Maria Cláudia [2]

festas. Mesmo nos shoppings os
semblantes eram tristes e as compras
automáticas. Era necessário
manter um silêncio respeitoso diante
do fato que assustou e mergulhou
a todos numa profunda reflexão sobre
a dor que se abatia em cada morador
da capital do país. O sorriso daquela
jovem estudante do Lago Sul,
que resplandecia amor, ternura,
bondade, tudo o que significa Natal,
havia cessado diante da insânia dos
empregados de sua família. As pessoas,
eu me lembro bem, andavam
vagarosamente pelas ruas, pensativas.
Como acreditar que gente tão
bem acolhida e respeitada em seu
trabalho tivesse como marca registrada
o supra-sumo da maldade e tirasse
sob sórdidos argumentos a vida
de quem era a marca registrada
do bem, da alegria em seu mais alto
grau de pureza? Fiquei nestes quase
três anos pensando em como esse
fato mudou os rumos de tantas famílias.
Em como esse fato dilacerou a
família da jovem que tinha aquele
sorriso cativante, e pelo que vejo pela
imprensa tem transformado sua
dor em doses multiplicadas de amor
distribuindo afeto por moradores de
entidades carentes. Só mesmo uma
formação ética e moral muito firme,
para agir como os pais, a irmã, os parentes,
os amigos, doando-se em favor
da vida. Li esta semana no Caderno
Cidades do JB que no dia 12

do próximo mês aquele a quem podemos
chamar de clone do mal irá a
julgamento e que sua comparsa está
na fila. Rezo todos os dias para que o
menino Jesus neste Natal não se recolha.
Não será, claro, nunca mais
para tanta gente, um dia de festa,
mas de orações. E neste, com certeza,
de agradecimento porque a Justiça
terá sido feita. O clone do mal e
sua cúmplice receberão no mínimo,
a pena máxima. É isso que a sociedade
quer.
Iris Ferreira,Asa Sul