Caso Eliza Samudio: Justiça em MG concede liberdade condicional a Macarrão

Luiz Henrique Ferreira Romão cumpre prisão em regime aberto em Pará de Minas desde março deste ano. Com progressão da pena, condenado por crime ocorrido em 2010 vai passar a contar com novos benefícios no cumprimento da sentença.

Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, vai passar a cumprir a pena pela morte da modelo Eliza Samudio em liberdade condicional. A decisão foi assinada na terça-feira (2) pelo juiz Antônio Fortes de Pádua Neto, da comarca de Pará de Minas, e divulgada no início da tarde desta quinta-feira (4) pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).

Condenado a 15 anos de prisão em 2012 pelo crime ocorrido em 2010, Macarrão deixou o Complexo Penitenciário Doutor Pio Canedo, em Pará de Minas, em março deste ano para continuar a cumprir a pena em regime aberto. Até então, ele estava no semiaberto e a Justiça alegou que a pena seria cumprida domiciliarmente porque não havia albergue para essa finalidade no município.

Com a liberdade condicional, Macarrão deverá permanecer em casa das 22h às 6h, exceto em casos que a Justiça aceitar como exceção. No regime aberto, ele precisava voltar para casa mais cedo, às 19h. Se descumprir os requisitos exigidos pela Justiça, pode voltar para o regime fechado.

Quando foi para regime aberto, Macarrão trabalhava em uma igreja evangélica e fazia curso profissionalizante — Foto: Reprodução/TV Integração

Para que a progressão da pena passe a valer, ainda é necessária a realização de uma audiência para assinatura de acordo sobre os termos da condicional. A audiência está marcada para 31 de outubro.

A progressão da pena de Luiz Henrique Ferreira Romão foi anunciada junto com a progressão de pena obtida pelo ex-goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, que, a partir de 13 de outubro, pode passar do regime fechado para o semiaberto.

Eliza Samudio foi morta em 2010 e o corpo ainda não foi encontrado — Foto: Reprodução/GloboNews

Condenação
Macarrão foi condenado em novembro de 2012 a 15 anos de prisão em regime fechado por homicídio triplamente qualificado – motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, a modelo Eliza Samudio – e mais três anos em regime aberto por sequestro e cárcere privado.

A Justiça considerou que ele agiu junto com o goleiro Bruno Fernandes, com quem Eliza Samudio teve um filho. Na época, o jogador era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade. O jogador foi condenado pelo crime em março de 2013.

Em 2016, Macarrão conseguiu progressão da pena para o regime semiaberto e, como a penitenciária onde estava, a Nelson Hungria, em Contagem, só aceitava o fechado, a defesa pediu a transferência de Macarrão para uma cidade do interior de Minas. Na época, foi alegado que ele tinha parentes em Pará de Minas.

Em 1º de março deste ano, a Justiça concedeu progressão da pena de Luiz Henrique para o regime aberto, com cumprimento em casa.


Macarrão (dir.), ao lado do ex-goleiro Bruno durante júri em 2012: ele foi condenado por homicídio triplamente qualificado — Foto: Vagner Antonio/Tribunal de Justiça de Minas Gerais

Benefícios
Em nota, o TJMG informou que o juiz Antônio Fortes de Pádua Neto concedeu liberdade condicional a Macarrão embasado em parecer do Ministério Público e considerou que ele cumpriu todos os requisitos exigidos para uma pessoa que cumpra pena no regime aberto.

Para manter o benefício, Macarrão precisa comprovar que tem uma ocupação lícita em 30 dias, comparecer mensalmente em juízo para provar residência fixa e permanência em ocupação lícita, não mudar de residência nem se ausentar da comarca sem prévia autorização judicial e estar em casa entre 22h e 6h, exceto se for comprovado que está em atividade lícita.

Com a progressão da pena, Luiz Henrique Ferreira Romão não poderá frequentar bares, boates, casas de prostituição e locais de reputação considera duvidosa pela Justiça.

Site: https://g1.globo.com

 

Polícia Civil apreende 250 microsselos de nova droga sintética no DF

O próprio traficante, de apenas 18 anos, afirmou desconhecer a verdadeira fórmula do entorpecente. Suspeita é que material venha da Europa

DIVULGAÇÃO/PCDF

A Polícia Civil do Distrito Federal descobriu uma nova droga sintética com efeitos alucinógenos. Um jovem de 18 anos foi preso com 250 microsselos do entorpecente. O flagrante ocorreu no Conic, área central de Brasília. As investigações apontam que o suspeito fazia a venda da droga por meio de um aplicativo de celular.

