Pesquisa contra a pobreza leva Nobel de Economia

Prêmio é concedido a Esther Duflo, Abhijit Banerjee e Michael Kremer, por seus estudos para melhorar políticas públicas e educação da população carente. Franco-americana é segunda mulher a ganhar a honraria, além de ser a mais jovem


Uma abordagem experimental para combater a pobreza garantiu o Nobel de Economia ao trio formado pelo indiano naturalizado americano Abhijit Banerjee, o americano Michael Kremer e a franco-americana Esther Duflo. Ao anunciar o prêmio ontem em Estocolmo, o comitê do Nobel destacou que as pesquisas do trio “melhoraram consideravelmente a capacidade de combater a pobreza global” com novas e melhores abordagens que permitem, por exemplo, ações mais eficazes para melhorar a saúde infantil e o desempenho escolar.

Eles usam uma metodologia experimental, elogiada por pesquisadores brasileiros da área de desigualdade. Em meados de 1990, o grupo testou uma série de intervenções que melhoraram resultados escolares no Quênia. Na Índia, mais de cinco milhões de crianças foram beneficiadas por programas de aulas de reforço desenvolvidos com base em seus estudos.

O trio faz experimentos aleatórios de campo para estudar os efeitos da extrema pobreza, buscando entender as melhores formas de evitála. Tradicionalmente, essas pesquisas eram feitas com base em observação, sema ação do investigador.

— Nosso objetivoéasseg ur arque oc om bateà pobrezas e baseie em provas científicas— disse Esther em teleconferência, ao comentar o prêmio. — Os pobres muitas vezes são reduzidos a caricaturas, e com frequência até as pessoas que tentam ajudar não entendem a origem do problema.

Professora de economia do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Esther é a segunda mulher a vencer o Nobel de Economia, depois de Elinor Ostro, em 2009. Aos 46 anos, ela também é a pessoa mais jovem a receber o prêmio. Esther, que em 2010 ganhou a medalha John Bates Clark, é casada com Banerjee.

‘DIAGNÓSTICO PRECISO’

Banerjee também é professor do MIT, enquanto Kremer atua na Universidade de Harvard. Os três vão dividir o prêmio, de US$ 915 mil.

Nos estudos do trio, a fim de verificar a eficácia de uma política pública, a população é dividida em grupos. Essa divisão, no entanto, é feita de forma randômica, a fim de que a avaliação seja feita com diferentes tipos de indivíduos, sem um viés —algo comum na indústria farmacêutica, por exemplo.

—A adaptação dessa metodologia para a economia é muito complexa. É um trabalho muito bem feito para analisar a pobreza, identificando onde eram eficazes certas intervenções do governo, como em saúde, educação e microcrédito —destaca Aloisio Araujo, professor da FGV.

Na Índia, Banerjee, Esther e Kremer comandaram um experimento para verificara melhor maneira dede vacinar a população. Eles usaram um centro móvel de profissionais de saúde, que ia até as pessoas. Com isso, a cobertura de vacinação aumentou de 6% para 18%. Em algumas áreas, era oferecido um saco de lentilhas para as famílias que vacinassem seus filhos. Nesse grupo, a taxa subiu para 39%.

Em outro estudo, o grupo mostrou que os mais pobres são extremamente sensíveis a preços nos cuidados de saúde preventivos. Na Índia, se uma pílula contra vermes for gratuita, 75% dos pais vão usá-la em seus filhos. Se ela tiver um preço, ainda que seja inferior a US$ 1, a taxa cai a 18%.

— Ter o diagnóstico preciso do comportamento das pessoas é necessário para o desenho de boas políticas sociais. Para eles, a identificação de impactos deve ser robusta, daí defenderem de forma tão insistente o uso de avaliações aleatorizadas — afirma Luis Henrique da Silva Paiva, cientista social do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Sergei Soares, também do Ipea, admite que essa metodologia é pouco explorada no Brasil, em parte pelo custo:

—São dificuldades de recursos e de procedimentos. Às vezes, é difícil levar uma pesquisa assim adiante, pois existem limitações técnicas mais fortes. Qualquer coisa feita com pessoas no Brasil tem que passar por uma comissão de ética.

