Começa hoje o julgamento do casal que matou Maria Cláudia

Brasília veste preto no dia do julgamento dos acusados da morte da estudante Maria Cláudia Del’Isola, em dezembro de 2004. A mobilização se deve ao trabalho realizado pela família da jovem e por integrantes no Movimento Maria Cláudia pela Paz. Ontem, o grupo fez panfletagem no Parque da Cidade, e às 18h, uma oração reuniu familiares e amigos no Colégio Maristão, na L2 Sul. A última ação será hoje, a partir das 8h, em frente ao Tribunal de Justiça do DF. Às 9h, Bernardino do Espírito Santo Filho e Adriana de Jesus Santos sentam no banco dos reús.

Os dois confessaram ter violentado e matado a estudante de 19 anos. O corpo de Maria Cláudia foi encontrado embaixo de uma escada, na casa dela. Há cerca de um mês, os participantes do movimento começaram a mobilização. A idéia era resgatar da memória de todos o crime que chocou a cidade. Ao todo, 42 mil panfletos foram distribuídos e 800 camisetas confeccionadas. O material foi entregue em portas de faculdades e áreas de grande circulação. Os freqüentadores do Parque da Cidade foram convidados a usar uma faixa preta no braço, em sinal de luto. Além disso, postos de combustível penduraram faixas com a frase Brasília pede justiça por Maria Cláudia.

O casal de advogados Roneide Persiano Costa, 45 anos, e Cleber Lima Costa, 49, esteve no parque na manhã de ontem para apoiar o movimento. Ambos acreditam que o sentimento de indignação é grande, porque a família confiava irrestritamente nos assassinos da estudante. – Temos uma filha de 16 anos e pessoas que trabalham na nossa casa. É uma insegurança, a gente não tem maldade o suficiente para prever que uma coisa dessas possa acontecer – comentou Roneide. A pequena Bárbara Saito Sampaio, 2 anos, também deu sua contribuição à causa.

Com a faixa preta no braço, a menina ajudou a mãe, Pollyanna Saito, 29 anos, a entregar folhetos no parque. – Maria Cláudia virou um anjinho – disse a garota. Para Silvana Leal, mãe do estudante João Cláudio Cardoso Leal, assassinado em 2000, o mais importante no julgamento será conseguir a pena máxima para Bernardino e Adriana. João Cláudio foi agredido por Marcelo Gustavo Soares de Souza, na época do crime com 23 anos, e José Quirino Alves Júnior, então com 27 anos. Eles atacaram o rapaz na saída de uma boate, na 411 Sul.

Os dois passaram mais de um mês foragidos, mas foram julgados em 2004 por homicídio doloso qualificado. Hoje, José Quirino está em liberdade condicional, após cumprir dois terços da pena. Já Marcelo recebeu o benefício de regime semi-aberto e apenas dorme na prisão. – Penas severas são uma forma de inibir que os crimes voltem a ocorrer. No caso do meu filho, os assassinos já estão andando nas ruas – reclama Silvana.

O julgamento de Bernardino e Adriana será acompanhado por toda a família de Maria Cláudia. Marco Antônio Del’Isola, pai da jovem, é testemunha de acusação. A mãe, Cristina, acredita que o júri se mobilizará e dará a pena máxima aos assassinos. – Nesse momento, não se trata somente da Maria Cláudia. O principal é a possibilidade de fazer justiça aos

filhos dessa cidade – disse.

 

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