Inicialmente, os policiais da Coordenação de Repressão às Drogas (Cord) pensavam se tratava de LSD. Entretanto, os peritos do Instituto de Criminalística (IC) descobriram que era um novo entorpecente, recém-lançado nas ruas, cujo o nome ainda não foi divulgado pela corporação.

O próprio traficante também desconhecia a verdadeira fórmula da droga, que seria revendida por R$ 1,6 mil. “Se trata de uma droga nova que está sendo comercializada como LSD ou MDMA. Ela, inclusive, ainda não foi incluída na lista de entorpecentes do Ministério da Saúde”, disse o delegado Luiz Henrique Sampaio.

A polícia está atrás de quem está trazendo essa droga para o Brasil. Ha indícios de que ela seja produzida na Europa. “Os selos vêm por avião. É relativamente fácil transportar esse produto. Já os compridos podem vir até mesmo de navio. Cada selo é comercializado por R$ 15. Nas festas, pode ser vendido por até R$ 50”, explicou o delegado.

A pena para o tráfico de drogas é de 5 a 15 anos de prisão. Neste caso, como se trata de medicamento, a pena aumenta e vai de 10 a 15 anos. De acordo com o delegado, traficantes estão usando o artifício de alterar fórmulas de entorpecentes para fugir do enquadramento criminal.

Fonte: Metrópoles

Assédio no ônibus

Assédio no ônibus/metrô, agora é crime, e pode dar até cinco anos de prisão


Importunação sexual e divulgação de cenas de estupro agora são crimes. É o que prevê a Lei 13.718/18, sancionada nesta segunda-feira (24) pela Presidência da República.

O crime de importunação sexual é caracterizado pela realização de ato libidinoso na presença de alguém e sem sua anuência. O caso mais comum é o assédio sofrido por mulheres em meios de transporte coletivo, como ônibus e metrô. Antes, isso era considerado apenas uma contravenção penal, com pena de multa. Agora, quem praticá-lo poderá pegar de 1 a 5 anos de prisão.

Site: http://www2.camara.leg.br

‘Golpe do motoboy’ é o crime da moda para fraudar cartão de crédito


Atualmente, uma força-tarefa envolvendo policiais e promotores de justiça tenta levantar a origem desses ataques.

Há dois meses, a empresária Fátima Vilani recebeu uma ligação de seu banco sobre uma suposta compra realizada com cartão de crédito na cidade de Campinas (SP). Não reconheceu o pagamento e foi orientada pelo atendente a entrar em contato com a instituição financeira. Fátima ligou para o número localizado na parte de trás do cartão, ouviu a música de espera do banco, falou com um funcionário e aceitou a oferta de entregar o cartão ao motoboy para uma averiguação.

No dia seguinte, Fátima descobriu que a compra nunca aconteceu. Que não havia telefonado para o banco. Que o motoboy não levou o cartão para a investigação. E que o prejuízo disso tudo superava R$ 80 mil.

Ela caiu no ‘golpe do motoboy’, crime de engenharia social, como são chamados os casos de manipulação psicológica das vítimas por estelionatários. É o golpe da moda, segundo a Polícia Civil, o Ministério Público e os bancos – mas apenas um entre as diversas modalidades de fraudes que envolvem cartões de crédito.

“Hoje, o cartão de crédito é a principal porta de entrada para os casos de fraudes envolvendo nossos clientes”, afirma o superintende de prevenção a fraude do Itaú Unibanco, Ricardo Lima. O banco, recentemente, iniciou uma campanha justamente para alertar os clientes sobre o ‘golpe do motoboy’. Um vídeo disseminado pelo WhatsApp explica o crime e diz que o banco não solicita senhas e não pede cartões de seus clientes.

“Quem cai nesse golpe geralmente fica espantado com o nível de detalhamento dos bandidos. Eles têm informações sobre a vítima, após monitoramento de redes sociais, e geralmente desviam a linha de telefone no instante do golpe para que a ligação caia exatamente no número dos golpistas”, afirma o delegado José Mariano de Araújo Filho, titular da delegacia de crimes cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo.

“A pessoa com quem conversei possuía todo conhecimento do sistema de cartões. Era impossível perceber que se tratava de um golpe”, conta a empresária. “Fui parar no hospital. Eram R$ 84 mil. Não conseguia dormir”, conta. Fátima Vilani só recuperou o dinheiro 20 dias depois. A seguradora pagou uma parte do prejuízo e a agência, onde é cliente há 27 anos, assumiu a outra parcela.

Bancos de dados
Lima, do Itaú, lembra no entanto que golpes como o aplicado na empresária representam a minoria dos casos de fraudes do setor. “A gente fez esse vídeo para alertar as pessoas sobre a dinâmica desse golpe, mas os crimes de engenharia social são apenas 5% dos casos que captamos aqui na instituição”, diz.

