Manifestação lembra Maria Cláudia

Priscila Machado

 

Familiares, amigos e participantes do movimento Maria Cláudia Pela Paz   foram ontem ao cemitério Campo da Esperança, para homenagear a estudante, assassinada brutalmente há três anos. Na entrada do cemitério, eles distribuíram panfletos, pedindo justiça no caso.     

Cerca de 40 pessoas participaram do ato. Os pais de Maria Cláudia, Cristina e Marco Antônio Del'Isola, fizeram uma corrente de orações, pela alma da estudante, para fortalecer as famílias vítimas da violência e para pedir que casos como este não se repitam.

O assassinato de Maria Cláudia foi um crimes que mais chocou a população do DF nos últimos anos.   No dia 9 de dezembro de 2004, Maria Cláudia Del'Isola, 19 anos, foi violentada e morta na casa onde morava com os pais, no Lago Sul. Os acusados do crime, Bernardino do Espírito Santo Filho e sua ex-namorada, Adriana de Jesus Santos, eram de confiança da vítima. Eles trabalhavam, há cerca de dois anos, na casa da família.

O ato realizado ontem, além de  homenagear Maria Cláudia, foi para pedir paz. Para Cristina, mãe da estudante, a violência atual é reflexo da falta de sensibilidade pela vida humana e por uma inversão de valores da sociedade.

– Hoje, as pessoas não dão o menor valor a vida humana. Esta é uma homenagem aos jovens   que tiveram suas vidas tiradas pela violência. Aqui estão reunidas famílias que passaram pela mesma dor. Nós estamos fazendo hoje um apelo a vida, um apelo para que possamos continuar a ter fé e esperança de um mundo melhor. – disse.  
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Silvana Maria Cardoso Leal e André Leal, participaram da homenagem. Eles também tiverem um filho vítima da violência. O estudante João Cláudio Cardoso Leal, de 20 anos, foi assassinado, em agosto de 2000, depois de uma sessão de socos, na saída de uma boate na 411 Sul.

Silvana e André, fazem parte do Comitê Nacional de Vítimas da Violência. André contou que hoje eles lutam para evitar que outras famílias sofram.  

– Nosso trabalho é de formiguinha, mas, mesmo que seja pouco, nós o fazemos. Se conseguirmos conscientizar uma pessoa, já é uma vitória. Para nós, estarmos aqui hoje, nessa manifestação, não é um dia triste, é um dia bonito. Nossos filhos foram embora, mas deixaram uma mensagem, que estamos passando adiante – disse  

Os participantes vestiam uma camiseta branca com a frase Maria Cláudia Pela Paz.   e carregavam uma faixa com os dizeres Brasília exige justiça pela vida de seus filhos inocentes.

No dia 12 de novembro, Bernardino do Espírito Santo Filho e sua ex-namorada, Adriana de Jesus Santos,   serão julgados pela morte de Maria Cláudia. A mãe da vítima, Cristina, disse que espera que seja feita justiça.

– Estamos nos fortalecendo, rezando, para que se faça justiça. Deus não idealizou um mundo como esse em que estamos vivendo. Não há explicação humana para a crueldade praticada por esses dois – disse.

Cristina questionou o código penal brasileiro, que, para ela, beneficia os criminosos.  

– Hoje, os criminosos hediondos receberam uma série de vantagens, de abrandamento de penas.   Algo precisa ser feito para mudar isso, precisamos de penas mais rígidas – afirmou.

Mariana Aguiar, 24 anos, arquiteta, também concorda com Cristina. Mariana não conhecia Maria Cláudia, mas ela participa do movimento em defesa da paz.

– As pessoas não podem apenas ficar em casa, reclamando. Temos que ir para as ruas, lutar contra a impunidade. Esses criminosos não podem simplesmente ficar presos seis anos e depois ter redução de pena e serem soltos – disse.

Durante toda a semana que vem, o movimento Maria Cláudia pela Paz  continuará a distribuição de panfletos pedindo justiça no caso. O movimento espera receber ajuda de voluntários.

No domingo, dia 11, às 18hs,  será realizado um encontro de oração pela família de Maria Cláudia,   na capela do colégio Maristão, na L-2,  quadra 616 Sul.  A participação está aberta a comunidade.

Em 12 de novembro, dia do julgamento de Bernardino e Adriana, o grupo fará uma manifestação em frente ao Tribunal de Justiça do DF e Territórios. O ato será às 7h, os organizadores convocam a população a participar. A idéia é provocar uma reflexão sobre a insegurança em que os cidadãos do DF vivem atualmente. Todos os manifestantes estarão vestidos com   camisetas pretas, com os dizeres Justiça por Maria Cláudia.

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Quem tiver interesse em participar, deve ligar para Marta Janeth, coordenadora do movimento Maria Cláudia pela Paz, nos telefones 9966-3493 ou 3443-2065.

(Jornal do Brasília, Caderno Brasília, edição de 3/11/2007)