O luto compartilhado na rede

Correio Braziliense – 27 de junho de 2010

Velórios e testamentos virtuais, protestos e informações que levam à captura de assassinos, homenagens póstumas. A internet tornou-se um ambiente para a discussão da morte

As redes sociais não trouxeram apenas maior interatividade entre aqueles que estão distantes fisicamente. Perfis no Orkut, Facebook, Twitter e afins estão tão íntimos do dia a dia que se tornaram refúgios para o luto trazido pela distância da morte. E, com eles, as formas de lidar com essa dor também se transformaram. Após a morte, os perfis dessas pessoas, bem como os blogs, fotologs e outros instrumentos da web que visam a interação, tornam-se espécies de mausoléus nos quais aqueles que continuam vivos podem externar a saudade e, em alguns casos, protestar contra as injustiças das quais os falecidos foram vítimas.

Não existe uma estimativa sobre quantos perfis de pessoas mortas permanecem na rede. Muitos estão reunidos em comunidades. Várias delas estão no Orkut, que é a rede social com o maior número de brasileiros (26 milhões, de acordo com dados recentes do Ibope). Nessas comunidades e nos perfis dos que já que morreram, mensagens de apoio são postadas diariamente. A Velórios Virtuais, por exemplo, surgiu a partir de um serviço que algumas empresas funerárias oferecem: a transmissão de velórios via webcam para os parentes (e curiosos, é verdade) que não podem comparecer. As cenas são transmitidas pelo site da empresa, mas no Orkut os participantes avisam quando há um velório ocorrendo e podem comentar sobre o momento fúnebre. Outro exemplo é a Se eu morrer me enterre na PGM, numa referência a Profiles de Gente Morta (PGM), possivelmente a maior comunidade, com mais de 73 mil integrantes. O objetivo está estampado no nome: pesquisar perfis de usuários que já morreram.

Os chamados “rastros virtuais” deixados por esses perfis se tornam um banco de dados, pelo qual conhecidos e desconhecidos dos falecidos podem discutir sobre a morte dos que estão na comunidade e sobre as dificuldades de enfrentá-la. Para quem acha que só a morbidez pura e simples justifica o ingresso dos participantes, é bom salientar que existe outro lado importante nessa história. “Minha filha foi morta pelo namorado em novembro de 2002, em Paraty (RJ). Seu corpo foi encontrado em abril de 2004 e ele sumiu no mundo. Depois de um tempo, uma pessoa da comunidade conseguiu encontrar o rapaz na Espanha, forneceu o endereço e o telefone. Eu passei para a polícia e ele foi preso lá”, exemplifica a artista plástica Maria José Coppola, 48 anos. Sua filha, Thays Coppola Rupp, sumiu na cidade fluminense e o principal suspeito, Visuambhara Dasa Gutierrez Vargas, foi encontrado por conta do esforço da mãe e com ajuda dos participantes de comunidades como a PGM.

Seja para fazer justiça, prestar homenagens ou satisfazer uma curiosidade mórbida, a rede estabeleceu uma conexão entre morte e vida que vai além da visita ao cemitério. “A internet constitui uma importante ferramenta de informação sobre o processo da morte e do morrer, desde que não desperte apenas a curiosidade existente em todos nós. Se por um lado a morte pode ser banalizada em alguns sites, por outro pode constituir uma via de expressão da dor da perda de alguém querido”, garante a psicóloga Célia Maria Ferreira da Silva Teixeira, que é doutora na área e coordenadora do Programa de Estudos e Prevenção ao Suicídio e Atendimento a Pacientes com Tentativa de Suicídio (Pats) da Universidade Federal de Goiás (UFGO).

