AMNERES

AMNERES – Poeta, jornalista e funcionária pública. Licenciada em Letras Clássicas e Vernáculo com bacharelado em Comunicação Social, ambos pela Universidade de Brasília (UnB). Publicou Emquatro (em parceria com três poetas brasilienses, 1985); Pedro Penseiro (novela, 1980); Humaníssima Trindade (1993); Rubi (1997); Razão do Poema (2000); Entre Elas (2004); Eva (2007) e Diário da Poesia em Combustão (2010). Mantém o site http://www.poesiaemtemporeal.com/sobre-o-livroblog/. Amneres se apresentou no Projeto N.Sª da Poesia, no INPS, no dia 6 de outubro, com uma flor vermelha no cabelo e de violão a tiracolo. Fez sucesso entre as alunas e saiu de lá embevecida.

CICLO

Alguma coisa me invade,
alguma coisa me acorda,
alguma coisa em mim arde,
alguma coisa em mim sopra
e a chama incendeia a carne
e o tempo trota no peito
e a vida faz amizade
com a morte e tudo é perfeito,
pois tudo finda e renasce
e é core e é recomeço.

AUTO-RETRATO
 
Eu sempre andei assim
quase absorta
quase abstrata
quase perdida
 
Eu sempre entristeci
quase obscura
quase culpada
quase escondida
 
Eu sempre amei assim
quase obscena
quase extremada
quase exaurida
 
Eu sempre percebi
ser esquisita
quase obtusa
quase maldita
 
Eu sempre fui assim
quase uma atriz
sonhando ser o amor
e ser a amada
 
Eu sempre fui assim
quase exaltada
quase encantada
quase feliz.