*Com agências internacionais

Fonte: https://www.globo.com/

Volta das chuvas é ameaça para moradores de 41 áreas de risco no DF

Chuvas na capital serão mais frequentes a partir da próxima semana. Com elas, estão previstos transtornos como inundações e desabamentos. Órgãos locais se preparam para atender às ocorrências
O empresário Edimar Gonçalvez presencia enchentes nas tesourinhas da 110 Norte há, pelo menos, oito anos

Com a chegada do período chuvoso na segunda quinzena deste mês, a população do Distrito Federal precisa tomar cuidados em áreas de risco e em locais com histórico de enchentes. Apesar de o aumento das chuvas não ser uma surpresa, o subsecretário da Defesa Civil, da Secretaria de Segurança Pública do DF, coronel Sérgio Bezerra, reconhece que problemas vão ocorrer.

“Acontece alagamento, inundações, desabamentos e escorregamento de encosta. Isso é certo. Quando vai acontecer, não sabemos. Mas vai ocorrer, porque houve uma ocupação desordenada, em locais de declive, sem sistema de drenagem. Casas foram construídas em cima de redes de esgoto. Tudo isso é indicativo de problema. Não tem como fugir dessa realidade.”

Conforme o último mapeamento da Secretaria de Segurança Pública, de 2018, Brasília tem 41 áreas de risco em 19 regiões administrativas. Nelas, 5.367 residências vulneráveis foram mapeadas.

Ainda de acordo com a pasta, as remoções de moradores ocorrem em ocasiões de “risco iminente de acidente ou desastre”. A maioria das pessoas, segundo a pasta, vai para a casa de familiares. A Defesa Civil conta com barracas que podem abrigar até 40 famílias. Outras opções são o abrigo público de Taguatinga e o aluguel social para pessoas prejudicadas pelas chuvas oferecido pela Secretaria de Desenvolvimento Social.

Plano de contigência

Segundo o subsecretário coronel Bezerra, o governo está mobilizado para atender a prováveis ocorrências. O plano de contingência inclui órgãos como as administrações regionais, a Companhia Energética de Brasília (CEB), a Companhia de Saneamento Ambiental (Caesb), a Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) e a Secretaria de Obras. A ideia é mobilizar recursos humanos e materiais, de maneira articulada, para minimizar os danos.

A Secretaria de Obras informa que, em parceria com a Novacap, adota medidas preventivas, como a limpeza e manutenção das bocas de lobo. Até o momento, mais de 99 mil operações de limpeza de bocas de lobo foram feitas em 2019, segundo a pasta.

Tesourinhas

Em relação aos constantes alagamentos das tesourinhas no Plano Piloto, em especial na Asa Norte, o governo informou que, por falta de recursos financeiros para obras de drenagem, está investindo em medidas paliativas, como a abertura de novas bocas de lobo, a limpeza das existentes, a instalação de meios-fios vazados, a melhoria das curvas de nível e o rebaixamento dos gramados.

Dono de um pet shop na 110 Norte, Edimar Gonçalvez, 49 anos, vive os transtornos das chuvas nas tesourinhas das Quadras 110 e 210 todos os anos. “É só chover, e a gente não passa. Ninguém aguenta. Uma vez, meu carro quase ficou submerso. Ainda bem que eu consegui sair logo. Quando a água vem, você a encontra logo de frente. Teve carro que já ficou boiando. Eu acho que é uma das piores tesourinhas que tem [a da 110 Norte].”

Antonio Brito, 51, gerente de uma padaria na 202 Sul, se recorda da vez em que a chuva trouxe prejuízos ao comércio onde trabalha, em função das tesourinhas nas proximidades e das bocas de lobo sujas. “Alagou a produção. Até freezer ficou boiando lá embaixo (da padaria). Depois disso, tomamos outras providências. Subimos mais a ventilação para a água não descer por ela. Ainda assim, ficamos com medo. Se der uma chuva bem forte mesmo, a tesourinha não dá conta de escoar a água”, conta.

O professor do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da Universidade de Brasília (UnB) Sergio Koide alerta para a importância de obras de grande porte. “Houve algumas melhorias, mas se cair uma chuva forte, o que foi feito não vai ser suficiente. Então, a gente continua tendo problema nos mesmos lugares dos anos anteriores.”

O pesquisador ressalta que as quadras 700 e 900 do Plano Piloto foram muito urbanizadas nos últimos anos e que grandes serviços de drenagem não foram feitos. “As obras ainda são quase da época da construção de Brasília. Foram projetadas com parâmetros da época, hoje insuficientes”, diz.