Depoimento


“Eu tenho perfis no Orkut e no Facebook há muito tempo, mais ou menos há quatro anos. Desde o início, tive contato com os amigos dos meus dois filhos, na maioria das vezes eles me adicionaram. Sempre entrei na página dos meus filhos, como dizia meu filho Kaká, era para fofocar, mas se estava ali para todo mundo ver, por que não para sua mãe? Confesso que várias vezes me inteirei de coisas que aconteciam por meio das mensagens nas páginas deles. Eu entrava com alguma frequência, mas não sempre. Depois do acidente do Kaká, todos os dias eu entro no Orkut, primeiro na minha página e logo depois na dele. É muito difícil deixar de olhar um dia, pois gosto de ver as mensagens que ele continua a receber. Meu marido e meu outro filho acham que eu não devo ficar dependente desse tipo de coisa, que me faz mal, mas para mim é muito importante ler as mensagens de saudades que as amigas e os amigos deixam para ele. É claro que tem dias que eu estou mais sensível e, às vezes, choro, mas parece que essas mensagens trazem meu filho um pouco mais para perto de mim. São sempre mensagens muito carinhosas, lembrando de acontecimentos, festas, farras, aniversários, enfim, momentos vividos com ele e, com certeza, inesquecíveis. É muito bom sentir por meio desses depoimentos como ele era e continua sendo muito amado pelos amigos. Me dá muita força e orgulho. A única coisa que me incomoda um pouquinho são os convites para as festas que ele segue recebendo quase todos os dias, mas isso é o de menos. Até fiz um álbum no Orkut com toda a história do meu filho, desde que nasceu até o dia do acidente. Para mim, está sendo superimportante acompanhar esses depoimentos por meio da internet. Me sinto superacolhida e querida por todos esses jovens que também são meus amigos.”

Liliana Naón, que perdeu o filho
Carlos Henrique (Kaká), 22 anos,
num acidente, em 11 de julho
do ano passado

Como lidar com o luto


O impacto da perda acompanha o homem na sua trajetória de vida. O luto é, então, a resposta característica a essas perdas e exige mudanças psicológicas. “A primeira é reconhecer e aceitar a realidade da morte: ela ocorreu e a relação acabou; a segunda é experimentar e lidar com todas as emoções e problemas que decorrem da perda”, explica a psicóloga Célia Ferreira. Para trabalhar com essas emoções, há que se criar vínculos substitutos e a internet pode vir a ser um deles. Contudo, dependendo do perfil psicológico da pessoa, pode não ser apenas reconfortante. “Manter-se vinculado às redes virtuais pode tornar crônicas algumas reações, com o risco de ser o caminho para a instalação de um luto problemático ou patológico”, alerta. Veja algumas condutas que podem facilitar o processo de luto:

  • Procurar se comunicar com pessoas em que pode confiar, compartilhando sentimentos decorrentes da perda, como saudade, tristeza, dor, vazio, desespero;
  • Evitar se isolar, pois a solidão em caso de luto aumenta a dor da separação do ente querido;
  • Não sentir vergonha de dizer a pessoas de seu círculo de amizades que está sofrendo muito por causa da perda;
  • Procurar a ajuda de amigos e, se necessário, de profissionais especializados no atendimento de pessoas enlutadas de forma a evitar a instalação de um luto complicado ou patológico, bem como o aparecimento de grande ansiedade, de doenças psicossomáticas, de depressão e até do desejo de morte.

Os velórios virtuais

Não há um meio correto ou menos doloroso de vivenciar o luto. Como parte da vida, ele deve ser entendido como necessário. “Há métodos e intervenções que permitem a promoção do processo de luto: fazer visitas ao cemitério, escrever cartas, olhar antigas fotografias, conversar sobre a perda, buscar apoio de entidades religiosas, além do uso de rituais terapêuticos. Cada pessoa vive e processa suas perdas de forma diferente”, afirma a psicóloga Célia Maria Ferreira da Silva Teixeira, da Universidade Federal de Goiás (UFGO). A internet é mais uma dessas diferenças nesse momento tão singular.

A advogada Paula Israel, que mora em Brasília, já velou uma amiga na comunidade Profiles de Gente Morta (PGM). Sem coragem de ela mesma abrir o tópico, pediu a um amigo para fazê-lo. “Foi complicado. Mas o tópico, por não ter nada de excepcional na morte dela, não gerou muita discussão e acabou sendo esquecido em poucos dias.”

Paula lembra também de quando descobriu sobre a morte de um conhecido por meio da internet. “Entrei no tópico e olhei o perfil. Foi bem difícil, levei um susto quando vi”, lembra. Essa discussão não se limita ao que aconteceu com os falecidos. Na PGM, os motivos da morte também são falados e essa liberdade, em um tema tão delicado, causa conflitos. “Os assuntos discutidos envolvem muita polêmica, já que eles têm muitas variações: suicídio, acidentes, doenças, aborto, criminalidade. Embora a comunidade não tenha conteúdo político e religioso, tais discussões demandam critérios subjetivos, como experiência de vida, religiosidade, o que gera polêmica”, garante Fabiana Cubas Bertolotto.

