Do luto à luta

Quando somos escolhidas para viver o dom da maternidade, não há como não sentir que somos presenteadas com sensibilidade e intuição diferenciadas para conduzir esta missão. Se há trevas nessa estrada, o Criador nos dá a luz para que vejamos, no infinito, razões para existir. Tendo esse lema como inspiração, decidi transformar meu luto em luta, em favor da vida! E assim, aos poucos, vejo a tradução de ações em muitas mãos generosas, mobilizadas, levando ao próximo afeto, escuta,atenção. A solidariedade muito nos aproxima e nos fortalece.

Nos  deparamos todos os dias com notícias de violência, barbáries, crimes que de tão freqüentes, já não nos surpreendem.

Levantamentos estatísticos comprovam em nosso país a incidência anual de cerca de 50 mil assassinatos, 3 milhões de espancamentos brutais e aproximadamente 20 milhões de roubos e furtos. Não é difícil concluir que vivemos uma situação insuportável, onde a insegurança, o medo e a impunidade adoecem todas as camadas sociais.

A questão só parece tomar vulto quando é lembrado que vivemos um ano de eleições, onde concretamente há interesse em saber qual a primeira colocada no ranking de preocupação dos brasileiros, no caso, a segurança, e, portanto será o tema central das campanhas.

 E aí cabe a nós não permitir que continue no rol das promessas. E como fazer isso? Escolhendo bem nossos próximos governantes e cobrando com firmeza o cumprimento de tudo o que temos direito, o que depende, em grande parte, da mobilização da sociedade.

Temos exemplos concretos do poder de indignação que une as pessoas. Revoltada com os efeitos maléficos da ditadura, a sociedade reincorporou o regime democrático; tirou do Planalto um presidente indesejado e pode e deve exigir que seus direitos básicos instituídos pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, desde 1948, sejam colocados em prática.

Uma das ações que agora nos cabe é não permitir que os condenados por crimes hediondos deixem de cumprir o tempo total de reclusão ao qual foram condenados, uma vez que 75% deles voltam a delinqüir. Estamos falando de presos sem limites para as maldades como os pedófilos, traficantes, assassinos, estupradores e seqüestradores, enfim os que violam os direitos humanos. Apesar disso, alguns juristas, criminalistas, políticos e autoridades defendem com “estranho vigor” a libertação de tais criaturas com apenas 1/6 do cumprimento da pena, sob a alegação de que são vítimas da sociedade capitalista, que as cadeias estão cheias demais e que ficar nelas muito tempo não melhora ninguém. Será que a vida desses senhores está tão distante  da realidade da maioria dos brasileiros? Porque ao invés disso não se preocupam em melhorar o sistema prisional? Afinal, neste sentido, desconhecemos iniciativas de políticas públicas, apesar de todos os impostos que nos são cobrados. Os aguerridos defensores da escória da sociedade deturpam nossos objetivos quando se referem às famílias das vítimas, afirmando que queremos vingança, quando sabem que clamamos exclusivamente por justiça. É preciso lembrar, que vingança se faz com as próprias mãos. Para colocá-la em prática, não se costuma contar com a morosidade dos processos judiciais, nem com a fragilidade das leis do código penal e nem tão pouco com o sistema penitenciário falido. Mas isso está fora de questão. Não nos seduz. Nossa sede é de justiça.

A bandeira que precisamos hastear é pela VIDA. E, para isso temos que lutar contra a impunidade permissiva que autoriza, de forma tácita, o descumprimento das leis.

O dia das mães representa dia de festa, de manifestações de afeto, reconhecimento e alegria. Para muitas de nós, todo esse esplendor não será vivido em plenitude. Mesmo ainda acreditamos na grandeza de nossos corações e em nossa capacidade de amar e de querer um mundo mais justo. Lutemos por ele!