O promotor de Justiça do MP-DF e presidente do Instituto Brasileiro de Direito Digital, Frederico Meinberg Ceroy, destaca que a maioria das fraudes tem origem nos roubos de banco de dados de empresas.

“Um vazamento de bancos de dados expõe dados de milhares de consumidores. Isso depois é vendido no mercado paralelo da internet e vai alimentar milhares de fraudes no e-commerce”, conta Ceroy.

Atualmente, uma força-tarefa envolvendo policiais e promotores de justiça tenta levantar a origem desses ataques. Uma das linhas de investigação trabalha com o envolvimento de colaboradores dentro de bancos, companhias telefônicas e centros de processamento de dados de varejistas que facilitariam o acesso a informações por parte de estelionatários.

“Existem ainda bancos de dados que são frágeis e os hackers invadem sem muita dificuldade”, diz uma fonte do setor, em condição de anonimato. As informações são do jornal

Site: https://www.correiobraziliense.com.br

Estratégias de sucesso para uma educação de qualidade no futuro

No primeiro dia do evento internacional Educação 360, especialistas apontam caminhos para melhorar o nível de aprendizagem dos jovens

Experiência. Após comandar importantes mudanças no sistema educacional de seu país, o ex-ministro da Educação de Portugal, Nuno Crato, relata as medidas que levaram ao avanço nas avaliações internacionais
Investimento, trabalho e apoio. Durante o evento internacional Educação 360, especialistas partiram dessa combinação de fatores para traçar um caminho rumo à educação de qualidade. De Portugal, o ex-ministro da Educação do país, Nuno Crato, trouxe as estratégias usadas pelo país para dar um salto nos índices de aprendizagem: educar mais e avaliar melhor. Já o economista David Evans acredita que o investimento em formação de professores, qualificação de gestores e novas políticas a partir das avaliações pode reverter o quadro assustador revelado em um relatório do Banco Mundial em fevereiro deste ano — o de que o Brasil vai demorar 260 anos para atingir o nível de leitura de países desenvolvidos.

O Educação 360 é promovido pelos jornais O GLOBO e Extra com patrocínio de Sesi, Fundação Telefônica, Fundação Itaú Social, Instituto Unibanco e Colégio pH, apoio de Fundação Cesgranrio, e apoio institucional de TV Globo, Canal Futura, Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Unesco, Unicef e Todos pela Educação.

A gestão de Crato à frente do Ministério da Educação de Portugal, entre 2011 e 2015, foi marcada pela valorização dos resultados das avaliações. Desde 2000, quando foi criado o Pisa, maior avaliação de educação no mundo, os portugueses não conseguiam ficar acima da média dos países participantes, que fazem parte da OCDE (Organização para a Cooperação e DesenvolvimentoEconômico).Masna última edição, em 2015, Portugal tirou nota 501 em Ciências (22º no ranking de 70 países); 498 em leitura (21º) e 492 em Matemática (29º). O país líder em todas as disciplinas é Cingapura, com 556, 535 e 564 pontos, respectivamente. O Brasil ficou com 401 pontos em Ciências (63º lugar), 407 em Leitura (59º) e 377 em Matemática (66º).

—Eufuiministroemumperíodo de subida da nota do Pisa, o que me orgulha muito. Mas não fiz isso sozinho. Foram os professores, alunos e diretores —analisa Crato.

Com um currículo mais exigente e intervenções sobre as primeiras dificuldades, o país melhorou o desempenho tanto dos alunos com alta performance quanto dos de baixo desempenho.

As taxas de evasão também caíram: de 43,6% em 2000, para 13,7% em 2015.

— Isso prova que aumentar a exigência faz bem para todo mundo —avalia Crato.

Dados do desempenho dos estudantes brasileiros de 15 anos no Pisa também foram levados em consideração pelo relatório do Banco Mundial que aponta o atraso no nível de leitura. Para o economista David Evans, são necessárias mudanças estruturais:

—Cingapura tem os melhores resultados em matemática. Lá, em seis anos, uma criança aprende o que teria aprendido em dez no Brasil. Estamos perdendo anos de aprendizagem por não termos o sistema que precisamos.

ATRASO EM ETAPAS CRUCIAIS

Membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), o educador Cesar Callegari destacou que o Brasil tem grandes problemas em etapas cruciais da escolarização.

— No Rio, 41% dos alunos que chegam ao final do terceiro ano do ensino fundamental não estão alfabetizados — exemplificou o educador, ressaltando a importância da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que vai nortear os currículos de todo o país. — A BNCC tem que ser implementada. Para isso, não pode ser considerada um currículo único, mas uma cesta de possibilidades para que professores e escolas criem seus próprios caminhos.