A advogada de 33 anos é uma das moderadoras da comunidade e explica que há um controle rígido do que é postado, exercido com a ajuda dos usuários. Comentários que, dentro da visão dos moderadores, estejam fora dos padrões de conduta são deletados, com os motivos expostos. Para eles, a liberdade que a internet permite não dá direito ao tom pejorativo com a morte de ninguém. Até porque o surgimento de comunidades com esse tema demonstra o uso da internet como válvula de escape para muitos que sofrem. “Já vi a PGM ajudar pessoas deprimidas, que falavam em suicídio. Eu não acho que a comunidade seja um local para ajuda psicológica, mas alguns membros acham que vale a pena”, diz Paula Israel.

Aos que convivem por escolha com esse universo virtual e, por que não dizer, mórbido, as perdas alheias também afetam. “No começo você fica bem impressionado com as mortes. Principalmente com os suicídios, que são frequentes. Postam pelo menos um suicídio por dia na PGM, o que é a constatação de que a depressão é um problema grave, mas ignorado”, garante o designer gráfico Victor Fontenele, 23 anos, também moderador.

Entrevista Maria José Coppola


O que a motivou a entrar na comunidade Profile de Gente Morta?
Estou na comunidade desde que ela tinha 400 membros, por volta de 2004, antes de encontrarem o corpo de minha filha (Thays, na foto, com a Maria José). Comecei a divulgar que estava procurando o rapaz que matou minha filha. Lá, conheci um moço que fez uma comunidade para minha filha e começou a me ajudar a divulgar o caso dela. Ela foi morta pelo namorado em novembro de 2002, em Paraty (RJ). Seu corpo foi encontrado em abril de 2004 e ele sumiu no mundo. Depois de um tempo, uma pessoa da comunidade que participo conseguiu encontrar o rapaz na Espanha, forneceu o endereço e o telefone, e, por isso, ele foi preso.

Já teve algum conhecido que foi “velado” numa comunidade?
Como foi a sensação?

Sim, uma moça chamada Nathalia, que era minha amiga e minha “filha” da comunidade PGM, que faleceu num acidente de ônibus. Um amigo em comum me avisou e quase tive um troço pela notícia, chorei muito. Não me importou de ela estar na comunidade, porque esse é o objetivo, a morte dela é que me importou. Outras pessoas que eu conheci tambem já foram postadas lá e se algo me acontecer não me importo de ser postada. O que realmente chateia são os julgamentos: era linda, tão jovem, era pobre, marginal, procurou a morte, não tinha Deus, por isso se matou… Esses comentários não tem razão de ser.

Como participante, acredita que as discussões podem ajudar aqueles que perderam alguém querido?
Eu ajudo muito apenas quem pede ajuda, aprendi isso a duras penas. Já ajudei uma moça que pensava em se matar e hoje somos amigas. Também ajudei várias mães que procuram justiça, indicando endereços e como entrar em contato com autoridades, programas de TV, etc.

A internet ajuda ou atrapalha no momento de lidar com a morte?
Ajuda. Pais e mães se encontram e se ajudam, tenho muitos no meu perfil. Perdoar quem matou minha filha é outra coisa, ainda não cheguei a esse grau de superação. Já passei por muitas fases e hoje penso diferente de tempos atrás e acho isso muito importante. Abrir os olhos e não ficar olhando só seu umbigo. Lidar com a morte passa por muitas fases e enterrar um filho é quase impossível de se lidar. Perdi um irmão aos 18 anos, ele com 28, em um acidente com arma de fogo. Por conta disso, meu pai faleceu 45 dias depois, de tristeza. Perdi meu marido, minha mãe, minha filha, amigos, amigas e assim vou seguindo minha vida. Hoje, estou mais tranquila em relação à morte de minha filha. Minha família sempre foi espírita e consegui paz voltando a frequentar minha religião.

Qual é a parte mais difícil de lidar com a morte de pessoas que você não conhece?
Morte de crianças me afetam profundamente, desde adolescente não consigo lidar com isso. Nos casos de suicídio, fico pensando “minha filha queria tanto viver e essa pessoa se mata!”, mas só para mim, porque a maioria dos suicídios é por depressão e só quem teve ou tem depressão sabe como é horrível. Cada pessoa que morre leva um pedaço de nós, como disse o poeta John Donne, que Ernest Hemingway deu destaque em seu livro Por quem os sinos dobram: “A morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”.