O que fazer
A Defesa Civil orienta que, ao perceber que as edificações podem ser afetadas, as pessoas devem sair imediatamente e avisar o Corpo de Bombeiros, pelo telefone 193, e a Defesa Civil, pelo telefone 199. Também é importante enviar, por mensagem, o CEP do local onde mora para o telefone 40199 para que seja possível receber alertas de chuvas.

Locais mais vulneráveis

Territórios considerados de risco pela Secretaria de Segurança do DF:

  • Com declive acentuado
  • Próximos a córregos e demais cursos d’água
  • Sem sistemas de drenagem de águas pluviais (ou com sistemas precários)
  • Sem saneamento básico
  • Com edificações frágeis
  • Com invasões ou ocupações em áreas de proteção ambiental
  • Com acúmulo de resíduos sólidos (entulho e restos de obras) em locais inadequados

    Fonte: www.correiobraziliense.com.br

A volta de Bruno, o goleiro assassino

O goleiro Bruno foi condenado como mandante do assassinato de Eliza Samudio, mas agora está solto | Reprodução

É um escândalo ver Bruno de novo como profissional do futebol, nove anos após ser preso por homicídio triplamente qualificado. Por que triplo? Motivo torpe, crueldade e recurso que impede a vítima de se defender. Um crime pra lá de covarde. O feminicida confesso volta ao gramado seis anos e meio após ser condenado como mandante do crime. Sábado agora, lá estará no gol. Um gol contra as mulheres esfaqueadas, queimadas, estranguladas, esquartejadas, jogadas da janela, atropeladas, baleadas por maridos, namorados, amantes e ex. Foi premeditado o crime de Eliza Samudio, mãe de Bruninho, o bebê de 4 meses que Bruno se recusava a reconhecer como seu.
O Brasil tem memória curta. É o país da impunidade, um clichê. Firulas legais são usadas para libertar culpados por crimes hediondos. A incompetência e a lerdeza da Justiça beneficiam assassinos e punem vítimas. É legal que Bruno esteja em casa, em regime semiaberto, contratado pelo Poços de Caldas, um time da terceira divisão? Sim, de acordo com a lei brasileira. Preso há nove anos, ainda sem julgamento em segunda instância, Bruno tem direito a estar solto para recorrer da sentença. Ajudado pelas falhas da Justiça. É legal mas imoral.

A pena inicial foi de 22 anos e três meses. Deveria ser 30 anos, mas foi amenizada pela confissão do jogador. Depois, foi reduzida para 20 anos e nove meses porque prescreveu o crime de ocultação de cadáver. O corpo de Eliza nunca foi encontrado, o atestado de óbito só foi sacramentado em 2017! Uma versão de terror, nunca comprovada, é a de que Eliza teria sido esquartejada e suas partes jogadas a cães.
Assassinos que seguem o exemplo de Bruno somem com o cadáver. Confessam, deixam a arrogância de lado e passam a andar de cabeça baixa. Aí se comportam bem na cadeia, jogam uma peladinha no pátio, fazem amigos, começam a orar, arrumam uma noiva. Pronto. No Brasil, a segunda instância demora um tempão mesmo e sempre surgirá um ministro do Supremo, no caso Marco Aurélio Mello, que baterá o martelo por sua liberdade, baseado na letra da lei. Juízes e advogados se queixam da “mídia sensacionalista” e do “clamor popular” contra a regeneração do réu. Ah, ele é primário e tem bons antecedentes! Sim, as pessoas se recuperam. Mas não tão cedo. Aí o crime se banaliza, ser goleiro de novo vira prêmio. Não aceito punições brandas para crimes com requintes de perversidade. São um estímulo a outros feminicidas. É epidemia no Brasil.

Lembremos o caso tenebroso. Eliza conheceu Bruno numa dessas orgias do mundo do futebol. A amante do jogador tinha 25 anos. Grávida, comprovou bofetões de Bruno. Disse que ele “enfiou uma arma na cabeça dela” para obrigá-la a abortar. Foi morta em junho de 2010, em Vespasiano, Minas Gerais, após ser levada à força do Rio de Janeiro para o sítio do goleiro em Esmeraldas (MG), onde foi mantida em cárcere privado. O bebê foi poupado, não se sabe se por sorte ou compaixão. Foi encontrado com desconhecidos numa favela em Ribeirão das Neves (MG).