Em debate sobre ensino superior e técnico, educadores destacaram a importância de uma formação geral ampla para todos estudantes.

— Temos vagas na universidade para 17% dos jovens, mas qual a proposta do país para os 83% que não vão para lá?— questionou a educadora Ana Inoue, assessora do Banco Itaú BBA no desenvolvimento de projetos de educação.

Ao mesmo tempo que impulsiona a educação profissional, o poder público não deve deixar de lado o aumento do ingresso no ensino superior, diz o diretor nacional do Sesc, Carlos Artexes:

—A formação técnica é importanteparavidadaspessoas, mas a superior também.

Felipe Morgado, gerente Executivo da Unidade de Educação Profissional e Tecnológica do Departamento Nacional do Senai, argumentou que esta pode ser uma oportunidade para desenvolver uma cultura de empreendedorismo. Para Dante Moura, professor do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, o governo ignora problemas estruturais.

— Já tivemos várias reformas que incidiram no currículo, mas não nas condições básicas. E não deram certo. Temos prédios inadequados, não há laboratórios, as bibliotecas são deficientes, não há espaço para atividade artística e esportiva, os professores não têm formação adequada —critica.

ABERTO A TODOS

Ainda há vagas para assistir às palestras e aos debates de hoje no Educação 360, que acontece no Museu do Amanhã e no Museu de Arte do Rio, no Centro. Os interessados podem se inscrever no próprio local (saiba mais na página ao lado).

“Eu fui ministro em um período de subida da nota do Pisa, o que me orgulha muito. Mas não fiz isso _ sozinho” Nuno Crato Ex-ministro da Educação de Portugal

“Cingapura tem os melhores resultados em matemática. Lá, em seis anos, uma criança aprende o que teria aprendido em dez aqui no _ Brasil” David Evans Economista do Banco Mundial

“No Rio, 41% dos alunos que chegam ao final do terceiro ano não estão _ alfabetizados” Cesar Callegari Educador e Membro do Conselho Nacional de Educação

“Temos vagas na universidade para 17% dos jovens, mas qual a proposta do país para os 83% que não _ vão para lá?” Ana Inoue Assessora do Banco Itaú BBA no desenvolvimento de projetos de educação

Inovação e diversidade a serviço da comunidade

Baseada em valores defendidos por Mahatma Gandhi, faculdade indiana tem solução simples para problemas das aldeias. Na Maré, pré-vestibular onde Marielle Franco estudou já levou mais de 1.600 jovens à universidade

Só para pobres. Principal programa da ‘Barefoot College’, fundada por Sanjit Roy, é voltado para mulheres, principalmente analfabetas e com netos
Logo no início da palestra, o ativista social indiano Sanjit “Bunker” Roy avisa que vai virar o mundo da plateia do Museu do Amanhã de cabeça para baixo. O educador e ativista social indiano é criador da Barefoot College (em tradução livre, “Faculdade de Pés Descalços”) e diz ser um erro classificar como analfabeto aquele que não tem educação formal.

— Em 1965 resolvi conhecer um local pobre da Índia e decidi viver lá como trabalhador sem qualificação. Foi quando eu decidi abrir uma faculdade só para pobres com os ensinamentos que eles achem importante —conta.

Baseada nos valores defendidos por Mahatma Gandhi (simplicidade, não violência, transparência, responsabilidade) e na ideia de que a educação que essas pessoas recebem deve servir à comunidade, a Barefoot College foi criada em 1972 e conecta as comunidades rurais da Índia a energia solar, água, educação, profissõesedefesadedireitos.

O principal programa da faculdade é voltado para mulheres, de preferência analfabetas e com netos, de aldeias isoladas e pobres. Quatrocentas delas, de 37 países já se tornaram engenheiras solares em apenas seis meses de curso. Juntas, as “Solar Mamas” já eletrificaram 200 aldeias ao redor do mundo. Uma brasileira da Chapada Diamantina, na Bahia, já participou do programa, e outras três, do Amazonas, estão na Índia aprendendo a eletrificar uma comunidade com energia solar.

Economista da Fundação Unibanco e especialista nos estudos sobre pobreza e desigualdade, Ricardo Henriques afirma que a Barefoot College é uma ponte entre a experiência e o conhecimento:

—A gente precisa parar de tentar buscar soluções extraordinárias e produzir soluções simples, que tenham poder de transformação.