Como deletar contas de falecidos

Não importa quem seja, todos aqueles que se aventuram pelo mundo virtual dependem das estruturas de segurança oferecidas pelos sites para manter sua privacidade. Apesar desse assunto estar sempre em pauta, especialmente pela falta de cuidado que muitos usuários têm dos seus dados, quando ocorre a morte de um deles há uma burocracia necessária para que a vida em rede também chegue ao fim.

De acordo com Félix Ximenes, diretor de comunicação e assuntos públicos do Google Brasil, não há dificuldade para as famílias conseguirem a eliminação dos dados, mas o processo que a empresa faz para comprovar a veracidade tem de existir sempre. “Não podemos revelar os critérios que são levados em conta para se confirmar e deletar os dados dos usuários falecidos. Pode parecer brincadeira, mas tem gente que denuncia abuso ou se faz passar por familiar de um usuário morto para tentar apagar perfis de desafetos e inimigos”, garante.

À família, fica a opção de apagar os dados somente. “Os perfis são pessoais e intransferíveis. Apenas as mensagens públicas que aparecem no perfil podem ser visualizadas.” Félix Ximenes explica que se ninguém tomar a iniciativa, o perfil e os dados continuarão acessíveis. “Mas, naturalmente, com a falta de atividade, esse perfil deixa de ser computado como ativo”, conclui. O Google não divulga a quantidade de perfis que são deletados por conta de falecimento, mas assegura que a prática não é frequente.

A Microsoft permite que parentes próximos possam ter acesso ao conteúdo da conta de e-mail (em CD/disquete) do falecido, mediante comprovação de parentesco. Em nota, a empresa afirma que tem uma política focada na privacidade, mas honra os pedidos da família em luto. Caso haja a necessidade e o interesse em realizar um pedido, basta enviar um fax para 650-693-7061. Serão requisitadas informações adicionais, que a família precisará fornecer.

Um espólio que não deve ser deletado

Gustavo Moreno/CB/D.A Press
Para Cristina Del’Isola, a filha Maria Cláudia, assassinada há quase seis anos, era um exemplo que não merece ser deletado: jovem ainda tem perfil na rede

A psicopedagoga Cristina Del’Isola conhece os dois lados que a internet pode proporcionar a pessoas enlutadas. Ela é mãe de Maria Cláudia Del’Isola, a estudante que, vítima de uma ação premeditada do caseiro Bernardino do Espírito Santo Filho e da doméstica Adriana de Jesus Santos, foi assassinada brutalmente, em um caso que chocou Brasília e o país. Para Cristina, a internet é um instrumento que tem importância essencial na conscientização das pessoas sobre o que acontece ao redor delas. “Ela permite que possamos fazer a leitura correta, já que dá oportunidade para que todas as partes sejam ouvidas e possam falar. Com ela, temos a possibilidade de ouvir o outro.”
Entretanto, a psicopedagoga conhece os riscos da rede quando usada para chocar. Ainda na época do julgamento do caso, fotos do processo de Maria Cláudia foram divulgadas na internet por uma estudante de direito que fazia parte do júri. As imagens chegaram, inclusive, a amigos próximos da família. “Nós ainda estávamos nos recuperando dos fatos e alguém faz isso. É inadmissível o quanto as pessoas se tornaram insensíveis com a dor alheia.”

O perfil do Orkut de Maria Cláudia ainda hoje recebe não só mensagens de saudade, mas um sem-número de convites para festas que acontecem na cidade. Na página dela, há mais de 2 mil amigos. Apesar de não ter acesso ao perfil do Orkut de Maria Cláudia, Cristina garante que não o quer deletado. “Brasília precisa de bons exemplos. Minha filha e tantos outros jovens, que ainda fariam tanto pela cidade, não podem ser esquecidos. Por isso que não podemos apagar aquilo que pode fazer diferença na vida de um ser humano.” A lembrança da filha também é mantida na web por meio do site Maria Cláudia pela Paz, nome de um movimento que prega a não violência. Pelo site, a história da jovem continua viva por meio de assuntos que, segundo sua mãe, sempre fizeram parte da vida dela, especialmente trabalhos filantrópicos. “A grande sacada da internet é que você pode, sim, fazer a diferença através dela”, acredita Cristina Del’Isola.

