ANGÉLICA TORRES LIMA

ANGÉLICA TORRES LIMA é poeta e jornalista nascida em Goiás; mudou-se para Brasília em 1965. Publicou Sindicato de Estudantes (Prêmio Mário Quintana de Poesia, do Sindicato dos Escritores de Brasília, 1986); Solares (1988); Paleolírica (1999); O Poema quer ser Útil (2006) e Luzidianas (2010). É autora do relato Koikwa, Um Buraco no Céu (1999). Tem páginas de poesia em portais como http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/distrito_federal/angelica_torres_lima.html ; em http://www.rubensjardim.com/blog.php?idb=16440 ; em Poesia. Net (nº 245); e em revistas como El Perro Blanco (Madri, 2009) e Bric a Brac.
Angélica fez com Cristiane Sobral a primeira apresentação de poesia para as aluninhas do INSP, no dia 14 de setembro. Depois, seguiu programando o projeto e levando os demais colegas de verso pra falarem com as crianças sobre o tema, “porque a experiência é muito rica e feliz para os dois lados, poetas e alunas. Difícil é não sair de lá emocionada, em estado de enlevo e graça”.

GOYAZ NÃO HÁ MAIS

Cortaram o meu Goyaz ao meio
e não me pediram licença.
Meu papagaio de infância degolado.
Eu não tinha autorizado.

Com o Norte, assim
de mim apartado
perdi o rumo no mapa.

Levaram embora minha crença
meu estado de nascença
o contorno da minh’alma
meu Brasil por excelência
meu sentimento geográfico
meu sentido de existência.

Só deixaram o Sul, disforme,
e a metade da minha ausência

SEMI ÓTICA

Desenho de giz:
o sol se apaga
e o reflexo mutante
cintila em nenhum
significante

De que serve
o mundo, Sigmund,
se no tempo
tudo é desmanche
constante?