Professor associado da UFF e fundador do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro, Jailson de Souza e Silva, um dos fundadores do projeto do pré-vestibular comunitário da Maré onde estudou a vereadora Marielle Franco, assassinada em março, falou sobre a mudança em curso em sua comunidade, constantemente prejudicada pela violência:

— A Redes da Maré já botou mais de 1.600 jovens na universidade. É possível, mesmo atuando num quadro de tanta violência e desprezo pela vida da favela.

EXEMPLO DE MEDELLÍN

Há cerca de 20 anos, a cidade de Medellín, na Colômbia, acumulava péssimos indicadores, como uma taxa de 382 mortes violentas a cada 100 mil habitantes. A partir do envolvimento de gestores municipais com lideranças comunitárias e toda a sociedade, a realidade foi sendo transformada.

— O investimento em educação na rede municipal passou de 12% para 40%. O orçamento de cultura foi de 0,6% para 5% —revela Jorge Melguizo, jornalista e exgerente do Centro Medellín, que participou da transformação dos índices negativos da cidade.

A experiência de Medellín serviu para inspirar outras cidades, como Recife, que criou modelo de Centro Comunitário da Paz (Compaz).

— Há outra forma de violência, que é não ter uma área de convivência para o lazer, onde a sociedade quer fazer justiça com as próprias mãos, onde não há horizonte para as crianças — afirma Murilo Cavalcanti, secretário de Segurança Urbana do Recife e especialista em políticas públicas de prevenção à violência urbana.

Os avanços necessários para a política de cotas foi a tônica do encontro “Quebrando tabus e mitos: com a palavra, a política das cotas”, com Naercio Menezes, professor e coordenador do centro de políticas públicas do Insper; Gersem Baniwa, filósofo, antropólogo e excoordenador geral de educação indígena do Ministério da Educação; e a professora e pesquisadora da Uerj Patrícia Santos.

— O acesso do indígena e do negro à universidade é uma revolução desarmada. O estudante indígena une dois tipos de conhecimento em sua atuação — analisa Baniwa.

Preconceito, discriminação e racismo ainda são reproduzidos entre as carteiras da sala de aula. Na mesa “Diversidade se aprende (e pratica) na escola”, as alunas Allana Lanes, do colégio estadual Ubiratan Reis Barbosa, em Nilopólis, e Daniela Martins, do colégio pH, da Tijuca participaram da conversa com a professora transgênero da UFPR Megg Rayara e com Rodrigo Mendes, fundador de um instituto que leva seu nome, com mediação de Debora Garcia, do canal Futura.

“Há outra forma de violência que é não ter uma área para o lazer, onde a sociedade quer fazer justiça com as próprias mãos, onde não há horizonte para crianças”. _ Murilo Cavalcanti, secretário de Segurança Urbana do Recife

“O acesso do indígena e do negro à universidade é uma revolução desarmada. O estudante indígena une dois tipos de conhecimento em sua atuação”.

_ Gersem Baniwa, ex-coordenador geral de educação indígena do MEC

Presidente interino da república, Toffoli sanciona lei…..

Pela lei sancionada, fica caracterizada importunação sexual o ato libidinoso praticado contra alguém, e sem a autorização, a fim de satisfazer desejo próprio ou de terceiro. A pena prevista é de um a cinco anos de cadeia.

A proposta ganhou força quando foram registrados casos de homens que se masturbaram e ejacularam em mulheres em ônibus. Um dos episódios de maior repercussão ocorreu em São Paulo.

O texto sancionado também torna crime a divulgação, por qualquer meio, vídeo e foto de cena de sexo ou nudez ou pornografia sem o consentimento da vítima, além da divulgação de cenas de estupro.

A lei aumenta a pena em até dois terços se o crime for praticado por pessoa que mantém ou tenha mantido relação íntima afetiva com a vítima, como namorado, namorada, marido ou esposa. A intenção é evitar casos conhecidos como pornografia de vingança.

Fonte: https://g1.globo.com/politica/noticia/2018/09/24/presidente-interino-da-republica-toffoli-sanciona-lei-que-torna-crime-importunacao-sexual.ghtml

Vamos falar sobre bullying: problema que atinge 150 milhões de jovens

As vítimas podem desenvolver doenças psíquicas como a depressão, chegando até a pensamentos suicidas

Site: Metropoles.com

O bullying nas escolas é um problema que acomete crianças e adolescentes de todo o mundo e preocupa pais e educadores. Um levantamento do Fundo das Nações Unidas para a Infância, o Unicef, publicado no início do mês, revelou que metade dos adolescentes entre 13 e 15 anos, cerca de 150 milhões de meninos e meninas, sofre violência corporal ou psicológica por parte dos colegas dentro e no entorno das escolas.

O Metrópoles conversou com psicólogos, pedagogos e diretores de escolas públicas e privadas do Distrito Federal para entender como o bullying se manifesta nas instituições de ensino e a que sinais os pais devem ficar atentos.