No dia seguinte ao crime, Bruno deu um festão em seu sítio. Diante do sumiço de Eliza, deu entrevista no campo do Flamengo com a marra de sempre: “Torço para que ela possa aparecer viva”. Ria muito e ganhava R$ 300 mil por mês. O último encontro com Eliza tinha sido “há dois, três meses” e ela sumira “para resolver questões pessoais”. Tudo mentira. Cínico.

Bruninho hoje tem nove anos e vive com a avó, a quem pergunta, desde que soube de tudo no ano passado: “Por que meu pai quis me matar, se eu era um bebê?” Também viu um vídeo da mãe dizendo que Bruno a ameaçara de morte na gravidez. “Se eu te matar e te jogar em qualquer lugar, as pessoas nunca vão descobrir que fui eu. Sou frio e calculista.” Nisso ele estava certo. A juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues, de Belo Horizonte, considerou Bruno “frio, violento e dissimulado”. Para ela, o crime foi “uma trama diabólica meticulosamente calculada”. O maior exemplo foi o sumiço do corpo: “A supressão do corpo humano é a verdadeira violência, um ato de desprezo e vilipêndio”.

O goleiro assassino Bruno volta agora a agarrar, para alegria da galera. Vai enfrentar o Independente de Juruaia. O diretor da Kuati Loko, torcida organizada do Poços de Caldas FC, prometeu preparar um canto para o Bruno. “Gritos e cantos sempre tivemos. Vamos bolar algo”. Uma sugestão: “Torcida ida ida, xô feminicida”.
 
Eliza e Bruninho, filho do goleiro. O bebê de quatro meses foi poupado por sorte ou compaixão | Reprodução

Fonte: O Globo

Expo Liber: evento na UnB une direito, literatura e jornalismo

Projeto, que ocorre neste sábado (05/10/2019), quer integrar diversas áreas do conhecimento e celebrar os 31 anos da Constituição Federal.
A Universidade de Brasília (UnB) recebe, neste sábado (05/10/2019), a primeira edição da Expo Liber, organizada pelo Projeto de Extensão Habeas Liber, da Faculdade de Direito. O objetivo do evento é integrar os campos do direito às demais áreas de conhecimento, como a literatura e o jornalismo, em comemoração aos 31 anos da promulgação da Constituição Federal.

A programação será aberta às 9h pelo presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), desembargador Romão Cícero de Oliveira; e encerrada, às 16h30, pelo ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence.

Entre os palestrantes previstos, estão Ryan Maia, escritor mais jovem do Brasil; o ex-procurador federal Judivan Vieira; o magistrado Márcio Barbosa Maia, da Justiça Federal do DF; e Marcos Mairton, magistrado em Fortaleza (CE) e juiz instrutor no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

O evento, que ocorrerá na Faculdade de Direito, tem como coordenadores o professor e juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal do DF, e o estudante Ronaldo de Oliveira Melo.

Direito e jornalismo policial

A intersecção entre o jornalismo investigativo e o direito será tema abordado pelo presidente do Sindicato dos Escritores de Brasília, Marcos Linhares. Autor do livro Não Existe Crime Perfeito, o jornalista vai relembrar a cobertura de casos históricos que marcaram o Distrito Federal. A diretora-executiva do Metrópoles, Lilian Tahan, vai compor a mesa de conversas.

Além dos debates, o público terá acesso a apresentações musicais, exposição de curtas, de livros, sorteio, entre outros atrativos, como o lançamento do livro Corações Libertários, uma coletânea de autoria de estudantes e ex-alunos da UnB.

A Expo Liber conta com o patrocínio da Alumni, Associação dos Ex-alunos de Direito da UnB; do Sindicato dos Escritores do Distrito Federal e da Faculdade de Direito da UnB. No lugar, haverá a presença food trucks.

