Homem é preso por estuprar primos de 5 anos e filmar os abusos

O acusado, de 22 anos, foi preso em Ceilândia. Segundo a polícia, ele estuprou as crianças por reiteradas vezes

Márcia Delgado
MÁRCIA DELGADO
11/08/2017 12:24 , ATUALIZADO EM 11/08/2017 13:26

Policiais da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) prenderam, nesta sexta-feira (11/8), um homem acusado de estuprar os dois primos, de 5 anos, e filmar as cenas de sexo explícito envolvendo as duas crianças. A ação ocorreu em Ceilândia.
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L.J.C.S., 22, foi encarcerado por determinação da Justiça, que decretou a sua prisão preventiva. A polícia indiciou o rapaz por estupro de vulnerável.
De acordo com a apuração da DPCA, L.J.C.S. abusou sexualmente das crianças por reiteradas vezes e filmou os atos libidinosos. Por isso, responderá pelo crime de filmagem de cena de sexo explícito envolvendo menores, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Na mesma ação, os policiais civis cumpriram mandados de busca e apreensão em três endereços vinculados ao autor. Foram apreendidos celulares e computador, dispositivos eletrônicos depositários de pornografia infantil. Além disso, os agentes encontraram brinquedos infantis, pertencentes ao indiciado, que estavam, inclusive, no armário pessoal do local de trabalho do autor. Após os procedimentos legais, L.J.C.S. foi recolhido ao cárcere da Polícia Civil do Distrito Federal.
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Nos 11 anos da Maria da Penha, DF tem dia violento para as mulheres

Instituto lança relógio que registra o número de casos de abuso em todo o país. A cada 2 segundos, uma pessoa do sexo feminino é agredida

Larissa Rodrigues
LARISSA RODRIGUES
07/08/2017 18:34 , ATUALIZADO EM 08/08/2017 10:48

Este 7 de agosto marca os 11 anos da Lei Maria da Penha, criada para coibir a violência doméstica contra o sexo feminino. Mas o Distrito Federal tem pouco a comemorar. Entre o fim da tarde de domingo (6/8) e a madrugada desta segunda (7), foram registradas ao menos cinco agressões a mulheres na capital da República.

Os dados divulgados pela Polícia Militar do DF incluem-se nas estatísticas do Instituto Maria da Penha: a cada dois segundos, uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil. O número consta na ferramenta virtual lançada nesta segunda (7), o Relógio da Violência. Entre a 0h de hoje e as 17h55, foram contabilizados 32,6 mil casos. Segundo o instituto, o Brasil é o quinto país mais violento do mundo para as mulheres. A organização pede que a população compartilhe o relógio com a hashtag #TáNaHoraDeParar.

“A informação é uma grande aliada das mulheres quando o assunto é violência doméstica e familiar. É preciso conhecer as diversas formas de agressão e promover o acesso à Lei Maria da Penha em larga escala”, diz a nota assinada por Maria da Penha Maia Fernandes, a farmacêutica cearense que se tornou marco na luta contra os abusos.

Problema estrutural
O relógio começou a funcionar há poucas horas e não contabilizou casos como os registrados na Cidade Estrutural no fim da tarde de domingo (6). Em um deles, um homem chegou em casa bêbado, ameaçou bater na esposa, quebrou a geladeira com um martelo e foi preso em flagrante.
Site: Metropoles

Em seis anos, denúncias de racismo cresceram mais de 1000% no DF

Número é do Ministério Público do DF, que lança livro sobre o tema e alerta para a necessidade de as vítimas registrarem a agressão e não se calarem

Paula Pires – Especial para o Correio , Julia Campos – Especial para o Correio

09/06/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press. Brasil. Brasília - DF. Vitimas de racismo. Carolina Saraiva no Venâncio Shopping.

09/06/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press. Brasil. Brasília – DF. Vitimas de racismo. Carolina Saraiva no Venâncio Shopping.

Carolina Saraiva foi xingada várias vezes por causa da cor da pele

“Meu apelido de infância era ‘picolé de kichute’. Na escola, me chamavam de ‘Carolina Saravá’, em referência à religião praticada pela minha família. Além de neguinha, umbandista e macaca”, diz a psicóloga Carolina Saraiva, 34 anos. Ela faz parte de uma parcela da população que sofre preconceito diariamente por causa da cor da pele. Hoje, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPFT) lança um livro que reúne acusações de racismo no Distrito Federal nos últimos 10 anos. Apenas entre 2010 e 2016, o número de denúncias aumentou 1.190% na capital. Centenas de pessoas foram vítimas da intolerância e da falta de respeito de outros seres humanos, cidadãos que não souberam exercer a cidadania e se acharam no direito de ofender alguém.