A psicóloga da Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEDF), Gabrielle Jesus, explica que o bullying é um comportamento aprendido e socialmente validado, ou seja, não é nato do ser humano. Ele está ligado à cultura em que a criança está inserida e começa a ser praticado por meninos e meninas a partir dos seis anos.

As vítimas tendem a se tornar mais isoladas e se recusam a ir para a escola. Foi o caso de Gustavo do Vale Ferreira, hoje com 14 anos. Quando sofreu bullying, o menino tinha apenas sete. Os três primeiros meses no novo colégio são lembrados até hoje pela mãe, Carolina Castro do Vale Ferreira, 39 anos, como um período difícil para o menino.

Gustavo era perseguido por colegas de sala que pegavam seu lanche na hora do intervalo, escondiam suas chuteiras e, em uma ocasião, chegaram até a tentar forçar sua cabeça no vaso sanitário. “Eu tentava evitar ir à escola porque ficava com medo que pudesse acontecer de novo”, lembra.

Hoje, Gustavo do Vale Ferreira tem 14 anos e não gosta de lembrar da época em que sofreu discriminação
A mãe conta que tudo começou quando Gustavo mudou de escola para cursar o ensino fundamental. Até então, o filho era um menino alegre, brincalhão e seu comportamento mudou completamente entre fevereiro e abril de 2011.

“Ele passou a evitar o colégio, mas não revelava o motivo. Todo dia inventava que estava doente e começou a ficar muito calado. Na época, eu não sabia onde estava o problema e imaginava que pudesse ser em casa”, recorda a mãe. Além do comportamento, Gustavo desenvolveu um tique nervoso: os olhos e a boca piscavam involuntariamente.

Carolina lembra que, na época, chegou a participar de mais de 20 reuniões com diretores e coordenadores da escola em que o filho estava matriculado para tentar descobrir o motivo da mudança de comportamento da criança e sempre escutava a mesma resposta: ela deveria se acalmar e ter paciência porque a ansiedade era algo comum no período de adaptação em um novo espaço.

“Eu sempre ouvi que o bullying era um problema que as pessoas sofriam caladas, mas não acreditava. Em uma família com diálogo, isso não aconteceria, até sentir dentro da minha casa”.”
Carolina Castro do Vale Ferreira
O menino participou de sessões de terapia, mas só se abriu quando a mãe resolveu matriculá-lo em outra escola. “A orientadora ligou dizendo que ele não estava bem e febril. Quando cheguei lá, vi meu filho sozinho, me esperando. Foi a gota d’água. Ele me contou que estava sofrendo perseguição de outros meninos da sala”. Mudar de escola foi a paz da vida de Gustavo e o menino se transformou da noite para o dia, mas os tiques nervosos ainda persistiram pelos quatro meses seguintes.

Carolina Castro e Gustavo do Vale

A professora doutora do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (UnB), Angela Uchoa Branco, afirma que pais, professores e diretores das escolas devem trabalhar em conjunto para combater casos dessa natureza.

Os pais, atentos ao comportamento do filho em relação à escola, e os professores, à dinâmica da sala de aula e intervir cuidadosamente, mas ter tolerância zero com o bullying – conversar, ouvir e argumentar com os alunos sobre cultura de paz. Aos diretores, cabe orientar os professores e buscar a resolução pacífica de conflitos.

Gabrielle Jesus explica que, raramente os agressores sofrerão alguma sequela. “Eles se acham poderosos e não sentem culpa”, afirma. No entanto, os pais também devem ficar atentos ao comportamento dos filhos e observar se as crianças têm o costume de repetir as brincadeiras e discriminações reproduzidas pelos amigos.

O relatório da Unicef descreve uma variedade de maneiras pelas quais estudantes enfrentam a violência neste contexto. Embora meninas e meninos tenham o mesmo risco de sofrer bullying, os meninos têm chances maiores de sofrer violência física e ameaças, como Gustavo sofreu, enquanto as meninas são mais propensas a ser vítimas de formas psicológicas de bullying.

As vítimas podem desenvolver doenças psíquicas chegando a ter pensamentos suicidas, como explica a psicóloga. A estudante Débora Dálet, 21 anos, passou por todos os estágios de depressão quando cursou o 9º ano, aos 14 anos. A jovem era perseguida por um colega de turma que a apelidava com nomes nada agradáveis, como baleia e javali.

Débora chegou a comentar sobre alguns episódios de violência sofrida no colégio, mas a mãe acreditava que mudá-la de escola não iria resolver o problema. “A minha mãe dizia que isso acontecia em todo lugar e eu precisava ser forte”. A adolescente cursou o ensino médio em outra escola.