Polícia real para o mundo virtual

Vasculhar o perfil de mortos na rede também é uma atribuição da polícia na investigação de crimes. A descoberta da fonte que vazou as fotos de Maria Cláudia Del’Isola não teria sido possível sem a ajuda da Divisão de Repressão aos Crimes de Alta Tecnologia (Dicat). O setor é a parte responsável da Polícia Civil do Distrito Federal em prestar apoio às demais unidades do corpo nas investigações de crimes que envolvam computadores e internet. “Nós investigamos todos os elementos que estão na internet que podem ajudar no caso”, explica Silvio Cerqueira, delegado que comanda a divisão. Ele é incisivo: tudo na internet deixa rastro. Com as fotografias, por exemplo, a divisão cuidou dos vestígios de forma inversa, chegando até a origem por meio da ligação entre os receptores das imagens. “Para guiar as investigações dos casos, nos valemos de endereços de IPs, data e hora de acessos, e-mails, etc. Temos de contar com a ajuda dos provedores, o que torna tudo bem mais trabalhoso.”

O delegado é contra o uso do termo “crime virtual”. Para Cerqueira, um crime virtual é aquele que não existe e, nos crimes cometidos pela internet, forma que ele usa para discriminá-los, as consequências são verdadeiras. “O crime é real. Todo delito que não exija contato entre a vítima e o criminoso pode ser feito pela internet. E, por causa disso, todos eles têm legislação punitiva”, completa. Cerqueira garante que até mesmo homicídios podem ser cometidos pela rede. “Imagine alguém que invade os sistemas de um hospital e altera o prontuário de um paciente, prescrevendo uma substância que é mortal para ele. Isso é considerado homicídio.” O delegado afirma que, por dia, a Dicat recebe uma média de 100 ligações com pedidos de orientação, como dúvidas sobre os mais diversos assuntos.

A Dicat não recebe denúncias nem abre inquéritos, ficando isso a cargo de cada delegacia. Assim, ela se mantém conectada a toda a Polícia Civil do Distrito Federal. No site do órgão (www.pcdf.df.org.br) também há dicas de segurança para os usuários.

Quem herdará suas senhas?

Os blogs e as páginas das redes sociais que continuam ativos após a morte das pessoas levam a um questionamento: o que fazer com o espólio virtual de quem já morreu? É comum nos perfis de falecidos recados que externam a saudade separados por convites de festas, por exemplo. Como o controle daquele perfil não pode mais ser feito por seus donos, fica a dúvida de como proceder após a morte. As redes sociais permitem que familiares retirem as páginas dos sites (veja quadro na página 25).

Há ainda sites especializados em testamentos digitais. Neles, entre diversos serviços, o usuário pode cadastrar seus logins e senhas e escolher pessoas da sua confiança que vão receber esses dados após a morte.

Serviços de testamentos digitais

Slightly Morbid

  • Esse é para quem deseja avisar os conhecidos sobre o próprio falecimento. O usuário põe no site todos os e-mails de quem deve saber da morte. Alguém de confiança fica responsável pelo serviço, recebendo um certificado que permite o envio das mensagens. O preço varia de acordo com a quantidade de pessoas a serem notificadas, ficando entre US$ 9,95 e US$ 49,95.Legacy Locker
  • Por uma taxa única de US$ 299,99 ou US$ 29,90 por ano, o usuário pode guardar todos os logins e senhas para serem enviados aos familiares após o falecimento. No Legacy Locker há ainda a possibilidade de determinar um beneficiário para cada login/senha. Para conseguir os dados, os beneficiários têm de notificar a empresa sobre o óbito e confirmar suas identidades.YouDeparted ou AssetLock
  • Nesse site, a ideia é ajudar familiares e amigos daquele que faleceu. Com a conta feita, o usuário pode colocar fotos de papéis importantes, cartas de despedida, últimos desejos e todas as informações sobre onde encontrar esses documentos e também senhas, contas e segredos de cofres. O serviço é encriptado, o que garante distância de hackers. Os valores ficam entre US$ 9,95 e US$ 239,95.MyWebWill
  • Nesse serviço, além de repassar as senhas para quem você escolheu em vida, há o envio de mensagens aos amigos e o encerramento de contas em redes sociais através do site. Nele, não há necessidade de que alguém avise do falecimento: sueco, o MyWebWill cruza informações do registro de óbitos do país, no caso, da Suécia, com sua base de dados.