A participação é gratuita e os interessados podem se inscrever pelo formulário disponível em https://bit.ly/2oymNsB

Confira a programação:

9h
Abertura
Palestra Justiça e Cidadania – Romão Cícero de Oliveira (Presidente e desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios)

10h
Inauguração da Galeria/Quadro editorial dos professores da Faculdade de Direito (Parceria: Faculdade de Direito, Alumni e Habeas Liber)

10h15
Palestra A Corrupção no Mundo – Judivan Vieira (Pós-doutor em direito. Procurador Federal Aposentado)

11h15
Palestra Crime e Literatura: Não Existe Crime perfeito – Marcos Linhares (Jornalista, escritor, presidente do Sindicato dos Escritores do DF e coordenador-geral da 32ª Feira do Livro)

12h
Intervalo para almoço com música ambiente, artes, feira de livro e fast food

13h30
Painel I

Palestra Cinema e Literatura – Fauston da Silva (Cineasta, estudante de direito da UnB, produtor, roteirista e diretor de cinema)
Apresentação do Filme: O Balãozinho Azul

14h
Palestra: Literatura de Cordel: normas e formas – Marcos Mairton (Juiz federal, poeta e músico)

14h40
Sorteio de Rifa e Sorteio de Livros

15h
Painel II
Palestra: A Harmonia dos Direitos Humanos – Márcio Barbosa Maia (Juiz federal, músico, mestre em direito constitucional)
Ryan Maia (Escritor mirim, autor de obras infantis e literárias) – Apresentação de livro e bate-papo interativo
Apresentação Musical (Márcio Barbosa/Marcos Mairton)

15h50
Lançamento do livro Corações Libertários – Coletânea de autoria de estudantes e ex-estudantes da UnB

16h30
Palestra 31 anos da Constituição de 1988 – Sepúlveda Pertence (Ex-ministro e ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, e ex-procurador-geral da República, advogado e jurista)

Fonte: http://bit.ly/2nMhQwg

Polícia busca autor do 25º feminicídio do ano no Distrito Federal

Polícia busca por Wellington de Sousa Lopes, 37 anos, autor 25º feminicídio do ano. Ele assassinou a facadas a companheira, no Riacho Fundo 1
Mais dois casos de feminicídio foram registrados no Distrito Federal, contabilizando 25 mortes de mulheres em 2019, conforme levantamento do Correio. No domingo, Adriana Maria de Almeida, 29 anos, morreu após levar 32 facadas do marido, Wellington de Sousa Lopes, 37. Ele conseguiu fugir e não foi encontrado até o fechamento desta edição. Na manhã de ontem, Tatiana Luz da Costa, 35, morreu no Hospital Regional da Asa Norte (Hran). Ela teve 90% do corpo queimado em 23 de setembro. De acordo com a polícia, Vanessa Pereira de Souza, 34, companheira de Tatiana, é a principal suspeita de atear fogo.

Adriana e Wellington estavam juntos há sete anos e tinham uma filha de 5 anos. Atualmente, moravam em um apartamento, localizado no Conjunto 4 do Setor Placa da Mercedes, no Riacho Fundo 1. O casal havia saído no sábado e retornou de carro para casa. No início da manhã de domingo, entre 8h e 9h, eles discutiram, segundo o delegado Mauro Aguiar Machado, chefe da 29ª Delegacia de Polícia (Riacho Fundo 1).

“Testemunhas relataram que houve gritos e, pouco depois, um silêncio. Eles não chegaram a estranhar a situação, pois o casal costumava discutir. A maior parte das brigas eram por causa de ciúmes de Wellington. No domingo, não foi diferente. A quantidade de facadas que o autor deu em Adriana mostra o quão possesso de ódio ele estava”, destacou o investigador. A criança do casal estava com familiares no fim de semana.

Mauro Aguiar explicou que Wellington usou uma faca do tipo peixeira para atacar Adriana. Ela morreu na sala e a arma do crime ficou no banheiro da residência. Depois da tragédia, o motorista de transporte pirata pegou roupas e outros pertences pessoais, colocou em uma mala e fugiu. Uma câmera de segurança da região flagrou o instante em que o acusado coloca seus pertences no banco de trás do veículo dele, um Fiat Palio Fire Economy prata — placa JHZ3082.

Wellington deu a partida no automóvel e deixou a casa às 9h25. O corpo de Adriana só foi descoberto mais de 10 horas após o assassinato brutal. Familiares da vítima se preocuparam quando ela não atendeu às ligações ou respondeu às mensagens do WhatsApp. “Dois parentes vieram até a casa e escutaram o som ligado, alto. Eles bateram na porta e, como ninguém atendeu, chamaram um chaveiro. Ao abrir a porta da residência, se depararam com a mulher já morta”, explicou o delegado.