Junto aos xingamentos, o agressor incentivava outros adolescentes a jogarem bolinhas de papel na colega de sala. Um dos episódios lembrados com muita dor por ela foi quando o rapaz jogou chiclete em sua cabeça. “O meu cabelo era na cintura. Eu fui a um salão, mas não teve jeito, precisaram fazer um corte joãozinho. Foi aí que o bullying piorou”. A solução encontrada pela escola para punir o adolescente foi a suspensão.

Na época, ela pesava cerca de 80 kg e passou a ter comportamentos de bulimia, até chegar aos 45 kg. Os pais perceberam que a adolescente comia e logo ia para o banheiro vomitar. Foi aí que eles decidiram levá-la a uma psicóloga.

A situação se agravou quando Débora tentou cometer suicídio. Foram diversos episódios – ela carrega as marcas dos cortes que fez no próprio corpo até hoje – até ser socorrida às pressas e seguir até o hospital. “Fui a um psiquiatra e ele me receitou antidepressivos e remédios para dormir. Eu acordava com medo de ir para a escola”, lamenta, a voz embargada.

Sete anos depois, Débora acredita que está em outra fase da vida, com foco nos estudos. Ela segue fazendo acompanhamento psicológico e ainda não se sente a vontade com a própria imagem. “Eu não aceito ser gordinha. Ainda me sinto feia”, completou.

A psicóloga afirma que é obrigação da escola desenvolver um trabalho em conjunto com orientadores e pedagogos para que o bullying seja coibido. A Secretaria de Educação do Distrito Federal desenvolve, ao longo de todo o ano letivo, projetos pedagógicos sobre temas relacionados à cidadania e direitos humanos, mediação de conflitos, combate às drogas, entre outros assuntos, como forma de prevenir e combater a violência..

A diretora da Escola Classe 204 Sul, Alessandra Alves de Oliveira Lopes, trabalha com crianças de seis a 12 anos há duas décadas. Ela lembra que o desrespeito, a intimidação e a apelidagem existem desde que iniciou o trabalho na educação. Os valores são trabalhados de forma gradativa com os estudantes, dentro da proposta pedagógica. As crianças aprendem o que é respeito através de aulas, palestras e filmes.

O centro educacional Sigma é pioneiro com a implantação da disciplina Convivência Ética. Estudantes de 71 turmas da escola participam das aulas duas vezes por semana desde o primeiro semestre de 2017, sob supervisão da professora Áurea Bartoli. Atualmente, 20 docentes de diferentes matérias estão capacitados para trabalhar a Convivência Ética. Os estudantes são incentivados a participar com a sugestão de temas.

O Metrópoles conversou com a supervisora e quatro alunos do 8º e 9º ano do ensino fundamental para entender na prática como eles encaram a disciplina e o bullying. Fica evidente na fala de Arthur Henrique Silva Pinho, 15 anos, Isabela Koshino, e Isabella Maryan, as duas com 14 , e Clarisse França, 13, que a disciplina dá a eles poder de fala e decisão. São jovens empoderados.

Isabela Maryan lembra de um caso recente, em que viu uma colega de sala ser discriminada. Ela e outras duas amigas contrárias à prática levaram o assunto para a sala de aula. As adolescentes pesquisaram o conceito do bullying e fizeram uma apresentação para a turma, explicando os tipos de agressão e alvos comuns. “Geralmente são pessoas com linguagem passiva. A gente trouxe esse assunto e conseguiu resolver na aula, parando o bullying com a menina”, explicou.

Clarissa lembra que sofria discriminação por ser considerada muito baixinha. Era normal o agressor excluí-la das brincadeiras em grupo, por exemplo. “Eu nunca levei isso a sério porque sempre fiz piada de mim mesma. Foi assim que o meu pai me ensinou a me defender”.

A menina de apenas 13 anos demonstra segurança e maturidade de gente grande. Ela entende que a altura não é motivo para se envergonhar, assim como qualquer outro relacionado à aparência. “Eu nunca me senti humilhada porque eu sei que não é culpa minha. Não posso fazer nada sobre isso”.

Isabela Koshino entende, por vezes, que a vítima não tem real proporção da gravidade das agressões e sofre em silêncio. “Eu achava normal eles me zoarem por eu não ser magra nem alta. Hoje eu entendo que não tem nada de errado comigo”, analisa. A adolescente acredita também na importância de se cercar por pessoas que fazem bem para elas. A opinião é comum no grupo.

Isabela Maryan acredita que conversar com um amigo pode ser mais fácil do que com os pais e diretores. O diálogo é equiparado, sem julgamentos. “Os amigos vêm tudo, eles estão presentes no dia a dia e às vezes os pais não sabem”, ressalta.

