sexto andar uma menininha de 5 anos, Isabella Nardoni, com a cumplicidade do marido e pai da garota.

Suzane e Jatobá estão em liberdade para comemorar o Dia das Mães. É um indulto previsto em lei, por bom comportamento. Mas quem há de aceitar como justa essa saidinha de cinco dias do presídio de Tremembé, até terça-feira? Impossível sentir compaixão pelas duas mulheres. É justiça ou descompasso moral soltar ambas no Dia das Mães? O benefício é justo ou deslocado? Indulto ou insulto?

Curioso o sorriso de Suzane para as câmeras quando está fora das grades. Quase como se a celebridade negativa a divertisse. Matou a mãe por motivo fútil, porque não aceitava seu namoro. Rica, tinha vida confortável. Contratou os rapazes para sujar as mãos por ela. Órfã por matricídio, vai festejar o Dia das Mães ao lado do noivo, um empresário de Angatuba (SP). Tenta cumprir o resto da pena em liberdade, mas seu pedido não foi analisado.

Anna Carolina Jatobá nunca foi de sorrir. Inventou com o marido Alexandre Nardoni, na época, uma história fantasiosa para a morte de Isabella. O casal foi desmascarado por pistas do carro à janela, embora continue a se dizer inocente. Anna Carolina Jatobá vai comemorar o domingo com os dois filhos. A mãe de Isabella, que também se chama Ana Carolina, vai comemorar com o filho de 1 ano e dez meses. Seu senso de justiça é outro. “Uma pessoa que comete um crime desses deveria ficar presa o resto da vida dela”, disse em março, dez anos após o assassinato. Ela encontrou a filha ainda viva, estirada no jardim.

Como a Justiça deve agir diante de assassinatos torpes assim? “O sistema penal e prisional é uma criação humana para substituir o desejo de vingança”, diz a juíza Andrea Pachá. A pena de prisão não deveria ser apenas punitiva, mas sim aprimorada para garantir aos condenados uma chance de ressocialização. A progressão de pena e o indulto têm essa função. Mas, sempre que a lei se dissocia dos sentimentos morais, a sensação de injustiça vem à tona.

“Como magistrada, o que me inquieta é não conseguir explicar com clareza para a sociedade a razão de ser de determinadas normas”, afirma Andrea Pachá. “Devemos nos preocupar com a aplicação da lei, mas devemos nos preocupar com a importância simbólica que a lei representa. Nesse contexto, os indultos — previsões importantes da afirmação da civilidade e da humanidade — poderiam muito bem se desvincular de datas sensíveis e cheias de significado para todos nós”.

Em outras palavras, Suzane e Jatobá talvez devessem passar o Dia das Mães na cadeia, para refletir sobre o significado da maternidade. Assim, não despertariam a ira da sociedade, que as enxerga como bruxas.​

Homem que atacou corretora na Asa Sul vai a júri popular


Thiago Dantas Tizon de Oliveira será julgado pelo júri popular por tentativa de homicídio duplamente qualificado cometida contra uma corretora de imóveis em novembro de 2017. O julgamento ainda não tem data marcada.

“Tendo a instrução processual revelado indícios de autoria por parte do acusado, inclusive no que se refere à qualificadora do motivo fútil e do recurso que dificultou a defesa da vítima, confirmando em tese o que restou apurado na fase inquisitiva, e estando comprovada a materialidade do crime, impõe-se seja o caso submetido ao júri popular desta circunscrição”, decidiu o juiz do Tribunal do Júri de Brasília, Evandro Moreira da Silva.

Memória
A vítima contou que o homem a atacou dentro de um apartamento na 412 Sul. Segundo o depoimento, Tizon se passou por um cliente interessado em um imóvel. Ela relatou que pressentiu “algo ruim”. “Ele disse que queria mostrar o apartamento para a noiva e pediu 20 minutos até que ela chegasse. Depois, contou que ela não conseguiria vir e pediu para tirar umas fotos do imóvel”, completou.
Desconfiada, a corretora deixou a porta entreaberta e manteve contato visual com o homem durante toda a visita: “Mas, no único momento que me virei de costas, para abrir a persiana da sala, fui surpreendida com dois golpes de martelo na cabeça”.

