Correio tem acesso a laudos do IML de seis dos sete jovens assassinados

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Ary Filgueira
Naira Trindade
Publicação: 21/08/2010 07:00 Atualização: 21/08/2010 14:28

Com quatro meses de atraso, os laudos cadavéricos de seis dos sete adolescentes assassinados em Luziânia por Ademar de Jesus Silva ficaram prontos. Os exames comprovam que todos os jovens foram mortos com pancadas na cabeça e enterrados sem roupas. O Instituto Médico Legal do município encaminhou o resultado ao Ministério Público para que o inquérito possa ser encerrado. Os exames de Diego Alves, 13 anos — primeiro jovem a desaparecer, em 30 de dezembro de 2009 —, no entanto, ainda não foram apresentados.

Nos laudos, os peritos não conseguiram apontar se os adolescentes sofreram abuso sexual antes ou depois de serem assassinados. Quando foram encontrados, todos os corpos estavam nus. A dificuldade de traçar um diagnóstico mais conclusivo se deu devido ao avançado estado em que foram encontrados os restos mortais. Em alguns casos, a ossada estava incompleta. Do desaparecimento dos primeiros adolescentes até o início da realização dos exames, foram mais de três meses.

Último a desaparecer, em 20 de março, Eric dos Santos, 15 à época, ainda usava brinco e um anel na mão direita quando foi vitimado pelo maníaco. Segundo os laudos, o adolescente apresentava mechas de cabelo na mão direita, sinal de que provavelmente tentou reagir ao ataque. Além da fratura no crânio, apontada nos exames de todos, Éric recebeu pancadas do rosto, que atingiram os olhos, o nariz e a boca. A polícia encontrou a bermuda vermelha que ele usava no dia em que sumiu no quarto do pedreiro.

O laudo indica que Ademar teve mais dificuldade para matar Divino Luiz Lopes da Silva, 16. Considerado o melhor jogador de basquete do time do colégio, no Parque Estrela Dalva 5, o estudante teria reagido aos golpes. Os peritos identificaram um arame em torno do pescoço do garoto. Havia fraturas também no maxilar esquerdo.

George Rabelo dos Santos, 17 anos, o terceiro jovem a sumir, pode ter sido pego de surpresa por Ademar. O adolescente morreu ao receber uma forte pancada na região direita da cabeça. Com a paulada, houve afundamento do crânio. Nos laudos, não foram identificadas outras fraturas. George saiu de casa no Estrela Dalva 8, em um domingo pela manhã e, segundo a perícia, morreu no mesmo dia.

Sem respostas

Os estudantes Paulo Victor Vieira de Azevedo Lima, 16 anos, e Flávio Augusto Fernandes dos Santos, 14, desaparecidos em 4 e 18 de janeiro, respectivamente, tiveram mortes bastante parecidas. Ambos receberam uma pancada com um objeto contundente na região direita da cabeça. E ambos não apresentavam fraturas em outras partes do corpo. Os quatro meses em que os corpos ficaram enterrados enquanto a polícia procurava os jovens pela cidade deixaram os familiares sem muitas respostas sobre a morte dos garotos.

Titular da Delegacia Regional de Goiânia, Juracy José Pereira alega que a demora na conclusão do inquérito está relacionada à espera pelos laudos cadavéricos e por outros exames. “O encerramento não depende apenas de mim, mas de laudos e cartas precatórias que ainda não chegaram”, justificou, lembrando que está impedido de comentar o caso, uma vez que o inquérito corre em segredo de Justiça. O promotor Ricardo Rangel, do Ministério Público de Luziânia, vai cobrar os resultados dos exames de Diego Alves para dar andamento ao processo.