Ser Pai é …

O resgate do processo de humanização, de que tanto à ciência pedagógica, na modernidade, apregoa, teorizado por outras ciências sociais, vem dando lugar à prática desumanizante, por parte daqueles que insistem em desestruturar famílias e estabelecer o caos social. Essas pessoas também se respaldam na ingovernabilidade que marca  a realidade dos poderes em nosso Estado, afinal a ausência da justiça, valor que deve reorganizar as relações em sociedade, oferece à irresponsabilidade e impunidade uma força “maquiavélica”.

Ao vivenciarmos o “Dia dos Pais”, não nos furtemos de contemplar essas realidades, plasticamente encorpadas por alegorias diabólicas, que estão arrancando de nosso convívio a paz e a felicidade, sobremaneira daqueles que desfrutam de uma vida familiar, profissional e religiosa integrada e harmonizada. Como se não bastasse ferir nossas vocações de vida, essa gente, revestida por sentimentos desumanos,  abusa, usa, maltrata e mata o fruto mais precioso de nossas entranhas, nosso (a) querido (a) filho (a). Nesse sentido, esse provérbio popular credita sob nosso mundo a utopia do paraíso, ao mesmo tempo em que edita o paradoxo entre o sofrimento e a necessidade de reação às injustiças e ao desamor  com a sensação de impotência e indignação que tomam a vida diária de pais que perdem seus filhos.

Será, de fato, que precisaremos incorporar em nosso dia a dia essa fala popular, que desconhece a força da unidade social e da consciência dessa coletividade, na luta pelo maior valor, que o sistema econômico e o processo midiático eliminam em nome do “deus capital”, a vida; a existência de quem persegue o sonho de tornar sua vocação profissional um serviço à satisfação de viver e possibilitar que muitos outros vivam felizes, com dignidade. Nossa trajetória de vida não pode parar nas mãos de quem arbitrariamente quer subtrair socialmente ao invés de somar, como fazem as famílias, que através de vínculos amorosos geram filhos, com o desejo de que por meio deles se dê a permanência de valores sólidos, que instaurem uma vida nova, numa nova terra. 

O governo de um país, distribuído em suas múltiplas instâncias de poder, ao denominar-se uma República deveria estar atento ao conteúdo deste termo, isto porque as coisas públicas, a exemplo da educação, saúde e segurança da população não estão na ordem da pauta diária de quem pleiteou o voto de cada indivíduo, sobretudo os menos privilegiados socialmente. O momento do pleito, que se aproxima, deve provocar em cada pessoa eleitora essa consciência crítica, a mobilização social pela cobrança de uma plataforma de governo apresentada por seus candidatos, por ocasião  dos palanques, das festas musicais e dos discursos que ocultam as verdadeiras possibilidades de dignidade para a vida dos trabalhadores e das famílias que pagam seus impostos aos governos, estadual e da União. Penso que o maior tributo, num dos primeiros países em carga tributária, é ver pais de família, que trabalham com dignidade e respeito, a fim de ganhar o pão de cada dia para seu (s) filho (s), serem violentados na carne, por conta de um país com um Constituição, em termos de conteúdo, riquíssima, porém governado por legalistas e insensíveis a essas mazelas sociais. Vale ressaltar que o governo não faz por cumprir a maior de todas as leis, aquela sobre a qual ele não pode gerar, a  vida. Por essa razão e movido pelo coração de pais que choram perdas humanas, urge que cada poder constituído e os homens da política aprendam com os pais as maiores sabedorias humanas: saber cuidar da vida, defender a dignidade e a felicidade dessa vida nesta terra, tão sonhada por cada pai que engendrou parte de si mesmo no útero da mulher amada, acolhida pela mãe terra, a casa que abriga todo ser.  Que todos os dias sejam dos pais que amam e desejam fazer acontecer a vida.