Arthur compreende que a disciplina deu responsabilidades aos alunos. Hoje, eles sugerem os temas que querem abordar e têm mais liberdade para falar com os professores. Segundo Áurea, o objetivo é construir a autonomia moral dos adolescentes. “Eles desenvolvem pensamentos como ‘o que eu posso?’, ‘o que eu quero?’ e ‘o que eu devo?’”, completou.

Isabella Maryan, Clarisse França, Arthur Henrique Silva Pinho e Isabela Koshino

O programa teve origem em escolas da Espanha há 16 anos. As ações em relação ao tema começaram em 2016, com alunos do 1º ano do ensino médio e 9º ano do fundamental para discutir problemas de convivência da escola e temas estudados por eles em outras disciplinas, como a descriminalização do aborto.

Áurea faz questão de enfatizar que a escola não levanta discussões acerca de políticas partidárias e religião por entender que, primeiro, precisa ser construído um viés de respeito para que alunos estejam aptos para discutir sobre qualquer assunto.

O trabalho de conscientização do bullying deve ser feito com o alvo, os autores e os expectadores. “O bullying é um problema moral. Se eu acho que posso zoar o outro sem limites, a vítima não tem forças para lidar sozinha e eu tenho expectadores, gente que ri, isso só aumenta”, segundo a supervisora. “Nós não queremos que eles saiam da escola aceitando tudo o que acontece”, completa.

Assim como Gustavo e Débora, muitas crianças têm vergonha ou medo de falar sobre o assunto com pais e docentes. Por isso, especialistas alertam para que a família preste atenção à alguns sinais que podem indicar que a criança ou adolescente esteja sofrendo bullying:

Fique atento a mudanças no comportamento e humor da criança: mais isoladas e chorosas, por exemplo;
Observe se ela pede para faltar aula com frequência: “Fique alerta se ela disser que não quer ir para a aula, algo pode estar acontecendo”, ressalta a diretora da Escola Classe 204 Sul, Alessandra Alves de Oliveira;
Seu filho tem medo de ir para a escola? Em alguns casos, a aproximação do início de uma nova semana ou ano letivo são suficientes para que a criança fique ansiosa;
Participe da vida escolar de seu filho: fique atento à agenda e mochila da criança;
Frequente a escola e converse com os professores.

Coragem para vencer o medo

www.brasilsemgrades.org

Luiz Fernando Oderich
Presidente da ONG Brasil Sem Grades

Outubro se aproxima e com ele aquela sensação de insuficiência, angústia e apreensão. Enquanto boa parte do povo brasileiro paira sobre a espessa nuvem da polarização, ao fundo, distante, alguns conjecturam sobre o que esperar do futuro. Em meio a tantos problemas, a pergunta que fica é: o que priorizar?

É possível priorizar a saúde e isso se justifica de inúmeras maneiras. O mesmo vale para a educação, a base de tudo. Há aqueles que dirão ser necessário antever os movimentos econômicos e também não estarão errados. Mas eu, como uma vítima que luta há 16 anos contra a impunidade e as causas da criminalidade, escolheria sem pestanejar a segurança pública.

Defender essa bandeira é fácil, difícil é conviver com o medo. Reféns da violência, nos limitamos a espaços fechados, a horários pré-estabelecidos, até mesmo a escolhas que influenciam trabalho, estudo e entretenimento. Tudo passa pela nossa sensação de insegurança. E não é para menos. O Atlas da Violência (2018) escancara 62.517 homicídios no país em 2016. Enquanto, Chile, Argentina e Uruguai, países notoriamente mais desprovidos de recursos que o Brasil, navegam em índices abaixo da média mundial.

A adversidade não está no orçamento, está na falta de comprometimento com a vida. A vida do meu único filho, de familiares de tantas pessoas que conheço e de milhões de desconhecidos. Ninguém está a salvo. Se queremos resgatar nosso direito de ir e vir, se queremos sonhar com uma base educacional que renda frutos, se buscamos entregar menos feridos à saúde, precisamos priorizar a segurança pública. Para que os bandidos sejam de fato punidos e isolados do convívio social. Para que os aspirantes do crime tenham receio de delinquir. Para que as mulheres tenham seus corpos respeitados. Esse é um comprometimento que não pode ser negligenciado.

A luta não começa e termina com as eleições. Nossos eleitos precisam reconhecer esse problema como prioridade e atuar efetivamente para reversão desse quadro. E nós bem sabemos o quão confortável pode ser um assento político, independente da esfera. Não vamos nos acomodar com aquilo que nos limita. A vida pede voz.