Racismo: pesquisadores acreditam que vítimas têm denunciado mais
Apesar de tudo que passou, é com voz tranquila e pausada que Carolina conta em detalhes todas as agressões verbais que já ouviu ao longo da vida. Ela garante que tudo isso não gerou revolta nem trauma. Na adolescência, era a única negra da turma em uma escola de padres. “Para ser respeitada, tornei-me a melhor aluna da sala. Eu era aquela garota que ganhava sempre menção honrosa.” Mesmo sendo uma estudante que ocupava lugar de destaque, ela não era convidada para participar de grupos de estudo porque os colegas achavam que poderia sujar o papel com a cor preta.

10/09/2014. Crédito: Carlos Moura/CB/D.A Press. Brasil. Brasília - DF. Promotor Thiago Pierobom, do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação - NED.

10/09/2014. Crédito: Carlos Moura/CB/D.A Press. Brasil. Brasília – DF. Promotor Thiago Pierobom, do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação – NED.

Thiago Pierobom: racismo sempre existiu, mas poucos reconhecem
Nos últimos quatro anos, o promotor e coordenador do estudo Thiago Pierobom esteve à frente do Núcleo de Enfrentamento à Discriminação. Durante esse tempo, o que mais chamou a atenção do promotor foi a quantidade de crimes raciais. “Quando não se atua de forma especializada nesse assunto não conseguimos ter a dimensão do que é verdadeiramente a realidade dessas pessoas. Só quando vemos a mesa com pilhas de processos é que passamos ter essa sensibilidade de enxergar melhor e compreender que as ofensas não são sentimentos normais dentro de uma briga. É necessária a atuação jurídica”, admite.

Recentemente, Carolina passou por uma situação de discussão com o ex-marido que não costuma ser nada comum. Inclusive, demonstra um pouco de aflição ao remexer nesse passado que, segundo ela, dá embrulho no estômago. “Já havia me separado dele quando esse homem bateu à porta lá de casa com várias bananas na mão. Ele começou a gritar e encharcou o piso de água, jogando as frutas no chão. Depois, pisoteou tudo e começou a me xingar de ‘macaca’ e ‘nega’” , relatou. A psicóloga enfrentou a situação com um celular na mão na tentativa de gravar tudo, mas o homem quebrou o aparelho. Carolina deu queixa na delegacia por ofensa racial, mas não havia testemunha no momento da agressão para poder provar.

09/06/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press. Brasil. Brasília - DF. Vitimas de racismo. Camila Rodrigues em Águas Claras.

09/06/2017. Crédito: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press. Brasil. Brasília – DF. Vitimas de racismo. Camila Rodrigues em Águas Claras.

Camila Rodrigues trabalhava como frentista quando foi agredida

Pesquisa

A pesquisa aponta que 34,7% das ocorrências acontecem no ambiente de trabalho. Camila Rodrigues, 28, vivenciou esse tipo de situação há três anos. Ao relembrar do episódio, ela segura as duas mãos com força e respira fundo. É algo que a incomoda até hoje. “Eu trabalhava como frentista em um posto de gasolina, em Águas Claras, quando um motorista de caminhão parou para encher o tanque. Do nada, ele começou a me xingar de ‘neguinha’, ‘vagabunda’. Fiquei constrangida com toda aquela situação, sem reação e perdi a voz. O único movimento que fiz foi caminhar em direção ao banheiro para me distanciar daquele homem que, por sinal, também é negro. Ele ainda me chamou de ‘macaca’, lembra. A reação de Camila foi como a da maioria das vítimas: se calar diante das ofensas. Mas ela também aproveitou para responder posteriormente da forma mais digna e justa. Camila registrou uma ocorrência na 21ª Delegacia Policial (Taguatinga Sul). O caso está na Justiça e o agressor responde por ofensa racial, agressão verbal e ameaça. “Tive que revê-lo duas vezes em audiências. Ele assumiu tudo o que fez e o seu advogado pediu acordo. Eu não aceitei. Quero que ele sinta na pele o peso das agressões que fez contra mim. A justiça saberá puni-lo”, declara.

Thiago Pierobom explica que os acordos processuais são algo positivo, pois impedem que os agressores pratiquem mais delitos como aqueles ou mais graves. Porém, o mais importante é eles terem sempre a certeza de que vão responder pelo que fizeram. “Os acordos também são as respostas mais rápidas da justiça, pois são dadas penas alternativas. Mas os réus não gostam de fazer acordos porque se sentem punidos”, explica.
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