CARLA ANDRADE

CARLA ANDRADE é mineira de Belo Horizonte. Mora em Brasília há sete anos, onde trabalha como jornalista e é poeta em tempo integral. Alguns de seus poemas foram premiados em concursos em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Publicou Conjugação dos Pingos de Chuva (2007). Carla dividiu com Fernando Marques a aula-recital no N.Sª da Poesia no INSP no dia 10 de novembro. Saiu comentando emocionada que foi a experiência mais gratificante que já viveu. Voltou para o trabalho dela, contou, abraçando os colegas, porque precisava repartir o amor que recebeu das alunas do projeto. http://panaceiapoetica.blogspot.com/ 😮 blog da poeta.

TRATADO DAS PERPLEXIDADES
 
Transitório e absoluto,
com dentes para o vazio,
o mundo procura, de matuto,
saber para onde vai o rio.
 
O rio conduz barco
e homem de alquimia. 
Trança na água terra de luzes,
 deixa à mostra pedras,
                                varizes e estria.
À noite, com a boca de estrelas,
e pernas de avestruzes,
recolhe todos os sonhos.
  
Aí, o silêncio ensina os ouvidos
a calar o corpo.
E o lodo,
essa lembrança de rugas,
cata insetos antes do sono.
 
Pela manhã, o mundo quer acordos.
O rio, contemplação.
Maestros de peixes
escondem contratos de criação.
 
Não existe filosofia para pássaros,
o vôo em bando não requer citação,
o tempo não aceita remendos,
nem prestação.
 
O fim do rio não pertence ao mundo
   nem aos restos de nós mesmos… 

COMO HIPNOTIZAR ANZÓIS NO TEMPO
 
Enfeitice
peões de mulheres
fantasiadas de nós
em chuvas
musicadas ao avesso.
 
Trance
o destino
bem acima
da última curva
do vento.
 
Liberte
o tropel de
tangos 
das vertigens
adormecidas
em sonetos.
 
E por último
faça um agrado,
como um sopro divino,
aos ogros verdes
da saudade.
 
Se tudo
resultar em nada,
descanse os olhos
nas estrelas
aliviadas de brilho
sem respostas.