Machucada, assustada e ainda em pânico, a corretora afirmou que sentiu a primeira martelada na lateral de sua cabeça. Em seguida, teria recebido mais cinco golpes na cabeça e um no braço, quando ela tentava se defender de alguma forma.

Depois de agredi-la, teria tido que “a mataria de qualquer jeito”. Segundo a mulher, a frase foi dita repetidas vezes, enquanto o algoz a martelava na cabeça e rasgava suas roupas.

Versão do autor
Thiago Tizon contou na delegacia que não sabia o motivo pelo qual atacou a corretora com um martelo. Afirmou que costumava carregar a ferramenta porque também trabalha como corretor e a usa para pregar faixas pela cidade. O autor explicou que procurava um apartamento para comprar e se interessou pelo imóvel anunciado.

Disse que chegou a chamar a namorada para participar da visita ao imóvel, mas ela não apareceu. Thiago relatou ter pedido permissão para tirar algumas fotografias do apartamento, para mostrar à parceira, mas, inesperadamente, “decidi agredir” a corretora. Ele negou para os policiais que teria tentado estuprá-la: “As roupas se rasgaram quando tentei segurá-la”.

Site: www.metrópoles.com

Justiça condena homem que matou professora Márcia Lopes em 2014

O corpo foi encontrado carbonizado em 1º de abril de 2014, próximo à GO-118. O acusado, Luiz Carlos Coelho Penna Teixeira, namorava a vítima

O crime aconteceu em 9 de março de 2014, após uma discussão entre o casal

O acusado de matar a professora Márcia Regina Lopes, há quatro anos, foi condenado pelo Tribunal do Júri de Brasília na última segunda-feira (2/4) a 30 anos e 9 meses de prisão em regime inicial fechado. Luiz Carlos Coelho Penna Teixeira, então namorado da vítima, respondeu por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Em aproximadamente 13 horas de julgamento, o júri aceitou as qualificadoras do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) – motivo fútil, emprego de meio cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Luiz Carlos assassinou a mulher após uma discussão, por meio de golpes com um extintor de incêndio.

Luiz Carlos responde na Justiça por crimes como lesão corporal; violência doméstica; ameaça de morte; dano ao patrimônio; e injúria no histórico criminal. Ele chegou a causar um incêndio na casa de uma ex-namorada.

O crime ocorreu em 9 de março de 2014, quando Márcia foi jogada do carro e teve o corpo incendiado. O cadáver carbonizado foi encontrado apenas em 1º de abril daquele ano, em uma estrada de terra na GO-118.

Márcia entra no elevador com o namorado, em 9 de março. Ela parece conversar normalmente com Luiz Carlos. Mais tarde, ele volta ao imóvel e troca de roupa(foto: Reprodução)
Vídeos mostraram últimas imagens de Márcia

Imagens de câmeras de segurança do circuito interno do edifício mostraram os últimos momentos da mulher de 56 anos, horas antes do assassinato brutal. Márcia Regina Lopes desceu pelo elevador do prédio em Águas Claras, onde morava, acompanhada do namorado e algoz. O vídeo é de 9 de março de 2014, dia do desaparecimento de Márcia Regina.

No vídeo, vestida de preto e calça bege, Márcia parece conversar normalmente com o companheiro, que usa camiseta verde. Os dois saíram do prédio e foram para um restaurante no Guará 1, onde almoçaram. Mais tarde, o agente de vendas volta sozinho ao imóvel, como apontado em outra gravação. Ele troca de roupa — veste camisa branca estampada e bermuda azul — e, descalço, passa pela portaria.

Irmão reconheceu anel da vítima

Um laudo do Instituto de Medicina Legal (IML) foi o confirmou que o cadáver localizado em um matagal de Planaltina de Goiás era o da professora. O corpo estava em estado de decomposição em uma estrada de terra. Pelo estado não foi possível a família realizar o reconhecimento do corpo. Porém o irmão deu como certo que o corpo era de Márcia Regina Lopes. “Estava com um anel que temos certeza que ela usava”, apontou.