Agora, agentes da 29ª DP estão nas ruas para tentar chegar até Wellington. O investigador Mauro Aguiar pediu ajuda da população para elucidar o caso. Quaisquer informações podem ser repassadas anonimamente pelo 197. “Não resta dúvidas de que o marido de Adriana é o autor. As imagens, relatos de conhecidos, assim como o histórico do relacionamento, indicam Wellington como suspeito”, garantiu.

De acordo com a Polícia Civil, Adriana abriu dois boletins de ocorrência contra o marido, em 2015 e 2017, respectivamente. Os casos ocorreram na Área de Desenvolvimento Econômico de Águas Claras e em São Sebastião, respectivamente. Em ambos os relatos, a vítima afirmou ter sido agredida e ameaçada de morte por Wellington. Ela chegou a receber medidas protetivas, mas revogou o pedido na Justiça.

Queimada viva
Tatiana Luz da Costa morreu às 6h15 de ontem, após sofrer uma parada cardiorrespiratória. A informação foi confirmada pela Polícia Civil. Ela estava internada em estado gravíssimo no Hran, desde que foi atacada pela mulher, Vanessa Pereira. O caso ocorreu em 23 de setembro, no Residencial Total Ville, em Santa Maria.

A vítima foi socorrida pelos bombeiros em casa com 90% do corpo queimado. O incêndio começou no sofá da sala e não se estendeu para outros cômodos da residência, graças a ação da corporação. Vanessa também precisou ser internada no Hran, pois sofreu queimaduras em 40% do corpo. Ela está presa preventivamente, em um leito da unidade, com escolta policial.

Segundo o delegado Alberto Rodrigues, chefe da 33ª DP (Santa Maria), com a morte de Tatiana, o caso evoluiu para feminicídio. “Quando ela deu os primeiros esclarecimentos, alegou que o incêndio foi acidental. Mas ela já havia mandado mensagens para a vítima, afirmando que iria matá-la queimada”, explicou o investigador.

Onde procurar ajuda
Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência — Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República

Telefone: 180 (disque-denúncia)

Centro de Atendimento à Mulher (Ceam)

» De segunda a sexta-feira, das 8h às 18h
» Locais: 102 Sul (Estação do Metrô), Ceilândia, Planaltina

Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam)

» Entrequadra 204/205 Sul – Asa Sul
(61) 3207-6172

Disque 100 — Ministério dos Direitos Humanos

Telefone: 100

Programa de Prevenção à Violência Doméstica (Provid) da Polícia Militar

Telefones: (61) 3910-1349 / (61) 3910-1350

Fonte: www.correiobraziliense.com.br

Gêmeas siamesas separadas no DF dão primeiros passos sozinhas

Mãe das meninas gravou momento familiar em que as duas mostram desenvoltura para percorrer pequenas distâncias sem perder o equilíbrio.

Cinco meses depois da cirurgia na qual foram separadas, as gêmeas siamesas brasilienses Mel e Lis estão dando os primeiros passos sozinhas. Na última sexta-feira (27/09/2019), a mãe das meninas, Camilla Vieira Neves, 25 anos, gravou vídeos caseiros em que elas mostram autonomia para percorrer pequenas distâncias sem precisar de auxílio para manter o equilíbrio.

Além dos familiares, a equipe médica que realizou a separação das gêmeas craniópagos comemorou o progresso no desenvolvimento das meninas. “Significa que a recuperação delas está indo muito bem e que devem cumprir nossa expectativa de que não apresentem sequelas”, informou o neurocirurgião Benício Oton de Lima, que comandou a equipe que fez a separação das gêmeas. O procedimento, de alta complexidade e inédito no país, foi realizado em 27 de abril de 2019 no Hospital da Criança de Brasília.

Mel e Lis, que nasceram unidas pela parte da frente da cabeça, completam um ano e quatro meses na terça-feira (01/10/2019). As duas continuam a cumprir uma rotina de cuidados no Hospital da Criança. As meninas frequentam a unidade médica duas vezes por semana para sessões de fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional.

O médico Benício Oton de Lima lembra que, antes da cirurgia, elas tentavam engatinhar e não conseguiam justamente por conta da condição em que nasceram. “O desenvolvimento motor delas está compatível com crianças da mesma faixa etária, isso nos deixa muito esperançosos”, afirmou

A nova etapa emocionou a mãe das meninas. “Eu sempre sonhei com o dia em que elas seriam crianças normais. Vê-las andando sozinhas foi muito especial”, afirmou Camilla.

Fonte: metropoles.com